Que mundo novo estamos construindo?

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Nos últimos dias, tenho escutado algumas pessoas falando que a pandemia de coronavírus fez morrer o mundo que tínhamos e está fazendo nascer um mundo novo.

O mundo como o conhecíamos até semanas atrás teria deixado de existir. Noutras palavras, após a crise, nada mais será como antes.

Os valores que tínhamos, as coisas que possuíamos… tudo será ressignificado. Sem contar que perderemos muitas coisas, inclusive, pessoas.

Eu concordo que acontecimentos dessa proporção criam rupturas. E dão origem a uma nova história. Entretanto, ainda tenho dúvidas se o mundo que irá nascer será melhor que o que tínhamos.

O sofrimento tem um efeito poderoso sobre nós. Ninguém sai do sofrimento igual. Porém, os efeitos nem sempre são positivos. O sofrimento pode tornar alguém melhor ou pior do que era.

Justamente por saber disso, tenho dúvidas sobre o quê iremos construir quando sairmos dessa pandemia. Na verdade, depende inclusive de como estamos administrando nossas dores e perdas hoje.

O tempo de distanciamento e/ou isolamento social pode nos tornar mais generosos, mais solidários, mais altruístas, mais amorosos, menos apegados ao dinheiro…

Mas também pode produzir pessoas mais egoístas, gananciosas, invejosas, mesquinhas, individualistas…

Sinceramente, não sei que tipo de mundo teremos após a pandemia. Entretanto, espero que esse período tão difícil possa ter um efeito bom sobre mim, sobre as pessoas que estão comigo e também sobre você. Se nos tornarmos pessoas melhores com essa crise, já teremos boas mudanças. Afinal, se a nossa casa, empresa, sala de aula se tornarem um ambiente mais amável, afetuoso, caridoso, solidário, generoso… O nosso mundinho já será melhor.

Em tempos de quarentena, desconecte-se; dedique tempo às pessoas que você ama!

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Você já notou que a gente agora só fala de uma coisa?

A pandemia de coronavírus tornou-se a pauta única de nossas conversas.

Confesso que isso me incomoda profundamente.

Por ser algo que traz preocupações com a saúde, com a vida financeira das pessoas, o desgaste emocional é muito grande. Começa a faltar energia para coisas básicas: o cuidado pessoal, por exemplo. Cuidar da aparência, investir tempo arrumando cabelo, escolhendo as roupas… Parece faltar disposição até pra isso. Tem gente que nem tira mais o pijama.

Eu tenho adotado algumas estratégias. A primeira e principal: tenho ficado longe do noticiário. Não significa ficar alienado. Todos os dias, separo um tempinho para espiar as principais notícias. Uns 20 minutos. Não mais que isso. Vejo as informações que considero mais relevantes, em sites confiáveis e pronto.

Já as redes sociais se constituem num desafio. Em função do meu trabalho e do fato de estar presente nas redes para compartilhar conteúdos para as pessoas que me seguem, acabo esbarrando em muita informação que desestabiliza, irrita e até faz perder a fé no ser humano. Então, também para isso, estou me impondo alguns horários.

Abro as redes apenas em alguns momentos do dia. E faço isso naqueles horários que vou publicar algum conteúdo ou que vou responder as pessoas. Tento manter uma rotina consciente: entro, faço o que preciso fazer e saio. É uma maneira de manter a sanidade mental.

Precisamos considerar que, além de todas as informações ruins causadas pela pandemia – quarentena, mais e mais pessoas infectadas, milhares de mortes em diversos lugares do mundo -, no Brasil, o assunto está sendo politizado e, ao invés de agirmos numa perspectiva preventiva e cautelosa, em favor da vida, o debate ganha contornos extremistas e partidarizados. Isso causa um problema maior. Afinal, ao invés de nos unirmos pra resolver o problema, criamos muros nos afetos, geramos enfrentamentos que nos separam como pessoas.

Portanto, além de se proteger do coronavírus, proteja sua mente. Dedique menos tempo às redes e ao noticiário. Dedique atenção às pessoas que você ama. Se estiverem perto, invista tempo em conversas, em carinhos… Vá para a cozinha, faça coisas gostosas… Aproveite esses dias. Se as pessoas estiverem distantes, use as tecnologias para falar com elas. Faça ligações em vídeo, videoconferências com a família… Descubra ferramentas que permitam reunir todo mundo na tela do computador ou do celular e divirta-se um pouco com as pessoas que você ama.

Os tempos são difíceis para vivermos apenas em função das notícias ruins e para politizarmos o debate sobre a nossa saúde, sobre a nossa vida.


Como manter a sanidade mental em tempos de quarentena?

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Neste tempo de quarentena, talvez a coisa mais difícil seja manter a sanidade mental. Não há nada de divertido em ficar em casa por obrigação, por dever.

A gente preza demais a liberdade. Embora a liberdade seja muito mais uma ideia do que um fato, gostamos de imaginar que podemos escolher o que fazer.

Se ficamos em casa, ficamos por opção, porque esta foi a nossa escolha. Pra ficar “de boa”; preguiçosamente, de preferência.

Mas, agora, não tem nada de escolha. Ficar em casa deixou inclusive de ser uma recomendação; passou a ser uma obrigação. E, no caso de Maringá, só falta uma sirene para o toque de recolher. Das nove da noite às cinco da manhã, as pessoas estão proibidas de saírem de casa. Socorro!

Além desse cenário em que perdemos até mesmo uma das liberdades mais básicas, não existe uma única certeza a respeito do futuro. Há indicações de caos na economia, de prejuízos financeiros, empresas quebradas, aumento do desemprego…

E o que dizer sobre o ano letivo? Professores e alunos não sabem quando voltam para a sala de aula. Todos tentam achar um jeito de manter a rotina de preparo de aulas e estudo. Mas a própria ausência de uma cultura autoinstrucional, autônoma, cria barreiras para um aprendizado efetivo.

Para completar, tem o medo de ser contaminado pelo novo coronavírus. Ainda que se fale que os sintomas sejam parecidos com uma gripe, qualquer dorzinha de cabeça ou de garganta, mal estar deixa-nos apreensivos. Sei de gente que anda tendo pesadelo com o vírus.

Sim, meu caro leitor, não está fácil manter o equilíbrio. Se você está em paz, parabéns!! E se você está ansioso, com medo, não se cobre por isso e nem se culpe. Tá difícil mesmo. E não é só pra você.

Apenas respire fundo, tente se lembrar que tudo passa. Essa pandemia, essa crise também vai passar.

Em tempos de quarentena, invista em conhecimento!

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Acho que a maioria de nós nunca imaginou um tempo em que boa parte das pessoas estariam confinadas em casa, sem sair às ruas. De um dia para o outro, fomos impedidos de estar com as pessoas, de interagir com apertos de mão, abraços… E até a circulação pelos espaços públicos foi limitada.

Sem estarmos preparados para tamanha mudança, nos vemos em casa. E mal sabemos o que fazer. Alguns estão trabalhando, tentando se adaptar sem a presença física de colegas, chefes… Outros tantos não conseguiram (ou não podem) levar o serviço pra casa. A rotina basicamente se resume a dormir, acordar, comer, assistir TV, mexer no celular e tentar manter a sanidade mental.

Para quem está se vendo diante de um cenário completamente novo, eu tenho uma dica: neste período de quarentena, dedique tempo ao aprendizado.

Desde criança, aprendi a ter nos livros os meus melhores amigos. Durante minha infância e adolescência, nunca tive televisão e raramente contava com alguma companhia em casa. Os livros me acompanharam e, com eles, nunca me senti sozinho. Então, hoje, não preciso de nada além de um livro para me sentir bem.

Sei que essa não é a realidade da maioria das pessoas. Entretanto, sei também que novos hábitos podem ser criados. E, com certa dedicação e disciplina, a leitura pode passar a fazer parte da sua rotina. Dá pra começar com 10 minutinhos pela manhã, outros 10 à tarde…

Além da leitura de um livro, este é um tempo propício para o investimento em conhecimento. Basta fazer uma breve pesquisa no Google e você vai descobrir que existem inúmeros cursos online disponíveis, gratuitos. As principais universidades do país possuem plataformas com vários cursos nas áreas de administração, finanças, negócios, gestão de pessoas, marketing, saúde, educação, entre outros – todos eles com certificados e que podem agregar ao currículo.

Por isso, minha dica de hoje é bastante objetiva: aproveite este tempo para investir em você: acrescente conhecimentos em sua vida. Saia das redes sociais, deixe o whatsapp e esqueça um pouco as notícias sobre o coronavírus; dedique tempo à leitura e escolha alguns cursos online que vão te ajudar inclusive a ter novas oportunidades profissionais quando essa pandemia acabar.

E se você tiver dificuldades para encontrar as plataformas de cursos, pode falar comigo deixando um comentário por aqui. Ou entre em contato em minhas redes sociais. Estou no Facebook, Instagram, Twitter e Linkedin.

Ensinar exige segurança, competência…

Este é 19o texto da Série Aprendendo com Paulo Freire.

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Quem compartilha uma informação, deve estar seguro daquilo que diz, precisa ter certeza de que o conteúdo que está oferecendo para o outro é um saber válido, comprovado.

Infelizmente, nem sempre é isso que acontece. Em tempos de fake news, o que menos se faz é confirmar a veracidade da informação.

Entretanto, quem ensina, quem se dispõe a entrar numa sala de aula para contribuir com o processo de formação de outra pessoa deve estar plenamente comprometido com sua atividade profissional e, principalmente, possuir o domínio do conteúdo que está oferecendo aos seus alunos; é fundamental que tenha convicção que conhece o assunto e suas diferentes interpretações. Isso assegura uma aula produtiva e o desenvolvimento do educando.

De acordo com Paulo Freire, “o professor que não leve a sério sua formação, que não entende [o tema sobre o qual ensina], que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe”.

Todo professor deve ter segurança dos temas sobre os quais ensina. Para isso, não basta ter feito uma faculdade, especialização, mestrado, ou quem sabe, até o doutorado. A segurança é conquistada com o estudo diário, a atualização constante do conhecimento.

Ao professor, não cabe a ideia de que basta um dia ter aprendido para se dispor a ensinar. Também não são os anos em sala de aula ensinando as mesmas coisas que garantem a eficiência no exercício da educação.

Na minha experiência docente, mesmo em disciplinas que leciono há quase 15 anos, nunca repeti exatamente a mesma aula. A cada ano, atualizo as minhas leituras sobre os assuntos, vejo novidades, sento diante do computador e refaço parte das aulas ou até mesmo crio aulas completamente novas e arquivo outras.

Como professor, devo ter consciência que aquilo que compartilho em sala de aula fará parte dos conhecimentos de meus alunos e alunas.

O professor atualizado, com domínio dos saberes, conectado com a realidade, tem confiança. E isso impacta positivamente o processo de ensino-aprendizagem. O aluno percebe quando o professor tem segurança. E respeita esse professor.

Por isso, Paulo Freire é bastante contundente ao falar sobre a competência de quem se dispõe a assumir a docência. Para entrar em sala, não basta ter se formado; é necessário ter competência. E a competência se revela num processo contínuo de formação, de esforço para executar com propriedade seu papel. Do contrário, não tem força moral para estar em classe.

Leia para o seu filho

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Hoje eu gostaria de dar 3 motivos para que você leia para seu filho, e crie esse hábito antes mesmo do primeiro ano de idade.

Talvez você não seja pai ou mãe. Nem avô ou avó. Mas você pode prestar atenção nas dicas e compartilhar com alguém.

O primeiro motivo para ler para seu filho é o desenvolvimento de laços afetivos sólidos entre os pais e a criança. Quando coloca a criança nos braços, junto ao peito, e lê uma história, está contribuindo para o desenvolvimento emocional, fortalecendo os vínculos e criando intimidade. Essa relação é única. E é muito diferente daquele colo quando a criança chora, quando está com fome… Trata-se de um aconchego em que há uma narrativa, uma voz melodiosa que apresenta diferentes nuances de uma história… Na leitura, há um envolvimento único entre a criança e o pai ou a mãe.

O segundo motivo: a criança é apresentada a um repertório de informações novas, vocabulário distinto do cotidiano da casa, palavras que não fazem parte do que ouve diariamente… Embora ainda não saiba falar, quando lê para ela, você a expõe a palavras que ela nunca ouve em outros lugares, e a sentenças que ninguém usa ao redor delas.

O terceiro motivo é o desenvolvimento de habilidades cerebrais que nenhuma outra atividade proporciona. A ciência tem demonstrado que nada estimula mais o cérebro do que a leitura. Praticamente todas as áreas e funções do cérebro são ativadas. Mesmo como ouvinte, a criança participa do processo tanto quanto quem lê.

Por fim, tem alguns benefícios-bônus, eu diria. Benefícios para quem lê para a criança. O primeiro, a leitura permite que o pai ou a mãe experimente algo novo, diferente em sua rotina. E talvez até crie o hábito da leitura, caso ainda não seja um leitor. Também tem benefícios para o cérebro, com o estímulo de novas conexões neurais. Por fim, e o mais importante, a rotina de leitura com a criança te aproxima do seu filho, produz bons sentimentos e boas memórias. Nada substitui esses momentos a sós com seu filho. As lembranças se tornam inesquecíveis!

Portanto, leia para ele. Se já estiver grandinho, não tem problema. Mesmo que já não seja possível colocá-lo no colo. Sente-se a beira da cama… Mas não deixe de ler para seu filho.

A leitura não tem a ver somente com o cérebro das crianças pequenas; envolve o corpo como um todo: elas veem, cheiram, ouvem e sentem os livros (Maryanne Wolf).

Buscando certezas num mundo de incertezas

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A modernidade trouxe consigo a insegurança. Perdemos a estabilidade das certezas, possíveis num tempo em que nada parecia mudar. Ganhamos um mundo que muda todos os dias, mas não nos garante previsibilidade.

Quem poderia prever, no dia 31 de dezembro, que os mercados financeiros do mundo estariam em pânico em março em virtude de um vírus, o coronavirus?

A presença de uma doença que vence os limites geográficos, ultrapassa os continentes é suficiente para mudar todo o cenário da economia global e deixar lideranças políticas e empresariais sem reação. Já se fala em redução do crescimento econômico; teme-se a recessão.

No âmbito individual, não é diferente. Quem hoje coloca um filho na escola e, mesmo que invista todos os seus recursos na educação da criança, tem alguma garantia de que o futuro jovem encontrará uma profissional rentável e segura?

Alguns pesquisadores apontam que nossas crianças trabalharão em profissões que sequer foram criadas. Elas ainda não existem.

Nosso olhar para o futuro sempre foi uma aposta. Entretanto, até a Idade Média, era possível enxergar os ciclos da vida. De acordo com as escolhas do presente, projetava-se o futuro. A Modernidade trouxe inovações importantes, com o avanço das ciências. E o desenvolvimento das tecnologias digitais, principalmente nos últimos 20 anos, acelerou ainda mais as mudanças e nos colocou num caos permanente, em que a única certeza é que não há certezas.

Como viver assim? Também não existe resposta. Talvez uma única dica: aceitar as mudanças e a imprevisibilidade. Quando nos preparamos mentalmente para perder tudo e ter de recomeçar sempre, nos tornamos mais flexíveis e sofremos menos diante das constantes mudanças. Tornamo-nos mais resilientes, cooperativos e abandonamos a arrogância de que temos as respostas. Afinal, quem é de fato capaz de prever como estará sua vida e o mundo em que vive daqui alguns poucos anos?

Ensinar exige curiosidade

Este é o 18o texto da série Aprendendo com Paulo Freire.

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Meu encantamento por Paulo Freire se deve à beleza de seu pensamento. Semanas atrás, ao tratar em sala de aula sobre como o conhecimento é produzido, um aluno levantou a mão e disse:

  • Professor, partindo dessa ideia, tenho a impressão que a escola brasileira nunca ensinou de fato. Afinal, os conteúdos oferecidos quase nunca têm conexão com a realidade dos alunos. Há uma distância enorme entre o que é ensinado e o que as crianças vivem no dia a dia delas.

O comentário desse futuro jornalista foi certeiro. A beleza e simplicidade do pensamento de Paulo Freire não estão presentes como prática pedagógica na escola brasileira. E sabe por quê? Porque não dá para sistematizá-lo em procedimentos padrões que possam ser repetidos por todos os professores. Educar, tendo Paulo Freire como referência, é viver a educação como uma filosofia de vida em que há espaço para a luta, para a esperança, para o respeito ao indivíduo e para o contínuo encantamento pela diversidade de saberes e ideias.

Veja, por exemplo, o tema de hoje de nossa conversa: ensinar exige curiosidade. Em princípio, esse pressuposto parece bem básico. Afinal, sem curiosidade não há aprendizado. E o professor que não está aprendendo todos os dias não é um bom educador. A vida é movimento. E aprender sempre é quase uma obrigação.

Entretanto, a curiosidade sobre a qual Paulo Freire fala vai além da simples vontade de descobrir mais. Observe o que ele diz:

“Nenhuma curiosidade se sustenta eticamente no exercício da negação da outra curiosidade”.

Aqui fica claro que, na perspectiva freireana, educar não significa impor um pensamento. Enquanto eu me movimento pela descoberta do novo não posso negar ao outro o direito de descobrir de outra maneira, também a respeito de outras coisas, de outros saberes. Ou seja, não posso impor a minha curiosidade sobre a outra pessoa.

Veja o que ele também afirma: “A curiosidade que silencia a outra se nega a si mesma também”.

Lindo, né? Lindo e, por sua simplicidade, torna-se complexo de viver e praticar.

Professor e alunos devem se assumir curiosos. E uma curiosidade que permita a abertura para todos os saberes, sem julgamentos prévios, preconceitos, rejeições…

Não há em Paulo Freire lugar para verdades prontas – sejam elas filosóficas, políticas, científicas etc. O educador que deseja ensinar tendo as ideias dele como referência deve estar constantemente aberto ao questionamento, a dúvida. Tendo como parâmetro a ética e o bom senso, deve permanecer curioso em aprender, sem negar o valor de nenhum tipo de saber.