Você contribui para a desinformação?

Lembro que, quando era repórter de jornal, fiz algumas matérias sobre campanhas de vacinação. Era comum, ao tratarmos dos resultados da campanha, divulgarmos os objetivos alcançados, que cerca de 95% das pessoas do público-alvo tinham sido vacinadas.

Eu deixei a reportagem no final de 2005. Foi quando me tornei âncora e passei a apresentar as notícias atrás de uma bancada, sem o contato direto com as ruas.

Na época, ainda não falávamos em redes sociais. Tínhamos alguns blogs em crescimento, o Orkut se popularizando, mas não conhecíamos o Facebook, Twitter e tampouco cogitávamos a existência de um meio tão poderoso para o compartilhamento de conteúdos, como o Whatsapp.

Esses dispositivos mudaram a maneira de nos comunicarmos. Deram voz às pessoas; hoje, todos somos consumidores e produtores-disseminadores de conteúdos noticiosos.

Isso parece maravilhoso, mas também tem se tornado um grande problema.

Já em 2018, um estudo apontava que a cobertura vacinal contra a poliomielite, a chamada paralisia infantil, havia caído 17%; já a redução da tríplice-viral, 15%. Como a eficiência das vacinas no combate a determinadas doenças depende de um índice de cobertura de 95% do público-alvo, qualquer redução significa uma janela para o retorno de doenças graves e limitantes – e até erradicadas -, como é o caso da paralisia infantil.

E qual a razão dos brasileiros estarem deixando de tomar vacina? A divulgação de mentiras na internet, principalmente nas redes sociais e no whatsapp. São comuns títulos atrativos do tipo: “Vacinas obrigatórias: o que está por trás disso? Elas são confiáveis?”.

Teorias da conspiração e conteúdos mentirosos, fakes, sempre existiram. Mas as tecnologias digitais potencializaram a desinformação.

Hoje, ninguém está isento de ser pego por uma mentira que circula nas redes ou em mensagens do whatsapp. Esses conteúdos podem dizer respeito a políticos e a política, mas também tratam de empresas, celebridades e, infelizmente, até mesmo de questões relacionadas à saúde.

O retorno de casos de sarampo no Brasil está diretamente ligado à disseminação de conteúdos falsos na internet. O próprio Ministério da Saúde reconhece a relação entre o retorno do sarampo e aos conteúdos fakes que circulam nas redes e que levam as pessoas a deixarem de se vacinar.

Mais recentemente, em função do novo coronavírus, o Ministério da Saúde e as secretarias de Saúde de Estados e Municípios precisaram criar alertas e desmentidos para desconstruir as mentiras que são espalhadas em textos, memes, vídeos etc. sobre o vírus, sobre formas de contágio ou mesmo de prevenção.

Curiosamente, a vacina contra a covit-19 nem foi descoberta e inúmeros conteúdos fakes já são disseminados criando expectativas de cura ou ideias conspiratórias sobre as pesquisas em andamento.

E por que tudo isso acontece? Primeiro, porque existem pessoas maldosas, mal intencionadas ou simplesmente ignorantes que estão dispostas a produzirem e espalharem esses conteúdos falsos. Mas, o mais importante: isso ocorre porque as informações falsas são acolhidas por gente de todas as classes, estudadas ou não, e que prefere confiar em mentiras.

As pessoas também são responsáveis pela rede de desinformação que cresce no mundo. Gente que acredita no que recebe no whatsapp e desacredita de conteúdo produzido por cientistas ou profissionais da comunicação, que possuem inclusive uma responsabilidade legal pelo conteúdo que divulgam.

As inúmeras pesquisas, inclusive internacionais, que apontam que cerca de três de cada quatro mensagens de whatsapp são falsas, não parecem suficientes para desestimular algumas pessoas de passarem adiante conteúdos falsos.

As fakes news têm causado inúmeros prejuízos para a sociedade – prejuízos que vão da redução na cobertura vacinal, passando pelo consumo equivocado de determinados produtos e medicamentos para combater doenças como a covit-19, até julgamentos mentirosos sobre empresas e pessoas, sejam elas personalidades políticas ou não.

É fato que nem sempre é simples identificar as notícias falsas. Mas também não é impossível. Eu costumo dar três dicas bem básicas e até genéricas: não compartilhe nenhum conteúdo noticioso ou mensagens de supostos médicos, policiais, gente da polícia federal etc. que chegue pelo whatsapp, messenger ou esteja nas redes sociais, mas que não tenha origem conhecida e reconhecida.

Outra dica, não acredite em nada que tenha um título espetaculoso – do tipo: “vamos compartilhar sem dó” ou “passe adiante antes que tirem do ar”.

A terceira e última dica vem da Bíblia. O texto sagrado recomenda que sejamos prudentes! A prática da prudência – que pode ser compreendida por cautela, certa desconfiança, moderação -, pode nos salvar de espalharmos a desinformação.

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Tolerância e respeito

Num planeta com mais de 7 bilhões de pessoas e cada vez mais conectado na rede, valores como tolerância e respeito tornam-se essenciais.

São mais de 7 bilhões de cabeças. Gente que possui gostos diferentes, religiões diferentes, ideologias diferentes… E com uma incrível capacidade de se expressar e defender suas opiniões.

Somos um tipo de bicho completamente distinto dos demais. 7 bilhões de leões sobre o planeta são apenas isso: 7 bilhões de animais de uma mesma espécie. Vão se distribuir pelo planeta seguindo as regras da natureza e vão se comportar de acordo com o que se espera da espécie.

Não é o que acontece conosco. Pessoas se aproximam, se distanciam, brigam e até se matam em virtude de suas ideias, das coisas que acreditam.

Séculos atrás, quando as opiniões existentes só ganhavam visibilidade no núcleo familiar ou na comunidade a que cada pessoa pertencia, aconteciam embates. Mas quase sempre a voz do pai, do padre ou de um governante prevalecia e os demais se silenciavam.

Não havia muito espaço para a divergência.

Hoje, com as redes, todos falam, todos se posicionam… E muita coisa que parece tola, ignorante, vazia nos agride. Agride nossos valores.

Isso desperta em nós a vontade de revidar, de contra-atacar e até de silenciar a outra pessoa.

É justamente neste contexto que a tolerância e o respeito se tornam valores ainda mais indispensáveis.

Para que a humanidade não caia na barbárie, é fundamental compreender que o outro pode até pensar muito diferente de mim. Talvez seja um idiota. Mas ainda assim, é humano – como eu.

Sim, caro amigo e amiga, a tolerância e o respeito são cada vez mais necessários para que possamos seguir juntos como uma espécie, que se diz superior aos outros animais.

Sem tolerância e respeito, tornamo-nos mais selvagens e cruéis que qualquer outra espécie.

Ouça o texto em podcast.

Desconecte-se!

Na sociedade que a gente vive, “desconectar” é uma necessidade. Não se trata apenas de um discurso contra as redes, contra a internet. Trata-se garantir saúde mental e preservar as emoções.

Quem não se desconecta, não se conecta às pessoas que estão próximas. Quem não se desconecta, não se abre para aprender, para conhecer coisas e nem ver a beleza que há em cada dia.

Ou aprendemos a nos desconectar ou nos preparamos para muitas horas de sofrimento inútil, de horas e horas desperdiçadas, roubadas de nós mesmos, nossa família e amigos.

Portanto, invista em você; invista nas pessoas que você ama: desconecte-se! A vida não acontece apenas na tela; está em todos os lugares, está diante de nós.

​Qual a causa da estupidez coletiva?

Muito antes da internet, pensávamos que o problema era a falta de informação. Hoje, temos informação disponível. Mais do que damos conta de consumir. Entretanto, a quantidade e a disponibilidade de informação não resolveu o problema. A estupidez ainda reina absoluta e, com ela, a ignorância.

Talvez alguns apontem que o problema da estupidez coletiva agora seja o excesso de informação. Ou a (falta de) qualidade da informação.

Eu diria que nem uma coisa e nem outra.

As razões não são muito claras, mas é possível dizer que a estupidez está relacionada à formação do indivíduo. É possível ser ignorante, no sentido de não ter o conhecimento formal, mas não ser estúpido.

O inverso também é verdadeiro: é possível ser alguém que possui informação e ainda assim ser estúpido.

Na verdade, a informação não salva ninguém da estupidez.

Se a gente não souber se relacionar com as informações, filtrá-las e aproveitar apenas o que realmente é relevante, nada muda. Gente estúpida, com acesso à informação, tem potencial de se tornar ainda mais perigosa, porque passa a se sustentar em pseudos conhecimentos para justificar seus argumentos. As fakes news estão aí para provar o que estou falando.

As redes sociais ainda potencializam a estupidez em função do sistema de algoritmos. O sujeito vive numa espécie de bolha em quase toda a informação que acessa apenas confirma o que ele supostamente já sabe. E, pior, por notar outras pessoas reproduzindo saberes semelhantes, o estúpido sente-mais poderoso, autorizado a falar.

O filtro é desenvolvido no processo de formação do indivíduo. Por isso, é fundamental a educação que a criança recebe em casa, o trabalho desenvolvido na escola, a mediação de bons professores, as brincadeiras, as amizades… Os relacionamentos que temos desde a infância.

Esse conjunto de variáveis produz valores que servirão de critérios que irão determinar nossas reações diante do mundo – da abertura para o aprendizado, do respeito com o saber alheio, da curiosidade em conhecer mais.

O que se ganha em ser agressivo nas redes sociais?

​Publiquei na última segunda-feira um post com uma música de Chico Buarque. Semanalmente, destaco um artista e uma canção naquele espaço. Faço isso há uns 10 anos por aqui.

Na segunda, destaquei Chico pela grandiosidade de sua obra. Chico Buarque tem sido injustiçado por parcela da população brasileira. Em função dos posicionamentos políticos dele, muita gente tem atacado esse artista genial.

Após publicar o texto com a música, o primeiro comentário que recebi foi justamente para agredir verbalmente Chico Buarque. O leitor não falou da música, não tratou da arte… Só xingou.

Ao ver o comentário, fiquei pensando: o que motiva uma pessoa a sentir tanta raiva de um artista para gastar tempo em parar diante de um post numa rede social a fim de atacá-lo? Detalhe, provavelmente, Chico Buarque nunca vai ler meu post e tampouco o xingamento.

Tem algo de doentio nesse comportamento. Não há justificativa racional para alguém dedicar tempo para atacar pessoas nas redes. E aqui nem se trata do Chico. Falo desse comportamento nocivo adotado por muitas pessoas.

Basta circular nas redes para ver pessoas investindo parte do tempo delas em atacar artistas, músicos, políticos, jornalistas, blogueiros… Apenas por não concordarem com eles. E são ataques ao ser humano; não às ideias. Fico com a impressão que, se pudessem apedrejar literalmente, apedrejariam.

Quando vejo isso, penso na energia emocional que se gasta em tirar um tempo do dia para algo tão vazio. A agressão é despropositada; é passional, rebaixa quem agride; desqualifica mais o agressor do que o agredido. Também faz mal para a alma. Atrai negatividade, produz hormônios ruins para o corpo. E, além disso, é um péssimo uso do tempo.

Enfim, se você já fez isso em algum momento, pense primeiro em você. O que se ganha em atacar pessoas na rede? Sejam elas do seu círculo de amizade ou celebridades da rede?

Vamos dedicar tempo para as coisas que nos fazem crescer como pessoas, que nos tornam profissionais melhores, parceiros melhores… Vamos investir tempo no autoconhecimento!

Meu convite é simples… Que a gente alimente coisas boas, menos rancor, ódio… Que a gente use bem o tempo. Afinal, nada é mais precioso que o tempo. Se um post ou um personagem nos incomoda, nos dá raiva, basta deixar de segui-lo. Ou, basta ignorar.

A vida é mais feliz quando a gente vive de maneira mais leve.

Um smartphone na mão e muitas fotos na tela

​Quem aí vai a um evento sem manter o smartphone pronto para registrar algumas cenas? Pode ser um show, um aniversário, um casamento, uma apresentação dos filhos na escola… Não importa a ocasião, queremos registrar tudo, ter nossas próprias fotos.

Fazer fotos em toda e qualquer circunstância revela o desejo humano de eternizar alguns momentos, guardar suas memórias. Quando olhamos uma imagem depois de meses ou até anos, viajamos no tempo e revivemos o acontecimento.

Muitas lembranças da minha infância, também do desenvolvimento dos meus filhos são trazidas por fotos que guardamos ao longo desses anos todos. É sempre prazeroso olhar as fotografias…

Com as tecnologias digitais, cada um de nós tem uma máquina fotográfica nas mãos. O smartphone tornou esse processo do registro fotográfico muito mais simples. E por isso, de cada ocasião, não fazemos apenas duas ou três fotos. Na verdade, algumas pessoas fazem duas ou três centenas num único aniversário.

São tantas imagens registradas que, por vezes, não achamos tempo depois para selecionar as melhores, deletar as repetidas e tampouco para organizar aquelas que queremos manter conosco para sempre.

A facilidade do registro criou outro inconveniente: não importa a hora e o local, fazemos as fotos. Clicamos até em situações que não mereceriam nosso registro. Isso provoca dois problemas: não nos envolvemos com a apreciação profunda do que está acontecendo, afinal estamos mais focados nas fotos que faremos do que nas coisas que estão acontecendo; e o segundo problema é que passamos a nos movimentar nos locais como se fossemos fotógrafos profissionais, atrapalhando quem está ali a trabalho.

Recentemente, uma fotógrafa americana famosa viralizou na rede com um post reclamando de uma mulher que impediu que ela fizesse a foto da entrada da noiva na igreja com o pai dela. No momento do clique, o enquadramento perfeito foi perdido porque a mulher colocou o iPhone na frente. O álbum da noiva ficou sem a imagem perfeita. E a mulher? Qual a importância daquela foto para ela?

Situações como essas fazem a gente pensar em nossos novos hábitos. É fundamental não perdermos o bom senso. É maravilhoso registrar cenas do cotidiano, lugares que visitamos e encontros com pessoas que amamos. Mas podemos apreciar um pouco mais cada momento, sem a ansiedade de tentar guardar tudo no celular.

Os efeitos das redes sociais sobre os adolescentes

​Com a popularização das redes sociais, inúmeros estudos têm sido desenvolvidos para compreender os seus efeitos na sociedade. ​Entre as pesquisas realizadas, várias delas envolvem jovens e adolescentes​. O objetivo é compreender se existe alguma relação entre a depressão​, ansiedade​ e o uso das redes. Afinal, é fácil notar o crescimento de doenças emocionais nesse público. Mas​, afinal,​ os hábitos digitais estariam entre as causas​ dessas doenças e transtornos psíquicos​?

A maioria dos estudos indica algum tipo de relação entre as doenças emocionais e o uso das redes sociais.

No início deste ano, a revista Lancet apresentou números preocupantes. Com base em dados de 10 mil adolescentes de 14 anos, ​a publicação científica ​revelou que, entre os que passam mais de cinco horas por dia nas redes sociais, o porcentual de sintomas de depressão cresce 50% para meninas e 35% para meninos. Mesmo entre os que passam três horas há elevação de sintomas, de 26% para elas e 21% para eles.

Embora os pesquisadores sejam cautelosos em relacionarem diretamente as doenças emocionais com o uso das redes sociais, muitos deles têm se empenhado em alertar para os riscos de ficar horas e horas conectado ao Facebook, Twitter, Instagram​ etc.

Uma das preocupações é com o efeito das imagens de outras pessoas sobre a vida dos usuários das redes. A quantidade de imagens que sugerem vidas perfeitas, rotinas emocionantes pode gerar ansiedade e sensação de fracasso.

Justamente por reconhecer esses efeitos​,​ o Instagram ocultou o número de curtidas nas publicações​;, o Twitter estuda algo semelhante nos posts e outras redes também avaliam estratégias para minimizar as comparações entre usuários. ​Vale citar que o Facebook e Instagram permitem que o usuário monitore o próprio tempo dedicado às redes. ​

Entretanto, nada disso resolve se as pessoas ficarem imersas horas e horas nas redes.

Os pesquisadores sugerem apenas duas estratégias para não sofrer os efeitos das redes: menos tempo de tela e mais tempo de vida “real” – ou seja, de contato presencial com amigos, família, atividades físicas, lazer, leitura… Além disso, para os pais, algo que eu já disse aqui: os pais devem ser os mediadores do contato dos filhos com as telas​.

A competição por curtidas nas redes sociais revela nossa insegurança

​Quase todos nós somos competitivos. Parece ser da nossa natureza. Isso não é de todo ruim. Na verdade, os benefícios são enormes. A competitividade nos mantêm alertas, desperta a criatividade, promove o desenvolvimento. Noutras palavras, sem o espírito competitivo, Steve Jobs, da Apple, teria lançado o iPhone e os poderosos da Samsung, Motorola e outras gigantes da tecnologia nada teriam feito. A competição não apenas por mercado, mas por ser e fazer melhor que o outro resulta em soluções inovadoras, em produtos melhores. E, na vida individual, gera crescimento pessoal, investimento em formação, tentativa de melhorar os relacionamentos etc.

Entretanto, a competição que nos move também causa ansiedade, comparação, estresse e outras emoções nocivas.

No ambiente digital, diversos estudos provam que as pessoas não estão felizes, que as redes deprimem. O espaço das redes sociais, que deveria promover o relacionamento, é referenciado pelas imagens projetadas naquele ambiente. Ali quase todo mundo quer se mostrar mais feliz, mais bem sucedido, mais amado, mais descolado… E não para por aí: a quantidade de curtidas, comentários, compartilhamento funciona como medidas do sucesso nas redes.

Se você publica uma selfie e recebe 20 curtidas e uma amiga, 200, a sensação é de total fracasso. Até de rejeição.

Justamente por isso, numa tentativa de prestigiar as relações e não a competição, o Instagram começou a ocultar o número de curtidas.

Vai resolver o problema? Evidentemente, não. O que gera esse tipo de comparação nociva são nossas inseguranças. O fato de termos coisas mal resolvidas dentro de nós, nossas carências, desejo de nos sentirmos amados… São essas coisas que nos levam a carecer das curtidas para colocar um pouco de alegria em nosso dia.