Minha dor é maior do que a sua

Conhece gente que parece sempre ter vivido uma experiência mais dramática do que você?

Você está lá contando a sua história… Nela, talvez você tenha vivido ou esteja vivendo um momento muito doloroso. Foi difícil demais (está sendo difícil demais) pra você.

Quando você termina de abrir seu coração, a pessoa diz:

Ah… Isso não é nada. Você precisa saber o que eu passei.

E aí ela desfila uma série de situações que, embora façam muito sentido e, provavelmente, tenham sido experiências de dor, não ajudam nenhum pouco a amenizar o seu sofrimento. Na prática, só fazem você se sentir pior.

Pois é… Esse tipo de coisa acontece. E com muita frequência. E, às vezes, somos nós os protagonistas desses enredos.

Todos nós temos nossas dores. E a dor que mais dói é a dor que a gente sente; nunca é a dor do vizinho. A gente só consegue entender a nossa dor. A dor do vizinho é do vizinho e, por isso, temos a impressão que é menor do que a nossa.

Por isso, existe uma palavrinha chave que devemos não apenas conhecê-la, mas aprender a praticá-la: empatia.

Sim, a palavra chave é empatia.

Empatia é a capacidade de tentar compreender o que significa o drama do outro. E respeitar a experiência dolorosa do outro.

É muito natural olharmos para a outra pessoa e acharmos que o sofrimento dela é coisa pequena perto do que já passamos ou perto daquilo que algum personagem que conhecemos já experimentou.

Essa é uma reação natural, pois estamos fora da vida daquela pessoa.

Entretanto, se desenvolvemos a empatia e a colocamos em prática, nós ouvimos o relato do outro e acolhemos. Acolher é respeitar e, se não sabemos como ajudar, oferecemos nosso abraço, nossos ombros.

Lembre-se que não há nada pior quando estamos sofrendo do que não encontrar alguém que nos entenda, que nos acolha. Portanto, procure não cair na armadilha de sempre ter uma história mais dramática para contar a alguém que sofre. Pode apostar: isso não ajuda.

As vitórias e também os fracassos começam em nossa mente

O que isso significa?

Simples, os nossos pensamentos condicionam nossas atitudes diante da vida. Se damos um passo achando que vamos cair, é bem provável que terminemos com a cara no chão.

Se damos um passo crendo na vitória, o fracasso até pode acontecer, mas nossa atitude será de vencedores e, certamente, a queda será momentânea, porque logo estaremos novamente de pé.

Eu tenho dito que ninguém está bem o tempo todo. Nossas emoções nos traem e, por vezes, nos sentimos péssimos.

Porém, tenho aprendido que necessitamos ser objetivos: quando começamos a afundar, devemos agir para não afundarmos emocionalmente.

Se deixarmos as emoções tomarem conta, nossa crença será de que não somos bons o suficiente e que a vida nunca dá certo para nós.

Por isso, é preciso dizer para dentro de si e fazer como o salmista: conversar com sua alma – ou, conversar consigo mesmo, dizendo: ei, você é um vencedor pela graça de Deus. Expulse seus pensamentos derrotistas, peça ajuda do Senhor e confie.

Manter uma atitude positiva não é garantia de vitória, mas pode ter certeza que atitudes pessimistas são garantia de derrota.

Portanto, cuide dos seus pensamentos. Podemos não vencer todas as batalhas, mas as vitórias começam com uma atitude confiante, de fé!

Deus, o maior artista

Você medita, você pensa nas obras do Senhor? Você dedica um tempo do seu dia para lembrar da grandeza de Deus, pensar, por exemplo, no que significou a abertura do mar vermelho… Ou o que foi aquela coisa incrível que Jesus fez num casamento, transformando água em vinho? Você pensa nessas coisas, medita nelas? Ou isso só acontece quando ouve um sermão na igreja?

Quando falo em meditar nas obras do Senhor, eu penso na atitude de alguém diante de uma obra de arte. Eu sou professor universitário e um dos temas de minhas aulas é o prazer estético, o prazer que se tem diante da beleza. A arte não tem função prática. A arte é alimento da alma. E a atitude de uma pessoa diante de uma obra de arte, para que a obra cumpra o seu papel, deve ser contemplação. Existe uma palavra para isso: fruição estética. Ou seja, diante de uma obra de arte eu me deixo levar, eu me abro para sentir, para imaginar, para ter prazer diante da obra… sem me preocupar com a necessidade dela realmente fazer sentido. Eu me deixo levar para outros mundos.

Ao ler o Salmos 111:2, penso justamente nisso.

Grandes são as obras do Senhor; nelas meditam todos os que as apreciam.

As obras do Senhor são incríveis. São a expressão do desejo criativo do maior artista do universo. Deus é o maior artista. E Ele se alegra com suas obras. Tem prazer nelas – tanto é que, após ter concluído a criação, Ele disse que estava bom.

E nós?

A arte existe para ser contemplada. Mas, distraídos com o mundo, quase não dedicamos tempo a contemplação. O ato de contemplar requer que nos livremos das distrações… É preciso estar ali apenas você e a obra diante dos seus olhos.

A obra do Senhor também existe para ser contemplada e, para nos alegrarmos com as grandes obras dEle, é necessário livrar-se das distrações e dedicar toda a atenção apenas ao ato de meditar e ver o que Deus fez.

Quem faz isso? O final do verso dois responde: “aqueles que apreciam a obra do Senhor.”

Você aprecia? Dedique tempo, fuja das distrações e, como estando diante da maior obra de arte, permita-se viajar pela beleza das obras do Senhor.

A vida feliz ficou no passado?

Você é daquelas pessoas que acha que bom mesmo era o passado? Acha que, no passado, o mundo era feliz?

Essa é uma reação curiosa e que já foi demonstrado em vários estudos. Olhar para o passado e entender que o passado é que era bom não é coisa de gente do século 21.

Há em nós uma atitude um tanto generosa para com o passado. Nosso cérebro tem uma espécie de mecanismo que sublima as grandes dificuldades pelas quais passados e retém o que há de mais positivo. Até as dores do passado ficam como momentos importantes para a nossa vida. Além disso, nosso cérebro tende a criar uma imagem fantasiosa sobre a vida.

Sim, nosso passado não é o que acreditamos. Sim, nosso cérebro conta mentiras sobre nós, nossas experiências, nossas relações etc. O que acreditamos é uma projeção criada pela nossa mente. Há nessas imagens experiências reais e um bocado de fantasia.

Por isso, quem avalia o mundo sob uma perspectiva comparativa com o passado – ou seja, comparando a vida presente com a vida no passado – faz isso sem nenhuma base racional. Dizer que bom mesmo era o passado, ou que o mundo era feliz no passado, não passa de uma manifestação saudosista ilusória.

Da mesma forma que é um erro avaliar que a humanidade está sempre melhorando, tornando-se mais sábia, tolerante e racional, também é um erro classificar o passado – seja ele que período histórico for – como uma época mais feliz que os dias atuais.

Todo e qualquer período da história reserva às pessoas desafios muito particulares. Em todo o tempo, há coisas para se celebrar e beneficiar à sociedade e há outras tantas que provocam dor e sofrimento.

Por vezes, para não tentar assumir nossas responsabilidades, temos a mania de encontrar desculpas. Entre elas, a de que a vida boa era no passado e, como ficou lá atrás, não há nada mais a fazer – apenas lamentar e reclamar o retorno do passado no presente. Isso não passa de desculpa e de fuga da realidade.

Na verdade, o problema do passado ou do presente não está no tempo, está na maneira como enxergamos ou vivemos a vida que temos.

No passado ou no presente, é feliz quem grato pela vida e se concentra em viver sabendo que cada segundinho que temos é um presente dos céus, uma oportunidade de plantarmos sementinhas do bem no lugar onde estamos e no coração das pessoas que amamos.

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Somos vulneráveis, mas temos um Pai que é soberano

Gostamos de ter garantias. E faz sentido desejá-las em certas situações.

Por exemplo, você contrata alguém para arrumar o encanamento de sua casa: é necessário ter a garantia de que a pessoa contratada sabe o que vai fazer.

Você compra um produto pela internet: você quer a garantia de que receberá o produto solicitado.

Entretanto, na maioria dos casos, não há garantia alguma de que teremos o que desejamos.

Quando você diz “sim” a um pedido de casamento, deseja que aquele pedido seja o compromisso de amor eterno. Mas, infelizmente, você não tem controle do que irá acontecer amanhã em seu relacionamento.

Quando você escolhe ter um filho, sonha com uma criança saudável e que siga por bons caminhos na jornada da vida. Você não espera que essa criança nasça com sérios problemas de saúde, que se envolva com o tráfico na adolescência e muito menos que seja assassinada antes de completar 18 anos.

Esses são apenas alguns exemplos de que que vivemos num mundo de incertezas e cheio de perigos. E se você quiser evitar todos os riscos, você simplesmente deixará de viver.

O medo de ser abandonado após casar-se, pode te levar a fechar-se para o amor. E não há nada mais incrível do que a experiência de dividir a vida com uma pessoa especial.

O medo do que pode acontecer com um filho, pode te impedir de experimentar o amor mais gratuito e generoso que existe: o da maternidade, o da paternidade.

Amigos e amigas, o que quero te dizer hoje é bastante simples: viver é arriscar-se, viver é assumir riscos. Se temos Deus como guia, entregamos nossa vida a Ele, fazemos escolhas sob orientação dEle e simplesmente nos permitimos viver.

Somos vulneráveis, mas temos um Pai que é soberano. Portanto, viva!

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Se você está sofrendo, permita-se sofrer

A gente vive sob pressão para estar bem. E eu confesso a você que me incomodo demais com o discurso de que a gente tem que controlar as emoções e a gente precisa ficar bem.

Eu não gosto disso. E não gosto porque sei que isso é conversa fiada.
 
E também é conversa fiada essa história de você pode, você consegue… Esse tipo de discurso produz em nós uma culpa imensa quando não estamos bem. A gente não está bem e ainda se sente culpado por não estar bem.

A gente até diz… “eu não podia estar assim”.

Um dos mais importantes filósofos da contemporaneidade, o coreano Byung-Chul Han afirma que vivemos numa sociedade do desempenho. E nessa sociedade assimilamos como verdade que cada um de nós é responsável pelo seu sucesso.

Na sociedade do desempenho, vigiamos a nós mesmos. A gente passa o tempo todo se cobrando para estar bem, para fazer as coisas certas, para ter sucesso.

E sabe o que acontece quando não estamos bem? Quando estamos sofrendo? Nos sentimos um fracasso. Nos achamos as piores pessoas do mundo. Nos culpamos!
 
Na prática, a gente sofre duas vezes. A primeira por não estarmos bem, por estarmos sofrendo e a segunda porque não admitimos que temos direito de sofrer.

Então hoje eu quero te dar uma boa notícia!

A Bíblia nos ensina a viver o sofrimento.

Veja esse verso:
Sou pobre e necessitado e, no íntimo, o meu coração está abatido (Salmos 109:22).

E quem disse isso? Davi. Estamos falando do rei Davi!! Sim, ele estava abatido.

Portanto, amigo e amiga, se hoje você está sofrendo, permita-se sofrer. Leve seu sofrimento aos pés do Senhor e não se cobre se hoje você não está conseguindo fazer o que tinha planejado fazer. Não se culpe por não estar bem.

Apenas conte tudo ao Senhor. Aceite sua dor!

No tempo certo, Deus vai agir em seu coração e você vai voltar a sorrir. E se a dor está insuportável e já dura muito tempo, procure ajuda. Deus capacitou homens e mulheres com inteligência para produzirem conhecimentos que, hoje, nos auxiliam a viver bem. Não tenha medo! A ciência também pode ser bênção de Deus para cuidar, para curar.  

Amém?

Que Cristo eu mostro ao mundo?

Uma das razões de ter decidido me dedicar às gravações de vídeos com enfoque cristão é o incômodo que me causa parte do discurso religioso dominante.

Sou cristão e não me sinto confortável com as manifestações públicas de muitas pessoas que falam em nome de Deus.

Por outro lado, tbém entendo que não é correta a crítica generalista contra a comunidade cristã.

Fieis cristãos não são estúpidos e tampouco ignorantes. Existe sim muita gente simples, sem escolaridade… Mas todo cristão verdadeiro, ainda que desconheça as letras, é movido pelo amor.

Porém, o que dizer desse pessoal que agride, discrimina e usa o nome de Deus para atacar e tenta impor o modo de vida deles aos outros? Embora essas pessoas existam e estejam no meio de nós, penso que há descompasso entre o que praticam e aquilo que representa ser um seguidor de Cristo. Prestarão contas um dia ao Senhor. Ele é o juiz!

No meu vídeo hj, parto de um verso dos Salmos que acho precioso. Diz assim: “Não se decepcionem por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exércitos! Não se frustrem por minha causa os que te buscam, ó Deus de Israel!” (Salmos 69:2).

Qual era a preocupação do salmista Davi? Ele não queria que as pessoas se desviassem de Deus em função dele, em função da conduta dele. Hoje, esta também é minha oração.

Todos os dias me pergunto: nossas ações têm apresentado o Cristo verdadeiro ao mundo?

“Todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13:35).

Um fracasso não define quem somos

Tiago Volpi falhou. Uma falha horrorosa. O goleiro foi o responsável pelo gol sofrido pelo São Paulo diante do Ceará, em partida do Campeonato Brasileiro. As imagens da falha de Volpi foram reprisadas inúmeras vezes nos programas esportivos da TV. Ao longo de vários minutos, comentaristas falavam do erro do goleiro. Vídeos também circularam na internet e foram parar até no whatsapp.

Fiquei pensando: uma defesa espetacular do goleiro teria ganhado a mesma visibilidade? Provavelmente não – talvez se fosse no último minuto dos acréscimos da partida numa final de campeonato. Ainda assim, não impactaria tanto a vida do jogador.

Outro pensamento me ocorreu: por que dedicamos mais atenção aos erros do que aos acertos?

Parece-nos natural enxergar mais os defeitos do que observar as virtudes. Uma pessoa pode ser marcada por toda a vida por um pecado da juventude. Em nossa hipocrisia cotidiana, pessoas são avaliadas pelo que aparentam e usamos uma lupa para dar visibilidade às falhas. Um fracasso pode se tornar alvo eterno de nossos julgamentos.

Um erro grave tem tanto efeito que pode nos perseguir por toda uma vida. Norteia o olhar do outro sobre nós e, curiosamente, o nosso próprio olhar. Por vezes, não conseguimos nos livrar da culpa. Na tentativa de prosseguir, o fracasso está lá impedindo-nos de experimentar, de arriscar, de ousar, de surpreender, de viver. Uma lista de acertos, de coisas boas que já foram feitas parece insuficiente para apagar um episódio negro.

Entretanto, é preciso ressignificar essas quedas. Um erro não representa o que somos. Um fracasso ou outro não define qual é o nosso caráter, nossa competência, não pode definir nossa identidade.

Imagem: Marcello Zambrana/AGIF (UOL)