Pequenos atos de corrupção

Na noite do último sábado, troquei uma das lâmpadas do prédio onde moro. Prédio antigo, sem elevador, quando uma lâmpada queima entre os andares, fica complicado subir às escadas. Eu tinha uma lâmpada de LED guardada em meu apartamento. Aproveitei-a para resolver o “problema”. A Rute é a síndica. Então cabe a nós esses cuidados.

Hoje pela manhã, enquanto descia, ao passar justamente pelo andar no qual a lâmpada nova havia sido instalada, notei que a coloração da luz estava bem estranha. Olhei para o teto e lá estava uma lâmpada antiga, barata, que, acho, deixou de ser vendida nas lojas especializadas. O que aconteceu com a lâmpada de LED? Provavelmente, alguém fez a troca. Trocou a lâmpada pior pela melhor.

Não vou mentir: fiquei irritado. Mas mais que isso… Lembrei de discussões que insisto fazer: a corrupção de Brasília, das grandes empresas, as alterações na carne, no leite etc etc. nada mais são que reflexo das nossas pequenas corrupções diárias. Infelizmente, boa parte de nós não vê mal em ser um pouco esperto e conseguir alguma vantagem fácil, sem esforço real, sem trabalhar de fato e pagar pelo benefício.

As preocupações de cada dia

Não há dúvida que a vida não é nada fácil. Também é certo que a gente se preocupa com a saúde, com as finanças pessoais, com nosso relacionamento, com nossos filhos… Essa é a vida. Mas existe uma coisa que a gente precisa entender: para onde vão nossos pensamentos, vão também nossas energias e até mesmo nossas emoções.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, quando ocupamos demais nossos pensamentos com as preocupações, gastamos boa parte de nossas energias em situações que, muitas vezes, ainda não aconteceram e que outras tantas que não podemos resolver.

A maneira como reagimos diante dos problemas faz toda a diferença, inclusive no nosso humor. Enquanto estamos com os pensamentos ocupados pelas preocupações, deixamos de agir.

Apesar das preocupações, temos uma vida. Enquanto eu fico preocupado demais, posso estar deixando de cuidar bem do meu filho e isso vai gerar um outro problema amanhã. Enquanto eu gasto todas as minhas energias me preocupando com as contas do próximo mês, deixo de trabalhar de maneira satisfatória e isso pode me levar a perder o emprego amanhã, aumentando ainda mais os meus problemas. Enquanto fico preocupado pensando que, no fim do ano, vou receber a sogra, posso estar brigando com meu parceiro, minha parceira e desgastando meu relacionamento.

Então fica a dica: embora as preocupações sejam normais, procuremos nos concentrar no que temos em nossas mãos hoje.

Jornalismo descartável

A quantidade de informações disponível ao público atualmente gera uma angústia constante: o que é, de fato, relevante? E problema vai para além disso. O que se publica, divulga etc. quase sempre é descartável.

É comum abrir as páginas dos jornais, folheá-las e ter a impressão que nada ali é interessante. Vale o mesmo para os telejornais, emissoras de rádio e sites na internet. A gente espia, ouve, assiste e “vai do nada para lugar nenhum”. Nada ali parece ser realmente significativo. Eu experimento essa angústia diária e, com frequência, chego à conclusão que boa parte dos noticiários são descartáveis. Não fazem diferença alguma se deixarem de existir.

Nos noticiários locais e regionais, a situação é ainda mais visível. Com exceção do noticiário policial (que não aprecio, mas chama a atenção de parte expressiva da população) e, vez ou outra, alguma polêmica política, o que existe de informação que vale a pena ser consumida? Quase nada!

Resultado da saturação? Em parte, sim. A pseudo necessidade de gerar muito conteúdo atualizado resulta numa espécie de esgotamento do público. Afinal, o que é novidade? O que é diferente? Mas existe um outro problema. Os veículos de comunicação têm levado pouco em consideração o desejo das pessoas. Oferta-se conteúdo, mas não se planeja o que será disponibilizado. A notícia então torna apenas mais um produto na prateleira, sem utilidade alguma.

Para quê viver 90 anos?

A expectativa de vida vai chegar a 90 anos para mulheres de alguns países. Acredita-se que isso vai acontecer até 2030. Países como Coreia do Sul, França e Espanha vão estar nessa situação.

Essa parece ser uma excelente notícia. Afinal, as pessoas estão vivendo mais. Incrível, né? Eu sonho viver 120 anos, então acho o máximo a informação desse estudo.

Mas, sejamos sinceros, viver tanto pra quê? Vejam só como temos vivido. Vivemos dias vazios. Vivemos para o trabalho e reféns de uma lógica que rouba o melhor de nós. Quase todo o nosso tempo é dedicado a correr atrás do dinheiro. E o dinheiro corre de nós. Quando olhamos para a vida que levamos, notamos o quanto tem sido vazia, chata, sem graça, sem sentido.

Então para quê viver 80, 90 ou 120 anos?

A vida que vale a pena é a vida que é plenamente vivida. Vida que experimentamos em sua essência. Vida com amor, com graça, leveza e pelo menos um pouco de liberdade. Vida que serve aos outros. Vida que faz rir, que faz chorar… Mas vida que se sente. Vida em que felicidade não é apenas uma expectativa de um por vir que parece nunca chegar.

Ninguém muda ninguém

Eu sei que o sonho de muita gente é mudar pessoas próximas. Mudar o namorado, o marido, a esposa… Mudar os filhos, a mãe, a sogra… Mudar amigos. E até o chefe. Mas não funciona assim. Ninguém muda suas atitudes se não estiver convencido que precisa mudar.

A mudança começa no convencimento pessoal. Algumas pessoas, eu diria muito poucas, estão abertas para ouvir críticas, questionamentos a respeito de suas atitudes, de seus comportamentos. Essas pessoas já possuem uma pré-disposição para mudar. São pessoas dispostas a crescer. Porém, a maioria pode até se dizer disposta a mudar, a ouvir críticas, mas, na prática, na convivência do dia a dia, elas resistem. Ao ouvirem qualquer tipo de questionamento, ouvem na defensiva. Isso geralmente ocorre porque a pessoa sente-se acuada. É como se a crítica a estivesse desqualificando.

Por isso, minha dica de hoje é muito simples: não se desgaste tentando mudar as pessoas. Se você notar que existe a abertura para o diálogo, fale com carinho, fale com generosidade. Faça isso duas ou três vezes. Se notar resistência, não perca seu tempo. Você vai se irritar, se estressar e, pior, ainda corre o risco de ser vista como uma pessoa chata, daquelas que se acham donas da verdade.