Aprendendo com Paulo Freire: três lições

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A atualidade do pensamento de Paulo Freire está diretamente relacionada à capacidade do educador de compreender que o ensino precisa vincular-se à realidade das pessoas. Ou seja, os métodos e conteúdos devem dialogar com o que o aprendiz vive aqui e agora. Não existe em Paulo Freire uma receita, uma forma única de fazer educação. Faz-se educação partindo-se do mundo real, das experiências do professor e do aluno.

Outro aspecto que assegura a atualidade do pensamento de Paulo Freire é a importância dada à associação entre teoria e prática.

Ele afirma:

“A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática, ativismo”.

Confesso que quando leio isso e lembro dos críticos de Paulo Freire, tenho o desejo de questionar: cara, você não consegue ver o quanto as ideias dele são sensatas?

Veja só, caro amigo, o primeiro aspecto que emerge dessa afirmação de Paulo Freire é que toda teoria sem aplicação prática é vazia. Note, qual é uma das constantes críticas feitas pelos alunos ao que acontece em sala de aula? O ensino da teoria sem a prática.

Muito do que se ensina na escola não é aprendido porque o aluno não consegue relacionar ao mundo da vida, ao que se experimenta nas práticas cotidianas. São teorias vazias. Ou, como diz Paulo Freire, uma teoria sem prática acaba virando blablablá.

Por outro, práticas sem teorias não passam de ativismo. Quando não existe uma teoria para embasar as práticas, corre-se o risco de fazer sempre as mesmas coisas sem desenvolvimento, sem crescimento. A teoria permite o repensar constante das práticas, levando à ações inovadoras.

Um terceiro e último aspecto da afirmação de Freire é que ele sustenta a necessidade de uma reflexão crítica nessa relação teoria/prática.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, mesmo havendo a associação entre teoria e prática, é fundamental sustentar uma atitude crítica desse processo. Quando se reflete criticamente sobre teoria e prática, é possível notar os acertos e equívocos. Isso permite inclusive a revisão ou mesmo o abandono de determinadas teorias e práticas.

Afinal, a vida é movimento. E ensino e aprendizagem devem vincular-se ao mundo real, inclusive com suas contradições.

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