Estamos agressivos demais!

Nos últimos anos (talvez nos últimos quatro ou cinco), foram aprofundadas as diferenças entre as pessoas. Especialmente no campo político.

De maneira quase maldosa, as coisas têm sido distorcidas e parece que o Brasil se dividiu entre petistas e não petistas. Entre coxinhas e petralhas. Ou coxinhas e mortadelas (vai lá entender o que é isso).

Defender mulheres, negros, liberdade de culto… já é suficiente para que se ganhe o rótulo de esquerdopata, por exemplo.

Gente, o que tá acontecendo? Piramos todos? Perdemos a razão?

Isso me assusta! E me frustra. Porque não existe um nós e eles. Existe um nós, uma sociedade, um Brasil. Com diferenças sim… Com formas de pensar completamente distintas, porém somos todos pessoas, querendo coisas boas, querendo o melhor para o país. Talvez com propostas diferentes, com soluções diferentes, mas ainda assim não posso acreditar que as pessoas, em sua maioria,  sejam mal intencionadas.

Precisamos acalmar os ânimos. E mais que isso, precisamos investir em conhecimento.

Tem gente que rotula colegas, conhecidos e desconhecidos, de “esquerdopatas”, por exemplo, e nunca leu um texto que defina o pensamento da esquerda. Tem gente que chama os outros de coxinha, mas sequer sabe o que significa o pensamento conservador. Ou seja, antes de sair despejando bobagens e acreditando os outros, vamos estudar! Ler faz bem. Inclusive ler pensadores com os quais não concordamos, mas que podem nos fazer compreender que existem outras formas de ver o mundo.

Dias atrás, o ex-presidente Fernando Henrique fez uma declaração com a qual concordo: precisamos serenar os ânimos, sermos mais tolerantes.

No campo social, não existem verdades. Existem formas de ver o mundo, formas de interpretá-lo e maneiras distintas de responder as demandas políticas, econômicas, culturais… E existe uma forma melhor? Depende. Depende do que se deseja, do que se espera… E de quais grupos da população se pretende privilegiar. Não existe uma única forma de compreender o mundo. Não existe uma única proposta para resolver os problemas da sociedade.

O debate sempre será importante. Mas debater é diferente de agredir. Debater é diferente de odiar.

Então fica aqui meu convite e até desafio: que possamos ouvir mais, ler mais, estudar mais, falar menos!

E se algo nos incomodou muito na internet, por exemplo, devemos pensar bem antes de fazer um comentário, antes de postar alguma coisa. É fundamental aprender a relevar, a ignorar, a silenciar…

Pequenos atos de corrupção

Na noite do último sábado, troquei uma das lâmpadas do prédio onde moro. Prédio antigo, sem elevador, quando uma lâmpada queima entre os andares, fica complicado subir às escadas. Eu tinha uma lâmpada de LED guardada em meu apartamento. Aproveitei-a para resolver o “problema”. A Rute é a síndica. Então cabe a nós esses cuidados.

Hoje pela manhã, enquanto descia, ao passar justamente pelo andar no qual a lâmpada nova havia sido instalada, notei que a coloração da luz estava bem estranha. Olhei para o teto e lá estava uma lâmpada antiga, barata, que, acho, deixou de ser vendida nas lojas especializadas. O que aconteceu com a lâmpada de LED? Provavelmente, alguém fez a troca. Trocou a lâmpada pior pela melhor.

Não vou mentir: fiquei irritado. Mas mais que isso… Lembrei de discussões que insisto fazer: a corrupção de Brasília, das grandes empresas, as alterações na carne, no leite etc etc. nada mais são que reflexo das nossas pequenas corrupções diárias. Infelizmente, boa parte de nós não vê mal em ser um pouco esperto e conseguir alguma vantagem fácil, sem esforço real, sem trabalhar de fato e pagar pelo benefício.

Jornalismo descartável

A quantidade de informações disponível ao público atualmente gera uma angústia constante: o que é, de fato, relevante? E problema vai para além disso. O que se publica, divulga etc. quase sempre é descartável.

É comum abrir as páginas dos jornais, folheá-las e ter a impressão que nada ali é interessante. Vale o mesmo para os telejornais, emissoras de rádio e sites na internet. A gente espia, ouve, assiste e “vai do nada para lugar nenhum”. Nada ali parece ser realmente significativo. Eu experimento essa angústia diária e, com frequência, chego à conclusão que boa parte dos noticiários são descartáveis. Não fazem diferença alguma se deixarem de existir.

Nos noticiários locais e regionais, a situação é ainda mais visível. Com exceção do noticiário policial (que não aprecio, mas chama a atenção de parte expressiva da população) e, vez ou outra, alguma polêmica política, o que existe de informação que vale a pena ser consumida? Quase nada!

Resultado da saturação? Em parte, sim. A pseudo necessidade de gerar muito conteúdo atualizado resulta numa espécie de esgotamento do público. Afinal, o que é novidade? O que é diferente? Mas existe um outro problema. Os veículos de comunicação têm levado pouco em consideração o desejo das pessoas. Oferta-se conteúdo, mas não se planeja o que será disponibilizado. A notícia então torna apenas mais um produto na prateleira, sem utilidade alguma.

Faça tudo com excelência

trabalho

Você já notou que falta qualidade para muito dos nossos serviços? Você contrata um pedreiro para fazer uma parede. Ele faz a parede torta. Você vai ao mecânico hoje… Amanhã tem que voltar porque o serviço foi mal feito. Você contrata uma diarista para limpar as janelas de sua casa… Quando vai conferir, os vidros estão manchados.

Estou citando serviços básicos, mas essa cultura, que não valoriza o trabalho de excelência, que é displicente na execução de diferentes tarefas, é uma cultura predominante.

Encontramos problemas no comércio, na saúde, na educação, na segurança… Parece faltar disposição para fazer o melhor em cada área, para fazer com excelência!

Sabe, se preparo uma aula, tenho que preparar a melhor aula que posso. Se vou fazer um relatório, tenho que oferecer todos os dados necessários e de maneira clara. Serviço mal feito precisa ser refeito.

Uma vez ouvi alguém perguntando: você acredita que se a gente tirasse todos os brasileiros do Brasil e trouxesse os japoneses pra cá, você acredita que o Brasil tinha jeito? A resposta veio sem titubear: com certeza o Brasil seria outro. Aqui entre nós, o que isso significa? Significa algo simples: o Brasil será melhor na medida que fizermos o nosso melhor. E isso começa comigo. Aquilo que faço precisa ser o meu melhor.

Fica para você também esse desafio: faça seu trabalho com excelência! Não importa a remuneração atual. Com o tempo, a qualidade sempre é reconhecida. Observe… Os melhores mecânicos, os melhores médicos, os melhores sempre são melhor renumerados. Os produtos com mais qualidade geralmente são os mais caros. Então façamos tudo com excelência!!