Alunos brasileiros não possuem habilidades socioemocionais

Os números do Brasil são pífios em avaliações internacionais a respeito da qualidade da educação. Passamos vergonha! Sempre.

No Pisa, que é uma avaliação que reúne 70 países, o Brasil ficou na 63ª colocação em ciências, na 59ª em leitura e na 65ª em matemática.

Esses resultados já são conhecidos há algum tempo. O que ainda não sabíamos é que, além de errar muito, parte expressiva dos alunos brasileiros sequer termina a prova. E mais, enquanto um aluno da Finlândia demora um minuto para ler e resolver uma questão, o aluno brasileiro demora três minutos.

Até nossos vizinhos na América do Sul são mais eficientes. Um aluno colombiano, por exemplo, leva dois minutos para resolver cada pergunta.

Um estudo realizado pelo Ph.D em Economia, Naercio Menezes, identificou que não apenas falta conhecimento e há falhas no aprendizado do conteúdo do aluno brasileiro.

Por aqui, a garotada também não possui as chamadas habilidades socioemocionais – por exemplo, perseverança, motivação e resiliência.

A moçadinha desiste fácil, não tem disposição para lutar, tentar, resistir diante das dificuldades.

E, neste aspecto, as famílias têm enorme responsabilidade. As escolas podem ajudar no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Porém, tudo começa em casa. Pais que não ensinam seus filhos a lidar com frustrações, a resolver os próprios problemas…

Pais que protegem demais, criam filhos frágeis.

O reflexo disso ocorre no processo de aprendizagem. Diante dos inúmeros desafios do ato de aprendizagem, a garotada desiste. Crianças, adolescentes e jovens querem o caminho mais fácil.

Acontece que essa moçadinha que não tem perseverança, motivação e resiliência vai ter problemas na vida adulta. Serão profissionais pequenos, mesquinhos e, por vezes, medíocres. Além disso, estarão mais sujeitos ao desemprego, a informalidade, a criminalidade e ao uso de drogas.

Podcast da Band News. 

Anúncios

32,9% dos trabalhadores brasileiros são autônomos: estratégia de sobrevivência

O Brasil aparece no ranking mundial como o terceiro país com maior número de trabalhadores autônomos. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, cerca de 32,9% da força de trabalho do país atua de forma autônoma.

Em países desenvolvidos como os Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra… Esse modelo de ocupação pode significar coisas positivas – tipo: empreendedorismo, flexibilidade e qualidade de vida.

No caso do Brasil, significa “luta pela sobrevivência”.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o trabalho autônomo, no Brasil, representa a tentativa das pessoas de se manterem ativas. Geralmente são trabalhadores desempregados em busca de alguma renda ou de gente que tenta complementar a renda.

E, por aqui, vou repetir: são 32,9% de trabalhadores atuando de forma autônoma. É muita gente.

Não é difícil compreender o cenário. No final de 2017, economistas e o governo brasileiro apostavam que seriam abertos 1 milhão de postos de trabalho neste ano. Hoje, acredita-se que 80% das vagas previstas não serão abertas. Apenas 200 mil empregos poderão ser criados.

Também não há perspectivas futuras. Estimava-se que o crescimento econômico pudesse chegar a 3% neste ano. Várias revisões já foram feitas e, hoje, a projeção de crescimento do PIB não passa de 1,5%.

A greve dos caminhoneiros, apoiada pela população, também contribuiu – e muito – para ampliar a crise do país. O Brasil produziu muito menos em maio, a inflação subiu e os prejuízos são bilionários – atingindo toda a população, mas principalmente a massa trabalhadora.

Tenho insistido em falar sobre essas questões, pois este é o Brasil real. O Brasil que precisa de respostas urgentes. Não apenas de discursos de efeito – moralistas, militaristas, mas vazios de propostas concretas.

Podcast da Band News. 

Brasil deve voltar ao Mapa da Fome

Entre os anos de 2003 e 2014, o Brasil desenvolveu diversas políticas de proteção social. A consequência foi a redução da miséria e, em 2014, o nosso país atingiu um feito inédito até então: deixou o Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas).

Aparecem no Mapa da Fome os países que tem mais de 5% da sua população ingerindo, diariamente, menos calorias do que o recomendável. Ou seja, estão fora do mapa aqueles países que conseguem garantir pelo menos o mínimo necessário de comida para que alguém sobreviva sem passar fome.

Mas o cenário está mudando. O economista Francisco Menezes, pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), faz parte do grupo de estudiosos que tratam dos números que resultam nesse relatório da ONU. E ele já aponta que o Brasil deverá voltar a aparecer no Mapa da Fome da ONU.

Segundo ele, nos últimos três anos, o Brasil segurou os investimentos em políticas de proteção social. Milhares de famílias perderam o emprego, o governo cortou muita gente dos programas sociais, inclusive do Bolsa Família. A construção civil, setor fundamental da economia, que gera muitos empregos para pessoas não qualificadas, também está estagnada.

Há um empobrecimento da população.

O número de famílias em situação de extrema pobreza voltou aos patamares de 12 anos atrás. Quem são as pessoas enquadradas como em situação de extrema pobreza? São aquelas que vivem com renda per capita de até 70 reais por mês.

O número de famílias em situação de pobreza, aquelas que vivem com até 120 reais, também voltou a crescer.

Um quadro como esse reforça a necessidade de a população escolher bem quem vai comandar o país a partir de 2019. Se o próximo presidente não tiver grande sensibilidade social, não priorizar políticas de combate à miséria, as condições de exclusão serão aprofundadas, ainda mais gente voltará a passar fome e, principalmente, nenhuma política de segurança pública terá sucesso.

Podcast da Band News. 

Medo do desemprego é o maior em 22 anos

A CNI, Confederação Nacional da Indústria, apresenta, mensalmente, um indicador que mede o medo do desemprego no país. E esse indicador atingiu um índice recorde, o maior em 22 anos. O nível de insegurança do trabalhador subiu 4,2 pontos e atingiu 67,9 pontos – um recorde.

A insegurança aumentou principalmente entre os homens. Para eles, o medo de perder o emprego subiu 5,6 pontos, contra uma alta 2,8 para as mulheres.

O maior receio entre os homens é justificado. Num país em que a cultura ainda é de um homem-provedor, aquele que coloca comida na mesa, estar desempregado significa expor a família a riscos.

O medo do desemprego é maior entre os trabalhadores do Nordeste brasileiro, mas também atinge os jovens com idade de 16 e 24 anos e afeta mais aqueles que ganham até um salário mínimo.

Esse índice recorde no indicador medido pela CNI se deve à falta de confiança na retomada econômica. O Brasil está há cinco anos passando por momentos muito difíceis na economia. Neste período, foram três anos de recessão, um crescimento medíocre em 2017 e, 2018, deve repetir o cenário do ano passado.

Michel Temer assumiu a presidência com o discurso de que tinha a receita para colocar o Brasil na rota do crescimento. Promoveu reformas importantes, mas acabou engolido pela naturalização na corrupção no seu governo, incompetência na gestão de crises, como a recente paralisação dos caminhoneiros – características que, em síntese, tiram toda credibilidade, tão necessária para o bom funcionamento da gestão pública e confiança dos investidores.

Podcast da Band News. 

Auxílio-moradia para juízes chega a R$ 1 bilhão

A gente precisa insistir no debate de um tema que me parece fundamental: o custo do Estado brasileiro.

No texto de ontem, falei sobre os salários do funcionalismo público. É necessário adequá-los à realidade do país e, principalmente, considerar que o brasileiro já paga impostos demais e quase tudo que se arrecada serve para pagar as contas do funcionalismo. Quase não sobram recursos para investimentos e outros setores (educação, saúde, segurança etc.).

Porém, existe um setor que consome um grande volume de recursos: o Judiciário.
Veja só isso: somente o auxílio-moradia para juízes já custou, neste ano, R$ 830 milhões de reais aos cofres públicos. Esse número vai chegar a R$ 1 bilhão até o início de agosto.

Em média, apenas o auxílio-moradia dos juízes custa R$ 139 milhões por mês aos cofres públicos.

E estamos falando de uma classe que possui um teto salarial de R$ 33,7 mil. Detalhe, o auxílio-moradia – que é de R$ 4,3 mil – e outros tantos benefícios são pagos por fora. Ou seja, os juízes acabam recebendo bem mais que o teto salarial.

Chega ser criminoso com a população. Afinal, cerca de metade dos trabalhadores brasileiros ganha menos de um salário mínimo.

Podcast da Band News. 

Salários ofertados em concursos públicos são incompatíveis à realidade do país

Logo no comecinho da manhã, ao ler algumas notícias do dia, encontrei a informação sobre os concursos públicos. Atualmente, estão abertas mais de 16 mil e 700 vagas, com salários iniciais que podem chegar a R$ 24,8 mil.

Certamente, essa é uma informação extremamente relevante para os concurseiros – gente que quer a segurança do serviço público.

Porém, enquanto lia a notícia, fiquei me questionando: como pequenas prefeituras do interior vão conseguir pagar salários de 13, 15, 18 mil reais – e até mais?

Prefeituras e Estados brasileiros estão com as contas comprometidas. Algumas, inclusive, têm pagado o funcionalismo em atraso. Grande parte das receitas são destinadas ao pagamento dos servidores.

Diante do cenário, parece-me ser fundamental repensar o tamanho dessa conta. Num país em que os salários médios são de pouco mais de R$ 2 mil, como o serviço público vai conseguir manter remunerações que ultrapassam R$ 20 mil?

Penso que os trabalhadores que já estão em prefeituras e outros tantos órgãos governamentais não devem sofrer nenhum tipo de prejuízo, corte salarial e nem mesmo ameaça de demissões. Entretanto, entendo que é fundamental rever a política salarial daqueles que estão entrando no serviço público atualmente. Não significa que os salários atuais sejam injustos; significa adequar as remunerações à realidade econômica do país e à situação financeira de municípios, estados e até mesmo da União. Se isso não for feito, nunca haverá espaço para redução da carga tributária e certamente faltarão recursos para investimentos em obras e serviços para a população.

Podcast da Band News FM

Apenas 11% dos brasileiros poupam para a velhice

Frequentemente, digo que a gente precisa viver intensamente o presente. Projetar demais o futuro pode nos fazer esquecer o agora.

Isso, porém, não significa abrir mão de um planejamento futuro. Tratar da aposentadoria, por exemplo.

Que pessoa, hoje, com 35, 40 anos, tem garantia de que vai aposentar pela previdência social? A previdência pública é deficitária. O governo está quebrado. E, com o envelhecimento da população, a situação tende a piorar.

Isso significa que não dá pra saber se vamos nos aposentar com 65, 70 anos… Muito menos, se o dinheiro da aposentadoria será suficiente para vivermos com dignidade.
Atualmente, o maior benefício pago pela Previdência a um trabalhador é de R$ 5,6 mil. É um bom dinheiro. Entretanto, pouca gente recebe esse valor. A média da aposentadoria do trabalhador da iniciativa privada é de R$ 1,3 mil.

Na prática, o cenário sugere que devemos poupar. É fundamental nos prepararmos para a velhice.

Acontece que, no Brasil, apenas 11% da população poupa para a velhice. Os dados são do Banco Mundial. É verdade que esse índice já foi bem pior. Em 2014, apenas 4% dos brasileiros faziam poupança para a aposentadoria.

Contudo, mesmo em países com mais garantias aos idosos, existe um maior comprometimento das pessoas em poupar para o futuro. Para se ter uma ideia, no ranking mundial, o Brasil aparece em 101º – quando o assunto é poupar para a velhice. Estamos atrás inclusive de países muito mais pobres que nós, como são os casos de Filipinas (26%), Bolívia (20%) e Mali (16%). Ou seja, a pobreza não é uma desculpa para não se preparar para a aposentadoria.

Ouça o podcast do comentário da Band News. 

Investimentos caem nas universidades federais; custo-aluno é de R$ 6 mil/ano

No Brasil, alguns setores são prioridade apenas no discurso. A educação é um dos principais exemplos. A educação brasileira carece de atenção em todos os níveis – da educação infantil ao ensino superior e pós-graduação.

Um levantamento bastante completo realizado pelo G1 nas universidades federais reforçou a convicção de que as políticas educacionais são uma grande falácia.

Nos últimos cinco anos, o investimento nas 63 instituições federais caiu 28,5%. Enquanto em 2013, foram aplicados cerca de 8 bilhões e 700 milhões de reais, neste ano, o orçamento previsto é de pouco mais de 6 bilhões.

Embora o dinheiro esteja encolhendo, mais vagas estão sendo abertas. O número de alunos cresceu 10% entre 2012 e 2016. No total, as universidades federais recebem 1 milhão e 72 mil estudantes.

Os cortes nos investimentos afetam as universidades de várias maneiras. As bolsas estudantis estão congeladas. Também ocorreram cortes nas contas de água e luz, serviços de limpeza, vigilância, corte de grama e manutenção dos prédios. As obras, construções e reformas foram reduzidas. E até os recursos para os restaurantes universitários foram afetados. Pelos menos os salários dos professores estão sendo preservados.

Particularmente, entendo que as universidades nem sempre fazem boa gestão dos recursos. Não há necessidade de motorista para transportar reitor, chefes de departamento etc. Também é possível otimizar as despesas de viagens e até de manutenção.

Porém, diferente do argumento privatista de alguns segmentos, o estudante brasileiro em uma universidade pública não custa caro ao Estado. Se fizermos as contas, dos 6 bilhões aplicados em 1 milhão de estudantes, temos exatos 6 mil reais por aluno – pouco mais que o custo de um dia de serviço de um deputado federal (eles custam 2 milhões de reais por ano aos cofres públicos; isso dá cerca de 5,5 mil reais/dia). Cada aluno universitário custa 500 reais por mês à União. Não é muito dinheiro.

Portanto, chega a ser criminoso tirar dinheiro da educação.

Podcast da Band News.