Por que tenho gravado as inspirações com os Salmos?

Confesso a você que eu mesmo me fiz essa pergunta antes de começar a gravar: por que investiria tanto tempo escrevendo os textos, gravando e, depois, ainda compartilhando os vídeos? Afinal, dá um trabalhão!!

Sabe, eu creio que Deus pode tocar corações com essas inspirações. É fato que até tempos atrás eu não estaria dedicando tempo para escrever textos e gravar vídeos que falam das coisas espirituais.

Como muita gente sabe, eu sou jornalista há muitos anos, sou professor de faculdade, tenho especialização, mestrado, doutorado… E nesse universo intelectual, Deus é um assunto questionável, até duvidoso. Embora eu seja cristão desde criança, as minhas manifestações de fé,  de crença ficavam praticamente restritas apenas à igreja. Fora do templo, eu procurava não misturar a fé com meu trabalho, principalmente nas redes sociais.

Porém, pouco a pouco fui me sentindo constrangido a usar meus conhecimentos, meus dons para inspirar outras pessoas, fazê-las verem a vida sob uma ótica cristã, sob ótica espiritual. 

E veja só o que diz o salmista no primeiro verso do Salmo 9: Senhor , quero dar-te graças de todo o coração e falar de todas as tuas maravilhas. Sim, meus amigos, estar aqui é uma maneira de agradecer a Deus pelos dons que Ele meu deu.

Nada que tenho é meu. Se Deus tirar minha vida agora, não sobra nada. Só a saudade em algumas poucas pessoas que me amam. E apenas por algum tempo, porque um dia também elas deixarão este mundo. Mas, na verdade, Deus não precisa tirar minha vida para eu deixar de ser o que sou. Eu posso perder a capacidade de raciocinar, a habilidade intelectual, cognitiva… Posso perder a voz… Enfim, posso perder o trabalho que me habilita ter certo conforto, não conseguir outro emprego… Ou seja, nada é meu. Tudo que tenho posso deixar de ter daqui a pouco. O personagem Jó, da Bíblia, experimentou exatamente isso.

Por isso, semelhante a Davi, hoje sou grato por tudo. O tempo todo. Eu nada mereço. E por ser grato, tenho procurado dividir um pouco do sei sobre as maravilhas de Deus para amigos e amigas que me acompanham nas redes. E peço a Deus que Ele fale com você em cada um desses vídeos. 

O que falar sobre paternidade?

Uma amiga querida tem me estimulado a falar sobre a paternidade. Brinquei com ela que o estímulo está mais para uma insistência… Afinal, a cada novo texto ou vídeo que compartilho nas redes, ela ressalta o que gostou, mas me lembra sobre a importância de expor minhas reflexões sobre o papel ou o significado de ser pai.

Nesta última semana, respondi que talvez nunca falei especificamente sobre o assunto por não me sentir totalmente confortável. Sinto que sou um pai comum, bem comum, cheio de falhas e, por me cobrar tanto, carrego culpas e arrependimentos por falhas que tive ao longo da formação de meus filhos. Entretanto, há algo que não falei para ela: eu me olho como pai e lembro do meu pai. Quando faço isso, me sinto uma criança – um menino diante de um homem.

Meu pai – ainda vivo, graças a Deus – é um gigante. Sinceramente, não consigo traduzir em palavras o que o “seo Francisco” representa. Pensar nele como pai faz meus olhos lacrimejarem, dá um aperto no peito e a voz embarga. Ele foi a expressão mais perfeita da disciplina e do afeto. Amava e disciplinava. Fazia as duas coisas de maneira tão incrível que eu o temia, mas me sentia plenamente amado. Nunca tive dúvida sobre o amor de meu pai. Claro que eu o frustrei em vários momentos. Fui grosseiro e estúpido em algumas situações. Esses poucos momentos de desobediência e confrontos nunca saíram de minha mente e, se pudesse, faria tudo diferente para não decepcioná-lo.

O olhar que tenho para meu pai é de profunda admiração. “Seo Francisco” deu valor ao que tinha valor: a família e Deus. Confesso que, na adolescência e nos primeiros anos da vida adulta, geralmente comentava em casa sobre a ausência de ambição e do fato de meu pai ter pouca gana para ganhar dinheiro. Entretanto, mesmo esse suposto “comodismo” me trouxe uma das referências mais importantes: ainda que o dinheiro seja necessário para viver, não é o tamanho da conta bancária que nos assegura o sorriso no rosto e a paz no coração.

As lições deixadas por meu pai, e que ainda acontecem toda vez que eu o encontro, são tantas que me sinto pequeno demais no relacionamento com meus filhos. É fato que hoje vejo neles coisas que aprendi e reproduzi em minhas práticas de vida. Tenho orgulho de ver que o Victor, caminhando para completar 24 anos, e a Duda, com 19, são pessoas de caráter, sem preconceitos de cor, gênero ou religião, possuem sensibilidade social, não hierarquizam os outros pela conta bancária e nem valorizam o jogo de aparências que domina o mundo contemporâneo. Influenciei para que isso acontecesse? Não sei. Sei apenas que sou grato pela oportunidade que tive de ter nascido filho do “seo Francisco” e, talvez, ter sido, mesmo que por “acidente”, um pouquinho do que ele sempre foi para mim.

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A criança que mora em mim

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Não me considero velho… Tenho 45 anos e pretendo viver até os 120. Mas é fato que estou um bocado distante da juventude. E, por isso, na faculdade, brinco com meus alunos que sou velho. Tenho idade para ser pai de quase todos eles. Quando eu tinha a idade deles, os 45 anos pareciam estar longe. Mas eles chegaram e, às vezes, tenho dificuldade de lembrar disso. 

Sabe, quando somos jovens, temos a impressão que nos tornaremos outra pessoa ao longo do tempo. E é fato que isso, de certo modo, acontece. Os anos vão nos dando experiência, adquirimos novos hábitos, abandonamos certas coisas e até achamos ridículo o que fazíamos no passado. 
Mas esse processo de mudança não é tão perceptível interiormente. 

Deixa eu tentar explicar… Dentro da cabeça da gente, ainda vive aquele menino que idealizava a vida adulta, que tinha certas inseguranças e imaginava que, quando se tornasse homem feito, seria diferente. 

Na prática, a vida adulta chega e nem nos damos conta. As responsabilidades aumenta, o corpo envelhece, as rugas e os cabelos brancos se espalham… Mas, dentro desse corpo, que já não tem mais a mesma vitalidade, ainda existe o menino que esperava por uma enorme mudança quando a fase adulta chegasse. 

É fato que as mudanças chegaram. Mudanças na forma de responsabilidades, de compromissos, de demandas que antes não tinha. Entretanto, na cabeça de um homem ou de uma mulher adulta, ainda reside um menino ou uma menina esperando crescer. 

Minha mãe, que é uma mulher de 70 anos, mas muito ativa, inquieta, ansiosa… Ela sempre diz que a mente não envelhece. O que ela tenta explicar é que num corpo idoso ainda mora aquela jovenzinha que se casou aos 17 anos cheia de sonhos e expectativas para a vida. 

Hoje, por compreender um pouco o que sou e como todos nós somos, eu me cobro menos. Aquele menino que idealizava a vida adulta ainda mora aqui. Ele se assusta quando, diante do espelho, são refletidas as rugas, cabelos brancos e a expressão um tanto cansada. 

Nessas horas, procuro lembrar que não é preciso silenciar essa criança que ainda existe em nós. Talvez essa criança seja o que temos de mais belo, pois ainda preserva a ingenuidade, a simplicidade, a criatividade, a generosidade, a disposição para brincar, rir, se alegrar, doar-se… Tem menos vergonha de pagar mico e, por isso, se permite viver. 

Talvez, ao invés de tentarmos matar essa criança que carregamos na mente, deveríamos permitir que ela apareça mais em nossas atitudes. Quem sabe seríamos mais humanos, humildes, menos preconceituosos… Mais dispostos a reconhecer nossos erros, abertos ao aprendizado e déssemos mais valor a vida. 

Talvez estaríamos mais próximos de Cristo, já que Ele disse que delas, das crianças, é o reino dos céus. 

Tente não desistir…

Você já abriu não de algum sonho ou deixou de fazer algo que você gostava muito? Neste vídeo, conto sobre uma das minhas grandes paixões e do arrependimento que sinto por ter desistido

Talvez por imaturidade ou ingenuidade, desistimos de algumas coisas que nos causam arrependimento no futuro. Como as escolhas são referenciadas pelo conhecimento e contexto que temos no momento de decisão, não vislumbramos todos os cenários e, depois, nos arrependemos.

Por que digo isto? Porque eu tenho muitos arrependimentos. Fiz coisas no passado que hoje não faria.

No final de semana passado, minha esposa estava arrumando algumas coisas em casa. E ela tirou de cima de um guarda-roupas minha velha guitarra. Embora tenha comprado há cerca de 30 anos, ela segue linda. É vermelha e preta. Foi minha segunda guitarra. Comprei quando tinha uns 15, 16 anos, depois de “namorá-la” na vitrine da loja por várias semanas.

Comecei a tocar muito cedo. Tinha uns 10 anos de idade. E a guitarra era uma das minhas grandes paixões.

Mas, quando casei, praticamente ignorei tudo que tinha aprendido esqueci minha guitarra. Devo ter tocado menos de 10 vezes nesses últimos 27 anos.

Quando a Rute tirou a guitarra da capa e a reencontrei após tantos anos, comentei: esta é uma das coisas que me arrependo; não deveria ter parado de tocar. A Rute concordou. Não faz sentido ter abandonado.

Sabe, este arrependimento não me traz dor, não me faz sofrer. Mas foi uma das bobagens que fiz e hoje sinto falta. Sempre amei a música. E é claro que posso voltar a treinar, reaprender, ensaiar e até fazer alguns belos solos de guitarra.

Mas recomeçar, hoje, é muito mais difícil. Tenho uma rotina, tenho compromissos e não seria simples dedicar tempo para essa atividade. Teria sido muito mais simples ter continuado com aquilo que já fazia.

Por que conto essa história pra você? Porque quase todos os dias vejo pessoas desistindo de coisas, abrindo mão de sonhos em função de alguma dificuldade momentânea. Neste momento de pandemia de coronavírus, por exemplo, em função das aulas on-line, tenho visto alunos parando seus cursos na faculdade por que estão com dificuldade de se adaptarem.

Lamentavelmente, alguns talvez nunca retornem. É bem possível que irão se arrepender.

Costumo dizer que desistir sempre será uma possibilidade, uma escolha. Desistir é sempre mais fácil. Quando algo novo aparece, quando nossa rotina muda, a gente para a academia, deixa as aulas de inglês, tranca o curso, abandona as aulas de música, se distancia dos amigos, para de escrever pro blog, visita menos nossos pais… E a lista de desistências aparentemente inocentes ou normais pode ser acrescentada com muitos outros exemplos que talvez até já façam parte da história de sua vida.

Essas decisões, porém, talvez nos tragam arrependimentos futuros. Por isso, ainda que desistir seja uma opção, nenhuma escolha deve ser feita sem considerarmos muito se aquilo nos fará falta ou não no futuro. Ainda que nossa visão seja limitada no presente, cautela, diálogo, conselhos podem minimizar as chances de errarmos. Por isso, recomendo: persistir, insistir pode ser doloroso, mas geralmente é mais recompensador.

Como você celebra o Natal?

O Natal te faz feliz? Ou esse dia te deixa triste?

Como sou cristão, quero começar dizendo: eu não vejo problema em comemorar o Natal. Acho que a polêmica que algumas pessoas fazem em torno disso é uma grande bobagem. Coisa de fariseu. É fato que Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro, mas quem aí nunca comemorou o aniversário noutra data? Pra mim, se existe algum problema com o Natal, o problema está na maneira de celebrar o Natal.

Eu gosto dos sentimentos desta época do ano.

É verdade que durante muito tempo foi um período que não me trazia sentimentos bons. Mas o tempo me ajudou a lidar melhor com tudo e a ressignificar esta época do ano.
Eu tive uma infância simples. Nossa família era pobre. E eu via as grandes festas, as pessoas ganhando presentes e isso tudo me machucava bastante, porque nós não tínhamos nada daquilo. Meus pais sempre fizeram o melhor que podiam. Minha mãe cuidava dos presentes, mas existia uma distância entre a realidade e o desejo – entre o real e a imagem idealizada de Natal.

Depois, já adulto, quase todas as crises e dificuldades que vivi foram nesta época do ano. Então, dezembro me trazia dor no estômago.

Mas nos últimos anos tenho lidado melhor com o Natal. Ainda sofro com a desigualdade, com as dores por identificar tanta gente que sequer tem um prato de comida na ceia de Natal, mas tenho aprendido celebrar esta data como uma oportunidade de dividir, de estar junto das pessoas que amo, como uma dádiva de Deus pelo presente que é a família, que é a vida em Cristo Jesus, a razão do Natal.

Portanto, embora eu não saiba como você celebra o Natal, fica aqui meu convite para que ame o que você tem, ame as pessoas que estão com você, celebre com o que você possui, seja muito ou seja pouco. Mas celebre, principalmente porque o dono da festa também nasceu muito pobre, não tinha um quartinho, uma caminha confortável… O dono da festa nasceu para dizer aos pobres, aos que sofrem dores, desamparo, abandono.. Ele nasceu para dizer a todas as pessoas que esse mundo é mal, mas Ele existe para dar esperança, esperança de um mundo sem separações, sem barreiras, sem injustiça. Um mundo de amor e paz.

Então celebre sim. Celebre por Jesus!

Um Natal abençoado pra você e sua família,
Que Deus te abençoe.

Pequenos atos de corrupção

Na noite do último sábado, troquei uma das lâmpadas do prédio onde moro. Prédio antigo, sem elevador, quando uma lâmpada queima entre os andares, fica complicado subir às escadas. Eu tinha uma lâmpada de LED guardada em meu apartamento. Aproveitei-a para resolver o “problema”. A Rute é a síndica. Então cabe a nós esses cuidados.

Hoje pela manhã, enquanto descia, ao passar justamente pelo andar no qual a lâmpada nova havia sido instalada, notei que a coloração da luz estava bem estranha. Olhei para o teto e lá estava uma lâmpada antiga, barata, que, acho, deixou de ser vendida nas lojas especializadas. O que aconteceu com a lâmpada de LED? Provavelmente, alguém fez a troca. Trocou a lâmpada pior pela melhor.

Não vou mentir: fiquei irritado. Mas mais que isso… Lembrei de discussões que insisto fazer: a corrupção de Brasília, das grandes empresas, as alterações na carne, no leite etc etc. nada mais são que reflexo das nossas pequenas corrupções diárias. Infelizmente, boa parte de nós não vê mal em ser um pouco esperto e conseguir alguma vantagem fácil, sem esforço real, sem trabalhar de fato e pagar pelo benefício.

Ser você mesmo…

autentico

Durante muito tempo, todo e qualquer ato produtivo era um desafio para mim. Não por me faltarem ideias, mas por desejar que fossem geniais. Bom, não vou dizer que ainda não exija muito de mim. Talvez ainda queira a perfeição. Entretanto, os anos me ensinaram que a perfeição não existe. Também aprendi que algo supostamente perfeito não é garantia de que vai agradar as pessoas.

Parte significativa das coisas que faço, faço de maneira pública. Ou seja, são consumidas pelas outras pessoas. Pode ser um texto do blog, um programa de rádio, de televisão ou um cerimonial. Isso quer dizer que agir norteado pela expectativa do que os outros vão pensar sobre o que faço é aceitar ser tolhido na essência do próprio ato criativo.

Cito um exemplo muito particular: os textos do blog, em especial aqueles nos quais falo sobre relacionamentos. Comecei a publicar na internet em 2005. Na época, escrevia quase exclusivamente sobre política – a política local, de Maringá. Porém, lia e estudava sobre relacionamentos há alguns anos. Na mesma época, fazia pós em Psicopedagogia. Aprendia mais sobre a infância, sobre o ser humano. Entretanto, não me achava capaz de falar sobre as pessoas. Na verdade, tinha medo dos julgamentos. O que as pessoas, em especial os conhecidos, os meus colegas de profissão (jornalistas e professores) diriam sobre mim? Me achariam ridículo?

Eu não lembro ao certo quando publiquei o primeiro texto sobre relacionamentos. Tenho a impressão que foi em 2008. Também não sei bem o que me motivou fazer isso. Simplesmente aconteceu. Recordo apenas que já não sentia prazer em escrever sobre o cotidiano político maringaense. Eu queria falar de gente. Estava em crise comigo mesmo por conta disso. Pensava parar o blog. Abri e parei uma meia dúzia de blogs. Aos poucos, porém, o que era um desejo de criar se materializou em posts que foram se misturando a outros que tratavam de economia, cultura, educação… Eu agora escrevia sobre relacionamentos.

E sabe o que aconteceu? Nada. O mundo não parou por conta das minhas publicações a respeito de relacionamentos amorosos. As pessoas não deixaram de falar comigo. Não deixei de ser respeitado como jornalista e nem como professor. É fato que muitos dos meus primeiros leitores foram embora, deixaram de frequentar o blog. Também é verdade que teve gente que achou minha iniciativa ridícula, questionou (em fofocas) que autoridade eu tinha para falar sobre o que eu falava… Mas nada disso mudou efetivamente minha vida. A única coisa que mudou é que passei a ter prazer em escrever. Eu sentia satisfação a cada publicação.

O mais incrível disso tudo é que, ao me alegrar com o que fazia, o blog se tornou algo realmente bom pra mim e, aos poucos, passou a ser relevante para outras pessoas. Hoje, algumas milhares de pessoas passam por aqui, de diferentes partes do Brasil e do mundo, e leem meus posts, compartilham, comentam… Algumas se tornam leitoras; outras vão embora após meia dúzia de textos. E qual a minha gratificação? Falo de coisas que acredito, que, se ainda não vivo, tento viver.

Por que conto isso pra você? Porque não raras vezes somos reféns das expectativas alheias. A gente coloca na cabeça que o outro vai nos avaliar. E ao nos avaliar, não vai gostar do que fizemos, vai nos achar ridículos. No fundo, nos tornamos reféns do nosso ego, que é carente de reconhecimento. Quando isso acontece, travamos. Deixamos de fazer o que sonhamos. Passamos a viver uma vida pequena, mediados pelo olhar do outro. Perdemos a autenticidade. Deixamos de viver a nossa verdade. 

E sabe o que é mais curioso nisso tudo? As outras pessoas estão pouco ligando para nós. Todo mundo está ocupado demais, focado em seus próprios problemas, em seus próprios dilemas. Vez ou outra até podemos ser alvos do olhar alheio. Até sermos motivos de risos. Mas e daí? Qual o problema? Talvez, de fato, alguém ria de nós. Mas outros podem nos aplaudir. Quem não se arrisca, perde oportunidades, simplesmente se apaga.

A conquista do mestrado

mestrado

Decidi escrever este texto muito mais como um registro pessoal do que como uma crônica de agradecimento ou comemoração. Talvez ninguém se interesse por ler. Ainda assim vai ficar aqui, no blog, como manifestação de alguns sentimentos após concluir uma etapa tão importante da minha formação.

Antes de ingressar no mestrado, tinha ouvido vários comentários sobre o quanto o processo é difícil, desgastante. Confesso que pensava haver certo exagero. Hoje, não sei bem o que dizer. Durante o percurso da pesquisa, achei que não daria conta. Caí no fosso da depressão em alguns momentos. Desistir nunca foi opção, mas não faltaram pensamentos negativos e desejo de entregar os pontos… Entretanto, hoje, após ter concluído, me questiono: será que foi mesmo tão difícil? Ou será que apenas superdimensionei as coisas ao longo desses últimos três anos?

Deixa eu explicar… Eu fiz um ano de mestrado como aluno especial. Cursei duas disciplinas em 2013. Na verdade, quatro. Isso porque fiz duas em Letras e mais duas em Educação, na época. Depois, participei da seleção para me tornar aluno regular, passei nos dois programas de pós e acabei optando por Letras. Por isso, conto que meu mestrado teve, ao todo, três anos.

Ao longo desse período, tudo foi muito complicado. Tive dificuldades na vida pessoal, na esfera profissional… Não foi nada fácil. Culpa do mestrado? Não necessariamente. Mas é impossível dizer que uma coisa não afeta outra. É assim em tudo na vida, né? Ninguém consegue isolar os problemas. Se você está com problema com os filhos, tudo mais fica complicado. Basta uma coisa fora do lugar para te aborrecer completamente.

O mestrado era um sonho pra mim. Teve uma época que eu sonhava, mas achava que era algo impossível, inatingível. Achava que nunca seria capaz de ser aprovado na seleção. São poucas vagas, o processo é desgastante… De fato, é preciso muito envolvimento, persistência e preparo para ser aprovado. Tinha medo de não conseguir… Mas deu certo. Passei. E em primeiro lugar em Letras e Educação.

Quando passei, descobri que se tornar aluno era a parte mais fácil. Há tantas demandas que, em alguns momentos, a impressão é que a gente é incapaz de dar conta de tudo. E, como eu disse, a vida da gente não é uma coisa só. Você tem o estudo, mas tem o trabalho também, tem a família… Quando menos percebe, está tudo misturado e parece que o mundo virou as costas pra você.

E uma coisa eu descobri nesses últimos três anos: a vida não para para você fazer mestrado. Não adianta reclamar que falta tempo, que está muito difícil… Cada dia é um dia, só tem 24 horas e a vida passa… Ninguém espera você dar conta de suas tarefas. As coisas estão acontecendo e você está estudando. Ou não.

Para quem está de fora, é difícil compreender isso. Pouca gente entende por que tantas horas de leitura, tanto tempo em frente ao computador… O que custa uma saidinha para comer uma pizza? Beber alguma coisa com os amigos?

Para quem está “dentro”, também é difícil aceitar abrir mão de “viver” para estudar tanto, escrever tanto e ainda assim perceber que todo esforço é insuficiente. E essa talvez seja uma das maiores angústias de um pós-graduando: você faz, faz e faz, mas parece ser nada. Na academia, o seu máximo parece ser muito pouco. Isso, muitas vezes, é desolador.

A trajetória da pesquisa por vezes também é solitária. Raras são as pessoas dispostas, e com tempo, para colaborar. Ou ao menos ouvir os lamentos. Quem está envolvido com o universo acadêmico (e que poderia te entender ou apoiar), quase sempre também não tem tempo. Quem é de fora, acha tudo uma doideira. Quase um desperdício de tempo e esforços.

A relação com o orientador é singular. Trata-se da pessoa mais envolvida no processo. E talvez por isso, como todo relacionamento, há o risco de as coisas não funcionarem como se espera. Não raras vezes, tudo que o orientando espera é apoio – às vezes, até “colo”; por outro lado, o orientador tem prioridades bem diferentes: precisa motivar a produção, o envolvimento com a pesquisa. E, para isso, nem sempre  age de maneira simpática, digamos assim.

Quer dizer… Essa dinâmica toda gera um desgaste emocional que nem sempre é possível administrar. Por isso, quando a gente conclui, defende a dissertação, é impossível não se sentir aliviado. Alguns quilos vão embora logo após a leitura da ata de aprovação. A sensação é mesmo única, uma vitória daquelas que a gente não esquece. Aos poucos, a vida vai voltando ao normal, o título conquistado é incorporado ao que você é e, como tudo na vida, novos desafios vão se impondo como necessidade – o doutorado, por exemplo (mas isso já é uma outra história).