Na segunda, uma música

Peter Hollens é um músico norte-americano genial. Além de cantar muito bem, é criativo como poucos. E faz uso da arte musical a capella pra encantar.

O canal de Peter no Youtube tem mais de 2,3 milhões de inscritos. A cada semana, ele surpreende o público como uma interpretação inovadora de alguma música já conhecida do público – principalmente, trilhas de filmes e animações.

Portanto, hoje, mais que apresentar uma canção, convido você a conhecer o trabalho de Peter Hollens. Escolhi como destaque a música que estreou no canal neste início de semana. Mas certamente você encontrará muito mais no Youtube desse super artista.

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A educação só é prazerosa quando promove a descoberta

​Me perguntaram: professor, a escola tem que dar prazer ao aluno? Não, não é este o propósito da escola. A escola precisa ensinar. E ensinar com o objetivo de promover o conhecimento.​ O prazer é efeito do ato de descobrir. ​E isso a escola pode promover: a descoberta.

​Se partimos da premissa de que a busca pelo prazer norteia a relação das pessoas com as coisas que elas fazem, sabemos que a escola já sai perdendo. O processo de aprendizagem é desgastante e uma espécie de agressão ao conforto do nosso cérebro.

Então ​o que fazer pela escola? ​Vejamos… Embora o processo de ensino-aprendizagem provoque desprazer, é possível dar sentido ao que se ensina e ao que se aprende. E, na descoberta, há prazer.

Quando algo se revela diante de nós, algo que desconhecíamos, a sensação é maravilhosa. Quando há o efetivo aprendizado, aprendizado de algo que tem valor, há o encantamento.

Isso ocorre entre os adultos, mas principalmente entre as crianças. Crianças são curiosas. Querem descobrir, aprender. Elas se alegram quando descobrem o funcionamento das coisas. Os olhos delas brilham!!

Então por que a escola aborrece? Porque muitos das informações fornecidas não fazem sentido. Não há descoberta. Se houvesse descoberta, enquanto se ​dá o processo do ensino, haveria cansaço, sofrimento​, mas tão logo as informações fizessem sentido, a criança ou adolescente se encantaria com o saber adquirido.

É esse encantamento que a educação deve buscar. Não dá para tornar o processo de ensino prazeroso, mas é sim possível assegurar prazer com o efeito da descoberta, da novidade, do conhecimento.

A escola e o (não) prazer de estudar

​Dias atrás, falei aqui que um número expressivo de jovens entende que sucesso profissional é “fazer o que gosta”. Também mencionei que a busca por fazer coisas que proporcionam prazer é uma das características do momento em que vivemos. Frequentemente, as escolhas de nossos adolescentes e jovens têm como referência a expectativa de que aquela atividade poderá ser alegradora.

Esse não é um princípio de vida ruim. Passa a ser, quando há baixa tolerância à frustração, ao desconforto, à dor.

E aqui está um dos problemas enfrentados na escola. O ato de aprender é, por vezes, desgastante, cansativo e provoca muito sofrimento.

O movimento de aprendizagem é uma espécie de agressão subjetiva. É necessário todo um esforço para se adquirir um determinado tipo de conhecimento, principalmente em áreas que não parecem fazer sentido para nós. Há necessidade de criar novos “caminhos” no sistema neuronal, novas conexões.

Entretanto, no que diz respeito à escola, a situação é ainda mais complexa. Algumas regras gramaticais, cálculos matemáticos, princípios físicos, químicos ou estudos biológicos são totalmente estranhos e desconexos com a realidade imediata do aluno. E aí sem prazer e sem fazer sentido, não há nada de recompensador nesse aprendizado.

A rejeição por aquele saber é quase imediata. Com raras exceções, absorve-se o necessário para obter o resultado desejado: a aprovação na matéria. Nada mais que isso!

E nenhum discurso professoral, ou até mesmo da família, em defesa desse tipo de conhecimento têm lógica para os estudantes. Eles se sentem desconfortáveis com as horas dedicadas ao estudo, não encontram nenhum prazer naquilo e, pior, ainda notam que provavelmente boa parte daquele conhecimento só terá valor para passar num vestibular. Nada mais.

Na prática, a escola produz efeito contrário do desejado. Ao obrigar os alunos a fazerem coisas que não gostam e que não possuem conexão com a realidade deles, a escola acaba por sugerir que o estudo é chato, impositivo, e não passa de uma mera formalidade para aprovação em concursos ou em atividades que estabelecem, aleatoriamente, suas próprias regras, ignorando as habilidades que, de fato, são requeridas numa profissão e até mesmo para a vida.

Só é feliz quem aceita a dor como parte da existência

​Ninguém é feliz sem aceitar o sofrimento como parte normal da existência. Embora nenhuma pessoa queira passar por momentos de dor, só não sofre quem nunca viveu.

A ideia de felicidade que permeia o imaginário social é de que quem é feliz está bem o tempo todo. E esse estar bem é viver sem dor.

Alimenta-se a ilusão de que, na condição de felicidade, maximizam-se a alegria e o prazer e minimizam-se a dor, o sofrimento, as lágrimas.

De certo modo, acredita-se que uma pessoa feliz sofre menos ou que a dor dela é menos intensa, é mais rápida.

Na verdade, quem é feliz possui a serenidade necessária para suportar os momentos difíceis. Esta é a grande diferença.

Vivemos num tempo em que chorar parece inaceitável. Fracassos são vistos de forma negativa e até silenciados. Cultuamos o sucesso, a vitória. Os momentos mais difíceis são colocados à margem da nossa história. Tentamos fingir que não existiram. É imperativo parecer que está tudo bem.

Essas ideias distorcidas a respeito da vida colocam um peso muito grande sobre nós. Fazem com que vivamos uma vida de fachada. E o que é pior: ao não aceitarmos a dor como parte da existência, nunca nos sentimos satisfeitos com a vida.

Ao fazermos isso, esquecemos que, mesmo aqueles que conquistaram sucesso, dinheiro, foram inovadores, conviveram com o sofrimento – basta lembrar do gênio bilionário Steve Jobs.

Portanto, minha dica de hoje: aceite a dor como parte da vida. Feliz não é quem não sofre; feliz é quem compreende a condição humana e se alegra com cada pequena conquista ou momento de prazer, pois sabe que chorar também é parte da vida.

Nas grandes perdas, surgem oportunidades de mudança

​Muitas vezes as coisas têm que dar errado para que certas falhas sejam notadas, a rota corrigida e uma grande mudança possa acontecer na vida da gente.

Todos os erros e fracassos são nossos professores – isto, se estivermos dispostos a ser humildes e aprender.

Não é simples compreender essa ideia quando estamos vivendo momentos difíceis. Porém, trata-se de uma das grandes verdades que norteiam a existência.

Se as coisas funcionam razoavelmente, quase sempre não fazemos os ajustes necessários. Vamos levando… Geralmente, nos damos por satisfeitos pelo simples fato de temermos alterar a rota.

A expectativa de mudança causa ansiedade e medo.

Por isso, quando algo dá muito errado – e isso pode ser a perda de uma pessoa que amamos, uma demissão ou, quem sabe, a falência da empresa -, somos obrigados a recomeçar.

De certo modo, perdemos as referências, o chão que nos dava segurança e temos que começar do zero.

Se tivermos a humildade de compreender que aquele péssimo momento pode nos ensinar coisas novas, temos a chance de nos reconstruirmos. Isso vale até mesmo para um país que, por alguma razão, pode ter escolhido um projeto político ruim ou algo parecido.

O que precisamos ter é humildade para aprender. E, principalmente, para percebermos que um fracasso não sugere que devemos adotar soluções antigas, mas sim buscarmos novas alternativas. Afinal, a vida é um caminho para frente. Não se anda para trás.

Na segunda, uma música

A banda Casting Crowns surgiu no final da década de 1990. Criada pelo pastor Mark Hall para atuar junto aos jovens universitários, o grupo não tinha propósito de se profissionalizar. O objetivo era tão somente divulgar a mensagem do evangelho de Cristo entre os estudantes.

Entretanto, anos depois, a banda foi descoberta pela lenda da música gospel contemporânea, Steven Curtis Chapman. Isso resultou num contrato com uma gravadora, divulgação em todo território norte-americano, apresentações em grandes palcos e vários prêmios.

Uma das canções mais recentes do Casting Crowns é “Nobody”. A música tem um ritmo gostoso e apresenta a essência da mensagem cristã: o amor de Deus é acolhedor, sem restrições; o próprio Cristo, na Terra, é gente comum, simples, pobre… Para muitos, um ninguém. E, na história bíblica, vários “ninguéns” fizeram a diferença, pessoas tidas como sem valor foram mensageiras de Deus.

Moisés tinha medo do palco
E Davi levou uma pedra para uma luta de espadas
Você escolheu doze pessoas de fora, que ninguém teria escolhido
E Você mudou o mundo
Bem, a moral da história é
Todo mundo tem um propósito

A vida ativa esconde a nossa passividade diante do mundo

​A sociedade ativa é, na verdade, uma sociedade passiva. Gente ocupada é gente que não tem tempo para refletir, para pensar.

O cidadão trabalha tanto, está tanto tempo ocupado que, ao chegar em casa, quer desligar-se do mundo. Prefere assistir qualquer bobagem na televisão, ver vídeos engraçadinhos na internet… Não tem paciência para assuntos sérios.

Os temas complexos da economia, da política e até mesmo das artes e cultura ficam para os chamados especialistas.

As pessoas de vida ativa colocam o corpo em atividade, mas a mente passa a ser mero receptáculo de informações prontas, clichês. O olhar fica embaçado pelo encantamento de frases prontas, pelo comportamento supostamente corajoso e inovador de seus mitos políticos ou de seus gurus do YouTube.

Ao manterem-se em constante ativ​id​a​de​, as pessoas ignoram a própria passividade. Não conseguem vislumbrar que a reflexão mais elaborada tem sido ignorada, tampouco que as informações que reproduzem​ em suas falas​ são rasas e, por vezes, desprovidas de sensibilidade.

​Há outra implicação: a atividade constante alimenta a ilusão da cidadania, do agir político e reforça nas pessoas a sensação de que “estamos contribuindo para o desenvolvimento do país”.

Ocupados, não percebemos que a vida ativa ​é ativa tão somente no corpo e na agitação da mente. Esse jeito de viver ​consome nossas energias para observar o mundo e suas contradições. Deixamos de ser capazes de pensar por nós mesmos na busca das soluções. Achamos chato, massante o estudo, a leitura mais complexa e preferimos o conforto do lugar-comum, do já conhecido. Tornamo-nos alienados de nós mesmos e da sociedade a qual pertencemos.

Tenha tempo para descansar

​A defesa de uma vida ativa esconde um grave problema: a ausência do descanso. Sem tempo para descansar, não temos tempo para contemplar, tampouco para criar.

Vivemos um tempo em que é imperativo manter-se ativo. Já não se tratam de oito ou nove horas de trabalho por dia. É necessário ocupar-se o tempo todo. O ócio parece ser um pecado.

Mesmo quando paramos por alguns minutos, o smartphone está sempre nas mãos. Ocupamos nossos olhos e nossas mentes respondendo mensagens, vendo as publicações dos amigos, fazendo comentários, interagindo em grupos de whatsapp.

O problema é que um cérebro ocupado não descansa. Um cérebro que não descansa impede que o corpo descanse. A saúde mental é comprometida. A saúde física é fragilizada.

E o que é pior: deixamos de ver o mundo.

O tempo para não fazer nada, para sentar-se e simplesmente se deixar levar pelos pensamentos, é precioso.

São nesses momentos que reparamos nas coisas que estão em nossa volta. São nessas ocasiões que a nossa mente organiza determinadas ideias e até encontramos solução para certos problemas.

Portanto, minha dica de hoje: ainda que todo mundo defenda a ideia de uma vida sempre ativa, permite-se dar um tempo diariamente a você. Descansar o corpo e a mente, não apenas nas horas de sono, é um grande remédio para a alma.