Os efeitos nocivos da desigualdade social

​A desigualdade é uma das características das sociedades capitalistas. Ela funciona, inclusive, como uma espécie de mecanismo motivador da busca por condições de vida melhores. Justamente por alguns conquistarem condições privilegiadas, toda uma sociedade se move na tentativa de chegar a esse lugar privilegiado.

Em diferentes momentos históricos, houve tentativas de pôr fim às desigualdades. Porém, todas fracassaram. As políticas de igualdade produziram uma igualdade artificial, mentirosa e que, na prática, empobreceu a população. Também parece ser da natureza humana o desejo da conquista, a competitividade, a insatisfação que faz com que queiramos sempre mais e mais. As experiências têm provado que isso não é ruim. Afinal, na busca por ganhar mais, acumular mais e viver melhor, as nações se desenvolvem, tecnologias são criadas e até mesmo as condições de saúde e bem-estar das pessoas têm melhorado ao longo da história.

Entretanto, o conceito de desigualdade social transcende a ideia de uma sociedade em que as condições de riqueza são desiguais. O conceito retrata o abismo que pode existir entre quem tem mais e quem tem menos. E essa distância, quanto maior é, mais problemas traz.

Estudos têm provado que sociedades desiguais são mais violentas, têm mais gente nas prisões, maiores níveis de obesidade e de doenças mentais, mais pessoas infelizes, menores expectativas de vida e baixos níveis de confiança. Além disso, pesquisadores descobriram que a desigualdade social aumenta a segregação e os resultados educacionais de crianças, jovens e adultos são piores.

Por outro lado, a existência de políticas de promoção humana com a finalidade de reduzir a desigualdade social, além de garantirem rendimentos maiores para os trabalhadores, ainda asseguram bem-estar para as crianças, diminuição da mortalidade infantil, menores níveis de estresse, menos consumo de drogas, mais qualidade de vida para a população.

Ou seja, ainda que seja desejável assegurar que as pessoas tenham a liberdade de lutar por condições de vida e riqueza distintas, algumas tenham mais e outras menos, está provado que nenhuma sociedade pode permitir que se crie um abismo entre os mais ricos e os mais pobres. A crescente desigualdade social não é apenas injusta; ela é nociva para a população, pois piora as condições de vida de todo o conjunto da sociedade. Até mesmo os privilegiados se tornam reféns em suas próprias casas, tendo que viver trancados para evitar os efeitos de uma sociedade profundamente desigual.

Ps. Para quem quer entender mais os efeitos nocivos da desigualdade, sugiro a leitura de “The Spirit Level: Why Greater Equality Makes Societies Stronger”, dos britânicos Richard Wilkinson e Kate Pickett.

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Para jovens, sucesso é fazer o que gosta

​A geração Z, formada por jovens entre 18 e 24 anos, quer mais do que salários altos; prefere trabalhar no que gosta. Para isso, está disposta a ganhar menos.

Os dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, SPC Brasil e Sebrae mostram que 42% dos jovens nessa faixa etária entendem que trabalhar em algo que gostam é o principal fator de sucesso.

Este dado é extremamente relevante. Aponta para uma significativa mudança de mentalidade. Afinal, é fundamental não se deixar nortear apenas pelos ganhos. A vida é curta demais para desperdiçarmos nosso tempo apenas na busca por dinheiro.

​​O fato de 42% dos jovens compreenderem o “fazer o que gosta” como valor de sucesso também tem a ver com a ilusão da felicidade. A busca por ter prazer em tudo é um dos principais objetivos das novas gerações.

Ter prazer é muito bom. Ser feliz é maravilhoso.

Entretanto, há um perigo nessa mentalidade dos jovens: ignorar que toda ​e qualquer atividade reúne uma série de elementos que nos causam desprazer.

Deixa eu explicar melhor… Eu amo dar aulas. Esqueço de todo e qualquer problema extra-classe quando estou em sala de aula. Esqueço até o cansaço físico. Porém, odeio corrigir provas. Trocaria um domingo de correção de provas por qualquer tipo de trabalho doméstico – limpar a casa, lavar banheiros…

Adoro propor projetos novos para meus alunos e vê-los envolvidos na execução. Sou o campeão de projetos na minha faculdade. Mas admito que a​dio ao máximo a entrega dos relatórios. Tenho pavor de escrevê-los. Quando chega o final do semestre, chego a cogitar encerrar os projetos só para não ter mais a obrigação dos relatórios.

Eu não sei se você está me entendendo… O que eu quero dizer é que escolher fazer o que gosta não impede ninguém d​a obrigação de ter que​ fazer o que não gosta. Não há nenhuma atividade que seja 100% prazerosa. Nenhuma​!​

Quando 42% dos jovens dizem que o maior valor de sucesso é fazer o que gosta, eu me alegro. Por outro lado, por saber que a ideia de felicidade e prazer é o que referencia essa nova mentalidade, eu me preocupo. Basta notar que nossos jovens são pouco resistentes às frustrações, aos fracassos e pouco tolerantes ​às atividades que lhes causam desconforto.

Como não há trabalho algum que seja apenas alegrador, será que nossos jovens encontrarão profissões que concretizem para eles o tão sonhado “fazer o que gosta”?

É preciso aprender a poupar

​Como regra, o brasileiro não tem o hábito de poupar. Em 2018, o Banco Mundial divulgou um ranking dos hábitos de poupança da população global que mostrou o Brasil na 101o. posição numa lista de 144 países.

O fato de nossa gente ser pobre não é desculpa. Países como Bolívia, Filipinas e Mali estão em posições muito melhores do que a nossa.

Falar sobre a necessidade de planejarmos o futuro financeiro tem se tornado uma obrigação de todo educador ou agente que influencia a opinião pública. As mudanças na previdência social impõem essa necessidade. Até mesmo as alterações nas regras do FGTS motivam essa discussão – afinal, quem aderir os saques anuais do fundo não terá acesso a todo volume do FGTS por ocasião de uma demissão. Ou seja, é preciso poupar para os dias mais difíceis.

Alguns especialistas em finanças recomendam que as pessoas deveriam ter uma poupança de pelo menos 6 vezes o salário que ganham. Essa reserva seria uma garantia para situações inesperadas: um familiar que precisa de uma internação emergencial, reparos mecânicos ou de funilaria no carro (resultantes de um acidente ou quebra sem causa) e até mesmo o desemprego.

Muita gente alega ter dificuldade de poupar em função dos baixos salários. E é fato que a maioria dos trabalhadores brasileiros ganha pouco. Entretanto, também é verdade que quase ninguém faz planejamento financeiro e sequer tem controle dos gastos.

É um tanto espartano ser rigoroso com as finanças. Não é fácil mesmo! Porém, o rigor é essencial para quem não quer sofrer com a falta de dinheiro. Planejar os gastos e controlar cada real podem mudar a vida das pessoas.

Trata-se de estipular quanto vai gastar em cada ocasião e, depois de o salário recebido, fazer conta até da bala comprada na cantina.

Quando fazemos isso, identificamos pequenas brechas que, mesmo entre aqueles que têm baixos salários, permitem fazer uma poupança.

Sabe o que confirma isso que estou falando? Apesar dos indicadores que mostram que o brasileiro raramente poupa, houve um considerável aumento no percentual de pessoas que passou a guardar dinheiro desde 2014. A forte crise econômica do país, a retração da economia motivou muita gente a começar a guardar dinheiro. Ou seja, quando há consciência de que é necessário poupar, mesmo no aperto financeiro, encontramos formas de reservar um dinheirinho para o futuro.

Como garantir a minha aposentadoria?

​As mudanças nas regras de aposentaria trazem certa insegurança para uma parcela significativa da população – principalmente a mais pobre, que é a grande massa populacional do Brasil. É fato que muita gente encontrará mais dificuldade para se aposentar no futuro.

Justamente por isso entendo que deveríamos ampliar nossas discussões e criar outros cenários sobre a garantia de renda futura.

É verdade que o sistema público de aposentadoria é necessário e justo. Afinal, os trabalhadores, independente do recolhimento previdenciário, pagam muitos impostos e sustentam o Estado. Isso, por si só, deveria ser suficiente para que cada pessoa tive o benefício de se aposentar na velhice.

Mas, na lógica econômica predominante, não dá para contar com o Estado que cuida de seus cidadãos. Com o passar dos anos, o Estado inchou, os gastos dispararam e não dá para esperar que seja o protetor de todos os cidadãos. Afinal, na prática, o Estado nunca existiu para proteger as pessoas; ele existe para assegurar o funcionamento e dar garantias ao sistema econômico dominante.

Quanto às pessoas, é urgente que possamos aprender a depender cada vez menos do Estado. É urgente planejarmos a própria aposentadoria, sem contar com o benefício do Estado.

Isso pode parecer um contrassenso, mas antes de 1880 o mundo não conhecia nenhum sistema público de previdência. A Alemanha criou o primeiro naquele ano. No Brasil, só em 1923 foi criado o benefício; e atendia apenas os ferroviários.

Pra muita gente, minha fala também pode soar como uma espécie de defesa de uma ideologia de direita. Posso assegurar que não é este o propósito. O objetivo aqui é bem simples: não podemos contar com coisas sobre as quais não temos controle.

Hoje, tenho 44 anos e vou completar 31 anos de trabalho. Neste período, as regras de aposentadoria já mudaram três vezes e sofrerá a quarta mudança agora. Não há garantia alguma que não voltem a ser alteradas antes de me aposentar (já vi analistas projetando uma nova reforma para daqui a 10 anos).

Ou seja, não tenho nenhuma garantia de que vou ter a aposentadoria daqui 21 anos.

Só existe uma coisa que depende exclusivamente de mim: desenvolver hábitos de poupança, hábitos de investimento. Hábitos que podem ser até restritivos do meu modo de vida, mas que permitam ter as minhas próprias estratégias para ter uma segurança financeira mínima quando eu não puder mais trabalhar.

Três lições da Amazon para nossa vida

A Amazon é hoje uma das companhias mais poderosas do planeta. Jeff Bezos, seu criador, se tornou o homem mais rico do planeta. Uma das coisas que chama minha atenção nesta empresa é a filosofia que a norteia. Bezos é um homem que enxerga para além das aparências e obviedades. E, o mais importante, não se referencia nos concorrentes. Ele tem um propósito e não se deixa influenciar pelo que as demais empresas estão fazendo.

Após ler uma entrevista de Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, fiquei pensando nas nossas práticas pessoais e também no modelo de gestão de muitos negócios aqui no Brasil.

Segundo Szapiro, “uma empresa que olha muito para o concorrente pode cair no erro de sempre estar melhorando um serviço que já existia, em vez de pensar em algo novo”. Ele também afirma que um sentimento norteia todas as pessoas que trabalham na companhia: elas vivem como se todo dia fosse o primeiro. Por fim, ressalta que trabalham o tempo todo com a perspectiva de que é possível melhorar a convivência, as ofertas e o catálogo da empresa. Para isso, estão sempre de olho nos próprios números da empresa e nos indicadores oferecidos pelos clientes; o olhar nunca é para o que a concorrência está fazendo.

Essa filosofia implementada por Jeff Bezos nos ensina muitas coisas – tanto para a vida pessoal quanto para os negócios. A primeira lição é a de que se olharmos demais o que as outras pessoas estão fazendo, perderemos a oportunidade de fazer as coisas que acreditamos que deveriam ser feitas. Faremos comparações e perderemos a chance de sermos autênticos. Às vezes, temos uma excelente ideia, mas, norteados pelo que os outros fazem, achamos nossa ideia idiota e a engavetamos. Abrimos mão de fazer algo novo, diferente, original.

A segunda lição vem desse sentimento de viver todo dia como se fosse o primeiro. Isso seria fantástico na vida de todos nós. Começaríamos o dia abertos para experimentar cada momento como único, sem o ranço das experiências já vividas, sem os vícios do passado, sem ficar repetindo “ah… já vi isso”, “ah… já fiz e não deu certo”… Viver todo dia como se fosse o primeiro faz com que experimentemos a alegria da existência; faz com que estejamos dispostos a aprender, a observar tudo de novo, nos mantêm alertas para os novos movimentos da própria vida.

A terceira lição que podemos aprender é de que sempre há espaço para melhorar. Isso não significa viver ansiosos, nem insatisfeitos ou frustrados. Significa celebrar tudo que a gente faz de bacana, mas entender que aquilo pode ser aperfeiçoado. É como um atacante de futebol após ser o artilheiro do campeonato: ele comemora, curte muito, mas avalia cada jogo e sabe que talvez haja espaço para ser ainda mais participativo na equipe, para marcar mais gols, para se tornar um atleta ainda melhor. Não há frustração, sofrimento, apenas o sentimento de que “eu posso fazer mais, ser ainda melhor”. E esse sentimento não é referenciado pelo que os outros estão fazendo, mas pelo que eu sou capaz de fazer.

Lições preciosas, não é? Acredito que a filosofia da Amazon explica muito do sucesso da companhia. Essa forma de pensar me encanta. Afinal, também acredito que não devemos referenciar nossas ações pelo que as outras pessoas fazem, devemos viver cada dia intensamento, como se fosse o primeiro e, por fim, sempre há espaço para fazermos melhor, sermos melhor.

Quatro aspectos que atrapalham o e-commerce no Brasil

Sou fã do comércio eletrônico. Gente como eu, que não gosta de ir às compras, de sair às lojas para encontrar os produtos que precisa, encontra no e-commerce um dispositivo poderoso para auxiliar no atendimento de todos os desejos.

Talvez por isso, mas principalmente pela facilidade de acesso e custos mais baixos, o comércio eletrônico não para de crescer. Só entre 2018 e 2019, o número de sites de e-commerce aumentou 37,5% no país. Atualmente, o Brasil possui 930 mil sites de venda online.

O volume de vendas também é positivo. Enquanto o crescimento econômico anda estacionado, no comércio online, em 2018, as vendas foram 12% superiores a 2017, e este ano havia começado com expectativa de novo crescimento: 16% em 2019.

Há, porém, alguns aspectos que impedem que o comércio eletrônico se expanda ainda mais. O primeiro deles é a pouca confiabilidade do sistema eletrônico no Brasil. Com 930 mil sites de venda online, as falhas de monitoramento e fiscalização no país ficam ainda mais evidentes. Para o consumidor, o risco parece bastante grande, se a escolha for por uma loja virtual desconhecida. Não há muitas garantias de que o produto será recebido no prazo, se o atendimento será eficaz, caso seja necessária a troca ou devolução, tampouco há garantias de que o produto será recebido.

O segundo aspecto é o custo dos fretes no Brasil. As pequenas lojas online não conseguem assegurar frete grátis e nem contratos vantajosos com as empresas de entrega. Isso faz com que nem sempre os preços de seus produtos sejam tão atrativos.

Um terceiro ponto não diz respeito às lojas virtuais, diz respeito às indústrias brasileiras. Alguns setores, como confecção e calçados, por exemplo, não possuem uma padronização rigorosa de tamanho. Eu, por exemplo, comprei na internet no ano passado 2 camisas tamanho G de uma determinada marca; vieram perfeitas e o tamanho foi adequado. Me animei e fiz a mesma compra neste ano; tive que devolvê-las – ficaram pequenas (e eu não ganhei peso entre uma compra e outra).

A ausência dessa padronização prejudica demais. Numa mesma loja, você pega uma camiseta M que fica grande e uma G que fica pequena.

Nos Estados Unidos, meca do capitalismo, esse tipo de problema não acontece. Os tamanhos são rigorosamente os mesmos em todas as marcas.

Um quarto e último aspecto que ainda impede a total popularização do comércio eletrônico é o analfabetismo digital. Muita gente não tem acesso à internet, mas, mesmo entre aqueles que possuem acesso à rede, navegam com muita dificuldade. De maneira rudimentar, utilizam o whatsapp e algumas outras redes sociais. Porém, baixar um aplicativo de compras, navegar com segurança entre as opções, fazer comparações de preços etc., não são habilidades que todos os usuários possuem.

Entretanto, apesar disso, o e-commerce é um fenômeno irreversível. Esses impedimentos apenas servem para retardar um pouco a expansão do setor, mas não serão suficientes para mudar de vez a lógica do comércio.

Ninguém quer se sentir um mero executor

Um dos erros frequentes dos gestores da velha guarda é ignorar que as pessoas que estão em seu entorno são capazes de pensar. De pensar por si mesmas.

Chefes do passado, mas que estão espalhados em várias empresas, querem que seus subordinados sejam seus olhos e seus braços. O cérebro segue sendo o deles.

Nessas empresas, predomina a máxima de que tudo que se faz e como se faz deve refletir o espírito do dono.

Contudo, o mundo contemporâneo é o mundo em que as pessoas desejam ser autoras de suas histórias. Quando confrontadas com a vontade imperativa de um chefe que tenta perpetuar a mentalidade dele, sentem-se agredidas intelectualmente.

Ninguém quer se sentir um mero executor.

Vivemos um tempo em que desejamos ver um pouco de nós naquilo que é feito. Isso ocorre porque uma das lutas dos sujeitos na contemporaneidade é pela subjetividade; e esta se dá na construção de uma identidade.

Na identidade do sujeito parece não haver espaço para a ideia de que ele está na empresa apenas para fazer o que é mandado; tampouco que deve agir como se fosse o dono – afinal, ele sabe que não é.

Na verdade, o sujeito deseja ter um jeito próprio de atender, de negociar, de tratar as pessoas…

O colaborador quer dar uma ideia e ver a ideia acolhida, implementada…

A gente vive numa sociedade que as pessoas querem ser notadas… Sentirem-se únicas!

Observemos o que acontece nas redes sociais: a gente publica, escreve, curte, interage, faz selfie… Por quê? Porque cada vez que a gente posta nas redes é como se disséssemos “eu existo; estou aqui; me veja; eu sou alguém!”.

Numa empresa que impõe o olhar do dono, a identidade do sujeito é massacrada. Ele se sente alienado, ignorado. É como se não importasse. Isso cria insatisfação e distanciamento e, por consequência, pouco envolvimento.

Os bons gestores conseguem identificar os talentos e são bem sucedidos não porque a empresa assume a cara deles, mas por conseguirem ter o melhor de cada colaborador e somar todas as habilidades, aptidões e ideias no desenvolvimento do negócio.

Gestores dinossauros

Os conflitos nos modelos de gestão corporativa são bastante comuns. Principalmente num tempo em que as rupturas são constantes e há poucas certezas. Nada se faz como se fazia há 20, 40 ou 100 anos. Tudo é fluído.

E não se trata apenas de demandas que surgiram em função da legislação. As mudanças ocorrem por um conjunto de variáveis. Entre elas, a quantidade de informações, as tecnologias digitais, a profissionalização por meio da educação continuada, as exigências do público consumidor.

Tudo isso faz com que as pessoas que estão no comando sejam pressionadas a se atualizarem.

Entretanto, o processo não é tão simples.

É difícil esperar que alguém que está numa determinada função há 30 anos se atualize. É comum que gente que está no mercado há muito tempo, principalmente em posições de gerência, coordenação, chefia, sustente-se no argumento de que possui mais experiência que os demais e sabe quais são as melhores estratégias.

O problema é que pouca coisa que se fazia no passado ainda tem valor hoje. As pessoas não são as mesmas, as expectativas são outras e o conjunto de procedimentos adotados precisa ser renovado.

A insistência naquilo que dava certo gera descompasso com o mundo contemporâneo. Às vezes, o negócio até se sustenta financeiramente, mas fica estável – não cresce, não se desenvolve e, o que é pior, geralmente afasta os bons talentos.

Gente com cabeça aberta, que dialoga com as novidades de mercado, quase sempre gosta de experimentar, inovar – ainda que corra o risco de errar. É gente que observa as tendências e tenta incorporá-las. Procedimentos históricos podem até ser funcionais, mas não são atrativos. Por isso, esses profissionais entram em choque com os modelos antigos de gestão. São pessoas que pensam por si mesmas – algo que não é bem aceito pelos velhos administradores.

E como será o futuro dos dinossauros das empresas? Vão quebrar? Alguns sim. Mas não todos. Muitos apenas perderão a oportunidade de se tornarem referência entre lideranças que se adaptam e dão exemplo de como viver o novo mundo se cria e recria a cada dia. Serão ilhas, não de excelência – apenas daquela antiguidade saudosista que insiste que o passado parecia melhor que o presente.

Ps. E o presente não é nem melhor nem pior que o passado; é apenas isso: o presente.