Desconecte-se!

Na sociedade que a gente vive, “desconectar” é uma necessidade. Não se trata apenas de um discurso contra as redes, contra a internet. Trata-se garantir saúde mental e preservar as emoções.

Quem não se desconecta, não se conecta às pessoas que estão próximas. Quem não se desconecta, não se abre para aprender, para conhecer coisas e nem ver a beleza que há em cada dia.

Ou aprendemos a nos desconectar ou nos preparamos para muitas horas de sofrimento inútil, de horas e horas desperdiçadas, roubadas de nós mesmos, nossa família e amigos.

Portanto, invista em você; invista nas pessoas que você ama: desconecte-se! A vida não acontece apenas na tela; está em todos os lugares, está diante de nós.

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​Qual a causa da estupidez coletiva?

Muito antes da internet, pensávamos que o problema era a falta de informação. Hoje, temos informação disponível. Mais do que damos conta de consumir. Entretanto, a quantidade e a disponibilidade de informação não resolveu o problema. A estupidez ainda reina absoluta e, com ela, a ignorância.

Talvez alguns apontem que o problema da estupidez coletiva agora seja o excesso de informação. Ou a (falta de) qualidade da informação.

Eu diria que nem uma coisa e nem outra.

As razões não são muito claras, mas é possível dizer que a estupidez está relacionada à formação do indivíduo. É possível ser ignorante, no sentido de não ter o conhecimento formal, mas não ser estúpido.

O inverso também é verdadeiro: é possível ser alguém que possui informação e ainda assim ser estúpido.

Na verdade, a informação não salva ninguém da estupidez.

Se a gente não souber se relacionar com as informações, filtrá-las e aproveitar apenas o que realmente é relevante, nada muda. Gente estúpida, com acesso à informação, tem potencial de se tornar ainda mais perigosa, porque passa a se sustentar em pseudos conhecimentos para justificar seus argumentos. As fakes news estão aí para provar o que estou falando.

As redes sociais ainda potencializam a estupidez em função do sistema de algoritmos. O sujeito vive numa espécie de bolha em quase toda a informação que acessa apenas confirma o que ele supostamente já sabe. E, pior, por notar outras pessoas reproduzindo saberes semelhantes, o estúpido sente-mais poderoso, autorizado a falar.

O filtro é desenvolvido no processo de formação do indivíduo. Por isso, é fundamental a educação que a criança recebe em casa, o trabalho desenvolvido na escola, a mediação de bons professores, as brincadeiras, as amizades… Os relacionamentos que temos desde a infância.

Esse conjunto de variáveis produz valores que servirão de critérios que irão determinar nossas reações diante do mundo – da abertura para o aprendizado, do respeito com o saber alheio, da curiosidade em conhecer mais.

O que se ganha em ser agressivo nas redes sociais?

​Publiquei na última segunda-feira um post com uma música de Chico Buarque. Semanalmente, destaco um artista e uma canção naquele espaço. Faço isso há uns 10 anos por aqui.

Na segunda, destaquei Chico pela grandiosidade de sua obra. Chico Buarque tem sido injustiçado por parcela da população brasileira. Em função dos posicionamentos políticos dele, muita gente tem atacado esse artista genial.

Após publicar o texto com a música, o primeiro comentário que recebi foi justamente para agredir verbalmente Chico Buarque. O leitor não falou da música, não tratou da arte… Só xingou.

Ao ver o comentário, fiquei pensando: o que motiva uma pessoa a sentir tanta raiva de um artista para gastar tempo em parar diante de um post numa rede social a fim de atacá-lo? Detalhe, provavelmente, Chico Buarque nunca vai ler meu post e tampouco o xingamento.

Tem algo de doentio nesse comportamento. Não há justificativa racional para alguém dedicar tempo para atacar pessoas nas redes. E aqui nem se trata do Chico. Falo desse comportamento nocivo adotado por muitas pessoas.

Basta circular nas redes para ver pessoas investindo parte do tempo delas em atacar artistas, músicos, políticos, jornalistas, blogueiros… Apenas por não concordarem com eles. E são ataques ao ser humano; não às ideias. Fico com a impressão que, se pudessem apedrejar literalmente, apedrejariam.

Quando vejo isso, penso na energia emocional que se gasta em tirar um tempo do dia para algo tão vazio. A agressão é despropositada; é passional, rebaixa quem agride; desqualifica mais o agressor do que o agredido. Também faz mal para a alma. Atrai negatividade, produz hormônios ruins para o corpo. E, além disso, é um péssimo uso do tempo.

Enfim, se você já fez isso em algum momento, pense primeiro em você. O que se ganha em atacar pessoas na rede? Sejam elas do seu círculo de amizade ou celebridades da rede?

Vamos dedicar tempo para as coisas que nos fazem crescer como pessoas, que nos tornam profissionais melhores, parceiros melhores… Vamos investir tempo no autoconhecimento!

Meu convite é simples… Que a gente alimente coisas boas, menos rancor, ódio… Que a gente use bem o tempo. Afinal, nada é mais precioso que o tempo. Se um post ou um personagem nos incomoda, nos dá raiva, basta deixar de segui-lo. Ou, basta ignorar.

A vida é mais feliz quando a gente vive de maneira mais leve.

Um smartphone na mão e muitas fotos na tela

​Quem aí vai a um evento sem manter o smartphone pronto para registrar algumas cenas? Pode ser um show, um aniversário, um casamento, uma apresentação dos filhos na escola… Não importa a ocasião, queremos registrar tudo, ter nossas próprias fotos.

Fazer fotos em toda e qualquer circunstância revela o desejo humano de eternizar alguns momentos, guardar suas memórias. Quando olhamos uma imagem depois de meses ou até anos, viajamos no tempo e revivemos o acontecimento.

Muitas lembranças da minha infância, também do desenvolvimento dos meus filhos são trazidas por fotos que guardamos ao longo desses anos todos. É sempre prazeroso olhar as fotografias…

Com as tecnologias digitais, cada um de nós tem uma máquina fotográfica nas mãos. O smartphone tornou esse processo do registro fotográfico muito mais simples. E por isso, de cada ocasião, não fazemos apenas duas ou três fotos. Na verdade, algumas pessoas fazem duas ou três centenas num único aniversário.

São tantas imagens registradas que, por vezes, não achamos tempo depois para selecionar as melhores, deletar as repetidas e tampouco para organizar aquelas que queremos manter conosco para sempre.

A facilidade do registro criou outro inconveniente: não importa a hora e o local, fazemos as fotos. Clicamos até em situações que não mereceriam nosso registro. Isso provoca dois problemas: não nos envolvemos com a apreciação profunda do que está acontecendo, afinal estamos mais focados nas fotos que faremos do que nas coisas que estão acontecendo; e o segundo problema é que passamos a nos movimentar nos locais como se fossemos fotógrafos profissionais, atrapalhando quem está ali a trabalho.

Recentemente, uma fotógrafa americana famosa viralizou na rede com um post reclamando de uma mulher que impediu que ela fizesse a foto da entrada da noiva na igreja com o pai dela. No momento do clique, o enquadramento perfeito foi perdido porque a mulher colocou o iPhone na frente. O álbum da noiva ficou sem a imagem perfeita. E a mulher? Qual a importância daquela foto para ela?

Situações como essas fazem a gente pensar em nossos novos hábitos. É fundamental não perdermos o bom senso. É maravilhoso registrar cenas do cotidiano, lugares que visitamos e encontros com pessoas que amamos. Mas podemos apreciar um pouco mais cada momento, sem a ansiedade de tentar guardar tudo no celular.

Os efeitos das redes sociais sobre os adolescentes

​Com a popularização das redes sociais, inúmeros estudos têm sido desenvolvidos para compreender os seus efeitos na sociedade. ​Entre as pesquisas realizadas, várias delas envolvem jovens e adolescentes​. O objetivo é compreender se existe alguma relação entre a depressão​, ansiedade​ e o uso das redes. Afinal, é fácil notar o crescimento de doenças emocionais nesse público. Mas​, afinal,​ os hábitos digitais estariam entre as causas​ dessas doenças e transtornos psíquicos​?

A maioria dos estudos indica algum tipo de relação entre as doenças emocionais e o uso das redes sociais.

No início deste ano, a revista Lancet apresentou números preocupantes. Com base em dados de 10 mil adolescentes de 14 anos, ​a publicação científica ​revelou que, entre os que passam mais de cinco horas por dia nas redes sociais, o porcentual de sintomas de depressão cresce 50% para meninas e 35% para meninos. Mesmo entre os que passam três horas há elevação de sintomas, de 26% para elas e 21% para eles.

Embora os pesquisadores sejam cautelosos em relacionarem diretamente as doenças emocionais com o uso das redes sociais, muitos deles têm se empenhado em alertar para os riscos de ficar horas e horas conectado ao Facebook, Twitter, Instagram​ etc.

Uma das preocupações é com o efeito das imagens de outras pessoas sobre a vida dos usuários das redes. A quantidade de imagens que sugerem vidas perfeitas, rotinas emocionantes pode gerar ansiedade e sensação de fracasso.

Justamente por reconhecer esses efeitos​,​ o Instagram ocultou o número de curtidas nas publicações​;, o Twitter estuda algo semelhante nos posts e outras redes também avaliam estratégias para minimizar as comparações entre usuários. ​Vale citar que o Facebook e Instagram permitem que o usuário monitore o próprio tempo dedicado às redes. ​

Entretanto, nada disso resolve se as pessoas ficarem imersas horas e horas nas redes.

Os pesquisadores sugerem apenas duas estratégias para não sofrer os efeitos das redes: menos tempo de tela e mais tempo de vida “real” – ou seja, de contato presencial com amigos, família, atividades físicas, lazer, leitura… Além disso, para os pais, algo que eu já disse aqui: os pais devem ser os mediadores do contato dos filhos com as telas​.

A competição por curtidas nas redes sociais revela nossa insegurança

​Quase todos nós somos competitivos. Parece ser da nossa natureza. Isso não é de todo ruim. Na verdade, os benefícios são enormes. A competitividade nos mantêm alertas, desperta a criatividade, promove o desenvolvimento. Noutras palavras, sem o espírito competitivo, Steve Jobs, da Apple, teria lançado o iPhone e os poderosos da Samsung, Motorola e outras gigantes da tecnologia nada teriam feito. A competição não apenas por mercado, mas por ser e fazer melhor que o outro resulta em soluções inovadoras, em produtos melhores. E, na vida individual, gera crescimento pessoal, investimento em formação, tentativa de melhorar os relacionamentos etc.

Entretanto, a competição que nos move também causa ansiedade, comparação, estresse e outras emoções nocivas.

No ambiente digital, diversos estudos provam que as pessoas não estão felizes, que as redes deprimem. O espaço das redes sociais, que deveria promover o relacionamento, é referenciado pelas imagens projetadas naquele ambiente. Ali quase todo mundo quer se mostrar mais feliz, mais bem sucedido, mais amado, mais descolado… E não para por aí: a quantidade de curtidas, comentários, compartilhamento funciona como medidas do sucesso nas redes.

Se você publica uma selfie e recebe 20 curtidas e uma amiga, 200, a sensação é de total fracasso. Até de rejeição.

Justamente por isso, numa tentativa de prestigiar as relações e não a competição, o Instagram começou a ocultar o número de curtidas.

Vai resolver o problema? Evidentemente, não. O que gera esse tipo de comparação nociva são nossas inseguranças. O fato de termos coisas mal resolvidas dentro de nós, nossas carências, desejo de nos sentirmos amados… São essas coisas que nos levam a carecer das curtidas para colocar um pouco de alegria em nosso dia.

Pais, monitorem seus filhos na internet

​Quando o assunto é educação dos filhos, uma das coisas que mais insisto é que os pais monitorem o que os filhos fazem nos smarphones, computadores e dispositivos de jogos.

Nem tudo que a garotada pode ter acesso por meio desses equipamentos contribui para o desenvolvimento. Na verdade, muita coisa é nociva e prejudica a formação cognitiva, intelectual – e até mesmo a formação ética.

Entretanto, há outras razões para que os pais monitorem o que os filhos fazem nesses dispositivos.

A BBC Brasil publicou uma reportagem sobre um casal que descobriu que a conta bancária não tinha mais nada de dinheiro quando foi fazer uma compra e o cartão foi recusado. O que havia acontecido? Os filhos ganharam um jogo eletrônico – um de futebol, desses que é preciso comprar pacotes de jogadores para tornar a equipe mais competitiva. Os meninos ganharam o jogo e viram com o pai fez a compra.

Enquanto jogavam, compravam novos jogadores. Limparam a conta bancária. Felizmente, não havia tanto dinheiro. Os meninos gastaram cerca de 550 libras (em torno de 2,6 mil reais).

Felizmente, a empresa entendeu o que havia acontecido e devolveu o dinheiro pra família.

Situações como essa reforçam a tese que defendo: não podemos ignorar o que a garotada faz nos dispositivos eletrônicos.

Sei que nem sempre é fácil dominarmos tantas tecnologias. Porém, nosso desconhecimento coloca nossos filhos em risco e até toda a família.

Hoje, muitos crimes são cometidos a partir das informações disponibilizadas na rede ou até de contatos que parecem inocentes. Senhas são roubadas, cartões de crédito são clonados e contas bancárias são invadidas. Além disso, o caso desses meninos não é o primeiro: há outros relatos de crianças que gastaram dinheiro da família sem que os pais observassem – só após o estrago estar feito é que tomaram ciência do prejuízo.

Portanto, pais, aprendam a usar as tecnologias e não tenham receio de monitorar seus filhos. Isso não tem nada a ver com invasão de privacidade. Isso é educar. E quem ama, educa.

Três lições da Amazon para nossa vida

A Amazon é hoje uma das companhias mais poderosas do planeta. Jeff Bezos, seu criador, se tornou o homem mais rico do planeta. Uma das coisas que chama minha atenção nesta empresa é a filosofia que a norteia. Bezos é um homem que enxerga para além das aparências e obviedades. E, o mais importante, não se referencia nos concorrentes. Ele tem um propósito e não se deixa influenciar pelo que as demais empresas estão fazendo.

Após ler uma entrevista de Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, fiquei pensando nas nossas práticas pessoais e também no modelo de gestão de muitos negócios aqui no Brasil.

Segundo Szapiro, “uma empresa que olha muito para o concorrente pode cair no erro de sempre estar melhorando um serviço que já existia, em vez de pensar em algo novo”. Ele também afirma que um sentimento norteia todas as pessoas que trabalham na companhia: elas vivem como se todo dia fosse o primeiro. Por fim, ressalta que trabalham o tempo todo com a perspectiva de que é possível melhorar a convivência, as ofertas e o catálogo da empresa. Para isso, estão sempre de olho nos próprios números da empresa e nos indicadores oferecidos pelos clientes; o olhar nunca é para o que a concorrência está fazendo.

Essa filosofia implementada por Jeff Bezos nos ensina muitas coisas – tanto para a vida pessoal quanto para os negócios. A primeira lição é a de que se olharmos demais o que as outras pessoas estão fazendo, perderemos a oportunidade de fazer as coisas que acreditamos que deveriam ser feitas. Faremos comparações e perderemos a chance de sermos autênticos. Às vezes, temos uma excelente ideia, mas, norteados pelo que os outros fazem, achamos nossa ideia idiota e a engavetamos. Abrimos mão de fazer algo novo, diferente, original.

A segunda lição vem desse sentimento de viver todo dia como se fosse o primeiro. Isso seria fantástico na vida de todos nós. Começaríamos o dia abertos para experimentar cada momento como único, sem o ranço das experiências já vividas, sem os vícios do passado, sem ficar repetindo “ah… já vi isso”, “ah… já fiz e não deu certo”… Viver todo dia como se fosse o primeiro faz com que experimentemos a alegria da existência; faz com que estejamos dispostos a aprender, a observar tudo de novo, nos mantêm alertas para os novos movimentos da própria vida.

A terceira lição que podemos aprender é de que sempre há espaço para melhorar. Isso não significa viver ansiosos, nem insatisfeitos ou frustrados. Significa celebrar tudo que a gente faz de bacana, mas entender que aquilo pode ser aperfeiçoado. É como um atacante de futebol após ser o artilheiro do campeonato: ele comemora, curte muito, mas avalia cada jogo e sabe que talvez haja espaço para ser ainda mais participativo na equipe, para marcar mais gols, para se tornar um atleta ainda melhor. Não há frustração, sofrimento, apenas o sentimento de que “eu posso fazer mais, ser ainda melhor”. E esse sentimento não é referenciado pelo que os outros estão fazendo, mas pelo que eu sou capaz de fazer.

Lições preciosas, não é? Acredito que a filosofia da Amazon explica muito do sucesso da companhia. Essa forma de pensar me encanta. Afinal, também acredito que não devemos referenciar nossas ações pelo que as outras pessoas fazem, devemos viver cada dia intensamento, como se fosse o primeiro e, por fim, sempre há espaço para fazermos melhor, sermos melhor.