Mais difícil que admitirmos o erro é aceitar que voltaremos a falhar

A gente comete erros o tempo todo. Alguns mais graves, outros quase sem importância. Como a gente lida com esses erros é o grande desafio.

Com frequência, muitos de nós não queremos admitir os erros… Admitir que falhamos.

Buscamos justificativas.

O serviço deveria ter sido feito por outra pessoa… Alguém esqueceu de nos avisar… Terminamos o serviço no tempo certo, só faltou as outras pessoas fazerem a parte delas…

Nem sempre a gente verbaliza essa busca de justificativa para a falha pessoal. Às vezes, esses argumentos ficam passeando em nossa cabeça. As coisas ficam acontecendo dentro de nós.

Curiosamente, em alguns casos, nem existe alguém nos cobrando pelo erro.

O problema é a gente com a gente mesmo. E ainda assim, encontramos dificuldade para aceitar que o erro foi nosso.

Eu costumo dizer que reconhecer o erro é o primeiro passo para acertarmos da próxima vez. Mas às vezes tenho a impressão que não queremos reconhecer por medo de falharmos novamente.

Dentro de nós habita a insegurança. Sentimos que vai dar errado outras tantas vezes e se reconhecermos que os erros são causados por falhas nossas, parece que estaremos admitindo que somos fracos, incapazes. Que não temos qualidades que nos qualificam para fazer o que fazemos, para estar onde estamos.

Lidar com todas essas emoções talvez seja ainda mais difícil que admitir o próprio erro. Porque significa aceitar que nem sempre somos o que gostaríamos de ser. E que, como pessoas, não somos tão bons como desejávamos ser.

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Desempregados perdem a esperança de uma nova oportunidade de trabalho

A gente fechou a última semana com alguns números preocupantes. Segundo dados do IBGE, o número de brasileiros que desistiu de procurar emprego bateu recorde. Mais de 4 milhões e 800 mil trabalhadores perderam a esperança de conseguir um emprego.

Esse é o número mais alto já registrado na série histórica iniciada em 2012.

Essas pessoas não acreditam mais na possibilidade de ter um trabalho, com carteira assinada, direitos… Simplesmente aceitaram a condição atual e estão tentando sobreviver por conta própria.

Não é difícil compreender o desalento dessas milhões de pessoas. O mercado segue retraído, sem expectativas de expansão. O varejo, por exemplo, que é fundamental na geração de empregos, cortou a estimativa de abertura de lojas em 75%.

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o varejo deverá ganhar apenas 5 mil e 200 novos estabelecimentos em 2018. A estimativa para este ano era de pelo menos 20 mil e 700 novos estabelecimentos comerciais.

Os motivos desta retração são conhecidos: incerteza nos cenários político e econômico, fraco mercado de trabalho e a desvalorização do real.

São quadros como estes que devem nos motivar, como cidadãos, a pensar o futuro do Brasil para além das frases feitas e das obviedades sustentadas por alguns candidatos à presidência da República.

O mundo espera por nossas atitudes

Muita gente se limita, se apequena, por receio da avaliação alheia. A pessoa simplesmente deixa de fazer coisas, de agir livremente segundo o seu querer, porque tem medo do que os outros vão pensar dela.

Hoje eu li uma frase bastante interessante:

– Enquanto você olha para o mundo, o mundo está esperando para ver você.

Pois é… A gente fica observando tudo ao nosso redor, fica admirando outras pessoas, comparando-se com elas e isso tudo faz com que, muitas vezes, nos sintamos pequenos, sem importância.

Entretanto, o mundo espera por nossas atitudes. O mundo não gosta dos acanhados, dos envergonhados.

Às vezes me pego observando alguns dos youtubers. Ali estão eles desfilando um monte de asneiras. Chego a sentir vergonha por alguns deles. Acho ridículo o que fazem e, principalmente, o que falam.

Mas sabe de uma coisa? Eles não estão nenhum pouco preocupados com pessoas como eu. E justamente por isso fazem sucesso.

Eu não sei se você está me entendendo… Mas o que estou querendo afirmar é uma única coisa: enquanto você se silencia, se encolhe com receio do que os outros vão dizer sobre você, algumas pessoas estão ousando, se expondo, experimentando. E são justamente essas pessoas que são lembradas. São elas que fazem a diferença e, por vezes, inspiram outras tantas com suas ações e palavras.

Eu tenho aprendido isso. Eu, você… todos nós estamos aqui de passagem. Daqui alguns anos, provavelmente nem sempre lembrados. Somos feitos da mesma matéria e temos todos o mesmo destino. Portanto, por que temer o que os outros vão pensar de nós?

A vida é uma só. Vivamos com liberdade!

Algumas pessoas preferem ter uma vida pequena

Algumas pessoas escolhem ter uma vida pequena. Poderiam ser maiores do que são, fazer muito mais… Porém, optam por uma condição menor.

Não há problema em fazer esse tipo de escolha – desde que seja consciente. Talvez você tenha talento, capacidade, habilidades para ser um profissional de uma grande multinacional, trabalhando em Nova Iorque. Mas escolheu ficar numa cidade do interior, viver perto da família, criar os filhos com tranquilidade. Isso é digno! Afinal, ser bem sucedido não significa ter dinheiro, fama, poder.

Entretanto, algumas pessoas até gostariam de fazer coisas grandes. Mas parecem ter medo de ousar, de tentar, de experimentar…

Na vida, tudo tem um custo. Se eu quero passar no vestibular de Medicina numa instituição pública, tenho que dedicar 12 a 14 horas do meu dia estudando. E estudando um monte de coisas que não fará nenhuma diferença nos meus dias. Estudando matérias pelas quais não tenho a menor simpatia. Terei que encarar aulas com professores de todo tipo, inclusive não vou gostar de muitos deles.

Gente que escolhe ter uma vida pequena é gente que foge dos desconfortos diários, dos enfrentamentos cotidianos. Na escola, será pequeno aquele que escolhe as matérias que vai estudar e aquelas que vai deixar pra depois. Prefere o papo no whatsapp as horas debruçado sobre os livros.

No trabalho, será pequeno aquele que escolhe a alegria do happy hour do que ficar mais horas trabalhando no planejamento dos próximos meses.

No relacionamento, será pequeno aquele que escolhe ter razão do que engolir alguns sapos, silenciar certas palavras e abrir mão de certos desejos pessoais.

Pessoas que preferem ter uma vida pequena não querem o desconforto do suor, das feridas… Não querem sangrar na caminhada.

Sim, volto a afirmar, não há problema em escolher se pequeno. Mas é preciso saber aceitar essa condição, não viver se culpando, entender que a responsabilidade de uma vida pequena é sua e não dos outros.

Falta formação política aos brasileiros

Estou desenvolvendo, neste semestre, com meus alunos de Jornalismo e Publicidade, da Faculdade Maringá, uma disciplina de formação política e social. O foco principal é analisar os movimentos da campanha presidencial e as propostas dos principais candidatos.

Os encontros semanais são bastante animados. Não faltam discussões.

Não é a primeira vez que desenvolvo esta proposta na faculdade, mas, semelhante a outras ocasiões, a experiência tem sido enriquecedora.

O difícil mesmo é ouvir alguns candidatos. Ao selecionar as entrevistas que muitos deles concedem aos principais meios de comunicação do país, a gente nota o quanto suas falas são vazias.

Como nosso objetivo em aula é analisar as propostas dos candidatos, temos nos surpreendido com a ausência de projetos coerentes com a realidade do Brasil. Com exceção de um ou dois candidatos, os demais falam apenas para agradar o público deles.

O tripé educação-saúde-segurança está presente na fala de todo mundo. Mas o que será feito nessas áreas, que ações serão implementadas, como será gasto o dinheiro? Ninguém sabe.

O que percebo a cada novo encontro com os alunos é o quanto nossa gente é carente de uma formação sólida para a compreensão dos temas políticos. Se as pessoas efetivamente analisassem o que os candidatos falam e separassem as propostas das frases de efeito, dos clichês e das discussões sobre temas relacionados aos costumes, provavelmente teríamos outros candidatos favoritos à vitória.

As questões que efetivamente farão diferença na vida da população estão ausentes nos discursos da maioria dos candidatos. Lamentável.

Filhos frágeis

Ao observar o comportamento de muitos adolescentes, fico bastante indignado com os pais. É impressionante o que muitos deles têm feito na educação da garotada. Nossos jovenzinhos são frágeis… Não sabem enfrentar os problemas. Não sabem lidar com a vida.

E de quem a responsabilidade? Dos pais! Sim, os pais estão formando uma geração mole. Uma geração de filhos bundões – desculpa o termo.

Essa molecadinha não pode ouvir um não do colega, do professor… e já chega em casa chorando. Aí os pais correm pra comprar a briga dos filhos.

O menino foi alvo de uma brincadeira de mau gosto na escola? Tá lá, no mesmo dia, os pais ameaçando tirar o garoto da escola.

A menina foi excluída do grupinho? Lá estão os pais, nervosos, irritados, tomando as dores da filha.

Chega a ser assustador!

São meninos e meninas que não sabem se defender. Não sabem se impor. E quando tentam fazer isso, a defesa é quase sempre um ato de violência – ainda que verbal.

Tenho repetido que não sou um pai exemplar, mas me orgulho de saber que orientei meus filhos a resolverem seus próprios problemas. Sempre estive pronto pra abraçar, apoiar, aconselhar. Mas a encrenca na qual se meteram era um problema deles. Nunca fui à escola defender meus filhos, nunca tive que conversar com outros pais por conta de problemas deles.

Penso que é dever dos pais permitir que os filhos amadureceram. Isso significa expô-los às dificuldades. A gente tem que aprender a dizer para as crianças:

– Querido, se você se envolver num problema na escola, tente resolver. Fale com o colega, converse com a professora, procure a coordenação. Se alguém te tratar mal, afaste-se. Encontre um jeito de resolver. Eu não vou resolver pra você!

Esse tipo de atitude ajuda no desenvolvimento da autonomia, da confiança.

A vida é dura. E justamente por isso temos que incentivar nossos filhos a se tornarem pessoas fortes. Sensíveis sim aos problemas alheios, mas capazes de lidar com as frustrações, com as decepções, traições… Fortes para assimilarem as pancadas da vida.

Livros: o universo do desconhecido

Eu gosto de ler. É verdade que leio bem menos do que gostaria. Um pouco por causa do tempo, ocupado pelo trabalho e tarefas do doutorado; mas também por me distrair com aplicativos e redes sociais (sim, eu também me pego jogando tempo fora indo do nada pro lugar nenhum).

Então me culpo por não ler mais. E me sinto muito mal quando vejo o universo tão rico de livros que nunca vou acessar. Afinal, ainda que aumente significativamente minha rotina de leitura, certamente não vou ler mais que outros mil e poucos livros até o fim da minha vida.

Bom, enquanto me pego pensando em livros, noto que a maioria das pessoas lê muito pouco. Na verdade, segundo o último relatório Retratos da Leitura no Brasil, 44% da população não tinham sequer chegado perto de um livro nos três meses anteriores à pesquisa. Isso é grave, porque um povo que não lê é também um povo de pensamento estreito e pobreza cultural.

Ler – e é claro que não se trata de ler qualquer bobagem – ajuda no vocabulário, melhora a argumentação e, principalmente, leva a gente para mundos não conhecidos. Isso é fundamental para nos tornarmos pessoas mais sábias.

Quando a gente lê, a gente dá um passo adiante, porque nos apropriamos de um saber que outra pessoa teve trabalho para construir. Isso nos coloca em vantagem, pois, na prática, eu somo a minha relação com o mundo com a relação do outro (escritor) com o mundo dele. Em mim, passam a habitar universos que até então eu desconhecia. E isso me faz ver mais longe.

Brasil vende mais livros, mas não há nada a comemorar

O Painel das Vendas de Livros registrou um aumento de 5,24% entre janeiro e 15 de julho deste ano. Foram vendidos pouco mais de 24 milhões de livros.

O faturamento também cresceu. Chegou a um bilhão e 70 milhões de reais.

Os dados parecem positivos. Porém, na prática, não significam muita coisa. Basta notar que, na contabilidade das editoras, está o álbum de figurinhas da copa do mundo – que, por sinal, foi um dos três livros mais vendidos no período.

Na verdade, a situação é preocupante no setor editorial. As grandes editoras estão em crise. E não se trata de um problema causado diretamente pelas tecnologias digitais. Ou seja, não tem a ver necessariamente com o risco do fim do livro impresso.

Tem a ver diretamente com os hábitos de leitura do brasileiro e a crise econômica. O mercado editorial brasileiro é bastante tímido. Vende-se pouco. Por outro lado, sem dinheiro, muita gente deixa de comprar livros e, pior, várias livrarias estão com dificuldades financeiras – estão inadimplentes e não ampliam seus estoques.

Ou seja, o crescimento registrado no mercado de livros neste ano não dá para comemorar. Na prática, não havia muito espaço para redução ainda maior no faturamento e nem nos números de livros vendidos. Os analistas dizem que este mercado já estava no fundo do poço. Não tinha como ser pior.

Tudo isso é muito triste. Um país de não leitores é um país onde reina a ignorância.