Você torce pelo fracasso de alguém?

Você já se pegou torcendo contra? Torcendo pelo fracasso alheio? Torcendo para que a outra pessoa se dê mal?

Por diferentes motivos, vez ou outra, esse sentimento mesquinho se apossa de nós: queremos que tudo dê errado para o outro.

Isso acontece na empresa, na escola, no círculo de amigos e até na família. Por não aceitarmos determinada situação e até na esperança de que a outra pessoa aprenda uma lição, desejamos resultados ruins.

É curioso que, por vezes, nem nos importamos se vamos afundar juntos. Cegos, acreditamos que o fracasso pode trazer as mudanças que sonhamos. Ou que se faça justiça com a queda da outra pessoa.

Frequentemente, quando não temos o poder de alterar a ordem das coisas, e discordamos de algo, torcemos contra. Queremos que dê errado. Esta é nossa chance. Vislumbramos no fracasso a possibilidade do novo, ou de uma espécie de punição.

Outras vezes, silenciosamente, elegemos algumas pessoas como inimigas e queremos vê-las envergonhadas, rejeitadas. Podem não ter feito nada contra nós, mas ansiamos pela derrota. É nosso prêmio; uma espécie de vingança que alimentamos em nosso interior e que, quando se concretiza, saboreamos com muito prazer.

Não tem nada de altruísta. Pelo contrário, é mesquinho. Faz parte da maldade que nos é intrínseca. É característica nossa. Mostra quanto somos contraditórios. Revela nossa hipocrisia: a fachada de bons sujeitos, mas que esconde um coração perverso.

Para quê servem os dons?

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Para quê servem os dons? O que são os dons? Eu diria que são aquelas habilidades que possuímos, que parece terem vindo no pacote quando nascemos.

Tem gente que com um pouco de farinha e alguns temperos é capaz de fazer uma torta incrível.

Esses dons, quando bem aproveitados, tornam nossa vida melhor. Podem ser utilizados na lógica dura da sobrevivência, auxiliando-nos a ganhar dinheiro.

Entretanto, estou cada vez mais convencido que nossas habilidades também devem estar a serviço de outras pessoas. Se os dons que possuímos não servirem para melhorar a vida das pessoas, nossa existência é vazia.

Essa premissa pode parecer utópica. Ou mesmo um tanto tola. Afinal, de certo modo, fazemos parte de uma sociedade que transformou o ditado “cada um por si e Deus pra todos” numa espécie de verdade.

Mas, se os talentos ou habilidades que possuímos só estiverem a serviço de nosso próprio bem-estar, estaremos sendo mesquinhos, medíocres e egoístas.

Quando nos concentramos apenas em nós mesmos, podemos até ter uma vida confortável. Porém, teremos perdido a chance de contribuir para alegrar alguém, para tornar a vida de outra pessoa um pouco melhor.

Deixa eu dar um exemplo… Eu amo aprender. Amo aprender sobre muitas coisas. De que serve todo esse aprendizado se eu guardar só pra mim?

Se dedicamos nossos talentos apenas para o nosso crescimento econômico e financeiro, nosso único legado terá sido pelo fortalecimento de ideiais individualistas, narcisistas. Um dia deixaremos essa vida e teremos deixado escapar a oportunidade de contribuir de alguma maneira para tornar esse mundo melhor.

Todos nós somos bons em algumas coisas; fazemos com facilidade coisas que outras pessoas demoram mais ou precisam se esforçar mais que nós… É como se o universo tivesse nos dotado dessas habilidades especiais.

Agora, pense por um instante, se todos nós, com os dons, talentos ou habilidades distintas que possuímos contribuíssem para auxiliar quem precisa, teríamos ou não um mundo melhor?

Neste comecinho de ano, é uma boa dica pensar em como você pode usar seus dons, aquilo que você faz de melhor, para tornar a vida de alguém um pouco melhor. Tenho certeza que podemos fazer a diferença para alguém.

Você valoriza o que tem?

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Vou me incluir na pergunta… O que valorizamos? Quase sempre, aquilo que não temos. Ou o que corremos o risco de perder.

Valorizamos nossa saúde quando estamos doentes; valorizamos a força de nossas pernas quando encontramos dificuldade para subir uma escada… Valorizamos o trabalho quando ele falta…

A lógica se repete também em nossos bens materiais. O carro conquistado há alguns anos, a casa já comprada, o celular com um ano de uso… Tudo isso é pouco valorizado.

Nossos olhos se voltam para o que ainda não possuímos. O carro do colega de trabalho, a casa do vizinho, o novo lançamento de smartphone…

Mas sabe o que é pior? Fazemos isso com pessoas. As pessoas que amamos quase sempre se tornam comuns, cheias de defeitos e até um fardo. Tem aqueles que chegam inclusive a cobiçar a família do vizinho, a mulher do outro…

O professor Mário Sérgio Cortella lembra que geralmente valorizamos apenas aquilo que corremos o risco de perder. Eu acrescento, lembrando do filósofo Platão, que amamos aquilo que não temos.

Meu convite é muito simples: valorize o que você tem, aproveite as coisas que possui, alegre-se com quem está contigo e diante de você todos os dias. Um dia seus filhos irão embora, seus pais deixarão essa vida e até a sua cama poderá ser apenas um leito de dor… Olhe menos para o que não tem e descubra o valor do que possui. Viva com prazer e intensidade com tudo que é seu.

Ter alguém que diga "você está errado" é um privilégio

Defendo a importância de aceitarmos ser confrontados pelas outras pessoas quando estamos agindo de forma errada. Ter alguém que diga “você está errado” é um privilégio.

Quando alguém aponta nossas falhas, temos a chance de mudar as nossas práticas e tomar um outro caminho.

Por outro lado, também defendo a ideia de que é preciso saber criticar alguém. Saber falar. Se alguém vai apontar o erro do outro, a chance de incomodar é de 100%; então que pelo menos seja gentil.

Mas aí vem a grande questão: a maioria das pessoas não têm a polidez, a empatia e nem o amor necessário ao outro para confrontar da maneira adequada. Isso nos coloca num impasse: se a crítica for agressiva, exagerada, maldosa devemos ignorá-la?

Entendo que algumas vezes é necessário deixar pra lá. Mas isso não significa deixar de ouvir. Tem que ter estômago? Sim. Mas sempre devemos ouvir e filtrar.

Como fazer isso? Respondo: a pessoa fala um monte de coisas… Você ouve tudo e avalia: eu faço isso? O que estou fazendo poderia ser interpretado da maneira como a pessoa está vendo?

Se você não faz e nem há chance de suas atitudes serem interpretadas de um modo equivocado, você ignora e segue em frente. Talvez a pessoa falou o que falou, te agrediu, por ser mal resolvida, mal amada e estar com inveja de você. Porém, se algo te incomodou ou sobrou um pontinho de interrogação, pergunte a alguém que você confia; de preferência, para uma pessoa mais madura, experiente: ei, eu tenho feito tal coisa? Você acha que estou errado?

Não precisa nem citar que foi criticado. Muito menos falar o nome da pessoa que te confrontou. Apenas pergunte, como se estivesse pedindo ajuda, pedindo uma opinião.
Em algumas ocasiões, se não estamos errando em nossas ações, podemos estar nos comunicando de forma inadequada com quem convive conosco.

A abertura para ouvir as críticas é um passo transformador. O nosso desenvolvimento pessoal passa pelo reconhecimento e abandono de determinados hábitos e atitudes que, por vezes, se tornaram naturais para nós.

A caminhada é mais fácil quando nos abrimos para os relacionamentos

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Precisamos de gente em nossa vida. Embora a existência seja, de certo modo, solitária, é fundamental ter com quem somar e dividir.

A caminhada é solitária por que as pessoas entram e saem da nossa vida. Cada uma delas deve construir seus próprios projetos, relacionamentos… Muitas delas se afastam para dar conta das próprias necessidades e, com isso, também se distanciam emocionalmente.

Outras tantas deixam nossa vida porque a morte tiram-nas de nós.

Entretanto, embora sempre existam partidas, precisamos ser receptivos àqueles que chegam. Sei que para muitas pessoas isso é desafiador. Tem gente que já sofreu tanto em relacionamentos que prefere se manter distante. Também há quem é introspectivo e se sente mais confortável sozinho – eu sou uma dessas pessoas. Conviver parece não ser algo agradável.

Entretanto, é preciso romper com as barreiras que nos separam das outras pessoas. Vivemos melhor quando nos relacionamos. Ainda que muita gente nos deixe durante o percurso, é necessário quem encontramos; trazê-las para perto de nós, dividirmos as experiências e as coisas boas que temos, também somar forças para a construção de nossos sonhos e aprendermos aquilo que podem nos ensinar.

Se a gente não se abre para o outro, a vida não se torna apenas solitária, experimentamos a solidão e nos tornamos mais frágeis.

São os relacionamentos que nos fortalecem, que possibilitam as trocas e que possibilitam inclusive as conquistas pessoais e profissionais. Tudo se torna muito mais difícil quando estamos sozinhos. Não se trata apenas de ter alguém com quem você possa conversar, trata-se de contar com gente para agregar, aprender, ensinar, auxiliar na realização de um projeto, facilitar na abertura de uma porta – às vezes até para mediar o contato com alguém que você sonha conhecer.

Por isso, é importante não nos fecharmos em nós mesmos; a caminhada fica mais fácil quando nos abrimos para os relacionamentos.

A ilusão das aparências

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“Os sábios sabem que as coisas dificilmente são o que aparentam ser”. A frase não é minha; é de um dos líderes cristãos mais respeitados da atualidade, pastor Ed René Kivitz.

A frase resume uma das importantes verdades históricas: nem tudo é o que aparenta ser.
Esta ideia está conosco desde muito cedo. Ainda na infância, escutamos a respeito dos jogos de imagem e da necessidade de não nos iludirmos com a aparência das coisas.

Entretanto, a ausência de sabedoria parece fazer com que muitos de nós não assimilem essa verdade. O mundo continua avaliando pessoas, julgando os fatos pela aparência.

Quando Kivitz afirma que “os sábios sabem que as coisas dificilmente são o que aparentam ser”, a ideia que emerge é que apenas a sabedoria nos qualifica para, de fato, compreender que a aparência pode enganar.

Afinal, repetir a ideia nos faz papagaios e não necessariamente seres pensantes.

As mentiras que repetimos no campo da política, o funcionamento eficiente das fake news que transforma mentiras em verdades, as críticas a amigos, familiares, os julgamentos constantes a respeito de pessoas e coisas, a escolha equivocada de parceiros e parceiras para relacionamentos… Tudo isso confirma que a gente ainda avalia as coisas, as pessoas, o mundo pela aparência. Ou seja, isso se dá por não colocarmos em prática este saber: as coisas nem sempre são o que aparentam ser.

Apenas mulheres e homens sábios conseguem ter a prudência de não se deixarem enganar pelos jogos de imagem. Sim, meus caros, a sabedoria nos livra do engano, de decisões e escolhas erradas e da maldade de julgamentos injustos, baseados na aparência. Portanto, busquemos a sabedoria!

Nada é nosso!

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Eu não sei quando entendi isto, mas há algum tempo compreendi que esta é uma das poucas verdades absolutas: nada é nosso! Tudo que supostamente possuo hoje, não é meu. Na verdade, tenho a ilusão de que é meu. Na prática, sou apenas uma espécie de mordomo. É meu agora. Meus bens, meu dinheiro… tudo pode trocar de mãos em algumas horas. As riquezas são do mundo; nos apropriamos delas por alguns instantes durante uma curta existência.

O único valor das coisas que estão sob meu domínio, o único valor que possuem, é o valor de uso. Nada que tenho e que não uso tem valor. E tudo deixará de estar sob meus domínios assim que deixar esta vida. Ou mesmo, talvez por uma adversidade, também posso perder tudo que hoje parece ser meu.

A compreensão dessa verdade é tão avassaladora que joga em minha cara o quanto a vida é efêmera. Mais que isso, coloca diante de mim o quanto é vazio lutar tanto, esgotar-se na busca por possuir coisas. Também revela a imbecilidade vivida por muitos daqueles que medem o próprio valor pessoal pelo tamanho da conta bancária, pela quantidade de bens.

A real descoberta dessa verdade poderia nos ajudar a dividir mais. Afinal, se compreendo que aquilo que possuo não é efetivamente meu e só tem valor efetivo aquilo que eu posso usar, por que eu deveria reter tudo em meu poder deixando um humano, que é semelhante a mim, passar fome, sem um sapato nos pés ou um casaco para protegê-lo nos dias frios?

Os luxos que o dinheiro nos garante não são eternos. São prazeres imediatos, temporários. Até se justificam se usufruímos, mas fazem pouco sentido se são apenas possibilidades não vividas. Temos apenas um corpo; de que servem centenas de peças de roupas caríssimas? E as dezenas de pares de calçados? E as casas imensas, se ocupamos diariamente alguns metros quadrados e por algumas poucas horas? De que adianta poder pagar por milhares de refeições no melhor restaurante de Paris se só consigo comer uma de cada vez?

Nada é nosso! Quando a vida se esgota ou mesmo a saúde vai embora, nada sobra, tudo que parece ser nosso, troca de mãos ou perde seu valor de uso.