O engano da paixão

Quem consegue explicar a paixão? Estar apaixonado é uma das coisas mais incríveis que uma pessoa pode experimentar. A paixão arrebata o coração, faz-nos perder a razão. O apaixonado idolatra a outra pessoa. É capaz de fazer coisas sem nenhum sentido. Durante a paixão, a generosidade, a bondade, o altruísmo, o cuidado, a proteção… todas as coisas boas que uma pessoa pode fazer pela outra, negando a si mesma, estão presentes. Não há presente caro, não existe distância, não falta tempo para o outro.

Quando estamos apaixonados, somos capazes de mudar nosso ritmo de vida, nosso jeito de agir… E fazemos isso para agradar a outra pessoa. Nada é difícil, nada é impossível. Deixamos de olhar para nós; olhamos apenas para a pessoa por quem estamos apaixonados.

Existe uma alegria indescritível em estar com a outra pessoa. Acorda-se pensando nela, passa-se o dia pensando nela… A pessoa fica distraída, os olhos brilham, as conversas podem ser bobas, mas parecem as mais engraçadas e agradáveis do mundo.

A paixão é um sentimento tão arrebatador, tão anestesiante, que todos os problemas da vida parecem muito mais simples, fáceis de resolver. Mas a paixão acaba. Apaixonados geralmente não aceitam essa verdade. E, curiosamente, mesmo quem já passou pela paixão, às vezes ainda alimenta a ilusão de que, com outra pessoa, aquela experiência arrebatadora poderia ser perpetuada.  A pessoa se ilude achando que a culpa do fim da paixão seria das circunstância, do outro ter mudado… Foi não! A paixão acaba mesmo. O que faz a diferença entre ter um relacionamento duradouro ou não é o amor, não é a paixão. O amor é uma escolha diária. Escolhe-se amar. Diferente da paixão que, geralmente, é incontrolável, instintiva, irracional. Ninguém pode ligar um botão e apaixonar-se.

Ainda hoje, li o relato de uma jovem mulher. Ela dizia: “estou casada há oito meses, mas acho que a paixão por meu marido acabou”. Essa mulher ainda falava sobre vários comportamentos diferentes que o marido passou a ter… Enquanto lia, eu pensava: de fato, a paixão acabou e os comportamentos do marido são apenas as características da personalidade dele que começam a se revelar.

O que essa mulher pode fazer? Duas coisas, continuar iludida que a paixão pode ser pra sempre, desistir do casamento, se abrir para uma nova paixão e viver uma nova desilusão. Ou ela pode decidir amar. Porque é isso que ocorre quando a paixão acaba: toda a doação ao outro,  a devoção ao outro deixa de existir como efeito da paixão. É quando entra o amor. Você escolhe amar… e passa a agradar o outro porque decidiu amar e continuar caminhando juntos. Sobre isso já falei noutros vídeos no meu canal, inclusive na série sobre as linguagens do amor.

Portanto, quero deixar um recadinho fundamental pra você: está apaixonado, está apaixonada? Aproveite esse período! É lindo! Mas procure, naqueles momentos (que são poucos) em que a razão faz uma visitinha, dizer pra você mesmo/a: vai passar! “Vou aproveitar, mas vai passar”. E se essa pessoa pela qual está apaixonado/a tem uma história bonita, tem caráter, tem uma personalidade agradável, prepare-se para investir no amor. O relacionamento será mais calmo, os defeitos vão emergir, se tornarão aparentes, mas ainda assim você poderá ter um parceiro, uma parceira pra vida.

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