Sempre é possível aprender mais

Prefere ouvir? Dê o play e ouça o podcast!

Estimular que as pessoas leiam mais, estudem mais, aprendam mais faz parte da minha rotina. Acho até que sou repetitivo e um pouco chato por insistir tanto nisso. Entretanto, tudo que fazemos pode ser aperfeiçoado e tornar-se melhor a partir do nosso investimento diário na busca por saber mais.

Veja só…

Cozinhar, parece-me, um dom. Mas, observe: as pessoas que nos surpreendem com seus pratos são justamente aquelas curiosas que conversam sobre receitas, pesquisam receitas, experimentam novos ingredientes, novos temperos… Ou seja, toda grande cozinheira também é uma grande pesquisadora.

Na construção civil, o pedreiro exerce uma atividade bastante técnica. E, se manusear bem as ferramentas, compreendendo a necessidade de respeitar medidas, proporcionalidade e usar os materiais adequados, com tempo e repetição das mesmas ações, certamente fará um trabalho bastante satisfatório.

Contudo, um bom pedreiro, se for curioso e desejar aprender mais, pode descobrir técnicas novas, soluções inovadoras na construção civil. Ganha ele, ganha o cliente. Vai se destacar na profissão, ser cada vez mais procurado e valorizado em sua remuneração.

Em todas as áreas, a lógica se repete. Quanto mais investimos em conhecimento, maior é nosso repertório. Com isso, tornamo-nos profissionais com habilidades amplas e capacidade para oferecer respostas diferenciadas e surpreendentes para nossos contratantes. Além disso, é gratificante aprender algo novo. Faz bem para o ego e nos estimula a querer crescer cada vez mais.

Portanto, tire um tempinho todos os dias para aprender um pouco mais. Seja para aplicar na cozinha, na limpeza de uma casa ou mesmo na liderança de sua empresa, sempre há espaço para novos conhecimentos, sempre é possível inovar.

Quatro razões para você ler todos os dias

Prefere ouvir? Dê o play e ouça o podcast!

Nem todo mundo tem o hábito da leitura. Mas hoje quero te apresentar quatro motivos para você inserir a leitura na sua rotina diária.

Primeiro, ler turbina o cérebro. Ou seja, a leitura melhora a função cerebral. A leitura diária melhora as habilidades de memória e pensamento crítico. As atividades de leitura também estão associadas a um risco menor de Alzheimer.

Segundo, a leitura reduz o estresse. A vida moderna é estressante. Os problemas diários nos esgotam e colocam o cérebro em ritmo acelerado e, por vezes, causam ansiedade e até quadros depressivos. A leitura de um livro cativante pode te levar para outros lugares, ajudando a desligar-se da vida angustiante. Por atuar numa área importante do cérebro que trabalha com a imaginação, a leitura produz boas emoções, auxiliando na redução do estresse e da ansiedade.

Terceiro, a leitura pode ajudar a entender melhor as outras pessoas. A boa literatura apresenta diferentes personagens e uma complexidade de perfis psicológicos. Quando entramos na vida dessas pessoas, ainda que por meio de personagens fictícios, temos um vislumbre de como as outras pessoas pensam e as razões de agirem como agem. Ou seja, por meio da leitura, temos a chance de entender melhor o comportamento de outras pessoas e, com isso, desenvolvemos a empatia.

Quarto, a leitura melhora o sono. Gente, a leitura é um santo remédio. Quer dormir melhor? Escolha uma boa história e leia um pouco antes de dormir. Sua noite será muito mais calma e você rapidamente pegará no sono. Eu mesmo uso essa estratégia com certa frequência. Minha mente é muito inquieta e, quando não leio, demoro demais para pegar no sono. A leitura, no entanto, acalma minha mente. Pela necessidade de concentração e pelo efeito que produz levando minha mente para outros mundos, quando paro de ler, deito e durmo profundamente.

Enfim, por esses e outros motivos, que certamente ainda vou falar aqui, leia um pouco todos os dias. Vai te fazer bem!

O cérebro, a leitura e as tecnologias digitais

Prefere ouvir? Dê o play e ouça o podcast!

Está mais do que provado que a leitura é uma estratégia poderosa para turbinar o cérebro. Além dos inúmeros benefícios que a leitura traz para nossa vida, ela também mantém as conexões neurais ativas e participa de um processo importante conhecido como plasticidade neural.

Entretanto, o uso das tecnologias digitais preocupa inúmeros pesquisadores. Embora as telas sejam fundamentais no nosso dia a dia, elas têm roubado nossa atenção e já existem pesquisas apontando que, no Brasil, em média, as pessoas chegam a ficar mais de dez horas por dia diante das telas.

Isso tem efeitos sobre nossa saúde física e emocional. Mas também há consequências para o cérebro, que se torna mais preguiçoso, ansioso e distraído. Os efeitos negativos sobre a capacidade de ler e compreender um textos são enormes. A pesquisadora Maryanne Wolf explica que “a organização dos circuitos do cérebro leitor pode ser alterada pelas características singulares da mídia digital, particularmente nos jovens”.

De certa forma, o uso excessivo das tecnologias digitais produz um desarranjo nos circuitos cerebrais, reconfigurando nosso cérebro. E ainda que existam certos benefícios, como o aumento da habilidade de ver várias coisas ao mesmo tempo, a perda do pensamento profundo, da concentração e de fazer conexões estão entre os principais prejuízos para o cérebro.

Justamente por isso pesquisadores como Maryanne Wolf ressaltam que, desde a infância, os pais precisam estimular os filhos a lerem livros. E, preferencialmente, livros impressos, de papel. O contato com a obra num formato material, paupável, produz benefícios para o cérebro que vão além dos benefícios da leitura. Entre eles, da percepção de continuidade e contexto.

Segundo ela, “haverá profundas diferenças em como lemos e em como pensamos, dependendo dos processos que dominam a formação do circuito jovem de leitura das crianças”.

Por isso, recomenda-se que, nos primeiros anos de vida, as crianças tenham acesso ao mínimo possível de telas… E, enquanto as crianças não leem sozinhas, que os pais leiam para os filhos. Isso desenvolve a imaginação e a criatividade das crianças, além de estabelecer vínculos afetivos profundos entre pais e filhos.

Professor que não estuda não é professor

Prefere ouvir? Ouça a versão em podcast!

A escola é um espaço fundamental para o desenvolvimento humano. Tudo o que acontece na escola – seja nas séries iniciais ou mesmo na faculdade, pós graduação, mestrado e doutorado – afeta a vida das pessoas de maneira profunda. E, por isso, a educação precisa ser tratada com muita seriedade.

Uma das coisas determinantes na educação é a formação do professor. E embora isso comece pelas instituições frequentadas e a qualidade do ensino recebido pelos futuros professores, tem muito mais a ver com a atitude de quem se dispõe a ser professor ao longo de toda a sua carreira.

Costumo brincar: quer ser professor? Precisa estudar todos os dias!

Antes de ser professor, o professor é um eterno aluno. Quem escolhe a profissão, mas não estuda todos os dias, raramente lê um livro, não é professor. Engana o aluno e está enganando a si mesmo. Quem entra numa sala de sala sem esse investimento rotineiro na própria formação, é incapaz de oferecer algo vibrante para seus alunos.

Costumo ouvir, com mais frequência do que gostaria, que os alunos andam muito desinteressados. Isso é verdade. Mas também é verdade que muitos professores são incapazes de surpreender seus alunos com o conhecimento.

O conhecimento encanta. Mas… estou falando de conhecimento. Num período em que, num clique, o aluno tem acesso a inúmeras aulas no Youtube e noutras plataformas, o educador deve ter algo relevante a oferecer.

Quando o professor tem muito para ensinar, o aluno para para ouvir. Percebo isto na minha própria rotina. Depois de 16 anos dando aulas, noto que o investimento que fiz no mestrado e no doutorado – cursados após minha estreia na docência -, mas, principalmente, em função do meu encantamento pelos livros, resulta em aulas mais empolgantes e, o que é melhor, num engajamento muito maior dos alunos.

Observo a mesma coisa com colegas com outros colegas. Os alunos comentam sobre aqueles que “sabem muito”. Por outro lado, sei que, infelizmente, existem professores – das séries iniciais ao ensino superior – que se alimentam apenas do senso comum e amparam seus argumentos em conteúdos antigos na formação universitária e em livros didáticos com aulas pré-prontas. Raramente atualizam suas aulas. E ainda mais raramente investem em aprender coisas novas por si mesmos.

Conheço professores que investem tempo em tudo, mas raramente pegam um livro para aprender coisas novas.

Sei que a vida de todo mundo é corrida demais e tirar meia hora para a leitura, por exemplo, não é tão simples. Entretanto, também sei que, com disciplina e melhor organização das rotinas, é possível estudar um pouquinho todos os dias. E, para quem faz semanas que não estuda nada novo, 15 minutos diários já fazem uma diferença enorme.

Gente, para o professor e para qualquer profissional, não existe conhecimento perdido. Tudo o que você aprende, seja da sua área ou não, ajuda a ver melhor o mundo, amplia os argumentos e cria possibilidades inclusive de dialogar com diferentes gerações e classes sociais. E isso tem efeito na qualidade do trabalho e nas conexões que o profissional pode fazer.

Portanto, se você é professor ou não, estude sempre! Vai te tornar um profissional melhor e uma pessoa muito mais interessante – daquelas que a gente gosta de ouvir.

Nada mais é previsível

Prefere ouvir? Dê o play no podcast!

O fim da idade média e o início da idade moderna trouxe uma das mudanças mais profundas no modo de vida humana: acabou a estabilidade. Durante centenas de anos, o jeito que os avós e bisavós viviam era o jeito que as pessoas viveriam e também os seus filhos. A modernidade pôs fim a isso.

Porém, se as mudanças passaram a fazer parte da sociedade, causando incertezas e insegurança, a era digital acelerou o processo de mudanças. Agora, você não tem certeza sequer se a blusa que você comprou na loja hoje estará na moda no ano que vem.

E as novidades estão em todos os lugares. Nos objetos que fazemos uso em nosso cotidiano, nos softwares que utilizamos para trabalhar e até mesmo na reconfiguração do mercado de trabalho.

O sociólogo da modernidade líquida, Zygmunt Bauman, afirma no livro 44 cartas do mundo líquido moderno que “as circunstâncias que nos cercam – com as quais ganhamos nosso sustento e tentamos planejar o futuro (…) também estão sempre mudando”.

Ainda esta semana, ao conversar com meus novos alunos de jornalismo e publicidade e propaganda , ressaltei: se vocês compreenderem que as técnicas que aprenderão na faculdade estarão defasadas no dia seguinte que deixarem o curso, vocês terão sucesso no mercado de trabalho.

E por quê? Porque as técnicas mudam, as profissões mudam.

Fazer um curso superior segue sendo fundamental. Mas não pelas técnicas que aprendemos. Segue fundamental pela abertura para novos mundos da intelectualidade e para romper com as explicações do senso-comum. Afinal, o pensamento profundo é valioso em qualquer tempo da história – inclusive para adaptar-se à lógica ilógica das constantes mudanças.

Portanto, meu amigo, minha amiga, se você se sente inseguro no mundo pela ausência de certezas, compreenda de uma vez por todas: a previsibilidade já não nos pertence mais. Caminhamos tateando no escuro tentando não tropeçar nas inúmeras novidades que nos cercam, buscando formas de seguirmos em frente em direção ao desconhecido.

A leitura não é natural para os humanos

Prefere ouvir? Dê o play no podcast!

Gente, eu sou apaixonado pelos livros. Leio todos os dias! E faço isso há muitos anos. Leio livros cristãos, leio os clássicos, literatura comercial e, claro, o que mais gosto: a produção filosófica e científica dos grandes pensadores da atualidade. Só nos dois últimos anos, acumulei mais de 100 livros lidos.

Entretanto, você sabia que a leitura não é algo natural para o ser humano? Os seres humanos não nasceram para ler. Eu brinco que algumas coisas vieram de fábrica, mas a leitura não. Talvez isso explique por que a leitura é tão difícil para tantas pessoas. A pesquisadora Maryanne Wolf afirma que “a aquisição do letramento é uma das façanhas epigenéticas mais importantes do homo sapiens”.

Incrível, né? Nosso cérebro é maravilhoso! Nós aprendemos a ler!

E, veja só, ao introduzirmos a leitura em nossos hábitos, as estruturas do nosso cérebro foram mudadas. Aprender a ler bem e em profundidade mudou as estruturas do nosso cérebro, as conexões do cérebro… E isso teve efeitos sobre a natureza do pensamento humano.

Com a aquisição da leitura, e a possibilidade de uma leitura profunda, nossa capacidade de pensar se ampliou. Foi potencializada, digamos assim. Afinal, quanto mais informações de qualidade nós adquirimos por meio da leitura, mais inferências, deduções conseguimos estabelecer por meio dos pensamentos. Até mesmo a análise dos fatos se torna muito mais rica.

Maryanne Wolf afirma que a “qualidade de nossa leitura não é somente um índice da qualidade de nosso pensamento, é o melhor meio que conhecemos para abrir novos caminhos na evolução cerebral de nossa espécie”. Ou seja, se investimos com seriedade num programa rotineiro de leitura, temos a chance de alimentar o desenvolvimento do cérebro, estimulando e mantendo ativas as conexões neurais.

Noutras palavras, nossos neurônios são exercitados por meio da leitura. E, com o aumento do repertório proporcionado pela leitura, a qualidade do pensamento se distingue. A leitura é a única forma de enriquecimento do nosso cérebro.

Muita gente admira os intelectuais. E embora os intelectuais possam ter algumas habilidades diferenciadas, na maioria dos casos, são apenas pessoas que investiram profundamente na leitura e isso as tornou brilhantes, donas de ideias invejáveis.

Portanto, se você ainda não é leitor(a), comece hoje! Não esqueça que a própria Bíblia lembra que “bem-aventurado é aquele que lê”.

As quedas ensinam, mas não ensinam a todos Saber+

Muita gente quebra a cara, mas nunca aprende. Por quê?
  1. As quedas ensinam, mas não ensinam a todos
  2. Aceite os seus dias tristes
  3. Faz bem importar-se com os sentimentos do outro
  4. Nossas carências podem nos colocar em perigo
  5. Nossas expectativas referenciam o nosso prazer ou desprazer diante da vida

O preconceito nosso de cada dia

Muita gente nega a aceitar que existem preconceitos no Brasil pela ausência de agressões visíveis. Num país complexo e diversificado como o nosso, alimenta-se certa ilusão de que as relações são harmônicas e as atitudes preconceituosas não passam de episódios pontuais. Entretanto, o que nem sempre conseguimos explicar e/ou expressar é que frequentemente o preconceito se trata muito mais de um critério de avaliação e/ou julgamento do que uma ação de violência mensurável contra o outro. E, nesse sentido, a própria escola falha em suas práticas pedagógicas. 

Vou tentar exemplificar. Meses atrás, uma mãe me contou um episódio ocorrido na sala de aula. A professora, com a maior boa vontade de tentar motivar um garotinho a estudar, declarou diante de todas as crianças da turma: 

– Menino, você precisa estudar! Ou quer acabar sendo um lixeiro? 

Tenho quase certeza que a professora não pretendia ser maldosa. Mas a intenção dela de motivar o aluno a se empenhar nos estudos acabou por revelar uma espécie de preconceito. Quem seria o gari, na ótima dela? Uma pessoa punida pela vida por ter se esforçado pouco e não ter estudado o suficiente. 

Também acredito que se perguntássemos para essa professora “você tem algum preconceito contra os garis?”, dificilmente ela admitiria isso. Porém, o discurso dela indica uma forma de hierarquizar, categorizar as pessoas. E esse tipo de preconceito está entranhado em cada um de nós. 

Pensemos em algumas situações cotidianas. 

O profissional de Recursos Humanos está fazendo a seleção de algumas jovens para trabalharem no atendimento presencial de clientes. A candidata a ser contratada terá que ser ágil, simpática, desinibida e promover a imagem da empresa. Durante as entrevistas, uma moça obesa pleiteia a vaga. Ela tem boa formação, parece reunir as habilidades cognitivas e emocionais necessárias. Porém, uma outra candidata reúne habilidades semelhantes e é magra, tem corpo de atleta. Como regra (ainda que existam exceções), a moça magra será contratada.

Situações semelhantes ocorrem em processos seletivos que envolvem pessoas jovens e mais velhas, negros e brancos, homens e mulheres, tatuados e sem tatuagem etc. Nos relacionamentos, situações semelhantes ocorrem.

Dias desses, conversava com uma amiga gaúcha e ela brincava sobre preconceitos reproduzidos pelas pessoas que são naturais da região dela. Em resposta, brinquei que “adoro os gaúchos; só não queria que minha filha casasse com um deles”. De fora, talvez alguns de nós, do Paraná e de outras regiões do Brasil, alimentemos certa imagem de arrogância e postura de superioridade do povo gaúcho. Quando pensamos nos baianos, o que vem à mente? “Ah… são preguiçosos”! 

Enfim, de raças, gêneros, regiões etc., mantemos certos estereótipos que funcionam como critérios de avaliação e/ou julgamento e até mesmo de exclusão. 

É fato que muitas dessas imagens foram construídas historicamente e, talvez, com um pouco de convivência, rapidamente se desfaçam. Contudo, por vezes, exercem efeito de preconceito motivando diferentes formas de exclusão. A exclusão não precisa necessariamente ser de uma vaga na universidade; pode ser a não aceitação “desse tipo de pessoa” no meu grupo de amizades, dentro da minha família, para comer na minha mesa, trabalhando na minha equipe, casando com minha filha… 

Ou seja, ainda que nem todo preconceito se manifeste explicitamente, fisicamente ou numa agressão verbal, segue sendo uma agressão simbólica. O outro – que é a vítima, talvez por suas características físicas, herança genética, raça ou mesmo pelo local de nascimento – sente a rejeição, nota estar sendo colocado numa posição inferior ou mesmo não ser bem-vindo a um determinado ambiente. 

Justamente por essas características, o combate aos preconceitos não é simples. Leis podem ser importantes para punir certos episódios. Porém, as ações educativas – sejam no âmbito escolar, político, comunicacional ou mesmo religioso – contra as diferentes manifestações de preconceito carecem de estratégias voltadas para a formação de nossa subjetividade, para a promoção de um olhar generoso, acolhedor e amoroso para com todas as pessoas. 

Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber as notificações!