Meu acidente: quando um segundo muda uma vida

Hoje, faz duas semanas que sofri um acidente de moto e, desde então, tenho tentado administrar coisas completamente desconhecidas pra mim.

O acidente foi uma daquelas coisas estúpidas que a gente não consegue entender.

Eu havia ido buscar duas marmitas para o almoço e, às 11h30, retornava para casa numa biz que tenho há mais de 20 anos. Não estava com pressa, tinha controle do horário, estava numa via tranquila…

Na avenida Rio Branco, vi quando o motorista chegava para atravessar a pista. Notei que ele olhou para a primeira pista; não havia ninguém. Atravessou e parou rapidamente no canteiro.

Esse foi o momento crucial! O motorista deveria me aguardar. Indicava que faria isso. Ele estava parado. Teoricamente, tudo normal. Mas, do nada, ele acelerou e veio contra mim. Freei forte, mas era tarde.

A pancada foi violenta na minha perna esquerda. Foi esmagada entre o carro e a carenagem da moto.

Gritei e caí. A mão tentou evitar um choque maior no asfalto. Ganhei alguns ralados profundos na palma da mão esquerda.

No chão, lembro de insistir: peça socorro, peça ajuda!

Arranquei o capacete. Estava consciente, precisava respirar melhor.

Estendi a mão para a perna e vi que o pé estava “solto”. Havia um rasgo na minha pele e osso para fora. A fratura estava exposta. Procurei colocar a perna fraturada sobre a outra perna como forma de sustentar meu pé e fiquei de lado.

Tentar revisitar este momento ainda me tira o fôlego… Dói. Dói a alma.

Não sei quanto tempo demorou entre minha queda e a chegada de uma amiga que passava pelo local. A Liliane foi o anjo de Deus para mim naquele momento.

Ela tentava me acalmar e ser prática. Colocou o filho dela em contato com a Rute e ainda passaram o telefone pra mim. A Rute achava que era tentativa de golpe, pegadinha…

Disse a Rute que estava bem. Não corria riscos.

Enquanto a Rute e o Samu não chegavam, pessoas se revezavam tentando me ajudar. Apareceu até um pequeno travesseiro para deixar minha cabeça mais confortável no asfalto quente.

Apesar da gravidade do acidente, ainda hoje, não tenho dimensão da dor. Sei apenas que procurava manter a calma… Meu coração doía pelo acidente. Era difícil acreditar (ainda é) que eu estava ali, no chão, e não podia fazer nada para mudar o que acabara de acontecer. Mas também sabia que tudo iria passar. E isso me dava força.

Um dos momentos mais difíceis foi ver a Rute. Sei o quanto ela se preocupa com os riscos numa motocicleta. Ela estava em choque.

Procurei acalmá-la e pedi que retornasse para casa para buscar os celulares e documentos. Também tinha o almoço no baú da biz. Era preciso levar. E insisti: não cancele seus clientes. Eu vou para o hospital e te mando notícias de lá.

Os profissionais do Samu foram eficientes nos atendimentos emergenciais. Estabilizaram a fratura, me deram morfina, fizeram os primeiros procedimentos na ambulância na ambulância. De lá, comecei a avisar algumas pessoas sobre o acidente e pedi ajuda com a programação da rádio durante a tarde e minhas aulas.

Feitos os primeiros procedimentos, me encaminharam para o Hospital Metropolitano de Sarandi.

Todo esse processo parecia demorar uma eternidade.

Eu só queria chegar ao hospital logo.

O atendimento inicial no Pronto Socorro foi rápido. Havia uma boa equipe. Ninguém especializado nas fraturas, mas o pessoal me auxiliou no que foi preciso e já encaminhou para o raio-x.

Com os raio-x em mãos, soube que passaria por uma cirurgia ainda naquele dia e faria outras duas na sequência.

Com o celular nas mãos, procurei organizar minha ausência falando com pessoas fundamentais na minha vida. O susto de todas era grande. Mas o acolhimento, ainda maior.

Não havia muitas informações sobre o que aconteceria comigo. Segui sendo medicado por um tempo que não sei quanto durou. Sei apenas que houve um momento que foi me agonizando… Fui me sentindo sufocado, suando frio… Achei que iria morrer. Pedi ajuda. Os minutos de espera foram aterrorizantes. Descobriram que minha pressão estava em 9 por 3.

Quando estava sendo levado para o raio-x ou centro cirúrgico (não lembro mais) , meu amigo e companheiro de rádio, o Moura Netto, estava no corredor. Foi bom ver ali um rosto conhecido. Me sentia sozinho. Os poucos minutos com ele foram especiais. Faz bem se sentir querido, acolhido.

Graças a Deus, aos poucos, as coisas foram normalizando e, por volta das quatro ou cinco horas da tarde, entrei no centro cirúrgico.

Eu estava em paz. Sabia que aquele era o primeiro passo para (re)início da minha vida normal.

A equipe do centro cirúrgico brincou: você está mais calmo do que a gente.

Olhando em perspectiva para o cenário, acho que essa calma é resultado dos anos de investimento no cuidado das minhas emoções. E a transformação da teoria/conhecimento em prática é a ação de Deus em mim.

Aquela era a minha primeira cirurgia. Só havia estado num ambiente como aquele num momento alegre: o nascimento da Duda, minha filha linda, que hoje tem 20 anos.

Tudo, porém, foi muito abençoado. Nem apaguei. Permaneci acordado e interagindo com a equipe médica.

Ao final, saí do centro cirúrgico com um fixador de ossos na perna. Horrível olhar para a perna e ver aqueles ferros.

Pouco depois das 19h, retornei para o Pronto Socorro. Não havia quartos disponíveis. Fiquei melhor assim. No PS, tinha uma equipe super eficiente e atenta. Me deixaram muito tranquilo e ainda permitiram que a Rute e a Duda fossem me visitar. Só não podia comer…

Bom, vou registrar outros capítulos desta história por aqui. Mas, por ora, estou cansado…

Minha persistência em publicar nas redes sociais

Talvez seja utopia… Quem sabe, ilusão. Mas carrego comigo a crença (vou chamar assim) de que meus textos, meus vídeos e podcasts ajudam as pessoas. É isso que me motiva!

Confesso que, às vezes, faltam forças.

Eu mantenho um blog na rede há 16 anos. Sim, no comecinho deste mês de setembro, “comemorei” 16 anos do meu primeiro post. Na época, escrevia no “Blogspot” (ou blogger) – plataforma de blogs do Google. Entre idas e vindas, várias tentativas de experimentar coisas novas, parei no WordPress.

No começo, eram vários posts por dia. Ainda não tínhamos o Twitter. Então, cada recadinho se tornava uma publicação, uma postagem. Foi assim que os textos – inclusive, vários microtextos – foram se acumulando e, hoje, somados, certamente passam de 7 mil.

Neste período, vi muita gente começar a escrever. Vi muita gente desistir também. Acho que a persistência é uma virtude. Ou, no meu caso, uma teimosia. Afinal, onde já se viu alguém fazer, rotineiramente, uma coisa, dedicando tempo e atenção, sem ganhar nada?

E quer saber? Mesmo sem pensar em dinheiro, abri conta no Youtube, fui um dos primeiros no Twitter aqui em Maringá, no Facebook, no LinkedIn… Só demorei um pouco mais pra começar no Instagram. Mas também é verdade que demorei pra publicar no LinkedIn (ainda não sou fã da rede) e mais ainda para levar a sério os vídeos no Youtube. Esperava a oportunidade certa e, quando notei que o momento ideal não chegaria, resolvi apostar nos vídeos.

E qual a motivação? Compartilhar ideias, ajudar as pessoas a refletirem sobre os mais diferentes assuntos.

Pra algumas pessoas, o que eu faço aqui é um bocado estranho. Semanas atrás um amigo insistiu: – Entendi que quer levar bons conteúdos para as pessoas. Mas você precisa trabalhar nas redes para se tornar uma referência/autoridade num determinado segmento.

A fala deste amigo faz todo sentido. Desconheço quem está nas redes, produzindo conteúdos, e que não faz isso para, de alguma maneira, construir ou fortalecer uma determinada imagem. Essa é a lógica das redes. Porém, embora entenda essa lógica e inclusive trate do assunto com meus alunos e alunas, ensinando e recomendando que falem para um determinado nicho, particularmente, ainda não consigo me ajustar a isso. Eu escrevo como nos “velhos tempos”, quando escritores falavam do que estava no coração.

Pra complicar, sempre fui inquieto. Gosto de aprender sobre quase tudo. Isso me fez ser jornalista, com especialização em Psicopedagogia, mestrado em Letras/Linguística e doutorado em Educação. As áreas dialogam? Sim, mas existem conhecimentos distintos, autores e visões diferentes, tratando de questões específicas de cada área. Para completar – ou diversificar ainda mais -, também estudo assuntos ligados à religião, espiritualidade e filosofia.

O reflexo de todos esses saberes aparece aqui e nas minhas redes sociais: diversidade temática e publicações que, para muitas pessoas, fazem pouquíssimo sentido.

Ainda assim, sigo insistindo. E persistindo. Na esperança que algumas pessoas generosas e dispostas a aprender acompanhem meu trabalho nas redes.

Se você é uma dessas pessoas, sinta-se abraçado(a). Obrigado!!

Feliz a nação cujo Deus é o Senhor?

Quero compartilhar com você um trecho do Salmos 144. Na última parte do verso 15, que é o verso final, lemos:

“Como é feliz o povo cujo Deus é o Senhor!”

No Salmos 33, temos uma afirmação bastante parecida. A primeira parte do verso diz:

“Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”.

Esses versos são lindos, não é verdade?

Mas, embora lindos, eles nos enganam. Sim, a leitura destes versos nos enganam.

Por certa precipitação, ausência de contexto ou leitura displicente, a gente pode entender tudo errado é achar que toda uma nação pode ser feliz. Para isso, bastaria declarar Deus como Senhor da nação. Com isso, Deus seria o Senhor do povo e a nação seria próspera, feliz, livre de problemas.

Também é um grande erro entender que um governante pode escolher que Deus será o Senhor da nação.

Na verdade, por mais que esse governante realmente tenha boas intenções, o governo, o Estado, não torna Deus o Senhor do povo. Não existe lei, não existe decreto que seja capaz de tornar Deus o Senhor do povo.

É um engano achar que um povo será feliz, próspero, livre de violência, da fome etc., porque alguém disse: este povo adora o Senhor!

E sabe por quê? Porque a adoração ao Senhor é individual.

Eu não posso escolher Deus como Senhor do Brasil; eu posso escolher Deus como Senhor da minha vida. E não posso impor isso à minha esposa, filhos, vizinhos etc.

Mas o equívoco na leitura desses versos vai além. No texto mais citado, o do Salmos 33, geralmente se ignora a continuidade do texto. O restante do verso 12 traz: “e o povo que Ele escolheu para lhe pertencer!

Ou seja, a citação refere-se a uma escolha feita por Deus, um povo a quem Deus teria escolhido pertencer. Considerando toda a narrativa bíblica, podemos entender que se refere ao fato de Deus ter escolhido Israel.

Entretanto, no livro de primeiro Samuel, capítulo 2, versículo 30, temos uma declaração do próprio Deus que ajuda a esclarecer que, embora Deus tenha escolhido Israel, Israel não escolheu a Deus. Por isso, mesmo com a nação de Israel, a relação deixa de ser com a nação e passa a ser com o indivíduo.

Vale lembrar que, desde a aliança com o patriarca Abraão, Deus havia escolhido um povo, o povo de Israel, para ser luz para as demais nações. E Deus era o governante real do povo. Israel não precisava de rei. Contudo, o povo vivia se desviando de Deus a ponto de querer um rei. Com isso, rejeitou o Senhor.

Então Deus declara:
‘Prometi à sua família e à linhagem de seu pai que ministrariam diante de mim para sempre’.

Havia uma promessa, mas ela é retificada por Deus, que declara: ‘Longe de mim tal coisa! Honrarei aqueles que me honram, mas aqueles que me desprezam serão tratados com desprezo’.

E aí: quem é honrado por Deus? Deus honra aqueles que o honram.

Ou seja, deixa de haver uma bênção específica para o povo de Israel. A bênção é individual; é para quem honra o Senhor.

Portanto, voltando aos textos “Como é feliz o povo cujo Deus é o Senhor!” e “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, se você os usa para pensar em sua pátria, lamento informar que está bastante equivocado.

Não basta um homem, não basta uma lei, não basta um slogan para colocar Deus em primeiro lugar. Isso seria impor uma crença às pessoas.

Tampouco essas medidas iriam assegurar uma bênção especial para toda a nação.

Deus só se torna o Senhor do povo quando TODO o povo escolhe, livremente, e por amor, honrar o Senhor.

Infelizmente, isso não acontece e não acontecerá.

Enquanto vivermos neste mundo de pecado, cada um de nós pode escolher o seu caminho. E viver do seu jeito. Essa é a liberdade que Deus concedeu a todos nós.

Mas como então podemos entender a declaração de Davi de que é feliz o povo cujo Deus é o Senhor?

Porque se um povo, um povo que pode ser a minha família, que podem ser as pessoas da minha empresa, que podem ser as pessoas da minha igreja… Se um povo escolhe Deus como Senhor, este povo é realmente feliz.

É feliz porque não existe contenda, não existe confusão, não existe violência e nem ameaças, não existe gente querendo puxar o tapete do outro, não existe inveja, não existe ninguém falando mal um do outro… Existe amor neste povo.

Um povo que escolhe Deus como Senhor é um povo que ama. É um povo que acolhe, perdoa, abençoa… Um povo que vive assim é um povo feliz.

Meu amigo, minha amiga, seja você a pessoa que escolhe Deus como Senhor. Viva como alguém que tem Deus como Senhor de sua vida.

Contagie o ambiente com o amor do Senhor e você verá outras pessoas escolhendo Deus, elegendo Deus como Senhor.

Quem sabe aí no seu grupo, na sua comunidade, você tenha um povo feliz, porque escolheu Deus como Senhor.

Toque o coração de alguém com um gesto gentil

Eu quero te fazer um desafio: toque o coração de alguém com um gesto gentil.

Estamos vivendo tempos difíceis. Para a nossa geração, talvez nunca houve um período tão sombrio.

As perdas se acumulam. Perdemos a rotina, perdemos renda, trabalho… Perdemos muitos de nossos planos. Se houve um tempo em que não é possível ter nenhum vislumbre sobre como será o amanhã, o tempo é este.

Também perdemos pessoas. Pessoas que amamos, pessoas que deixaram um grande vazio.

Perdemos sorrisos, perdemos a saúde emocional.

Entretanto, há três coisas que não podemos perder: a gentileza, a compaixão e a esperança.

Por isso, num gesto de gentileza, independente de como está seu coração hoje, você tem a chance de demonstrar compaixão e regar a sementinha da esperança no coração de alguém.

Escolha uma pessoa próxima e faça um carinho nesta pessoa. Como você pode fazer isso? Eu te dou uma sugestão: faça um bolo gostoso e dê para esta pessoa. Pode ser outra coisa, Ronaldo? Pode. Mas faça algo que dê um pouco de sabor e permita que a pessoa experimente um momento diferente, agradável – sozinha ou com a família dela – neste fim de semana.

Neste tempo de pandemia, estamos machucados, feridos e gestos gentis têm um efeito imenso sobre nossos corações. São como bálsamo para alma. tenho certeza que você colocará um sorriso no rosto de alguém e poderá renovar os ânimos de uma alma aflita.

Não esqueça, amor bom é amor prático.