O abraço que faz falta

A quarentena está machucando o coração da gente. Este período de isolamento social é também um período de incertezas. Ninguém sabe se vai ser contaminado pelo novo coronavírus, se alguém da família vai ficar doente, se terá uma perda na família… Também há dúvidas sobre o pagamento das contas, a garantia de trabalho, emprego, renda… E, pior de tudo, ninguém sabe quando isso vai passar.

Esse cenário tem deixado nossas emoções à flor da pele. Estudos mostram que os casos de ansiedade e estresse mais que dobraram neste período. Os relatos sobre depressão também são bastante preocupantes.

Para tornar tudo isso ainda mais difícil de suportar, muita gente está separada das pessoas que ama. É uma mãe que está há semanas sem ver o filho; uma avó que não reencontra os netos; famílias que gostam de se reunir nos fins de semana e que não podem estar juntas… A falta de contato, de conversas ao redor da mesa, das risadas deixa as pessoas ainda mais sensíveis, carentes.

E algo tão simples, mas que faz um enorme bem ao coração, começa a ser notado: o abraço! Sim, gente, o abraço é um santo remédio, sabia? Um abraço envolvente, sincero, cheio de carinho, de querer bem remete a uma memória guardadinha em nosso cérebro: o afago gostoso que tínhamos no colo da mãe quando a gente nem sabia que era gente, nem sabia que existia.

Os pesquisadores da mente afirmam que o abraço é uma terapia das boas. Acalma, alivia, reduz o estresse, a ansiedade… Quem se deixa envolver por um abraço, por alguns instantes, esquece dos problemas, do que está acontecendo a sua volta. E quando sai do abraço, sente-se renovado.

A quarentena está impedindo muita gente de abraçar. E essa falta tem sido sentida. Tem muitas pessoas sozinhas nesses dias e a ausência desse toque cheio de bons afetos torna esse período ainda mais angustiante.

Pensando nisso, quero deixar pra você três breves dicas: a primeira e mais importante, se tem alguém perto de você nesses dias, e se ninguém está com doença contagiosa, abrace! Vai te fazer bem! Perca a vergonha e peça um abraço. Em casa, eu e minha esposa, às vezes num lugar qualquer da casa, nos abraçamos quietinhos e ficamos ali por uns minutinhos. Parece que o tempo para! E a vida fica mais leve.

Segunda dica, se não tem ninguém aí pra você abraçar, use as tecnologias disponíveis para conversar com as pessoas. Ligue pra alguém – ou converse pela janela… Ache alguém com quem você possa papear à toa. Tente rir, contar histórias… Ah… outra ideia: grave um vídeo para a pessoa que você ama. Hoje, quase todo mundo tem um celular com câmera. Então, grave, mande pra aquela pessoa que você está sentindo muita falta. Não é um abraço, mas é uma forma de fazer um afago no coração.

Por fim, preste atenção, quando essa quarentena acabar – e essa pandemia vai passar, se Deus quiser -, valorize mais o toque, o abraço, o acolhimento. Muitos de nós só estamos sentindo falta de abraços agora, porque não podemos abraçar. Enquanto podíamos, muitos abraços deixaram de ser dados. Então, quando passar, não guarde abraços para depois. Abrace sempre. Não passe um único dia sem abraçar as pessoas que você ama. Você vai se sentir muito mais feliz e fará alguém sorrir!

Não siga a multidão!

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Imagine que você está chegando de férias numa cidade desconhecida… Você está com muita fome. E quer comer algo gostoso, bem feito. Aí você entra na região central e vê com quatro pequenos restaurantes. Três deles estão praticamente vazios; um está cheio, mas você nota que ainda assim conseguiria uma mesa para se sentar. Qual você escolheria? É bem provável que optaria pelo que está cheio de gente. E por quê? Porque a presença de várias pessoas funciona como prova de que o local é agradável, tem uma boa comida e, provavelmente, um bom atendimento.

Nas redes sociais, provavelmente você já viu alguém pedindo sugestões de filmes, livros e até serviços… A pessoa precisa de um marceneiro. Vai nas redes e pede uma recomendação.

Os sites de vendas quase sempre atribuem estrelinhas de avaliação para os produtos. E ainda abrem espaço para comentários.

Isso também acontece nas plataformas de streaming de filmes e músicas. Teoricamente, filmes e músicas com avaliações mais altas são melhores.

Mas deixa eu te fazer uma pergunta: você já assistiu um filme muito bem avaliado e não gostou da história?

É provável que sim.

Então deixa eu te falar algo muito importante: o fato de um restaurante estar lotado, não significa que ele tem a melhor comida. Vale o mesmo para serviços, filmes, livros, músicas… Não é por que a maioria das pessoas disseram gostar que você irá gostar.

Essa minha afirmação é um bocado obvia, mas ela serve para lembrar que nossos gostos e preferências não precisam seguir a multidão. Nem tampouco devemos fazer escolhas baseadas no que diz a maioria.

Embora boas avaliações sejam um indicativo importante de qualidade, não representam necessariamente seu gosto e nem tampouco o que você é.

A tese da individualidade se sustenta também em atitudes de independência e autonomia nas escolhas que fazemos. No campo das informações, vale o mesmo princípio. Dá um pouco mais de trabalho pesquisar, avaliar e escolher por si mesmo. Mas, lembre-se, você é único, você é única. Então faça suas próprias escolhas. Você não precisa seguir a multidão!

Que mundo novo estamos construindo?

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Nos últimos dias, tenho escutado algumas pessoas falando que a pandemia de coronavírus fez morrer o mundo que tínhamos e está fazendo nascer um mundo novo.

O mundo como o conhecíamos até semanas atrás teria deixado de existir. Noutras palavras, após a crise, nada mais será como antes.

Os valores que tínhamos, as coisas que possuíamos… tudo será ressignificado. Sem contar que perderemos muitas coisas, inclusive, pessoas.

Eu concordo que acontecimentos dessa proporção criam rupturas. E dão origem a uma nova história. Entretanto, ainda tenho dúvidas se o mundo que irá nascer será melhor que o que tínhamos.

O sofrimento tem um efeito poderoso sobre nós. Ninguém sai do sofrimento igual. Porém, os efeitos nem sempre são positivos. O sofrimento pode tornar alguém melhor ou pior do que era.

Justamente por saber disso, tenho dúvidas sobre o quê iremos construir quando sairmos dessa pandemia. Na verdade, depende inclusive de como estamos administrando nossas dores e perdas hoje.

O tempo de distanciamento e/ou isolamento social pode nos tornar mais generosos, mais solidários, mais altruístas, mais amorosos, menos apegados ao dinheiro…

Mas também pode produzir pessoas mais egoístas, gananciosas, invejosas, mesquinhas, individualistas…

Sinceramente, não sei que tipo de mundo teremos após a pandemia. Entretanto, espero que esse período tão difícil possa ter um efeito bom sobre mim, sobre as pessoas que estão comigo e também sobre você. Se nos tornarmos pessoas melhores com essa crise, já teremos boas mudanças. Afinal, se a nossa casa, empresa, sala de aula se tornarem um ambiente mais amável, afetuoso, caridoso, solidário, generoso… O nosso mundinho já será melhor.

Em tempos de quarentena, desconecte-se; dedique tempo às pessoas que você ama!

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Você já notou que a gente agora só fala de uma coisa?

A pandemia de coronavírus tornou-se a pauta única de nossas conversas.

Confesso que isso me incomoda profundamente.

Por ser algo que traz preocupações com a saúde, com a vida financeira das pessoas, o desgaste emocional é muito grande. Começa a faltar energia para coisas básicas: o cuidado pessoal, por exemplo. Cuidar da aparência, investir tempo arrumando cabelo, escolhendo as roupas… Parece faltar disposição até pra isso. Tem gente que nem tira mais o pijama.

Eu tenho adotado algumas estratégias. A primeira e principal: tenho ficado longe do noticiário. Não significa ficar alienado. Todos os dias, separo um tempinho para espiar as principais notícias. Uns 20 minutos. Não mais que isso. Vejo as informações que considero mais relevantes, em sites confiáveis e pronto.

Já as redes sociais se constituem num desafio. Em função do meu trabalho e do fato de estar presente nas redes para compartilhar conteúdos para as pessoas que me seguem, acabo esbarrando em muita informação que desestabiliza, irrita e até faz perder a fé no ser humano. Então, também para isso, estou me impondo alguns horários.

Abro as redes apenas em alguns momentos do dia. E faço isso naqueles horários que vou publicar algum conteúdo ou que vou responder as pessoas. Tento manter uma rotina consciente: entro, faço o que preciso fazer e saio. É uma maneira de manter a sanidade mental.

Precisamos considerar que, além de todas as informações ruins causadas pela pandemia – quarentena, mais e mais pessoas infectadas, milhares de mortes em diversos lugares do mundo -, no Brasil, o assunto está sendo politizado e, ao invés de agirmos numa perspectiva preventiva e cautelosa, em favor da vida, o debate ganha contornos extremistas e partidarizados. Isso causa um problema maior. Afinal, ao invés de nos unirmos pra resolver o problema, criamos muros nos afetos, geramos enfrentamentos que nos separam como pessoas.

Portanto, além de se proteger do coronavírus, proteja sua mente. Dedique menos tempo às redes e ao noticiário. Dedique atenção às pessoas que você ama. Se estiverem perto, invista tempo em conversas, em carinhos… Vá para a cozinha, faça coisas gostosas… Aproveite esses dias. Se as pessoas estiverem distantes, use as tecnologias para falar com elas. Faça ligações em vídeo, videoconferências com a família… Descubra ferramentas que permitam reunir todo mundo na tela do computador ou do celular e divirta-se um pouco com as pessoas que você ama.

Os tempos são difíceis para vivermos apenas em função das notícias ruins e para politizarmos o debate sobre a nossa saúde, sobre a nossa vida.


Para quê servem os dons?

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Para quê servem os dons? O que são os dons? Eu diria que são aquelas habilidades que possuímos, que parece terem vindo no pacote quando nascemos.

Tem gente que com um pouco de farinha e alguns temperos é capaz de fazer uma torta incrível.

Esses dons, quando bem aproveitados, tornam nossa vida melhor. Podem ser utilizados na lógica dura da sobrevivência, auxiliando-nos a ganhar dinheiro.

Entretanto, estou cada vez mais convencido que nossas habilidades também devem estar a serviço de outras pessoas. Se os dons que possuímos não servirem para melhorar a vida das pessoas, nossa existência é vazia.

Essa premissa pode parecer utópica. Ou mesmo um tanto tola. Afinal, de certo modo, fazemos parte de uma sociedade que transformou o ditado “cada um por si e Deus pra todos” numa espécie de verdade.

Mas, se os talentos ou habilidades que possuímos só estiverem a serviço de nosso próprio bem-estar, estaremos sendo mesquinhos, medíocres e egoístas.

Quando nos concentramos apenas em nós mesmos, podemos até ter uma vida confortável. Porém, teremos perdido a chance de contribuir para alegrar alguém, para tornar a vida de outra pessoa um pouco melhor.

Deixa eu dar um exemplo… Eu amo aprender. Amo aprender sobre muitas coisas. De que serve todo esse aprendizado se eu guardar só pra mim?

Se dedicamos nossos talentos apenas para o nosso crescimento econômico e financeiro, nosso único legado terá sido pelo fortalecimento de ideiais individualistas, narcisistas. Um dia deixaremos essa vida e teremos deixado escapar a oportunidade de contribuir de alguma maneira para tornar esse mundo melhor.

Todos nós somos bons em algumas coisas; fazemos com facilidade coisas que outras pessoas demoram mais ou precisam se esforçar mais que nós… É como se o universo tivesse nos dotado dessas habilidades especiais.

Agora, pense por um instante, se todos nós, com os dons, talentos ou habilidades distintas que possuímos contribuíssem para auxiliar quem precisa, teríamos ou não um mundo melhor?

Neste comecinho de ano, é uma boa dica pensar em como você pode usar seus dons, aquilo que você faz de melhor, para tornar a vida de alguém um pouco melhor. Tenho certeza que podemos fazer a diferença para alguém.

Você valoriza o que tem?

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Vou me incluir na pergunta… O que valorizamos? Quase sempre, aquilo que não temos. Ou o que corremos o risco de perder.

Valorizamos nossa saúde quando estamos doentes; valorizamos a força de nossas pernas quando encontramos dificuldade para subir uma escada… Valorizamos o trabalho quando ele falta…

A lógica se repete também em nossos bens materiais. O carro conquistado há alguns anos, a casa já comprada, o celular com um ano de uso… Tudo isso é pouco valorizado.

Nossos olhos se voltam para o que ainda não possuímos. O carro do colega de trabalho, a casa do vizinho, o novo lançamento de smartphone…

Mas sabe o que é pior? Fazemos isso com pessoas. As pessoas que amamos quase sempre se tornam comuns, cheias de defeitos e até um fardo. Tem aqueles que chegam inclusive a cobiçar a família do vizinho, a mulher do outro…

O professor Mário Sérgio Cortella lembra que geralmente valorizamos apenas aquilo que corremos o risco de perder. Eu acrescento, lembrando do filósofo Platão, que amamos aquilo que não temos.

Meu convite é muito simples: valorize o que você tem, aproveite as coisas que possui, alegre-se com quem está contigo e diante de você todos os dias. Um dia seus filhos irão embora, seus pais deixarão essa vida e até a sua cama poderá ser apenas um leito de dor… Olhe menos para o que não tem e descubra o valor do que possui. Viva com prazer e intensidade com tudo que é seu.

A caminhada é mais fácil quando nos abrimos para os relacionamentos

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Precisamos de gente em nossa vida. Embora a existência seja, de certo modo, solitária, é fundamental ter com quem somar e dividir.

A caminhada é solitária por que as pessoas entram e saem da nossa vida. Cada uma delas deve construir seus próprios projetos, relacionamentos… Muitas delas se afastam para dar conta das próprias necessidades e, com isso, também se distanciam emocionalmente.

Outras tantas deixam nossa vida porque a morte tiram-nas de nós.

Entretanto, embora sempre existam partidas, precisamos ser receptivos àqueles que chegam. Sei que para muitas pessoas isso é desafiador. Tem gente que já sofreu tanto em relacionamentos que prefere se manter distante. Também há quem é introspectivo e se sente mais confortável sozinho – eu sou uma dessas pessoas. Conviver parece não ser algo agradável.

Entretanto, é preciso romper com as barreiras que nos separam das outras pessoas. Vivemos melhor quando nos relacionamos. Ainda que muita gente nos deixe durante o percurso, é necessário quem encontramos; trazê-las para perto de nós, dividirmos as experiências e as coisas boas que temos, também somar forças para a construção de nossos sonhos e aprendermos aquilo que podem nos ensinar.

Se a gente não se abre para o outro, a vida não se torna apenas solitária, experimentamos a solidão e nos tornamos mais frágeis.

São os relacionamentos que nos fortalecem, que possibilitam as trocas e que possibilitam inclusive as conquistas pessoais e profissionais. Tudo se torna muito mais difícil quando estamos sozinhos. Não se trata apenas de ter alguém com quem você possa conversar, trata-se de contar com gente para agregar, aprender, ensinar, auxiliar na realização de um projeto, facilitar na abertura de uma porta – às vezes até para mediar o contato com alguém que você sonha conhecer.

Por isso, é importante não nos fecharmos em nós mesmos; a caminhada fica mais fácil quando nos abrimos para os relacionamentos.

O medo pode nos impedir de viver

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Li um pensamento que gostaria de compartilhar: nossos medos não detêm a morte, mas sim a vida.

A ciência entende o medo como uma ferramenta importante de autodefesa. O medo nos coloca em estado de alerta e prepara nosso corpo para reagir diante de uma situação de perigo.

Entretanto, o mesmo medo que é fundamental para agirmos de forma prudente, cuidadosa, sábia, também pode nos paralisar.

E muitos de nós, por medo, deixamos de viver.

O pensamento resume essa ideia: o medo não nos impede de morrer, mas pode nos impedir de viver.

Por medo de ser rejeitado, quantas pessoas deixaram de dizer “eu te amo” para uma garota ou um garoto?

E o sonho de ter o próprio negócio? Ou quem sabe de mudar de profissão? Quem sabe a vontade era mudar de cidade ou até de país?

Ter medo do que pode acontecer é importante para agirmos racionalmente, com planejamento, tentando prever as consequências.

Mas se o medo se torna uma barreira, se nos paralisa, estamos abrindo mão da vida.

Na Bíblia, tem um texto que gosto bastante. Josué havia se tornado líder do povo de Israel. Ele estava inseguro. Josué tinha diante dele uma série de batalhas, cidades que precisavam ser conquistadas.

Deus então diz a Josué: se valente!

A palavra não é para Josué se tornar um homem raivoso, nervoso, agressivo; era para que enfrentasse seus medos e seguisse em frente, se tornasse o líder que o povo precisava.

Parece-me que todos os dias o Universo ainda nos diz: se valente! Enfrente seus medos, lute por seus sonhos, não se deixe abater diante das dificuldades. Afinal, nossos medos não detêm a morte, mas detêm a vida.