Coloque seu cérebro para funcionar

As pesquisas a respeito do cérebro têm descoberto coisas incríveis. E uma das coisas lindas sobre o cérebro é a capacidade de continuar se expandindo durante toda a vida.

No passado, acreditava-se que, no início da fase adulta, o cérebro parava de se desenvolver. Hoje sabemos que, até o fim da vida, podemos continuar aprendendo coisas novas, podemos adquirir novas habilidades.

Entretanto, as pesquisas também descobriram que, as conexões neurais são como linhas de ônibus: “quando não há quantidade suficiente de tráfego e de passageiros, elas são suspensas” (J. B. CARVALHO). As chamadas sinapses são as pontes construídas entre os neurônios para transmitir informações. Se não estimulamos essas conexões, elas param. E pequenas áreas no nosso cérebro ficam inativas.

São os hábitos que cultivamos que mantêm essas linhas de conexão em funcionamento. E podem estimular inclusive outras conexões. Porque, ainda utilizando a metáfora das linhas de ônibus, novas demandas de tráfego podem estimular a criação de novas linhas de transporte de passageiros.

É assim com nosso cérebro. Quanto mais o estimulamos, mais se expande. Quanto menos estimulamos, mais se acomoda e envelhece.

E como estimular? Buscando aprender coisas novas sempre. Detalhe, o aprendizado deve causar certo incômodo inicial. Se fazemos algo com muita facilidade, significa que o caminho já é conhecido pelo cérebro. As novidades que tentamos assimilar geram estranhamento e colocam os neurônios para funcionar.

Por isso, quer ter seu cérebro sempre ativo e jovem? Aprenda coisas novas. Experimente fazer música, pintura, teatro, dança… Leia sempre – e sobre diferentes assuntos (se ama romances, não fique apenas neles; experimente outras leituras) -, faça exercícios físicos que te desafiem, atreva-se a criar pratos novos na cozinha, escolha caminhos alternativos para as mesmas rotas diárias do trânsito, faça cursos em áreas desconhecidas… Não se preocupe se as coisas serão úteis do ponto de vista profissional; invista em ter uma mente renovada, ativa e isso fará a diferença em todas as áreas da vida.

É dever de todo educador lutar por condições dignas e salários melhores

Este é mais um texto da Série “Aprendendo com Paulo Freire”.

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Ainda que o salário não seja a única maneira de reconhecer o trabalho de um profissional, a remuneração continua sendo uma importante medida para dizer que aquele trabalho e aquele trabalhador fazem a diferença.

Historicamente, a questão salarial é uma das grandes fragilidades da educação brasileira. Embora existam professores e trabalhadores do setor que sejam bem remunerados, principalmente em algumas instituições de ensino superior, a grande maioria dos professores e servidores – da educação infantil, ensinos fundamental e médio, além de certas faculdades – ganha um salário que está longe de assegurar o mínimo necessário para que o trabalhador se sinta relevante. E, principalmente, para que consiga investir em si mesmo como profissional.

Quando os setores público e privado pagam mal um trabalhador da educação, de certo modo, estão dizendo para a sociedade que aquele trabalho não importa. E uma das consequências imediatas é a desmotivação. Outra, talvez ainda pior, é o efeito sobre o restante da sociedade. De fora, as pessoas olham para quem é da educação como coitadinhos ou de maneira pouco respeitosa. Afinal, o dinheiro tem sido uma marca de sucesso. Isso acaba provocando uma terceira consequência: poucos adolescentes e jovens têm interesse em se tornarem professores, em trabalharem com a educação.

Para o educador Paulo Freire, justamente pela importância que o trabalho docente possui e em função do pouco reconhecimento salarial, é dever de todo trabalhador da educação lutar por condições dignas e salários melhores. Quando se silencia diante das injustiças salariais praticadas contra a categoria, torna-se co-responsável por tudo que acontece de negativo. Sua passividade ajuda a perpetuar o desrespeito, a indignidade a que são submetidos professores e servidores.

Por isso, para Paulo Freire, o comprometimento com a luta por salários e melhores condições de trabalho é um dever ético. Sua luta não é por um interesse meramente pessoal, individual; trata-se de luta em favor da dignidade da prática docente e da valorização da educação como um bem de toda a sociedade.

 Foto: Laís Semis/Nova Escola

Preparação sem ação é inútil

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Talvez um dos principais motivos de falharmos na busca de nossos sonhos seja permanecermos nos preparando e deixarmos de agir.

Preparar-se para um projeto e até mesmo para exercer uma determinada função numa empresa, ou quem sabe para certa carreira, é o mínimo que se espera de alguém que queira cumprir com excelência o seu trabalho.

A preparação também é fundamental para quem deseja ter um bom relacionamento, ser bom pai, boa mãe….

Ou seja, ninguém faz nada bem e nem alcança o sucesso desejado se não tiver se preparado para aquilo.

Entretanto, muita gente se ilude achando que, em algum momento, se sentirá e estará totalmente pronto. “A preparação não significa o conhecimento de todos os fatos”.

É um enorme erro pensar que haverá um momento em que você estará pronto. Ninguém nunca está totalmente pronto para o novo. O novo traz o inesperado, o incerto…

Se você esperar estar pronto para ser músico, para ser um cantor, para começar o próprio negócio ou mesmo para pedir aquela moça em casamento, você nunca vai se mexer…

É necessário ter em mente que o primeiro passo sempre será um salto no escuro!

Embora o planejamento, o treinamento, os estudos para um determinado projeto seja importante, é necessário ter a ousadia de começar.

O investimento na preparação deve ter a função de promover a confiança e motivar a ação.

O que torna a escola relevante hoje?

Nos últimos anos, ganhou força, principalmente no Ensino Médio, a ideia de que a escola deve focar no conteúdo. Estudar, estudar, estudar. E estudar pra quê? Para passar no vestibular, ter excelente nota no Enem… Enfim, garantir uma vaga na universidade e, consequentemente, uma profissão. A proposta não é de toda ruim. Afinal, quem não quer ver o filho numa excelente faculdade?

Porém, há alguns problemas nessa tese. O primeiro deles é bem “básico”: quem aí tem alguma ideia de como será a vida daqui a 10 ou 15 anos? A chamada quarta revolução industrial é uma realidade e inúmeras profissões estão acabando. Em virtude das tecnologias digitais, o desenvolvimento da inteligência artificial, economia, saúde, sistemas de governo estão sofrendo e sofrerão mudanças nunca imaginadas. Além disso, é imperativo aprender coisas novas todos os dias e abandonar atividades sedimentadas, abrindo-se para um mundo que se cria e recria a cada dia. Portanto, uma escola voltada para o ensino profissional é uma escola descartável.

A importância da escola se revela noutros aspectos. A geração atual é carente de experiências. Experiências que muitos de nós, que já passamos dos 40 anos, tivemos a oportunidade de vivenciar. Seja pelas brincadeiras com os amigos, o cuidado dos irmãos mais novos, a presença dos pais – inclusive de forma disciplinar… Ou mesmo o trabalho, ainda na adolescência, que nos ensinou a respeitar rotinas, hierarquias, cumprir deveres, cumprir obrigações e, principalmente, ouvir inúmeros “nãos”.

Além disso, a própria escola proporcionava uma experiência agregadora. A gente estudava, mas também brincava, participava de campeonatos interclasses… Eu recordo que, no meu colégio, cheguei a cultivar uma horta com um grupo de amigos. Ou seja, a gente não vivia sob a pressão de garantir uma vaga na universidade. Sem contar que todas essas outras vivências e relações nos permitiam uma maturidade que não encontramos entre os meninos e meninas de hoje.

Hoje, nossa moçadinha tem uma vida completamente diferente. E, embora possuam um preparo escolar bastante significativo (além de todas habilidades tecnológicas), são carentes de experiências afetivas, éticas, morais. Faltam aos adolescentes valores como empatia, cooperação, liderança, cautela, tolerância… Na prática, se a escola não tiver uma proposta pedagógica que contemple estratégias que desenvolvam habilidades sócio-emocionais, não haverá outro lugar para que isso ocorra.

Aceitar as limitações e seguir adiante

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Com muita frequência, a gente trava diante da vida em função dos nossos medos. Nos sentimos inseguros em assumir determinadas tarefas ou em desenvolver certos projetos, porque olhamos para nós mesmos e concluímos que não temos capacidade para aquilo.

Às vezes, nossas limitações ficam muito claras. Sabemos exatamente que elas estão ali… E que são parte do que somos.

Entretanto, também é fato que as limitações que possuímos só se tornam barreiras intransponíveis porque nós as superestimamos. As limitações se tornam gigantes e nos sentimos como pequenos insetos.

O escritor Austin Kleon, ao falar sobre a própria experiência dele, num percurso que o levou a ser um dos autores mais vendidos no mundo, lembra que é preciso aceitar as limitações e seguir adiante.

Note, a proposta aqui não é aceitar os limites e desistir; é aceitar os limites e prosseguir.

Nossas limitações talvez nos obriguem a um redirecionamento, a um esforço maior… Mas não são incapacitantes. Um baixinho que sonha ser jogador de basquete, provavelmente não vai conseguir jogar profissionalmente; a altura será um problema. Entretanto, ele pode se preparar, estudar e se tornar um excelente técnico de basquete, comandar equipes profissionais e até chegar a uma seleção.

Eu adoraria ser engraçado,  divertido… Talvez isso permitiria que meus textos, vídeos, podcasts tivessem milhares de visualizações. Mas isso não me faz desistir. Eu estudo muito, me preparo e compartilho conteúdos sérios. O público é menor, mas construí certa relevância nesse segmento. Minhas limitações poderiam me paralisar. Mas eu segui adiante e estou aqui com você hoje.

Por isso, volto a dizer… Nossas limitações podem trazer inseguranças. Mas é preciso aceitá-las e seguir adiante em busca de nossos sonhos.

Não há colheita sem o plantio

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Observar o mundo da vida traz importantes aprendizados. A natureza, por exemplo, nos ensina lições preciosas. Uma delas vem da dinâmica da agricultura. A colheita nunca precede ao plantio. O plantio nunca vem antes do preparo da terra.

O homem do campo conhece muito bem esse processo: sabe que, para ter uma colheita farta, é necessário muito investimento – e não apenas de recursos. É preciso escolher bem a terra, limpá-la das pragas, prepará-la… Escolher boas sementes, usar os equipamentos certos e técnicas adequadas para semear… E tudo isso deve ser feito no tempo certo. Se plantar no inverno aquilo que deveria ter sido semeado no verão, o fracasso será total.

Todo esse cuidado ainda é pouco. Porque há o tempo de espera pela colheita. E enquanto espera, é necessário cuidar do desenvolvimento das plantas. Mas tem algo bem mais difícil. Apesar de fazer tudo certo, tudo na época certa e com a estratégia certa, não há garantia de colheita farta, porque o agricultor depende de coisas que ele não controla: as condições do tempo. A chuva, a seca, os ventos podem colocar tudo a perder.

Pois é, meu caro leitor… Com a vida da gente não é diferente! O sucesso de uma carreira, um relacionamento feliz, a conquista de um título universitário, a concretização de um projeto de vida nunca acontecerão antes de todo o trabalho de preparação. Há um tempo para plantar. E enquanto se planta, não há o que colher.

Depois de plantar, há um tempo de espera. E enquanto se espera, é preciso administrar a ansiedade, as incertezas, pois nem tudo está sob o nosso controle.

Porém, duas coisas são certas: sem todo o longo processo de preparação, plantio e espera, não há colheita alguma. E a outra certeza é: embora quem plante possa fracassar, se o agricultor tiver feito tudo certo, na terra certa, com a semente certa, no tempo certo… Tiver cuidado de sua plantação, investido tempo, dedicação… Ele tem uma enorme chance de ter uma colheita farta, maravilhosa.

Também é assim em todas as áreas da vida. Podemos não ter garantias de sucesso. Mas só há uma chance de conquistá-lo: dedicando-se ao sonho, investindo nele… Enquanto se planta, não haverá nada para colher, mas a expectativa futura é de experimentar a alegria de ser recompensado pelo esforço empenhado.

É a educação que nos faz humanos

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Quando uma formiga nasce, às características genéticas dela determinam todas as suas ações. Nada do que faz durante toda sua existência será diferente daquilo que nasceu programada para fazer. Uma formiga terá o mesmo comportamento de todas as outras de sua espécie. E, para executar com excelência suas “tarefas”, em nenhum momento, passará por algum treinamento ou processo de educação.

O que acontece com uma simples formiga também se repete com todas as outras espécies de insetos, aves, animais. É fato que alguns deles são domesticados, treinados e desenvolvem habilidades que podem ser úteis às pessoas. Porém, a natureza dotou os bichinhos do conhecimento necessário para que façam o que precisam fazer, inclusive para sobreviverem . Nada e ninguém precisa ensinar uma formiga a ser formiga, um gato a ser gato, um leão a ser leão, uma águia a ser águia… Mas, nós, homens e mulheres, precisamos ser ensinados a sermos humanos.

Somos a única espécie animal que depende totalmente do outro inclusive para sobreviver. É fato que sabemos algumas coisas quando nascemos: sabemos chorar para nos defender e para pedir ajuda, sabemos chorar para pedir comida… Entretanto, é a educação que nos faz gente. Se o processo educativo, inclusive formal, fosse interrompido e se perdêssemos todo o saber acumulado ao longo de milhares anos, voltaríamos às cavernas.

O ser humano precisa ser ensinado. E embora os primeiros anos de vida sejam suficientes para que a gente saiba as formas básicas de convivência, como a comida chega na mesa e até como preservamos nossa saúde, também somos o único animal que precisa aprender sempre. No nosso mundo, diferente do mundo dos outros bichos, conforme o tempo passa, inúmeras coisas mudam e precisamos aprender a lidar com as novidades. Além disso, muitas dessas mudanças são provocadas justamente pelos novos conhecimentos produzidos com base em todo saber já acumulado.

Mas vai além… A a educação que nos faz crescer inclusive no respeito aos outros de nossa própria espécie. Os saberes desenvolvidos pela filosofia, sociologia, antropologia, psicologia etc. nos ajudam a lidar com as emoções, fazem-nos compreender a diversidade de pensamentos, ideias… Permite-nos o respeito, a tolerância, A compreensão do outro como igual, mesmo sendo de raça, gênero ou classe social diferente.

Se nos negamos a aprender, sofremos diferentes tipos de exclusão. Uma delas é a própria falta de trabalho, algo fundamental para a nosso bem-estar, para assegurar os recursos para vivermos de maneira digna. Mas o pior mesmo é que, quando nos fechamos para o aprendizado, rejeitamos o que há de mais humano em nós: o processo de desenvolvimento constante.

Aprender sempre é imperativo. É por meio do eterno aprendizado que respondemos às novas demandas do mercado de trabalho, às inovações tecnológicas e até desenvolvemos nossas formas de convivência com outras pessoas. Fechar-se para o aprendizado é retornar à barbárie.

Se entra lixo, sai lixo!

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O escritor Austin Kleon, autor de alguns best-sellers, lembra que “você não pode escolher sua família, mas pode selecionar seus professores e amigos, a música que escuta e os livros que lê e os filmes aos quais quer assistir”.

A afirmação vai ao encontro de um temas mais recorrentes em minhas aulas e meus textos: as pessoas com as quais a gente convive, as coisas que a gente lê, ouve e vê formam o que somos.

Não temos controle de uma série de coisas. Inclusive não podemos escolher a nossa família. Você não escolhe quem será o seu pai, sua mãe, o tio, o irmão… Não dá nem pra escolher o cunhado.

Mas podemos escolher nossos amigos, nossos mentores intelectuais… E principalmente podemos controlar os conteúdos que consumimos.

Gente, não existe milagre: nós somos o conjunto de relações que estabelecemos com o mundo, com as pessoas e com as ideias que assimilamos em livros, filmes, séries, reportagens no rádio, televisão… Vídeos no YouTube, posts no Facebook, Instagram… Até as mensagens que consumimos no Whatsapp formam a base das nossas ideias.

Eu brinco com meus alunos que “a gente só tira do saco aquilo que tem no saco”. A provocação é pra lembrar que se queremos ter ideias interessantes, criativas… Se queremos ter um repertório admirável, precisamos consumir bons livros, bons filmes, seguir gente inteligente na internet e tirar todo o lixo que se apresenta diante de nós.

Se entra lixo, sai lixo.

Devemos sempre lembrar que nós seremos tão bons quanto as coisas que consumimos e das quais nos cercamos.