Ser honesto consigo mesmo

A honestidade é uma das qualidades mais apreciáveis numa pessoa. E não é fácil encontrar gente honesta – principalmente na política.

O Brasil vive uma séria crise de honestidade. Os homens públicos não são confiáveis.

É fato que a escassez de gente honesta não é um problema apenas da vida pública. Faltam homens e mulheres honestos em todos os ambientes. Às vezes, até na casa da gente.

Mas sabe de uma coisa? Às vezes, a honestidade é algo que falta em nós na relação que temos com nós mesmos.

Não são raras as ocasiões em que mentimos pra nós mesmos. Vivemos uma vida fingida sem encarar nossas fraquezas ou preferimos não olhar para as nossas imperfeições de caráter.

O relacionamento fracassa? A culpa é do outro. Perdemos o emprego? O problema foi o chefe que não conseguia ver nosso valor. Tiramos uma nota ruim? É o professor que nos persegue.

Ser honesto consigo mesmo é olhar pra si e ser capaz de avaliar qual foi a sua responsabilidade no fracasso, na perda, no desempenho ruim.

Parece que gostamos dos espelhos para nos embelezar, maquiar nossa aparência, construirmos uma versão melhor de nós mesmos. Não queremos espelhos para olharmos quem somos de fato.

Entretanto, a honestidade consigo mesmo é talvez o primeiro grande passo para nos tornarmos pessoas melhores, profissionais melhores, cônjuges melhores, pais e filhos melhores.

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Os erros de julgamento

Parece ser da natureza humana a disposição para julgar, avaliar, criticar. Algumas pessoas mais, outras menos, mas praticamente todo mundo tem sempre uma observação a respeito de algo que foi feito ou deixado de fazer.

Aquelas pessoas mais maduras geralmente questionam o próprio julgamento e, por vezes, nem chegam a verbalizar o que inicialmente pensaram. Mas a maioria não tem esse tipo de filtro. Rapidamente, fala o que tem em mente. E, infelizmente, comete injustiças.

No mundo do trabalho, frequentemente vejo gente reclamando de decisões, questionando a decisão de um chefe ou mesmo mudanças no organograma da empresa. O julgamento é feito do lugar onde a pessoa está, partindo da visão dela e dos interesses dela. Ou seja, para avaliar a decisão da chefia, ela enxerga tendo como referência a maneira como foi afetada e o que vislumbrava que poderia ser feito.

Por mais que eu entenda as razões dessas coisas acontecerem, confesso que ainda me surpreendo com a falta de capacidade de algumas pessoas problematizarem o próprio julgamento. Parece haver alguma falha cognitiva.

Uma decisão no meio corporativo geralmente é tomada diante de uma visão do todo. Muitos problemas conhecidos pela alta gestão nunca chegam a todo o grupo de colaboradores. Às vezes, por falhas na comunicação interna; outras, por se tratar de situações estratégicas ou da necessidade de evitar fofocas.

Cito o ambiente corporativo como exemplo, mas isso acontece na igreja que a gente frequenta, no clube, na escola, na faculdade, na gestão pública… E até na nossa casa. Não raras vezes, os pais tomam decisões incompreendidas pelos filhos, pelos sogros ou parentes próximos. E fazem isso por terem ciência de quadros que nem sempre são conhecidos de todo mundo.

Portanto, ainda que seja clichê, vale repetir: antes de julgarmos, é sempre oportuno questionarmos se temos conhecimento de todos os processos envolvidos. Com frequência, nossas avaliações são parciais, porque geralmente desconhecemos todas as versões de um fato.

É fácil fazer o que se gosta

A gente se empolga em fazer coisas que gosta. Você adora jogar futebol e aí alguém te convida pra uma partida com uma galera bacana… É fácil dizer “tô dentro!!”.

Você curte festas e sua melhor amiga te chama para a festa do ano… Impossível dizer “não”. O coração acelera diante do convite e você já pensa até na roupa que vai usar.

Mas nossas emoções são bem diferentes diante de obrigações, de tarefas que precisamos desenvolver em nossas rotinas.

E eu tenho a impressão que aquilo que precisamos fazer, geralmente, está bem longe da lista das coisas que nos agradam.

Por que o trabalho se torna uma batalha diária? Por que os estudos são sempre desgastantes? Por que atender um pedido de favor de amigo ou mesmo do marido, da esposa, pode ser tão custoso?

Simples, porque provavelmente é algo que não nos agrada.

E como a gente lida com essas coisas chatas?

Frequentemente, leio ou vejo pessoas dizendo: “Se você não gosta do que faz, caia fora; encontre outra coisa pra fazer”.

Num mundo movido por uma ideia distorcida de felicidade, esse tipo de argumento parece fazer todo sentido.

Porém, as coisas não funcionam assim. Nem sempre fazemos todas as coisas que gostamos e, com muita frequência, não podemos simplesmente abrir mão delas.

Alguns trabalhos são muito chatos – ou se tornam irritantes. Mas não dá pra virar as costas e procurar outra coisa quando você tem contas pra pagar ou o mercado está difícil, sem ofertas disponíveis.

E essa é só uma das barreiras que a gente enfrenta.

Na vida privada, você não abandona o parceiro por que ele começou a perder cabelos ou ela ganhou uma barriguinha depois que teve filho.

Na prática, o que a gente precisa compreender é que nunca faremos apenas coisas que gostamos e nem teremos o mundo sorrindo pra nós o tempo todo.

Seremos responsáveis por tarefas desagradáveis. Outras tantas vezes vamos encarar gente que não merece nossa atenção e ainda assim teremos que sorrir para elas. Também faremos favores que não nos alegram e estaremos ao lado de pessoas em situações que aborrecem.

Que dor você prefere suportar?

Quando vi esta pergunta pela primeira vez, meus pensamentos aceleraram. Eu falo de sofrimento com muita frequência aqui no blog. Jesus Cristo, há dois mil anos, também disse que no mundo teríamos aflições. Ou seja, sofreríamos. Mas poucas vezes tinha parado pra pensar que toda e qualquer escolha que fizermos será uma opção por viver algum tipo de dor.

Ninguém quer sofrer. E geralmente nossas escolhas são motivadas por expectativas de alegria, felicidade. A gente escolhe algo em função do que aquilo poderá nos proporcionar de bom. A gente nunca escolhe pensando nas dores que teremos que suportar. Acontece que nada que fizermos será sem dor.

Se você quiser casar, vai sofrer as dores de dividir a vida e sua rotina com alguém. Se quiser ficar solteiro, vai sofrer as dores de não ter com compromisso com outra pessoa.

Se quiser ter um filho, vai deixar de fazer passeios, vai ter menos dinheiro, vai doer quando ele estiver doente e ainda mais quando responder pra você. Mas, se não tiver, nunca saberá o que é sentir seu filho se aconchegando em seu colo.

Se escolher cursar uma faculdade, vai ter que aguentar as dores das noites sem dormir dedicadas aos estudos, nas aulas massantes, dos professores injustos… Se escolher não estudar, vai encarar as dores de ser visto como alguém acomodado, terá mais dificuldades no mercado profissional…

Para cada escolha, há inúmeras dores. E se quisermos evitá-las, nunca teremos uma vida plena; nunca concluiremos um único projeto. Nossa trajetória será marcada por desistências, fracassos e pela ausência de realizações que sejam motivos de orgulho.

Toda escolha poderá nos oferecer momentos de alegria e felicidade. Mas, para aproveitarmos as coisas boas das escolhas que fizermos, precisamos aprender a suportar as dores que farão parte do percurso de nossa caminhada.

Não passei. E agora?

Depois de toda expectativa, chega o resultado do vestibular. E seu nome não está na lista dos aprovados. Bate aquela sensação de fracasso. Pior ainda é saber que vai ter recomeçar o processo de preparação.

Não há nada de divertido em ficar de fora. Por mais que as pessoas repitam “tudo tem seu tempo”, o que a gente queria mesmo é que o tempo fosse agora.

Ficar triste por não ter passado é uma reação normal. É importante inclusive para o amadurecimento pessoal.

Isso não significa, porém, se acomodar.

E então… O que fazer?

A primeira coisa é vencer aquela ideia boba, mas que machuca a gente: “ah… todo mundo passa; só eu que não consigo!”.

Num vestibular concorrido como o da UEM, na média, de cada 10 candidatos, um passa. Outros nove terão que tentar de novo.

A segunda coisa mais importante é se perguntar: “o que faltou para passar?”.

Responder esta pergunta de forma objetiva é fundamental. Vai te fazer entender se faltou empenho, mais horas de estudo, se o emocional tem prejudicado, se a base de conhecimentos que possui é insuficiente…

O próximo passo é definir as novas estratégias e identificar quem poderá te ajudar.

A caminhada em busca da aprovação não pode ser feita sozinha. É necessário contar com gente especializada e que se importe com você.

A equipe pedagógica do cursinho e os professores poderão auxiliar organizando um plano de estudos e te motivando.

E aí é só não perder tempo. Focar nos seus objetivos, não permitir que outras pessoas te influenciem negativamente e seguir em frente! A aprovação virá!

Todo jovem precisa fazer uma faculdade?

Na minha opinião, não! Existe uma diferença entre assegurar que todas as pessoas tenham direito de acesso à universidade e ter a obrigação de fazer uma faculdade para “ser alguém na vida”.

O modelo educacional brasileiro é falho em vários aspectos. Uma das falhas é sustentar-se num modelo de pirâmide que culmina com o ensino superior. Cursar uma faculdade se tornou uma espécie de obrigação. E vários estudos mostrar que, após o diploma, as possibilidades de renda aumentam.

Esse modelo precisa ser corrigido. Todas as pessoas, que sonham com o ensino superior, precisam ter o direito de fazer o curso que desejarem. A universidade deve ser para todosdiferente do discurso do senhor ministro da Educação. Mas deve ser para todos que quiserem.

Por outro lado, também é preciso assegurar ao jovem o direito de optar por uma carreira profissional, rentável, sem a necessidade de ficar quatro, cinco anos no ensino superior. Nem todo mundo gosta de debruçar-se sobre livros, teorias… Não há motivos para rotulá-las como preguiçosas, burras ou fracassadas por não fazerem uma faculdade.

Na Finlândia, desde muito cedo, as crianças já vislumbram qual caminho seguir. E, após completarem três anos de orientação, aos 14 de idade, podem optar por um programa técnico voltado diretamente para um bom trabalho ou ao mundo acadêmico. Mas, detalhe, é possível fazer um curso técnico e, logo em seguida, cursar uma faculdade.

No Brasil, se o jovem escolher um curso técnico, tudo fica mais difícil. Ele segue um “zé ninguém”, porque, pode até ter um bom salário, mas não tem o status do diploma e, se quiser fazer uma faculdade pública, terá que enfrentar o famigerado vestibular, que privilegia aqueles que tiveram uma formação conteudista, pouco relevante, porém, absurda do ponto de vista quantitativo. E aí, como não é competitivo no vestibular, restam-lhe duas alternativas: fazer cursinho por meses, tornando o processo de formação ainda mais longo, ou cursar uma faculdade particular.

Quem tem direito de frequentar uma universidade?

Para o atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, apenas um grupo muito seleto deveria ter direito de acesso ao ensino superior. Nas palavras dele, as universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual. Ele também afirmou, em entrevista ao Valor Econômico, que a ideia da universidade para todos não existe.

Embora sustente que existe uma diferença entre a elite intelectual e a elite econômica, o que o ministro parece ignorar é que, no Brasil, a elite econômica é também aquela que reúne as condições de se tornar a elite intelectual do país. Logo, se passar a vigorar a lógica do ministro, o país vai excluir ainda mais os jovens pobres, empurrando-os para serem tão somente mão-de-obra especializada.

Para justificar sua ideia, o ministro ressalta que, na Alemanha, funciona assim: nem todos chegam à universidade. O ensino técnico é o meio de profissionalização para uma parcela considerável da população alemã.

De novo, o ministro silencia um fato: as crianças têm ensino de qualidade na Alemanha e conseguem, mesmo sendo pobres, candidatarem-se às universidades – caso queiram se dedicar ao universo intelectual. Não é o ocorre no Brasil. Por aqui, se as vagas não forem asseguradas para todos, ainda menos gente frequentará o ensino superior. Vale lembrar que cerca de 80% dos jovens brasileiros estão fora das faculdades e universidades. Ou seja, fazer uma faculdade, no Brasil, já é um privilégio de poucos.

Tenho sustentado que o nosso país precisa de uma ampla mudança na educação. Os indicadores mostram que nossa gente não sabe o mínimo necessário de Matemática e tampouco dá conta de ler e interpretar adequadamente um texto. É necessário mudar, inclusive com a valorização do ensino técnico – que é o caminho mais rápido para a profissionalização.

Entretanto, falas como a do ministro refletem um pensamento mesquinho, excludente, preconceituoso.

Entendo que nem todos queiram frequentar a universidade. Também defendo que este espaço não seja para a formação técnica e profissionalizante; universidade é um ambiente para o desenvolvimento intelectual. Contudo, a escola pública de hoje não assegura formação para que um aluno possa fazer parte da elite intelectual. E as vagas já são mínimas diante da demanda. É justamente por isso que defender tal ideia é, no mínimo, um desrespeito com a maioria do nosso povo.

Colar na escola…

Você sabia que tem até vídeo no Youtube ensinando técnicas para colar nas provas? O inocente aqui nunca tinha imaginado isso. E ainda tem uma série de posts em blogs, páginas especializadas nesse tipo de malandragem.

É difícil admitir que nossos pequenos atos marginais projetam comportamentos corruptos. Entretanto, é isso que prova um estudo realizado pelo Josephson Institute of Ethics. Baseado em quase 7 mil entrevistas, o relatório aponta que o “simples” ato de colar na escola significa maior possibilidade do sujeito ser desonesto. Detalhe, países que têm a prática do “jeitinho” são países mais corruptos.

A cola na escola é um ato de corrupção quase institucionalizado. O discurso do senso comum é bem conhecido: “quem não cola, não sai da escola”. Entretanto, quem trapaceia numa prova está corrompendo o sistema, está buscando uma vantagem pessoal. Num primeiro momento, pode parecer apenas uma ação sem prejuízos. No entanto, revela o caráter, revela uma pré-disposição em romper com a “lei” em benefício próprio.

O relatório do Josephson Institute deixa isso muito claro: independente da idade, as pessoas que colaram (ou colam) na escola estão duas ou mais vezes mais propensas a serem desonestas. E os números são contundentes.

Pessoas que colaram na escola estão três vezes mais propensas a mentir para um cliente; aumentar o valor de uma reivindicação de seguro; e duas vezes mais a inflar um reembolso de despesas. Duas vezes mais propensas a mentir ou enganar o chefe; também são pessoas com probabilidade de mentir para o cônjuge ou outra pessoa significativa; além de trapacear nos impostos.

Na verdade, a corrupção na política, na administração pública e até mesmo nas grandes corporações nasce justamente nas frágeis bases éticas e morais de cada um de nós.

Embora o estudo tenha sido realizado há alguns anos, um aspecto que se sobrepõe é a necessidade da educação para a formação de um sujeito ético. Os primeiros comportamentos marginais ocorrem na infância. E como as crianças aprendem na relação com os adultos, a disciplina e o exemplo são fundamentais. Quando o baixinho tenta levar vantagem, precisa ser corrigido. Contudo, quando ele nota que o pai dá um jeitinho de escapar da multa de trânsito, ou mente que não está em casa quando o telefone toca, tudo que ele diz para o filho deixa de ter valor. Por isso, é preciso combinar orientação com um forte modelo ético.