Que conteúdos informativos você consome?

Esta é uma pergunta que vez ou outra algumas pessoas fazem pra mim.

Eu tenho critérios muito claros. Primeiro, não consumo nada que seja encaminhado pelo messenger, whatsapp e que não tenha origem conhecida. Segundo, não leio informações divulgadas com frases do tipo “repasse”, “não se omita”, “vamos compartilhar”… Muito menos aquelas fotos cheias de texto, com frases de efeito. Terceiro, nada de canais que se dizem informativos, mas não seguem as regras do jornalismo. Quarto, não leio e nem assisto canais de pessoas que não tenham formação acadêmica sólida e não sejam moderadas na escrita ou na fala.

E meu principal critério é: duvidar sempre, questionar e comparar. O Google existe pra isso.

Meus critérios não são os critérios da maioria das pessoas.

O presidente eleito, por exemplo, divulgou uma lista de canais no Youtube que ele sugere aos seus eleitores e seguidores. E, da lista de Bolsonaro, não há nada que seja realmente aproveitável. Até dá para assistir uma coisa ou outra, mas só se a pessoa tiver uma visão muito ampla de mundo para saber filtrar o que é divulgado nesses canais.

A internet possibilitou o surgimento de todos esses espaços que, hoje, contribuem para a formação do universo informativo. A proliferação desses canais é algo altamente positivo. Rompeu com o monopólio informativo dos meios de comunicação tradicionais e, ao desestabilizá-los, tem obrigado a imprensa a se especializar ainda mais.

Entretanto, a população não foi educada para saber como consumir esse conteúdo. Não há formação de leitura crítica. Somado ao assustador analfabetismo funcional, que é uma realidade no país, a ignorância do nosso povo tem se aprofundado – uma ignorância agora sustentada não pela ausência de informação, mas por pseudoverdades que circulam na rede.

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Quem são os nossos gurus?

Ninguém pensa sozinho. A gente pensa a partir de referências que construímos ao longo da vida. Costumo dizer, que todos temos nossos gurus. Podem ser nossos pais, amigos chegados, o padre, pastor, o blogueiro, o colunista de jornal… Também alguns pensadores, filósofos, profissionais bem sucedidos, e inclusive a Bíblia, o Alcorão…

O que a gente pensa e o que a gente diz nasce dessas referências. E nunca temos apenas uma. São variadas fontes de informações que ajudam a formar opiniões e práticas.

Ter referências é fundamental. Muita gente não tem pessoas específicas – às vezes, nem tem consciência de que seu saber é construído na relação com diferentes fontes. Mas ainda assim a pessoa se pauta no vídeo que circula pelo whatsapp, em podcasts variados, conteúdos que estão nas redes sociais…

Como ninguém escapa disso, é necessário ter consciência de quem são os nossos referenciais.

E mais que isso, escolher, conscientemente, os nossos gurus.

Quem não percebe que tudo que pensamos e praticamos é resultado de uma relação com saberes externos, que chegam até nós, quase sempre pensa mal. A qualidade das reflexões é duvidosa.

Hoje, as fontes de informação são inúmeras, variadas. E, com frequência, poucas são realmente dignas de credibilidade e possuem dados e análises coerentes, moderadas.

Por isso, temos a necessidade de filtrar. O que lemos? O que ouvimos? O que assistimos? Precisamos escolher as nossas referências.

Gosto da metáfora da alimentação: se a gente comer qualquer coisa, nossa saúde será afetada. É preciso manter uma dieta saudável. Vale o mesmo para os conteúdos que consumimos.

Nossos filhos parecem ser mais espertos que nós. Eles têm os youtubers da preferência deles, os autores e autoras que gostam… Muitos dos gurus de nossos filhos não são os melhores. Mas já perceberam que, nesse universo imenso de conteúdos disponíveis, é necessário seguir apenas alguns.

Em nossa suposta maturidade, é isso que precisamos: escolher bem os canais de informação que consumimos. Escolher, inclusive, com vertentes de pensamento diferentes e divergentes, porque isso ajuda na formação de uma opinião mais plural, reflexiva.

Temos que seguir gente inovadora, que seja capaz de problematizar o mundo presente e projetar o futuro.

Essas boas escolhas, devidamente filtradas, ajudam-nos a pensar melhor e a fazer melhor.

O exercício da inteligência nos impediria de acreditar em fake news

O que fazer quando até pessoas que a gente admira começam a compartilhar conteúdos que distorcem os fatos?

Nem tudo que circula na rede é totalmente mentira. Alguns conteúdos são exagerados, distorcidos. Mas partem de situações verdadeiras. E esta é uma das principais características das fake news. Elas são construídas a partir de algo concreto, algo que de fato existe ou aconteceu.

Ainda ontem vi um colega compartilhando um meme que trazia a jornalista Renata Vasconcellos esboçando desconforto diante de um dos presidenciáveis na série de entrevistas concedidas ao Jornal Nacional.

A entrevista de fato aconteceu, a expressão da jornalista durante a conversa também aconteceu. Entretanto, o meme, embora tenha surgido de uma situação concreta, distorceu a realidade da entrevista e das regras da entrevista, que impediam claramente a apresentação, por exemplo, de material impresso diante das câmeras.

A gente transita na internet entre fatos, distorções e mentiras.

E muitas pessoas encontram dificuldade para separar as coisas. Se algo diz respeito ao que gostariam de acreditar, compartilham, passam adiante.

O fenômeno das fake news sustenta-se na pouca disposição das pessoas para desconfiar de suas certezas. Quando estamos certos de uma coisa, perdemos o filtro – a habilidade de colocar em dúvida as informações que chegam até nós.

Isso funciona em tudo – inclusive nos relacionamentos. Se eu não gosto de alguém, me aproprio facilmente de qualquer informação negativa que apareça sobre aquela pessoa.

Esse princípio também vale na política.

Se eu gosto do candidato “x” ou “y”, não importam as regras de uma entrevista, não importa se os dados citados são imprecisos… Importa que quero acreditar naquilo.

Esse tipo de comportamento é bem pouco inteligente. Afinal, a inteligência é a capacidade humana – e só nós temos essa capacidade – de fazermos conexões, comparações e duvidarmos das informações para construirmos conhecimento a partir da maior quantidade possível de dados disponíveis.

Gente inteligente não se deixa levar facilmente por notícias falsas.

Onde circulam as fake news?

A internet potencializou a divulgação de notícias falsas. As chamadas fake news possuem características muito peculiares. Quase sempre partem de fatos verídicos e os distorcem criando uma outra informação. As pessoas – ingenuidade, ignorância ou mesmo má fé – fazem circular esses conteúdos, compartilham, criando novas verdades.

Neste vídeo, apresento algumas orientações para que você não seja engado por notícias falsas.

Liberdade de expressão X obrigatoriedade do diploma de jornalismo

Uma primeira vitória. É assim que considero a votação, nessa terça-feira, 7, pelo Senado, da PEC que restabelece a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo. O assunto segue pra Câmara. Os deputados ainda precisam votar a Proposta de Emenda à Constituição.

Quando o Supremo derrubou a obrigatoriedade do diploma para jornalista, não interpretei como o fim do mundo. Embora defenda a profissionalização da atividade, entendia que a decisão dos juízes não mudaria o mercado. Já existiam jornalistas não diplomados. Aos montes. E o fim do diploma também não provocaria uma enxurrada de contratações de gente desqualificada. Por outro lado, levaria para as faculdades apenas aqueles que realmente têm interesse em se tornarem verdadeiros profissionais, já que o simples “papel” não garantia – e vai continuar não garantindo – a contratação.

Entretanto, acho que a decisão do Supremo já cumpriu seu papel, pois colocou o assunto na pauta e provou que o jornalista diplomado ainda é imprescindível nas redações. Ainda que um advogado escreva muito bem, ele não tem as habilidades exigidas pela nossa profissão; vale o mesmo para o médico, engenheiro, arquiteto, pedagogo etc etc. Há exceções? Sim, e vão continuar existindo. Entretanto, exceção não é regra. E a regra é: Jornalismo é para jornalistas.

Entendo que o erro do Supremo foi confundir o exercício da nossa profissão com a liberdade de expressão. Uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. Liberdade de expressão é um direito de todos. Ter tal direito também não significa ser jornalista. E ser jornalista não é o mesmo que se expressar livremente. Por vezes, o jornalista é só um operário da informação. Liberdade de expressão vai muito além do simples noticiar. E o noticiar – embora seja um ato intelectual, que reclama conhecimento – é uma ação que pode ser desprovida de liberdade ao indivíduo.

Portanto, penso que restabelecer a obrigatoriedade do diploma representa a valorização de uma profissão, o reconhecimento de sua importância social. A liberdade de expressão seguirá garantida a todos, inclusive com espaço para ser verbalizada nos meios de comunicação.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Câmara aprova criação de Secretaria de Saneamento
Executivo propõe e vereadores aprovam, por unanimidade e em regime de urgência, uma nova secretaria para cuidar do abastecimento de água, tratamento de esgoto e coleta de lixo. Uma agência reguladora e um fundo financeiro compõem o projeto.

HOJE NOTÍCIAS: – Câmara aprova criação de Agência de Água
O jornal também trata da criação de um órgão no município para gestão dos serviços de água e esgoto. O projeto voltará a ser analisado nesta sexta-feira em uma sessão extraordinária da Câmara. O vereador Humberto Henrique pontuou que acha desnecessária a urgência na aprovação e sustenta a necessidade de uma discussão mais ampla com a comunidade.

JORNAL DO POVO: – Motociclista é a 74ª vítima fatal de acidente
Ontem à tarde, no Loteamento Madrid, em Maringá, uma colisão envolvendo um ônibus da TCCC e uma motocicleta resultou na morte de um jovem de 24 anos e deixou uma pessoa ferida.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – PM ganha comando regional, mas efetivo continua o mesmo
O governador Orlando Pessuti assinou ontem na cidade decretos criando o 3º Comando Regional de Polícia Militar, e a 4ª Companhia do 4º Batalhão de PM, em Sarandi. Pessuti prometeu mais policiais à região, mas de cada 10 postos existentes na polícia do Paraná, 3 estão vagos.

HOJE NOTÍCIAS: – Comando de Maringá terá mais 100 policiais
O jornal também trata da implantação do comando regional da PM. Segundo a reportagem, o comando responderá pelas companhias de Cruzeiro do Oeste, Umuarama e Paranavaí. Durante a solenidade, o governador Orlando Pessuti anunciou a ampliação do efetivo policial.

JORNAL DO POVO: – Ex-arcebispo de Maringá critica Dilma
Na última terça-feira, feriado da padroeira do Brasil, o arcebispo de Brasília, dom João Braz de Aviz, durante missa em celebração à Nossa Senhora Aparecida, criticou o casal Joaquim e Weslian Roriz e a candidata Dilma Rousseff. Sobre Dilma, o arcebispo sugeriu que ela mudou de posição no que diz respeito ao aborto em função da campanha eleitoral.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Maringá tem 213 obras pendentes junto ao TC
Das 998 obras públicas liberadas para o município nos últimos dez anos, 21% estão com contratos em aberto. As falhas são simples de resolver, mas comprometem endividamento e podem gerar processos. Entre as obras com problemas está a segunda etapa do Hospital Municipal no valor de mais de R$ 5 milhões.

JORNAL DO POVO: – Católicos celebram padroeira do Brasil
Hoje é celebrado o dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. A imagem da santa foi encontrada por três pescadores por volta de 1717. A consagração de Nossa Senhora como padroeira do País ocorreu em 31 de maio de 1931, em uma celebração que reuniu, já naquela época, 1 milhão de pessoas.