Três efeitos nocivos do perfeccionismo

Em entrevistas de emprego, o perfeccionismo talvez seja uma das poucas coisas que as pessoas citam como defeito. Afinal, na prática, ser perfeccionista não parece algo ruim. Gente perfeccionista é gente intolerante ao erro; logo, não deve ser ruim contar com pessoas assim numa empresa, por exemplo.

Entretanto, diferente do que muita gente pensa, o perfeccionismo é um problema. Primeiro, causa enorme sofrimento em quem tem essa característica. Segundo, causa dificuldades de relacionamento. E, por fim, impede a pessoa de arriscar, de ousar, de inovar. O perfeccionismo trava as pessoas.

Ah… Deixa eu abrir um parênteses aqui: ser perfeccionista é bem diferente de ser e estar comprometido com o que faz. Gente comprometida com o trabalho, com os relacionamentos, com a vida… é gente que busca acertar sempre; é gente que, em que tudo, busca fazer o melhor.

O perfeccionista também parece comprometido, mas seu comprometimento não tem a ver com uma escolha em dar o melhor de si. É algo mais forte que a pessoa; é um sentimento que a controla e que causa enorme sofrimento. O perfeccionista gasta todas as energias sendo meticuloso com detalhes… Está sempre inseguro, não confia em si mesmo. Nada está perfeito para o perfeccionista. Por isso, é alguém que pode desenvolver um sério problema de autoestima.

O perfeccionista também não dá conta de ter bons relacionamentos. Trata-se de alguém tão rigoroso consigo mesmo que desenvolve intolerância ao comportamento alheio.

Por fim, o perfeccionista, sempre insatisfeito com o que faz, não dá conta de ousar, de inovar. O perfeccionista só se sente seguro fazendo as coisas sempre do mesmo jeito. Não aceita os riscos. Seu medo o impede de experimentar o novo. É o tipo de pessoa que sabota a própria vida e tenta impedir quem está próximo de viver de forma criativa.

Por isso, embora seja desejável que todos nós busquemos a excelência em tudo que fazemos, a perfeição é utópica. E o perfeccionismo é um modo doentio de viver. Pessoas perfeccionistas precisam de ajuda. Do contrário, serão infelizes e causarão sofrimento não apenas a si mesmas.

Ouça o texto em podcast:

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