Buscando certezas num mundo de incertezas

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A modernidade trouxe consigo a insegurança. Perdemos a estabilidade das certezas, possíveis num tempo em que nada parecia mudar. Ganhamos um mundo que muda todos os dias, mas não nos garante previsibilidade.

Quem poderia prever, no dia 31 de dezembro, que os mercados financeiros do mundo estariam em pânico em março em virtude de um vírus, o coronavirus?

A presença de uma doença que vence os limites geográficos, ultrapassa os continentes é suficiente para mudar todo o cenário da economia global e deixar lideranças políticas e empresariais sem reação. Já se fala em redução do crescimento econômico; teme-se a recessão.

No âmbito individual, não é diferente. Quem hoje coloca um filho na escola e, mesmo que invista todos os seus recursos na educação da criança, tem alguma garantia de que o futuro jovem encontrará uma profissional rentável e segura?

Alguns pesquisadores apontam que nossas crianças trabalharão em profissões que sequer foram criadas. Elas ainda não existem.

Nosso olhar para o futuro sempre foi uma aposta. Entretanto, até a Idade Média, era possível enxergar os ciclos da vida. De acordo com as escolhas do presente, projetava-se o futuro. A Modernidade trouxe inovações importantes, com o avanço das ciências. E o desenvolvimento das tecnologias digitais, principalmente nos últimos 20 anos, acelerou ainda mais as mudanças e nos colocou num caos permanente, em que a única certeza é que não há certezas.

Como viver assim? Também não existe resposta. Talvez uma única dica: aceitar as mudanças e a imprevisibilidade. Quando nos preparamos mentalmente para perder tudo e ter de recomeçar sempre, nos tornamos mais flexíveis e sofremos menos diante das constantes mudanças. Tornamo-nos mais resilientes, cooperativos e abandonamos a arrogância de que temos as respostas. Afinal, quem é de fato capaz de prever como estará sua vida e o mundo em que vive daqui alguns poucos anos?