Tolerância e respeito

Num planeta com mais de 7 bilhões de pessoas e cada vez mais conectado na rede, valores como tolerância e respeito tornam-se essenciais.

São mais de 7 bilhões de cabeças. Gente que possui gostos diferentes, religiões diferentes, ideologias diferentes… E com uma incrível capacidade de se expressar e defender suas opiniões.

Somos um tipo de bicho completamente distinto dos demais. 7 bilhões de leões sobre o planeta são apenas isso: 7 bilhões de animais de uma mesma espécie. Vão se distribuir pelo planeta seguindo as regras da natureza e vão se comportar de acordo com o que se espera da espécie.

Não é o que acontece conosco. Pessoas se aproximam, se distanciam, brigam e até se matam em virtude de suas ideias, das coisas que acreditam.

Séculos atrás, quando as opiniões existentes só ganhavam visibilidade no núcleo familiar ou na comunidade a que cada pessoa pertencia, aconteciam embates. Mas quase sempre a voz do pai, do padre ou de um governante prevalecia e os demais se silenciavam.

Não havia muito espaço para a divergência.

Hoje, com as redes, todos falam, todos se posicionam… E muita coisa que parece tola, ignorante, vazia nos agride. Agride nossos valores.

Isso desperta em nós a vontade de revidar, de contra-atacar e até de silenciar a outra pessoa.

É justamente neste contexto que a tolerância e o respeito se tornam valores ainda mais indispensáveis.

Para que a humanidade não caia na barbárie, é fundamental compreender que o outro pode até pensar muito diferente de mim. Talvez seja um idiota. Mas ainda assim, é humano – como eu.

Sim, caro amigo e amiga, a tolerância e o respeito são cada vez mais necessários para que possamos seguir juntos como uma espécie, que se diz superior aos outros animais.

Sem tolerância e respeito, tornamo-nos mais selvagens e cruéis que qualquer outra espécie.

Ouça o texto em podcast.

Sabedoria ao falar…

Ser sincero deveria ser um princípio de vida para todos nós. Entretanto, nem sempre é isso que acontece. Por medo, por autopreservação e até para agradar os outros, nem sempre nos manifestamos de forma verdadeira, honesta. Além desse tipo de comportamento não ser ético, também traz consequências negativas para nossa imagem.

Curiosamente, porém, algumas sofrem por serem sinceras demais. Na verdade, não se trata de um problema com a verdade, trata-se da ausência de sabedoria.

Tem pessoas que, sob a alegação de que são verdadeiras o tempo todo, dizem o que passa na cabeça delas. Com isso, são agressivas e até mal educadas.

É desnecessário comentar para sua avó que o bolo que ela fez com tanto carinho esperando te receber na casa dela não ficou gostoso. Muito menos faz sentido você falar para sua esposa que ela teria ficado mais bonita se não tivesse passado a tarde inteira no salão se produzindo com o objetivo de sair com você para comemorarem o aniversário de casamento. Agir assim é, no mínimo, deselegante. 

Ou seja, há ocasiões em que você demostra amor, carinho, respeito ao não verbalizar tudo o que pensa.

Saber como se posicionar diante dos fatos e das pessoas é um ato de sabedoria. Sim, porque, para além da ética, da honestidade e do próprio bom senso, o receio de desagradar também se torna um problema.

Nas relações corporativas, por exemplo, muita gente, por medo, autopreservação e até bajulação, nunca diz o que realmente pensa. Sempre concorda com as chefias ou com os colegas.

Isso prejudica a imagem profissional.

As relações, de toda a natureza, sustentam-se na autenticidade. Gente que não se posiciona é gente que demonstra fraqueza, insegurança, despreparo para ocupar funções importantes. É gente descartável.

Por isso, embora não seja simples encontrar a medida certa do silenciar e do dizer o que pensa, é fundamental procurar o ponto de equilíbrio. Ninguém quer conviver com gente insossa ou que concorda com tudo. Desejamos pessoas que tenham personalidade, sejam verdadeiras, sinceras, mas não esqueçam da gentileza ao falar. 

Ouça a versão deste assunto no podcast.


Não espere as oportunidades…

O filósofo francês Denis Diderot escreveu “não esperes que as oportunidades venham sozinhas; você tem que fazer isso acontecer”.

Embora seja uma frase curta, a afirmação do filósofo resume uma ideia preciosa: precisamos construir nossas oportunidades.

É fato que algumas acontecem naturalmente.

Talvez você encontre um amigo na rua, um cara que gosta bastante de você… Há meses não se falavam. Vocês se encontram, conversam dez minutos e ele diga: fulano, a minha empresa abriu uma vaga para um profissional que tem o seu perfil. Te encontrar aqui foi uma coincidência maravilhosa. Você tem interesse na vaga?

Sim, essas coisas podem acontecer. São oportunidades que surgem quando não esperamos.

Entretanto, a regra não é essa. As oportunidades geralmente não batem a nossa porta. Precisamos construir o cenário para que aconteçam.

Você não se tornará diretor de uma empresa sem, primeiro, buscar a formação e o preparo necessários para a função. Depois, é fundamental entregar seu currículo, tentar estabelecer vínculos com pessoas que trabalham no local, manter contato, estar disponível para outras funções, ter presença ativa no LinkedIn e não deixar de demonstrar, sempre que possível, que é uma pessoa que reúne as habilidades desejadas para o bom exercício profissional.

Isso vale para todas as outras áreas da vida. Tem gente que vive amores platônicos… Ama, mas nunca se relaciona com a pessoa amada. Parece esperar que a outra pessoa venha bater na sua porta pra dizer: ei, eu também amo você!

Desculpa aí, mas isso dificilmente vai acontecer.

As oportunidades que sonhamos estarão ao nosso alcance se agirmos. Somos nós que fazemos as oportunidades acontecerem.

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Três grandes urgências a serem enfrentadas pelos professores

Antes de tratar do tema proposto, um esclarecimento: defendo a necessidade de rompermos com a visão romântica sobre a docência. Ser professor é sim uma atividade diferenciada, porém requer profissionalismo e atitudes coerentes com o mundo em que vivemos.

A gente vive um momento bastante delicado para a educação. E isso afeta diretamente a vida de quem está à frente de uma sala de aula.

Na educação, eu diria que temos duas grandes demandas. A primeira diz respeito à (falta de) qualidade da educação brasileira. A segunda, tem a ver com a necessidade de reinventar a educação em virtude das tecnologias digitais.

Essas duas grandes demandas compõem um cenário assustador. Sim, é assustador. Porque, no Brasil, ainda não existe um consenso sobre como avançar na qualidade do ensino, nossos indicadores de qualidade são os piores e, até o momento, as respostas para o setor são as piores possíveis.

No que diz respeito ao universo digital, se sequer sabemos como avançar na qualidade no ensino de português, leitura, matemática, ciências etc., como conciliar as tecnologias digitais no ensino e ainda lidar com um aluno que já não aprende do jeito tradicional? Seu cérebro se tornou incapaz de concentrar-se?

É neste cenário que estão milhares de professores – da educação infantil ao ensino superior.

Entretanto, embora essas sejam questões que interessam diretamente ao professor, não cabe unicamente ao docente dar conta dessas demandas.

Por isso, ao professor, entendo que existem três grandes urgências. E estas são de única responsabilidade do educador, individualmente.

A primeira delas, valorizar-se. O professor não pode esperar que o mundo o valorize. Nem entender valorização apenas como salário. Falo de reconhecer-se como alguém importante demais e agir com essa mentalidade. Há necessidade de romper com o discurso vitimista e se colocar como um profissional que pode fazer a diferença no mundo.

A segunda urgência é de investir na própria formação. Nenhuma faculdade, especialização, mestrado ou doutorado são suficientes para te fazer relevante em sala de aula. Os professores necessitam aprender coisas novas todos os dias. Isso não tem a ver com a formação continuada oferecida pelas próprias instituições ou pelo governo. Tem a ver com o professor estar conectado ao mundo e conhecer as novidades, estudá-las e ser muito bom não apenas na área que leciona. Faço aqui um acréscimo: conheço dezenas de professores que sequer dominam a escrita; escrevem errado e de forma confusa. Como ter autoridade diante das pessoas se você é fraco?

A terceira grande urgência é compreender o mundo das tecnologias digitais, saber utilizá-las para a própria formação, entender como afetam e estão modificando nosso cérebro, com efeito na aprendizagem e, por fim, dominar essas tecnologias para usá-las no relacionamento com os alunos.

Esses três pontos precisam ser urgentemente enfrentados pelos professores que desejam ser relevantes, profissionais diferenciados no mercado do ensino. Evidente que há inúmeras outras demandas, mas esses desafios que listei dizem respeito apenas ao professor. Aqueles que quiserem ser protagonistas de suas histórias como docentes, necessitam urgentemente repensar atitudes e comportamentos profissionais. Começar por esses três pontos já fará uma enorme diferença.

Na segunda, uma música

Andrea Bocelli é uma das mais belas vozes da música italiana. Bastante popular aqui no Brasil, o cantor, compositor e produtor já fez várias parcerias com artistas brasileiras.

Nesta segunda-feira, compartilho o mais recente sigle de Bocelli, Return to love. Trata-se de um dueto com Ellie Gouding, cantora britânica e uma das presenças recentes no Rock in Rio 2019.

Persista em seus sonhos

Só quem persiste transforma sonhos em realidade. Não existe receita mágica. O universo conspira a favor daqueles que se esforçam, que trabalham. É verdade que alguns parecem ter tudo “de mão beijada”, são os que “têm sorte”. Entretanto, essa não é a regra. Nossos projetos se tornam reais quando estamos dispostos a lutar por eles. E o momento para fazer isso é agora.

Sabe, não é nada fácil olhar para o mundo e ver gente brilhando, conquistando e você se sentir um fracassado. E o mundo premia os vencedores. Portanto, todos os holofotes são para eles. Logo, se a gente não consegue, é impossível evitar a tristeza, a decepção…

A amiga está ali com o corpo deslumbrante, perfeito. Fez academia, tratamento estético, perdeu peso… Está deslumbrante. O colega de trabalho ganhou a promoção, trocou de carro, está negociando um apartamento novo… É o modelo de profissional bem sucedido.

Quando a gente olha para as conquistas do outro, nossos fracassos tornam-se ainda mais dolorosos. Entretanto, a primeira coisa que precisamos compreender é que a medida do nosso sucesso não é a medida do sucesso alheio. Devemos ter nossas próprias metas. E dentro da nossa realidade. Devemos caminhar de acordo com nossos limites e tentar superá-los pouco a pouco. É assim que a gente vence.

Ter pressa nos leva a tropeçar. E às vezes recuperar-se do tombo é mais difícil que subir um degrau de cada vez (está aí o exemplo de Eike Batista, o brasileiro que queria ser o homem mais rico do planeta e agora está bem enrolado com a Justiça, além de ter sido desmoralizado).

Não existe esforço sem resultado. E se o resultado esperado ainda não apareceu é porque é preciso persistir um pouco mais; significa que o caminho é mais longo do que imaginávamos, significa que é necessário um pouco mais de empenho.

Deixa eu contar uma história pessoal… Em 2004, tentei pela primeira vez o mestrado. No ano anterior, tinha saído da graduação como melhor aluno. Tinha a melhor média entre todos os cursos. Sonhava com a vida acadêmica e, por isso, achei que estava preparado para ingressar na pós. Estudei, fiz meu projeto. Mas reprovei. Faltou um ponto. Aquilo mexeu comigo. Embora tenha começado a dar aulas pouco depois, relutava tentar de novo. Nos últimos três anos, porém, alguns amigos mais próximos começaram a insistir “você merece o mestrado”. Eu lembrava do fracasso e tinha a impressão que aquilo não era pra mim. Apenas no segundo semestre de 2012, fui realmente tocado a tentar.

Mais maduro, percebi meus limites e fiz um planejamento. Não adiantava achar que meus conhecimentos eram suficientes para garantir a aprovação na primeira tentativa. Aceitei os sacrifícios e resolvi apostar em duas frentes, Educação e Letras. Participei do processo de seleção em Educação a fim de conhecer as políticas do departamento e para cursar como aluno especial; também busquei informações em Letras para fazer disciplinas na área… E trabalhei com afinco ao longo de 14 meses nesse projeto pessoal. Aos poucos, os resultados começaram a aparecer. Conquistei professores simpatizantes aos meus projetos, passei nas provas escritas. Por fim, saíram os editais. Eu estava lá entre os aprovados e no topo das listas, em primeiro lugar.

O sentimento de ser aprovado nos dois mestrados foi especial. Hoje, com o doutorado também concluído, sinto-me recompensado.

Os anos de dúvida se eu era capaz, se eu dava conta trouxeram ensinamentos. Os questionamentos feitos por alguns de que eu era apenas um “atrevido” em sala de aula machucaram sim, mexeram com minha autoestima. Ter ouvido que eu apostava em tantas áreas e que por isso nunca seria bom em nenhuma delas também incomodou. As conquistas, no entanto, me ajudaram a perceber que não precisamos ser especialistas numa única coisa. Mas isso tem um custo, é claro. É fundamental ter um foco, a meta deve ser clara. Não dá para se dispersar. Mas vale a pena. Quando a gente acredita e se dispõe a pagar o preço, na hora certa a vitória vem.

Qual o melhor momento para iniciar um projeto?

Eu não sei você, mas eu já perdi algumas boas oportunidades por não entender a importância, a força e o poder do agora.

É normal nos sentirmos inseguros diante de projetos ou sonhos que alimentamos. Também é normal desejarmos começar algo novo no melhor momento. Porém, qual é o momento certo?

Se esperarmos o momento certo, há muita chance do momento certo nunca chegar.

Planejar é fundamental, claro. Porém, muitas vezes passamos tanto tempo planejando que o plano se torna uma idealidade utópica – ou seja, prevê um tempo certo, tempo este que não existe.

Eu comecei a faculdade quando ia completar 25 anos. Estava em Maringá há 4 anos, mas vinha adiando o meu sonho. Estava esperando o momento certo, imaginando que algumas coisas precisariam ser perfeitas para eu começar a cursar.

No início de 2000, um conhecido me procurou e falou: Ronaldo, eu consegui uma oportunidade para fazermos Jornalismo.

Eu não pensava em cursar Jornalismo, mesmo atuando na Comunicação. Eu queria outro curso, desejava estudar na UEM. Também não tinha folga financeira para pagar a mensalidade. Nem me sentia preparado para tentar um vestibular, mesmo numa faculdade particular.

Mas a insistência desse colega e o incentivo da minha esposa me levaram a aceitar o desafio.

Não era o meu momento certo. Não era o curso que eu queria. Mas comecei. E foi a melhor escolha que eu poderia ter feito. Só cheguei ao doutorado, porque dei aquele primeiro passo.

Sabe, muitas vezes, ficamos adiando uma decisão. Vejo alunos desistindo do curso por que não estão no melhor momento deles… Prometem organizar a vida para voltarem no semestre seguinte. Muitos nunca voltam. Muitos sequer fazem uma faculdade.

Por outro lado, já vi muita gente com a vida toda bagunçada, começando projetos novos ou persistindo em projetos já iniciados. Curiosamente, são essas pessoas que se dão bem.

Por quê?

Porque o momento para pôr em prática nossos planos é aquele que temos hoje, agora. O amanhã não nos pertence e não há garantia alguma que amanhã será um dia em que tudo estará perfeito para alcançarmos nossos sonhos.