Quais contradições as aulas online revelam?

A pandemia mudou a rotina de alunos e professores. Escolas, colégios e faculdades abandonaram suas práticas tradicionais e tiveram que adotar tecnologias digitais para manter a rotina do ensino e da aprendizagem. Tenho defendido esse modelo e entendo que, apesar de inúmeras falhas, trata-se de uma oportunidade de crescimento para alunos, professores e para todo o sistema educacional brasileiro – que é arcaico, devemos reconhecer.

Por outro lado, a experiência do ensino remoto tem revelado pelo menos dois graves problemas: a estrutura deficiente da oferta de internet banda larga e a ausência de acesso – que podemos chamar de exclusão digital – por milhares de crianças, jovens e adultos.

Os serviços de internet no Brasil são horríveis. Paga-se caro para ter pouco, muito pouco. Compra-se um determinado pacote de serviços e recebe-se outro. Chega a ser ridículo. E criminoso. Se o país fosse realmente sério, todas as operadoras de telefonia seriam constantemente punidas.

Em cinco meses de aulas online, não tive um único aluno que, em algum momento, não sofreu com a instabilidade da internet, conexão lenta ou a interrupção do serviço. Eu já tive aulas comprometidas pela falta de internet. A velocidade raramente chega próxima do que foi contratado e é pago pelo usuário. E essa é a realidade que as pessoas que têm experimentado no ensino online ou trabalhando em home office. O Brasil carece de investimentos volumosos para dar conta da demanda de serviços de internet. Esse problema estrutural compromete o desenvolvimento do país e o impede de competir com as principais potências econômicas. Ou seja, o gargalo da internet não afeta apenas a educação; vai muito além de falhas de conexão, aulas interrompidas, imagens e áudios travados etc. Curiosamente, não recordo de algum governo ter apresentado um plano, alguma política pública para mudar esse cenário.

Quanto à exclusão digital, o que nota-se é o aprofundamento das desigualdades. E estas se revelam de diferentes formas. Ainda esta semana, conversando com uma aluna que havia se ausentado nas duas últimas aulas, soube que está sem internet. Para ter acesso a alguns conteúdos, ela sai de casa, vai até um mercadinho do bairro, “rouba” o sinal de internet para baixar alguns textos, vídeos etc. Como faz isso de forma improvisada, nem sempre tem sucesso em todos os downloads.

Mas essa aluna não é a única que sofre os efeitos desse tipo de exclusão. Mesmo sendo professor de uma faculdade particular, poderia relatar casos de acadêmicos que foram obrigados a trancar os cursos por não possuírem um computador ou pelo menos um smartphone de qualidade razoável que permitisse acompanhar as aulas e fazer as atividades propostas pelos professores. Agora, pense, como um aluno faz uma resenha ou resumo de três ou quatro páginas digitando no celular? É possível? Sim. Mas a tarefa se torna extremamente pesarosa, desgastante.

Num Brasil de outras tantas contradições, o ensino remoto confirma e reproduz as exclusões e aponta para carências de investimento que o Estado parece incapaz de responder. Em algum momento será diferente? Talvez, mas não durante a pandemia. Sobre o depois, espero que os desafios enfrentados neste período sirvam de lição e nos motivem a discutir os problemas reais do país; que sejamos capazes de deixar em segundo plano bandeiras vazias e olhemos para o que, de fato, impede o desenvolvimento e a justiça social.

Você contribui para a desinformação?

Lembro que, quando era repórter de jornal, fiz algumas matérias sobre campanhas de vacinação. Era comum, ao tratarmos dos resultados da campanha, divulgarmos os objetivos alcançados, que cerca de 95% das pessoas do público-alvo tinham sido vacinadas.

Eu deixei a reportagem no final de 2005. Foi quando me tornei âncora e passei a apresentar as notícias atrás de uma bancada, sem o contato direto com as ruas.

Na época, ainda não falávamos em redes sociais. Tínhamos alguns blogs em crescimento, o Orkut se popularizando, mas não conhecíamos o Facebook, Twitter e tampouco cogitávamos a existência de um meio tão poderoso para o compartilhamento de conteúdos, como o Whatsapp.

Esses dispositivos mudaram a maneira de nos comunicarmos. Deram voz às pessoas; hoje, todos somos consumidores e produtores-disseminadores de conteúdos noticiosos.

Isso parece maravilhoso, mas também tem se tornado um grande problema.

Já em 2018, um estudo apontava que a cobertura vacinal contra a poliomielite, a chamada paralisia infantil, havia caído 17%; já a redução da tríplice-viral, 15%. Como a eficiência das vacinas no combate a determinadas doenças depende de um índice de cobertura de 95% do público-alvo, qualquer redução significa uma janela para o retorno de doenças graves e limitantes – e até erradicadas -, como é o caso da paralisia infantil.

E qual a razão dos brasileiros estarem deixando de tomar vacina? A divulgação de mentiras na internet, principalmente nas redes sociais e no whatsapp. São comuns títulos atrativos do tipo: “Vacinas obrigatórias: o que está por trás disso? Elas são confiáveis?”.

Teorias da conspiração e conteúdos mentirosos, fakes, sempre existiram. Mas as tecnologias digitais potencializaram a desinformação.

Hoje, ninguém está isento de ser pego por uma mentira que circula nas redes ou em mensagens do whatsapp. Esses conteúdos podem dizer respeito a políticos e a política, mas também tratam de empresas, celebridades e, infelizmente, até mesmo de questões relacionadas à saúde.

O retorno de casos de sarampo no Brasil está diretamente ligado à disseminação de conteúdos falsos na internet. O próprio Ministério da Saúde reconhece a relação entre o retorno do sarampo e aos conteúdos fakes que circulam nas redes e que levam as pessoas a deixarem de se vacinar.

Mais recentemente, em função do novo coronavírus, o Ministério da Saúde e as secretarias de Saúde de Estados e Municípios precisaram criar alertas e desmentidos para desconstruir as mentiras que são espalhadas em textos, memes, vídeos etc. sobre o vírus, sobre formas de contágio ou mesmo de prevenção.

Curiosamente, a vacina contra a covit-19 nem foi descoberta e inúmeros conteúdos fakes já são disseminados criando expectativas de cura ou ideias conspiratórias sobre as pesquisas em andamento.

E por que tudo isso acontece? Primeiro, porque existem pessoas maldosas, mal intencionadas ou simplesmente ignorantes que estão dispostas a produzirem e espalharem esses conteúdos falsos. Mas, o mais importante: isso ocorre porque as informações falsas são acolhidas por gente de todas as classes, estudadas ou não, e que prefere confiar em mentiras.

As pessoas também são responsáveis pela rede de desinformação que cresce no mundo. Gente que acredita no que recebe no whatsapp e desacredita de conteúdo produzido por cientistas ou profissionais da comunicação, que possuem inclusive uma responsabilidade legal pelo conteúdo que divulgam.

As inúmeras pesquisas, inclusive internacionais, que apontam que cerca de três de cada quatro mensagens de whatsapp são falsas, não parecem suficientes para desestimular algumas pessoas de passarem adiante conteúdos falsos.

As fakes news têm causado inúmeros prejuízos para a sociedade – prejuízos que vão da redução na cobertura vacinal, passando pelo consumo equivocado de determinados produtos e medicamentos para combater doenças como a covit-19, até julgamentos mentirosos sobre empresas e pessoas, sejam elas personalidades políticas ou não.

É fato que nem sempre é simples identificar as notícias falsas. Mas também não é impossível. Eu costumo dar três dicas bem básicas e até genéricas: não compartilhe nenhum conteúdo noticioso ou mensagens de supostos médicos, policiais, gente da polícia federal etc. que chegue pelo whatsapp, messenger ou esteja nas redes sociais, mas que não tenha origem conhecida e reconhecida.

Outra dica, não acredite em nada que tenha um título espetaculoso – do tipo: “vamos compartilhar sem dó” ou “passe adiante antes que tirem do ar”.

A terceira e última dica vem da Bíblia. O texto sagrado recomenda que sejamos prudentes! A prática da prudência – que pode ser compreendida por cautela, certa desconfiança, moderação -, pode nos salvar de espalharmos a desinformação.

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O que Deus diria ao povo hoje?

Sempre que posso, começo o dia refletindo em algum trecho bíblico. Hoje, me deparei com Isaías, capítulo 1, versos 15-17. Diz assim:

“Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue! Lavem-se! Limpem-se” Removam suas mãos obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva”.

Eu não sei o efeito que esses versos têm sobre você. Tampouco o que podem significar pra você. Entretanto, eles são as palavras do próprio Deus reproduzidas pelo profeta Isaías.

Nesses versos, Deus fala sobre seu desagrado com as pessoas. Ele é categórico: não vou ouvir a oração de vocês; podem orar mais, falar mais, mas não vou ouvir e nem ver vocês. E qual a razão? As mãos do povo estão cheias de sangue.

Do que Deus estaria falando? Quando conhecemos o contexto do capítulo 1, compreendemos que o povo estava agindo mal, era negligente com os pobres, desprezava os mais fracos, era insensível com o sofrimento dos humildes. Porém, esse mesmo povo mantinha uma prática religiosa exuberante. Ia ao templo, fazia sacrifícios, orava com as mãos estendidas… Ou seja, parecia um povo devoto a Deus, porém, tinha um coração impiedoso. Tinha sangue nas mãos.
Ler esses versos me faz olhar para o mundo em que vivemos…

Quem seriam os órfãos e as viúvas do século 21?

Olho para mim e ao meu redor e observo uma sociedade que também é insensível, cruel com as minorias, com fracos e oprimidos. Uma sociedade em que poderosos gritam, ofendem, enquanto anônimos morrem. Eles têm sangue nas mãos.

Muitas dessas pessoas falam o nome de Deus, e dizem falar em nome de Deus, que dizem colocar Deus acima de tudo, mas têm nas mãos o sangue de pessoas inocentes, vítimas de doenças, vítimas de fome, vítimas do preconceito…

Parece-me que para elas Deus segue dizendo: “Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue”.

O que alimenta minha esperança, é que esse Deus ainda é misericordioso. Ele segue alertando: “Lavem-se” Limpem-se!”.

Estaremos atentos para ouvi-Lo?

Mudar é imperativo!

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Gente, esse período de quarentena tem me surpreendido sob vários aspectos. Mas um deles, em particular, me incomoda bastante. Eu tenho repetido que uma das características da sociedade pós-moderna – ou, noutras palavras, do mundo que a gente vive – é a flexibilidade, a capacidade de adaptação.

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Um sociólogo famoso definiu a característica principal desse nosso mundo como “modernidade líquida”. E por que ele utilizou a ideia do líquido? Porque todo o líquido é fluído, toma a forma do recipiente no qual é colocado. Se você tiver dois litros de água numa garrafa, a água toma a forma daquela garrafa; se for numa jarra, ganha a forma da jarra; se for num balde, assume a forma do balde… Enfim, acho que você já entendeu.

E esta é justamente uma das principais características da nossa sociedade: a liquidez. E quem vive nela, ou pelo menos sobreviver nela, deve também ter essa capacidade de mudar, de assumir novas formas. Pessoas extremamente rígidas, apegadas aos seus métodos, sofrem demais e encontram dificuldade para lidar com tantas mudanças.

E o que a pandemia provocada pelo novo coronavírus fez? Virou a mesa e mudou a vida de todo mundo de um dia pra outro. Empresas que só vendiam no balcão estão tendo que migrar para a internet, fazer delivery… Profissionais que nunca trabalharam em casa tiveram que montar suas estações de trabalho em casa… Professores que nunca gravaram uma aula estão agora dando suas disciplinas pela internet…

Mas… qual é o meu incômodo então? Justamente a rigidez de algumas pessoas. Tem gente que parece incapaz de se adaptar. Por exemplo, eu perdi um colega, professor, que preferiu desligar-se a ter que administrar as novas demandas do ensino remoto. Ele é o único com dificuldade? Evidentemente, não. Toda mudança gera desconforto. Entretanto, quando alguém trava e perde uma oportunidade de trabalho ou mesmo começa a sofrer de ansiedade, estresse, pânico, perde o sono… Enfim, quando a pessoa não consegue lidar com as mudanças, tem um problema. E um problema sério – de ordem emocional, com efeitos pessoais e profissionais. Sem contar que, além de se prejudicar, pode prejudicar todo um grupo.

Deixa eu te falar algo muito importante: se você não é flexível, se te falta aquilo que a gente chama de “jogo de cintura”, se sofre demais com mudanças, procure ajuda! Leia sobre o assunto, procure um mentor, faça terapia… Mas procure mudar.

É fato que se trata de um traço de personalidade. Também é fato que, no passado, a fidelidade a determinadas características representava inclusive um nobre valor na identidade pessoal. Hoje, não! Quem não se adapta, está fora do jogo. E jovens rígidos, inflexíveis, vão sofrer demais ao longo da vida. Qual a chance das práticas profissionais de uma determinada atividade profissional serem as mesmas daqui 20 ou 30 anos? Nenhuma! Na verdade, o intervalo entre as mudanças é cada vez mais curto.

Então… se você tá sofrendo com as mudanças, procure trabalhar isso em você! Mudar hoje é imperativo. E não apenas por conta da quarentena. Mudar sempre é a nova regra!

Que mundo novo estamos construindo?

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Nos últimos dias, tenho escutado algumas pessoas falando que a pandemia de coronavírus fez morrer o mundo que tínhamos e está fazendo nascer um mundo novo.

O mundo como o conhecíamos até semanas atrás teria deixado de existir. Noutras palavras, após a crise, nada mais será como antes.

Os valores que tínhamos, as coisas que possuíamos… tudo será ressignificado. Sem contar que perderemos muitas coisas, inclusive, pessoas.

Eu concordo que acontecimentos dessa proporção criam rupturas. E dão origem a uma nova história. Entretanto, ainda tenho dúvidas se o mundo que irá nascer será melhor que o que tínhamos.

O sofrimento tem um efeito poderoso sobre nós. Ninguém sai do sofrimento igual. Porém, os efeitos nem sempre são positivos. O sofrimento pode tornar alguém melhor ou pior do que era.

Justamente por saber disso, tenho dúvidas sobre o quê iremos construir quando sairmos dessa pandemia. Na verdade, depende inclusive de como estamos administrando nossas dores e perdas hoje.

O tempo de distanciamento e/ou isolamento social pode nos tornar mais generosos, mais solidários, mais altruístas, mais amorosos, menos apegados ao dinheiro…

Mas também pode produzir pessoas mais egoístas, gananciosas, invejosas, mesquinhas, individualistas…

Sinceramente, não sei que tipo de mundo teremos após a pandemia. Entretanto, espero que esse período tão difícil possa ter um efeito bom sobre mim, sobre as pessoas que estão comigo e também sobre você. Se nos tornarmos pessoas melhores com essa crise, já teremos boas mudanças. Afinal, se a nossa casa, empresa, sala de aula se tornarem um ambiente mais amável, afetuoso, caridoso, solidário, generoso… O nosso mundinho já será melhor.

Como manter a sanidade mental em tempos de quarentena?

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Neste tempo de quarentena, talvez a coisa mais difícil seja manter a sanidade mental. Não há nada de divertido em ficar em casa por obrigação, por dever.

A gente preza demais a liberdade. Embora a liberdade seja muito mais uma ideia do que um fato, gostamos de imaginar que podemos escolher o que fazer.

Se ficamos em casa, ficamos por opção, porque esta foi a nossa escolha. Pra ficar “de boa”; preguiçosamente, de preferência.

Mas, agora, não tem nada de escolha. Ficar em casa deixou inclusive de ser uma recomendação; passou a ser uma obrigação. E, no caso de Maringá, só falta uma sirene para o toque de recolher. Das nove da noite às cinco da manhã, as pessoas estão proibidas de saírem de casa. Socorro!

Além desse cenário em que perdemos até mesmo uma das liberdades mais básicas, não existe uma única certeza a respeito do futuro. Há indicações de caos na economia, de prejuízos financeiros, empresas quebradas, aumento do desemprego…

E o que dizer sobre o ano letivo? Professores e alunos não sabem quando voltam para a sala de aula. Todos tentam achar um jeito de manter a rotina de preparo de aulas e estudo. Mas a própria ausência de uma cultura autoinstrucional, autônoma, cria barreiras para um aprendizado efetivo.

Para completar, tem o medo de ser contaminado pelo novo coronavírus. Ainda que se fale que os sintomas sejam parecidos com uma gripe, qualquer dorzinha de cabeça ou de garganta, mal estar deixa-nos apreensivos. Sei de gente que anda tendo pesadelo com o vírus.

Sim, meu caro leitor, não está fácil manter o equilíbrio. Se você está em paz, parabéns!! E se você está ansioso, com medo, não se cobre por isso e nem se culpe. Tá difícil mesmo. E não é só pra você.

Apenas respire fundo, tente se lembrar que tudo passa. Essa pandemia, essa crise também vai passar.