O que se ganha em ser agressivo nas redes sociais?

​Publiquei na última segunda-feira um post com uma música de Chico Buarque. Semanalmente, destaco um artista e uma canção naquele espaço. Faço isso há uns 10 anos por aqui.

Na segunda, destaquei Chico pela grandiosidade de sua obra. Chico Buarque tem sido injustiçado por parcela da população brasileira. Em função dos posicionamentos políticos dele, muita gente tem atacado esse artista genial.

Após publicar o texto com a música, o primeiro comentário que recebi foi justamente para agredir verbalmente Chico Buarque. O leitor não falou da música, não tratou da arte… Só xingou.

Ao ver o comentário, fiquei pensando: o que motiva uma pessoa a sentir tanta raiva de um artista para gastar tempo em parar diante de um post numa rede social a fim de atacá-lo? Detalhe, provavelmente, Chico Buarque nunca vai ler meu post e tampouco o xingamento.

Tem algo de doentio nesse comportamento. Não há justificativa racional para alguém dedicar tempo para atacar pessoas nas redes. E aqui nem se trata do Chico. Falo desse comportamento nocivo adotado por muitas pessoas.

Basta circular nas redes para ver pessoas investindo parte do tempo delas em atacar artistas, músicos, políticos, jornalistas, blogueiros… Apenas por não concordarem com eles. E são ataques ao ser humano; não às ideias. Fico com a impressão que, se pudessem apedrejar literalmente, apedrejariam.

Quando vejo isso, penso na energia emocional que se gasta em tirar um tempo do dia para algo tão vazio. A agressão é despropositada; é passional, rebaixa quem agride; desqualifica mais o agressor do que o agredido. Também faz mal para a alma. Atrai negatividade, produz hormônios ruins para o corpo. E, além disso, é um péssimo uso do tempo.

Enfim, se você já fez isso em algum momento, pense primeiro em você. O que se ganha em atacar pessoas na rede? Sejam elas do seu círculo de amizade ou celebridades da rede?

Vamos dedicar tempo para as coisas que nos fazem crescer como pessoas, que nos tornam profissionais melhores, parceiros melhores… Vamos investir tempo no autoconhecimento!

Meu convite é simples… Que a gente alimente coisas boas, menos rancor, ódio… Que a gente use bem o tempo. Afinal, nada é mais precioso que o tempo. Se um post ou um personagem nos incomoda, nos dá raiva, basta deixar de segui-lo. Ou, basta ignorar.

A vida é mais feliz quando a gente vive de maneira mais leve.

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Nem sempre é por querer; é por valor moral

Nem tudo que a gente faz, a gente faz por que quer fazer; faz, porque DEVE fazer. Este é um dos princípios morais mais importantes na história da ética.

O sentimento de dever é fundamental para o funcionamento da sociedade e para as relações sociais.

A compreensão do dever é que nos motiva a contrariar os desejos, pulsões e manter uma postura correta diante do outro e da sociedade.

A fidelidade numa relação amorosa, por exemplo, é resultado de um ato moral. Por vezes, o desejo é por alguém fora do relacionamento. Por que se preserva a fidelidade? Por moral. O corpo pode reclamar novas experiências. Mas a fidelidade é um compromisso moral assumido com a pessoa com quem se escolheu viver.

Vale o mesmo para inúmeras outras situações. Na empresa, mesmo passando por dificuldades financeiras e sendo mal remunerado, o profissional que trabalha no departamento financeiro talvez tenha a oportunidade de desviar algum dinheiro. Por que não faz? Pelo dever. Não mexer no dinheiro que não lhe pertence é a atitude correta.

Um parente doente, que precisa de cuidados, que nos obriga a perder dias de trabalho, alterar nossa rotina, gastar nossas reservas financeiras… Uma situação como essa não é desejada. Não cuidamos dessa pessoa por prazer; cuidamos por dever. É o certo a fazer.

Por que trato desse assunto hoje? Simples, porque vivemos um momento em que as escolhas são movidas pelas paixões, pelo que alegra. Muita gente opta pelo whatsapp até para colocar fim num relacionamento – tudo para evitar o desprazer do olho no olho.

Entretanto, viver não é apenas fazer o que se gosta. A moral nos orienta a fazer o que devemos fazer. Algumas práticas são necessárias, não por serem alegradoras individualmente, mas pela necessidade de preservar a boa convivência, o bom funcionamento das relações sociais.

Na segunda, uma música

Chico Buarque é uma lenda da música brasileira. Algumas de suas canções são mais do que músicas; são poesias, gritos de protesto ou reflexões sobre a condição humana.

Num país que se polarizou nos últimos anos, as posições políticas de Chico motivaram questionamentos a esse grande artista. Muita gente ignorou a sua grandiosidade artística e passou a agredir e até a desvalorizar o trabalho dele. Chico, que era uma espécie de unanimidade, tornou-se alvo de todo tipo de violência verbal, principalmente nas redes.

Bem, para as pessoas que se deixam levar pelas paixões políticas, peço desculpas. Porém, hoje é dia de Chico Buarque por aqui. Considero Chico um dos artistas mais completos do país. É compositor, poeta, escritor… E embora não seja um cantor de voz potente, consegue imprimir personalidade às interpretações.

Uma das músicas recentes de Chico é “Tua cantiga”. E é ela que destaco nesta segunda-feira. Vamos ouvir e ver o mestre Chico?

O desprezo às ciências e a fuga de cérebros

A maior riqueza de um país é o seu povo. São as pessoas que tornam uma nação grande, rica, próspera. É a capacidade de um povo de encontrar soluções para seus problemas e promover o desenvolvimento que determina o crescimento de um país ou seu fracasso.

Parte desse processo é capitaneado pelos homens e mulheres que dedicam a vida deles para a ciência. Por meio da pesquisa, essas pessoas, silenciosamente, buscam entender os mais diferentes fenômenos e pesquisam soluções para os desafios enfrentados pela sociedade.

Quando um país não incentiva a sua ciência, de certo modo, abre mão do desenvolvimento, aceita ser coadjuvante no cenário mundial.

E é isso que o Brasil tem feito ao longo de sua história.

A falta de insumos, equipamentos e incentivos públicos à pesquisa científica está gerando uma “fuga de cérebros” – gente que deixa o Brasil para fazer ciência noutros países . Cada vez mais doutores têm abandonado suas funções para trabalhar em países como Austrália, Holanda e Portugal.

Lamentavelmente, essa migração sempre existiu. O Brasil nunca valorizou de fato a sua inteligência. Para se ter uma ideia, uma bolsa de iniciação científica na graduação era de 400 reais. No doutorado, não passava de 2.500 reais. Uso os verbos no passado porque até essas migalhas estão deixando de ser pagas.

Os repasses de recursos para pesquisa sempre foram ínfimos.

Neste ano, porém, o cenário piorou profundamente. As medidas e até mesmo o discurso do governo são de total desprezo à ciência. As poucas bolsas de estudo desaparecendo, o repasse de verbas para as universidades caiu e, o que é mais grave, o atual presidente da República não tem nenhum pudor em colocar em dúvida pesquisas científicas. Basta notar que, mesmo contrariando todas as evidências, recentemente, questionou os dados de desmatamento da Amazônia e demitiu o diretor do Inpe, responsável por um dos principais centros de pesquisa do país.

Quem quer fazer pesquisa no Brasil tem se sentido desprestigiado. Pior, mestres e doutores, gente que dedica a vida aos estudos, vê seus saberes questionado por pessoas que desconhecem por completo o rigoroso processo de desenvolvimento de uma pesquisa científica . Gente, como o presidente, que jamais passou pela experiência de esboçar um projeto de pesquisa … Gente que é incapaz de ler e entender um parágrafo de um livro produzido com o rigor das ciências e que prefere os argumentos vazios e mentirosos de posts que circulam nas redes sociais ou em mensagens do whatsapp para desacreditar estudiosos.

Faço aqui uma observação, antes que alguém diga que estou sendo agressivo com quem nunca teve a chance de estudar e tampouco chegou à universidade. Minha crítica se dirige apenas – e tão somente – àquelas pessoas que questionam o saber científico sem nunca terem feito ciência, sem conhecerem o trabalho sério produzido pelos pesquisadores.

Enfim, o cenário é desestimulante. Por isso, a inteligência do país deixa nossas universidades para produzir ciência em nações que já são ricas, desenvolvidas, poderosas. Enquanto isso, o país segue por aqui menosprezando o conhecimento e tendo orgulho de sua ignorância.

Ps. Neste ano, o contingenciamento de recursos já chegou a 30% no Ministério da Educação e 42% na pasta de Ciência e Tecnologia.

Não use a régua do outro para medir o seu sucesso

​Olhar para outras pessoas com admiração e buscar aprender com elas é uma das grandes qualidades de uma pessoa.

Quando temos a capacidade de admirar as outras, demonstramos ter um coração generoso, amável… Um coração livre de inveja.

Se olhamos para essas pessoas e nos dispomos a aprender com elas, a tentar ter algumas das qualidades delas, revelamos estar abertos ao crescimento pessoal, que temos disposição para rever nossas práticas e até mesmo algumas nossas verdades.

Entretanto, quando o olhar para o outro é de comparação… Quando tento medir o meu desenvolvimento, o meu sucesso com a régua alheia, não apenas uso a medida errada; agrido minha autoestima, meu amor próprio.

Se admiro, mas quero ser igual ao outro, ter o que o outro tem… Não admiro; de certo modo, invejo. E isso causa dor, sofrimento.

O outro pode ser motivo de inspiração; nunca de comparação. A vida que possuo, meus desejos, minha história, meus relacionamentos… Tudo que me faz ser quem sou me faz ter um tempo específico para o meu desenvolvimento. Isso quer dizer que cada um de nós tem seu próprio ritmo de aprendizado, tem condições distintas do outro… Condições essas que produzem resultados diferentes.

Algumas pessoas para chegarem ao topo da carreira profissional levaram menos de cinco anos; outras demoram vinte. Isso significa que quem chegou em menos tempo é melhor que a outra? Não. Significa apenas que possuíam histórias e condições distintas que motivaram tempos diferentes para obterem resultados semelhantes.

Portanto, fica a dica: não use a régua do outro para medir seu próprio desenvolvimento. Cada um de nós é único. Entender isso é respeitar a si mesmo.

O futuro não pode nos impedir de viver o presente

​Muitas de nossas ações são motivadas pela preocupação com o futuro.

Por que fazemos poupança? Por que pagamos a previdência? Por que procuramos ter um plano de saúde?

E o que dizer dos estudos? Investimentos numa faculdade, pós-graduação…?

Todas essas ações empreendidas hoje são desenvolvidas como investimentos no futuro. Um futuro que desconhecemos e que ainda não nos pertence.

Esses investimentos no futuro são fundamentais. Se não estudarmos, como seremos competitivos no mercado de trabalho? Se não tivermos uma poupança, o que faremos caso enfrentemos um revés financeiro?

Ou seja, embora sejam atividades que realizamos hoje voltadas para um futuro que ainda não existe, elas permitem que o nosso amanhã seja mais seguro.

Mas existe um problema: nossas preocupações com o futuro não podem afetar nosso presente a ponto abdicarmos da vida.

O que isso quer dizer? Algo muito simples. Muitos de nós, preocupados demais com o amanhã, sacrificam o hoje.

São pessoas que abrem mão de estar com a família, de ver os filhos crescerem, de estar com a esposa… São pessoas que passam meses e até anos sem visitar os pais, não encontram tempo para dar um caminhada no parque, não estão presentes em datas especiais..

A vida presente é esvaziada num jogo ilusório em que o futuro parece garantido. Um jogo que engana, pois enquanto a imagem de um futuro grandioso se projeta diante dos olhos, a prática diária constrói solidão, relacionamentos frágeis, abandono, perda dos laços familiares, filhos desapegados dos pais, falta de boa saúde física, saúde emocional comprometida por estresse, ansiedade, depressão.

Portanto, não seja uma pessoa obcecada pelo futuro; invista nele, mas não deixe que as preocupações com o futuro te arrastem e consumam sua vida.

Pais com medo de educar

​Poucas coisas são tão prejudiciais na educação dos filhos que o medo. Sim, muitos pais têm medo de educar os filhos. Porque educar requer limites. E para estabelecer limites, é preciso ter disposição para enfrentar os desejos dos filhos.

A tirania de muitos meninos e meninas não nasce com as crianças. Embora a genética seja parcialmente responsável pela personalidade, são as práticas diárias, as relações estabelecidas que norteiam a forma com que os filhos vão agir em casa e na sociedade.

Não é difícil concluir que pode coexistir na mesma pessoa uma personalidade forte, mas que respeita as hierarquias, é solidária e amável. O respeito, a solidariedade e o amor não são genéticos; são aprendidos.

Um adolescente tirano só é tirano porque não foi contido durante a infância.

E por que isso acontece? Porque muitos pais têm medo. Medo de educar.

Esse medo geralmente nasce, primeiro, pela memória da relação que a pessoa teve com seus pais. Na tentativa de não repetir os erros deles, acaba por cometer erros piores. A pessoa tem medo de causar as mesmas mágoas que seus pais causaram. Com isso, acaba indo para outro extremo.

O medo também ocorre pela falta de convicção. Como não se preparou para ser pai ou mãe, e o mundo de hoje é cheio de incertezas, fluído, a pessoa olha para os lados e faltam referências para que sirvam de base para aplicar na educação das crianças.

Um terceiro motivo é a culpa. Os pais estão ocupados demais e querem tornar prazerosas as poucas experiências que vivenciam com os filhos. Relaxam na disciplina e acabam por tolerar as manhas, birras, evitam que as crianças se frustrem… Enfim, não conseguem dizer não.

Por fim, o medo de educar também está relacionado à carência. Os pais querem ser amados pelos filhos. Dizer não, disciplinar, estabelecer limites são práticas que desagradam os filhos. Quando a gente diz não para uma criança, ela vai reclamar. Dependendo da personalidade, pode ficar “de bico” por horas e até um dia inteiro. Isso faz com que muitos pais evitem o confronto. Tornam-se pais permissivos. Aos poucos, o filho se torna uma pessoa difícil de lidar e que manda na casa. Pior, poderá se tornar um adulto com poucas habilidades sociais e sem as noções éticas necessárias para uma convivência solidária e o exercício da empatia em suas relações pessoais.

Na segunda, uma música

The Gaither Vocal Band é um grupo norte-americano que surgiu no início dos anos 1980. Liderado por Bill Gaither, o que era um quarteto de vozes, ganhou novos contornos ao longo dos anos, mas nunca perdeu de vista a excelência na qualidade musical.

O Gaither já teve várias formações e revelou cantores geniais como Steve Green, Larnelle Harris, Michael English e David Phelps. As músicas foram gravadas e regravadas em versões variadas, inclusive por artistas brasileiros.

O que mais me encanta no Gaither é a capacidade do grupo renovar-se. Afinal, são cerca de 40 anos de carreira e o grupo está sempre emplacando canções novas e encantando não apenas os fãs do passado, mas também conquistando novos públicos.

E quem fez isso? Um senhor que já passou dos 83 anos. Bill Gaither é incrível. Um homem à frente de seu tempo. Tem espírito jovem. O The Gaither já está na 17a formação e os cantores são bem mais jovens que o líder do grupo. E tudo funciona maravilhosamente bem.

A música nova, lançada na última semana, mostra um pouco dessa combinação: modernidade sem esquecer as raízes.

Convido você a ouvir Good Things Take Time. Vale a pena!!