O que sente o filho adotivo?

adocao

Não sei como me sentiria se fosse adotado. A gente que sabe quem é o pai, quem é a mãe nunca para pra pensar nessas coisas. Hoje, porém, estava lendo dicas de como dizer ao “filho” que foi adotado. A tese básica é sempre a mesma: seja o mais natural possível. O texto me incomodou. Afinal, e o outro? E para a criança, é natural?

Fiquei pensando o que passaria na cabecinha dela. E quando o filho é adolescente ou adulto e descobre ser adotivo, o que sente? Não tenho resposta. Talvez alguém apareça por aqui e comende no texto, diga algo relevador. Sei apenas que já temos tantas inseguranças, complexos, culpas, medos, traumas… Por isso, penso: como se sente alguém que não tem sua origem definida?

Conheço algumas poucas pessoas que foram adotadas. Até parecem bem resolvidas. Entretanto, nunca perguntei “E aí, como é ser adotado? O que você sente?”. O assunto acaba sendo meio tabu. A gente finge que está tudo normal… O que temos com isso, né?

De fora, até questionamos quando algum filho adotivo demonstra revolta ou quer conhecer os pais biológicos. Apontamos que estariam sendo ingratos. É verdade que foram “salvas” por pessoas amorosas, dedicadas, altruístas… Mas já imaginou como essa pessoa se sente?

Cá com meus botões, acho que algumas se sentem um tanto rejeitadas, abandonadas, enganadas. Não ter uma origem definida deve “tirar o chão” dessas pessoas. Claro, não de todas. Porém, penso que não se trata de não se sentirem amadas pelos pais adotivos. Trata-se de saber quem de fato são, de onde vieram, qual poderia ter sido a história delas… Podemos até viver o momento, curtir os prazeres da vida, mas a existência reclama um sentido e a origem conhecida ajuda a formar nossa identidade, a apontar quem de fato somos. Mesmo quando há uma briga com a família, uma ruptura com os pais, é bom saber quem odiar.

Sabe, talvez este texto seja só uma “viagem” pessoal; um daqueles momentos que a gente divaga e vai do nada pra lugar nenhum. Ainda assim, entendo que pensar nessas coisas ajuda a entender o outro. Nem sempre é possível. Eu não sei como se sente um filho adotivo. Não conheço o coração. Como também não sei o que sente uma mãe que compra drogas para o filho… Não entendo o que passa na mente de uma mulher que introduz um celular na vagina para levar ao parceiro que está preso… Cada um, porém, tem suas angústias, motivações, verdades ou dúvidas. E, nessa complexidade do que é o homem, nos constituímos como sujeitos que guardam histórias de risos ou lágrimas, vitórias e derrotas.

As revistas da semana

VEJA: – A confissão da bruxa. “Eu chamei a menina de cachorra mesmo”. A procuradora Vera Lúcia Sant’Anna Gomes, acusada de torturar a menina que pretendia adotar, tenta justificar sua crueldade culpando a criança. Uma testemunha afirma que ela também batia na mãe. Como uma bruxa má, não demonstra nenhum arrependimento e sua lógica é a da desrazão. Ainda na edição, até que ponto a beleza influencia na política e as lan houses de garagem – como 32 milhões de brasileiros acessam a internet.

ÉPOCA: – Por que tudo é tão caro no Brasil? A reportagem comparou os preços em 13 países e descobriu os motivos: impostos, impostos e mais impostos. A Época traz uma reportagem especial com Craig Venter. O cientista americano conseguiu criar uma bactéria artificial. Por que isso abre possibilidades fantásticas para a humanidade – e riscos tão grandes que ainda não sabemos avaliar. Dinamarca, o país mais feliz do mundo. A Época mostra como a Dinamarca consegue dar um extraordinário grau de satisfação a seus cidadãos.

ISTO É: – O confronto dos “caras”. Como o presidente do Brasil assumiu o papel de “o cara” e entrou em conflito com os EUA ao mediar a crise com o Irã. O vice de US$ 2 bilhões. Guilherme Leal, dono da Natura, aceita compor a chapa de Marina Silva para provar que a defesa do meio ambiente não se opõe ao crescimento econômico. Os tesouros de Pelé. O rei abre seus arquivos e revela, em livro, documentos, fotos raras e até histórias de amores que marcaram sua vida.

CARTA CAPITAL: – Desafio ao Império. A missão de paz de Lula e Erdogan a Teerã é mais um capítulo do rearranjo do poder mundial. O acordo entre Irã, Turquia e Brasil é criticado pela mídia brasileira. O esforço do presidente Lula, pelo menos por aqui, não tem merecido o devido respeito. Ainda na edição, José Serra no Nordeste busca intercessão de Padim Ciço. A revista aponta que o candidato tucano começa a se desesperar com os resultados obtidos nas pesquisas eleitorais.

As revistas da semana

VEJA: – Ser jovem e gay. A vida sem dramas. Os adolescentes e jovens brasileiros começam a vencer o arraigado preconceito contra os homossexuais e nunca foi tão natural ser diferente quanto agora. É uma conquista da juventude que deveria servir de lição para muitos adultos. Projetos que podem quebrar o país. O risco do populismo eleitoral. Num surto demagógico, os deputados aumentam em 4 bilhões de reais os gastos com aposentados – e vem mais por aí. Comportamento, nem as mais jovens querem mais menstruar. Depois das trintonas e quarentonas, agora são as de 20 e até menos que resolvem parar de menstruar. Nos consultórios, elas pedem o uso contínuo da pílula – e os médicos dizem sim.

ÉPOCA: – Quem manda mesmo nesta máquina. A reportagem de capa trata do aparelhamento do Estado durante o governo Lula. Por que a ascensão ao poder dos sindicalistas e o aumento da presença deles em funções de comando podem moldar o Brasil do futuro. Um raio x inédito revela a divisão de 20 mil postos de confiança entre os partidos. Também na edição, um estudo exclusivo. O Brasil perde R$ 41,5 bilhões por ano para a corrupção. O agropetismo. Dilma Rousseff tenta colher os frutos da aproximação do governo Lula com o agronegócio e provoca reação de José Serra.

ISTO É: – Dilma por Dilma. Em entrevista exclusiva, a candidata à Presidência Dilma Rousseff fala sobre o que considera a diferença básica entre a sua proposta de governo e a da oposição. O passado condena. A procuradora carioca Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes fez falsa comunicação de crime, tem um histórico de maus-tratos e ainda assim pôde adotar uma menina. Até que a primeira crise os separe. Há casamentos que não completam um mês após o “sim” no altar. Por que as uniões estão tão efêmeras?

CARTA CAPITAL: – Emergentes e inovadores: como Brasil, China, Índia e Rússia começam a virar referência em tecnologia e gestão. Ainda na edição: reativar a Telebrás é bom ou mau negócio? A cinco meses das eleições, a internet já é campo de uma batalha intensa entre os partidários dos diversos candidatos.

Contradições…

Uma reportagem de Everton Barbosa revelou o quadro contraditório das políticas públicas para adoção. Enquanto milhares de crianças esperam ser adotadas, há outras tantas milhares de pessoas aguardando ser habilitadas para adotar – ou sem chances de tal ato de amor por falta(?) de crianças. Esquisito, não?

Veja o exemplo… Em Maringá, existem 334 pessoas interessadas em fazer uma adoção. Mas, segundo a Justiça, não existe uma única criança disponível. Acontece que noutros municípios a realidade é inversa. Tem crianças, faltam interessados. Só que a legislação não permite que o candidato daqui faça adoção fora da cidade.