Formação e especialização de professores

As políticas do (des)governo Michel Temer geralmente merecem críticas. E não é diferente quando o assunto é a educação. Entretanto, penso ser necessário dar um voto de confiança à nova política de formação de professores do Ministério da Educação.

Cá com meus botões, toda ação que privilegie a especialização dos docentes é muito bem vinda. A fala do ministro Mendonça Filho também me agradou:

“Pesquisas indicam que a qualidade do professor é o fator que mais influencia a melhoria do aprendizado. […] Isso significa que, independente das diferenças de renda, de classes sociais e das desigualdades existentes, a qualidade do professor é o que mais pode nos ajudar a melhorar a qualidade da educação.”

Tenho dito que os problemas da educação são variados. E a responsabilidade não pode ser atribuída unicamente aos docentes. Porém, é fato, um bom professor é capaz de fazer a diferença na formação e na vida dos alunos, mesmo que a sala de aula seja embaixo de um pé de manga.

Entre as propostas do MEC estão a residência pedagógica, o lançamento da Base Nacional Docente, a Flexibilização do Prouni e a abertura de novas vagas para formação, em nível superior, de professores pela Universidade Aberta do Brasil (na modalidade a distância) – além dos mestrados profissionalizantes.

Esse conjunto de ações, se bem gerido na ponta, pode ser eficaz. A residência pode ajudar os professores a ganharem experiência de sala de aula. O estágio atual é limitado e, por isso, não raras vezes, novos docentes assumem aulas totalmente despreparados. Por mais que a formação teórica seja fundamental, a sala de aula tem uma dinâmica própria. É muito fácil o professor ser “engolido” pelos probleminhas que aparecem. Então, aprender com gente experiente, que conhece os “atalhos” processo de ensino-aprendizagem, pode fazer a diferença.

Também penso ser muito bem vindo um documento que norteie o que o professor realmente precisa aprender, qual é a formação básica de um docente. A Base Nacional Docente pode deixar mais claro quais as diretrizes a serem seguidas pelas faculdades-universidades que oferecem cursos de licenciatura.

Quanto à flexibilização do Prouni, não há muito o que comentar. Afinal, se existe disponibilidade de vagas, por que não permitir o benefício da gratuidade numa segunda formação aos professores? Quanto mais eles estudam, melhor para os alunos.

A respeito das vagas pelo sistema Universidade Aberta do Brasil, trata-se de facilitar a formação de quem é professor, mas só possui o ensino médio. Lamentavelmente, isso ainda existe no Brasil. Cerca de 480 mil professores só tem o ensino médio; outros 6 mil, apenas o ensino fundamental. Dá para acreditar? Também serão oportunizadas vagas de mestrado profissionalizante.

O que pode colocar em risco o programa do MEC? A execução. No Brasil, infelizmente quase sempre há um descompasso entre o que está no papel e o que acontece na prática. O governo investir cerca de R$ 2 bilhões em bolsas para residências pedagógicas não é garantia alguma de que elas funcionarão. Quem executa, por vezes, gere mal os recursos e não está comprometido com o real propósito do programa. Da parte da clientela, também há certa displicência e, por vezes, apenas o interesse no benefício prático – o diploma. Não fiscaliza, não reclama…

Enfim, se realmente houver a implementação do programa por parte do MEC, seu sucesso – ou fracasso – estará diretamente relacionado às pessoas envolvidas (executores e clientela – professores ou futuros professores).

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A economia brasileira trouxe boas notícias nessa terça-feira, 4

Meu texto desta quarta-feira, 04, é quase um relato. Um breve relato, diria. E com um objetivo: fazer justiça ao que aconteceu ontem na economia.

A gente tem dado tanta notícia ruim sobre a economia do país que, quando alguma coisa boa acontece, parece que a informação fica escondida nas páginas dos jornais e até mesmo nas emissoras de rádio, televisão e sites de notícias.

Ontem, a cotação do dólar teve uma expressiva queda. A queda foi de 2,39% e a moeda americana fechou em R$ 3,77. É o menor valor desde 9 de outubro, quando encerrou em R$ 3,75.

Já a bolsa de valores teve a maior valorização deste ano. O ibovespa fechou em alta de 4,76%. E chama a atenção que a Petrobras foi uma das companhias que puxou positivamente a cotação da bolsa. A companhia, alvo da operação lava-jato, teve uma valorização de 12%. Outra companhia que disparou na bolsa nessa terça-feira foi a Hypermarcas, com ações valorizadas em 21%.

Mas tem ainda uma última boa notícia… A balança comercial brasileira fechou outubro com melhor saldo em quatro anos. As exportações superaram as importações em 1 bilhão e 996 milhões de dólares. Num momento de dificuldades econômicas, esse saldo positivo ajuda e muito a reduzir o saldo negativo em transações comerciais do país.

Portanto, acho que a gente pode começar esta quarta-feira um pouco mais animado. Talvez o dólar e a bolsa de valores não mantenham as tendências de ontem. Ainda assim, as notícias econômicas dessa terça-feira nos ajudam a acreditar que há chance das coisas melhorarem para todos nós.

Por que o PT quer a queda do ministro Levy?

Como governar o país quando até mesmo membros do governo não o apoiam e são contrários a quase tudo que está sendo feito?

Este é o cenário enfrentado pela presidente Dilma.

Sem apoio popular, com a base fragmentada no Congresso, um vice que está de olho na presidência e sob risco de impeachment, Dilma também não pode contar com o PT.

Nesta última semana, o presidente do partido, Ruy Falcão, pediu a demissão do ministro da Fazenda. Joaquim Levy é responsável por medidas impopulares. É quem está propondo uma série de cortes nos gastos do governo. E também é o principal articulador da nova CPMF.

O PT acha que o pragmatismo de Levy é um erro. E que o governo Dilma precisa de um novo ministro da Fazenda.

A grande pergunta que se faz é: quer trocar o ministro por quê? Para quê?

Está claro que o país está quebrado. Falta dinheiro para investimentos e até para os programas sociais. Não foi o Levy quem criou o caos. Eu até concordo que Dilma precisava de um ministro medalhão… Daqueles nomes poderosos da economia. Henrique Meirelles talvez seria o nome ideal. Mas, vamos ser claros: o ministro Levy não tem muito o que fazer diante da situação que encontrou. Ele pegou o país falido. Embora os cortes feitos, inclusive em programas sociais, sejam péssimos para o país, de onde mais o ministro poderia tirar dinheiro para fechar as contas do Estado?

O PT defende reduzir os juros. E isso seria ótimo. Mas o que fazer com a inflação que já está na casa dos 10%? Está provado que o modelo de crescimento dos últimos anos, baseado no estímulo ao consumo interno, chegou ao seu limite.

Cá com meus botões, tenho a impressão que o motivo para o PT pedir a queda de Joaquim Lévy é outro: o PT quer se salvar. O partido já entendeu o governo Dilma não tem salvação. Ao tornar públicas determinadas críticas, o PT quer descolar sua imagem da imagem de Dilma.

O problema é que, ao fazer isso, o PT contribui para afundar ainda mais o governo, que precisa de apoio para aprovar projetos que podem não pôr fim à crise, mas que talvez indiquem ao mercado que chegamos ao ponto de começar a sair do fundo do poço.

Enquanto Dilma demora para tomar decisões, o país sofre

A presidente Dilma embarcou nessa quinta-feira para os Estados Unidos. Ela foi participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. E como houve um impasse nas negociações com o PMDB, Dilma viajou sem definir a reforma ministerial. Adiou para semana que vem.

Gente, não é birra com a presidente. Mas às vezes tenho a impressão que ela está alienada de tudo, que não consegue ver o tamanho da encrenca em que está metida… Como ela pode viajar no meio de uma confusão danada, com dólar em disparada, com o país precisando de respostas urgentes?

Eu entendo que, na política, é preciso prudência, cautela. Mas o histórico da presidente mostra que ela não resolve, perde tempo demais.

Negociações, de fato, são demoradas. Porém, se as coisas não estão dando certo, é preciso avaliar quais são as prioridades. E a prioridade neste momento é salvar o país.

O dólar nessa quinta-feira recuou para R$ 3,99. Porém, a moeda americana segue sob forte pressão. A queda de ontem ocorreu após ter sido cotada a R$ 4,20. E só caiu em função das declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele afirmou que as reservas internacionais brasileiras podem ser usadas para segurar o dólar. A fala de Alexandre Tombini foi bem avaliada pelo mercado e o dólar recuou. Mas não há nenhuma garantia que não volte a subir. Até porque, até o momento, não existem medidas concretas.

Ou seja, é com esse cenário que a presidente viajou para os Estados Unidos e adiou a reforma ministerial. E sabe o que é pior? O imbróglio envolvendo o PMDB ocorre, entre outros motivos, por conta de trapalhadas. O governo oferece o ministério pra um, depois cogita entregar para outro… Isso tudo vai criando desconforto, descontentamento e ameaças de rupturas. Falta objetividade ao governo Dilma. Falta assertividade. E enquanto isso, a gente assiste a tudo, pagando uma conta que não deveria ser nossa.

A disparada do dólar e a incompetência do governo

O dólar bateu a casa dos 4 reais nessa terça-feira. Nesta quarta-feira, 23, já chegou a R$ 4,15. Um recorde histórico. E não há nada pra comemorar nisso.

Pelo menos, no final da tarde, após o Congresso sinalizar que pode votar as medidas de ajuste fiscal, a cotação da moeda americana caiu um pouco.

Eu não sou economista… E não vou falar aqui sobre o que significa essa cotação histórica do dólar para a economia do país. Quero falar um pouco sobre o que isso politicamente…

Nessa terça-feira, pudemos notar que o governo do PT não existe. Quer dizer, até existe. Mas não governo. O governo do PT desgoverna. E está levando o país para o fundo do poço. O problema é que ninguém tem ideia de quão fundo é esse poço.

Oposição e Congresso também são responsáveis pela total instabilidade econômica. A lógica do quanto pior melhor usada pela oposição tem dado certo. A economia está se esfacelando. E se o governo Dilma é incompetente, oposição e Congresso tornam a incompetência ainda mais evidente. Dilma não sabe negociar. E o PT não tem humildade pra reconhecer seus erros, muito menos para achar que podem existir ideias melhores, soluções melhores fora do PT.

Acontece que Dilma e seu time não são capazes de salvar o país. Estamos num estado que só um milagre parece colocar o país no rumo.

O governo é incompetente, a economia está com sérios problemas, o Congresso não age com responsabilidade e os brasileiros não toleram mais os erros de Dilma. É uma combinação bomba de fatores.

A saída para o Brasil passa hoje por dois caminhos: a queda de Dilma e seu time ou a disposição de lideranças políticas e empresariais de salvar o governo.