O medo pode nos impedir de viver

Ouça a versão em podcast!

Li um pensamento que gostaria de compartilhar: nossos medos não detêm a morte, mas sim a vida.

A ciência entende o medo como uma ferramenta importante de autodefesa. O medo nos coloca em estado de alerta e prepara nosso corpo para reagir diante de uma situação de perigo.

Entretanto, o mesmo medo que é fundamental para agirmos de forma prudente, cuidadosa, sábia, também pode nos paralisar.

E muitos de nós, por medo, deixamos de viver.

O pensamento resume essa ideia: o medo não nos impede de morrer, mas pode nos impedir de viver.

Por medo de ser rejeitado, quantas pessoas deixaram de dizer “eu te amo” para uma garota ou um garoto?

E o sonho de ter o próprio negócio? Ou quem sabe de mudar de profissão? Quem sabe a vontade era mudar de cidade ou até de país?

Ter medo do que pode acontecer é importante para agirmos racionalmente, com planejamento, tentando prever as consequências.

Mas se o medo se torna uma barreira, se nos paralisa, estamos abrindo mão da vida.

Na Bíblia, tem um texto que gosto bastante. Josué havia se tornado líder do povo de Israel. Ele estava inseguro. Josué tinha diante dele uma série de batalhas, cidades que precisavam ser conquistadas.

Deus então diz a Josué: se valente!

A palavra não é para Josué se tornar um homem raivoso, nervoso, agressivo; era para que enfrentasse seus medos e seguisse em frente, se tornasse o líder que o povo precisava.

Parece-me que todos os dias o Universo ainda nos diz: se valente! Enfrente seus medos, lute por seus sonhos, não se deixe abater diante das dificuldades. Afinal, nossos medos não detêm a morte, mas detêm a vida.

Escolha uma única janela para usufruir a beleza da vida

Ouça a versão em podcast!

Talvez um dos nossos grandes erros seja a tentativa de viver várias experiências ou fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Nossa vida, de certo modo, assemelhá-se à experiência que temos ao navegar na internet: quando acessamos a rede em nosso computador, nunca abrimos uma única aba. Abrimos várias. Parece que queremos ver tudo de uma vez. Mas o que acontece? Na prática, não vemos nada direito, praticamente não absorvemos os conteúdos ali disponíveis.

O escritor Francis Scott Fitzgerald disse numa de suas obras que “a experiência demonstra que a vida é usufruída com muito maior sucesso quando contemplada através de uma única janela.”

A afirmação de Fitzgerald é preciosa. Contemplar a vida de uma única janela não se trata de se fechar para novas experiências e nem viver de maneira limitada. Contemplar através de uma única janela, trata-se de usufruir a vida de maneira plena, envolvendo-se totalmente com uma coisa de cada vez.

Quando abrimos o navegador de internet e inúmeras abas estão disponíveis diante dos nossos olhos, nós não nos fixamos em nenhuma delas. Não há imersão.

Usufruir a vida é uma experiência semelhante. É preciso escolher uma janela, aquietar-se nela e se permitir olhar demoradamente para ver todos os detalhes, apreciando toda a beleza que existe.

Nosso jeito apressado e ansioso de ser, querendo sentir todos os gostos e sabores, faz que com que os desconheçamos. Isso se dá até mesmo nos relacionamentos. Algumas pessoas desejam viver todas experiências afetivas possíveis. Não se prendem a ninguém. Na prática, nunca tiveram a chance de abrir completamente o coração para uma pessoa e tampouco chegam a conhecer a alma de alguém. São inúmeras bocas ou corpos tocados, mas nenhuma pessoa plenamente conhecida.

Usufruir a vida de uma única janela é não perder-se em tantas imagens a ponto de não gravar nenhuma delas. É aceitar a impossibilidade de estar inteiro, corpo e alma, em vários projetos, trabalhos ou relacionamentos.

Ao escolher uma única janela vemos a vida de fato. E como passageiros no trem da existência temos a chance de contemplar cada detalhe da trajetória, reparando toda a beleza que existe na viagem.

Ser ético é considerar o efeito de suas ações sobre as outras pessoas

Ouça a versão em podcast!

Uma conduta ética pressupõe agir com responsabilidade, considerando o impacto que nossas atitudes têm sobre a vida das outras pessoas. Muitas de nossas ações afetam as pessoas próximas. Entretanto, por vezes, em nome do nosso bem-estar ou das coisas que acreditamos serem as melhores, atropelamos quem está conosco.

Nos relacionamentos, isso é bastante comum. O marido, sonhando com sua ascensão profissional, assume compromissos sem consultar a esposa; deixa o romance de lado e parece ignorar que a parceira pode estar se sentindo abandonada.

Muitos pais fazem a mesma coisa com os filhos. Na tentativa de alcançarem o sucesso, deixam de investir na educação das crianças e no desenvolvimento emocional dos pequenos – parecem acreditar que a escola fará aquilo que deixaram de fazer. Quando notam o problema já é tarde demais. Os filhos estão distantes, com problemas na escola e, às vezes, até envolvidos com as drogas.

Agir de forma ética implica em lembrar-se do outro em minhas ações. É necessário me questionar: o que eu pretendo fazer pode prejudicar alguém? As minhas escolhas podem injustiçar alguém? Ou fazer uma pessoa infeliz?

A vida não se resume ao eu mundo. Nem mesmo aos meus sonhos, projetos ou incômodos.
Somos os principais interessados em nós mesmos. Em defender nossos planos, em promover nosso desenvolvimento e até em nós defendermos. Mas isso não significa que vivemos sozinhos, isolados, tampouco que não tenhamos responsabilidade pelos efeitos de nossas escolhas sobre as outras pessoas.

A chave para o fracasso

Ouça a versão em podcast!

Numa frase atribuída a Woody Allen, o ator e diretor norte-americano afirma desconhecer qual é a chave do sucesso, mas assegura saber o que determina o fracasso. Segundo ele, a vontade de agradar a todos leva ao fracasso. Logo, quem deseja o sucesso deve compreender que nem sempre agradará todas as pessoas.

É fundamental nos preocuparmos com quem está a nossa volta. Ressalto, inclusive, que nossas ações precisam considerar os efeitos sobre as pessoas próximas. Afinal, não me parece justo prejudicar alguém ou fazer uma pessoa infeliz em nome do nosso sucesso ou da nossa felicidade.

Entretanto, a tentativa de agradar a todos é insana. Não existe possibilidade alguma de sermos bem-sucedidos na busca por fazer com que todos estejam satisfeitos conosco.

Se estamos o tempo todo preocupados em agradar, permanecemos paralisados. Não saímos do lugar.

Por isso, segundo Woody Allen, a chave do fracasso é conhecida. Agradar a todos é impossível. Falhamos nisso até mesmo em coisas pequenas, em nosso cotidiano doméstico.

A busca por agradar a todos nos paralisa. Impede-nos de agir.

Por isso, precisamos de parâmetros éticos, de solidariedade, de responsabilidade para com os demais que referenciem nossas ações. Mas tendo esses parâmetros, é fundamental nos movermos, buscarmos nossos sonhos, realizarmos aquilo que acreditamos ser importante.

Do contrário, viveremos frustrados. Nossos sonhos seguirão encaixotados em nossas inseguranças e teremos uma vida patética. Na tentativa de agradarmos todas as pessoas, nossa existência será insignificante, inclusive para nós mesmos.