Pais, monitorem seus filhos na internet

​Quando o assunto é educação dos filhos, uma das coisas que mais insisto é que os pais monitorem o que os filhos fazem nos smarphones, computadores e dispositivos de jogos.

Nem tudo que a garotada pode ter acesso por meio desses equipamentos contribui para o desenvolvimento. Na verdade, muita coisa é nociva e prejudica a formação cognitiva, intelectual – e até mesmo a formação ética.

Entretanto, há outras razões para que os pais monitorem o que os filhos fazem nesses dispositivos.

A BBC Brasil publicou uma reportagem sobre um casal que descobriu que a conta bancária não tinha mais nada de dinheiro quando foi fazer uma compra e o cartão foi recusado. O que havia acontecido? Os filhos ganharam um jogo eletrônico – um de futebol, desses que é preciso comprar pacotes de jogadores para tornar a equipe mais competitiva. Os meninos ganharam o jogo e viram com o pai fez a compra.

Enquanto jogavam, compravam novos jogadores. Limparam a conta bancária. Felizmente, não havia tanto dinheiro. Os meninos gastaram cerca de 550 libras (em torno de 2,6 mil reais).

Felizmente, a empresa entendeu o que havia acontecido e devolveu o dinheiro pra família.

Situações como essa reforçam a tese que defendo: não podemos ignorar o que a garotada faz nos dispositivos eletrônicos.

Sei que nem sempre é fácil dominarmos tantas tecnologias. Porém, nosso desconhecimento coloca nossos filhos em risco e até toda a família.

Hoje, muitos crimes são cometidos a partir das informações disponibilizadas na rede ou até de contatos que parecem inocentes. Senhas são roubadas, cartões de crédito são clonados e contas bancárias são invadidas. Além disso, o caso desses meninos não é o primeiro: há outros relatos de crianças que gastaram dinheiro da família sem que os pais observassem – só após o estrago estar feito é que tomaram ciência do prejuízo.

Portanto, pais, aprendam a usar as tecnologias e não tenham receio de monitorar seus filhos. Isso não tem nada a ver com invasão de privacidade. Isso é educar. E quem ama, educa.

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Três lições da Amazon para nossa vida

A Amazon é hoje uma das companhias mais poderosas do planeta. Jeff Bezos, seu criador, se tornou o homem mais rico do planeta. Uma das coisas que chama minha atenção nesta empresa é a filosofia que a norteia. Bezos é um homem que enxerga para além das aparências e obviedades. E, o mais importante, não se referencia nos concorrentes. Ele tem um propósito e não se deixa influenciar pelo que as demais empresas estão fazendo.

Após ler uma entrevista de Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, fiquei pensando nas nossas práticas pessoais e também no modelo de gestão de muitos negócios aqui no Brasil.

Segundo Szapiro, “uma empresa que olha muito para o concorrente pode cair no erro de sempre estar melhorando um serviço que já existia, em vez de pensar em algo novo”. Ele também afirma que um sentimento norteia todas as pessoas que trabalham na companhia: elas vivem como se todo dia fosse o primeiro. Por fim, ressalta que trabalham o tempo todo com a perspectiva de que é possível melhorar a convivência, as ofertas e o catálogo da empresa. Para isso, estão sempre de olho nos próprios números da empresa e nos indicadores oferecidos pelos clientes; o olhar nunca é para o que a concorrência está fazendo.

Essa filosofia implementada por Jeff Bezos nos ensina muitas coisas – tanto para a vida pessoal quanto para os negócios. A primeira lição é a de que se olharmos demais o que as outras pessoas estão fazendo, perderemos a oportunidade de fazer as coisas que acreditamos que deveriam ser feitas. Faremos comparações e perderemos a chance de sermos autênticos. Às vezes, temos uma excelente ideia, mas, norteados pelo que os outros fazem, achamos nossa ideia idiota e a engavetamos. Abrimos mão de fazer algo novo, diferente, original.

A segunda lição vem desse sentimento de viver todo dia como se fosse o primeiro. Isso seria fantástico na vida de todos nós. Começaríamos o dia abertos para experimentar cada momento como único, sem o ranço das experiências já vividas, sem os vícios do passado, sem ficar repetindo “ah… já vi isso”, “ah… já fiz e não deu certo”… Viver todo dia como se fosse o primeiro faz com que experimentemos a alegria da existência; faz com que estejamos dispostos a aprender, a observar tudo de novo, nos mantêm alertas para os novos movimentos da própria vida.

A terceira lição que podemos aprender é de que sempre há espaço para melhorar. Isso não significa viver ansiosos, nem insatisfeitos ou frustrados. Significa celebrar tudo que a gente faz de bacana, mas entender que aquilo pode ser aperfeiçoado. É como um atacante de futebol após ser o artilheiro do campeonato: ele comemora, curte muito, mas avalia cada jogo e sabe que talvez haja espaço para ser ainda mais participativo na equipe, para marcar mais gols, para se tornar um atleta ainda melhor. Não há frustração, sofrimento, apenas o sentimento de que “eu posso fazer mais, ser ainda melhor”. E esse sentimento não é referenciado pelo que os outros estão fazendo, mas pelo que eu sou capaz de fazer.

Lições preciosas, não é? Acredito que a filosofia da Amazon explica muito do sucesso da companhia. Essa forma de pensar me encanta. Afinal, também acredito que não devemos referenciar nossas ações pelo que as outras pessoas fazem, devemos viver cada dia intensamento, como se fosse o primeiro e, por fim, sempre há espaço para fazermos melhor, sermos melhor.

Educar pelo exemplo

Os pais sonham com filhos bem educados. Creio que nenhum pai, nenhuma mãe quer ver seu filho, sua filha envolvido/a em algo ruim e nem mesmo sendo alvo de comentário depreciativos por não saber se comportar em determinados ambientes.

Entretanto, para que nossos filhos sejam pessoas de caráter, sociáveis, agradáveis, respeitosas, generosas, há necessidade de um investimento diário na educação deles. Ou seja, é preciso investir tempo na orientação da moçadinha. Eles carecem de explicações, disciplina adequada… Muitas palavras precisam ser gastas.

Porém, existe algo ainda mais importante que as orientações verbais: o exemplo. Nada é mais poderoso na educação de nossos filhos que os nossos exemplos. Aquilo que somos em nosso dia a dia é observado e assimilado pelas crianças. Se o que falamos for incoerente com nossas práticas, todo investimento na educação dos filhos será jogado fora.

A leitura nos liberta da ignorância

Esbarrei horas atrás com um breve texto do amigo Nailor Marques Jr sobre a leitura. Ele dizia:

“Por que ler é importante? Porque, na verdade, é o único diferencial competitivo. […] A leitura profunda e de qualidade coloca o ser humano de encontro com ele mesmo de um jeito único”.

E o professor completa:

“A pessoa reaprende a pensar, a emitir opinião… […] a se calar”.

Eu tenho sustentado que existe sim uma hierarquia de conhecimentos. Existem pessoas (algumas poucas) que possuem conhecimento e outras que apenas possuem opiniões vazias (a maioria) e as que defendem como se fossem verdades.

O que ajuda as pessoas a efetivamente ter opiniões fundamentadas é a boa leitura. E quando falo de boa leitura, falo de leituras em profundidade. Não de textos fakes que circulam no whatsapp, videozinhos, compartilhamentos de sites/blogs duvidosos que rolam por aqui no Facebook.

Sim, caríssimos/as, a leitura nos liberta da ignorância.

Jovens são massa de manobra?

Os jovens e adolescentes são idiotas? Idiotas úteis? Massa de manobra?

Tenho dois filhos; o mais velho, com 22 anos e no quarto ano da universidade; a mais nova, 18 anos e no primeiro ano de faculdade. Trabalho com jovens no ensino superior há 14 anos e, por dois anos, convivi com dezenas de estudantes de ensino médio e cursinho. Acho que conheço, por experiência própria, um pouco deste público – além disso, sou pesquisador em Educação. Sinto ter certa autoridade para falar de jovens e adolescentes.

Então, voltando as perguntas iniciais, posso garantir que a moçada pode até ser idiota, às vezes. Afinal, todos nós, vez ou outra, somos. Entretanto, uma coisa que jovens e adolescentes não são é massa de manobra. Por ingenuidade, inexperiência, fragilidade emocional, formação educacional inadequada, nem sempre agem de maneira inteligente; mas não são facilmente manipulados, principalmente por adultos.

Jovens e adolescentes escutam youtubers, influencers. Escutam gente que se parece com eles. Por outro lado, pais, professores, padres, pastores são quase sempre vistos com desconfiança, tidos como inadequados e chatos. A maioria deles também não gosta de política e não acredita nas estruturas de poder. Por isso, quem afirma que jovens e adolescentes são idiotas úteis, massa de manobra de professores, demonstra total desconhecimento deste público.

Jovens e adolescentes se apaixonam por causas, por bandeiras ou, simplesmente, são alheios a tudo que pode parecer relevante para nós, adultos. Poucas coisas são mais importantes que a luta deles pela liberdade de suas subjetividades; querem ser reconhecidos como pessoas que sabem o que querem, que são donas do próprio nariz. Geralmente erram por não ouvirem gente mais experiente, mais vivida.

Nos colégios e universidades, professores não conseguem ser ouvidos; por vezes, sequer são respeitados.

Vivemos hoje uma crise de autoridade. Não há espaço para manipular ou doutrinar um adolescente ou jovem em sala de aula. Quando um professor tenta direcionar o olhar dos alunos para uma determinada perspectiva ideológica, a maioria percebe, resiste e passa a agir de maneira crítica – e até explicitamente desrespeitosa – com aquele educador.

Adultos que têm adolescentes e jovens em casa sabem que não é nada fácil fazer com que sigam certas orientações ou façam o que lhes foi determinado; sem ameaça ou pressão, eles só fazem o que querem, o que acreditam ser importante e necessário fazer. Também sabem o quanto são desconfiados em relação aos professores, aos discursos de autoridades institucionalizadas. Ou seu filho é diferente? Passivo? Cordeirinho que segue todas as ordens?

Não, meus caros, jovens e adolescentes não são idiotas úteis – até poderiam ser idiotas inúteis (como nós adultos, em algumas situações). Contudo, reafirmo, algo que eles não são, é massa de manobra.

O conhecimento é resultado do esforço individual

A gente vive numa sociedade em que o dinheiro pode comprar tudo, exceto o conhecimento. É fato que o dinheiro pode até assegurar o acesso às melhores escolas, universidades e cursos. Porém, o saber adquirido é resultado do esforço individual.

Posso ter os melhores professores do planeta. Contudo, nunca serão capazes de transferir para mim o que eles sabem. Sou eu, e apenas eu, que posso adquirir o conhecimento. Para isso, preciso querer, desejar, me abrir e me empenhar em aprender.

Isso evidencia que o conhecimento é uma riqueza de outra natureza. Não se compra com dinheiro. Adquire-se por meio de uma atitude pessoal, individual! Não dá para transferir essa tarefa para um terceiro.

O conhecimento é fruto exclusivo de um esforço meu e de uma paixão que não se esgota.

E a paixão é necessária para o mover-se em direção ao saber. Porque o processo é desestabilizador, desgastante e requer uma energia que nem mesmo o trabalho demanda.

Só dá conta de acessar o conhecimento quem encontra prazer no mundo do saber. Quem compreende que esta é a maior riqueza humana, aquela que ninguém pode tirar.

Sabe o que é mais incrível? O conhecimento é o único patrimônio que, quanto mais é dividido, mais cresce. Eu não empobreço quando ensino. Eu enriqueço junto com quem aprende comigo. E o mundo se torna um lugar melhor para viver.

Ninguém quer se sentir um mero executor

Um dos erros frequentes dos gestores da velha guarda é ignorar que as pessoas que estão em seu entorno são capazes de pensar. De pensar por si mesmas.

Chefes do passado, mas que estão espalhados em várias empresas, querem que seus subordinados sejam seus olhos e seus braços. O cérebro segue sendo o deles.

Nessas empresas, predomina a máxima de que tudo que se faz e como se faz deve refletir o espírito do dono.

Contudo, o mundo contemporâneo é o mundo em que as pessoas desejam ser autoras de suas histórias. Quando confrontadas com a vontade imperativa de um chefe que tenta perpetuar a mentalidade dele, sentem-se agredidas intelectualmente.

Ninguém quer se sentir um mero executor.

Vivemos um tempo em que desejamos ver um pouco de nós naquilo que é feito. Isso ocorre porque uma das lutas dos sujeitos na contemporaneidade é pela subjetividade; e esta se dá na construção de uma identidade.

Na identidade do sujeito parece não haver espaço para a ideia de que ele está na empresa apenas para fazer o que é mandado; tampouco que deve agir como se fosse o dono – afinal, ele sabe que não é.

Na verdade, o sujeito deseja ter um jeito próprio de atender, de negociar, de tratar as pessoas…

O colaborador quer dar uma ideia e ver a ideia acolhida, implementada…

A gente vive numa sociedade que as pessoas querem ser notadas… Sentirem-se únicas!

Observemos o que acontece nas redes sociais: a gente publica, escreve, curte, interage, faz selfie… Por quê? Porque cada vez que a gente posta nas redes é como se disséssemos “eu existo; estou aqui; me veja; eu sou alguém!”.

Numa empresa que impõe o olhar do dono, a identidade do sujeito é massacrada. Ele se sente alienado, ignorado. É como se não importasse. Isso cria insatisfação e distanciamento e, por consequência, pouco envolvimento.

Os bons gestores conseguem identificar os talentos e são bem sucedidos não porque a empresa assume a cara deles, mas por conseguirem ter o melhor de cada colaborador e somar todas as habilidades, aptidões e ideias no desenvolvimento do negócio.

Gestores dinossauros

Os conflitos nos modelos de gestão corporativa são bastante comuns. Principalmente num tempo em que as rupturas são constantes e há poucas certezas. Nada se faz como se fazia há 20, 40 ou 100 anos. Tudo é fluído.

E não se trata apenas de demandas que surgiram em função da legislação. As mudanças ocorrem por um conjunto de variáveis. Entre elas, a quantidade de informações, as tecnologias digitais, a profissionalização por meio da educação continuada, as exigências do público consumidor.

Tudo isso faz com que as pessoas que estão no comando sejam pressionadas a se atualizarem.

Entretanto, o processo não é tão simples.

É difícil esperar que alguém que está numa determinada função há 30 anos se atualize. É comum que gente que está no mercado há muito tempo, principalmente em posições de gerência, coordenação, chefia, sustente-se no argumento de que possui mais experiência que os demais e sabe quais são as melhores estratégias.

O problema é que pouca coisa que se fazia no passado ainda tem valor hoje. As pessoas não são as mesmas, as expectativas são outras e o conjunto de procedimentos adotados precisa ser renovado.

A insistência naquilo que dava certo gera descompasso com o mundo contemporâneo. Às vezes, o negócio até se sustenta financeiramente, mas fica estável – não cresce, não se desenvolve e, o que é pior, geralmente afasta os bons talentos.

Gente com cabeça aberta, que dialoga com as novidades de mercado, quase sempre gosta de experimentar, inovar – ainda que corra o risco de errar. É gente que observa as tendências e tenta incorporá-las. Procedimentos históricos podem até ser funcionais, mas não são atrativos. Por isso, esses profissionais entram em choque com os modelos antigos de gestão. São pessoas que pensam por si mesmas – algo que não é bem aceito pelos velhos administradores.

E como será o futuro dos dinossauros das empresas? Vão quebrar? Alguns sim. Mas não todos. Muitos apenas perderão a oportunidade de se tornarem referência entre lideranças que se adaptam e dão exemplo de como viver o novo mundo se cria e recria a cada dia. Serão ilhas, não de excelência – apenas daquela antiguidade saudosista que insiste que o passado parecia melhor que o presente.

Ps. E o presente não é nem melhor nem pior que o passado; é apenas isso: o presente.