Síndrome do imperador

Cada vez mais, crianças e adolescentes abusam de seus pais. Conheça as razões dessa síndrome e como superá-la.

Anúncios

A vida não se explica

Por vezes tentamos explicar a vida. Mas a vida não é explicável. Só pode ser vivida. E para valer a pena, deve ser vivida com intensidade. Ainda assim, uma intensidade cuidadosa, respeitosa, dentro de limites que nem sempre somos capazes de ter ou estabelecer. Difícil, né? Talvez por isso a melhor maneira de viver é aceitar que cada dia é um dia e vai passar como todos os dias.

Viver é rever conceitos

Uma das coisas mais incríveis no ser humano é sua capacidade de rever conceitos, repensar… A vida é movimento. Movimento constante. E nós participamos desse processo.

Não há nada de vergonha em dizer: “desculpa, já não penso mais assim”.

Isso mostra maturidade.

Dias atrás, numa entrevista ao jornal El País, o escritor espanhol Rafael Sánchez Ferlosio afirmou textualmente: não estou de acordo com tudo que escrevi ao longo da vida.

O premiado escritor completou 90 anos. Hoje, olha para trás e discorda de muita coisa que ele mesmo defendeu em suas obras.

Quase todos os grandes pensadores tiveram a capacidade de duvidar de suas certezas. Quase todos trouxeram reflexões bastante distintas e até contraditórias em diferentes fases da vida.

Acho que isso nos ensina pelo menos duas grandes lições. A primeira é que não é vergonhoso rever conceitos, rever valores. Isso é ser gente, é acompanhar os movimentos da vida.

A segunda, desconfie de pessoas que não mudam nunca. Desconfie de suas certezas, se elas são as mesmas desde sempre.

A importância dos espaços públicos

A sensação de insegurança, o medo de sermos assaltados ou sofrermos algum outro tipo de mal, faz com que nos fechemos para o outro. Apostamos cada vez mais em espaços privados. Condomínios, clubes, associações etc. são algumas das estratégias que criamos e utilizamos para conviver com pessoas, mas evitar os desconhecidos.

Acontece que esse tipo de atitude, embora justificada, leva-nos a conviver apenas com iguais. Ou pelo menos, com pessoas mais parecidas conosco – principalmente no que diz respeito à classe social.

Hoje, as cidades limitam os espaços usados pelas pessoas e as separam, inclusive excluindo algumas delas. 

O movimento de restringir os espaços, torná-los privativos – ainda que se justifique, como eu disse -, traz alguns problemas.

A sociedade contemporânea precisa redescobrir o valor dos espaços públicos. Notamos, hoje, que as cidades de médio e grande portes pouco investem em praças, centros de convivência, áreas públicas de lazer, parquinhos etc.

Os espaços são públicos são lugares de convivência com pessoas diferentes, de classes sociais distintas, de orientações sexuais variadas, outras religiões… Ainda que estar com estranhos possa ser um tanto assustador, esses locais permitem que a diversidade seja valorizada. As diferenças ganhem visibilidade e sejam respeitadas.

É fundamental redescobrirmos quem são os outros. Num tempo em que nos ilhamos em espaços privados e as redes sociais na internet, por meio de seus algoritmos, criam tribos virtuais, os espaços públicos urbanos podem permitir o contato e o aprendizado com o diferente, e essencialmente desenvolver em nós a capacidade de nos sensibilizarmos com as desigualdades e até mesmo com as necessidades do próximo.

Ps. A praça da Catedral, em Maringá, é um exemplo de como os espaços públicos podem ser importantes para as pessoas. 

A sedutora Black Friday

A Black Friday é uma grande celebração do consumo. Consumo que há muito tempo deixou de ser a concretização de uma necessidade. Hoje, é a satisfação de desejos. Desejos que são estimulados por diferentes estratégias de comunicação e marketing.

Um dia de promoções em toda a rede lojista do país é apenas mais uma das estratégias de mercado. Na prática, temos promoções o ano todo. E, com frequência, os preços praticados estão muito próximos dos que podemos conseguir num dia qualquer (se for feita uma pesquisa razoável em diferentes empresas).

Ou seja, a compra de um produto sempre pode ser adiada. Não é, quase sempre, porque a ansiedade é grande… É “preciso” realizar o desejo de ter aqui e agora o objeto desejado.

E o que é adquirido logo perde a graça. Em pouco tempo, outro produto terá de ser comprado.

Na verdade, como diz o sociólogo Zigmunt Bauman, o mercado não sobreviveria se as pessoas se apegassem às coisas. Estas logo devem ser descartadas…

A arte do marketing está voltada para evitar a limitação de opções. Quando se abre o site de uma loja virtual, as possibilidades são tantas que, por vezes, ficamos tontos, indecisos.

Não compramos apenas o necessário; compramos o que salta aos olhos. Afinal, a sociedade de consumo funciona sob a lógica do desejo, do despertar e do realizar os desejos por meio das compras.

Os desejos são cultivados de forma cuidadosa. E frequentemente são caros. Não poucas vezes, causam endividamento e comprometimento da renda e até de compras futuras, inclusive de objetos e/ou serviços realmente necessários.

Porém, poucas pessoas dão conta de passar “em branco” numa Black Friday. Já estamos condicionados. A sociedade moderna-líquida é destinada e feita para o consumo.