Só aprende quem tem a consciência de que não sabe tudo

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Você se sente uma pessoa completa? Já sabe tudo que precisaria saber? Ou admite que ainda há espaço para se desenvolver mais? Quem sabe, até para mudar atitudes, hábitos, comportamentos? Se acredita que estamos sempre aprendendo, você e Paulo Freire estão de acordo.

A consciência de que somos seres inacabados, ou seja, estamos em constante formação é mais um dos princípios da pedagogia freiriana. Paulo Freire afirma que “na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente”.

Paulo Freire parte da premissa de que, embora ninguém esteja pronto, é fundamental se reconhecer como um ser incompleto, inacabado. A consciência do inacabamento do ser assegura a abertura para o aprendizado. Quem diz “eu sou assim e não vou mudar”, se vê como um ser pronto, acabado, consequentemente, essa pessoa não estará aberta ao aprendizado. Noutras palavras, só existe chance de aprender alguma coisa nova, se há o reconhecimento de que cada interação pessoal, cada texto lido, cada aula assistida pode proporcionar conhecimento.

Todos nós estamos em desenvolvimento, em formação. Ao longo de toda a vida, podemos aprender e mudar. A pessoa que é hoje de um determinado jeito, pode deixar de ser amanhã e passar a agir de outra maneira. Mas para que isso aconteça é necessário ter consciência de que somos inacabados, estamos em formação e o saber que possuímos pode se somar a outros saberes ou até mesmo ser abandonado por algo que nos transforme em pessoas melhores.

Numa perspectiva histórica, nas palavras de Paulo Freire, “mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados. Não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis, mas a consciência de sua inconclusão é que gerou sua educabilidade”. Na prática, não foi a educação que nos transformou; foi o reconhecimento de que poderíamos aprender mais. Por isso, nos abrimos inclusive para o processo formal da educação escolar. Ou seja, o desejo de saber mais criou todas as práticas educativas que hoje conhecemos.

É o reconhecimento de que podemos ser mais, aprender mais, que podemos fazer as coisas de outras formas, que nos coloca em movimento, que nos mantêm na busca por novos conhecimentos.

Segundo Paulo Freire, tanto o professor quanto o aluno, como todas as pessoas, devem viver essa experiência educativa; a experiência da constante procura pelo saber. O educador lembra que todo ser humano já nasce curioso, “programado para aprender”, um aprender que não se esgota, que se renova a cada instante e que oferece novas possibilidades de desenvolvimento.