Em tempos de quarentena, invista em conhecimento!

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Acho que a maioria de nós nunca imaginou um tempo em que boa parte das pessoas estariam confinadas em casa, sem sair às ruas. De um dia para o outro, fomos impedidos de estar com as pessoas, de interagir com apertos de mão, abraços… E até a circulação pelos espaços públicos foi limitada.

Sem estarmos preparados para tamanha mudança, nos vemos em casa. E mal sabemos o que fazer. Alguns estão trabalhando, tentando se adaptar sem a presença física de colegas, chefes… Outros tantos não conseguiram (ou não podem) levar o serviço pra casa. A rotina basicamente se resume a dormir, acordar, comer, assistir TV, mexer no celular e tentar manter a sanidade mental.

Para quem está se vendo diante de um cenário completamente novo, eu tenho uma dica: neste período de quarentena, dedique tempo ao aprendizado.

Desde criança, aprendi a ter nos livros os meus melhores amigos. Durante minha infância e adolescência, nunca tive televisão e raramente contava com alguma companhia em casa. Os livros me acompanharam e, com eles, nunca me senti sozinho. Então, hoje, não preciso de nada além de um livro para me sentir bem.

Sei que essa não é a realidade da maioria das pessoas. Entretanto, sei também que novos hábitos podem ser criados. E, com certa dedicação e disciplina, a leitura pode passar a fazer parte da sua rotina. Dá pra começar com 10 minutinhos pela manhã, outros 10 à tarde…

Além da leitura de um livro, este é um tempo propício para o investimento em conhecimento. Basta fazer uma breve pesquisa no Google e você vai descobrir que existem inúmeros cursos online disponíveis, gratuitos. As principais universidades do país possuem plataformas com vários cursos nas áreas de administração, finanças, negócios, gestão de pessoas, marketing, saúde, educação, entre outros – todos eles com certificados e que podem agregar ao currículo.

Por isso, minha dica de hoje é bastante objetiva: aproveite este tempo para investir em você: acrescente conhecimentos em sua vida. Saia das redes sociais, deixe o whatsapp e esqueça um pouco as notícias sobre o coronavírus; dedique tempo à leitura e escolha alguns cursos online que vão te ajudar inclusive a ter novas oportunidades profissionais quando essa pandemia acabar.

E se você tiver dificuldades para encontrar as plataformas de cursos, pode falar comigo deixando um comentário por aqui. Ou entre em contato em minhas redes sociais. Estou no Facebook, Instagram, Twitter e Linkedin.

Ensinar exige segurança, competência…

Este é 19o texto da Série Aprendendo com Paulo Freire.

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Quem compartilha uma informação, deve estar seguro daquilo que diz, precisa ter certeza de que o conteúdo que está oferecendo para o outro é um saber válido, comprovado.

Infelizmente, nem sempre é isso que acontece. Em tempos de fake news, o que menos se faz é confirmar a veracidade da informação.

Entretanto, quem ensina, quem se dispõe a entrar numa sala de aula para contribuir com o processo de formação de outra pessoa deve estar plenamente comprometido com sua atividade profissional e, principalmente, possuir o domínio do conteúdo que está oferecendo aos seus alunos; é fundamental que tenha convicção que conhece o assunto e suas diferentes interpretações. Isso assegura uma aula produtiva e o desenvolvimento do educando.

De acordo com Paulo Freire, “o professor que não leve a sério sua formação, que não entende [o tema sobre o qual ensina], que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe”.

Todo professor deve ter segurança dos temas sobre os quais ensina. Para isso, não basta ter feito uma faculdade, especialização, mestrado, ou quem sabe, até o doutorado. A segurança é conquistada com o estudo diário, a atualização constante do conhecimento.

Ao professor, não cabe a ideia de que basta um dia ter aprendido para se dispor a ensinar. Também não são os anos em sala de aula ensinando as mesmas coisas que garantem a eficiência no exercício da educação.

Na minha experiência docente, mesmo em disciplinas que leciono há quase 15 anos, nunca repeti exatamente a mesma aula. A cada ano, atualizo as minhas leituras sobre os assuntos, vejo novidades, sento diante do computador e refaço parte das aulas ou até mesmo crio aulas completamente novas e arquivo outras.

Como professor, devo ter consciência que aquilo que compartilho em sala de aula fará parte dos conhecimentos de meus alunos e alunas.

O professor atualizado, com domínio dos saberes, conectado com a realidade, tem confiança. E isso impacta positivamente o processo de ensino-aprendizagem. O aluno percebe quando o professor tem segurança. E respeita esse professor.

Por isso, Paulo Freire é bastante contundente ao falar sobre a competência de quem se dispõe a assumir a docência. Para entrar em sala, não basta ter se formado; é necessário ter competência. E a competência se revela num processo contínuo de formação, de esforço para executar com propriedade seu papel. Do contrário, não tem força moral para estar em classe.

Leia para o seu filho

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Hoje eu gostaria de dar 3 motivos para que você leia para seu filho, e crie esse hábito antes mesmo do primeiro ano de idade.

Talvez você não seja pai ou mãe. Nem avô ou avó. Mas você pode prestar atenção nas dicas e compartilhar com alguém.

O primeiro motivo para ler para seu filho é o desenvolvimento de laços afetivos sólidos entre os pais e a criança. Quando coloca a criança nos braços, junto ao peito, e lê uma história, está contribuindo para o desenvolvimento emocional, fortalecendo os vínculos e criando intimidade. Essa relação é única. E é muito diferente daquele colo quando a criança chora, quando está com fome… Trata-se de um aconchego em que há uma narrativa, uma voz melodiosa que apresenta diferentes nuances de uma história… Na leitura, há um envolvimento único entre a criança e o pai ou a mãe.

O segundo motivo: a criança é apresentada a um repertório de informações novas, vocabulário distinto do cotidiano da casa, palavras que não fazem parte do que ouve diariamente… Embora ainda não saiba falar, quando lê para ela, você a expõe a palavras que ela nunca ouve em outros lugares, e a sentenças que ninguém usa ao redor delas.

O terceiro motivo é o desenvolvimento de habilidades cerebrais que nenhuma outra atividade proporciona. A ciência tem demonstrado que nada estimula mais o cérebro do que a leitura. Praticamente todas as áreas e funções do cérebro são ativadas. Mesmo como ouvinte, a criança participa do processo tanto quanto quem lê.

Por fim, tem alguns benefícios-bônus, eu diria. Benefícios para quem lê para a criança. O primeiro, a leitura permite que o pai ou a mãe experimente algo novo, diferente em sua rotina. E talvez até crie o hábito da leitura, caso ainda não seja um leitor. Também tem benefícios para o cérebro, com o estímulo de novas conexões neurais. Por fim, e o mais importante, a rotina de leitura com a criança te aproxima do seu filho, produz bons sentimentos e boas memórias. Nada substitui esses momentos a sós com seu filho. As lembranças se tornam inesquecíveis!

Portanto, leia para ele. Se já estiver grandinho, não tem problema. Mesmo que já não seja possível colocá-lo no colo. Sente-se a beira da cama… Mas não deixe de ler para seu filho.

A leitura não tem a ver somente com o cérebro das crianças pequenas; envolve o corpo como um todo: elas veem, cheiram, ouvem e sentem os livros (Maryanne Wolf).

Ensinar exige curiosidade

Este é o 18o texto da série Aprendendo com Paulo Freire.

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Meu encantamento por Paulo Freire se deve à beleza de seu pensamento. Semanas atrás, ao tratar em sala de aula sobre como o conhecimento é produzido, um aluno levantou a mão e disse:

  • Professor, partindo dessa ideia, tenho a impressão que a escola brasileira nunca ensinou de fato. Afinal, os conteúdos oferecidos quase nunca têm conexão com a realidade dos alunos. Há uma distância enorme entre o que é ensinado e o que as crianças vivem no dia a dia delas.

O comentário desse futuro jornalista foi certeiro. A beleza e simplicidade do pensamento de Paulo Freire não estão presentes como prática pedagógica na escola brasileira. E sabe por quê? Porque não dá para sistematizá-lo em procedimentos padrões que possam ser repetidos por todos os professores. Educar, tendo Paulo Freire como referência, é viver a educação como uma filosofia de vida em que há espaço para a luta, para a esperança, para o respeito ao indivíduo e para o contínuo encantamento pela diversidade de saberes e ideias.

Veja, por exemplo, o tema de hoje de nossa conversa: ensinar exige curiosidade. Em princípio, esse pressuposto parece bem básico. Afinal, sem curiosidade não há aprendizado. E o professor que não está aprendendo todos os dias não é um bom educador. A vida é movimento. E aprender sempre é quase uma obrigação.

Entretanto, a curiosidade sobre a qual Paulo Freire fala vai além da simples vontade de descobrir mais. Observe o que ele diz:

“Nenhuma curiosidade se sustenta eticamente no exercício da negação da outra curiosidade”.

Aqui fica claro que, na perspectiva freireana, educar não significa impor um pensamento. Enquanto eu me movimento pela descoberta do novo não posso negar ao outro o direito de descobrir de outra maneira, também a respeito de outras coisas, de outros saberes. Ou seja, não posso impor a minha curiosidade sobre a outra pessoa.

Veja o que ele também afirma: “A curiosidade que silencia a outra se nega a si mesma também”.

Lindo, né? Lindo e, por sua simplicidade, torna-se complexo de viver e praticar.

Professor e alunos devem se assumir curiosos. E uma curiosidade que permita a abertura para todos os saberes, sem julgamentos prévios, preconceitos, rejeições…

Não há em Paulo Freire lugar para verdades prontas – sejam elas filosóficas, políticas, científicas etc. O educador que deseja ensinar tendo as ideias dele como referência deve estar constantemente aberto ao questionamento, a dúvida. Tendo como parâmetro a ética e o bom senso, deve permanecer curioso em aprender, sem negar o valor de nenhum tipo de saber.

Ensinar exige alegria e esperança

Este é o 17o episódio da série “Aprendendo com Paulo Freire”.

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É dever do educador manter-se alegre e promover a alegria entre seus alunos. Mais que isso, o professor deve ser um agente de esperança.

Esta filosofia é mais uma contribuição de Paulo Freire para a educação.

A ideia de que ensinar exige alegria está intimamente relacionada à esperança. Por ter esperança no futuro, existe alegria no presente.

Mas como ter esperança em meio ao caos, às injustiças, desigualdades e tantas outras mazelas que afetam inclusive o ambiente escolar?

Segundo Paulo Freire, o educador não deve ser um sujeito alienado. Observar a realidade, ser um crítico dela, permitir-se ter raiva das injustiças e lutar contra elas são atitudes inerentes ao trabalho do professor. Porém, justamente por atuar com a educação, o professor deve ser alguém que promove a esperança.

Afinal, se existe alguma razão para se alegrar num mundo injusto, violento, desigual, esta é a esperança de que o futuro pode ser melhor.

E como isso seria possível? Por meio da educação.

A educação muda as pessoas. E pessoas mudam o mundo, afirma Paulo Freire.

Se o ensino é a ferramenta principal da educação, todo professor é um instrumento que contribui para que as pessoas mudem e o mundo possa ser melhor.

Acreditar que a educação é transformadora e que o seu trabalho contribui para tornar o mundo mais justo, humano, tolerante e inclusivo faz com o que o professor tenha esperança e a promova entre os alunos, contagiando-os.

Essa esperança faz com que cada dia em sala de aula seja acompanhado do brilho dos olhos que nasce na confiança de que dá para ter menos desigualdade, menos corrupção, menos mentira…

É a esperança de um mundo que assegure relações mais justas, mais respeitosas… A esperança de um mundo assim alegra o coração. Faz com que o ato de ensinar tenha sentido, tenha um propósito real. Um propósito de vida para as pessoas. E sentir que a vida não é vazia, de que não precisa ser uma caminhada tão dolorosa faz as pessoas sorrirem hoje, mesmo em meio ao caos.

Coloque seu cérebro para funcionar

As pesquisas a respeito do cérebro têm descoberto coisas incríveis. E uma das coisas lindas sobre o cérebro é a capacidade de continuar se expandindo durante toda a vida.

No passado, acreditava-se que, no início da fase adulta, o cérebro parava de se desenvolver. Hoje sabemos que, até o fim da vida, podemos continuar aprendendo coisas novas, podemos adquirir novas habilidades.

Entretanto, as pesquisas também descobriram que, as conexões neurais são como linhas de ônibus: “quando não há quantidade suficiente de tráfego e de passageiros, elas são suspensas” (J. B. CARVALHO). As chamadas sinapses são as pontes construídas entre os neurônios para transmitir informações. Se não estimulamos essas conexões, elas param. E pequenas áreas no nosso cérebro ficam inativas.

São os hábitos que cultivamos que mantêm essas linhas de conexão em funcionamento. E podem estimular inclusive outras conexões. Porque, ainda utilizando a metáfora das linhas de ônibus, novas demandas de tráfego podem estimular a criação de novas linhas de transporte de passageiros.

É assim com nosso cérebro. Quanto mais o estimulamos, mais se expande. Quanto menos estimulamos, mais se acomoda e envelhece.

E como estimular? Buscando aprender coisas novas sempre. Detalhe, o aprendizado deve causar certo incômodo inicial. Se fazemos algo com muita facilidade, significa que o caminho já é conhecido pelo cérebro. As novidades que tentamos assimilar geram estranhamento e colocam os neurônios para funcionar.

Por isso, quer ter seu cérebro sempre ativo e jovem? Aprenda coisas novas. Experimente fazer música, pintura, teatro, dança… Leia sempre – e sobre diferentes assuntos (se ama romances, não fique apenas neles; experimente outras leituras) -, faça exercícios físicos que te desafiem, atreva-se a criar pratos novos na cozinha, escolha caminhos alternativos para as mesmas rotas diárias do trânsito, faça cursos em áreas desconhecidas… Não se preocupe se as coisas serão úteis do ponto de vista profissional; invista em ter uma mente renovada, ativa e isso fará a diferença em todas as áreas da vida.

É dever de todo educador lutar por condições dignas e salários melhores

Este é mais um texto da Série “Aprendendo com Paulo Freire”.

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Ainda que o salário não seja a única maneira de reconhecer o trabalho de um profissional, a remuneração continua sendo uma importante medida para dizer que aquele trabalho e aquele trabalhador fazem a diferença.

Historicamente, a questão salarial é uma das grandes fragilidades da educação brasileira. Embora existam professores e trabalhadores do setor que sejam bem remunerados, principalmente em algumas instituições de ensino superior, a grande maioria dos professores e servidores – da educação infantil, ensinos fundamental e médio, além de certas faculdades – ganha um salário que está longe de assegurar o mínimo necessário para que o trabalhador se sinta relevante. E, principalmente, para que consiga investir em si mesmo como profissional.

Quando os setores público e privado pagam mal um trabalhador da educação, de certo modo, estão dizendo para a sociedade que aquele trabalho não importa. E uma das consequências imediatas é a desmotivação. Outra, talvez ainda pior, é o efeito sobre o restante da sociedade. De fora, as pessoas olham para quem é da educação como coitadinhos ou de maneira pouco respeitosa. Afinal, o dinheiro tem sido uma marca de sucesso. Isso acaba provocando uma terceira consequência: poucos adolescentes e jovens têm interesse em se tornarem professores, em trabalharem com a educação.

Para o educador Paulo Freire, justamente pela importância que o trabalho docente possui e em função do pouco reconhecimento salarial, é dever de todo trabalhador da educação lutar por condições dignas e salários melhores. Quando se silencia diante das injustiças salariais praticadas contra a categoria, torna-se co-responsável por tudo que acontece de negativo. Sua passividade ajuda a perpetuar o desrespeito, a indignidade a que são submetidos professores e servidores.

Por isso, para Paulo Freire, o comprometimento com a luta por salários e melhores condições de trabalho é um dever ético. Sua luta não é por um interesse meramente pessoal, individual; trata-se de luta em favor da dignidade da prática docente e da valorização da educação como um bem de toda a sociedade.

 Foto: Laís Semis/Nova Escola

Preparação sem ação é inútil

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Talvez um dos principais motivos de falharmos na busca de nossos sonhos seja permanecermos nos preparando e deixarmos de agir.

Preparar-se para um projeto e até mesmo para exercer uma determinada função numa empresa, ou quem sabe para certa carreira, é o mínimo que se espera de alguém que queira cumprir com excelência o seu trabalho.

A preparação também é fundamental para quem deseja ter um bom relacionamento, ser bom pai, boa mãe….

Ou seja, ninguém faz nada bem e nem alcança o sucesso desejado se não tiver se preparado para aquilo.

Entretanto, muita gente se ilude achando que, em algum momento, se sentirá e estará totalmente pronto. “A preparação não significa o conhecimento de todos os fatos”.

É um enorme erro pensar que haverá um momento em que você estará pronto. Ninguém nunca está totalmente pronto para o novo. O novo traz o inesperado, o incerto…

Se você esperar estar pronto para ser músico, para ser um cantor, para começar o próprio negócio ou mesmo para pedir aquela moça em casamento, você nunca vai se mexer…

É necessário ter em mente que o primeiro passo sempre será um salto no escuro!

Embora o planejamento, o treinamento, os estudos para um determinado projeto seja importante, é necessário ter a ousadia de começar.

O investimento na preparação deve ter a função de promover a confiança e motivar a ação.