Três grandes urgências a serem enfrentadas pelos professores

Antes de tratar do tema proposto, um esclarecimento: defendo a necessidade de rompermos com a visão romântica sobre a docência. Ser professor é sim uma atividade diferenciada, porém requer profissionalismo e atitudes coerentes com o mundo em que vivemos.

A gente vive um momento bastante delicado para a educação. E isso afeta diretamente a vida de quem está à frente de uma sala de aula.

Na educação, eu diria que temos duas grandes demandas. A primeira diz respeito à (falta de) qualidade da educação brasileira. A segunda, tem a ver com a necessidade de reinventar a educação em virtude das tecnologias digitais.

Essas duas grandes demandas compõem um cenário assustador. Sim, é assustador. Porque, no Brasil, ainda não existe um consenso sobre como avançar na qualidade do ensino, nossos indicadores de qualidade são os piores e, até o momento, as respostas para o setor são as piores possíveis.

No que diz respeito ao universo digital, se sequer sabemos como avançar na qualidade no ensino de português, leitura, matemática, ciências etc., como conciliar as tecnologias digitais no ensino e ainda lidar com um aluno que já não aprende do jeito tradicional? Seu cérebro se tornou incapaz de concentrar-se?

É neste cenário que estão milhares de professores – da educação infantil ao ensino superior.

Entretanto, embora essas sejam questões que interessam diretamente ao professor, não cabe unicamente ao docente dar conta dessas demandas.

Por isso, ao professor, entendo que existem três grandes urgências. E estas são de única responsabilidade do educador, individualmente.

A primeira delas, valorizar-se. O professor não pode esperar que o mundo o valorize. Nem entender valorização apenas como salário. Falo de reconhecer-se como alguém importante demais e agir com essa mentalidade. Há necessidade de romper com o discurso vitimista e se colocar como um profissional que pode fazer a diferença no mundo.

A segunda urgência é de investir na própria formação. Nenhuma faculdade, especialização, mestrado ou doutorado são suficientes para te fazer relevante em sala de aula. Os professores necessitam aprender coisas novas todos os dias. Isso não tem a ver com a formação continuada oferecida pelas próprias instituições ou pelo governo. Tem a ver com o professor estar conectado ao mundo e conhecer as novidades, estudá-las e ser muito bom não apenas na área que leciona. Faço aqui um acréscimo: conheço dezenas de professores que sequer dominam a escrita; escrevem errado e de forma confusa. Como ter autoridade diante das pessoas se você é fraco?

A terceira grande urgência é compreender o mundo das tecnologias digitais, saber utilizá-las para a própria formação, entender como afetam e estão modificando nosso cérebro, com efeito na aprendizagem e, por fim, dominar essas tecnologias para usá-las no relacionamento com os alunos.

Esses três pontos precisam ser urgentemente enfrentados pelos professores que desejam ser relevantes, profissionais diferenciados no mercado do ensino. Evidente que há inúmeras outras demandas, mas esses desafios que listei dizem respeito apenas ao professor. Aqueles que quiserem ser protagonistas de suas histórias como docentes, necessitam urgentemente repensar atitudes e comportamentos profissionais. Começar por esses três pontos já fará uma enorme diferença.

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