Torcendo pelo fracasso alheio

Depois da queda de Ricardo Teixeira, muita gente tem os olhos voltados para o futebol e especula sobre o futuro da seleção brasileira. Apesar de ter o trabalho contestado, o ex-presidente da CBF havia prometido que Mano Menezes ficaria no cargo até 2014. E agora? Dizem que o novo presidente, José Maria Marin, não é fã do treinador. Muito menos de seu padrinho, Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians.

Fala-se que o emprego de Mano Menezes depende de seu desempenho nas Olimpíadas. Ele vai comandar o time que buscará o inédito ouro olímpico.

Diante do cenário, já é possível perceber: muitas pessoas começam a torcer contra o time brasileiro. E o motivo é muito simples: uma campanha pífia na competição pode derrubar o técnico e ainda provocar outras mudanças no futebol brasileiro.

O fato me fez pensar nas tantas vezes que torcemos contra. O futebol não é o único caso. É verdade que muitas vezes queremos que nosso time perca só para ver o técnico, que odiamos, ser demitido. Porém, isso acontece na empresa, na escola, no círculo de amigos. Por não aceitarmos determinada situação, desejamos resultados ruins. Por vezes, nem nos importamos se vamos afundar juntos. Cegos, acreditamos que o fracasso pode trazer as mudanças que sonhamos.

Toda vez que não temos o poder de alterar a ordem das coisas, e discordamos de algo, torcemos contra. Queremos que tudo dê errado. Esta é nossa chance. Vislumbramos no fracasso a possibilidade do novo. Outras vezes, silenciosamente, elegemos algumas pessoas como inimigas e queremos vê-las envergonhadas, rejeitadas. Podem não ter feito nada contra nós, mas ansiamos pela derrota. Ela é nosso prêmio. É uma espécie de vingança que alimentamos em nosso interior e que, quando se concretiza, saboreamos com muito prazer.

Não tem nada de altruísta. Pelo contrário, é mesquinho. Faz parte da maldade que nos é intrínseca. É característica nossa. Mostra quanto somos contraditórios. Revela nossa fachada de bons sujeitos, mas que esconde nosso coração perverso.

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Vai tarde, Ricardo Teixeira

Tem coisas difíceis de entender… A sujeirada de Ricardo Teixeira é antiga. Faz parte da história dele à frente da CBF. Entretanto, os casos suspeitos – ou concretos – nunca foram pauta da imprensa nacional. Talvez em função da força da entidade, dos interesses econômicos, da importância do futebol para os índices de audiência. Entretanto, o silêncio está sendo rompido. Por quê?

Teixeira está fragilizado. Esbarra nas portas fechadas da presidente da República. O diálogo com a Fifa já não é o mesmo. Blatter não parece disposto a manter a associação com Teixeira. E agora a imprensa, que sempre o protegeu, divulga denúncias contra o presidente da CBF.

Ao que parece, o reinado de Ricardo Teixeira está acabando. Não sei se isso é bom ou ruim. Difícil acreditar que o futebol brasileiro será profissionalizado. Os cartolas todos têm velhos hábitos. E os clubes brasileiros são ferramentas usadas por alguns para enriquecer e garantir prestígio. Também não dá para saber se haverá conquistas a ponto de afetar a Copa de 2014.

Apesar das dúvidas, torço pela queda de Teixeira. Será hoje? Ninguém sabe. Por enquanto, só especulação. Acho que só um milagre salva o presidente da CBF.

Entretanto, como diria o filósofo Tiririca, “pior que está não fique”. Então, já vai tarde, Teixeira.

Sobre a mídia… Bem, a mídia é a mídia. Uma teoria que a gente chama de “preservação da face” explica bem seu comportamento. Em resumo, os veículos agem de acordo com o que é conveniente.

Rubinho e a capacidade de reinventar-se

Rubinho testou, nessa segunda-feira, o carro da Indy. Depois de 19 anos na Fórmula Um, o piloto brasileiro admitiu que pode correr uma ou outra prova pela categoria. Ele rejeitava a Indy, mas, sem espaço na F1, começa a rever seus conceitos. Ele não quer se aposentar. Sente necessidade de continuar no automobilismo. Por isso, considera a possibilidade de correr noutras pistas.

Eu admiro a insistência do piloto, a vontade de correr. Rubinho será eternamente o segundo. Embora seja recordista em número de GPs disputados, até nisso pode perder o posto de número 1. Michael Schumacher, se disputar mais duas temporadas, como promete, também assumirá esse recorde. Entretanto, isso nada disso tira do brasileiro seu otimismo, sua capacidade de ver as coisas sob um prisma bom, de que há espaço para coisas positivas, vitórias e sucesso.

Rubinho reinventa-se. Ama a família, é grato pelo que tem e conquistou. E sonha. Não para de sonhar.

Não o conheço. Porém, não acredito que essas características sejam uma máscara. Não acho que Rubens Barrichello seja um personagem. Parece-me bem real.

Para ele, não tem tempo ruim. Sente-se vencedor, mesmo sendo constantemente derrotado nas pistas.

Toda vez que o vejo tenho a impressão que o mundo seria melhor se tivéssemos um pouco das características dele.

Quem dera conseguíssemos sempre nos reinventar. Fechou uma porta? Vamos em busca de outra. E se não a encontrarmos, construímos uma saída. Não importa se vai demorar… se vai dar trabalho.

Sabe, entendemos sucesso como vitórias. Vitórias como felicidade. Não toleramos as frustrações. E, por isso, achamos que feliz é quem ganha sempre. Mas não… não é isso. Felicidade é um estado de bem-estar, de sentir-se bem consigo e com a vida. É ser agradecido pelas conquistas… Sentir-se vencedor pelo simples fato de estar vivo.

Ronaldo diz: “a Copa é do Povo”. Será?

Se a Copa é do povo, não faço parte do povo. A Copa de 2014 não é minha. Não faço parte disso. Vou pagar as contas – como todo cidadão. Porém, não me sinto parte desse evento. Ninguém perguntou pra mim se eu queria a competição em meu país; ninguém questionou se concordava com a construção do estádio bilionário do Corinthians; ninguém sondou se entendia ser justo gastar bilhões em obras superfaturadas… Não, a Copa não é do povo; é sim da CBF e de alguns poucos privilegiados que vão ganhar muito dinheiro com ela.

A organização da Copa me envergonha. Deveria envergonhar toda a nação. E não é pelo Ronaldo. Faz pouca diferença ter o ex-jogador no comitê organizador. Ele empresta prestígio, é verdade. Provavelmente tire o foco de Ricardo Teixeira, o cartola todo-poderoso da CBF. Teixeira é o único beneficiado. E o próprio Fenômeno, é claro.

Envolvido em casos suspeitos de corrupção, Teixeira quer se ver longe dos holofotes. Quer faturar o dele longe das câmeras. Ronaldo é um bom nome para desviar as atenções. E vai ganhar muito bem para cumprir esse papel.

Reconheço que a Copa é o maior evento que um país pode organizar e receber. Sempre entendi que seria bom tê-lo no Brasil. Entretanto, não com Ricardo Teixeira na CBF. Muito menos, com a infraestrutura que teremos a oferecer. A Copa não deixará como herança obras para o povo; deixará dívidas.

Alguém acredita que teremos bons aeroportos? Estradas? Fluidez no trânsito das grandes cidades? Sistemas de transporte alternativos (metrô, por exemplo)? Fim da bandidagem?

O país vai passar por uma “maquiagem” para receber a Copa. Nada mais que isso.

Quando o juiz apitar o fim do último jogo, começaremos a descobrir o tamanho do estrago (e, pelo futebol apresentado, até o título não deve ficar por aqui).

Espero estar errado. Porém, até o momento nada me convence que será diferente.

Corinthians, quase lá…

Eu prefiro o Vasco, mas parece que vai dar Corinthians. Tudo conspira para que o time do Parque São Jorge seja o campeão de 2011. Porém, restou uma pontinha de esperança. Está mais fácil para os paulistas, mas a equipe de São Januário é guerreira. Marcar um gol aos 45 minutos do segundo tempo, o gol da vitória, é um recado muito claro para o Corinthians: “o título pode ser de vocês, mas vão ter que lutar muito”.

Hoje, o timão venceu o Figueirense por 1 a 0; o Vasco derrotou o Fluminense, 2 a 1.

No próximo domingo, o Corinthians só precisa de um empate. Mas terá pela frente o Palmeiras. Já o Vasco terá de vencer o Flamengo, que ainda busca uma vaga na Libertadores. Para ser campeão, o time do Rio tem que vencer e torcer por uma derrota do Corinthians.

Como nessas horas o Brasil se divide entre corintianos e não corintianos, e me incluo no segundo grupo, vou torcer por essa combinação de resultados. Claro, vou desagradar meu filho. Faz parte, né?

Próximos jogos do Corinthians, Vasco, Fluminense, Botafogo e Flamengo

Duas rodadas atrás, fiz um levantamento sobre os próximos jogos do Corinthians, Vasco, Botafogo e Flamengo. Não incluí o Fluminense. E ainda apostei que o timão era o favorito. O que dizer agora? Em seis pontos disputados, o Vasco conquistou apenas um; o Corinthians, três. E o Fluminense entrou na disputa. Dois pontos atrás dos líderes. Por isso, acho que vale incluir o tricolor das Laranjeiras e fazer contas. Será que o time do técnico Abel Braga pode conquistar o bi?

Após 33 rodadas, o Corinthians e Vasco têm 58 pontos; o Fluminense, 56; Botafogo e Flamengo, 55.

Vale acrescentar que, mesmo dois pontos atrás dos líderes, o Fluminense tem o maior número de vitórias no campeonato. São 18. O Corinthians tem 17; Vasco, 16.

Veja os próximos jogos:

VASCO
13/11 – Botafogo (casa)
16/11 – Palmeiras (fora)
19/11 – Avaí (casa)
27/11 – Fluminense (fora)
4/12 – Flamengo (casa)

CORINTHIANS
13/11 – Atlético Paranaense (casa)
16/11 – Ceará (fora)
20/11 – Atlético Mineiro (casa)
27/11 – Figueirense (fora)
4/12 – Palmeiras (casa)

FLUMINENSE
12/11 – América (casa)
16/11 – Grêmio (casa)
20/11 – Figueirense (fora)
27/11 – Vasco (casa)
04/12 – Botafogo (fora)

BOTAFOGO
13/11 – Vasco (fora)
16/11 – América Mineiro (fora)
20/11 – Internacional (casa)
27/11 – Atlético Mineiro (fora)
4/11 – Fluminense (casa)

FLAMENGO
13/11 – Coritiba (fora)
17/11 – Figueirense (casa)
20/11 – Atlético Goianiense (fora)
27/11 – Internacional (casa)
4/12 – Vasco (fora)

Brasileirão: próximos adversários de Vasco, Corinthians, Botafogo e Flamengo

Acabei gastando tempo hoje para preparar um texto sobre os próximos jogos do Campeonato Brasileiro. Na verdade, a proposta era identificar os próximos adversários dos quatro clubes que parecem mais próximos do título.

Após 31 rodadas, o Vasco tem 57 pontos; o Corinthians, 55; Botafogo e Flamengo, 52.

É sempre difícil apostar num favorito. Entretanto, teoricamente, a caminhada do timão é mais fácil. Começo achar que meu filho vai comemorar o título do seu time de coração. Cá com meus botões, preferia o Vasco – até para homenagear o Ricardo Gomes.

Veja os próximos jogos:

VASCO
30/10 – São Paulo (casa)
6/11 – Santos (fora)
13/11 – Botafogo (casa)
16/11 – Palmeiras (fora)
19/11 – Avaí (casa)
27/11 – Fluminense (fora)
4/12 – Flamengo (casa)

CORINTHIANS
30/10 – Avaí (casa)
6/11 – América Mineiro (fora)
13/11 – Atlético Paranaense (casa)
16/11 – Ceará (fora)
20/11 – Atlético Mineiro (casa)
27/11 – Figueirense (fora)
4/12 – Palmeiras (casa)

BOTAFOGO
29/10 – Cruzeiro (casa)
5/11 – Figueirense (casa)
13/11 – Vasco (fora)
16/11 – América Mineiro (fora)
20/11 – Internacional (casa)
27/11 – Atlético Mineiro (fora)
4/11 – Fluminense (casa)

FLAMENGO
30/10 – Grêmio (fora)
6/11 – Cruzeiro (casa)
13/11 – Coritiba (fora)
17/11 – Figueirense (casa)
20/11 – Atlético Goianiense (fora)
27/11 – Internacional (casa)
4/12 – Vasco (fora)

Veja post atualizado após a 33a rodada.

Como assim? Feriado em dias de jogos da Copa? Não entendi.

Foi mais ou menos essa a minha reação quando ouvi a Roseann Kennedy no Crônica do Planalto desta terça-feira.

O projeto que foi para o Congresso prevê que tudo fecha, tudo para nos dias de jogos da Copa. E não só nas partidas do Brasil. Em todas elas. Claro, apenas nas cidades-sede. E por opção do governo local.

Dá para dimensionar isto? Na primeira fase, temos jogos todos os dias. Cerca de duas semanas. Nas outras duas, as partidas acontecem em dias alternados.

Nas capitais, enquanto a bola rolar, tudo estará fechado. Feriado.

Para o trabalhador, pode até haver motivos para comemorações. Mas… e a economia?

Alguns podem dizer: será compensada pelo movimento provocado por turistas durante o Mundial.

Concordo, parcialmente. Racionalmente, todo mundo sabe que as coisas não funcionam assim. Baixar as portas significa perda de receita. Já pensou, por exemplo, na Bolsa de Valores de São Paulo?

Cá com meus botões a coisa é simples. Decretar feriado é assumir a incompetência do poder público – o mesmo que justifica a medida como necessária para evitar problemas no trânsito, por exemplo.

Ou seja, como tudo leva a crer que o Brasil não estará pronto, não terá a infra-estrutura necessária para atender os turistas e fazer as coisas funcionarem durante o Mundial, decreta-se feriado para tirar gente das ruas.

É o típico “jeitinho brasileiro”.

Eu sempre defendi a tese de que o Brasil merecia sediar a Copa de 2014. Mas já há algum tempo revi minha posição.

A incompetência do poder público somada a gestão de Ricardo Teixeira na CBF revelam que o povo brasileiro vai pagar um preço muito alto para organizar o Mundial. Lamentável.