Autonomia e responsabilidade na quarentena

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Quarentena é férias? Não! É fato que muita gente está em casa e não pode trabalhar. Mas tem outras tantas pessoas que levaram o serviço pra casa e têm a obrigação de dar continuidade as suas tarefas. Entretanto, tenho descoberto coisas interessantes a esse respeito: tem gente que parece incapaz de trabalhar em casa. Na verdade, algumas pessoas parecem incapazes de trabalhar sem vigilância, sem monitoramento, sem alguém ali, do lado, cobrando, apressando…

Sabe o que isso significa?

Faltam autonomia e responsabilidade em muitas pessoas.

A responsabilidade é a capacidade de saber quais são suas obrigações e executá-las com eficiência. A pessoa responsável assume um compromisso e o cumpre. Se foi demandado trabalhar em casa, ele vai trabalhar. Fará o que foi pedido. Respeitará os prazos, executará as suas tarefas.

Já a autonomia vai além da responsabilidade. Algumas pessoas são responsáveis, mas se sentem inseguras. Sem uma supervisão, sentem-se ansiosas. Necessitam sempre de alguma orientação. Quando o profissional é responsável, mas também possui autonomia, além de saber o que precisa ser feito, as suas atividades não geram insegurança. E se surge algum problema, a pessoa tem iniciativa para contornar a dificuldade e, ainda assim, entregar o trabalho que lhe foi solicitado.

Este período de quarentena tem revelado quem são, de fato, os profissionais responsáveis e autônomos. E, lamentavelmente, num cenário em que a tendência é do trabalho home office, é da redução de empregos com carteira assinada, é possível notar que pouca gente está preparada para dar conta de suas tarefas em casa ou sozinha num escritório.

O cenário indica que muitas pessoas vão fracassar profissionalmente – não por falta de conhecimento -, mas pela ausência de autonomia e responsabilidade.

Que mundo novo estamos construindo?

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Nos últimos dias, tenho escutado algumas pessoas falando que a pandemia de coronavírus fez morrer o mundo que tínhamos e está fazendo nascer um mundo novo.

O mundo como o conhecíamos até semanas atrás teria deixado de existir. Noutras palavras, após a crise, nada mais será como antes.

Os valores que tínhamos, as coisas que possuíamos… tudo será ressignificado. Sem contar que perderemos muitas coisas, inclusive, pessoas.

Eu concordo que acontecimentos dessa proporção criam rupturas. E dão origem a uma nova história. Entretanto, ainda tenho dúvidas se o mundo que irá nascer será melhor que o que tínhamos.

O sofrimento tem um efeito poderoso sobre nós. Ninguém sai do sofrimento igual. Porém, os efeitos nem sempre são positivos. O sofrimento pode tornar alguém melhor ou pior do que era.

Justamente por saber disso, tenho dúvidas sobre o quê iremos construir quando sairmos dessa pandemia. Na verdade, depende inclusive de como estamos administrando nossas dores e perdas hoje.

O tempo de distanciamento e/ou isolamento social pode nos tornar mais generosos, mais solidários, mais altruístas, mais amorosos, menos apegados ao dinheiro…

Mas também pode produzir pessoas mais egoístas, gananciosas, invejosas, mesquinhas, individualistas…

Sinceramente, não sei que tipo de mundo teremos após a pandemia. Entretanto, espero que esse período tão difícil possa ter um efeito bom sobre mim, sobre as pessoas que estão comigo e também sobre você. Se nos tornarmos pessoas melhores com essa crise, já teremos boas mudanças. Afinal, se a nossa casa, empresa, sala de aula se tornarem um ambiente mais amável, afetuoso, caridoso, solidário, generoso… O nosso mundinho já será melhor.