Como garantir a minha aposentadoria?

​As mudanças nas regras de aposentaria trazem certa insegurança para uma parcela significativa da população – principalmente a mais pobre, que é a grande massa populacional do Brasil. É fato que muita gente encontrará mais dificuldade para se aposentar no futuro.

Justamente por isso entendo que deveríamos ampliar nossas discussões e criar outros cenários sobre a garantia de renda futura.

É verdade que o sistema público de aposentadoria é necessário e justo. Afinal, os trabalhadores, independente do recolhimento previdenciário, pagam muitos impostos e sustentam o Estado. Isso, por si só, deveria ser suficiente para que cada pessoa tive o benefício de se aposentar na velhice.

Mas, na lógica econômica predominante, não dá para contar com o Estado que cuida de seus cidadãos. Com o passar dos anos, o Estado inchou, os gastos dispararam e não dá para esperar que seja o protetor de todos os cidadãos. Afinal, na prática, o Estado nunca existiu para proteger as pessoas; ele existe para assegurar o funcionamento e dar garantias ao sistema econômico dominante.

Quanto às pessoas, é urgente que possamos aprender a depender cada vez menos do Estado. É urgente planejarmos a própria aposentadoria, sem contar com o benefício do Estado.

Isso pode parecer um contrassenso, mas antes de 1880 o mundo não conhecia nenhum sistema público de previdência. A Alemanha criou o primeiro naquele ano. No Brasil, só em 1923 foi criado o benefício; e atendia apenas os ferroviários.

Pra muita gente, minha fala também pode soar como uma espécie de defesa de uma ideologia de direita. Posso assegurar que não é este o propósito. O objetivo aqui é bem simples: não podemos contar com coisas sobre as quais não temos controle.

Hoje, tenho 44 anos e vou completar 31 anos de trabalho. Neste período, as regras de aposentadoria já mudaram três vezes e sofrerá a quarta mudança agora. Não há garantia alguma que não voltem a ser alteradas antes de me aposentar (já vi analistas projetando uma nova reforma para daqui a 10 anos).

Ou seja, não tenho nenhuma garantia de que vou ter a aposentadoria daqui 21 anos.

Só existe uma coisa que depende exclusivamente de mim: desenvolver hábitos de poupança, hábitos de investimento. Hábitos que podem ser até restritivos do meu modo de vida, mas que permitam ter as minhas próprias estratégias para ter uma segurança financeira mínima quando eu não puder mais trabalhar.

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Três lições da Amazon para nossa vida

A Amazon é hoje uma das companhias mais poderosas do planeta. Jeff Bezos, seu criador, se tornou o homem mais rico do planeta. Uma das coisas que chama minha atenção nesta empresa é a filosofia que a norteia. Bezos é um homem que enxerga para além das aparências e obviedades. E, o mais importante, não se referencia nos concorrentes. Ele tem um propósito e não se deixa influenciar pelo que as demais empresas estão fazendo.

Após ler uma entrevista de Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, fiquei pensando nas nossas práticas pessoais e também no modelo de gestão de muitos negócios aqui no Brasil.

Segundo Szapiro, “uma empresa que olha muito para o concorrente pode cair no erro de sempre estar melhorando um serviço que já existia, em vez de pensar em algo novo”. Ele também afirma que um sentimento norteia todas as pessoas que trabalham na companhia: elas vivem como se todo dia fosse o primeiro. Por fim, ressalta que trabalham o tempo todo com a perspectiva de que é possível melhorar a convivência, as ofertas e o catálogo da empresa. Para isso, estão sempre de olho nos próprios números da empresa e nos indicadores oferecidos pelos clientes; o olhar nunca é para o que a concorrência está fazendo.

Essa filosofia implementada por Jeff Bezos nos ensina muitas coisas – tanto para a vida pessoal quanto para os negócios. A primeira lição é a de que se olharmos demais o que as outras pessoas estão fazendo, perderemos a oportunidade de fazer as coisas que acreditamos que deveriam ser feitas. Faremos comparações e perderemos a chance de sermos autênticos. Às vezes, temos uma excelente ideia, mas, norteados pelo que os outros fazem, achamos nossa ideia idiota e a engavetamos. Abrimos mão de fazer algo novo, diferente, original.

A segunda lição vem desse sentimento de viver todo dia como se fosse o primeiro. Isso seria fantástico na vida de todos nós. Começaríamos o dia abertos para experimentar cada momento como único, sem o ranço das experiências já vividas, sem os vícios do passado, sem ficar repetindo “ah… já vi isso”, “ah… já fiz e não deu certo”… Viver todo dia como se fosse o primeiro faz com que experimentemos a alegria da existência; faz com que estejamos dispostos a aprender, a observar tudo de novo, nos mantêm alertas para os novos movimentos da própria vida.

A terceira lição que podemos aprender é de que sempre há espaço para melhorar. Isso não significa viver ansiosos, nem insatisfeitos ou frustrados. Significa celebrar tudo que a gente faz de bacana, mas entender que aquilo pode ser aperfeiçoado. É como um atacante de futebol após ser o artilheiro do campeonato: ele comemora, curte muito, mas avalia cada jogo e sabe que talvez haja espaço para ser ainda mais participativo na equipe, para marcar mais gols, para se tornar um atleta ainda melhor. Não há frustração, sofrimento, apenas o sentimento de que “eu posso fazer mais, ser ainda melhor”. E esse sentimento não é referenciado pelo que os outros estão fazendo, mas pelo que eu sou capaz de fazer.

Lições preciosas, não é? Acredito que a filosofia da Amazon explica muito do sucesso da companhia. Essa forma de pensar me encanta. Afinal, também acredito que não devemos referenciar nossas ações pelo que as outras pessoas fazem, devemos viver cada dia intensamento, como se fosse o primeiro e, por fim, sempre há espaço para fazermos melhor, sermos melhor.

Quatro aspectos que atrapalham o e-commerce no Brasil

Sou fã do comércio eletrônico. Gente como eu, que não gosta de ir às compras, de sair às lojas para encontrar os produtos que precisa, encontra no e-commerce um dispositivo poderoso para auxiliar no atendimento de todos os desejos.

Talvez por isso, mas principalmente pela facilidade de acesso e custos mais baixos, o comércio eletrônico não para de crescer. Só entre 2018 e 2019, o número de sites de e-commerce aumentou 37,5% no país. Atualmente, o Brasil possui 930 mil sites de venda online.

O volume de vendas também é positivo. Enquanto o crescimento econômico anda estacionado, no comércio online, em 2018, as vendas foram 12% superiores a 2017, e este ano havia começado com expectativa de novo crescimento: 16% em 2019.

Há, porém, alguns aspectos que impedem que o comércio eletrônico se expanda ainda mais. O primeiro deles é a pouca confiabilidade do sistema eletrônico no Brasil. Com 930 mil sites de venda online, as falhas de monitoramento e fiscalização no país ficam ainda mais evidentes. Para o consumidor, o risco parece bastante grande, se a escolha for por uma loja virtual desconhecida. Não há muitas garantias de que o produto será recebido no prazo, se o atendimento será eficaz, caso seja necessária a troca ou devolução, tampouco há garantias de que o produto será recebido.

O segundo aspecto é o custo dos fretes no Brasil. As pequenas lojas online não conseguem assegurar frete grátis e nem contratos vantajosos com as empresas de entrega. Isso faz com que nem sempre os preços de seus produtos sejam tão atrativos.

Um terceiro ponto não diz respeito às lojas virtuais, diz respeito às indústrias brasileiras. Alguns setores, como confecção e calçados, por exemplo, não possuem uma padronização rigorosa de tamanho. Eu, por exemplo, comprei na internet no ano passado 2 camisas tamanho G de uma determinada marca; vieram perfeitas e o tamanho foi adequado. Me animei e fiz a mesma compra neste ano; tive que devolvê-las – ficaram pequenas (e eu não ganhei peso entre uma compra e outra).

A ausência dessa padronização prejudica demais. Numa mesma loja, você pega uma camiseta M que fica grande e uma G que fica pequena.

Nos Estados Unidos, meca do capitalismo, esse tipo de problema não acontece. Os tamanhos são rigorosamente os mesmos em todas as marcas.

Um quarto e último aspecto que ainda impede a total popularização do comércio eletrônico é o analfabetismo digital. Muita gente não tem acesso à internet, mas, mesmo entre aqueles que possuem acesso à rede, navegam com muita dificuldade. De maneira rudimentar, utilizam o whatsapp e algumas outras redes sociais. Porém, baixar um aplicativo de compras, navegar com segurança entre as opções, fazer comparações de preços etc., não são habilidades que todos os usuários possuem.

Entretanto, apesar disso, o e-commerce é um fenômeno irreversível. Esses impedimentos apenas servem para retardar um pouco a expansão do setor, mas não serão suficientes para mudar de vez a lógica do comércio.

Ninguém quer se sentir um mero executor

Um dos erros frequentes dos gestores da velha guarda é ignorar que as pessoas que estão em seu entorno são capazes de pensar. De pensar por si mesmas.

Chefes do passado, mas que estão espalhados em várias empresas, querem que seus subordinados sejam seus olhos e seus braços. O cérebro segue sendo o deles.

Nessas empresas, predomina a máxima de que tudo que se faz e como se faz deve refletir o espírito do dono.

Contudo, o mundo contemporâneo é o mundo em que as pessoas desejam ser autoras de suas histórias. Quando confrontadas com a vontade imperativa de um chefe que tenta perpetuar a mentalidade dele, sentem-se agredidas intelectualmente.

Ninguém quer se sentir um mero executor.

Vivemos um tempo em que desejamos ver um pouco de nós naquilo que é feito. Isso ocorre porque uma das lutas dos sujeitos na contemporaneidade é pela subjetividade; e esta se dá na construção de uma identidade.

Na identidade do sujeito parece não haver espaço para a ideia de que ele está na empresa apenas para fazer o que é mandado; tampouco que deve agir como se fosse o dono – afinal, ele sabe que não é.

Na verdade, o sujeito deseja ter um jeito próprio de atender, de negociar, de tratar as pessoas…

O colaborador quer dar uma ideia e ver a ideia acolhida, implementada…

A gente vive numa sociedade que as pessoas querem ser notadas… Sentirem-se únicas!

Observemos o que acontece nas redes sociais: a gente publica, escreve, curte, interage, faz selfie… Por quê? Porque cada vez que a gente posta nas redes é como se disséssemos “eu existo; estou aqui; me veja; eu sou alguém!”.

Numa empresa que impõe o olhar do dono, a identidade do sujeito é massacrada. Ele se sente alienado, ignorado. É como se não importasse. Isso cria insatisfação e distanciamento e, por consequência, pouco envolvimento.

Os bons gestores conseguem identificar os talentos e são bem sucedidos não porque a empresa assume a cara deles, mas por conseguirem ter o melhor de cada colaborador e somar todas as habilidades, aptidões e ideias no desenvolvimento do negócio.

Gestores dinossauros

Os conflitos nos modelos de gestão corporativa são bastante comuns. Principalmente num tempo em que as rupturas são constantes e há poucas certezas. Nada se faz como se fazia há 20, 40 ou 100 anos. Tudo é fluído.

E não se trata apenas de demandas que surgiram em função da legislação. As mudanças ocorrem por um conjunto de variáveis. Entre elas, a quantidade de informações, as tecnologias digitais, a profissionalização por meio da educação continuada, as exigências do público consumidor.

Tudo isso faz com que as pessoas que estão no comando sejam pressionadas a se atualizarem.

Entretanto, o processo não é tão simples.

É difícil esperar que alguém que está numa determinada função há 30 anos se atualize. É comum que gente que está no mercado há muito tempo, principalmente em posições de gerência, coordenação, chefia, sustente-se no argumento de que possui mais experiência que os demais e sabe quais são as melhores estratégias.

O problema é que pouca coisa que se fazia no passado ainda tem valor hoje. As pessoas não são as mesmas, as expectativas são outras e o conjunto de procedimentos adotados precisa ser renovado.

A insistência naquilo que dava certo gera descompasso com o mundo contemporâneo. Às vezes, o negócio até se sustenta financeiramente, mas fica estável – não cresce, não se desenvolve e, o que é pior, geralmente afasta os bons talentos.

Gente com cabeça aberta, que dialoga com as novidades de mercado, quase sempre gosta de experimentar, inovar – ainda que corra o risco de errar. É gente que observa as tendências e tenta incorporá-las. Procedimentos históricos podem até ser funcionais, mas não são atrativos. Por isso, esses profissionais entram em choque com os modelos antigos de gestão. São pessoas que pensam por si mesmas – algo que não é bem aceito pelos velhos administradores.

E como será o futuro dos dinossauros das empresas? Vão quebrar? Alguns sim. Mas não todos. Muitos apenas perderão a oportunidade de se tornarem referência entre lideranças que se adaptam e dão exemplo de como viver o novo mundo se cria e recria a cada dia. Serão ilhas, não de excelência – apenas daquela antiguidade saudosista que insiste que o passado parecia melhor que o presente.

Ps. E o presente não é nem melhor nem pior que o passado; é apenas isso: o presente.

Quando começa o futuro?

A gente vive uma verdadeira revolução. Alguns a chamam de revolução 4.0. Na prática, ela significa muitas incertezas em relação ao futuro. Principalmente, se haverá emprego para todas as pessoas.

Justamente por isso, os mundos do trabalho e da educação estão sendo impactados pela impossibilidade de prever o que vai acontecer.

No trabalho, quais as profissões do futuro? Nada se sabe. Nossa imaginação não dá conta de prever que profissões serão criadas.

Quando começa o futuro? Já começou. Vemos todos os dias gente fazendo coisas que nunca imaginaríamos.

A educação é demandada a responder essa nova realidade. Como preparar os alunos para viver esta revolução? Que conteúdos deveriam ser trabalhados em sala? Que cursos deveriam ser criados?

Não existem respostas simples. É possível, porém, deduzir algumas coisas. Há necessidade de compreendermos que lidar bem com esse mundo novo passa muito mais por uma atitude individual do que pela espera de receitas, de respostas prontas.

As mudanças são rápidas demais. Quando concluímos um curso, o conhecimento adquirido está defasado.

O segredo é estar aberto para todas as possibilidades. Partir dos conhecimentos adquiridos, mobilizá-los diante do novo e ter a capacidade de aprender outras coisas a fim de nos reinventarmos. E uma reinvenção a cada dia.

Então quais pessoas serão bem-sucedidas? Aquelas que estão atentas às tendências do mercado. Não se trata de saber tudo, mas de sentir os movimentos que ocorrem no seu entorno e ter a flexibilidade para adaptar-se.

É fundamental ter agilidade no processo de aprendizagem. Quem não se interessa por estar sempre estudando, terá muitas dificuldades.

Também é preciso ser produtivo. Fazer mais, melhor e em menos tempo.

Outra característica: manter o foco. Em tempos tão plurais e de distrações múltiplas, quem sabe bem o que quer e mantém-se focado, faz mais e conquista melhores resultados.

Ser transparente. Com as redes sociais, tudo que falamos e fazemos pode ser observado. Se escondemos algo, será descoberto. A vida que se mostra precisa ser coerente com a vida vivida.

Por fim, devemos rir de nós mesmos. Espera-se que as pessoas sejam leves, cobrem-se menos, não tenham vergonha de seus fracassos, sejam capazes de fazer graça com seus defeitos.

A mesma beleza que abre portas pode punir

Numa sociedade que valoriza a aparência, pessoas consideradas bonitas também têm mais êxito profissional. Estudos desenvolvidos pelo economista e professor Daniel Hamermesh, da Universidade de Londres, revelam que, no Reino Unido, em média, os homens bonitos ganham cerca de 5% a mais; já os menos atrativos, 13% a menos. Em países orientais, as mulheres bonitas recebem 10% a mais e as consideradas menos atrativas, até 31% a menos.

Sabemos que a beleza importa. E é por isso que a maioria das pessoas gasta diariamente um tempo se arrumando. Afinal, a beleza pode ser produzida. Ou potencializada com roupas adequadas, cuidados com a pele, cabelos, maquiagem, exercícios físicos, alimentação etc.

O professor Daniel observou que os homens gastam aproximadamente 32 minutos por dia para cuidarem do asseio e se produzirem; as mulheres, cerca de 44 minutos.

Investimos tempo, energia e dinheiro na beleza. Os números da indústria estética confirmam que cuidar da aparência é uma de nossas prioridades. Basta observar que, em 2018, apesar de todas as dificuldades econômicas do país, o mercado da beleza cresceu 2,7% e projeta um aumento de vendas ainda mais significativo para este ano. O Brasil já é o terceiro maior faturamento da indústria da beleza mundial. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Mas a beleza que abre portas no mercado de trabalho também pune as pessoas consideradas belas. Elas são invejadas e, nas empresas, como frequentemente são as escolhidas para certos projetos, são as mais criticadas pelos colegas, porque se espera delas que também sejam as mais talentosas, as mais habilidosas.

Os estudos do professor Daniel Hamermesh ajudam a compreender como nossos julgamentos baseados nas aparências podem ser injustos. A vida das pessoas que não estão na lista das mais atrativas se torna bem mais difícil; já os bonitos podem até ter mais portas abertas, mas sofrem com a inveja, as cobranças e até os buchichos maldosos no cafezinho.

Pois é… As relações seriam bem mais simples se tratássemos as pessoas considerando apenas o fato de serem gente como a gente.

O injusto processo para tirar a Carteira de Habilitação no Brasil

Para tirar a carteira de habilitação, o Brasil, que é um país de gente pobre, tem um sistema injusto e que sacaneia o cidadão. Tirar a CNH por aqui custa muito caro. E não há justificativa alguma para o modelo que temos.

Ao falar sobre isso com algumas pessoas, já ouvi coisas do tipo: “se o cara não tem dinheiro pra tirar carteira, não dirige, ué? Não vai ter dinheiro pra comprar carro mesmo”. Acontece que fazer a CNH não significa, necessariamente, ter carro; milhares de pessoas dirigem para ganhar a vida – seja como motoristas de empresas ou particulares.

O argumento para o processo atual foram os inúmeros acidentes de trânsito. Alegava-se que o condutor precisava ser melhor preparado. Então “inventaram” um sistema burocrático, moroso e que, atualmente, se não houver reprovações, custa, à vista, mais de R$ 2,5 mil. Detalhe, não faz muito tempo, inventaram o tal do simulador, que, na prática, só onera ainda mais os custos. E sem resultados práticos.

Dirigir bem, ter responsabilidade no trânsito, ser cuidadoso, respeitar as leis, nada tem a ver com autoescola. A autoescola pode existir. Deve existir. Mas, em hipótese alguma, deveria ser obrigatória.

Quem tem mais de 40 anos, provavelmente tirou a carteira de habilitação de um jeito bem diferente. Eu, por exemplo, aprendi a dirigir com um tio. Motorista experiente, cuidadoso e muito generoso, em cerca de uma semana, me ensinou tudo que eu precisava.

Quando chegou o momento de tirar a CNH, procurei uma autoescola para cuidar da documentação. Recebi algumas orientações, fiz o psicotécnico, estudei sozinho para legislação e, antes do teste prático, contratei três aulas para pegar os macetes da prova de rua e da baliza. Pedi para usar o carro da autoescola na prova. Fui aprovado.

Tudo muito simples e rápido.

Entretanto, as regras mudaram. Hoje, são inúmeras aulas de legislação, outras tantas no simulador e, por fim, as aulas práticas.

Na teoria, isso pode ser lindo. Mas é totalmente desnecessário e não tem melhorado o trânsito das nossas cidades. O candidato faz todo esse longo percurso e, quando encara o trânsito do dia a dia, parece ser obrigado a aprender tudo de novo.

Numa época em que aceita-se que engenheiros, professores e até profissionais da gastronomia sejam formados na modalidade de educação a distância, nada justifica a obrigatoriedade de fazer todo o processo para tirar a CNH numa autoescola.

Só existe uma razão (não admitida pelas autoridades): o sistema foi feito para custar caro e beneficiar um setor econômico.

Para aqueles que gostam de comparar o Brasil com os Estados Unidos, vale dizer que, por lá, embora cada estado tenha suas próprias regras, é possível estudar a legislação de trânsito em casa, pegando as informações na internet, e não é necessário fazer aulas práticas. Além disso, todos os testes – teórico, de visão e direção – podem ser feitos num único dia. Ou seja, você entra no departamento de trânsito cedo e, no mesmo dia, está habilitado. Não passou? Pode tentar no dia seguinte e, se passar, a CNH fica pronta na hora. Custo baixo – cerca de 50 dólares.

E então? Nosso sistema é melhor que o deles?