Para quê servem os dons?

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Para quê servem os dons? O que são os dons? Eu diria que são aquelas habilidades que possuímos, que parece terem vindo no pacote quando nascemos.

Tem gente que com um pouco de farinha e alguns temperos é capaz de fazer uma torta incrível.

Esses dons, quando bem aproveitados, tornam nossa vida melhor. Podem ser utilizados na lógica dura da sobrevivência, auxiliando-nos a ganhar dinheiro.

Entretanto, estou cada vez mais convencido que nossas habilidades também devem estar a serviço de outras pessoas. Se os dons que possuímos não servirem para melhorar a vida das pessoas, nossa existência é vazia.

Essa premissa pode parecer utópica. Ou mesmo um tanto tola. Afinal, de certo modo, fazemos parte de uma sociedade que transformou o ditado “cada um por si e Deus pra todos” numa espécie de verdade.

Mas, se os talentos ou habilidades que possuímos só estiverem a serviço de nosso próprio bem-estar, estaremos sendo mesquinhos, medíocres e egoístas.

Quando nos concentramos apenas em nós mesmos, podemos até ter uma vida confortável. Porém, teremos perdido a chance de contribuir para alegrar alguém, para tornar a vida de outra pessoa um pouco melhor.

Deixa eu dar um exemplo… Eu amo aprender. Amo aprender sobre muitas coisas. De que serve todo esse aprendizado se eu guardar só pra mim?

Se dedicamos nossos talentos apenas para o nosso crescimento econômico e financeiro, nosso único legado terá sido pelo fortalecimento de ideiais individualistas, narcisistas. Um dia deixaremos essa vida e teremos deixado escapar a oportunidade de contribuir de alguma maneira para tornar esse mundo melhor.

Todos nós somos bons em algumas coisas; fazemos com facilidade coisas que outras pessoas demoram mais ou precisam se esforçar mais que nós… É como se o universo tivesse nos dotado dessas habilidades especiais.

Agora, pense por um instante, se todos nós, com os dons, talentos ou habilidades distintas que possuímos contribuíssem para auxiliar quem precisa, teríamos ou não um mundo melhor?

Neste comecinho de ano, é uma boa dica pensar em como você pode usar seus dons, aquilo que você faz de melhor, para tornar a vida de alguém um pouco melhor. Tenho certeza que podemos fazer a diferença para alguém.

O medo pode nos impedir de viver

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Li um pensamento que gostaria de compartilhar: nossos medos não detêm a morte, mas sim a vida.

A ciência entende o medo como uma ferramenta importante de autodefesa. O medo nos coloca em estado de alerta e prepara nosso corpo para reagir diante de uma situação de perigo.

Entretanto, o mesmo medo que é fundamental para agirmos de forma prudente, cuidadosa, sábia, também pode nos paralisar.

E muitos de nós, por medo, deixamos de viver.

O pensamento resume essa ideia: o medo não nos impede de morrer, mas pode nos impedir de viver.

Por medo de ser rejeitado, quantas pessoas deixaram de dizer “eu te amo” para uma garota ou um garoto?

E o sonho de ter o próprio negócio? Ou quem sabe de mudar de profissão? Quem sabe a vontade era mudar de cidade ou até de país?

Ter medo do que pode acontecer é importante para agirmos racionalmente, com planejamento, tentando prever as consequências.

Mas se o medo se torna uma barreira, se nos paralisa, estamos abrindo mão da vida.

Na Bíblia, tem um texto que gosto bastante. Josué havia se tornado líder do povo de Israel. Ele estava inseguro. Josué tinha diante dele uma série de batalhas, cidades que precisavam ser conquistadas.

Deus então diz a Josué: se valente!

A palavra não é para Josué se tornar um homem raivoso, nervoso, agressivo; era para que enfrentasse seus medos e seguisse em frente, se tornasse o líder que o povo precisava.

Parece-me que todos os dias o Universo ainda nos diz: se valente! Enfrente seus medos, lute por seus sonhos, não se deixe abater diante das dificuldades. Afinal, nossos medos não detêm a morte, mas detêm a vida.

Tolerância e respeito

Num planeta com mais de 7 bilhões de pessoas e cada vez mais conectado na rede, valores como tolerância e respeito tornam-se essenciais.

São mais de 7 bilhões de cabeças. Gente que possui gostos diferentes, religiões diferentes, ideologias diferentes… E com uma incrível capacidade de se expressar e defender suas opiniões.

Somos um tipo de bicho completamente distinto dos demais. 7 bilhões de leões sobre o planeta são apenas isso: 7 bilhões de animais de uma mesma espécie. Vão se distribuir pelo planeta seguindo as regras da natureza e vão se comportar de acordo com o que se espera da espécie.

Não é o que acontece conosco. Pessoas se aproximam, se distanciam, brigam e até se matam em virtude de suas ideias, das coisas que acreditam.

Séculos atrás, quando as opiniões existentes só ganhavam visibilidade no núcleo familiar ou na comunidade a que cada pessoa pertencia, aconteciam embates. Mas quase sempre a voz do pai, do padre ou de um governante prevalecia e os demais se silenciavam.

Não havia muito espaço para a divergência.

Hoje, com as redes, todos falam, todos se posicionam… E muita coisa que parece tola, ignorante, vazia nos agride. Agride nossos valores.

Isso desperta em nós a vontade de revidar, de contra-atacar e até de silenciar a outra pessoa.

É justamente neste contexto que a tolerância e o respeito se tornam valores ainda mais indispensáveis.

Para que a humanidade não caia na barbárie, é fundamental compreender que o outro pode até pensar muito diferente de mim. Talvez seja um idiota. Mas ainda assim, é humano – como eu.

Sim, caro amigo e amiga, a tolerância e o respeito são cada vez mais necessários para que possamos seguir juntos como uma espécie, que se diz superior aos outros animais.

Sem tolerância e respeito, tornamo-nos mais selvagens e cruéis que qualquer outra espécie.

Ouça o texto em podcast.

Quem protege os mais pobres?

​A Constituição Brasileira ressalta que todos são iguais perante à lei. Também há nela uma série de garantias e supostas proteções aos mais pobres no que diz respeito à saúde, alimentação e moradia.

O texto constitucional, porém, não passa disto: um texto. Apenas um texto.

Os mais pobres não são efetivamente protegidos pelo Estado. Tampouco recebem a atenção devida da Justiça. Num julgamento, por exemplo, a ausência de bons advogados é determinante para o resultado do júri.

É curioso notar que a preocupação com os mais pobres está presente na Bíblia, o livro que referencia a filosofia religiosa de boa parte da população ocidental, e principalmente do povo brasileiro.

Trata-se de um livro que serve a padres e pastores para a construção de seus sermões em milhares de templos para milhões de pessoas. Mas também está na presente nas mesas e escritórios de muitas autoridades. Há certa devoção à Bíblia.

Contudo, as práticas religiosas e governamentais revelam um descompasso entre os ensinos bíblicos e as ações cotidianas, inclusive em relação aos mais pobres.

E vai mais longe… O salmo 82, por exemplo, acusa os juízes que distorcem causas ou protegem determinados tipos de pessoas.

Sabe, numa perspectiva cristã, o cuidado com os mais pobres e o dever ético de defesa da igualdade deveriam nortear o comportamento de todos nós.

Numa perspectiva constitucional, também.

É papel de toda a sociedade zelar dos mais fracos, dos oprimidos, cuidar das crianças que não possuem famílias, criar estratégias para que a pobreza não se torne miséria e não roube a dignidade humana.

Espera-se que o eleitorado de Bolsonaro não o idolatre na presidência

Na política e em qualquer outra área, a idolatria é perigosa. É perigosa, porque cega.

Uma das minhas críticas a uma parcela do eleitorado do PT sempre foi a indisposição de vê-lo como responsável pelo desastre político e econômico em que se encontra o país.

As virtudes de seus governos e a proximidade com as classes mais pobres e com as minorias não justifica os erros do partido. Entretanto, muita gente inocenta suas lideranças e não consegue ter um olhar crítico, inclusive no que diz respeito à corrupção.

Esse tipo de atitude tem como raiz a idolatria.

E é o que também me preocupa na relação mantida pelo eleitorado de Jair Bolsonaro com o presidente eleito. Basta notar que durante boa parte da campanha ele foi chamado de mito.

Como eu disse, a idolatria cega. Ao cegar, impede que as falhas sejam observadas e as críticas sejam feitas. E se não há críticas, não existem questionamentos, tampouco a reavaliação de comportamentos, revisão de decisões…

Embora seja natural que o eleitorado de Bolsonaro ainda esteja em lua de mel com o presidente eleito, o brasileiro cometerá um erro grave se, nos próximos meses, não sair da condição de fã para reassumir o papel de cidadão.

Torcer para que o novo governo dê certo é algo bem diferente do que não querer ver possíveis erros. Ainda pior será se o eleitorado optar por criar um paredão de defesa do presidente atacando toda e qualquer pessoa que questione as decisões dele.

Meu mais sincero desejo é que isso não aconteça. O Brasil não merece!

Perdoar é uma escolha dos fortes

É muito difícil perdoar. Às vezes, somos magoados de maneira tão profunda que a simples lembrança traz sentimentos horríveis e nossa vontade é encontrar uma forma de vingar-se da outra pessoa.

Entretanto, por mais que o desejo de vingança seja a reação natural diante de algo que nos feriu tanto, o que nos diferencia como humanos é justamente a capacidade de perdoar.

Perdoar é uma escolha dos fortes. É preciso decidir perdoar. Apenas quem conta com forças superiores dá conta de perdoar. E perdoar liberta. Liberta da mágoa, da ferida e nos ajuda a seguir vivendo.

A fé é tudo que precisamos?

A fé é a crença no invisível. E justamente por acreditar em algo ou em alguém que não pode ser tocado, as pessoas se movem em diferentes direções. Por vezes, guiam suas vidas pela fé.

A fé pode ser motivadora, transformadora. Pode gerar esperança. Fazer sonhar com um mundo que não temos hoje.

Porém, a mesma fé que dá sentido à vida é aquela que tem potencial para gerar engano, distração e alienar.

Uma das críticas mais contundentes de Nietzsche está justamente relacionada a esse comportamento: a crença naquilo que não se vê, com frequência, nos impede de amar o mundo que temos. E, deixando de amar a vida como ela é, muitos abrem mão de atuar como artistas da própria existência.

Por ser cristão, vejo constantemente pessoas que, com os olhos no invisível, são displicentes com o presente. A fé torna-se uma espécie de muleta, que as impede de ser agentes do destino.

Essas pessoas ainda não entenderam o que é viver e qual o nosso papel no aqui e agora. A fé que nos faz “ver” o invisível, desejar o imprevisível, não pode ser a mesma que faz estacionar, que impede ações concretas, que buscam a construção de uma vida melhor, de um mundo melhor.

Os sábios e os que levam pessoas à justiça

Às vezes, a gente lê um texto (ou imagem) e não consegue notar sua incrível beleza ou profundidade. Alguém precisa fazer isso por nós… Precisa chamar nossa atenção.

Foi o que aconteceu comigo ontem. Um historiador mencionou o livro de Daniel, capítulo 12, verso 3, ao falar de uma educadora que morreu na última semana. Abri o texto bíblico, que havia lido algumas vezes, mas nunca tinha me chamado atenção. Agora, as palavras saltavam aos olhos:

“Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”

Uau! Lindo demais!! Que belas palavras… Que bela promessa! Os sábios sempre brilharão. E brilharão intensamente; possuem luz própria, encanto próprio. O que é o céu? O céu é imenso, misterioso e, ao mesmo tempo, revelador. Quanto mais olhamos, mais admiramos, mais descobrimos. Se observamos mais de perto (telescópios nos ajudam bastante), imagens ainda mais incríveis surgem diante de nossos olhos.

aqueles que levam as pessoas à justiça, serão lembrados… Serão as verdadeiras estrelas. Não uma estrela efêmera, dessas que conquistam “sucesso” com seus corpos, com as banalidades que falam, com o dinheiro que ganham… Não serão as estrelas cultuadas por valores transitórios. Serão estrelas, possuirão brilho eterno, porque terão feito a diferença na vida de outras pessoas. E isso é o que realmente vale a pena.