Como ver a Deus?

Tempos atrás, ao estudar alguns capítulos da Bíblia, encontrei um verso bíblico muito especial. De imediato, me chamou a atenção como nunca antes. Está na primeira carta de João, capítulo 4, verso 12. Diz assim: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.”

Eu não sei se você notou, mas João faz primeiro uma afirmação: ninguém jamais viu a Deus. Mas o que ele diz logo na sequência? O que João escreve parece não ter nada a ver com a primeira declaração. O escritor diz: se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós.

Você já conseguiu relacionar uma ideia com a outra? João, primeiro, sustenta a ideia de que ninguém jamais viu a Deus; depois, ele afirma que se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós.

E então? Pegou a ideia?

Como podemos ver Deus? Podemos vê-lo na face de cada pessoa que ama verdadeiramente ao seu próximo. É isso que o apóstolo está dizendo para nós: ninguém jamais viu a Deus, mas, quando nos amamos, a face de Deus se revela em nossos rostos. E em nós, o amor de Deus é perfeito!
Lindo, né?

Então a mensagem é bastante simples: ame as pessoas. Ame de todo coração. O seu rosto revelará a face de Deus.

Você torce pelo fracasso de alguém?

Você já se pegou torcendo contra? Torcendo pelo fracasso alheio? Torcendo para que a outra pessoa se dê mal?

Por diferentes motivos, vez ou outra, esse sentimento mesquinho se apossa de nós: queremos que tudo dê errado para o outro.

Isso acontece na empresa, na escola, no círculo de amigos e até na família. Por não aceitarmos determinada situação e até na esperança de que a outra pessoa aprenda uma lição, desejamos resultados ruins.

É curioso que, por vezes, nem nos importamos se vamos afundar juntos. Cegos, acreditamos que o fracasso pode trazer as mudanças que sonhamos. Ou que se faça justiça com a queda da outra pessoa.

Frequentemente, quando não temos o poder de alterar a ordem das coisas, e discordamos de algo, torcemos contra. Queremos que dê errado. Esta é nossa chance. Vislumbramos no fracasso a possibilidade do novo, ou de uma espécie de punição.

Outras vezes, silenciosamente, elegemos algumas pessoas como inimigas e queremos vê-las envergonhadas, rejeitadas. Podem não ter feito nada contra nós, mas ansiamos pela derrota. É nosso prêmio; uma espécie de vingança que alimentamos em nosso interior e que, quando se concretiza, saboreamos com muito prazer.

Não tem nada de altruísta. Pelo contrário, é mesquinho. Faz parte da maldade que nos é intrínseca. É característica nossa. Mostra quanto somos contraditórios. Revela nossa hipocrisia: a fachada de bons sujeitos, mas que esconde um coração perverso.

Ensinar exige bom senso

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Não faz muito tempo que me encontrei diante de um impasse para avaliar um aluno. O regulamento para casos como o daquele acadêmico listava algumas regras que resultariam na reprovação já no processo preliminar de fechamento da disciplina. Mas, olhando para o histórico dele, o desempenho, o esforço empreendido e conhecendo as condições externas que o afetavam naquele momento do curso, era nítido que o regulamento, se aplicado, levaria a uma injustiça. O que fazer nesses casos? Uma única resposta: ter bom senso!

O bom senso não existe nos manuais; não é uma regra explícita, textual, mas, na prática pedagógica, é essencial.

O educador brasileiro Paulo Freire é o responsável por discutir esse tema. Para ele, quem ensina precisa ter bom senso.

O bom senso é a sensibilidade que todo o educador deve ter; trata-se da capacidade de olhar para além das regras, do que dizem os regimentos e ver as condições que envolvem os processos de ensino, aprendizagem e o próprio contexto que envolve o aluno.

Essa capacidade de avaliação, para além das aparências, é baseada na capacidade de enxergar o outro, de ter empatia, de se importar com o aprendiz. Também requer uma vivência ética, a busca por equilíbrio e justiça – sem ser frio e legalista.

Todo professor exerce autoridade em sala. Ele toma decisões, orienta atividades, estabelece tarefas, cobra a produção individual e coletiva do grupo. Isso faz parte de seu papel. Não é sinal de autoritarismo; é obrigação do professor. Por outro lado, no cumprimento do seu dever, é fundamental transcender ao formalismo insensível que o “faz recusar o trabalho de um aluno por perda de prazo, apesar das explicações convincentes do aluno”. Nem sempre uma segunda chance é displicência ou desinteresse em ensinar. Muitas vezes, acolher um aluno que parece ter falhado no percurso da aprendizagem é uma maneira de dizer a ele que vale a pena tentar de novo; é garantir o incentivo necessário que pode definir o sucesso futuro ou o fracasso do aprendiz.

O ensino envolve afetos. O ato de ensinar e o de aprender não são mecânicos. Por isso, o bom professor sempre será aquele que vai além dos planos pedagógicos, dos regimentos institucionais… O educador é quem se importa com o aprendizado do outro e, para isso, exerce o bom senso – algo que não cabe em papel. Afinal, na busca da coerência com a própria dinâmica da vida, o bom senso é a transformação do amor ao saber e do interesse real pelo aluno numa prática virtuosa de educação.

Para quê servem os dons?

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Para quê servem os dons? O que são os dons? Eu diria que são aquelas habilidades que possuímos, que parece terem vindo no pacote quando nascemos.

Tem gente que com um pouco de farinha e alguns temperos é capaz de fazer uma torta incrível.

Esses dons, quando bem aproveitados, tornam nossa vida melhor. Podem ser utilizados na lógica dura da sobrevivência, auxiliando-nos a ganhar dinheiro.

Entretanto, estou cada vez mais convencido que nossas habilidades também devem estar a serviço de outras pessoas. Se os dons que possuímos não servirem para melhorar a vida das pessoas, nossa existência é vazia.

Essa premissa pode parecer utópica. Ou mesmo um tanto tola. Afinal, de certo modo, fazemos parte de uma sociedade que transformou o ditado “cada um por si e Deus pra todos” numa espécie de verdade.

Mas, se os talentos ou habilidades que possuímos só estiverem a serviço de nosso próprio bem-estar, estaremos sendo mesquinhos, medíocres e egoístas.

Quando nos concentramos apenas em nós mesmos, podemos até ter uma vida confortável. Porém, teremos perdido a chance de contribuir para alegrar alguém, para tornar a vida de outra pessoa um pouco melhor.

Deixa eu dar um exemplo… Eu amo aprender. Amo aprender sobre muitas coisas. De que serve todo esse aprendizado se eu guardar só pra mim?

Se dedicamos nossos talentos apenas para o nosso crescimento econômico e financeiro, nosso único legado terá sido pelo fortalecimento de ideiais individualistas, narcisistas. Um dia deixaremos essa vida e teremos deixado escapar a oportunidade de contribuir de alguma maneira para tornar esse mundo melhor.

Todos nós somos bons em algumas coisas; fazemos com facilidade coisas que outras pessoas demoram mais ou precisam se esforçar mais que nós… É como se o universo tivesse nos dotado dessas habilidades especiais.

Agora, pense por um instante, se todos nós, com os dons, talentos ou habilidades distintas que possuímos contribuíssem para auxiliar quem precisa, teríamos ou não um mundo melhor?

Neste comecinho de ano, é uma boa dica pensar em como você pode usar seus dons, aquilo que você faz de melhor, para tornar a vida de alguém um pouco melhor. Tenho certeza que podemos fazer a diferença para alguém.

Você valoriza o que tem?

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Vou me incluir na pergunta… O que valorizamos? Quase sempre, aquilo que não temos. Ou o que corremos o risco de perder.

Valorizamos nossa saúde quando estamos doentes; valorizamos a força de nossas pernas quando encontramos dificuldade para subir uma escada… Valorizamos o trabalho quando ele falta…

A lógica se repete também em nossos bens materiais. O carro conquistado há alguns anos, a casa já comprada, o celular com um ano de uso… Tudo isso é pouco valorizado.

Nossos olhos se voltam para o que ainda não possuímos. O carro do colega de trabalho, a casa do vizinho, o novo lançamento de smartphone…

Mas sabe o que é pior? Fazemos isso com pessoas. As pessoas que amamos quase sempre se tornam comuns, cheias de defeitos e até um fardo. Tem aqueles que chegam inclusive a cobiçar a família do vizinho, a mulher do outro…

O professor Mário Sérgio Cortella lembra que geralmente valorizamos apenas aquilo que corremos o risco de perder. Eu acrescento, lembrando do filósofo Platão, que amamos aquilo que não temos.

Meu convite é muito simples: valorize o que você tem, aproveite as coisas que possui, alegre-se com quem está contigo e diante de você todos os dias. Um dia seus filhos irão embora, seus pais deixarão essa vida e até a sua cama poderá ser apenas um leito de dor… Olhe menos para o que não tem e descubra o valor do que possui. Viva com prazer e intensidade com tudo que é seu.

É tolerável que um professor ridicularize os conhecimentos de um aluno?

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É tolerável que um professor ridicularize os conhecimentos de um aluno? Poderia, talvez, fazer piada com alguma característica física ou mesmo sotaque de uma pessoa?

O mais importante educador brasileiro, Paulo Freire, é radical quanto a esse tipo de comportamento. De acordo com ele, ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando – seja criança, jovem ou adulto. Nada justifica que o educador se coloque num lugar superior, como sendo maior, mais importante que o educando.

Freire sustenta: “o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros”.

A declaração de Paulo Freire é belíssima. Note, o respeito à autonomia e à dignidade é um imperativo ético; não há exceções, condicionamentos. É dever, obrigação de todo educador. O pensador nos coloca diante de grande importância: o educando deve ser visto como um igual, um ser que possui os mesmos direitos e deveres que o educador. Nada que o educador possua – sua fama, títulos, livros publicados etc. – justifica qualquer atitude rude ou agressividade verbal, tampouco dá ao professor o direito de atacar ou desqualificar os saberes e/ou crenças que o educando possui.

Lamentavelmente, há professores que, embasados em suas teorias, atacam alunos por seus posicionamentos. Existem relatos, por exemplo, de ironias e piadas com as crenças religiosas de alunos. Há informações conhecidas de alguns que se sentiram ridicularizados por professores em salas de aula de universidades em função da fé que possuem. E esse é só um exemplo. Para Paulo Freire, esse tipo de atitude é um desvio ético, uma transgressão ao compromisso de educar.

Segundo Paulo Freire, o professor falha em seu papel quando “desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia”. Ou seja, nenhuma característica do aluno, inclusive relacionadas à cultura ao gosto estético, justificam atitudes de ironia, risos, piadas…

Entretanto, Paulo Freire vai além. Ele diz que “o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que ‘ele se ponha em seu lugar’ ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência”.

Observe, caro leitor, que até mesmo os questionamentos mais atrevidos devem ser acolhidos pelo professor. A suposta rebeldia não lhe dá o direito de ridicularizar ou desrespeitar as crenças que o aluno possui.

Ao abordar sobre o respeito à autonomia do ser, Paulo Freire ainda trata da discriminação. Segundo ele, “qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar”. Discriminações de raça, do homem em relação à mulher e até mesmo econômicas são imorais e não combinam com a educação. Por isso, além de não ser um agente de discriminação, é papel do educador combater toda e qualquer forma de discriminação dentro e fora da sala de aula.

Só aprende quem tem a consciência de que não sabe tudo

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Você se sente uma pessoa completa? Já sabe tudo que precisaria saber? Ou admite que ainda há espaço para se desenvolver mais? Quem sabe, até para mudar atitudes, hábitos, comportamentos? Se acredita que estamos sempre aprendendo, você e Paulo Freire estão de acordo.

A consciência de que somos seres inacabados, ou seja, estamos em constante formação é mais um dos princípios da pedagogia freiriana. Paulo Freire afirma que “na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente”.

Paulo Freire parte da premissa de que, embora ninguém esteja pronto, é fundamental se reconhecer como um ser incompleto, inacabado. A consciência do inacabamento do ser assegura a abertura para o aprendizado. Quem diz “eu sou assim e não vou mudar”, se vê como um ser pronto, acabado, consequentemente, essa pessoa não estará aberta ao aprendizado. Noutras palavras, só existe chance de aprender alguma coisa nova, se há o reconhecimento de que cada interação pessoal, cada texto lido, cada aula assistida pode proporcionar conhecimento.

Todos nós estamos em desenvolvimento, em formação. Ao longo de toda a vida, podemos aprender e mudar. A pessoa que é hoje de um determinado jeito, pode deixar de ser amanhã e passar a agir de outra maneira. Mas para que isso aconteça é necessário ter consciência de que somos inacabados, estamos em formação e o saber que possuímos pode se somar a outros saberes ou até mesmo ser abandonado por algo que nos transforme em pessoas melhores.

Numa perspectiva histórica, nas palavras de Paulo Freire, “mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados. Não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis, mas a consciência de sua inconclusão é que gerou sua educabilidade”. Na prática, não foi a educação que nos transformou; foi o reconhecimento de que poderíamos aprender mais. Por isso, nos abrimos inclusive para o processo formal da educação escolar. Ou seja, o desejo de saber mais criou todas as práticas educativas que hoje conhecemos.

É o reconhecimento de que podemos ser mais, aprender mais, que podemos fazer as coisas de outras formas, que nos coloca em movimento, que nos mantêm na busca por novos conhecimentos.

Segundo Paulo Freire, tanto o professor quanto o aluno, como todas as pessoas, devem viver essa experiência educativa; a experiência da constante procura pelo saber. O educador lembra que todo ser humano já nasce curioso, “programado para aprender”, um aprender que não se esgota, que se renova a cada instante e que oferece novas possibilidades de desenvolvimento.

Como você celebra o Natal?

O Natal te faz feliz? Ou esse dia te deixa triste?

Como sou cristão, quero começar dizendo: eu não vejo problema em comemorar o Natal. Acho que a polêmica que algumas pessoas fazem em torno disso é uma grande bobagem. Coisa de fariseu. É fato que Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro, mas quem aí nunca comemorou o aniversário noutra data? Pra mim, se existe algum problema com o Natal, o problema está na maneira de celebrar o Natal.

Eu gosto dos sentimentos desta época do ano.

É verdade que durante muito tempo foi um período que não me trazia sentimentos bons. Mas o tempo me ajudou a lidar melhor com tudo e a ressignificar esta época do ano.
Eu tive uma infância simples. Nossa família era pobre. E eu via as grandes festas, as pessoas ganhando presentes e isso tudo me machucava bastante, porque nós não tínhamos nada daquilo. Meus pais sempre fizeram o melhor que podiam. Minha mãe cuidava dos presentes, mas existia uma distância entre a realidade e o desejo – entre o real e a imagem idealizada de Natal.

Depois, já adulto, quase todas as crises e dificuldades que vivi foram nesta época do ano. Então, dezembro me trazia dor no estômago.

Mas nos últimos anos tenho lidado melhor com o Natal. Ainda sofro com a desigualdade, com as dores por identificar tanta gente que sequer tem um prato de comida na ceia de Natal, mas tenho aprendido celebrar esta data como uma oportunidade de dividir, de estar junto das pessoas que amo, como uma dádiva de Deus pelo presente que é a família, que é a vida em Cristo Jesus, a razão do Natal.

Portanto, embora eu não saiba como você celebra o Natal, fica aqui meu convite para que ame o que você tem, ame as pessoas que estão com você, celebre com o que você possui, seja muito ou seja pouco. Mas celebre, principalmente porque o dono da festa também nasceu muito pobre, não tinha um quartinho, uma caminha confortável… O dono da festa nasceu para dizer aos pobres, aos que sofrem dores, desamparo, abandono.. Ele nasceu para dizer a todas as pessoas que esse mundo é mal, mas Ele existe para dar esperança, esperança de um mundo sem separações, sem barreiras, sem injustiça. Um mundo de amor e paz.

Então celebre sim. Celebre por Jesus!

Um Natal abençoado pra você e sua família,
Que Deus te abençoe.