Faz bem importar-se com os sentimentos do outro

Sentir que o outro se importa com nossos sentimentos faz toda a diferença num relacionamento. Isso vale para o relacionamento amoroso, mas também para o relacionamento entre pais e filhos, amigos e para os relacionamentos profissionais.

A gente quer perceber que o outro se importa conosco. Mas essa é uma via de mão dupla. Eu quero que o outro me enxergue, mas também devo enxergá-lo. Eu cuido do outro, mas o outro também cuida de mim.

Esse importar-se se traduz em diferentes atitudes.

Por exemplo, no relacionamento profissional, chefes geralmente desejam que seus colaboradores se importem com a empresa e sejam gratos pelo emprego.

Por outro lado, faz bem quando o chefe percebe que um colaborador fez algo que não estava previsto. Dias atrás, uma pessoa que conheço acordou mais cedo, resolveu levar tapete e pano de chão da casa dela para a empresa. Mobilizou uma colega e fizeram uma faxina na agência em que trabalham. O tapete foi colocado no banheiro e tudo ficou arrumadinho. Elas tomaram a iniciativa, porque a empresa está sem zeladora ou diarista.

Acontece que os chefes chegaram para trabalhar, passaram por elas e sequer disseram obrigado. Um deles, horas depois, ainda reclamou que elas tinham acabado com o detergente.

Acho que não preciso dizer que a atitude deles foi um balde de água fria sobre elas.

No relacionamento amoroso, importar-se pode se traduzir pela capacidade de perceber que a parceira ou parceiro está aborrecido, não está num bom momento. E, ao notar que algo não vai bem com a pessoa, ser acolhedor ou simplesmente não cobrar alguma coisa que talvez tenha deixado de ser feita.

Ter a capacidade de reparar no que o outro faz ou perceber como a outra pessoa está, suaviza as relações. Costumo dizer que relacionamento é troca. Às vezes, estamos tão focados em nossas expectativas e desejos, que não enxergamos as atitudes do outro e tampouco seu estado emocional.

Portanto, faça sua avaliação, nas suas relações, você tem se importado com as pessoas com as quais convive? Ou tem sentido que alguém não tem se importado com seus sentimentos? Se isso tem acontecido, procure dialogar e expor como você se sente.

Lembre-se, a ausência de um olhar mais atento às pessoas com as quais nos relacionamos revela nosso descompromisso com a relação. E este é um dos primeiros passos em direção ao afastamento e ruptura com o outro.

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Nossas carências podem nos colocar em risco

É fato que desejamos ser acolhidos, abraçados, amados. Cada um do seu jeito, cada um a sua maneira, quer sentir-se importante na vida de outras pessoas.

Acontece que nem sempre nosso desejo de ser amado é correspondido.

Primeiro, porque temos uma imagem estereotipada do que significa ser querido pelas outras pessoas. Essa imagem tem grande chance de ser exagerada e bastante irreal, causando um descompasso entre a expectativa alimentada em nossa mente e a realidade.

Segundo, porque vivemos um tempo em que cada pessoa está tão envolvida, tão focada em si mesma que mal sobra espaço para reparar nas outras pessoas. Ou seja, estamos cada vez mais individualistas, pouco atentos às pessoas que nos rodeiam. Há pouco espaço para amar, acolher, tocar…

Isso potencializa um forte sentimento de solidão e abandono. Por isso, quem está carente demais vive a busca constante por alguém que lhe diga: “ei, estou aqui, vou te ouvir, vou te amar”.

E qual é o risco? Simples: nem todas as pessoas são confiáveis.

Na corrida por se sentirem amadas, as pessoas expõem facilmente suas vidas, seus segredos, sua intimidade.

Há uma urgência para contar com alguém, para ter um amigo, uma amiga, ou mesmo um amor.

Por conta disso, muita gente abre o coração para a primeira pessoa que aparece. Acontece que nem sempre essa pessoa é digna de confiança. A carência torna-se uma ferramenta de manipulação, abuso psicológico, violência e exploração econômica.

Portanto, a dica de hoje é esta: por mais carente que você esteja, não abra seu coração e sua vida para as pessoas em seus primeiros contatos. Espere, aguarde. Busque conhecer!

Nunca esqueça do conselho bíblico: seja prudente!

Hoje, com a internet, tornou-se fácil demais encontrar alguém on-line aparentemente amável, generoso, carinhoso. Entretanto, só o tempo nos revela quem de fato são as pessoas.

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Somos vulneráveis, mas temos um Pai que é soberano

Gostamos de ter garantias. E faz sentido desejá-las em certas situações.

Por exemplo, você contrata alguém para arrumar o encanamento de sua casa: é necessário ter a garantia de que a pessoa contratada sabe o que vai fazer.

Você compra um produto pela internet: você quer a garantia de que receberá o produto solicitado.

Entretanto, na maioria dos casos, não há garantia alguma de que teremos o que desejamos.

Quando você diz “sim” a um pedido de casamento, deseja que aquele pedido seja o compromisso de amor eterno. Mas, infelizmente, você não tem controle do que irá acontecer amanhã em seu relacionamento.

Quando você escolhe ter um filho, sonha com uma criança saudável e que siga por bons caminhos na jornada da vida. Você não espera que essa criança nasça com sérios problemas de saúde, que se envolva com o tráfico na adolescência e muito menos que seja assassinada antes de completar 18 anos.

Esses são apenas alguns exemplos de que que vivemos num mundo de incertezas e cheio de perigos. E se você quiser evitar todos os riscos, você simplesmente deixará de viver.

O medo de ser abandonado após casar-se, pode te levar a fechar-se para o amor. E não há nada mais incrível do que a experiência de dividir a vida com uma pessoa especial.

O medo do que pode acontecer com um filho, pode te impedir de experimentar o amor mais gratuito e generoso que existe: o da maternidade, o da paternidade.

Amigos e amigas, o que quero te dizer hoje é bastante simples: viver é arriscar-se, viver é assumir riscos. Se temos Deus como guia, entregamos nossa vida a Ele, fazemos escolhas sob orientação dEle e simplesmente nos permitimos viver.

Somos vulneráveis, mas temos um Pai que é soberano. Portanto, viva!

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Se você está sofrendo, permita-se sofrer

A gente vive sob pressão para estar bem. E eu confesso a você que me incomodo demais com o discurso de que a gente tem que controlar as emoções e a gente precisa ficar bem.

Eu não gosto disso. E não gosto porque sei que isso é conversa fiada.
 
E também é conversa fiada essa história de você pode, você consegue… Esse tipo de discurso produz em nós uma culpa imensa quando não estamos bem. A gente não está bem e ainda se sente culpado por não estar bem.

A gente até diz… “eu não podia estar assim”.

Um dos mais importantes filósofos da contemporaneidade, o coreano Byung-Chul Han afirma que vivemos numa sociedade do desempenho. E nessa sociedade assimilamos como verdade que cada um de nós é responsável pelo seu sucesso.

Na sociedade do desempenho, vigiamos a nós mesmos. A gente passa o tempo todo se cobrando para estar bem, para fazer as coisas certas, para ter sucesso.

E sabe o que acontece quando não estamos bem? Quando estamos sofrendo? Nos sentimos um fracasso. Nos achamos as piores pessoas do mundo. Nos culpamos!
 
Na prática, a gente sofre duas vezes. A primeira por não estarmos bem, por estarmos sofrendo e a segunda porque não admitimos que temos direito de sofrer.

Então hoje eu quero te dar uma boa notícia!

A Bíblia nos ensina a viver o sofrimento.

Veja esse verso:
Sou pobre e necessitado e, no íntimo, o meu coração está abatido (Salmos 109:22).

E quem disse isso? Davi. Estamos falando do rei Davi!! Sim, ele estava abatido.

Portanto, amigo e amiga, se hoje você está sofrendo, permita-se sofrer. Leve seu sofrimento aos pés do Senhor e não se cobre se hoje você não está conseguindo fazer o que tinha planejado fazer. Não se culpe por não estar bem.

Apenas conte tudo ao Senhor. Aceite sua dor!

No tempo certo, Deus vai agir em seu coração e você vai voltar a sorrir. E se a dor está insuportável e já dura muito tempo, procure ajuda. Deus capacitou homens e mulheres com inteligência para produzirem conhecimentos que, hoje, nos auxiliam a viver bem. Não tenha medo! A ciência também pode ser bênção de Deus para cuidar, para curar.  

Amém?

Sem humildade e coragem não há amor

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Gente, comecei o dia lendo uma frase que quero compartilhar com você. Diz assim: sem humildade e coragem não há amor.

A frase é de Zygmunt Bauman e está no livro “Amor líquido, sobre a fragilidade dos laços humanos”.

Esta frase é curtinha, mas muito profunda. Trata-se de um paradoxo que resume muito daquilo que encontramos no texto clássico do apóstolo Paulo sobre o amor, e que, ao longo da história, tem inspirado poetas como Luís de Camões e Renato Russo.

Bauman, quando afirma “sem humildade e sem coragem não há amor”, ressalta a necessidade da doação, da tolerância, da paciência, da abnegação. Mas também destaca que, para amar, é preciso não ter medo.

Quem tem medo do desconhecido, quem tem medo das perdas, quem tem medo de se magoar, não ama.

Pense só no que significa ter um filho… Quantas vezes temos que ser humildes e nos colocar em condições que talvez não nos colocaríamos para garantir um prato de comida ou um atendimento médico para um filho? Quem já abriu mão do orgulho próprio para garantir o bem estar de um filho?

Por outro lado, quem tem a coragem de aceitar que poderá sofrer uma decepção, de ser abandonado ou até de chorar a morte de um filho, não se torna pai ou mãe. Porque quando a gente tem um filho, a gente corre o risco do abandono, da decepção, da perda.

Mas, você que é mãe, você que é pai, me diga: existe amor mais incrível do que o amor de um pai, de uma mãe por seu filho?

Gente, o maior de todos os exemplos de um amor humilde e cheio de coragem é o do próprio Deus. Ele se humilhou diante do Universo entregando o próprio filho para nascer e morrer, e vindo ao mundo para nascer numa manjedoura de animais. Mas foi corajoso de enfrentar as forças do mal para salvar seus filhos.

Por isso, Bauman afirma “sem humildade e coragem não há amor”.

Seja para amar um filho, um marido, esposa, ou mesmo para ter amigos de verdade, é preciso ter humildade e também muita coragem para amar.

E qual a recompensa do amor? Ah… esta é difícil de ser traduzida em palavras. Só os humildes e corajosos, que decidiram amar de verdade, conhecem o poder do amor.

Quem deve tomar a iniciativa no relacionamento?

Uma leitora perguntou: sou eu o meu marido que deve tomar a iniciativa de pegar na mão quando caminhamos?

Outra leitora questionou: de quem deve ser a iniciativa para o sexo?

Você já notou que ainda guardamos em nossa memória algumas imagens sobre de quem é a responsabilidade por certas atitudes? Que tal falarmos sobre isso?

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O que falar sobre paternidade?

Uma amiga querida tem me estimulado a falar sobre a paternidade. Brinquei com ela que o estímulo está mais para uma insistência… Afinal, a cada novo texto ou vídeo que compartilho nas redes, ela ressalta o que gostou, mas me lembra sobre a importância de expor minhas reflexões sobre o papel ou o significado de ser pai.

Nesta última semana, respondi que talvez nunca falei especificamente sobre o assunto por não me sentir totalmente confortável. Sinto que sou um pai comum, bem comum, cheio de falhas e, por me cobrar tanto, carrego culpas e arrependimentos por falhas que tive ao longo da formação de meus filhos. Entretanto, há algo que não falei para ela: eu me olho como pai e lembro do meu pai. Quando faço isso, me sinto uma criança – um menino diante de um homem.

Meu pai – ainda vivo, graças a Deus – é um gigante. Sinceramente, não consigo traduzir em palavras o que o “seo Francisco” representa. Pensar nele como pai faz meus olhos lacrimejarem, dá um aperto no peito e a voz embarga. Ele foi a expressão mais perfeita da disciplina e do afeto. Amava e disciplinava. Fazia as duas coisas de maneira tão incrível que eu o temia, mas me sentia plenamente amado. Nunca tive dúvida sobre o amor de meu pai. Claro que eu o frustrei em vários momentos. Fui grosseiro e estúpido em algumas situações. Esses poucos momentos de desobediência e confrontos nunca saíram de minha mente e, se pudesse, faria tudo diferente para não decepcioná-lo.

O olhar que tenho para meu pai é de profunda admiração. “Seo Francisco” deu valor ao que tinha valor: a família e Deus. Confesso que, na adolescência e nos primeiros anos da vida adulta, geralmente comentava em casa sobre a ausência de ambição e do fato de meu pai ter pouca gana para ganhar dinheiro. Entretanto, mesmo esse suposto “comodismo” me trouxe uma das referências mais importantes: ainda que o dinheiro seja necessário para viver, não é o tamanho da conta bancária que nos assegura o sorriso no rosto e a paz no coração.

As lições deixadas por meu pai, e que ainda acontecem toda vez que eu o encontro, são tantas que me sinto pequeno demais no relacionamento com meus filhos. É fato que hoje vejo neles coisas que aprendi e reproduzi em minhas práticas de vida. Tenho orgulho de ver que o Victor, caminhando para completar 24 anos, e a Duda, com 19, são pessoas de caráter, sem preconceitos de cor, gênero ou religião, possuem sensibilidade social, não hierarquizam os outros pela conta bancária e nem valorizam o jogo de aparências que domina o mundo contemporâneo. Influenciei para que isso acontecesse? Não sei. Sei apenas que sou grato pela oportunidade que tive de ter nascido filho do “seo Francisco” e, talvez, ter sido, mesmo que por “acidente”, um pouquinho do que ele sempre foi para mim.

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