STF ignora realidade do povo brasileiro

Apesar do Brasil viver a pior crise de sua história, os ministros do Supremo Tribunal Federal aprovaram, nessa quarta-feira, um aumento de 16% nos próprios salários para 2019. Atualmente, a remuneração deles é de 35 mil reais. Com o reajuste, o salário vai para cerca de 39 mil.

Sete ministros votaram a favor do aumento; quatro foram contrários.
O assunto ainda será analisado no Senado Federal e, depois, terá que sancionado por Michel Temer.

Porém, há poucas dúvidas que o aumento será autorizado pelo Congresso e pela presidência. Afinal, ninguém quer se indispor com o STF. No Brasil, retaliações são práticas comuns.

O aumento dos salários dos ministros não beneficia apenas eles. Para quem não sabe, vale lembrar que o teto salarial do STF serve como balizador da remuneração de desembargadores, juízes… E ainda serve de parâmetro para que a própria classe política mexa em seus ganhos.

O que o STF fez ontem foi virar as costas para a realidade do povo brasileiro. Há cerca de cinco anos, o país sofre. O Brasil entrou em recessão, milhões ficaram desempregados, a renda média caiu.

Mas os ministros não estão preocupados com isso. Com a justificativa que o aumento não vai acarretar mais gastos, em função da proposta de remanejamento dos recursos, eles não se importam em dar o exemplo.

Na verdade, gente, essas pessoas formam um outro grupo. Uma casta privilegiada e que pouco se preocupa com a triste realidade do país.

Cerca de metade dos trabalhadores brasileiros ganha menos de um salário mínimo. Mas isso não sensibiliza ministros e a elite de Brasília.

Por isso, é tão importante observar em quem votamos. Um assunto como este, o aumento dos salários dos senhores ministros, é analisado pelo Congresso. Ter gente com coragem para enfrentar o Supremo pode fazer a diferença numa hora como essa.

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Três em cada 10 brasileiros são analfabetos funcionais

Três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais. Talvez você não consiga achar isso um absurdo. Mas eu acho. Significa que três em cada dez pessoas que leem este texto não conseguem compreendê-lo plenamente.

O analfabetismo funcional é caracterizado pela grande dificuldade de entender e se expressar por meio de letras e números em situações cotidianas. Eu escrevo e a pessoa não entende o que eu quis dizer. Eu falo, mas a pessoa não dá conta de compreender o que eu falei.

Analfabetos funcionais têm uma leitura rudimentar. São pessoas que frequentaram a escola, conhecem o código escrito, mas não reúnem as habilidades necessárias para entender um texto.

No Brasil, 38 milhões de jovens e adultos estão nessas condições. Pessoas entre 15 e 64 anos.

A pesquisa é deste ano. Trata-se de uma iniciativa da ONG Ação Educativa e Instituto Paulo Montenegro. A pesquisa foi realizada pelo Ibope Inteligência e compõe o Indicador do Alfabetismo Funcional 2018.

Para chegar a essa conclusão, os entrevistadores visitaram domicílios, aplicaram testes específicos, com questões que envolviam leitura e interpretação de textos do cotidiano – tipo bilhetes, notícias, anúncios, mapas, entre outros.

Detalhe, desde 2009, o Brasil não melhora esse indicador. Ou seja, o domínio de leitura do brasileiro é praticamente a mesma há 10 anos.

Tem mais um dado assustador. Apesar de a população brasileira ter cada vez mais estudo, mais anos na escola, o índice das pessoas que são plenamente capazes de se comunicar pela linguagem – o índice daqueles que são chamados de leitores proficientes, que é o mais alto – é de apenas 12% da população.

Agora, me diga: como pedir que as pessoas consigam analisar de forma racional os discursos dos candidatos? Impossível! Sem grandes habilidades de leitura, as pessoas são facilmente manipuladas por notícias falsas e pelas frases de efeito, cheias de apelo emocional, de políticos habilidosos.

População global consome tudo que a Terra produz em apenas 7 meses

Desde os anos 1970, uma organização internacional mede qual é o nosso consumo de recursos naturais a cada ano. E faz isso comparando ao que a natureza nos oferece nesse mesmo período. É como se a natureza fosse o agente de crédito e nós fossemos os consumidores desse crédito.

Quando essa medição começou, a humanidade consumiu todos os recursos naturais até o dia 29 de dezembro. Na época, esgotamos os recursos dois dias antes do fim do ano.

Mas o tempo passou, a população mundial cresceu e nosso desejo por consumo disparou. Neste ano de 2018, consumimos até o diaprimeiro de agosto, tudo que o planeta nos oferece para viver em equilíbrio com a natureza. Vamos viver em débito os próximos cinco meses. Isso significa que durante mais de 150 dias estaremos destruindo nossa casa.

É como se estivéssemos entrando no cheque especial, gastando o que não temos… E, detalhe, gastando o que não teremos condições de pagar depois.

Mas, afinal, o que estamos consumindo além dos limites no planeta? Valérie Gramond do Wild World Fund afirma que até amanhã teremos utilizado todas as árvores, toda a água, o solo fértil e os peixes que a Terra pode fornecer em um ano.

Também teremos emitido mais dióxido de carbono do que as florestas podem absorver.

Sim, a humanidade está destruindo sua casa. E como essa destruição é silenciosa, nem sempre observável, a gente segue consumindo muito, desperdiçando muito e preservando pouco.

Ainda usando a metáfora financeira, na prática, a gente não diminui o ritmo de gastos, não economiza.

A ganância por ganhos e, por outro lado, a ilusão da compra de bens e serviços tem levado à humanidade a pensar apenas no aqui e agora. Com isso, as condições de vida na Terra vão se tornando cada vez menos sustentáveis.

Fake news: as pessoas acreditam no que querem acreditar

Nos últimos meses, várias agências de checagem de notícias foram criadas. Ainda hoje pela manhã, li sobre o lançamento de uma nova agência, ligada a um dos maiores grupos de comunicação do país. A proposta é investigar se são fatos ou fakes algumas notícias que circulam na rede.

Esse movimento me parece bastante relevante. A quantidade de notícias falsas é assustadora. Mas o que mais me preocupa é o comportamento das pessoas.

Ainda dias atrás, uma jovem que conheço, pessoa que considero, debateu comigo a respeito de uma informação que outra colega havia compartilhado. Eu argumentei, com base numa agência de checagem de informações, que a notícia era falsa. Ela rebateu questionando os interesses da agência. Em outras palavras, colocou em dúvida a agência e, de alguma forma, sustentou que a notícia, que eu entendo como falsa, era verdadeira.

Enfim… É justamente isso que me preocupa. Tenho a impressão que, quando algumas pessoas tomam um conteúdo como verdadeiro, nem mesmo a checagem de sua veracidade é suficiente para desmenti-lo. As pessoas acreditam no que querem acreditar. E aí usam como argumento qualquer coisa, inclusive ideias de conspiração.

Alguns candidatos e políticos fazem isso (Donald Trump é um “belo” exemplo). Movimentos como o MBL, idem. Quando são confrontados, quando a gente diz: “é mentira o que vocês estão dizendo”, preferem desqualificar as fontes de informação e até rebatem dizendo que a checagem é que é falsa.

Isso só reforça a certeza que o problema na qualidade da informação na rede, nos grupos de whatsapp, vai para além dos interesses envolvidos, da superficialidade ou mesmo da pressa em passar uma informação adiante; o problema está na qualidade da formação cultural das pessoas ou, em alguns casos, até mesmo na ausência de ética e caráter.

População envelhece e o futuro é cada vez mais incerto

Um estudo divulgado esta semana pelo IBGE confirmou o que já vem se falando há bastante tempo: o Brasil está envelhecendo. Atualmente, 9% da população são idosos; em 2060, cerca de 25,5% das pessoas terão mais de 65 anos. Detalhe, já em 2039, deveremos ter mais pessoas idosas do que crianças de até 14 anos.

Os dados do IBGE, divulgados no estudo Projeção de População, mostram que o país tem, hoje, uma população de 208 milhões de habitantes. E seguirá crescendo até 2047, quando deveremos chegar a 233 milhões. Porém, depois desse ano, a tendência é de queda. Em 2060, deveremos ser cerca de 228 milhões.

Outro número me chamou atenção: as pessoas consideradas dependentes – aquelas que têm menos de 15 anos e mais de 65 – representam, atualmente, 44% da população; em 2060, serão 67,2%. Na prática, 32,8% da população será responsável por cuidar dos outros 67,2%. 

Esses números mostram para aqueles que ainda estão em fase produtiva – ou seja, pessoas que ainda estão trabalhando -, que olhar para o futuro e se preparar para ele é fundamental.

A primeira grande questão é: se o número de dependentes (crianças e velhos) será maior que aquelas que cuidam, que podem amparar, auxiliar, apoiar, levar pro médico etc etc, os dependentes vão representar um grande peso para a população adulta. Não vai ser fácil. Teremos menos gente com condições de cuidar do que gente precisando ser cuidada.

Outra questão – e que está relacionada com a primeira -, teremos bem menos contribuintes da Previdência. Logo, pensar estratégias para a aposentadoria futura é fundamental. Não vai dar pra contar com o Estado provedor e nem com familiares, pois estarão sobrecarregados. Ter uma boa aposentadoria será garantia de qualidade de vida e até mesmo de amparo – ainda que por instituições especializadas no cuidado de idosos.

E terceiro ponto, idosos precisam de um sistema de saúde especializado, eficiente. Mais velhos significa mais demandas na saúde. Se hoje o sistema público já é falho, imagina só com mais demandas. Isso indica a necessidade de ter bons planos de saúde, que também deverão ficar cada vez mais caros. Ou seja, na prática, os velhos pobres estarão condenados – caso nada comece a ser feito agora.

Percebe por que as eleições presidenciais se tornam cada vez mais estratégicas para o país? O futuro é incerto, amigos. 

Facebook desativa páginas de fake news

O Facebook retirou do ar quase 200 páginas e 87 contas foram desativadas. Muitas delas estavam ligadas ao MBL, Movimento Brasil Livre.

Essas páginas saíram do ar porque, segundo o Facebook, tratava-se de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação. Ou seja, essas páginas espalhavam fake news.

Assim que li a notícia completa, comemorei. Comemorei porque as redes sociais têm servido de suporte para a divulgação de conteúdo duvidoso e muita gente tem formado opinião e até tomado decisões tendo como base mentiras espalhadas na internet.

Foi assim no Reino Unido, que culminou com a saída da União Europeia; foi assim com a eleição de Donald Trump, ele mesmo um especialista em mentiras no Twitter.

O MBL não gostou nenhum pouco da ação do Facebook. Alegou que se trata de censura. Vi várias pessoas comentando na rede e concordando com essa tese.

Não, gente, não se trata de censura.

Censura é um ato de repressão, de impedimento na divulgação de fatos concretos. Quando alguém tem uma informação e é proibida de divulgá-la, temos censura. Mentiras ou conteúdos duvidosos, se são impedidos de serem divulgados, o que temos efetivamente é prudência, cautela. Poderíamos até dizer que se trata de um ato ético, responsável.

Pense comigo: se você ouviu dizer algo ruim sobre uma pessoa, mas não tem certeza daquilo, qual é a atitude correta? Espalhar o que ouviu ou silenciar-se para não ser injusto?

Tirar do ar páginas que constantemente divulgavam notícias falsas é sim um ato de prudência, de respeito ao público, que nem sempre tem condições de checar a veracidade do conteúdo.

E, por fim, há um outro aspecto que o MBL e seus apoiadores parecem ignorar: o Facebook não é um órgão de comunicação, não é imprensa. O Facebook é um site que permite o relacionamento entre pessoas, e entre pessoas e empresas. O Facebook não produz conteúdo. O negócio do Facebook não é produção ou divulgação de notícias.

O Facebook não foi criado com o propósito de que as pessoas entrassem ali para consumir notícias. Isso a gente faz num site de notícias, ouvindo rádio, assistindo televisão… Então quando o relacionamento é prejudicado por conta do mau uso da rede, o Facebook tem todo direito de disciplinar o processo, de punir e até banir.

Ou seja, se pessoas ou alguns grupos usam esse espaço de forma questionável, inclusive por motivações políticas, a empresa pode e deve intervir a fim de assegurar que os usuários não sejam afetados negativamente e o negócio dela, da empresa, não seja prejudicado.

Crescem casos de cyberbullyng no Brasil

A internet me encanta. Desde a década de 1990, quando a conexão ainda era discada, eu já achava tudo incrível. E não é diferente hoje.

A possibilidade de, num clique, ter acesso a um universo de informações, é demais!

Entretanto, a mesma rede que possibilita aprender sobre tudo, interagir com gente do mundo inteiro, produzir conteúdo rompendo com o monopólio da imprensa… Essa mesma internet também potencializa a agressão. E o Brasil tem se tornado uma referência negativa quando o assunto é cyberbullyng.

De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Ipsos, 29% dos pais entrevistados relataram que os filhos já sofreram algum tipo de violência online.

O que é pior é que esse número não para de crescer. Em 2016, a mesma pesquisa trazia um índice de 19%. Ou seja, aumentaram as situações de violência virtual contra crianças, adolescentes e jovens.

Atualmente, o Brasil só fica atrás da Índia no ranking de cyberbullyng. A média mundial é de 16%. Na prática, a violência online por aqui é quase duas vezes maior que a média global.

O levantamento mostra que algumas ações precisam ser tomadas por todos nós. A primeira delas: é fundamental denunciar. O silêncio perpetua o problema.

A segunda medida cabe aos pais: monitorem o que seus filhos fazem na rede. Eles podem ser vítimas ou até mesmo agressores. O que talvez pareça brincadeira de criança, na verdade, pode estar magoando, ferindo o colega.

A terceira medida envolve educadores, escola: temos que insistir em práticas educativas de orientação. É fundamental que nossos alunos saibam usar a rede de maneira produtiva.

Ouça o podcast da Band News. 

Apenas 11% dos brasileiros poupam para a velhice

Frequentemente, digo que a gente precisa viver intensamente o presente. Projetar demais o futuro pode nos fazer esquecer o agora.

Isso, porém, não significa abrir mão de um planejamento futuro. Tratar da aposentadoria, por exemplo.

Que pessoa, hoje, com 35, 40 anos, tem garantia de que vai aposentar pela previdência social? A previdência pública é deficitária. O governo está quebrado. E, com o envelhecimento da população, a situação tende a piorar.

Isso significa que não dá pra saber se vamos nos aposentar com 65, 70 anos… Muito menos, se o dinheiro da aposentadoria será suficiente para vivermos com dignidade.
Atualmente, o maior benefício pago pela Previdência a um trabalhador é de R$ 5,6 mil. É um bom dinheiro. Entretanto, pouca gente recebe esse valor. A média da aposentadoria do trabalhador da iniciativa privada é de R$ 1,3 mil.

Na prática, o cenário sugere que devemos poupar. É fundamental nos prepararmos para a velhice.

Acontece que, no Brasil, apenas 11% da população poupa para a velhice. Os dados são do Banco Mundial. É verdade que esse índice já foi bem pior. Em 2014, apenas 4% dos brasileiros faziam poupança para a aposentadoria.

Contudo, mesmo em países com mais garantias aos idosos, existe um maior comprometimento das pessoas em poupar para o futuro. Para se ter uma ideia, no ranking mundial, o Brasil aparece em 101º – quando o assunto é poupar para a velhice. Estamos atrás inclusive de países muito mais pobres que nós, como são os casos de Filipinas (26%), Bolívia (20%) e Mali (16%). Ou seja, a pobreza não é uma desculpa para não se preparar para a aposentadoria.

Ouça o podcast do comentário da Band News.