Espera-se que o eleitorado de Bolsonaro não o idolatre na presidência

Na política e em qualquer outra área, a idolatria é perigosa. É perigosa, porque cega.

Uma das minhas críticas a uma parcela do eleitorado do PT sempre foi a indisposição de vê-lo como responsável pelo desastre político e econômico em que se encontra o país.

As virtudes de seus governos e a proximidade com as classes mais pobres e com as minorias não justifica os erros do partido. Entretanto, muita gente inocenta suas lideranças e não consegue ter um olhar crítico, inclusive no que diz respeito à corrupção.

Esse tipo de atitude tem como raiz a idolatria.

E é o que também me preocupa na relação mantida pelo eleitorado de Jair Bolsonaro com o presidente eleito. Basta notar que durante boa parte da campanha ele foi chamado de mito.

Como eu disse, a idolatria cega. Ao cegar, impede que as falhas sejam observadas e as críticas sejam feitas. E se não há críticas, não existem questionamentos, tampouco a reavaliação de comportamentos, revisão de decisões…

Embora seja natural que o eleitorado de Bolsonaro ainda esteja em lua de mel com o presidente eleito, o brasileiro cometerá um erro grave se, nos próximos meses, não sair da condição de fã para reassumir o papel de cidadão.

Torcer para que o novo governo dê certo é algo bem diferente do que não querer ver possíveis erros. Ainda pior será se o eleitorado optar por criar um paredão de defesa do presidente atacando toda e qualquer pessoa que questione as decisões dele.

Meu mais sincero desejo é que isso não aconteça. O Brasil não merece!

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Perdoar é uma escolha dos fortes

É muito difícil perdoar. Às vezes, somos magoados de maneira tão profunda que a simples lembrança traz sentimentos horríveis e nossa vontade é encontrar uma forma de vingar-se da outra pessoa.

Entretanto, por mais que o desejo de vingança seja a reação natural diante de algo que nos feriu tanto, o que nos diferencia como humanos é justamente a capacidade de perdoar.

Perdoar é uma escolha dos fortes. É preciso decidir perdoar. Apenas quem conta com forças superiores dá conta de perdoar. E perdoar liberta. Liberta da mágoa, da ferida e nos ajuda a seguir vivendo.

A fé é tudo que precisamos?

A fé é a crença no invisível. E justamente por acreditar em algo ou em alguém que não pode ser tocado, as pessoas se movem em diferentes direções. Por vezes, guiam suas vidas pela fé.

A fé pode ser motivadora, transformadora. Pode gerar esperança. Fazer sonhar com um mundo que não temos hoje.

Porém, a mesma fé que dá sentido à vida é aquela que tem potencial para gerar engano, distração e alienar.

Uma das críticas mais contundentes de Nietzsche está justamente relacionada a esse comportamento: a crença naquilo que não se vê, com frequência, nos impede de amar o mundo que temos. E, deixando de amar a vida como ela é, muitos abrem mão de atuar como artistas da própria existência.

Por ser cristão, vejo constantemente pessoas que, com os olhos no invisível, são displicentes com o presente. A fé torna-se uma espécie de muleta, que as impede de ser agentes do destino.

Essas pessoas ainda não entenderam o que é viver e qual o nosso papel no aqui e agora. A fé que nos faz “ver” o invisível, desejar o imprevisível, não pode ser a mesma que faz estacionar, que impede ações concretas, que buscam a construção de uma vida melhor, de um mundo melhor.

Os sábios e os que levam pessoas à justiça

Às vezes, a gente lê um texto (ou imagem) e não consegue notar sua incrível beleza ou profundidade. Alguém precisa fazer isso por nós… Precisa chamar nossa atenção.

Foi o que aconteceu comigo ontem. Um historiador mencionou o livro de Daniel, capítulo 12, verso 3, ao falar de uma educadora que morreu na última semana. Abri o texto bíblico, que havia lido algumas vezes, mas nunca tinha me chamado atenção. Agora, as palavras saltavam aos olhos:

“Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”

Uau! Lindo demais!! Que belas palavras… Que bela promessa! Os sábios sempre brilharão. E brilharão intensamente; possuem luz própria, encanto próprio. O que é o céu? O céu é imenso, misterioso e, ao mesmo tempo, revelador. Quanto mais olhamos, mais admiramos, mais descobrimos. Se observamos mais de perto (telescópios nos ajudam bastante), imagens ainda mais incríveis surgem diante de nossos olhos.

aqueles que levam as pessoas à justiça, serão lembrados… Serão as verdadeiras estrelas. Não uma estrela efêmera, dessas que conquistam “sucesso” com seus corpos, com as banalidades que falam, com o dinheiro que ganham… Não serão as estrelas cultuadas por valores transitórios. Serão estrelas, possuirão brilho eterno, porque terão feito a diferença na vida de outras pessoas. E isso é o que realmente vale a pena.

Na segunda, uma música

Muita gente diz que ter fé num ser superior, acreditar em algo que nossos olhos não podem ver é só uma forma de se iludir, um jeito de não encarar a realidade. Talvez isso possa até ser verdade… Ainda assim, observo, a partir de minha própria vida, que ter Alguém em quem confiar, acalma o coração e torna a vida muito mais fácil.

A música desta segunda-feira fala desse Alguém. Na voz belíssima de Laura Morena, há uma declaração de confiança de que, quando tudo dá errado, é possível contar com Deus.

Quando tudo desabar
E o medo encontrar
Há alguém
Quando as portas se fecharem
Quando todos o deixarem
Há alguém

Eu sei que em meio ao sofrimento nem sempre é fácil notar que tem alguém que se importa com a gente. Mas, ao exercitar a fé, podemos encontrar esperança…

Mesmo que seus olhos
Não enxerguem nada além
Há um Deus bem perto
Você não está só

E então… vamos ouvir?

Religião não é motivo para deixar de discutir sexo…

sensualidade

Embora o tema seja polêmico, acho importante “meter a colher”… E por isso, convido você a refletir um pouco. Sabe, não falta confusão quando se mistura sexo e religião; sexo e fé.

Anos atrás, ouvi uma história lamentável. Em recente palestra numa escola, um terapeuta foi interrompido por um pai. Não era um pai curioso. Ele não tinha uma pergunta a fazer. Aquele homem levantou, pegou a Bíblia, apontou o livro sagrado e resumiu:

– Meus filhos não precisam de educação sexual. Eles encontram na Bíblia tudo que precisam saber.

Eu concordo que a Bíblia é o mais importante livro da história da humanidade. Creio em sua inspiração divina. Contudo, não posso admitir que ainda existam pessoas com tamanha pobreza de espírito.

A Bíblia fala sobre sexo? Sim. Mas naquela época não existia internet, estímulos à sexualidade precoce e nem brincadeiras sexuais entre crianças e/ou adolescentes. Não estou dizendo que a Bíblia está ultrapassada, mas o mundo é outro. As atitudes, os comportamentos são outros.

Parcela significativa da sociedade da época tratava o sexo na perspectiva reprodutora. Pouco se falava ou pensava em prazer. Embora a Bíblia em nenhum momento condene o prazer sexual, o comportamento do povo de muitas daquelas culturas antigas não privilegiava a satisfação na intimidade do casal. O prazer feminino, por exemplo, era simplesmente ignorado. Na verdade, a mulher era pouco respeitada. Ela era objeto reprodutor, objeto de prazer do homem. Estava ali para servir ao homem.

Com o desenvolvimento humano, hoje se estudam os mecanismos do prazer – masculino e feminino. Ambos, homem e mulher, têm direito de viverem intensamente a satisfação do sexo. E elas esperam isto. Querem o mesmo direito que durante anos a sociedade, a família, os maridos e também a religião lhes roubou.

Agora, como alguém pode achar que, por crer na Bíblia, não precisa aprender mais nada? Será que o fato de ter uma religião, uma fé tira de nós todos a responsabilidade, o dever de nos preocuparmos com o prazer da parceira(o)?

E mais, será que por haver uma doutrina que prega a castidade, nossos adolescentes e jovens não devem ser orientados sobre a sexualidade, sobre sexo? Será que tudo se resume em dizer: “não pode antes do casamento”?

Ainda que se preserve a castidade por princípio, nossos adolescentes e jovens devem aprender sobre o assunto. Os locais mais apropriados são o lar e a escola. Esses ambientes devem favorecer o diálogo amplo, sem preconceitos, livre de tabus. A religião não pode servir de desculpa para não falar sobre o assunto. Pais e educadores que não estão abertos para tratar de sexo com as crianças, com adolescentes e jovens provavelmente são pessoas mal resolvidas e que sequer dão conta da própria sexualidade. E isso pode até ter origem na religião, mas nunca em Deus. O divino não é responsável pela ignorância humana.

Ignorar os desejos é silenciar a própria natureza. E proibir sem esclarecer, ou simplesmente se calar, é se omitir diante da realidade. É permitir que a rua eduque. E na rua ninguém aprende a ter uma vida sexual saudável e feliz.

Cuidar de si e não perder a fé

fe

Vivemos preocupados com muitas coisas. Ficamos aflitos por causa dos problemas no trabalho, das inúmeras atividades da faculdade… Nos preocupamos com a comida, com a aparência física, com o relacionamento… Mas e o nosso interior? Sim, o que se passa com o nosso coração? Quando está sozinho (sozinha), quando tem alguns minutos livres, que atitudes tem com você mesmo (mesma)?

Sabe, olhamos para todos os lados, mas pouco olhamos para dentro de nós. O que pensamos a respeito de nossos defeitos? Alguma vez tentamos mudar atitudes que nos machucam ou machucam os outros? Ou o orgulho é tão grande que é incapaz de identificar as fragilidades?

Com um pouquinho de autocrítica, a gente identifica as atitudes e até os pensamentos que estão longe de serem maduros. É justamente essa disposição em olhar pra si, rever até mesmo alguns valores, que nos torna pessoas melhores.

E a gente pode começar fazendo isso pela parte espiritual. Nossas crenças, nossa fé, norteiam nossos procedimentos. E, nesse contexto, algumas questões são fundamentais.

Dar um tempo para si mesmo. Fala-se que a solidão não é boa conselheira. Porém, isso nem sempre é verdade. Geralmente os ruídos do dia – o trabalho, a televisão, o celular, a internet, redes sociais etc – servem como distração. Isso rouba a chance de nos aquietarmos. E é no silêncio que é possível falar com nós mesmos.

Observar o interior. O ponto principal é ser muito honesto consigo mesmo. É necessário fazer uma análise inclusive daquilo que as pessoas criticam em você. Muitas coisas que as pessoas falam da gente são motivadas por maldades – cobiça, inveja etc. Entretanto, nessas maldades podem existir pequenas verdades e crescemos quando identificamos nossos defeitos e tentamos melhorar nossas atitudes.

Controlar a ansiedade. E exercícios de respiração podem ajudar a obter uma relação mais efetiva até com seu próprio corpo. A correria, o excesso de atividades nem sempre permitem estar mais tranquilo. Parar e respirar fundo em alguns momentos do dia contribuem, inclusive, para oxigenar o cérebro. Quando o cérebro está oxigenado, funciona melhor, pensa melhor.

Ter fé. Embora diferentes cientistas questionem a existência de um ser superior, supremo, existem inúmeras pesquisas que sustentam a importância de acreditar em algo que é maior que nós. Aproximar-se de Deus de forma mais ativa, desenvolver a crença nEle, ajuda a ter mais força, mais disposição para viver.

Pois é… Por mais que o mundo pareça impor um modo de vida que traduz felicidade como sinônimo de ter dinheiro e ser popular, a existência não se resume nessa busca constante por coisas materiais. Cuidar de si é cuidar do coração, cuidar das emoções, dos sentimentos, das pessoas que você ama… É amar a si mesmo e nunca perder de vista a fé que nos faz até acreditar em milagres.

Os ETs existem?

universo
O biólogo darwinista Richard Dawkins talvez seja uma das figuras mais importantes da ciência. E é um dos mais fervorosos defensores do ateísmo. Foi ele quem abriu o Festival Starmus, um congresso astronômico internacional que está sendo realizado esta semana em Tenerife. E na sua apresentação, Dawkins trouxe como grande “novidade” a tese de que existem ETs. Ou seja, os homens não estariam sozinhos no universo.

Conhecido por suas campanhas contra a fé em um Criador, Dawkins sustentou que é arrogante da parte dos humanos acreditar que são os únicos seres evoluídos. Para ele, essa seria a grande virada da Ciência: comprovar que a vida não é um “monopólio” da Terra. Ele entende que, ao romper com a ideia de que somos o “umbigo” do universo, também se desmonta a crença de que existiria um Deus que teria se dado ao trabalho de, nesse planetinha minúsculo, dar origem a vida.

A apresentação empolgada de Richard Dawkins é resultado de um considerável avanço científico. Pouco a pouco, os humanos vão se convencendo de que nesse universo de milhões e milhões de planetas e estrelas, em muitos deles pode haver um ambiente favorável para o desenvolvimento de vida. Por isso, não há por que desconsiderar a possibilidade de seres vivos, semelhantes a nós, nesses planetas. Mas o biólogo ressalta que isso não nos autoriza a pensar que um dia poderemos nos relacionar com esses ETs.

Bem, diante das considerações de um cientista tão importante, responsável por inúmeras campanhas a favor do ateísmo, eu apenas fiquei sem entender o desconhecimento de Dawkins da própria Bíblia. Quando o biólogo diz que há vida fora da Terra, parece soar que fez uma grande descoberta. E não fez. Em primeiro lugar, embora seja possível interpretar que Deus teria criado seres viventes apenas na Terra, não há nenhum texto que sustente de maneira clara a tese de que temos o “monopólio” da vida. O que sabemos é que o Criador trata a todos como únicos a ponto de ter um projeto de salvação para o homem por meio da morte de Cristo. Ainda assim, isso não nos permite concluir que só a Terra é habitável.

Em segundo lugar, no livro de Jó, no primeiro capítulo, versículo 6, Deus surge num cenário sugestivo. Ele está numa grande reunião. Seus filhos se apresentam diante dEle. E Satanás (o Diabo) também. Deus então pergunta de onde ele vem. E o diabo responde: da Terra. Enfim, para muitos estudiosos, essa seria uma evidência de que há outros mundos. E mais, esses filhos estariam nessa “reunião” como representantes desses outros planetas. Além da Bíblia, Ellen G. White, uma escritora cristã, ainda no século XIX, em vários de seus livros, declara a existência de outros mundos habitados.

Ou seja, ainda que Richard Dawkins possa ter suas razões para duvidar da existência de Deus (e nem estou dizendo aqui que Ele existe), se para a ciência será uma grande novidade a descoberta de vida noutros planetas, a Bíblia parece sugerir isso desde que foi escrita (afinal, o livro de Jó é o mais antigo das escrituras) e estudiosos cristãos também sustentam a existência de vida noutros planetas. Portanto, essa história de que estamos sozinhos no universo não tem fundamento bíblico. Dizer que somos únicos no universo, esta sim é uma tese criada pelo próprio homem.

PS- Importante acrescentar que Dawkins sustentou a tese de vida fora da Terra como a “grande descoberta” para silenciar de vez a crença em um Deus Criador. Segundo ele, se existe vida fora daqui, isso provaria que somos resultados de um processo evolutivo, porque outros planetas também teriam evoluído a ponto de produzir vida. Ele se apega a uma tese, que não é bíblica, de que Deus teria criado seres viventes apenas por aqui.