O medo pode nos impedir de viver

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Li um pensamento que gostaria de compartilhar: nossos medos não detêm a morte, mas sim a vida.

A ciência entende o medo como uma ferramenta importante de autodefesa. O medo nos coloca em estado de alerta e prepara nosso corpo para reagir diante de uma situação de perigo.

Entretanto, o mesmo medo que é fundamental para agirmos de forma prudente, cuidadosa, sábia, também pode nos paralisar.

E muitos de nós, por medo, deixamos de viver.

O pensamento resume essa ideia: o medo não nos impede de morrer, mas pode nos impedir de viver.

Por medo de ser rejeitado, quantas pessoas deixaram de dizer “eu te amo” para uma garota ou um garoto?

E o sonho de ter o próprio negócio? Ou quem sabe de mudar de profissão? Quem sabe a vontade era mudar de cidade ou até de país?

Ter medo do que pode acontecer é importante para agirmos racionalmente, com planejamento, tentando prever as consequências.

Mas se o medo se torna uma barreira, se nos paralisa, estamos abrindo mão da vida.

Na Bíblia, tem um texto que gosto bastante. Josué havia se tornado líder do povo de Israel. Ele estava inseguro. Josué tinha diante dele uma série de batalhas, cidades que precisavam ser conquistadas.

Deus então diz a Josué: se valente!

A palavra não é para Josué se tornar um homem raivoso, nervoso, agressivo; era para que enfrentasse seus medos e seguisse em frente, se tornasse o líder que o povo precisava.

Parece-me que todos os dias o Universo ainda nos diz: se valente! Enfrente seus medos, lute por seus sonhos, não se deixe abater diante das dificuldades. Afinal, nossos medos não detêm a morte, mas detêm a vida.

Escolha uma única janela para usufruir a beleza da vida

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Talvez um dos nossos grandes erros seja a tentativa de viver várias experiências ou fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Nossa vida, de certo modo, assemelhá-se à experiência que temos ao navegar na internet: quando acessamos a rede em nosso computador, nunca abrimos uma única aba. Abrimos várias. Parece que queremos ver tudo de uma vez. Mas o que acontece? Na prática, não vemos nada direito, praticamente não absorvemos os conteúdos ali disponíveis.

O escritor Francis Scott Fitzgerald disse numa de suas obras que “a experiência demonstra que a vida é usufruída com muito maior sucesso quando contemplada através de uma única janela.”

A afirmação de Fitzgerald é preciosa. Contemplar a vida de uma única janela não se trata de se fechar para novas experiências e nem viver de maneira limitada. Contemplar através de uma única janela, trata-se de usufruir a vida de maneira plena, envolvendo-se totalmente com uma coisa de cada vez.

Quando abrimos o navegador de internet e inúmeras abas estão disponíveis diante dos nossos olhos, nós não nos fixamos em nenhuma delas. Não há imersão.

Usufruir a vida é uma experiência semelhante. É preciso escolher uma janela, aquietar-se nela e se permitir olhar demoradamente para ver todos os detalhes, apreciando toda a beleza que existe.

Nosso jeito apressado e ansioso de ser, querendo sentir todos os gostos e sabores, faz que com que os desconheçamos. Isso se dá até mesmo nos relacionamentos. Algumas pessoas desejam viver todas experiências afetivas possíveis. Não se prendem a ninguém. Na prática, nunca tiveram a chance de abrir completamente o coração para uma pessoa e tampouco chegam a conhecer a alma de alguém. São inúmeras bocas ou corpos tocados, mas nenhuma pessoa plenamente conhecida.

Usufruir a vida de uma única janela é não perder-se em tantas imagens a ponto de não gravar nenhuma delas. É aceitar a impossibilidade de estar inteiro, corpo e alma, em vários projetos, trabalhos ou relacionamentos.

Ao escolher uma única janela vemos a vida de fato. E como passageiros no trem da existência temos a chance de contemplar cada detalhe da trajetória, reparando toda a beleza que existe na viagem.

“Tornamo-nos, neurologicamente, o que pensamos”

Durante muitos anos, a ciência dizia que nosso cérebro se desenvolvia até a fase adulta e, depois, não mudava mais. Noutras palavras, uma vez formado, nada mais se modificaria no cérebro.

Nos últimos 50 anos, porém, o conhecimento sobre o cérebro sofreu uma revolução. Hoje, sabemos que, embora o envelhecimento tenha seus efeitos, o cérebro sofre modificações constantes, basta ser treinado para isso.

A chamada plasticidade neural trouxe esperança. Não há um determinismo genético, por exemplo, que impeça a aquisição de novas habilidades, tampouco que nos faça a ter sempre os mesmos comportamentos.

“Mesmo cérebros velhos podem aprender truques novos”, afirma o pesquisador Nicolas Car.

Segundo ele, inclusive a anatomia do cérebro é modificada por nossas práticas cotidianas. Pessoas que fazem a mesma coisa todos os dias, repetidamente (um motorista de táxi, por exemplo), podem ter áreas do cérebro com tamanho diferente. Isso, em função do desenvolvimento de habilidades específicas adquiridas pela atividade que exercem.

Vale o mesmo para músicos, compositores, atletas etc.

Isso explica por que, com o tempo, essas pessoas parecem tornar muito fáceis atividades que para a maioria das pessoas é bastante difícil. Na prática, o cérebro delas já assimilou essas funções.

Mas a neuroplasticidade descobriu outras coisas. “Nossos padrões de pensamento afetam a anatomia do cérebro”. Isso quer dizer que as imagens que projetamos sobre fatos cotidianos, sobre pessoas, mudam o cérebro.

O professor Nicolas Car afirma que “nossos pensamentos podem exercer uma influência física sobre o nosso cérebro, ou ao menos causar uma reação física”. Em resumo, “tornamo-nos, neurologicamente, o que pensamos”.

Gente que tem uma imagem ruim de si transforma-se na pessoa que o cérebro projeta.

A ciência tem provas de que nossas práticas cotidianas e mesmo nossos pensamentos modificam nosso cérebro. Muitas das nossas pseudo limitações, não seriam limitações se não tivéssemos ensinado nosso cérebro a ser limitado.

Portanto, caro/a leitor/a, fica aqui um convite… Compreender melhor o funcionamento do cérebro e a ciência da neuroplasticidade pode nos auxiliar a reprogramar nossos pensamentos e até mesmo nos libertar de vícios e, por outro lado, adquirir habilidades que nos permitirão fazer coisas diferentes e inovadoras.

Aprendendo com Paulo Freire: todo professor é um pesquisador

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Ensinar exige pesquisa. Segundo Paulo Freire, ninguém é capaz de ensinar, de forma relevante, sem empenhar-se na busca, nas indagações, na bela tarefa de procurar saber se há mais informações, e informações importantes, sobre o tema a respeito do qual se pretende ensinar.

Essa ideia é maravilhosa! É aplicável não apenas ao campo da educação, do ensino na sala de aula.

O educador brasileiro coloca diante de nós uma premissa preciosa e que nos ajudaria a romper, inclusive, com a quantidade absurda de mentiras que circulam no WhatsApp e nas redes sociais.

Eu não sei se você percebe, mas quando compartilha um conteúdo com alguém, o que você intenciona é ensiná-lo sobre aquele tema. Frequentemente, do outro lado, quem lê ou vê o conteúdo reforça ou assimila uma certa visão de mundo. Ou seja, existe ali uma dinâmica de ensino e aprendizagem.

Já pensou se essa prática cotidiana de ensino, na sala de aula ou fora dela, fosse permeada pelo desejo constante de aprender e saber mais sobre o assunto a fim de oferecer um conhecimento mais completo aos alunos e às pessoas, de modo geral?

Paulo Freire chama isso de “curiosidade epistemológica” – uma curiosidade constante, uma vontade profunda de saber mais sempre para ensinar melhor.

Para o educador, a pesquisa é intrínseca à prática docente. Como professor, eu pesquiso para conhecer o que não conheço, pesquiso para conhecer mais e assim posso comunicar e anunciar as novidades.

Ser ético é considerar o efeito de suas ações sobre as outras pessoas

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Uma conduta ética pressupõe agir com responsabilidade, considerando o impacto que nossas atitudes têm sobre a vida das outras pessoas. Muitas de nossas ações afetam as pessoas próximas. Entretanto, por vezes, em nome do nosso bem-estar ou das coisas que acreditamos serem as melhores, atropelamos quem está conosco.

Nos relacionamentos, isso é bastante comum. O marido, sonhando com sua ascensão profissional, assume compromissos sem consultar a esposa; deixa o romance de lado e parece ignorar que a parceira pode estar se sentindo abandonada.

Muitos pais fazem a mesma coisa com os filhos. Na tentativa de alcançarem o sucesso, deixam de investir na educação das crianças e no desenvolvimento emocional dos pequenos – parecem acreditar que a escola fará aquilo que deixaram de fazer. Quando notam o problema já é tarde demais. Os filhos estão distantes, com problemas na escola e, às vezes, até envolvidos com as drogas.

Agir de forma ética implica em lembrar-se do outro em minhas ações. É necessário me questionar: o que eu pretendo fazer pode prejudicar alguém? As minhas escolhas podem injustiçar alguém? Ou fazer uma pessoa infeliz?

A vida não se resume ao eu mundo. Nem mesmo aos meus sonhos, projetos ou incômodos.
Somos os principais interessados em nós mesmos. Em defender nossos planos, em promover nosso desenvolvimento e até em nós defendermos. Mas isso não significa que vivemos sozinhos, isolados, tampouco que não tenhamos responsabilidade pelos efeitos de nossas escolhas sobre as outras pessoas.

A chave para o fracasso

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Numa frase atribuída a Woody Allen, o ator e diretor norte-americano afirma desconhecer qual é a chave do sucesso, mas assegura saber o que determina o fracasso. Segundo ele, a vontade de agradar a todos leva ao fracasso. Logo, quem deseja o sucesso deve compreender que nem sempre agradará todas as pessoas.

É fundamental nos preocuparmos com quem está a nossa volta. Ressalto, inclusive, que nossas ações precisam considerar os efeitos sobre as pessoas próximas. Afinal, não me parece justo prejudicar alguém ou fazer uma pessoa infeliz em nome do nosso sucesso ou da nossa felicidade.

Entretanto, a tentativa de agradar a todos é insana. Não existe possibilidade alguma de sermos bem-sucedidos na busca por fazer com que todos estejam satisfeitos conosco.

Se estamos o tempo todo preocupados em agradar, permanecemos paralisados. Não saímos do lugar.

Por isso, segundo Woody Allen, a chave do fracasso é conhecida. Agradar a todos é impossível. Falhamos nisso até mesmo em coisas pequenas, em nosso cotidiano doméstico.

A busca por agradar a todos nos paralisa. Impede-nos de agir.

Por isso, precisamos de parâmetros éticos, de solidariedade, de responsabilidade para com os demais que referenciem nossas ações. Mas tendo esses parâmetros, é fundamental nos movermos, buscarmos nossos sonhos, realizarmos aquilo que acreditamos ser importante.

Do contrário, viveremos frustrados. Nossos sonhos seguirão encaixotados em nossas inseguranças e teremos uma vida patética. Na tentativa de agradarmos todas as pessoas, nossa existência será insignificante, inclusive para nós mesmos.

Conviver com as tristezas

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Desejamos as alegrias. Elas nos trazem sensações boas, fazem a vida mais leve. Mas a tristeza também faz parte da existência.

Precisamos aprender a conviver com a tristeza. Alguns acontecimentos passados e até situações com as quais convivemos diariamente nos causam tristeza. Por mais que queiramos afastá-la, seguirá atravessando nossa alma, tornando nossos sorrisos mais frágeis.

Uma mãe que perdeu um filho ainda criança convive com essa dor. Mesmo que a ferida aberta pela perda tenha cicatrizado, sempre haverá um grande vazio no peito. Esse vazio causa tristeza, por vezes, lágrimas.

Uma esposa que foi traída por um homem que ela amava muito, precisa seguir em frente. Mas a dor da decepção talvez nunca abandone o peito. Será só mais um dentre outros acontecimentos que provocam tristeza.

Mas não são apenas as grandes perdas e decepções que provocam sofrimento. Às vezes, sua filha adolescente tem atitudes que te entristecem, comporta-se de uma maneira que você considera inadequada. Você fala, orienta… Porém, não dá para mudar o outro. A pessoa só muda quando reconhece que precisa mudar. Por isso, ainda que sua filha tenha se tornado alguém que te causa tristeza, não há nada que possa fazer. Resta conviver com o que entristece.

E este é um dos segredos da felicidade: aprender a conviver com nossas tristezas. Não se trata de deixar pra lá, de ignorar, de fingir que não dói. Trata-se de aceitar que algumas coisas que nos machucam ficarão para sempre conosco.

Teremos dias mais difíceis. Noutros, estaremos mais leves. Mas o que importa é não permitir que as tristezas sejam a única coisa para a qual olhamos.

Se conseguirmos fixar nossos olhos nas coisas boas que acontecem em cada um desses dias, encontraremos razões para nos alegrarmos. Embora carreguemos nossas tristezas, a vida também oferece muitas oportunidades para sorrirmos.

Aprendendo com Paulo Freire: Qual é a atitude correta diante do conhecimento?

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Paulo Freire tem uma resposta belíssima para essa pergunta. O educador sustentava que todo conhecimento tem história; noutras palavras, é datado. Trata-se de um saber que é relevante hoje, mas deixará de ser amanhã.

Segundo Paulo Freire, ensinar a pensar certo é ensinar que as pessoas devem se empenharem na busca pelo conhecimento existente, mas nunca se conformarem com o que aprenderam. Devem estar abertas às novidades.

Veja só como isso é atual! O que dizem os especialistas em mercado e pesquisadores desta sociedade tecnológica? Dizem que apenas vão sobreviver e serão bem-sucedidas aquelas pessoas que estão abertas ao constante aprendizado. Aprender sempre, aprender todos os dias.

Curiosamente, tenham ou não estudado Paulo Freire, o que esses profetas do amanhã estão falando é algo que já estava presente nas teorias do pensador brasileiro.

Paulo Freire afirmava que o conhecimento do mundo tem historicidade. “Ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e que se fez velho”, diz ele.

O autor continua… [O conhecimento existente hoje] “se dispõe a ser ultrapassado por outro amanhã”.

Quando observamos o mundo em que vivemos e todo movimento das ciências, notamos claramente essa substituição dos conhecimentos.

Por isso, o autor ressalta que ensinar a pensar certo é promover um modelo de educação que auxilie a pessoa a “conhecer o conhecimento existente quanto saber que estamos abertos e aptos à produção do conhecimento ainda não existente”.

Ou seja, todos nós devemos estar em constante busca pelo conhecimento já produzido, mas, ao mesmo tempo, abertos ao novo – inclusive dispostos a produzirmos esses novos saberes.