Que Cristo eu mostro ao mundo?

Uma das razões de ter decidido me dedicar às gravações de vídeos com enfoque cristão é o incômodo que me causa parte do discurso religioso dominante.

Sou cristão e não me sinto confortável com as manifestações públicas de muitas pessoas que falam em nome de Deus.

Por outro lado, tbém entendo que não é correta a crítica generalista contra a comunidade cristã.

Fieis cristãos não são estúpidos e tampouco ignorantes. Existe sim muita gente simples, sem escolaridade… Mas todo cristão verdadeiro, ainda que desconheça as letras, é movido pelo amor.

Porém, o que dizer desse pessoal que agride, discrimina e usa o nome de Deus para atacar e tenta impor o modo de vida deles aos outros? Embora essas pessoas existam e estejam no meio de nós, penso que há descompasso entre o que praticam e aquilo que representa ser um seguidor de Cristo. Prestarão contas um dia ao Senhor. Ele é o juiz!

No meu vídeo hj, parto de um verso dos Salmos que acho precioso. Diz assim: “Não se decepcionem por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exércitos! Não se frustrem por minha causa os que te buscam, ó Deus de Israel!” (Salmos 69:2).

Qual era a preocupação do salmista Davi? Ele não queria que as pessoas se desviassem de Deus em função dele, em função da conduta dele. Hoje, esta também é minha oração.

Todos os dias me pergunto: nossas ações têm apresentado o Cristo verdadeiro ao mundo?

“Todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13:35).

Um fracasso não define quem somos

Tiago Volpi falhou. Uma falha horrorosa. O goleiro foi o responsável pelo gol sofrido pelo São Paulo diante do Ceará, em partida do Campeonato Brasileiro. As imagens da falha de Volpi foram reprisadas inúmeras vezes nos programas esportivos da TV. Ao longo de vários minutos, comentaristas falavam do erro do goleiro. Vídeos também circularam na internet e foram parar até no whatsapp.

Fiquei pensando: uma defesa espetacular do goleiro teria ganhado a mesma visibilidade? Provavelmente não – talvez se fosse no último minuto dos acréscimos da partida numa final de campeonato. Ainda assim, não impactaria tanto a vida do jogador.

Outro pensamento me ocorreu: por que dedicamos mais atenção aos erros do que aos acertos?

Parece-nos natural enxergar mais os defeitos do que observar as virtudes. Uma pessoa pode ser marcada por toda a vida por um pecado da juventude. Em nossa hipocrisia cotidiana, pessoas são avaliadas pelo que aparentam e usamos uma lupa para dar visibilidade às falhas. Um fracasso pode se tornar alvo eterno de nossos julgamentos.

Um erro grave tem tanto efeito que pode nos perseguir por toda uma vida. Norteia o olhar do outro sobre nós e, curiosamente, o nosso próprio olhar. Por vezes, não conseguimos nos livrar da culpa. Na tentativa de prosseguir, o fracasso está lá impedindo-nos de experimentar, de arriscar, de ousar, de surpreender, de viver. Uma lista de acertos, de coisas boas que já foram feitas parece insuficiente para apagar um episódio negro.

Entretanto, é preciso ressignificar essas quedas. Um erro não representa o que somos. Um fracasso ou outro não define qual é o nosso caráter, nossa competência, não pode definir nossa identidade.

Imagem: Marcello Zambrana/AGIF (UOL)