Nada mais é previsível

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O fim da idade média e o início da idade moderna trouxe uma das mudanças mais profundas no modo de vida humana: acabou a estabilidade. Durante centenas de anos, o jeito que os avós e bisavós viviam era o jeito que as pessoas viveriam e também os seus filhos. A modernidade pôs fim a isso.

Porém, se as mudanças passaram a fazer parte da sociedade, causando incertezas e insegurança, a era digital acelerou o processo de mudanças. Agora, você não tem certeza sequer se a blusa que você comprou na loja hoje estará na moda no ano que vem.

E as novidades estão em todos os lugares. Nos objetos que fazemos uso em nosso cotidiano, nos softwares que utilizamos para trabalhar e até mesmo na reconfiguração do mercado de trabalho.

O sociólogo da modernidade líquida, Zygmunt Bauman, afirma no livro 44 cartas do mundo líquido moderno que “as circunstâncias que nos cercam – com as quais ganhamos nosso sustento e tentamos planejar o futuro (…) também estão sempre mudando”.

Ainda esta semana, ao conversar com meus novos alunos de jornalismo e publicidade e propaganda , ressaltei: se vocês compreenderem que as técnicas que aprenderão na faculdade estarão defasadas no dia seguinte que deixarem o curso, vocês terão sucesso no mercado de trabalho.

E por quê? Porque as técnicas mudam, as profissões mudam.

Fazer um curso superior segue sendo fundamental. Mas não pelas técnicas que aprendemos. Segue fundamental pela abertura para novos mundos da intelectualidade e para romper com as explicações do senso-comum. Afinal, o pensamento profundo é valioso em qualquer tempo da história – inclusive para adaptar-se à lógica ilógica das constantes mudanças.

Portanto, meu amigo, minha amiga, se você se sente inseguro no mundo pela ausência de certezas, compreenda de uma vez por todas: a previsibilidade já não nos pertence mais. Caminhamos tateando no escuro tentando não tropeçar nas inúmeras novidades que nos cercam, buscando formas de seguirmos em frente em direção ao desconhecido.