Como o uso do smartphone prejudica a saúde e o aprendizado

A tecnologia pode ser uma excelente fonte de aprendizado e entretenimento. Entretanto, o que pouca gente leva em conta é que o tempo diante da tela afeta a saúde e o aprendizado, principalmente de crianças e adolescentes.

Segundo a Academia Americana de Pediatria, dos 3 a 18 anos de idade, nossos filhos não devem passar mais de duas horas em frente a uma tela – seja do smartphone, tablet ou televisão. Para crianças com 2 anos ou menos, os especialistas recomendam nenhum tempo de tela.

Ter uma melhor compreensão das recomendações dos especialistas pode ajudar os pais a definirem limites para que as crianças não exagerem no tempo que permanecem conectadas.

Sono
A molecadinha tem agenda cada vez mais apertada. São as atividades escolares e outras tantas no contraturno. Além disso, ficam entre 3 e 6 horas por dia assistindo vídeos, navegando na internet ou jogando. O tempo de sono acaba prejudicado e, consequentemente, o desempenho, o humor e a saúde são afetados. Além disso, a estimulação eletrônica, interfere na qualidade do sono.

Interação social
Quando alguém usa tecnologia como computadores, jogos e smartphones, deixa de conversar com outras pessoas. O tempo de tela significa menos interação face a face.

Consciência social
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fizeram uma descoberta impressionante quando estudaram um grupo de alunos da sexta série. O estudo, publicado na revista Computers in Human Behavior, descobriu que aqueles que passaram cinco dias sem tempo de tela foram significativamente melhores em ler emoções humanas do que crianças com acesso regular à tecnologia. O resultado impressiona, porque revela que, quanto mais tela, menos reparamos nas pessoas; logo, ficamos menos sensíveis às emoções dos outros, porque sequer damos conta de identificar o que estão sentindo.

Atenção
Muito tempo de tela pode estar associado a problemas de atenção. Noutras palavras, a pessoa se distrai com mais facilidade e passa a ter dificuldades para concentrar-se – algo fundamental no processo de aprendizagem.

Notas baixas
O desempenho escolar também é prejudicado. As notas caem. Não significa necessariamente reprovação, mas a performance é menor, comparada com outras crianças e adolescentes que ficam menos tempo conectadas.

Atividade física
Mais tempo de tela tem sido associada à redução da atividade física e maior risco de obesidade em crianças.

Publicidade e conteúdo impróprio
Muitos programas de televisão e páginas da internet mostram sexo e violência, bem como estereótipos ou uso de drogas e álcool. Comerciais também promovem brinquedos e estimulam o consumo de alimentos pouco apropriados para as crianças.

Parece-nos que essas razões são bastante convincentes de que vale a pena limitarmos o tempo de tela das crianças e adolescentes. Também serve de alerta para nós mesmos. Vale a pena desconectarmos um pouco e convivermos mais com as pessoas e com nós mesmos.

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Tecnologias não melhoram aprendizado; envolvimento dos pais é mais eficaz

Segundo a OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a busca por ampliar as tecnologias em sala de aula tem trazido resultados. Pelo menos do ponto de vista quantitativo. Estudos mostram maior uso de computadores e tecnologias da informação e comunicação em sala de aula.

Fora da escola, as tecnologias estão presentes na vida da garotada. As tecnologias digitais são comuns entre crianças e adolescentes.

Isso influencia de forma significativa o sistema de aprendizado. Atualmente, as crianças e adolescentes aprendem cada vez mais fora dos campos formais. Ou seja, se antes o processo educativo se dava basicamente em casa e na escola, hoje, a internet, os jogos e outros dispositivos contribuem na produção de saberes.

Pesquisas também revelam que não há nada que chame mais a atenção desse público do que as telas. A garotada está o tempo todo conectada.

Esses aspectos indicam a necessidade de uma grande capacidade crítica. Afinal, os impactos são amplos e variados. Se crianças e adolescentes aprendem cada vez mais fora dos campos formais, o que efetivamente aprendem?

Já na escola, até que ponto o uso de computadores e tecnologias da informação e comunicação contribuem efetivamente para o aprendizado?

Pesquisas mostram que as tecnologias, por elas mesmas, não são suficientes para assegurar qualidade na formação. Ter tecnologias em sala não muda a educação. Por isso, é necessário evitar falsas promessas pedagógicas.

Os dispositivos digitais podem ser ferramentas para o ensino. Mas, sozinhas, não fazem nada.

Crianças e adolescentes não dispõem de todas as habilidades necessárias para lidar com as informações e transformá-las em conhecimentos. Os adolescentes possuem autonomia para selecionar conteúdos úteis que estão disponíveis na rede, mas nem sempre sabem reconhecer o que é relevante e o que é descartável.

De acordo com a OCDE, a boa relação entre pais e escola ainda é o que garante o principal impacto positivo no desenvolvimento do aluno. Pais que se interessam pela rotina escolar, pelo que os filhos estão aprendendo, ajudam-os a se desenvolverem. Quando trabalham de maneira consensual, o aprendizado é mais eficaz.

O único cuidado é para que o envolvimento não seja obsessivo, pois isso é contraproducente.

Quando começa o futuro?

A gente vive uma verdadeira revolução. Alguns a chamam de revolução 4.0. Na prática, ela significa muitas incertezas em relação ao futuro. Principalmente, se haverá emprego para todas as pessoas.

Justamente por isso, os mundos do trabalho e da educação estão sendo impactados pela impossibilidade de prever o que vai acontecer.

No trabalho, quais as profissões do futuro? Nada se sabe. Nossa imaginação não dá conta de prever que profissões serão criadas.

Quando começa o futuro? Já começou. Vemos todos os dias gente fazendo coisas que nunca imaginaríamos.

A educação é demandada a responder essa nova realidade. Como preparar os alunos para viver esta revolução? Que conteúdos deveriam ser trabalhados em sala? Que cursos deveriam ser criados?

Não existem respostas simples. É possível, porém, deduzir algumas coisas. Há necessidade de compreendermos que lidar bem com esse mundo novo passa muito mais por uma atitude individual do que pela espera de receitas, de respostas prontas.

As mudanças são rápidas demais. Quando concluímos um curso, o conhecimento adquirido está defasado.

O segredo é estar aberto para todas as possibilidades. Partir dos conhecimentos adquiridos, mobilizá-los diante do novo e ter a capacidade de aprender outras coisas a fim de nos reinventarmos. E uma reinvenção a cada dia.

Então quais pessoas serão bem-sucedidas? Aquelas que estão atentas às tendências do mercado. Não se trata de saber tudo, mas de sentir os movimentos que ocorrem no seu entorno e ter a flexibilidade para adaptar-se.

É fundamental ter agilidade no processo de aprendizagem. Quem não se interessa por estar sempre estudando, terá muitas dificuldades.

Também é preciso ser produtivo. Fazer mais, melhor e em menos tempo.

Outra característica: manter o foco. Em tempos tão plurais e de distrações múltiplas, quem sabe bem o que quer e mantém-se focado, faz mais e conquista melhores resultados.

Ser transparente. Com as redes sociais, tudo que falamos e fazemos pode ser observado. Se escondemos algo, será descoberto. A vida que se mostra precisa ser coerente com a vida vivida.

Por fim, devemos rir de nós mesmos. Espera-se que as pessoas sejam leves, cobrem-se menos, não tenham vergonha de seus fracassos, sejam capazes de fazer graça com seus defeitos.

O envolvimento dos pais na rotina escolar dos filhos

A volta às aulas não altera apenas a rotina das crianças, a vida dos pais também é afetada. É fundamental que tenham consciência disso, pois o desempenho delas depende do envolvimento da família.

É muito mais que cobrar notas ou que façam tarefas. Trata-se de viver o dia a dia escolar.

Se os pais não se envolvem, indicam que a escola é algo que diz respeito apenas à criança. E ela não tem maturidade para compreender a importância dos estudos e de tudo que envolve o ambiente escolar.

Mostrar-se entusiasmo(a) e comprometido(a) com o aprendizado da criança, faz toda a diferença. Quando isso não acontece, os pais demonstram que estudar é um fardo. Se reclamam de ter que levar e trazer, dos horários das atividades etc., não dá para esperar que a criança tenha atitude positiva.

Respeitar os horários de entrada e saída é um excelente indicativo de que as aulas são importantes. Ainda esta semana, quando cheguei ao colégio, encontrei duas boas alunas no pátio. Elas esperavam para entrar na segunda aula. Conversei com ambas e descobri que os pais tinham atrasado. Uma delas disse que a mãe foi tomar banho faltando 20 minutos para a filha chegar no colégio. A outra, o pai ficou na cama até mais tarde.

Se isso acontecer uma vez ou outra, ok. Entretanto, se atrasam constantemente, os filhos entendem que os compromissos delas não são relevantes para os pais. Isso pode desmotivar as crianças.

O cuidado vale para os uniformes. Se são obrigatórios e os pais não observam à regra, estão perpetuando nos filhos a cultura do “jeitinho” e das infindáveis desculpas.

A participação em reuniões pedagógicas e nos eventos do colégio também demonstra envolvimento. As crianças necessitam se sentir cuidadas. Além disso, esse tipo de comprometimento resulta numa parceria produtiva entre a família e a escola.

Os pais precisam cuidar da rotina escolar. Crianças têm altos e baixos e, frequentemente, se distraem com outras atividades. Em casa, são os pais que têm o dever de criar o hábito e fazer a rotina de estudos funcionar.

A garotada também tem que brincar, fazer as atividades extraescolares, ter tempo para ler, ver televisão, usar a internet e, principalmente, descansar/dormir… Cabe aos pais monitorar essas rotinas.

Dá trabalho? Claro que sim. Mas ser pai/mãe é viver a experiência e a responsabilidade de educar uma criança de forma plena – e isso engloba tudo que tenha a ver com a escola.

Não passei. E agora?

Depois de toda expectativa, chega o resultado do vestibular. E seu nome não está na lista dos aprovados. Bate aquela sensação de fracasso. Pior ainda é saber que vai ter recomeçar o processo de preparação.

Não há nada de divertido em ficar de fora. Por mais que as pessoas repitam “tudo tem seu tempo”, o que a gente queria mesmo é que o tempo fosse agora.

Ficar triste por não ter passado é uma reação normal. É importante inclusive para o amadurecimento pessoal.

Isso não significa, porém, se acomodar.

E então… O que fazer?

A primeira coisa é vencer aquela ideia boba, mas que machuca a gente: “ah… todo mundo passa; só eu que não consigo!”.

Num vestibular concorrido como o da UEM, na média, de cada 10 candidatos, um passa. Outros nove terão que tentar de novo.

A segunda coisa mais importante é se perguntar: “o que faltou para passar?”.

Responder esta pergunta de forma objetiva é fundamental. Vai te fazer entender se faltou empenho, mais horas de estudo, se o emocional tem prejudicado, se a base de conhecimentos que possui é insuficiente…

O próximo passo é definir as novas estratégias e identificar quem poderá te ajudar.

A caminhada em busca da aprovação não pode ser feita sozinha. É necessário contar com gente especializada e que se importe com você.

A equipe pedagógica do cursinho e os professores poderão auxiliar organizando um plano de estudos e te motivando.

E aí é só não perder tempo. Focar nos seus objetivos, não permitir que outras pessoas te influenciem negativamente e seguir em frente! A aprovação virá!

Todo jovem precisa fazer uma faculdade?

Na minha opinião, não! Existe uma diferença entre assegurar que todas as pessoas tenham direito de acesso à universidade e ter a obrigação de fazer uma faculdade para “ser alguém na vida”.

O modelo educacional brasileiro é falho em vários aspectos. Uma das falhas é sustentar-se num modelo de pirâmide que culmina com o ensino superior. Cursar uma faculdade se tornou uma espécie de obrigação. E vários estudos mostrar que, após o diploma, as possibilidades de renda aumentam.

Esse modelo precisa ser corrigido. Todas as pessoas, que sonham com o ensino superior, precisam ter o direito de fazer o curso que desejarem. A universidade deve ser para todosdiferente do discurso do senhor ministro da Educação. Mas deve ser para todos que quiserem.

Por outro lado, também é preciso assegurar ao jovem o direito de optar por uma carreira profissional, rentável, sem a necessidade de ficar quatro, cinco anos no ensino superior. Nem todo mundo gosta de debruçar-se sobre livros, teorias… Não há motivos para rotulá-las como preguiçosas, burras ou fracassadas por não fazerem uma faculdade.

Na Finlândia, desde muito cedo, as crianças já vislumbram qual caminho seguir. E, após completarem três anos de orientação, aos 14 de idade, podem optar por um programa técnico voltado diretamente para um bom trabalho ou ao mundo acadêmico. Mas, detalhe, é possível fazer um curso técnico e, logo em seguida, cursar uma faculdade.

No Brasil, se o jovem escolher um curso técnico, tudo fica mais difícil. Ele segue um “zé ninguém”, porque, pode até ter um bom salário, mas não tem o status do diploma e, se quiser fazer uma faculdade pública, terá que enfrentar o famigerado vestibular, que privilegia aqueles que tiveram uma formação conteudista, pouco relevante, porém, absurda do ponto de vista quantitativo. E aí, como não é competitivo no vestibular, restam-lhe duas alternativas: fazer cursinho por meses, tornando o processo de formação ainda mais longo, ou cursar uma faculdade particular.

Quem tem direito de frequentar uma universidade?

Para o atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, apenas um grupo muito seleto deveria ter direito de acesso ao ensino superior. Nas palavras dele, as universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual. Ele também afirmou, em entrevista ao Valor Econômico, que a ideia da universidade para todos não existe.

Embora sustente que existe uma diferença entre a elite intelectual e a elite econômica, o que o ministro parece ignorar é que, no Brasil, a elite econômica é também aquela que reúne as condições de se tornar a elite intelectual do país. Logo, se passar a vigorar a lógica do ministro, o país vai excluir ainda mais os jovens pobres, empurrando-os para serem tão somente mão-de-obra especializada.

Para justificar sua ideia, o ministro ressalta que, na Alemanha, funciona assim: nem todos chegam à universidade. O ensino técnico é o meio de profissionalização para uma parcela considerável da população alemã.

De novo, o ministro silencia um fato: as crianças têm ensino de qualidade na Alemanha e conseguem, mesmo sendo pobres, candidatarem-se às universidades – caso queiram se dedicar ao universo intelectual. Não é o ocorre no Brasil. Por aqui, se as vagas não forem asseguradas para todos, ainda menos gente frequentará o ensino superior. Vale lembrar que cerca de 80% dos jovens brasileiros estão fora das faculdades e universidades. Ou seja, fazer uma faculdade, no Brasil, já é um privilégio de poucos.

Tenho sustentado que o nosso país precisa de uma ampla mudança na educação. Os indicadores mostram que nossa gente não sabe o mínimo necessário de Matemática e tampouco dá conta de ler e interpretar adequadamente um texto. É necessário mudar, inclusive com a valorização do ensino técnico – que é o caminho mais rápido para a profissionalização.

Entretanto, falas como a do ministro refletem um pensamento mesquinho, excludente, preconceituoso.

Entendo que nem todos queiram frequentar a universidade. Também defendo que este espaço não seja para a formação técnica e profissionalizante; universidade é um ambiente para o desenvolvimento intelectual. Contudo, a escola pública de hoje não assegura formação para que um aluno possa fazer parte da elite intelectual. E as vagas já são mínimas diante da demanda. É justamente por isso que defender tal ideia é, no mínimo, um desrespeito com a maioria do nosso povo.

Colar na escola…

Você sabia que tem até vídeo no Youtube ensinando técnicas para colar nas provas? O inocente aqui nunca tinha imaginado isso. E ainda tem uma série de posts em blogs, páginas especializadas nesse tipo de malandragem.

É difícil admitir que nossos pequenos atos marginais projetam comportamentos corruptos. Entretanto, é isso que prova um estudo realizado pelo Josephson Institute of Ethics. Baseado em quase 7 mil entrevistas, o relatório aponta que o “simples” ato de colar na escola significa maior possibilidade do sujeito ser desonesto. Detalhe, países que têm a prática do “jeitinho” são países mais corruptos.

A cola na escola é um ato de corrupção quase institucionalizado. O discurso do senso comum é bem conhecido: “quem não cola, não sai da escola”. Entretanto, quem trapaceia numa prova está corrompendo o sistema, está buscando uma vantagem pessoal. Num primeiro momento, pode parecer apenas uma ação sem prejuízos. No entanto, revela o caráter, revela uma pré-disposição em romper com a “lei” em benefício próprio.

O relatório do Josephson Institute deixa isso muito claro: independente da idade, as pessoas que colaram (ou colam) na escola estão duas ou mais vezes mais propensas a serem desonestas. E os números são contundentes.

Pessoas que colaram na escola estão três vezes mais propensas a mentir para um cliente; aumentar o valor de uma reivindicação de seguro; e duas vezes mais a inflar um reembolso de despesas. Duas vezes mais propensas a mentir ou enganar o chefe; também são pessoas com probabilidade de mentir para o cônjuge ou outra pessoa significativa; além de trapacear nos impostos.

Na verdade, a corrupção na política, na administração pública e até mesmo nas grandes corporações nasce justamente nas frágeis bases éticas e morais de cada um de nós.

Embora o estudo tenha sido realizado há alguns anos, um aspecto que se sobrepõe é a necessidade da educação para a formação de um sujeito ético. Os primeiros comportamentos marginais ocorrem na infância. E como as crianças aprendem na relação com os adultos, a disciplina e o exemplo são fundamentais. Quando o baixinho tenta levar vantagem, precisa ser corrigido. Contudo, quando ele nota que o pai dá um jeitinho de escapar da multa de trânsito, ou mente que não está em casa quando o telefone toca, tudo que ele diz para o filho deixa de ter valor. Por isso, é preciso combinar orientação com um forte modelo ético.