Feliz a nação cujo Deus é o Senhor?

Quero compartilhar com você um trecho do Salmos 144. Na última parte do verso 15, que é o verso final, lemos:

“Como é feliz o povo cujo Deus é o Senhor!”

No Salmos 33, temos uma afirmação bastante parecida. A primeira parte do verso diz:

“Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”.

Esses versos são lindos, não é verdade?

Mas, embora lindos, eles nos enganam. Sim, a leitura destes versos nos enganam.

Por certa precipitação, ausência de contexto ou leitura displicente, a gente pode entender tudo errado é achar que toda uma nação pode ser feliz. Para isso, bastaria declarar Deus como Senhor da nação. Com isso, Deus seria o Senhor do povo e a nação seria próspera, feliz, livre de problemas.

Também é um grande erro entender que um governante pode escolher que Deus será o Senhor da nação.

Na verdade, por mais que esse governante realmente tenha boas intenções, o governo, o Estado, não torna Deus o Senhor do povo. Não existe lei, não existe decreto que seja capaz de tornar Deus o Senhor do povo.

É um engano achar que um povo será feliz, próspero, livre de violência, da fome etc., porque alguém disse: este povo adora o Senhor!

E sabe por quê? Porque a adoração ao Senhor é individual.

Eu não posso escolher Deus como Senhor do Brasil; eu posso escolher Deus como Senhor da minha vida. E não posso impor isso à minha esposa, filhos, vizinhos etc.

Mas o equívoco na leitura desses versos vai além. No texto mais citado, o do Salmos 33, geralmente se ignora a continuidade do texto. O restante do verso 12 traz: “e o povo que Ele escolheu para lhe pertencer!

Ou seja, a citação refere-se a uma escolha feita por Deus, um povo a quem Deus teria escolhido pertencer. Considerando toda a narrativa bíblica, podemos entender que se refere ao fato de Deus ter escolhido Israel.

Entretanto, no livro de primeiro Samuel, capítulo 2, versículo 30, temos uma declaração do próprio Deus que ajuda a esclarecer que, embora Deus tenha escolhido Israel, Israel não escolheu a Deus. Por isso, mesmo com a nação de Israel, a relação deixa de ser com a nação e passa a ser com o indivíduo.

Vale lembrar que, desde a aliança com o patriarca Abraão, Deus havia escolhido um povo, o povo de Israel, para ser luz para as demais nações. E Deus era o governante real do povo. Israel não precisava de rei. Contudo, o povo vivia se desviando de Deus a ponto de querer um rei. Com isso, rejeitou o Senhor.

Então Deus declara:
‘Prometi à sua família e à linhagem de seu pai que ministrariam diante de mim para sempre’.

Havia uma promessa, mas ela é retificada por Deus, que declara: ‘Longe de mim tal coisa! Honrarei aqueles que me honram, mas aqueles que me desprezam serão tratados com desprezo’.

E aí: quem é honrado por Deus? Deus honra aqueles que o honram.

Ou seja, deixa de haver uma bênção específica para o povo de Israel. A bênção é individual; é para quem honra o Senhor.

Portanto, voltando aos textos “Como é feliz o povo cujo Deus é o Senhor!” e “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, se você os usa para pensar em sua pátria, lamento informar que está bastante equivocado.

Não basta um homem, não basta uma lei, não basta um slogan para colocar Deus em primeiro lugar. Isso seria impor uma crença às pessoas.

Tampouco essas medidas iriam assegurar uma bênção especial para toda a nação.

Deus só se torna o Senhor do povo quando TODO o povo escolhe, livremente, e por amor, honrar o Senhor.

Infelizmente, isso não acontece e não acontecerá.

Enquanto vivermos neste mundo de pecado, cada um de nós pode escolher o seu caminho. E viver do seu jeito. Essa é a liberdade que Deus concedeu a todos nós.

Mas como então podemos entender a declaração de Davi de que é feliz o povo cujo Deus é o Senhor?

Porque se um povo, um povo que pode ser a minha família, que podem ser as pessoas da minha empresa, que podem ser as pessoas da minha igreja… Se um povo escolhe Deus como Senhor, este povo é realmente feliz.

É feliz porque não existe contenda, não existe confusão, não existe violência e nem ameaças, não existe gente querendo puxar o tapete do outro, não existe inveja, não existe ninguém falando mal um do outro… Existe amor neste povo.

Um povo que escolhe Deus como Senhor é um povo que ama. É um povo que acolhe, perdoa, abençoa… Um povo que vive assim é um povo feliz.

Meu amigo, minha amiga, seja você a pessoa que escolhe Deus como Senhor. Viva como alguém que tem Deus como Senhor de sua vida.

Contagie o ambiente com o amor do Senhor e você verá outras pessoas escolhendo Deus, elegendo Deus como Senhor.

Quem sabe aí no seu grupo, na sua comunidade, você tenha um povo feliz, porque escolheu Deus como Senhor.

É sexta-feira santa!

A pandemia tem roubado da gente até a percepção do tempo. Você tem conseguido contar os dias, como sugere o salmista? Tem dado conta de reparar no movimento da vida, nas coisas que estão acontecendo, inclusive com você?

Eu tenho insistido com meus alunos e alunas, e tenho falado nos meus textos e vídeos, que precisamos seguir vivendo. Não dá para esperar a pandemia passar. Quem está adiando tudo para depois da pandemia está deixando de viver. E deixar para depois é abrir mão da vida agora – sem contar que o “depois” é sempre incerto; sequer há garantia de haverá vida.

Nessa loucura angustiante que tem sido o tempo em que vivemos, chegamos à sexta-feira santa e esse dia chegou tão rápido que mal notamos que estamos as vésperas da Páscoa.

Não sei como as coisas estão aí na sua cidade, mas pelo menos em Maringá, onde moro, até os supermercados foram bastante tímidos na decoração da Páscoa. As prateleiras tinham poucas opções de ovos de chocolate.

Na semana passada, enquanto estava com a Rute, minha esposa, até brincamos que o coronavírus freou os ímpetos de consumo de chocolate.

Entretanto, essa sensação de que tudo está muito confuso abre uma oportunidade única para pensarmos no que realmente significam essas datas.

A decoração festiva nos supermercados, os anúncios de ofertas de produtos variados para a Páscoa, por vezes nos distraem. Distraem até mesmo o povo de Deus.

É fato que muitas igrejas fazem programações especiais na Semana Santa com o objetivo de direcionar o nosso olhar para o que realmente importa. A Igreja Adventista e a Novo Tempo fazem isso há muitos anos. E milhares de pessoas tem sido abençoadas, restauradas.

Ainda assim, até mesmo programações especiais como essas, em tempos normais, não alcançam todas as pessoas e não impactam todo mundo. As pessoas geralmente estão ocupadas demais.

Contudo, estes tempos difíceis deixam nosso coração mais sensível. Não é preciso se esforçar muito para entender que algo está grave está acontecendo com o planeta e que a humanidade está em perigo.

As mortes que se acumulam, a grave crise econômica e política que nos afetam apontam para o céu. Nos dias em que vivemos, dá para ouvir a voz do salmista Davi dizendo: elevo os olhos para os montes, de onde virá o meu socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.

Querido amigo, querida amiga, a sexta feira santa e o domingo de Páscoa renovam nossas esperanças. Essas datas não são apenas datas comemorativas. Elas são um lembrete de que existe esperança. E a esperança está em Cristo, aquele que nasceu, morreu, mas ressuscitou.

Por isso, te faço um convite: célebre essas datas lembrando da vida que há em Cristo. Não se incomode com as impossibilidades de estar junto com as pessoas amadas. Sei que elas fazem falta, sei que é bom abraçar… Mas o Cristo ressuscitado dá a garantia de logo chegará o tempo em que nunca mais precisaremos ficar separados.

A separação de hoje é apenas uma fração de tempo na história diante de uma eternidade que teremos para viver juntos. Para sempre! E melhor, vivendo junto com o próprio Cristo.

Uma Páscoa abençoada pra você.

O mundo exige que sejamos flexíveis

Flexibilidade não é apenas uma palavra da moda; trata-se de uma tática de sobrevivência no mundo contemporâneo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, crítico do que ele mesmo denominou de mundo líquido, ressaltou em diferentes ocasiões que, embora a flexibilidade possa de alguma maneira agredir a natureza humana, quem permanece rígido e não aceita as mudanças é excluído.

A exclusão pode acontecer de várias maneiras, mas uma das mais dolorosas é a perda de um emprego ou de oportunidades de trabalho. Afinal, é por meio do trabalho que asseguramos a sobrevivência.

Neste período de pandemia, a flexibilidade se tornou sinônimo de adaptabilidade. É fundamental adaptar-se às circunstâncias para sobreviver.

Recordo que no início da pandemia, um jovem professor da faculdade em que leciono e sou coordenador, resistiu demais às mudanças que foram implementadas para manter as aulas. Ele queria a suspensão das aulas até o fim da pandemia. Isso foi em março do ano passado.

As aulas foram para a internet, ao vivo. O professor não se adaptou. No final de abril, pediu demissão. Hoje, um ano depois, as aulas continuam sendo no sistema remoto. A pandemia não acabou. E, sem adaptar-se, parece-me que o meu colega continua sem dar aulas, sem emprego.

Dias atrás, li a história de um casal. No início da pandemia, foram demitidos. Batalharam por oportunidades por algumas semanas, mas as contas foram chegando… Quando o dinheiro estava acabando, assimilaram o princípio básico da flexibilidade: adaptar-se às circunstâncias. Perderam a vergonha e resolveram fazer bolos em casa para vender. Pesquisarem muitas receitas, fizeram testes, experiências e, há quase um ano, o jovem casal, com curso universitário e carreira em ascensão, agora faz bolos para ganhar a vida. Será este o futuro profissional deles? Nem eles sabem.

A vida neste mundo contemporâneo exige de todos nós a disposição de ser flexível. Adaptar-se hoje para, amanhã, talvez, largar tudo e começar algo completamente novo. E assim a cada nova situação que se colocar diante de nós.

Costumo repetir que, por vezes, a realidade se impõe. E quem não compreende isso e se flexibiliza para responder às circunstâncias, sofre muito mais e pode enfrentar sérias dificuldades até mesmo para sobreviver.

O debate nas redes tem algum valor?

Num dos inúmeros grupos de trabalho no whatsapp, a polêmica começou quando alguém divulgou um vídeo defendendo um determinado “tratamento inicial” para a covid-19. Rapidamente, o clima esquentou e notei que algumas pessoas se ofenderam.

O moderador do grupo procurou acalmar os ânimos e lembrou que todo debate é válido.

Cá com meus botões, fiquei pensando: será que o debate em grupos de whatsapp ou mesmo nas redes tem algum valor? Será que todo debate é válido?

Do ponto de vista conceitual, debates se distinguem do diálogo. Debates objetivam dar visibilidade aos posicionamentos das partes envolvidas. Não há concessões. O foco do debate é o enfrentamento. E, para ser bem sucedido no debate, o que vale não é necessariamente o conteúdo, mas o efeito das palavras a fim de desestabilizar os demais debatedores.

Na prática, o debate pouco acrescenta. Trata-se de um espetáculo verbal. Como gênero textual, o debate geralmente é interessante apenas para quem assiste. Pode até gerar algum aprendizado, mas se trata muito mais uma oportunidade para identificar quem organiza e defende melhor suas ideias do que para, de fato, ter a compreensão a respeito de um determinado tema.

Quando se trata de um “debate” num grupo de whatsapp ou nas redes sociais, o confronto é potencializado. Perde-se a referência do outro pela ausência física. O outro passa a ser somente um nome, uma imagem; a humanidade do outro é esvaziada. O outro torna-se um inimigo que precisa ser combatido e vencido. É necessário impor a sua ideia, a sua verdade, torná-la a verdade de todos. Nem sempre importa os custos disso. As emoções afloram, o coração acelera, falta oxigênio no cérebro e a razão escapa.

Nesses espaços virtuais, o debate dificilmente se abre para o aprendizado e para o questionamento das verdades que os envolvidos defendem. Na prática, tem grande chance de se tornar ofensivo e, por isso, não raras vezes, amizades se rompem, pessoas se distanciam. Aqueles que não participam – os espectadores – geralmente se sentem desconfortáveis e pouco absorvem os argumentos dos “debatedores”.

Por isso, se já tenho reservas aos debates pessoais, em locais e ocasiões que permitem a moderação, nos espaços virtuais, não vejo chance de haver mudanças no ponto de vista e opinião dos envolvidos. Pessoas fechadas em seus argumentos não escutam os argumentos alheios e tampouco colocam em xeque suas certezas. Quem assiste passivamente, raramente consegue acompanhar todas as informações que são relacionadas e estas, por estarem impregnadas de emoções negativas (raiva, vontade de destruir o argumento e até de ridicularizar o outro), não possuem a sensatez da racionalidade e tampouco fazem conexão com descobertas concretas e conhecimentos experimentados e comprovados.

Logo, entre participar desses debates ou assisti-los “de camarote”, prefiro ler um livro e/ou assistir uma aula.

Nada mais é previsível

Prefere ouvir? Dê o play no podcast!

O fim da idade média e o início da idade moderna trouxe uma das mudanças mais profundas no modo de vida humana: acabou a estabilidade. Durante centenas de anos, o jeito que os avós e bisavós viviam era o jeito que as pessoas viveriam e também os seus filhos. A modernidade pôs fim a isso.

Porém, se as mudanças passaram a fazer parte da sociedade, causando incertezas e insegurança, a era digital acelerou o processo de mudanças. Agora, você não tem certeza sequer se a blusa que você comprou na loja hoje estará na moda no ano que vem.

E as novidades estão em todos os lugares. Nos objetos que fazemos uso em nosso cotidiano, nos softwares que utilizamos para trabalhar e até mesmo na reconfiguração do mercado de trabalho.

O sociólogo da modernidade líquida, Zygmunt Bauman, afirma no livro 44 cartas do mundo líquido moderno que “as circunstâncias que nos cercam – com as quais ganhamos nosso sustento e tentamos planejar o futuro (…) também estão sempre mudando”.

Ainda esta semana, ao conversar com meus novos alunos de jornalismo e publicidade e propaganda , ressaltei: se vocês compreenderem que as técnicas que aprenderão na faculdade estarão defasadas no dia seguinte que deixarem o curso, vocês terão sucesso no mercado de trabalho.

E por quê? Porque as técnicas mudam, as profissões mudam.

Fazer um curso superior segue sendo fundamental. Mas não pelas técnicas que aprendemos. Segue fundamental pela abertura para novos mundos da intelectualidade e para romper com as explicações do senso-comum. Afinal, o pensamento profundo é valioso em qualquer tempo da história – inclusive para adaptar-se à lógica ilógica das constantes mudanças.

Portanto, meu amigo, minha amiga, se você se sente inseguro no mundo pela ausência de certezas, compreenda de uma vez por todas: a previsibilidade já não nos pertence mais. Caminhamos tateando no escuro tentando não tropeçar nas inúmeras novidades que nos cercam, buscando formas de seguirmos em frente em direção ao desconhecido.

Que Cristo eu mostro ao mundo?

Uma das razões de ter decidido me dedicar às gravações de vídeos com enfoque cristão é o incômodo que me causa parte do discurso religioso dominante.

Sou cristão e não me sinto confortável com as manifestações públicas de muitas pessoas que falam em nome de Deus.

Por outro lado, tbém entendo que não é correta a crítica generalista contra a comunidade cristã.

Fieis cristãos não são estúpidos e tampouco ignorantes. Existe sim muita gente simples, sem escolaridade… Mas todo cristão verdadeiro, ainda que desconheça as letras, é movido pelo amor.

Porém, o que dizer desse pessoal que agride, discrimina e usa o nome de Deus para atacar e tenta impor o modo de vida deles aos outros? Embora essas pessoas existam e estejam no meio de nós, penso que há descompasso entre o que praticam e aquilo que representa ser um seguidor de Cristo. Prestarão contas um dia ao Senhor. Ele é o juiz!

No meu vídeo hj, parto de um verso dos Salmos que acho precioso. Diz assim: “Não se decepcionem por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exércitos! Não se frustrem por minha causa os que te buscam, ó Deus de Israel!” (Salmos 69:2).

Qual era a preocupação do salmista Davi? Ele não queria que as pessoas se desviassem de Deus em função dele, em função da conduta dele. Hoje, esta também é minha oração.

Todos os dias me pergunto: nossas ações têm apresentado o Cristo verdadeiro ao mundo?

“Todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13:35).

Não há justificativa para questionar as vacinas contra a Covid-19

Poucas vezes na história das ciências houve a necessidade de uma resposta tão urgente para um problema que afeta a sociedade. A pandemia de coronavírus impôs a obrigação de respostas rápidas. E o empenho de cientistas e laboratórios certamente entrará para a história.

A produção de uma vacina para assegurar a imunidade das pessoas é resultado de trabalho sério, que envolve milhares de pesquisadores em todo o mundo. Não se trata de uma pesquisa isolada, por iniciativa de um ou outro país. Cerca de dez países são responsáveis diretamente pelos principais estudos – Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, Japão, Austrália, Alemanha, Índia, Canadá e Coreia do Sul. Entretanto, é preciso considerar que muitas outras nações firmaram parcerias, como é o caso do Brasil, por meio do Instituto Butantan com a Sinovac da China, e a Fiocruz com biofarmacêutica AstraZeneca do Reino Unido. Ou seja, o mundo das ciências está focado em assegurar uma vacina que garanta a imunização contra um vírus poderoso que já fez milhões de vítimas.

Contudo, apesar do empenho de milhares de cientistas em diferentes países do mundo e do investimento de bilhões de dólares, parcela da população brasileira rejeita a vacina. A atitude, que só pode ser considerada como ignorância de alguns e má fé de outros, não tem nenhuma justificativa racional. Quem hoje suspeita das vacinas e cria teorias conspiratórias não sabe do que fala, não conhece as ciências, certamente nunca passou um único ano dentro de um laboratório pesquisando sequer o funcionamento de uma célula.

Embora eu não seja da área de saúde, não atue na pesquisa médica, biomédica, farmacêutica ou química, conheço bem o rigor da metodologia científica. Fiz meu percurso pela graduação, especialização, mestrado e doutorado. Ainda lembro das sete cópias da tese de doutorado entregues para sete diferentes avaliadores(as) em fases de qualificação e defesa, após meses e anos de leitura, pesquisa e redação. O rigor que envolve a formação de um cientista chega a parecer insano e injusto. Há necessidade de muito comprometimento.

O longo e desgastante percurso assegura autoridade e conhecimento; por isso, só pode ser chamado de cientista alguém que vivenciou esse processo de formação e avaliação pelos pares. Por isso, sei que quem está dentro de um laboratório trabalhando no desenvolvimento da vacina não é um curioso ou inconsequente; são profissionais que têm, primeiro, um nome e uma carreira para zelar; segundo, trabalham com provas observáveis, testáveis; por fim, só se dão por satisfeito quando têm algo realmente consistente para apresentar.

Justamente pela complexidade, rigor e seriedade do percurso científico, deve ser rejeitada toda e qualquer suspeita que possa haver contra os diferentes tipos de vacina que estão chegando ao mercado. Tenho repetido que se a pessoa não é cientista, não tem formação específica e especializada na área, e não estudou por pelo menos mil horas sobre o vírus e as técnicas empregadas para a produção da vacina, deve calar-se. Não tem o direito de opinar. Tampouco de espalhar vídeos e mensagens que circulam na internet. Não é apenas irresponsável; é criminoso.

Ainda que duvidar seja um ato produtivo, e foi por meio de interrogações que o pensamento científico se desenvolveu, quem não domina o assunto, deve minimamente respeitar o trabalho que está sendo feito por gente que tem se empenhado oito, doze, dezesseis horas por dia nos últimos meses em busca de um imunizante que vai proteger todos nós de um vírus que é real, que causa uma enfermidade severa e que tem matado muita gente.

Ps. Apenas uma sugestão: se você tem dúvidas sobre a vacina, ao invés de alimentar-se de vídeos do Youtube, procure pesquisar literatura científica sobre o assunto e o currículo dos diferentes cientistas responsáveis pela produção das vacinas, o histórico e suas contribuições para a sociedade.

Idosa de 102 anos supera a covid pela segunda vez

Dona Angelina Friedman tem 102 anos. Sim, ela é uma mulher centenária. É uma pessoa que deu certo na vida. Eu acredito que dar certo na vida é ser alguém que cumpriu todos os ciclos da existência. 

E dona Angelina Friedman deu tanto certo na vida que venceu a covid pela segunda vez. Ela superou o coronavírus não apenas uma vez. Ela foi contaminada duas vezes e venceu a doença duas vezes. 

Qual o segredo de Angelina?