A economia brasileira trouxe boas notícias nessa terça-feira, 4

Meu texto desta quarta-feira, 04, é quase um relato. Um breve relato, diria. E com um objetivo: fazer justiça ao que aconteceu ontem na economia.

A gente tem dado tanta notícia ruim sobre a economia do país que, quando alguma coisa boa acontece, parece que a informação fica escondida nas páginas dos jornais e até mesmo nas emissoras de rádio, televisão e sites de notícias.

Ontem, a cotação do dólar teve uma expressiva queda. A queda foi de 2,39% e a moeda americana fechou em R$ 3,77. É o menor valor desde 9 de outubro, quando encerrou em R$ 3,75.

Já a bolsa de valores teve a maior valorização deste ano. O ibovespa fechou em alta de 4,76%. E chama a atenção que a Petrobras foi uma das companhias que puxou positivamente a cotação da bolsa. A companhia, alvo da operação lava-jato, teve uma valorização de 12%. Outra companhia que disparou na bolsa nessa terça-feira foi a Hypermarcas, com ações valorizadas em 21%.

Mas tem ainda uma última boa notícia… A balança comercial brasileira fechou outubro com melhor saldo em quatro anos. As exportações superaram as importações em 1 bilhão e 996 milhões de dólares. Num momento de dificuldades econômicas, esse saldo positivo ajuda e muito a reduzir o saldo negativo em transações comerciais do país.

Portanto, acho que a gente pode começar esta quarta-feira um pouco mais animado. Talvez o dólar e a bolsa de valores não mantenham as tendências de ontem. Ainda assim, as notícias econômicas dessa terça-feira nos ajudam a acreditar que há chance das coisas melhorarem para todos nós.

Por que o PT quer a queda do ministro Levy?

Como governar o país quando até mesmo membros do governo não o apoiam e são contrários a quase tudo que está sendo feito?

Este é o cenário enfrentado pela presidente Dilma.

Sem apoio popular, com a base fragmentada no Congresso, um vice que está de olho na presidência e sob risco de impeachment, Dilma também não pode contar com o PT.

Nesta última semana, o presidente do partido, Ruy Falcão, pediu a demissão do ministro da Fazenda. Joaquim Levy é responsável por medidas impopulares. É quem está propondo uma série de cortes nos gastos do governo. E também é o principal articulador da nova CPMF.

O PT acha que o pragmatismo de Levy é um erro. E que o governo Dilma precisa de um novo ministro da Fazenda.

A grande pergunta que se faz é: quer trocar o ministro por quê? Para quê?

Está claro que o país está quebrado. Falta dinheiro para investimentos e até para os programas sociais. Não foi o Levy quem criou o caos. Eu até concordo que Dilma precisava de um ministro medalhão… Daqueles nomes poderosos da economia. Henrique Meirelles talvez seria o nome ideal. Mas, vamos ser claros: o ministro Levy não tem muito o que fazer diante da situação que encontrou. Ele pegou o país falido. Embora os cortes feitos, inclusive em programas sociais, sejam péssimos para o país, de onde mais o ministro poderia tirar dinheiro para fechar as contas do Estado?

O PT defende reduzir os juros. E isso seria ótimo. Mas o que fazer com a inflação que já está na casa dos 10%? Está provado que o modelo de crescimento dos últimos anos, baseado no estímulo ao consumo interno, chegou ao seu limite.

Cá com meus botões, tenho a impressão que o motivo para o PT pedir a queda de Joaquim Lévy é outro: o PT quer se salvar. O partido já entendeu o governo Dilma não tem salvação. Ao tornar públicas determinadas críticas, o PT quer descolar sua imagem da imagem de Dilma.

O problema é que, ao fazer isso, o PT contribui para afundar ainda mais o governo, que precisa de apoio para aprovar projetos que podem não pôr fim à crise, mas que talvez indiquem ao mercado que chegamos ao ponto de começar a sair do fundo do poço.

Enquanto Dilma demora para tomar decisões, o país sofre

A presidente Dilma embarcou nessa quinta-feira para os Estados Unidos. Ela foi participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. E como houve um impasse nas negociações com o PMDB, Dilma viajou sem definir a reforma ministerial. Adiou para semana que vem.

Gente, não é birra com a presidente. Mas às vezes tenho a impressão que ela está alienada de tudo, que não consegue ver o tamanho da encrenca em que está metida… Como ela pode viajar no meio de uma confusão danada, com dólar em disparada, com o país precisando de respostas urgentes?

Eu entendo que, na política, é preciso prudência, cautela. Mas o histórico da presidente mostra que ela não resolve, perde tempo demais.

Negociações, de fato, são demoradas. Porém, se as coisas não estão dando certo, é preciso avaliar quais são as prioridades. E a prioridade neste momento é salvar o país.

O dólar nessa quinta-feira recuou para R$ 3,99. Porém, a moeda americana segue sob forte pressão. A queda de ontem ocorreu após ter sido cotada a R$ 4,20. E só caiu em função das declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele afirmou que as reservas internacionais brasileiras podem ser usadas para segurar o dólar. A fala de Alexandre Tombini foi bem avaliada pelo mercado e o dólar recuou. Mas não há nenhuma garantia que não volte a subir. Até porque, até o momento, não existem medidas concretas.

Ou seja, é com esse cenário que a presidente viajou para os Estados Unidos e adiou a reforma ministerial. E sabe o que é pior? O imbróglio envolvendo o PMDB ocorre, entre outros motivos, por conta de trapalhadas. O governo oferece o ministério pra um, depois cogita entregar para outro… Isso tudo vai criando desconforto, descontentamento e ameaças de rupturas. Falta objetividade ao governo Dilma. Falta assertividade. E enquanto isso, a gente assiste a tudo, pagando uma conta que não deveria ser nossa.

A disparada do dólar e a incompetência do governo

O dólar bateu a casa dos 4 reais nessa terça-feira. Nesta quarta-feira, 23, já chegou a R$ 4,15. Um recorde histórico. E não há nada pra comemorar nisso.

Pelo menos, no final da tarde, após o Congresso sinalizar que pode votar as medidas de ajuste fiscal, a cotação da moeda americana caiu um pouco.

Eu não sou economista… E não vou falar aqui sobre o que significa essa cotação histórica do dólar para a economia do país. Quero falar um pouco sobre o que isso politicamente…

Nessa terça-feira, pudemos notar que o governo do PT não existe. Quer dizer, até existe. Mas não governo. O governo do PT desgoverna. E está levando o país para o fundo do poço. O problema é que ninguém tem ideia de quão fundo é esse poço.

Oposição e Congresso também são responsáveis pela total instabilidade econômica. A lógica do quanto pior melhor usada pela oposição tem dado certo. A economia está se esfacelando. E se o governo Dilma é incompetente, oposição e Congresso tornam a incompetência ainda mais evidente. Dilma não sabe negociar. E o PT não tem humildade pra reconhecer seus erros, muito menos para achar que podem existir ideias melhores, soluções melhores fora do PT.

Acontece que Dilma e seu time não são capazes de salvar o país. Estamos num estado que só um milagre parece colocar o país no rumo.

O governo é incompetente, a economia está com sérios problemas, o Congresso não age com responsabilidade e os brasileiros não toleram mais os erros de Dilma. É uma combinação bomba de fatores.

A saída para o Brasil passa hoje por dois caminhos: a queda de Dilma e seu time ou a disposição de lideranças políticas e empresariais de salvar o governo.

Brasil: um doente terminal

Um doente diagnosticado como paciente terminal. Foi assim que o jornal britânico Financial Times classificou o Brasil numa reportagem publicada nesse fim de semana.
Ainda comparando o Brasil a um doente, o jornal definiu:

“os rins têm falhado; o coração vai parar em breve. A economia está uma bagunça”.

Segundo o Financial Times, diante de todo ambiente desfavorável, o sofrimento do Brasil está apenas no começo.

Sim, a economia do Brasil está uma bagunça. O pragmatismo do atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, parece não combinar com o governo Dilma, com o jeito petista de administrar. Não há sintonia. Joaquim Levy parece estar sozinho… E, pior, por ser técnico demais, o ministro não dá conta de agir politicamente, de saber se articular dentro de um governo que não quer fechar as torneiras. O ministro também tem sido infeliz ao se pronunciar publicamente.

Diante de cenário tão confuso, chama atenção o editorial da Folha de São Paulo desse domingo. O título resume tudo: última chance. Sim, a presidente Dilma talvez tenha alguns poucos dias para provar que pode concluir o mandato.

O jornal repete algo que eu disse na Metrô FM na semana passada: a presidente Dilma errou demais. Nas palavras do jornal, Dilma abusou do direito de errar. Desde que venceu as eleições, a presidente esgotou as poucas reservas de paciência que a população ainda tinha.

Para a Folha, se quiser salvar o mandato, Dilma precisa impor medidas extremas e apresentá-las ao Congresso. A Folha reconhece: sem aumento de impostos, o Brasil não escapa. E o Congresso, por sua vez, precisa deixar de futrica, de fazer politicagem e ajudar a salvar o país.

Cá com meus botões, é disso que eu duvido. Não confio na capacidade da presidente reagir, não consigo vê-la sequer em sintonia com sua equipe econômica. E confio ainda menos no Congresso. Comandado por Eduardo Cunha, na Câmara, e Renan Calheiros, no Senado, a lógica que impera por ali parece ser do “quanto pior, melhor”. E, por isso, sem boa vontade de ajudar o governo petista, o caminho parece ser mesmo o que aponta o Financial Times… Logo o coração vai parar.

PS. Este foi o meu comentário na Metrô 96.5 FM nesta segunda-feira, 14.