O que as incoerências de Trump nos ensinam?

Quem acompanha o cenário político internacional deve ter visto o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin no início da semana. É bem provável que tenha ouvido o presidente norte-americano cheio de elogios ao russo e, inclusive, uma declaração de confiança em Putin.

Trump chegou a dizer não que acreditava que a Rússia teria interferido no processo eleitoral norte-americano, contrariando as indicações das agências de inteligência dos Estados Unidos.

Depois do encontro à portas fechadas na Finlândia, Trump retornou aos Estados Unidos sob críticas, inclusive do partido dele. Os republicanos condenaram até mesmo o tempo em Trump e Putin ficaram em reunião fechada.

As críticas parece que mexerem com Trump. Ele voltou atrás do que disse. E agora acusa Putin de interferência nas eleições presidenciais de 2016.

O que o comportamento de Trump revela? Revela um presidente que age de acordo com o momento, que é totalmente influenciado pelas ocasiões. Isso é ruim para a economia, para as pessoas.

Gera insegurança, incerteza, medo. A nação mais poderosa do mundo está refém de um homem que fez e faz das palavras de efeito seu principal instrumento para mobilizar pessoas radicais, preconceituosas, xenófobas em seu entorno.

Aqui no Brasil corremos o mesmo risco. O líder das pesquisas na corrida eleitoral faz discursos de ocasião. Numa hora defende a ditadura; noutra, diz que, se eleito, vai respeitar a constituição. Num momento fala que o Brasil precisa de educação; noutro, afirma que deve acabar com o Ministério da Educação. E os exemplos de contradições dessa figura poderiam ser estendidos aqui.

Nos Estados Unidos, aqui no Brasil ou mesmo na casa da gente, precisamos de homens e mulheres coerentes. Ninguém é obrigado e nem deve ter opinião formada sobre tudo. Mudar de posição também não é crime. Mas não dá para dizer uma coisa agora e, no dia seguinte, afirmar que não foi isso que falou… Ou atribuir culpa aos outros, alegando ter sido mal compreendido.

Na política e na vida, é fundamental ter firmeza de propósitos, respeito aos bons princípios e, principalmente, responsabilidade em cada uma das ações.

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32,9% dos trabalhadores brasileiros são autônomos: estratégia de sobrevivência

O Brasil aparece no ranking mundial como o terceiro país com maior número de trabalhadores autônomos. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, cerca de 32,9% da força de trabalho do país atua de forma autônoma.

Em países desenvolvidos como os Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra… Esse modelo de ocupação pode significar coisas positivas – tipo: empreendedorismo, flexibilidade e qualidade de vida.

No caso do Brasil, significa “luta pela sobrevivência”.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o trabalho autônomo, no Brasil, representa a tentativa das pessoas de se manterem ativas. Geralmente são trabalhadores desempregados em busca de alguma renda ou de gente que tenta complementar a renda.

E, por aqui, vou repetir: são 32,9% de trabalhadores atuando de forma autônoma. É muita gente.

Não é difícil compreender o cenário. No final de 2017, economistas e o governo brasileiro apostavam que seriam abertos 1 milhão de postos de trabalho neste ano. Hoje, acredita-se que 80% das vagas previstas não serão abertas. Apenas 200 mil empregos poderão ser criados.

Também não há perspectivas futuras. Estimava-se que o crescimento econômico pudesse chegar a 3% neste ano. Várias revisões já foram feitas e, hoje, a projeção de crescimento do PIB não passa de 1,5%.

A greve dos caminhoneiros, apoiada pela população, também contribuiu – e muito – para ampliar a crise do país. O Brasil produziu muito menos em maio, a inflação subiu e os prejuízos são bilionários – atingindo toda a população, mas principalmente a massa trabalhadora.

Tenho insistido em falar sobre essas questões, pois este é o Brasil real. O Brasil que precisa de respostas urgentes. Não apenas de discursos de efeito – moralistas, militaristas, mas vazios de propostas concretas.

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Cresce taxa de mortalidade infantil no Brasil

Tenho trazido aqui alguns números a respeito do Brasil real… O Brasil que tem inúmeros problemas, carências e que, neste ano de 2018, tem a chance de escolher melhor o presidente da República, governadores, senadores e deputados.

Falei ontem aqui sobre o possível retorno do Brasil ao Mapa da Fome da ONU. Hoje, trago um outro número triste: pela primeira vez desde 1990, cresceu a mortalidade infantil no país.

De acordo com o IBGE, em 2016, morreram 14 crianças a cada mil nascidos. O crescimento das mortes provavelmente esteja relacionado à crise econômica e aos casos de zika vírus.

Outro aspecto que pode estar contribuindo para o aumento das mortes é a menor cobertura vacinal. Por diferentes razões, muita gente tem deixado de se vacinar. A cobertura vacinal é a menor em 16 anos. Algumas doenças que estavam praticamente erradicadas voltaram a ser notificadas em várias regiões no Brasil.

No que diz respeito à mortalidade infantil, o Brasil ainda está bastante longe dos índices da década de 1980. Na época, o país chegou a registrar 82 mortes a cada mil nascimentos. Ainda assim, a inversão da curva estatística, que era tão somente de queda desde os anos 1990, é bastante preocupante. Principalmente, porque não notamos trégua na crise econômica, nem melhorias nas políticas de proteção social – sem contar que a ignorância das pessoas tem feito com que cada vez menos gente procure as vacinas nos postos de saúde.

Ou seja, o cenário não é nada bom.

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Brasil deve voltar ao Mapa da Fome

Entre os anos de 2003 e 2014, o Brasil desenvolveu diversas políticas de proteção social. A consequência foi a redução da miséria e, em 2014, o nosso país atingiu um feito inédito até então: deixou o Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas).

Aparecem no Mapa da Fome os países que tem mais de 5% da sua população ingerindo, diariamente, menos calorias do que o recomendável. Ou seja, estão fora do mapa aqueles países que conseguem garantir pelo menos o mínimo necessário de comida para que alguém sobreviva sem passar fome.

Mas o cenário está mudando. O economista Francisco Menezes, pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), faz parte do grupo de estudiosos que tratam dos números que resultam nesse relatório da ONU. E ele já aponta que o Brasil deverá voltar a aparecer no Mapa da Fome da ONU.

Segundo ele, nos últimos três anos, o Brasil segurou os investimentos em políticas de proteção social. Milhares de famílias perderam o emprego, o governo cortou muita gente dos programas sociais, inclusive do Bolsa Família. A construção civil, setor fundamental da economia, que gera muitos empregos para pessoas não qualificadas, também está estagnada.

Há um empobrecimento da população.

O número de famílias em situação de extrema pobreza voltou aos patamares de 12 anos atrás. Quem são as pessoas enquadradas como em situação de extrema pobreza? São aquelas que vivem com renda per capita de até 70 reais por mês.

O número de famílias em situação de pobreza, aquelas que vivem com até 120 reais, também voltou a crescer.

Um quadro como esse reforça a necessidade de a população escolher bem quem vai comandar o país a partir de 2019. Se o próximo presidente não tiver grande sensibilidade social, não priorizar políticas de combate à miséria, as condições de exclusão serão aprofundadas, ainda mais gente voltará a passar fome e, principalmente, nenhuma política de segurança pública terá sucesso.

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O povo paulista será tonto se eleger Doria governador; mas e os outros que existem pelo Brasil afora?

João Doria foi eleito prefeito de São Paulo após prometer uma gestão eficaz. Ele seria o não político no comando da maior cidade do país.

Doria também assumiu vários compromissos. Inclusive que terminaria o mandato de prefeito, cumpriria os quatro anos à frente da prefeitura. Ainda sustentou que resolveria problemas históricos enfrentados pela população paulistana. Inclusive as filas de espera por consultas e exames médicos.

Quando assumiu, Doria fez do marketing seu principal aliado. Aos domingos, o então prefeito se travestia de servidor, construía calçadas, pintava muros… Criou vários programas que passavam a sensação de São Paulo estava acelerada.

Com 100 dias de mandato, João Doria já era visto por muita gente como alguém que poderia salvar as eleições presidenciais. Seria o nome certo para colocar o Brasil nos trilhos.

Mas aos poucos a imagem de Doria foi se deteriorando. O marketing político não conseguiu sustentar o que não passava disso: barulho.

Ainda assim, João Doria deixou a prefeitura e é pré-candidato ao governo de SP. Já é possível saber que boa parte das promessas que o ex-prefeito fez não foram cumpridas. Hoje, por exemplo, o noticiário mostra que o chamado Corujão da Saúde não reduziu o tempo de fila de espera de exames de saúde.

A prefeitura agora alega que o programa de João Doria tinha o objetivo de agendar os exames; não de realizá-los. Ou seja, o marketing era só fumaça.

E por que compartilho essas informações com você? Primeiro, porque o povo paulista será muito tonto se eleger João Doria governador.

Porém, pelo Brasil afora existem inúmeros outros políticos que têm a simpatia do eleitorado, mas não passam de produtos de marketing. No Paraná, a corrida pelo governo do Estado e Senado tem candidatos com grandes chances de serem eleitos, mas que não possuem histórico de realizações e, em alguns casos, passados bastante questionáveis.

A história se repete pelo Brasil afora. Inclusive na corrida presidencial.

Penso que já passou da hora de nós, eleitores, rompermos com a ingenuidade, abrirmos mão do encantamento e cobrarmos um currículo que garanta o mínimo de segurança de que o falatório poderá se concretizar em efetivas realizações em benefício de nossa gente.

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Auxílio-moradia para juízes chega a R$ 1 bilhão

A gente precisa insistir no debate de um tema que me parece fundamental: o custo do Estado brasileiro.

No texto de ontem, falei sobre os salários do funcionalismo público. É necessário adequá-los à realidade do país e, principalmente, considerar que o brasileiro já paga impostos demais e quase tudo que se arrecada serve para pagar as contas do funcionalismo. Quase não sobram recursos para investimentos e outros setores (educação, saúde, segurança etc.).

Porém, existe um setor que consome um grande volume de recursos: o Judiciário.
Veja só isso: somente o auxílio-moradia para juízes já custou, neste ano, R$ 830 milhões de reais aos cofres públicos. Esse número vai chegar a R$ 1 bilhão até o início de agosto.

Em média, apenas o auxílio-moradia dos juízes custa R$ 139 milhões por mês aos cofres públicos.

E estamos falando de uma classe que possui um teto salarial de R$ 33,7 mil. Detalhe, o auxílio-moradia – que é de R$ 4,3 mil – e outros tantos benefícios são pagos por fora. Ou seja, os juízes acabam recebendo bem mais que o teto salarial.

Chega ser criminoso com a população. Afinal, cerca de metade dos trabalhadores brasileiros ganha menos de um salário mínimo.

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Salários ofertados em concursos públicos são incompatíveis à realidade do país

Logo no comecinho da manhã, ao ler algumas notícias do dia, encontrei a informação sobre os concursos públicos. Atualmente, estão abertas mais de 16 mil e 700 vagas, com salários iniciais que podem chegar a R$ 24,8 mil.

Certamente, essa é uma informação extremamente relevante para os concurseiros – gente que quer a segurança do serviço público.

Porém, enquanto lia a notícia, fiquei me questionando: como pequenas prefeituras do interior vão conseguir pagar salários de 13, 15, 18 mil reais – e até mais?

Prefeituras e Estados brasileiros estão com as contas comprometidas. Algumas, inclusive, têm pagado o funcionalismo em atraso. Grande parte das receitas são destinadas ao pagamento dos servidores.

Diante do cenário, parece-me ser fundamental repensar o tamanho dessa conta. Num país em que os salários médios são de pouco mais de R$ 2 mil, como o serviço público vai conseguir manter remunerações que ultrapassam R$ 20 mil?

Penso que os trabalhadores que já estão em prefeituras e outros tantos órgãos governamentais não devem sofrer nenhum tipo de prejuízo, corte salarial e nem mesmo ameaça de demissões. Entretanto, entendo que é fundamental rever a política salarial daqueles que estão entrando no serviço público atualmente. Não significa que os salários atuais sejam injustos; significa adequar as remunerações à realidade econômica do país e à situação financeira de municípios, estados e até mesmo da União. Se isso não for feito, nunca haverá espaço para redução da carga tributária e certamente faltarão recursos para investimentos em obras e serviços para a população.

Podcast da Band News FM

Brasileiros não querem votar para presidente

A pesquisa Ibope divulgada na semana passada trouxe um dado preocupante: seis em cada dez brasileiros ainda não sabem em quem votar ou não pretendem votar em ninguém para a presidência.

Esse número preocupa, porque indica um distanciamento cada vez maior entre a população e o poder. O efeito é péssimo. Afinal, o Brasil das decisões fica cada vez mais nas mãos de uma minoria enquanto o povo se mantém fora do jogo.

Além disso, a eleição poderá ser decidida por menos da metade da população. E o próximo presidente chegaria ao Palácio do Planalto sem o respaldo da grande maioria dos eleitores – o que, teoricamente, deve comprometer de imediato a governabilidade.

O Brasil está há pelo menos 4 anos sem um presidente que seja respeitado pela população.

Isso não é nada positivo. As pessoas acabam mantendo-se distantes do que está acontecendo e, principalmente, deixam de acreditar no futuro.

Ao terem poucas expectativas, o nível de empreendimento das pessoas se torna cada vez menor e o efeito para a economia é ruim: o país não cresce.

É possível reverter esse cenário? Infelizmente, nós, cidadãos, não temos muito controle sobre isso. Cabe à classe política refletir sobre esse sentimento de desesperança do eleitorado e reagir oferecendo melhores alternativas à população, inclusive no que diz respeito aos candidatos. E se nada fizerem, que pelo menos façamos a escolha do menos pior.

Ouça o podcast da Band News.