Qual é a hora certa de tomar uma decisão?

A gente nunca deveria fazer escolhas sob efeito de fortes emoções. Se você está feliz demais e toma uma decisão, corre o risco de fazer bobagem; se está irritado, também.

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriram que até a fome ou o cansaço pode afetar negativamente nossas decisões.

Diariamente, fazemos escolhas. De coisas práticas a outras tantas de natureza subjetiva. A gente começa o dia decidindo que roupas usar. Define se vai tomar café, qual trajeto para chegar ao trabalho ou levar os filhos para a escola. Também decidimos como falar com aquela pessoa que não fez o trabalho como solicitamos e até mesmo se vamos ou como vamos responder ao chefe por aquela repreensão estúpida e que nos envergonhou na frente dos colegas.

Muitas dessas escolhas são feitas quase de forma automática, com base em nossas experiências anteriores. E isso nem sempre é positivo. Afinal, desde a roupa que usamos até a forma como respondemos ao chefe, cada atitude revela um pouco do nosso caráter e da capacidade que temos para desempenhar determinadas tarefas.

Por isso, estar consciente das escolhas que fazemos e das emoções que estão nos influenciando em cada momento pode fazer a diferença entre sermos ou não bem sucedidos.

Se temos consciência de que estamos bastante animados, podemos optar por não ficar com aquela garota que vai causar dores de cabeça depois. Se percebemos o nível de irritação do momento, podemos sair de perto do chefe e evitar pedir demissão num momento que precisamos do emprego.

Parecem ser pequenos detalhes, mas ter a mente calma, o coração tranquilo, nos ajuda a ter a clareza necessária para fazermos as melhores escolhas para nossa vida e para a das pessoas próximas.

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Quando começa o futuro?

A gente vive uma verdadeira revolução. Alguns a chamam de revolução 4.0. Na prática, ela significa muitas incertezas em relação ao futuro. Principalmente, se haverá emprego para todas as pessoas.

Justamente por isso, os mundos do trabalho e da educação estão sendo impactados pela impossibilidade de prever o que vai acontecer.

No trabalho, quais as profissões do futuro? Nada se sabe. Nossa imaginação não dá conta de prever que profissões serão criadas.

Quando começa o futuro? Já começou. Vemos todos os dias gente fazendo coisas que nunca imaginaríamos.

A educação é demandada a responder essa nova realidade. Como preparar os alunos para viver esta revolução? Que conteúdos deveriam ser trabalhados em sala? Que cursos deveriam ser criados?

Não existem respostas simples. É possível, porém, deduzir algumas coisas. Há necessidade de compreendermos que lidar bem com esse mundo novo passa muito mais por uma atitude individual do que pela espera de receitas, de respostas prontas.

As mudanças são rápidas demais. Quando concluímos um curso, o conhecimento adquirido está defasado.

O segredo é estar aberto para todas as possibilidades. Partir dos conhecimentos adquiridos, mobilizá-los diante do novo e ter a capacidade de aprender outras coisas a fim de nos reinventarmos. E uma reinvenção a cada dia.

Então quais pessoas serão bem-sucedidas? Aquelas que estão atentas às tendências do mercado. Não se trata de saber tudo, mas de sentir os movimentos que ocorrem no seu entorno e ter a flexibilidade para adaptar-se.

É fundamental ter agilidade no processo de aprendizagem. Quem não se interessa por estar sempre estudando, terá muitas dificuldades.

Também é preciso ser produtivo. Fazer mais, melhor e em menos tempo.

Outra característica: manter o foco. Em tempos tão plurais e de distrações múltiplas, quem sabe bem o que quer e mantém-se focado, faz mais e conquista melhores resultados.

Ser transparente. Com as redes sociais, tudo que falamos e fazemos pode ser observado. Se escondemos algo, será descoberto. A vida que se mostra precisa ser coerente com a vida vivida.

Por fim, devemos rir de nós mesmos. Espera-se que as pessoas sejam leves, cobrem-se menos, não tenham vergonha de seus fracassos, sejam capazes de fazer graça com seus defeitos.

A cultura da reclamação…

A cultura da reclamação é parte do nosso cotidiano. A gente reclama da comida, da limpeza, das aulas, do colega de trabalho, do chefe… Reclama do calor, do frio… Da festa para a qual fomos convidados… É impressionante! Sempre achamos motivos para reclamar.

Identificar possíveis imperfeições tem um lado positivo. Mostra que somos atentos, observadores. Porém, encontrar os defeitos, apontá-los e não fazer nada só torna as pessoas desagradáveis. Ou revela problemas de caráter.

Gente que reclama o tempo todo é rabugenta, chata.

Ás vezes, a pessoa até tem motivo para reclamar. Mas se reclamar e não propuser nada para substituir a realidade existente, que valor tem a reclamação?

Quando algo incomoda, está fora do lugar, precisa ser revisto, cabe-nos construir um novo modelo, apontar soluções. É isso que gente proativa faz.

É fato que há ocasiões em que ninguém nos ouve. Não aceitam nossas ideias. Mas isso também não é motivo para desistirmos de oferecer alternativas. Talvez a proposta que fizemos não tenha sido bem compreendida, não tenha sido bem elaborada ou até já foi testada. Por isso, vale ter sensibilidade e insistir um pouco mais.

A realidade não muda se não formos ousados e desistirmos diante das primeiras dificuldades!

A mesma beleza que abre portas pode punir

Numa sociedade que valoriza a aparência, pessoas consideradas bonitas também têm mais êxito profissional. Estudos desenvolvidos pelo economista e professor Daniel Hamermesh, da Universidade de Londres, revelam que, no Reino Unido, em média, os homens bonitos ganham cerca de 5% a mais; já os menos atrativos, 13% a menos. Em países orientais, as mulheres bonitas recebem 10% a mais e as consideradas menos atrativas, até 31% a menos.

Sabemos que a beleza importa. E é por isso que a maioria das pessoas gasta diariamente um tempo se arrumando. Afinal, a beleza pode ser produzida. Ou potencializada com roupas adequadas, cuidados com a pele, cabelos, maquiagem, exercícios físicos, alimentação etc.

O professor Daniel observou que os homens gastam aproximadamente 32 minutos por dia para cuidarem do asseio e se produzirem; as mulheres, cerca de 44 minutos.

Investimos tempo, energia e dinheiro na beleza. Os números da indústria estética confirmam que cuidar da aparência é uma de nossas prioridades. Basta observar que, em 2018, apesar de todas as dificuldades econômicas do país, o mercado da beleza cresceu 2,7% e projeta um aumento de vendas ainda mais significativo para este ano. O Brasil já é o terceiro maior faturamento da indústria da beleza mundial. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Mas a beleza que abre portas no mercado de trabalho também pune as pessoas consideradas belas. Elas são invejadas e, nas empresas, como frequentemente são as escolhidas para certos projetos, são as mais criticadas pelos colegas, porque se espera delas que também sejam as mais talentosas, as mais habilidosas.

Os estudos do professor Daniel Hamermesh ajudam a compreender como nossos julgamentos baseados nas aparências podem ser injustos. A vida das pessoas que não estão na lista das mais atrativas se torna bem mais difícil; já os bonitos podem até ter mais portas abertas, mas sofrem com a inveja, as cobranças e até os buchichos maldosos no cafezinho.

Pois é… As relações seriam bem mais simples se tratássemos as pessoas considerando apenas o fato de serem gente como a gente.

Compromisso com a (in)coerência

Pesquisadores descobriram que quando assumimos determinadas posições ou fazemos certas escolhas publicamente geralmente somos fieis a elas.

Deixa eu exemplificar… Eu tenho blog há quase 14 anos. São cerca de 7 mil textos publicados. Neles, em várias ocasiões, me posiciono sobre diferentes assuntos. As pessoas lêem o que eu escrevo. Sabem o que eu penso. Isso provoca em mim a necessidade de ser fiel ao que eu disse. Trata-se da defesa da minha coerência.

Vale o mesmo para minhas colunas na Band News. Quando eu falo, de certo modo, assumo um compromisso com o que falei. E passo a defender aquela posição.

Rever opiniões verbalizadas cria nas pessoas a sensação de que somos incoerentes. E a incoerência não é bem vista. É tida como um problema. Pessoas incoerentes não parecem dignas de credibilidade.

O problema, conforme mostram alguns estudos, é que nem sempre as posições assumidas são as melhores ou são corretas – seja uma coisa que falamos ou mesmo uma escolha que fazemos.

E isso se torna um problema ainda maior, porque as pessoas têm dificuldade para abandonar as posições e escolhas assumidas, ainda que estejam erradas ou tenham feito uma má escolha.

Na prática, a pessoa assume uma postura agora e, quando questionada, ainda que os argumentos contrários sejam fortes, ela vai insistir naquilo. Ela pode ter feito uma péssima compra, mas se estava empolgada antes e falou pra todo mundo, vai ser difícil demais admitir que a opção foi ruim.

Para isso arruma todo tipo de justificativa. Ou ainda se fecha para o questionamento ou, pior, tenta desqualificar quem questiona.

Esses estudos, muito bem expostos por Robert Cialdini, na obra As armas da Persuasão, ajudam a entender muito do comportamento atual. Inclusive no que diz respeito à política e a disseminação de fake news.

Com a internet, as pessoas expõem o que pensam. Isso cria nelas um compromisso com o que foi publicado. As pessoas não se sentem confortáveis em dizer: “cara, eu estava errado”. Desta forma, buscam sustentar seus argumentos em qualquer bobagem que aparece na rede – ainda que sejam fake news.

O que acaba acontecendo é que a pessoa se sente satisfeita com a escolha ruim, como forma de preservar a imagem para os outros e para si mesmo.

Isso é consciente? Não. É um mecanismo psicológico importante do ser humano. Porém, sabendo que reagimos assim, temos a chance de não insistirmos em escolhas ou posicionamentos equivocados.

Ser honesto consigo mesmo

A honestidade é uma das qualidades mais apreciáveis numa pessoa. E não é fácil encontrar gente honesta – principalmente na política.

O Brasil vive uma séria crise de honestidade. Os homens públicos não são confiáveis.

É fato que a escassez de gente honesta não é um problema apenas da vida pública. Faltam homens e mulheres honestos em todos os ambientes. Às vezes, até na casa da gente.

Mas sabe de uma coisa? Às vezes, a honestidade é algo que falta em nós na relação que temos com nós mesmos.

Não são raras as ocasiões em que mentimos pra nós mesmos. Vivemos uma vida fingida sem encarar nossas fraquezas ou preferimos não olhar para as nossas imperfeições de caráter.

O relacionamento fracassa? A culpa é do outro. Perdemos o emprego? O problema foi o chefe que não conseguia ver nosso valor. Tiramos uma nota ruim? É o professor que nos persegue.

Ser honesto consigo mesmo é olhar pra si e ser capaz de avaliar qual foi a sua responsabilidade no fracasso, na perda, no desempenho ruim.

Parece que gostamos dos espelhos para nos embelezar, maquiar nossa aparência, construirmos uma versão melhor de nós mesmos. Não queremos espelhos para olharmos quem somos de fato.

Entretanto, a honestidade consigo mesmo é talvez o primeiro grande passo para nos tornarmos pessoas melhores, profissionais melhores, cônjuges melhores, pais e filhos melhores.

Os erros de julgamento

Parece ser da natureza humana a disposição para julgar, avaliar, criticar. Algumas pessoas mais, outras menos, mas praticamente todo mundo tem sempre uma observação a respeito de algo que foi feito ou deixado de fazer.

Aquelas pessoas mais maduras geralmente questionam o próprio julgamento e, por vezes, nem chegam a verbalizar o que inicialmente pensaram. Mas a maioria não tem esse tipo de filtro. Rapidamente, fala o que tem em mente. E, infelizmente, comete injustiças.

No mundo do trabalho, frequentemente vejo gente reclamando de decisões, questionando a decisão de um chefe ou mesmo mudanças no organograma da empresa. O julgamento é feito do lugar onde a pessoa está, partindo da visão dela e dos interesses dela. Ou seja, para avaliar a decisão da chefia, ela enxerga tendo como referência a maneira como foi afetada e o que vislumbrava que poderia ser feito.

Por mais que eu entenda as razões dessas coisas acontecerem, confesso que ainda me surpreendo com a falta de capacidade de algumas pessoas problematizarem o próprio julgamento. Parece haver alguma falha cognitiva.

Uma decisão no meio corporativo geralmente é tomada diante de uma visão do todo. Muitos problemas conhecidos pela alta gestão nunca chegam a todo o grupo de colaboradores. Às vezes, por falhas na comunicação interna; outras, por se tratar de situações estratégicas ou da necessidade de evitar fofocas.

Cito o ambiente corporativo como exemplo, mas isso acontece na igreja que a gente frequenta, no clube, na escola, na faculdade, na gestão pública… E até na nossa casa. Não raras vezes, os pais tomam decisões incompreendidas pelos filhos, pelos sogros ou parentes próximos. E fazem isso por terem ciência de quadros que nem sempre são conhecidos de todo mundo.

Portanto, ainda que seja clichê, vale repetir: antes de julgarmos, é sempre oportuno questionarmos se temos conhecimento de todos os processos envolvidos. Com frequência, nossas avaliações são parciais, porque geralmente desconhecemos todas as versões de um fato.

É fácil fazer o que se gosta

A gente se empolga em fazer coisas que gosta. Você adora jogar futebol e aí alguém te convida pra uma partida com uma galera bacana… É fácil dizer “tô dentro!!”.

Você curte festas e sua melhor amiga te chama para a festa do ano… Impossível dizer “não”. O coração acelera diante do convite e você já pensa até na roupa que vai usar.

Mas nossas emoções são bem diferentes diante de obrigações, de tarefas que precisamos desenvolver em nossas rotinas.

E eu tenho a impressão que aquilo que precisamos fazer, geralmente, está bem longe da lista das coisas que nos agradam.

Por que o trabalho se torna uma batalha diária? Por que os estudos são sempre desgastantes? Por que atender um pedido de favor de amigo ou mesmo do marido, da esposa, pode ser tão custoso?

Simples, porque provavelmente é algo que não nos agrada.

E como a gente lida com essas coisas chatas?

Frequentemente, leio ou vejo pessoas dizendo: “Se você não gosta do que faz, caia fora; encontre outra coisa pra fazer”.

Num mundo movido por uma ideia distorcida de felicidade, esse tipo de argumento parece fazer todo sentido.

Porém, as coisas não funcionam assim. Nem sempre fazemos todas as coisas que gostamos e, com muita frequência, não podemos simplesmente abrir mão delas.

Alguns trabalhos são muito chatos – ou se tornam irritantes. Mas não dá pra virar as costas e procurar outra coisa quando você tem contas pra pagar ou o mercado está difícil, sem ofertas disponíveis.

E essa é só uma das barreiras que a gente enfrenta.

Na vida privada, você não abandona o parceiro por que ele começou a perder cabelos ou ela ganhou uma barriguinha depois que teve filho.

Na prática, o que a gente precisa compreender é que nunca faremos apenas coisas que gostamos e nem teremos o mundo sorrindo pra nós o tempo todo.

Seremos responsáveis por tarefas desagradáveis. Outras tantas vezes vamos encarar gente que não merece nossa atenção e ainda assim teremos que sorrir para elas. Também faremos favores que não nos alegram e estaremos ao lado de pessoas em situações que aborrecem.