Como ensinar os filhos sobre a internet

Não dá para negar: nossos filhos sabem usar a internet muito melhor do que nós. Mas esse “sabem mais que nós” tem a ver com domínio técnico. Apenas isso. Cabe a nós orientarmos a mocadinha sobre o uso correto da rede. É sobre isso que falo neste novo vídeo.

 

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Sobreviveremos aos robôs?

Um estudo realizado pela Consultoria McKinsey apontou que pelo menos 50% dos postos de trabalho no Brasil poderiam ser automatizados. Em outras palavras, metade dos atuais trabalhadores brasileiros seriam substituídos por máquinas. Na prática, isso significa que quase 54 milhões de pessoas perderiam seus empregos.

Claro, esse volume todo não é pra amanhã. Mas é um processo que começou há bastante tempo, tem ocorrido de maneira significativa e vai ser cada vez mais sentido. O estudo projeta que a automatização vai acontecer de maneira mais acentuada entre os anos de 2036 e 2066. Metade dessas substituições deve ocorrer nesse intervalo de 30 anos.

O fenômeno não acontece apenas no Brasil. Trata-se de uma tendência mundial. Porém, em países em que a mão de obra é menos qualificada, a troca de trabalhadores por robôs é mais expressiva (China, Índia e Brasil, por exemplo). Países europeus, por exemplo, sofrerão (e sofrem) menos.

No Brasil, o setor mais afetado é o da indústria. Sete de cada 10 empregos na indústria deverão deixar de existir. Mas a automatização também vai alcançar o comércio, cargos administrativos, a construção civil, agricultura, transporte, saúde etc. Provavelmente, vão se salvar legisladores, psiquiatras…

No mundo, a automatização deverá atingir 1 bilhão e 200 milhões de empregos. Isso significa metade de todos os postos de trabalho do planeta.

Substituir gente por robôs representa basicamente duas coisas: redução de custos de produção e aumento do volume de produção.

A gente pode espernear, reclamar, mas essa é uma situação inevitável.

E o que serão dos trabalhadores? Não sei! Estudiosos apontam que as tecnologias que fecham postos de trabalho abrem outros. Sinceramente, tenho dúvidas. Até acredito que novos empregos serão gerados – isso já tem acontecido. Porém, sei também que essas vagas não são suficientes para atender todo esse contingente de pessoas que ficarão sem emprego.

Tenho ainda outra dúvida: se as pessoas perderem seus empregos por causa das máquinas, como consumirão os produtos produzidos pelos robôs? Ou seja, de que adianta as máquinas produzirem mais se há risco de termos menos consumidores?

Duas coisas são certas: primeira, a desigualdade social tende a se acentuar (afinal, trabalhadores especializados, em setores estratégicos, dificilmente serão substituídos e, consequentemente, terão rendimentos maiores – enquanto isso, muita gente terá que sobreviver com trabalhos precários). Segunda, há urgente necessidade de os países mais pobres se preocuparem com a educação da população para fazer frente a automatização (só gente qualificada, preparada para o “novo mundo” dará conta de sobreviver às máquinas).

Dependentes do celular

Uma pesquisa divulgada nos Estados Unidos revelou que jovens adultos chegam a destravar a tela do celular até 123 vezes por dia. A pesquisa teve como referência um grupo de 4 mil pessoas entre 17 e 25 anos. Isso dá uma média de oito vezes por hora, considerando oito horas de sono.

“Para se ter uma ideia, esse número representa o dobro de vezes com que donos de iPhones, acima de 46 anos, fazem isso. Na faixa dos 46 aos 55 anos, este público verifica os telefones cerca de 63 vezes por dia.”

Sabe, a vida da gente mudou demais depois da chegada das chamadas novas tecnologias da informação e comunicação. Hoje, a gente se comunica por celular, computador, tablet… Tudo parece muito mais simples. Porém, as mesmas tecnologias que facilitam nossa vida também criam novos hábitos. E alguns um tanto viciantes.

Vamos ser sinceros… Como você se sente quando está numa reunião importante e o celular vibra? Bom, eu não sei você, mas sei que a maioria tem que dar uma espiadinha para ver o que é. Mais que isso… Se for um recado no whatsapp, há um sentimento de urgência, a necessidade de responder a mensagem naquele momento. A sensação que temos é que não pode ficar para depois.

Quando a pesquisa revela que os jovens americanos destravam a tela do celular pelo menos 123 vezes por dia significa que estamos cada vez mais conectados. Mas significa também que estamos mais dependentes. Essa dependência, muitas vezes, tem nos impedido de ver outras coisas, de fazer diferente. E quanto mais jovem, maior a dependência.

Essa angústia, essa obrigação por manter-se o tempo todo ligado no celular, responder todas as mensagens, ver tudo que está acontecendo no Facebook… não nos faz bem.

Muitas vezes, a gente não presta atenção direito nas pessoas pessoas que estão perto de nós. As reuniões são dispersas, os conteúdos debatidos não recebem a atenção de todos… Na sala de aula, o aprendizado tem ficado comprometido…Você sai para almoçar com alguém e acaba gastando mais tempo com o aparelho que com a pessoa que está contigo.

Penso que precisamos usar as tecnologias a nosso favor. Elas não podem nos impedir de viver a vida plenamente.

Compartilhar o carro: muito mais que uma carona

transito
Amsterdã incentiva o uso de bicicletas. Outras cidades começam educar os motoristas a dividir espaço no carro com outras pessoas

Quando o Protocolo de Kyoto foi assinado em 1997, havia expectativa de que muita coisa mudasse… Que fossem reduzidas as emissões de gases de efeito estufa, que medidas concretas fossem tomadas pelos governos e que afetariam, inclusive, os hábitos de vida da população. Entretanto, desde então, pouca coisa mudou. Na verdade, alguns problemas se acentuaram, principalmente em função do rápido desenvolvimento e industrialização de economias emergentes, como é o caso da China.

Consequência disso? Hoje, precisaríamos de 1,5 planetas para dar conta de cobrir todos recursos naturais que usamos e resíduos que geramos. O dado é da Global Footprint Network.

De forma prática, algumas cidades têm se esforçado para reduzir a poluição ambiental, o tráfego e congestionamento de veículos. Isso, principalmente nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e alguns países da Europa. São casos pontuais, é verdade. Porém, servem de referência por seus projetos de mobilidade mais eficientes.

Amsterdã, na Holanda, talvez seja o exemplo mais conhecido. Por lá, o uso diário de bicicletas é uma realidade para parte significativa da população. Outras cidades também têm feito o mesmo, inclusive com serviços de aluguel de bicicletas. Em Londres, anos atrás foi instituída uma taxa de congestionamento. Uma espécie de pedágio urbano. Em todos esses lugares, o trânsito está fluindo mais e o, que realmente importa, melhorou a qualidade do ar.

Na Europa, há cerca de 20 anos, crescem os investimentos no transporte público. Por lá, há nítida percepção que a população deixa o carro em casa quando tem um serviço de transporte público que respeita o usuário. Isso inclui bons ônibus, também agilidade no atendimento, rapidez nos trajetos e tarifas populares.

Mas uma medida que tem sido bastante incentivada, e que ainda não havia destacado aqui no blog, é o uso compartilhado dos veículos. Deixa eu explicar… Quando o trânsito está lento ou há  congestionamento, observe!!! Olhe para os carros. O que você vê? O tráfego intenso que desgasta, cansa é também lugar do individualismo. A maioria dos carros parados no trânsito tem apenas um passageiro, o condutor.

Por isso mesmo, governos, empresas e instituições têm orientado à população a compartilhar assentos dos automóveis. A ênfase é nas vantagens: economia de combustível, transporte mais eficiente (em função da redução de carros nas ruas) e os benefícios ambientais. Como nem sempre só o discurso educativo é capaz de mudar hábitos, algumas cidades estabeleceram restrições, por outro lado, compensando quem leva pelo menos três passageiros – até com a criação de faixas exclusivas para esses veículos em determinados horários do dia.

Na verdade, nesse momento da história em que as tecnologias digitais estão a disposição de todos nós, há possibilidade de se apropriar e até criar ferramentas que viabilizem um sistema mais eficaz de transporte, inclusive com serviços que permitam a criação de comunidades online para o uso compartilhado dos veículos.

Na Europa, por exemplo, já existem plataformas nas quais as pessoas podem se cadastrar e, a partir disso, dividir trajetos com outras pessoas. Ali é possível ofertar assentos vazios, informando a hora da “viagem”, o custo etc. E por meio de pontuações e histórico de comentários, dá para identificar quem é confiável e quem não é. Assim, na hora de ir para o trabalho, para a universidade e até para o médico, a pessoa divide o carro, paga menos e contribui para um trânsito melhor.

Bem, lá fora essas coisas começam a funcionar. E por aqui quando vai acontecer?

O Facebook afeta as emoções

gatos

Ninguém está isento… Vez ou outra nos pegamos bisbilhotando a vida alheia no Facebook. É tudo tão fácil… Uma publicação puxa a outra, uma foto leva à outra. Quando percebemos, já estamos olhando conteúdos de gente que sequer conhecemos.

Por outro lado, as redes também potencializaram nosso lado exibicionista. Tem gente que deixa tudo documentado na rede. A carinha quando desperta, o lanche que come, o calçado que usa na festa, os livros que compra (que a gente nem sabe se a pessoa lê), as férias incríveis, a família perfeito do comercial de margarina…

Vários estudos já mostraram que temos a tendência de tentar sempre mostrar o melhor de nós. Também há um desejo, quase inconsciente, de busca da aprovação do outro.

Cortou o cabelo? Publica. E espera os elogios.
Fez um jantarzinho especial? Publica. E espera os elogios.

E a lista é interminável. Tudo que se deseja é receber curtidas, comentários. Claro, nos inibimos de publicar coisas menos populares. De modo geral, nossa natureza tem a tendência de divulgar conquistas. Quando a gente recebe uma promoção, tudo que se quer é contar pra alguém. Por outro lado, busca-se ocultar os desastres, os fracassos, as perdas.

Na verdade, a internet possibilitou que se amplificassem comportamentos que antes ficavam restritos ao grupo de amigos, de pessoas próximas. Entretanto, para alguns, isso não representou e nem representa apenas a reprodução, na rede, do que já se fazia fora dela.

Quando a gente conhece a pessoa, a gente se assusta… Porque a vida de alguns no Facebook é completamente diferente. Há uma diferença absurda entre o eu virtual e o eu real. O sujeito é tímido, incapaz de dizer uma palavra; na internet, é o mais extrovertido, falante e até paquerador… Sem contar aqueles que distorcem a imagem física, tentam se passar por mais bonitos do que são.

Acontece que as pessoas foram contaminadas pelo vírus da notoriedade. Se a pessoa não se mostra, a pessoa não tem vida. É necessário se mostrar para sentir que existe. Em alguns casos, chega a ser doentio. A pessoa se torna dependente de colocar a vida na web, mostrá-la, ser aplaudida pelo que faz.

A coisa é assustadora. Um estudo realizado recentemente por pesquisadores alemães revelou que as emoções são afetadas pelas publicações no Facebook. Se alguém tem êxito profissional e publiciza isso, muita gente sente inveja, se sente mal pelo sucesso alheio. E a inveja não para aí… Fotos de férias incríveis, por exemplo, geram ressentimentos. O número de felicitações no aniversário cria mal estar.

Sabe, eu me pego pensando… A gente deseja tanto ter liberdade e… Que liberdade é essa que nos torna reféns da rede? Quer dizer, o Facebook não tem culpa, mas a gente se torna refém do aplauso alheio. Nossas emoções estão presas, dependentes das curtidas, dos comentários, dos compartilhamentos. A gente quer publicar… E a gente se decepciona se a troca da foto de perfil passou despercebida.

Mas estar na rede não afeta apenas nossas emoções. Também prejudica a produtividade e o sono. É fato que estar conectado rouba tempo de trabalho e leva muitos a dormir menos. Sem contar que potencializa a fantasia, a fuga da realidade.

Bom, então devemos acabar com o Facebook, com a internet? Evidente que não. Só precisamos refletir sobre o modo como usamos, como nos afeta, como não nos tornarmos reféns. A rede tem sim seus benefícios. E muitos. Facilita o contato, aproxima… Garante acesso a conteúdos diversificados e democratiza o acesso e a produção de informações. É só saber usar.