Mais difícil que admitirmos o erro é aceitar que voltaremos a falhar

A gente comete erros o tempo todo. Alguns mais graves, outros quase sem importância. Como a gente lida com esses erros é o grande desafio.

Com frequência, muitos de nós não queremos admitir os erros… Admitir que falhamos.

Buscamos justificativas.

O serviço deveria ter sido feito por outra pessoa… Alguém esqueceu de nos avisar… Terminamos o serviço no tempo certo, só faltou as outras pessoas fazerem a parte delas…

Nem sempre a gente verbaliza essa busca de justificativa para a falha pessoal. Às vezes, esses argumentos ficam passeando em nossa cabeça. As coisas ficam acontecendo dentro de nós.

Curiosamente, em alguns casos, nem existe alguém nos cobrando pelo erro.

O problema é a gente com a gente mesmo. E ainda assim, encontramos dificuldade para aceitar que o erro foi nosso.

Eu costumo dizer que reconhecer o erro é o primeiro passo para acertarmos da próxima vez. Mas às vezes tenho a impressão que não queremos reconhecer por medo de falharmos novamente.

Dentro de nós habita a insegurança. Sentimos que vai dar errado outras tantas vezes e se reconhecermos que os erros são causados por falhas nossas, parece que estaremos admitindo que somos fracos, incapazes. Que não temos qualidades que nos qualificam para fazer o que fazemos, para estar onde estamos.

Lidar com todas essas emoções talvez seja ainda mais difícil que admitir o próprio erro. Porque significa aceitar que nem sempre somos o que gostaríamos de ser. E que, como pessoas, não somos tão bons como desejávamos ser.

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O mundo espera por nossas atitudes

Muita gente se limita, se apequena, por receio da avaliação alheia. A pessoa simplesmente deixa de fazer coisas, de agir livremente segundo o seu querer, porque tem medo do que os outros vão pensar dela.

Hoje eu li uma frase bastante interessante:

– Enquanto você olha para o mundo, o mundo está esperando para ver você.

Pois é… A gente fica observando tudo ao nosso redor, fica admirando outras pessoas, comparando-se com elas e isso tudo faz com que, muitas vezes, nos sintamos pequenos, sem importância.

Entretanto, o mundo espera por nossas atitudes. O mundo não gosta dos acanhados, dos envergonhados.

Às vezes me pego observando alguns dos youtubers. Ali estão eles desfilando um monte de asneiras. Chego a sentir vergonha por alguns deles. Acho ridículo o que fazem e, principalmente, o que falam.

Mas sabe de uma coisa? Eles não estão nenhum pouco preocupados com pessoas como eu. E justamente por isso fazem sucesso.

Eu não sei se você está me entendendo… Mas o que estou querendo afirmar é uma única coisa: enquanto você se silencia, se encolhe com receio do que os outros vão dizer sobre você, algumas pessoas estão ousando, se expondo, experimentando. E são justamente essas pessoas que são lembradas. São elas que fazem a diferença e, por vezes, inspiram outras tantas com suas ações e palavras.

Eu tenho aprendido isso. Eu, você… todos nós estamos aqui de passagem. Daqui alguns anos, provavelmente nem sempre lembrados. Somos feitos da mesma matéria e temos todos o mesmo destino. Portanto, por que temer o que os outros vão pensar de nós?

A vida é uma só. Vivamos com liberdade!

Algumas pessoas preferem ter uma vida pequena

Algumas pessoas escolhem ter uma vida pequena. Poderiam ser maiores do que são, fazer muito mais… Porém, optam por uma condição menor.

Não há problema em fazer esse tipo de escolha – desde que seja consciente. Talvez você tenha talento, capacidade, habilidades para ser um profissional de uma grande multinacional, trabalhando em Nova Iorque. Mas escolheu ficar numa cidade do interior, viver perto da família, criar os filhos com tranquilidade. Isso é digno! Afinal, ser bem sucedido não significa ter dinheiro, fama, poder.

Entretanto, algumas pessoas até gostariam de fazer coisas grandes. Mas parecem ter medo de ousar, de tentar, de experimentar…

Na vida, tudo tem um custo. Se eu quero passar no vestibular de Medicina numa instituição pública, tenho que dedicar 12 a 14 horas do meu dia estudando. E estudando um monte de coisas que não fará nenhuma diferença nos meus dias. Estudando matérias pelas quais não tenho a menor simpatia. Terei que encarar aulas com professores de todo tipo, inclusive não vou gostar de muitos deles.

Gente que escolhe ter uma vida pequena é gente que foge dos desconfortos diários, dos enfrentamentos cotidianos. Na escola, será pequeno aquele que escolhe as matérias que vai estudar e aquelas que vai deixar pra depois. Prefere o papo no whatsapp as horas debruçado sobre os livros.

No trabalho, será pequeno aquele que escolhe a alegria do happy hour do que ficar mais horas trabalhando no planejamento dos próximos meses.

No relacionamento, será pequeno aquele que escolhe ter razão do que engolir alguns sapos, silenciar certas palavras e abrir mão de certos desejos pessoais.

Pessoas que preferem ter uma vida pequena não querem o desconforto do suor, das feridas… Não querem sangrar na caminhada.

Sim, volto a afirmar, não há problema em escolher se pequeno. Mas é preciso saber aceitar essa condição, não viver se culpando, entender que a responsabilidade de uma vida pequena é sua e não dos outros.

Filhos frágeis

Ao observar o comportamento de muitos adolescentes, fico bastante indignado com os pais. É impressionante o que muitos deles têm feito na educação da garotada. Nossos jovenzinhos são frágeis… Não sabem enfrentar os problemas. Não sabem lidar com a vida.

E de quem a responsabilidade? Dos pais! Sim, os pais estão formando uma geração mole. Uma geração de filhos bundões – desculpa o termo.

Essa molecadinha não pode ouvir um não do colega, do professor… e já chega em casa chorando. Aí os pais correm pra comprar a briga dos filhos.

O menino foi alvo de uma brincadeira de mau gosto na escola? Tá lá, no mesmo dia, os pais ameaçando tirar o garoto da escola.

A menina foi excluída do grupinho? Lá estão os pais, nervosos, irritados, tomando as dores da filha.

Chega a ser assustador!

São meninos e meninas que não sabem se defender. Não sabem se impor. E quando tentam fazer isso, a defesa é quase sempre um ato de violência – ainda que verbal.

Tenho repetido que não sou um pai exemplar, mas me orgulho de saber que orientei meus filhos a resolverem seus próprios problemas. Sempre estive pronto pra abraçar, apoiar, aconselhar. Mas a encrenca na qual se meteram era um problema deles. Nunca fui à escola defender meus filhos, nunca tive que conversar com outros pais por conta de problemas deles.

Penso que é dever dos pais permitir que os filhos amadureceram. Isso significa expô-los às dificuldades. A gente tem que aprender a dizer para as crianças:

– Querido, se você se envolver num problema na escola, tente resolver. Fale com o colega, converse com a professora, procure a coordenação. Se alguém te tratar mal, afaste-se. Encontre um jeito de resolver. Eu não vou resolver pra você!

Esse tipo de atitude ajuda no desenvolvimento da autonomia, da confiança.

A vida é dura. E justamente por isso temos que incentivar nossos filhos a se tornarem pessoas fortes. Sensíveis sim aos problemas alheios, mas capazes de lidar com as frustrações, com as decepções, traições… Fortes para assimilarem as pancadas da vida.

Brasil, pobre também na ciência

Tenho repetido que a gente conhece as prioridades de um governo por suas práticas. No Brasil, educação é prioridade sempre. Mas apenas nos discursos. Nos discursos de campanha, nos palanques… Na prática, quando eleitos, a maioria segue falando que cuida da educação, mas pouco ou nada faz para torná-la prioridade.

Lembro que, em 2010, ao entrevistar o então candidato Beto Richa ao governo do Paraná, o tucano dizia, cheio de convicção, que a educação seria sua grande bandeira. Eleito, Beto Richa foi um desastre para a educação. Poucas vezes na história professores da rede pública foram tão agredidos por um governo. E as universidades estaduais foram sucateadas.

Na esfera federal, desde a posse de Michel Temer, a educação no ensino superior está sendo desmontada. E, consequentemente, o Brasil se torna ainda mais pobre nas ciências.

A última medida pode acabar com 200 mil bolsas de estudo. A proposta do (des)governo Temer é cortar orçamento do Ministério da Educação. Pelo menos 580 milhões de reais poderão ser tirados da Capes, o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Isso significaria um corte nas bolsas de estudo de 93 mil discentes, pesquisadores de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Também atingiria aproximadamente 105 mil alunos de graduação, que participam de projetos de iniciação científica.

É necessário dizer que, no caso da pós-graduação, muitas dessas pessoas, que perderiam as bolsas, não possuem outra renda. Dedicam-se exclusivamente aos estudos. Cortar as bolsas significaria uma espécie de desemprego.

E tem mais um aspecto que precisa ser ressaltado: cortar as bolsas de estudo significa reduzir ainda mais a produção de pesquisa científica – que, no Brasil, já é bastante modesta quando comparada com outros países. Na América do Sul, por exemplo, na ciência, somos menos relevantes que o Chile e a Argentina.

Consequência disso? Um país que não investe em ciência é um país pobre. Afinal, é a pesquisa que ajuda um país a encontrar soluções para os mais diferentes problemas – seja de inovação tecnológica, seja no tratamento de doenças ou mesmo na busca de alternativas para a desigualdade social e violência urbana.

Pois é, gente, este é mais um retrato de um Brasil sem rumo e que não prioriza o que é realmente é importante.

Gastar bem o tempo…

Um dos meus desafios diários é administrar bem o tempo. Não se trata de uma imposição dos meus diretores. Trata-se de uma cobrança pessoal. O dia tem 24 horas – esteja ou não esteja cheia a minha agenda. Este é o tempo que eu e você temos para cuidar de todas as nossas tarefas.

Em algumas ocasiões, para tentar mapear como gerencio o meu tempo, fiz anotações das atividades que estava desenvolvendo. Tipo, entrei no computador às 8h para escrever um texto para o blog. Escrevi em 20 minutos e outros 30 minutos fiquei navegando nas redes sociais. Tudo isso devidamente anotado.

Ao final do dia, as anotações das diferentes tarefas me permitiam observar quanto tempo estava dedicando a cada atividade e, principalmente, quantos minutos ou horas poderiam ser melhor aproveitados.

Dorie Clark, consultora em estratégia de marketing, num artigo para uma das revistas da Universidade de Harvard, fez observações sobre o que ela descobriu depois de alguns meses mapeando como gastava o tempo dela.

Dorie Clark foi muito mais disciplinada que eu. Eu nunca consegui fazer esse tipo de anotação por mais que uma semana. Também nunca fiz um levantamento preciso observando o tempo médio gasto em que cada coisa. Dorie Clark fez. Observou o tempo gasto diariamente respondendo e-mails, atendendo clientes, almoçando, saindo com amigos, dormindo… E o tempo que ficou nas redes sociais navegando à toa durante o mês.

A disciplina dessa consultora americana é uma lição pra nós. Não apenas sobre a necessidade de ter consciência sobre o uso do tempo, mas principalmente uma indicação de que a gestão do tempo é uma tarefa que cabe a cada um de nós. As 24 horas diárias vão passar de todo jeito, mas o que temos efetivamente feito com elas? Temos aproveitado cada minuto para crescermos como profissionais, como pessoas e nos relacionarmos melhor?

Creio que gastar bem o tempo seja o nosso maior desafio!

Fake news: as pessoas acreditam no que querem acreditar

Nos últimos meses, várias agências de checagem de notícias foram criadas. Ainda hoje pela manhã, li sobre o lançamento de uma nova agência, ligada a um dos maiores grupos de comunicação do país. A proposta é investigar se são fatos ou fakes algumas notícias que circulam na rede.

Esse movimento me parece bastante relevante. A quantidade de notícias falsas é assustadora. Mas o que mais me preocupa é o comportamento das pessoas.

Ainda dias atrás, uma jovem que conheço, pessoa que considero, debateu comigo a respeito de uma informação que outra colega havia compartilhado. Eu argumentei, com base numa agência de checagem de informações, que a notícia era falsa. Ela rebateu questionando os interesses da agência. Em outras palavras, colocou em dúvida a agência e, de alguma forma, sustentou que a notícia, que eu entendo como falsa, era verdadeira.

Enfim… É justamente isso que me preocupa. Tenho a impressão que, quando algumas pessoas tomam um conteúdo como verdadeiro, nem mesmo a checagem de sua veracidade é suficiente para desmenti-lo. As pessoas acreditam no que querem acreditar. E aí usam como argumento qualquer coisa, inclusive ideias de conspiração.

Alguns candidatos e políticos fazem isso (Donald Trump é um “belo” exemplo). Movimentos como o MBL, idem. Quando são confrontados, quando a gente diz: “é mentira o que vocês estão dizendo”, preferem desqualificar as fontes de informação e até rebatem dizendo que a checagem é que é falsa.

Isso só reforça a certeza que o problema na qualidade da informação na rede, nos grupos de whatsapp, vai para além dos interesses envolvidos, da superficialidade ou mesmo da pressa em passar uma informação adiante; o problema está na qualidade da formação cultural das pessoas ou, em alguns casos, até mesmo na ausência de ética e caráter.

As coisas que importam…

As coisas que realmente importam geralmente são aquelas que exigem mais de nós. Brincar com o filho depois de um dia de trabalho requer esforço, renúncia. É mais fácil sentar-se diante da TV ou simplesmente se ocupar de uma tarefa ou outra de casa ou até da empresa.

Na verdade, o exemplo ilustra todas as outras situações que valem a pena ser vividas. Uma caminhada com sua filha no parque ou ficar na cama descansando? Um piquenique com a esposa no parque ou um restaurante fast-food? Dias e dias debruçados sobre os livros ou assistir uma série atrás da outra no Netflix?

Sim, as coisas que mais importam pedem dedicação, tempo, energia. Mas são essas que fazem a diferença na vida, que produzem boas memórias e, com o tempo, saudade.