Na segunda, uma música

Minha memória musical está permeada de canções dos anos 1980. É bem possível que seja por que meu desenvolvimento tenha ocorrido justamente nessa época – infância e adolescência.

Um dos cantores que frequentemente eu escutava no rádio era Lionel Richie.

As novas gerações talvez não o conheçam, mas o artista começou a carreira em 1968.

Em 1982, lançou o primeiro disco solo e, desde então, foi trilha sonora de muitos romances. Ei… Não estou dizendo que foi o meu caso. Afinal, em 82, eu só tinha 7 anos.

Dono de uma carreira sólida, respeitada e mais de 100 milhões de discos vendidos, Lionel Richie já chegou aos 70 anos. Ainda assim, segue em atividade.

Para esta segunda-feira, escolhi um dos seus grandes sucessos, Stuck on you (Preso em você). Vale a pena recordar… Ou, para os mais jovens, conhecer.

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Como avaliamos nossos problemas?

Algumas entrevistas são surpreendentes. Anos atrás, uma conversa com um psiquiatra trouxe algumas reflexões que ainda hoje reproduzo para leitores e amigos. Detalhe, recordo da entrevista, mas não lembro do profissional.

Em primeiro lugar, confesso que, naquela ocasião, o papo me surpreendeu, porque, geralmente, temos uma imagem estereotipada do psiquiatra: trata-se de um profissional que, embora cuide das emoções, faz parte de um grupo seleto da medicina que tem um olhar para a mente humana sob uma perspectiva muito mais de cura por meio de medicamentos do que movido pela crença de que o ser humano se constrói e reconstrói por suas atitudes e escolhas, dentro do contexto em que está inserido.

Nosso diálogo, porém, foi noutra direção… Falamos sobre qualidade de vida. O psiquiatra foi taxativo: a vida pode ser mais simples ou mais difícil, dependendo da escolha de cada indivíduo. Parece conversa de autoajuda, mas não é. Na prática, a maneira como olhamos os desafios que temos vai determinar nossas ações e, principalmente, nosso estado de espírito. Ou seja, a angústia e o sofrimento podem ser menores ou maiores. A decisão é nossa.

Parece racional demais. Afinal, como já escrevi noutras ocasiões, a razão parece não comandar o coração. Entretanto, podemos conversar com nossos sentimentos. Esse diálogo interior ajuda a reorganizar os sentimentos.

Há coisas que acontecem conosco que não procuramos entender. Não questionamos o por quê. Acontece que, sem procurar resposta para as dores da alma, abrimos mão de viver melhor.

Às vezes nos pegamos tristes. Pode ser por causa de um relacionamento mal resolvido, de uma amizade desfeita, uma desavença com um colega de trabalho ou um professor… Ficamos recordando tudo que houve ou ainda existe de ruim, alimentando a dor interior. Sofremos durante dias – algumas pessoas sofrem por anos – por algo que poderia ser trabalhado interiormente, sublimado.

Mas como?

Em qualquer dessas situações, a primeira pergunta a responder é: “por que estou triste?”. Se o problema for identificado, a segunda pergunta é: “posso resolver?”. Se posso, “de que maneira?”.

Temos condições plenas de avaliar perdas e ganhos diante de qualquer situação. Se o caso for de um relacionamento, é preciso concluir: “vale a pena mantê-lo como está?”, “devo romper?”, ou ainda “invisto na reconstrução?”. Afinal, quais as consequências? Que consequências posso assumir? O que eu consigo fazer? Que escolha vai me deixar mais feliz?

A solução perfeita não existe. Nenhuma opção é livre de consequências. Todas terão graus variados de perdas e ganhos. Por isso, conformar-se é uma capacidade que deve ser desenvolvida.

Para alcançar novos sonhos, talvez alguns antigos terão de ser abandonados. Ninguém vive feliz se não compreender esse princípio da vida. O mundo nunca será perfeito. E nem a vida, cor-de-rosa.

Por fim, os erros de ontem nos servem de aprendizado. Não podem ser lembrados para alimentar a culpa. Ninguém volta atrás. Insistir na culpa é investir no passado e ignorar o futuro. Só reconhecemos que certas escolhas foram desastrosas porque as experimentamos. Do contrário, poderíamos nos arrepender por não tê-las vivido.

A morte da esperança

A esperança é um estado emocional que, de certo modo, assegura conforto em relação ao futuro. A esperança nos faz acreditar que tudo vai dar certo.

Essa forma de se relacionar com o mundo é positiva.

Entretanto, a esperança tem nos escapado. As novas gerações são gerações sem esperança. E mesmo entre nós, adultos, a esperança está enfraquecendo.

Na prática, o mundo que estamos construindo, nossas atitudes diante do planeta e da vida são responsáveis pela morte da esperança.

Quando nossos meninos e meninas olham para nós, adultos, não conseguem vislumbrar nada que alimente a esperança de vida deles.

Nosso próprio discurso a respeito do investimento no futuro se resume a insistir para que façam tudo que estiver ao alcance a fim de serem bem-sucedidos. E o que seria ser bem-sucedido? Ter uma profissão respeitada, um bom salário e reunir as condições necessárias para comprar tudo que for possível comprar.

As novas gerações olham para nós e percebem o quanto isso é pobre. As pessoas vivem cansadas, doentes, física e emocionalmente, possuem relacionamentos frágeis… Uma vida medíocre em nome do que é idealizado como vida desejável.

Por outro lado, a violência cresce, o individualismo egoísta torna a todos inimigos… E, pior, a nossa casa, o planeta, está sendo destruído.

A política é mesquinha, não está e nunca esteve a serviço de todos.

Como ter esperança? Não dá para ter esperança.

E sem esperança, muitos dos meninos e meninas não enxergam sentido na vida. Por isso, não há prazer em viver e o próprio desejo de morrer faz parte dos pensamentos de muitos deles.

A falta de esperança dessas novas gerações pode ser, porém, a nossa salvação.

A esperança que alivia as dores também anestesia as ações. Ficamos esperando uma espécie de milagre… Algo que possa dar um sentido às coisas e até salve nosso planeta.

Sem esperança, talvez nossos meninos e meninas, os mais resistentes, sejam objetivos, virem o jogo e criem formas mais honestas de viver, de se relacionar com o dinheiro e até de explorar o planeta.

Na segunda, uma música

Flávio Venturini é autor de algumas das mais belas músicas brasileiras – acho que amo todas elas (“Espanhola”, talvez seja minha preferida). Nascido em 1949, o compositor, músico e cantor mineiro descobriu a música aos 3 anos. E embora já esteja com seus 70 anos, segue em atividade.

Dono de uma voz lindíssima – que, para mim, lembra o timbre de Ivan Lins -, Flávio, após conhecer Santo Amaro, escreveu a letra para a música Arioso, da Cantata número 156, do músico alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750). O título da canção é “Céu de Santo Amaro”. Ficou maravilhosa!

Outros cantores brasileiros já interpretaram a canção: Caetano Veloso, Maria Bethânia, Chitãozinho e Xororó, Péricles, Jerry Adriani e até Ivete Sangalo.

A versão que compartilho aqui é interpretada apenas por Flávio Venturini. Vale a pena deixar-se encantar pela melodia e pela letra singela.

Podemos escolher que tipo de gente queremos ser

Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

Não gosto do discurso de que somos os responsáveis por nossas conquistas e fracassos. Acho que essa ideia falha quando confrontada com a realidade. O mundo que a gente vive e as condições de vida de cada pessoa condicionam as conquistas individuais.

Um exemplo… Imagine um garoto que acabou de chegar à universidade. Ele acorda às cinco e meia da manhã, entra num ônibus às 6 e 15 e chega ao trabalho às 8h. No almoço, come qualquer coisa, pois tem apenas uma hora de intervalo. Ele sai às 5 e meia da tarde e já vai direto para a faculdade. Chega às 7h e já entra em sala de aula para estudar até às onze da noite. Depois, pega outro ônibus e só vai estar em casa perto da meia noite. Esse garoto dorme durante a semana apenas cinco horas por noite, nunca tem uma refeição balanceada. Estuda apenas alguns minutos no ônibus, quando consegue um lugar para sentar.

Por outro lado, imagine um rapaz da mesma idade, mas que pode dormir bem todas as noites, entre oito e nove horas por noite, ajuda a família na empresa apenas meio período, faz suas refeições em casa e tem todo o suporte da família para priorizar os estudos.

Qual dos dois garotos terá mais chance de obter sucesso na faculdade?

Por mais que o primeiro se dedique, dormir poucas horas todas as noites, comer mal e estar sempre cansado afetam profundamente o desempenho dele. E isso esse garoto não controla. Talvez ele não dê conta de persistir; talvez seja engolido pelas circunstâncias e abra mão da faculdade. Ou seja, as condições de vida dele condicionam o desempenho e poderão limitar suas conquistas futuras.

Entretanto, deixa eu voltar a frase inicial… Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

O garoto de nossa história não tem controle de tudo, mas ele pode escolher ser dedicado, responsável, ético, justo… Ele pode escolher estar sempre aberto ao aprendizado, a fazer bem tudo que lhe chegar às mãos… Pode escolher viver reclamando da vida que tem ou seguir lutando para conquistar uma vida melhor.

Todos nós podemos escolher que tipo de gente queremos ser. Podemos escolher ser pessoas respeitosas, tolerantes, amáveis, caridosas… Essas são escolhas que podemos fazer.

Só vive em paz quem faz o que precisa ser feito…

A frase que dá título a este texto é do professor Mário Sérgio Cortella. E ela nos serve de alerta, uma espécie de lembrete sobre nossas práticas cotidianas.

Quase todos nós, no fundo, sabemos o que precisa ser feito. Temos noção daquilo que nos cabe fazer – seja nos relacionamentos, no trabalho e até no que diz respeito ao desenvolvimento pessoal.

A quantidade de informações que recebemos diariamente aponta quais as práticas fundamentais: o exercício da ética, do respeito, da tolerância… A necessidade de alimentar os bons afetos nos relacionamentos, a importância de perdoar, a abertura e dedicação ao aprendizado constante…

Enfim, esses valores nos são ofertados diariamente e, por isso, quando você está numa situação específica, sabe o que precisa fazer. Numa sala de aula, por exemplo, o aluno sabe que deveria deixar o celular do lado e tentar prestar atenção na sala para aprender algo diferente. Na empresa, o funcionário sabe que faria bem para o crescimento profissional tomar a iniciativa e realizar tarefas que não parecem ser obrigação dele – o colaborador sabe que isso provavelmente seria bem visto pela chefia. Mas ainda assim, muita gente opta por não fazer.

Por isso, quando o prof Cortella diz: só vive em paz quem faz o que precisa ser feito, ele destaca que, ao não fazer o que precisamos fazer, permanece em nós o incômodo da consciência de nossas falhas, do fato de sermos responsáveis por alguns dos nossos fracassos. Talvez nem sempre queiramos admitir, mas, no fundo, sabemos que fomos parcialmente (ou totalmente) responsáveis pela perda daquele emprego, na nota baixa, no fracasso da formação escolar e até mesmo do fracasso do relacionamento.

Por outro lado, quando fazemos o que precisa ser feito, ainda que tudo dê errado, temos paz de espírito. Dentro de nós, permanece a convicção de que fizemos o nosso melhor.

Fazer o que precisa ser feito exige ação, exige uma atitude racional. Mas isso é possível. Afinal, a capacidade de racionalizar é uma das características que nos diferenciam dos animais.

Conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas?

Geralmente esperamos muito das pessoas com as quais convivemos. Queremos que sejam gentis, honestas, fieis, amáveis, respeitosas, éticas… Também desejamos ter por perto gente que é capaz de colocar um sorriso em nosso rosto.

Não há nada de mal nisso.

Tenho insistido, inclusive, que devemos preservar e valorizar os relacionamentos que nos alegram. Se a pessoa que está do seu lado é capaz de te fazer sorrir, valorize-a.

Faz um bem enorme ao coração passar alguns minutos com alguém que consegue tornar o ambiente mais leve, gente que faz a gente rir e esquecer dos problemas, não ver o tempo passar.

Dias atrás, recebi uma pessoa que tornou a única hora que ficou em nossa casa uma das experiências mais agradáveis que tive este ano. Eu nunca o tinha visto. Por causa da amizade que temos com a namorada dele, ele passou em casa e, desde então, sempre que posso, procuro manter contato. Infelizmente, esse jovem mora do outro lado do Brasil. Porém, a impressão que deixou foi a melhor possível e lembro com saudade do tempinho que passou junto com nossa família.

Pessoas assim fazem nosso coração sorrir.

Mas… E nós? Tornamos a convivência com o outro uma experiência alegradora? Será que as pessoas sentem prazer em estar conosco por alguns minutos? Nossa companhia é desejada?

Muitas vezes, lamentamos a ausência da família, a falta de amigos. Queixamo-nos da solidão, do abandono. Porém, uma pergunta que não podemos deixar de fazer a nós mesmos é justamente essa:

Conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas?

Sabe, por mais doloroso que seja admitir, nem sempre somos boas companhias. Às vezes, nossas reclamações, queixas, pessimismo tornam nossa presença um tanto pesada, desagradável. Isso afasta as pessoas.

Portanto, minha dica é simples: que possamos nos conhecer bem, mudar o que carecemos mudar, tornando-nos pessoas com as quais vale a pena estar junto.

Na segunda, uma música

Acho que estou numa fase à capela. Desde que voltei a destacar uma música a cada semana, apresentei várias delas feitas sem nenhum arranjo instrumental.

Na verdade, a técnica de canto à capela é conhecida desde a Idade Média, no canto gregoriano e músicas sacras renascentistas, mas também está presente nas celebrações religiosas de judeus e muçulmanos. Entretanto, nas últimas décadas, a técnica foi incorporada por diferentes gêneros – até mesmo a música pop -, ganhou novos contornos e os cantores hoje produzem sons de instrumentos de percussão, baixo etc.

Um exemplo disso é o grupo Pentatonix, original de Arlington, Texas. Composto por cinco integrantes – entre eles, uma mulher (Kirstin Maldonado) -, o grupo começou em 2011, possui mais de 17 milhões de inscritos no canal do Youtube e já fez turnês mundiais, encantando plateias de todas as idades, com músicas próprias e versões de sucessos consagrados.

Para hoje, escolhi a canção “Can you feel the love tonight?”, recentemente lançada no canal do Pentatonix. Semelhante a música que compartilhei na semana passada, também é de Elton John e faz parte da trilha original do filme Rei Leão. Vamos ver e ouvir?

Interpretação simplesmente impecável do grupo Pentatonix.