Homens que jogam: depoimento de uma esposa

Um dos meus textos que mais gerou polêmica trata sobre os homens que jogam. Maridos que deixam de ir para cama com as esposas para ficar horas e horas diante de um computador, de um videogame…

Já li vários comentários, gente dizendo, noutras palavras, que não entendo nada do que estou falando. De certo modo, estão me chamando de um grande babaca.

Ainda tem aqueles que sustentam que os jogos são divertidos; são o hobby deles. Sugerem que as mulheres também têm lá suas preferências, fazem o que querem e eles não se incomodam… É direito deles jogar. Elas que entendam isso.

Porém, os depoimentos que recebo de algumas mulheres me impressionam. E, por vezes, me entristecem. São mulheres que vivem a solidão dentro de um relacionamento. Seus homens parecem ignorá-las. Preferem os jogos a passar tempo com elas. Já não dialogam mais. O sexo é raro. E, por vezes, sentem-se tentadas a trair seus parceiros.

Muitas dessas mulheres não conseguem verbalizar isso para os maridos. E, no silêncio, escondem seus sentimentos, suas tristezas, frustrações e até mesmo a vontade de desistir.

Hoje, compartilho um dos comentários recebidos. Talvez ajude alguém a rever suas prioridades e até possibilite uma recontratação do relacionamento.

Todas as noites são iguais. Depois que meu marido chega em casa, jantamos na frente à TV, vendo um capítulo de alguma série; depois da janta, vemos outro capítulo ou um filme e logo vou para cama sozinha, porque ele fica jogando Fifa ou Rocket League online com os amigos dele, do meu quarto eu escuto ele conversar com os amigos, parece que ele sabe mais da vida dos amigos que da minha.

Já tentei jogar e não tenho habilidade para isso.

Essa situação está acabando com minha autoestima. Às vezes penso que ele já não se diverte ao meu lado. Vejo que os amigos que jogam com ele, alguns inclusive são pais. Acho que as mulheres desses caras estarão ainda mais incomodadas que eu, que ainda não tenho filhos. Essa situação é tão grave que não tenho nem vontade de tirar o DIU para poder engravidar. Meu marido diz que quer ser pai, mas vejo como são os amigos dele e penso que vai ser igual e não me atrevo ainda de dar esse passo. Já cheguei a me interessar por outro homem no trabalho. A sorte foi que esse trabalho só ia durar um mês. Se durasse mais tempo, não sei se ia conseguir resistir a tentação de outro homem atrativo que demonstrava que eu era interessante para ele, de outro homem que se divertia ao conversar comigo, de outro homem que até tinha a pupila dilatada quando me olhava. Resisti como uma campeã. Não sei se meu marido teria feito o mesmo.

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A fé é tudo que precisamos?

A fé é a crença no invisível. E justamente por acreditar em algo ou em alguém que não pode ser tocado, as pessoas se movem em diferentes direções. Por vezes, guiam suas vidas pela fé.

A fé pode ser motivadora, transformadora. Pode gerar esperança. Fazer sonhar com um mundo que não temos hoje.

Porém, a mesma fé que dá sentido à vida é aquela que tem potencial para gerar engano, distração e alienar.

Uma das críticas mais contundentes de Nietzsche está justamente relacionada a esse comportamento: a crença naquilo que não se vê, com frequência, nos impede de amar o mundo que temos. E, deixando de amar a vida como ela é, muitos abrem mão de atuar como artistas da própria existência.

Por ser cristão, vejo constantemente pessoas que, com os olhos no invisível, são displicentes com o presente. A fé torna-se uma espécie de muleta, que as impede de ser agentes do destino.

Essas pessoas ainda não entenderam o que é viver e qual o nosso papel no aqui e agora. A fé que nos faz “ver” o invisível, desejar o imprevisível, não pode ser a mesma que faz estacionar, que impede ações concretas, que buscam a construção de uma vida melhor, de um mundo melhor.

Os sábios e os que levam pessoas à justiça

Às vezes, a gente lê um texto (ou imagem) e não consegue notar sua incrível beleza ou profundidade. Alguém precisa fazer isso por nós… Precisa chamar nossa atenção.

Foi o que aconteceu comigo ontem. Um historiador mencionou o livro de Daniel, capítulo 12, verso 3, ao falar de uma educadora que morreu na última semana. Abri o texto bíblico, que havia lido algumas vezes, mas nunca tinha me chamado atenção. Agora, as palavras saltavam aos olhos:

“Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”

Uau! Lindo demais!! Que belas palavras… Que bela promessa! Os sábios sempre brilharão. E brilharão intensamente; possuem luz própria, encanto próprio. O que é o céu? O céu é imenso, misterioso e, ao mesmo tempo, revelador. Quanto mais olhamos, mais admiramos, mais descobrimos. Se observamos mais de perto (telescópios nos ajudam bastante), imagens ainda mais incríveis surgem diante de nossos olhos.

aqueles que levam as pessoas à justiça, serão lembrados… Serão as verdadeiras estrelas. Não uma estrela efêmera, dessas que conquistam “sucesso” com seus corpos, com as banalidades que falam, com o dinheiro que ganham… Não serão as estrelas cultuadas por valores transitórios. Serão estrelas, possuirão brilho eterno, porque terão feito a diferença na vida de outras pessoas. E isso é o que realmente vale a pena.

Quem conhece minha alma?

Quem me conhece? Quem sabe sobre meus desejos, vontades? Quem é capaz de reconhecer em meus mínimos movimentos ou palavras quais são as minhas intenções?
Por vezes, tenho a impressão que nós mesmos não nos conhecemos plenamente.

Num tempo em que a vida é vivida de forma apressada, nem sempre olhamos para o outro; mas também o outro pouco nos observa. Frequentemente, não se dá ao trabalho de nos desvendar. Poucas pessoas conhecem nossa alma.

Acontece que, quando dividimos nossa vida com alguém, é fundamental dar-se a conhecer e ser conhecido. Não dá pra amar e ser amado e viver como dois estranhos.

Feliz é quem sabe que, mesmo em silêncio, está sendo escutado pela pessoa amada.

Somos seres inacabados

Somos condicionados pelo meio em que estamos. Ninguém é totalmente livre. Nossos pensamentos e desejos não brotam livremente em nossa mente. Quando nos movemos para fazer algo que supostamente queremos, esse desejo é condicionado pela história – nossa família, religião, mídia.

Ninguém compra um roupa simplesmente porque quer aquela roupa. Ainda que de forma inconsciente, nosso gosto é condicionado. Vale o mesmo para as escolhas políticas, amizades etc.

O mestre Paulo Freire foi um dos pensadores que discutiu essa tese. E, por isso, apontava que todo professor/a deve considerar a história do aluno, pois ela afeta a aprendizagem.
Entretanto, Freire também dizia que somos seres inacabados.

O que isso significa? Que sempre há espaço em nós para aprendermos mais, ressignificarmos nossas ações, revermos hábitos e até formas de pensar. Em outras palavras, ninguém precisa ser para sempre a mesma pessoa. É possível crescer como humano.

E essa consciência de que somos seres inacabados (de que não sabemos tudo e de que não possuímos todas as verdades) pode motivar-nos à busca constante de conhecimento. Não sei música? Mas posso saber. Não sei pintar? Posso aprender. Não sei cuidar da terra? Ainda é possível descobrir seus segredos…

É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente. Mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados” (Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia).