Na segunda, uma música

Flávio Venturini é autor de algumas das mais belas músicas brasileiras – acho que amo todas elas (“Espanhola”, talvez seja minha preferida). Nascido em 1949, o compositor, músico e cantor mineiro descobriu a música aos 3 anos. E embora já esteja com seus 70 anos, segue em atividade.

Dono de uma voz lindíssima – que, para mim, lembra o timbre de Ivan Lins -, Flávio, após conhecer Santo Amaro, escreveu a letra para a música Arioso, da Cantata número 156, do músico alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750). O título da canção é “Céu de Santo Amaro”. Ficou maravilhosa!

Outros cantores brasileiros já interpretaram a canção: Caetano Veloso, Maria Bethânia, Chitãozinho e Xororó, Péricles, Jerry Adriani e até Ivete Sangalo.

A versão que compartilho aqui é interpretada apenas por Flávio Venturini. Vale a pena deixar-se encantar pela melodia e pela letra singela.

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Podemos escolher que tipo de gente queremos ser

Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

Não gosto do discurso de que somos os responsáveis por nossas conquistas e fracassos. Acho que essa ideia falha quando confrontada com a realidade. O mundo que a gente vive e as condições de vida de cada pessoa condicionam as conquistas individuais.

Um exemplo… Imagine um garoto que acabou de chegar à universidade. Ele acorda às cinco e meia da manhã, entra num ônibus às 6 e 15 e chega ao trabalho às 8h. No almoço, come qualquer coisa, pois tem apenas uma hora de intervalo. Ele sai às 5 e meia da tarde e já vai direto para a faculdade. Chega às 7h e já entra em sala de aula para estudar até às onze da noite. Depois, pega outro ônibus e só vai estar em casa perto da meia noite. Esse garoto dorme durante a semana apenas cinco horas por noite, nunca tem uma refeição balanceada. Estuda apenas alguns minutos no ônibus, quando consegue um lugar para sentar.

Por outro lado, imagine um rapaz da mesma idade, mas que pode dormir bem todas as noites, entre oito e nove horas por noite, ajuda a família na empresa apenas meio período, faz suas refeições em casa e tem todo o suporte da família para priorizar os estudos.

Qual dos dois garotos terá mais chance de obter sucesso na faculdade?

Por mais que o primeiro se dedique, dormir poucas horas todas as noites, comer mal e estar sempre cansado afetam profundamente o desempenho dele. E isso esse garoto não controla. Talvez ele não dê conta de persistir; talvez seja engolido pelas circunstâncias e abra mão da faculdade. Ou seja, as condições de vida dele condicionam o desempenho e poderão limitar suas conquistas futuras.

Entretanto, deixa eu voltar a frase inicial… Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

O garoto de nossa história não tem controle de tudo, mas ele pode escolher ser dedicado, responsável, ético, justo… Ele pode escolher estar sempre aberto ao aprendizado, a fazer bem tudo que lhe chegar às mãos… Pode escolher viver reclamando da vida que tem ou seguir lutando para conquistar uma vida melhor.

Todos nós podemos escolher que tipo de gente queremos ser. Podemos escolher ser pessoas respeitosas, tolerantes, amáveis, caridosas… Essas são escolhas que podemos fazer.

Só vive em paz quem faz o que precisa ser feito…

A frase que dá título a este texto é do professor Mário Sérgio Cortella. E ela nos serve de alerta, uma espécie de lembrete sobre nossas práticas cotidianas.

Quase todos nós, no fundo, sabemos o que precisa ser feito. Temos noção daquilo que nos cabe fazer – seja nos relacionamentos, no trabalho e até no que diz respeito ao desenvolvimento pessoal.

A quantidade de informações que recebemos diariamente aponta quais as práticas fundamentais: o exercício da ética, do respeito, da tolerância… A necessidade de alimentar os bons afetos nos relacionamentos, a importância de perdoar, a abertura e dedicação ao aprendizado constante…

Enfim, esses valores nos são ofertados diariamente e, por isso, quando você está numa situação específica, sabe o que precisa fazer. Numa sala de aula, por exemplo, o aluno sabe que deveria deixar o celular do lado e tentar prestar atenção na sala para aprender algo diferente. Na empresa, o funcionário sabe que faria bem para o crescimento profissional tomar a iniciativa e realizar tarefas que não parecem ser obrigação dele – o colaborador sabe que isso provavelmente seria bem visto pela chefia. Mas ainda assim, muita gente opta por não fazer.

Por isso, quando o prof Cortella diz: só vive em paz quem faz o que precisa ser feito, ele destaca que, ao não fazer o que precisamos fazer, permanece em nós o incômodo da consciência de nossas falhas, do fato de sermos responsáveis por alguns dos nossos fracassos. Talvez nem sempre queiramos admitir, mas, no fundo, sabemos que fomos parcialmente (ou totalmente) responsáveis pela perda daquele emprego, na nota baixa, no fracasso da formação escolar e até mesmo do fracasso do relacionamento.

Por outro lado, quando fazemos o que precisa ser feito, ainda que tudo dê errado, temos paz de espírito. Dentro de nós, permanece a convicção de que fizemos o nosso melhor.

Fazer o que precisa ser feito exige ação, exige uma atitude racional. Mas isso é possível. Afinal, a capacidade de racionalizar é uma das características que nos diferenciam dos animais.

Conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas?

Geralmente esperamos muito das pessoas com as quais convivemos. Queremos que sejam gentis, honestas, fieis, amáveis, respeitosas, éticas… Também desejamos ter por perto gente que é capaz de colocar um sorriso em nosso rosto.

Não há nada de mal nisso.

Tenho insistido, inclusive, que devemos preservar e valorizar os relacionamentos que nos alegram. Se a pessoa que está do seu lado é capaz de te fazer sorrir, valorize-a.

Faz um bem enorme ao coração passar alguns minutos com alguém que consegue tornar o ambiente mais leve, gente que faz a gente rir e esquecer dos problemas, não ver o tempo passar.

Dias atrás, recebi uma pessoa que tornou a única hora que ficou em nossa casa uma das experiências mais agradáveis que tive este ano. Eu nunca o tinha visto. Por causa da amizade que temos com a namorada dele, ele passou em casa e, desde então, sempre que posso, procuro manter contato. Infelizmente, esse jovem mora do outro lado do Brasil. Porém, a impressão que deixou foi a melhor possível e lembro com saudade do tempinho que passou junto com nossa família.

Pessoas assim fazem nosso coração sorrir.

Mas… E nós? Tornamos a convivência com o outro uma experiência alegradora? Será que as pessoas sentem prazer em estar conosco por alguns minutos? Nossa companhia é desejada?

Muitas vezes, lamentamos a ausência da família, a falta de amigos. Queixamo-nos da solidão, do abandono. Porém, uma pergunta que não podemos deixar de fazer a nós mesmos é justamente essa:

Conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas?

Sabe, por mais doloroso que seja admitir, nem sempre somos boas companhias. Às vezes, nossas reclamações, queixas, pessimismo tornam nossa presença um tanto pesada, desagradável. Isso afasta as pessoas.

Portanto, minha dica é simples: que possamos nos conhecer bem, mudar o que carecemos mudar, tornando-nos pessoas com as quais vale a pena estar junto.

Na segunda, uma música

Acho que estou numa fase à capela. Desde que voltei a destacar uma música a cada semana, apresentei várias delas feitas sem nenhum arranjo instrumental.

Na verdade, a técnica de canto à capela é conhecida desde a Idade Média, no canto gregoriano e músicas sacras renascentistas, mas também está presente nas celebrações religiosas de judeus e muçulmanos. Entretanto, nas últimas décadas, a técnica foi incorporada por diferentes gêneros – até mesmo a música pop -, ganhou novos contornos e os cantores hoje produzem sons de instrumentos de percussão, baixo etc.

Um exemplo disso é o grupo Pentatonix, original de Arlington, Texas. Composto por cinco integrantes – entre eles, uma mulher (Kirstin Maldonado) -, o grupo começou em 2011, possui mais de 17 milhões de inscritos no canal do Youtube e já fez turnês mundiais, encantando plateias de todas as idades, com músicas próprias e versões de sucessos consagrados.

Para hoje, escolhi a canção “Can you feel the love tonight?”, recentemente lançada no canal do Pentatonix. Semelhante a música que compartilhei na semana passada, também é de Elton John e faz parte da trilha original do filme Rei Leão. Vamos ver e ouvir?

Interpretação simplesmente impecável do grupo Pentatonix.

Do que precisamos para viver?

Quais são as nossas necessidades? O que é essencial para vivermos bem?

Condicionados pelo nosso modo de vida atual, talvez a nossa resposta seja algo do tipo: precisamos de um bom emprego, uma casa confortável, alimentos diversificados, plano de saúde…

Enfim, nessa lista apareceriam itens bastante positivos e que são importantes.

Entretanto, como raramente fazemos essa reflexão – ou seja, como quase nunca falamos sobre as nossas reais necessidades para uma boa vida -, temos buscado uma série de coisas para suprir pseudo necessidades e, por vezes, faltam-nos aquelas que são essenciais.

Noutras palavras, nosso modo de vida moderno está distante de ser normal.

O psicólogo norte-americano Abraham Maslow, que viveu no século passado, criou uma teoria interessante sobre as necessidades humanas, o que de fato precisamos ter para viver bem.

A chamada Hierarquia de Necessidades de Maslow deveria vez ou outra ser observada por todos nós; afinal, a hierarquia de necessidades do pesquisador é bastante coerente.

A lista mostra que nossas primeiras necessidades são fisiológicas. Carecemos de comida, água, abrigo, ar, sono, higiene, saneamento.

Em segundo lugar estão as necessidades de segurança. Precisamos ter garantida a nossa segurança, a segurança de nossos entes queridos e de nossos recursos.

Terceiro, as necessidades sociais: laços familiares, amizade, vida em comunidade, intimidade, conexão com outras pessoas, com grupos.

Na hierarquia de necessidades, o quarto aspecto são as necessidades de autoestima. Temos que ter confiança, responsabilidade, senso de conquista, respeito.

Por fim, necessidades auto-atualizantes; que compreendem a criatividade, a espiritualidade, o crescimento e a realização.

A Hierarquia de Necessidades de Maslow revela que somos carentes de vários elementos. Uma boa vida não está concentrada em apenas um ou outro campo. Temos necessidades fisiológicas, mas também temos necessidades sociais e de autoestima; de segurança, mas também auto-atualizantes, que engloba, por exemplo, a espiritualidade.

Enfim, em nenhuma dessas áreas é preciso haver excesso. Só precisamos suprir o necessário; sem acúmulo. Porém, se concentramos demais nossas energias na busca da comida, do abrigo, da segurança e ignoramos os laços familiares, a conexão com pessoas, com a comunidade, por exemplo, não vamos viver bem.

A vida boa, segundo Maslow, é resultado do equilíbrio na busca por suprir as cinco categorias de necessidades humanas.

É preciso ensinar a ler

Ao longo dos anos, a qualidade da leitura tem sido uma de minhas preocupações. Não falo aqui da qualidade dos livros ou da literatura, embora eu seja apaixonado por livros e dedique diariamente um tempo a essa atividade tão importante. Falo, porém, da habilidade de interpretar adequadamente um texto.

Ainda ontem, relia os dados da última pesquisa sobre os níveis de analfabetismo no Brasil. De cada 10 brasileiros, três são analfabetos funcionais. São pessoas que não possuem as habilidades necessárias para interpretar corretamente uma única frase. Pior, parte dos analfabetos funcionais está nas universidades – ou seja, o sistema de ensino no país é tão precário que permitiu que essas pessoas chegassem ao ensino superior sem o domínio da leitura.

Mas o dado que mais me incomoda é saber que apenas 1 em cada 10 brasileiros é leitor proficiente – alguém que reúne o conhecimento necessário para ler, interpretar e fazer as conexões necessárias a partir do texto lido.

O nível do leitor não está relacionado à inteligência. Não tem a ver com a pessoa; tem a ver com o ambiente em que ela vive e o caráter da instrução recebida. A alfabetização plena, portanto, não é um ideal inalcançável.

Entretanto, no modelo atual de ensino, a leitura não é uma habilidade desenvolvida adequadamente.

Eu me surpreendo quando peço a leitura de um texto aos meus alunos na faculdade. Frequentemente, reclamam que o texto é difícil e que não conseguiram entendê-lo corretamente. Isso mostra a gravidade do problema. Note bem, sou professor na área de Comunicação, onde o domínio da leitura é requisito básico para o exercício profissional do Jornalismo e da Publicidade e Propaganda. Gente que tem dificuldades de interpretação de um texto terá problemas em comunicar uma mensagem de maneira eficiente e eficaz.

É urgente repensar as estratégias que estão sendo utilizadas na escola para preparar nossas crianças, adolescentes e jovens para a leitura.

Como eu disse, a alfabetização plena depende do caráter da instrução recebida e do ambiente em que a pessoa vive.

Isso quer dizer que é necessário estimular positivamente o aprendizado da leitura. E hoje mais que antes, porque o ambiente não é favorável ao desenvolvimento da interpretação do texto escrito.

Somos uma sociedade da imagem, do som… Uma sociedade de pessoas distraídas, de olhares superficiais. Além disso, ainda que existam muitos textos escritos nas redes sociais, são curtos, pobres de sentido e o leitor raramente é confrontado sobre a natureza do que está verbalizado. Noutras palavras, quase nunca o leitor tem seu entendimento confrontado a fim de que reconheça as fragilidades da interpretação.

Concluo dizendo: se desejamos melhorar a qualidade do ensino, temos que investir fortemente na aquisição dessa habilidade fundamental, a leitura. Sim, precisamos ensinar a ler a fim de capacitar as pessoas a interpretarem um texto. E ouso afirmar que essa tarefa deve começar da interpretação de cada frase, antes mesmo de entendê-la no contexto, na globalidade do texto.

Desconecte-se!

Na sociedade que a gente vive, “desconectar” é uma necessidade. Não se trata apenas de um discurso contra as redes, contra a internet. Trata-se garantir saúde mental e preservar as emoções.

Quem não se desconecta, não se conecta às pessoas que estão próximas. Quem não se desconecta, não se abre para aprender, para conhecer coisas e nem ver a beleza que há em cada dia.

Ou aprendemos a nos desconectar ou nos preparamos para muitas horas de sofrimento inútil, de horas e horas desperdiçadas, roubadas de nós mesmos, nossa família e amigos.

Portanto, invista em você; invista nas pessoas que você ama: desconecte-se! A vida não acontece apenas na tela; está em todos os lugares, está diante de nós.