Conhecimento é para ser compartilhado

Muitos pesquisadores, professores universitários, resistem em expor suas ideias. Acabam por manter certos saberes restritos às universidades. Não falam, negam-se a participar do debate. Deixam de contribuir efetivamente com a produção do conhecimento.

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Como ensinar os filhos sobre a internet

Não dá para negar: nossos filhos sabem usar a internet muito melhor do que nós. Mas esse “sabem mais que nós” tem a ver com domínio técnico. Apenas isso. Cabe a nós orientarmos a mocadinha sobre o uso correto da rede. É sobre isso que falo neste novo vídeo.

 

Quem estimula o aprendizado é o professor

Quando o assunto é educação, não existem posições definitivas. Nem uma única forma de ensinar e/ou de aprender. Ser flexível, rever conceitos são atitudes fundamentais. Tanto ao pesquisador da educação quanto ao professor.

O educador também é um aluno. Por vezes, um aluno de seus alunos. Ouvir e aprender com eles é ser sábio. O professor não sabe tudo. Nunca saberá. Outras vezes, os sinais emitidos pelos alunos sugerem que é preciso rever a proposta pedagógica ou mesmo o jeito de ensinar. Manter-se fiel ao mesmos métodos, as mesmas fórmulas, é a receita do fracasso. Cada turma é única e aprende de um jeito muito particular.

Como pai de alunos, pesquisador da educação e professor, noto que alguns colegas ainda se incomodam com o desinteresse do aluno e o culpam por isso. Na tentativa de fazê-lo permanecer em sala e se envolver com o programa da disciplina, criam estratégias das mais variadas que tornam aquele espaço quase um quartel militar.

Recordo que quando comecei a dar aulas, era um desses professores dispostos a tudo pra manter o acadêmico em sala – ainda que não estivesse interessado em minhas aulas. Uns dois anos atrás, conversando com uma jovem, que havia sido uma das minhas alunas mais brilhantes, aprendi uma grande lição: a melhor maneira de fazer o acadêmico estar em sala é despertar nele o desejo pelo conhecimento que tenho a oferecer. O que eu digo, o que eu falo, o que eu ensino tem que fazer algum sentido. Eu tenho que oferecer algo que possa mexer com eles. Não é fazê-los rir. Professores não são humoristas. Porém, o encanto deve estar no conhecimento. O saber atrai.

Se o aluno percebe que o professor tem algo a oferecer e este saber pode lhe ser interessante, ele estará em sala. O conhecimento é o que deve estimular, não as ferramentas coercitivas.

Esta filosofia é transformadora. Por duas razões: reconheço minha responsabilidade em provocar o desejo pelo conhecimento ao mesmo tempo dou liberdade ao aluno de escolher se quer ou não aprender.

Admito, não é simples encarar os alunos e impactá-los. Mas confiar no que tenho para oferecer, ter domínio daquilo que vou ensinar me garantem autoridade para fazer com que cada aula seja especial.

A mudança de método me fez descobrir que o professor, ao demonstrar claro interesse em promover o conhecimento ao aluno, consegue aquilo que o docente preso aos esquematismos não consegue: salas cheias e alunos envolvidos.

O prazer maior diante de uma sala interessada, que não dorme durante a aula, é do próprio educador. Ganha o professor, ganham os alunos, já que estes descobrem que a aquisição do saber – ainda que seja um processo desgastante, cansativo – não deve ser por obrigação, mas por uma escolha consciente.

A conquista do mestrado

mestrado

Decidi escrever este texto muito mais como um registro pessoal do que como uma crônica de agradecimento ou comemoração. Talvez ninguém se interesse por ler. Ainda assim vai ficar aqui, no blog, como manifestação de alguns sentimentos após concluir uma etapa tão importante da minha formação.

Antes de ingressar no mestrado, tinha ouvido vários comentários sobre o quanto o processo é difícil, desgastante. Confesso que pensava haver certo exagero. Hoje, não sei bem o que dizer. Durante o percurso da pesquisa, achei que não daria conta. Caí no fosso da depressão em alguns momentos. Desistir nunca foi opção, mas não faltaram pensamentos negativos e desejo de entregar os pontos… Entretanto, hoje, após ter concluído, me questiono: será que foi mesmo tão difícil? Ou será que apenas superdimensionei as coisas ao longo desses últimos três anos?

Deixa eu explicar… Eu fiz um ano de mestrado como aluno especial. Cursei duas disciplinas em 2013. Na verdade, quatro. Isso porque fiz duas em Letras e mais duas em Educação, na época. Depois, participei da seleção para me tornar aluno regular, passei nos dois programas de pós e acabei optando por Letras. Por isso, conto que meu mestrado teve, ao todo, três anos.

Ao longo desse período, tudo foi muito complicado. Tive dificuldades na vida pessoal, na esfera profissional… Não foi nada fácil. Culpa do mestrado? Não necessariamente. Mas é impossível dizer que uma coisa não afeta outra. É assim em tudo na vida, né? Ninguém consegue isolar os problemas. Se você está com problema com os filhos, tudo mais fica complicado. Basta uma coisa fora do lugar para te aborrecer completamente.

O mestrado era um sonho pra mim. Teve uma época que eu sonhava, mas achava que era algo impossível, inatingível. Achava que nunca seria capaz de ser aprovado na seleção. São poucas vagas, o processo é desgastante… De fato, é preciso muito envolvimento, persistência e preparo para ser aprovado. Tinha medo de não conseguir… Mas deu certo. Passei. E em primeiro lugar em Letras e Educação.

Quando passei, descobri que se tornar aluno era a parte mais fácil. Há tantas demandas que, em alguns momentos, a impressão é que a gente é incapaz de dar conta de tudo. E, como eu disse, a vida da gente não é uma coisa só. Você tem o estudo, mas tem o trabalho também, tem a família… Quando menos percebe, está tudo misturado e parece que o mundo virou as costas pra você.

E uma coisa eu descobri nesses últimos três anos: a vida não para para você fazer mestrado. Não adianta reclamar que falta tempo, que está muito difícil… Cada dia é um dia, só tem 24 horas e a vida passa… Ninguém espera você dar conta de suas tarefas. As coisas estão acontecendo e você está estudando. Ou não.

Para quem está de fora, é difícil compreender isso. Pouca gente entende por que tantas horas de leitura, tanto tempo em frente ao computador… O que custa uma saidinha para comer uma pizza? Beber alguma coisa com os amigos?

Para quem está “dentro”, também é difícil aceitar abrir mão de “viver” para estudar tanto, escrever tanto e ainda assim perceber que todo esforço é insuficiente. E essa talvez seja uma das maiores angústias de um pós-graduando: você faz, faz e faz, mas parece ser nada. Na academia, o seu máximo parece ser muito pouco. Isso, muitas vezes, é desolador.

A trajetória da pesquisa por vezes também é solitária. Raras são as pessoas dispostas, e com tempo, para colaborar. Ou ao menos ouvir os lamentos. Quem está envolvido com o universo acadêmico (e que poderia te entender ou apoiar), quase sempre também não tem tempo. Quem é de fora, acha tudo uma doideira. Quase um desperdício de tempo e esforços.

A relação com o orientador é singular. Trata-se da pessoa mais envolvida no processo. E talvez por isso, como todo relacionamento, há o risco de as coisas não funcionarem como se espera. Não raras vezes, tudo que o orientando espera é apoio – às vezes, até “colo”; por outro lado, o orientador tem prioridades bem diferentes: precisa motivar a produção, o envolvimento com a pesquisa. E, para isso, nem sempre  age de maneira simpática, digamos assim.

Quer dizer… Essa dinâmica toda gera um desgaste emocional que nem sempre é possível administrar. Por isso, quando a gente conclui, defende a dissertação, é impossível não se sentir aliviado. Alguns quilos vão embora logo após a leitura da ata de aprovação. A sensação é mesmo única, uma vitória daquelas que a gente não esquece. Aos poucos, a vida vai voltando ao normal, o título conquistado é incorporado ao que você é e, como tudo na vida, novos desafios vão se impondo como necessidade – o doutorado, por exemplo (mas isso já é uma outra história).

A escola é um lugar para ensinar a pensar

Hoje eu quero tratar de uma reação que vi no Facebook que me preocupou muito. Deixa eu explicar… Eu gravei um vídeo (só espiar nos meus perfis) comentando sobre a importância da escola ser um espaço democrático, plural. Um lugar para o debate de ideias contraditórias. A escola como um lugar para ensinar a pensar.

O vídeo, que assino convidando os amigos a acompanharem o jornalismo aqui da Metrô, toma como referência um projeto que tramita na Assembleia Legislativa do Paraná. Um deputado quer impedir que os professores se manifestem livremente em sala de aula. Ele entende que os professores não podem doutrinar ideologicamente os alunos.

Pois bem… Primeiro, penso que os professores estão muito distantes de serem doutrinadores ideológicos. Segundo, se a escola não pode debater diferentes vertentes ideológicas, ela deixa de ter razão de existir.

Acontece que, diante dessa discussão, li comentários absurdos. Felizmente, as pessoas não me agrediram verbalmente. Mas, por outro lado, agrediram de maneira raivosa professores, a escola, o PT, o marxismo… E as pessoas que verbalizaram tais agressões fizeram isso sem nenhum conhecimento.

Me desculpe quem pensa diferente, mas como posso pensar uma escola sem discutir Marx, Weber, Durkheim??? Discutir Marx não é doutrinar ideologicamente alunos para criarem uma sociedade comunista. Discutir Marx em sala é oferecer uma outra maneira de ver o funcionamento das relações de trabalho, é compreender de maneira crítica o modo de produção capitalista.

E isso é função da escola sim. Mesmo em países de direita.

Quando alguém reduz a discussão ao âmbito político partidário, é porque não entende nada de educação. Os grandes pensadores da humanidade procuram explicar o funcionamento da sociedade, nosso jeito de ser, de se organizar, de viver… de fazer política. E até propõem formas de intervenção. Mas assegurar esse tipo de discussão na escola é garantir o direito pleno do cidadão pensar.

E eu estou assustado porque essa incompreensão do que significa a escola e a respeito dos conteúdos sobre os quais devemos conhecer… Essa incompreensão aponta que estamos retrocedendo. Não crescemos como democracia, muito menos entendemos o básico sobre liberdade de expressão. Tem gente alimentando um jeito fascista de ser e ver o mundo, defendendo que existe uma única maneira de compreender a sociedade e que esta seja verdadeira. Sinceramente, isso nos apequena, nos faz questionar se não estamos de volta ao cenário constituído pelo mito da caverna de Platão.