A criança que mora em mim

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Não me considero velho… Tenho 45 anos e pretendo viver até os 120. Mas é fato que estou um bocado distante da juventude. E, por isso, na faculdade, brinco com meus alunos que sou velho. Tenho idade para ser pai de quase todos eles. Quando eu tinha a idade deles, os 45 anos pareciam estar longe. Mas eles chegaram e, às vezes, tenho dificuldade de lembrar disso. 

Sabe, quando somos jovens, temos a impressão que nos tornaremos outra pessoa ao longo do tempo. E é fato que isso, de certo modo, acontece. Os anos vão nos dando experiência, adquirimos novos hábitos, abandonamos certas coisas e até achamos ridículo o que fazíamos no passado. 
Mas esse processo de mudança não é tão perceptível interiormente. 

Deixa eu tentar explicar… Dentro da cabeça da gente, ainda vive aquele menino que idealizava a vida adulta, que tinha certas inseguranças e imaginava que, quando se tornasse homem feito, seria diferente. 

Na prática, a vida adulta chega e nem nos damos conta. As responsabilidades aumenta, o corpo envelhece, as rugas e os cabelos brancos se espalham… Mas, dentro desse corpo, que já não tem mais a mesma vitalidade, ainda existe o menino que esperava por uma enorme mudança quando a fase adulta chegasse. 

É fato que as mudanças chegaram. Mudanças na forma de responsabilidades, de compromissos, de demandas que antes não tinha. Entretanto, na cabeça de um homem ou de uma mulher adulta, ainda reside um menino ou uma menina esperando crescer. 

Minha mãe, que é uma mulher de 70 anos, mas muito ativa, inquieta, ansiosa… Ela sempre diz que a mente não envelhece. O que ela tenta explicar é que num corpo idoso ainda mora aquela jovenzinha que se casou aos 17 anos cheia de sonhos e expectativas para a vida. 

Hoje, por compreender um pouco o que sou e como todos nós somos, eu me cobro menos. Aquele menino que idealizava a vida adulta ainda mora aqui. Ele se assusta quando, diante do espelho, são refletidas as rugas, cabelos brancos e a expressão um tanto cansada. 

Nessas horas, procuro lembrar que não é preciso silenciar essa criança que ainda existe em nós. Talvez essa criança seja o que temos de mais belo, pois ainda preserva a ingenuidade, a simplicidade, a criatividade, a generosidade, a disposição para brincar, rir, se alegrar, doar-se… Tem menos vergonha de pagar mico e, por isso, se permite viver. 

Talvez, ao invés de tentarmos matar essa criança que carregamos na mente, deveríamos permitir que ela apareça mais em nossas atitudes. Quem sabe seríamos mais humanos, humildes, menos preconceituosos… Mais dispostos a reconhecer nossos erros, abertos ao aprendizado e déssemos mais valor a vida. 

Talvez estaríamos mais próximos de Cristo, já que Ele disse que delas, das crianças, é o reino dos céus.