Hoje é um dia maravilhoso!

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Por quê? O que há de especial?

Hoje é um dia maravilhoso, porque hoje é hoje. Não é qualquer dia. É hoje. Um dia a menos de vida; um dia a mais de vida. Eu e você temos a oportunidade de vivê-lo. Nunca haverá outro dia como este. Eu e você nunca seremos amanhã o que somos/fomos hoje.

Consegue perceber a beleza desta ideia? Na verdade, não se trata apenas de uma ideia; é uma das grandes verdades. Cada dia é único. E por ser único deveríamos experimentar cada dia como uma oportunidade de viver o melhor de nós.

Nem sempre é isso que acontece. Não raras vezes, saímos da cama já com o pensamento: hoje é um dia horrível. E listamos em nossa mente as razões de o dia ser horrível.

Se lembrássemos que o dia de hoje não pode ser recuperado, que não é possível recuperá-lo lá na frente, talvez tivéssemos uma atitude diferente. Talvez olhássemos para nosso dia e, mesmo antevendo as inúmeras tarefas a desempenhar, quem sabe até compromissos pouco agradáveis, agiríamos com a consciência de que nenhum dia é descartável na existência.

Nossos dias são como bombons raros, exemplares únicos, reunidos numa só caixa. Não há na caixa da vida nenhum bombom igual ao outro. Cada dia que desejamos que acabe logo, cada dia que queremos pular, é como um bombom que jogamos fora e que nunca mais teremos a chance de saborear, porque não há na caixa nenhum outro igual.

Portanto, a cada amanhecer, seja o dia que for, olhe para seu dia como um presente da vida e procure abraçá-lo com gratidão, reconhecendo que é único, não repetível. E por isso hoje precisa ser o seu melhor dia.

Ensinar exige alegria e esperança

Este é o 17o episódio da série “Aprendendo com Paulo Freire”.

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É dever do educador manter-se alegre e promover a alegria entre seus alunos. Mais que isso, o professor deve ser um agente de esperança.

Esta filosofia é mais uma contribuição de Paulo Freire para a educação.

A ideia de que ensinar exige alegria está intimamente relacionada à esperança. Por ter esperança no futuro, existe alegria no presente.

Mas como ter esperança em meio ao caos, às injustiças, desigualdades e tantas outras mazelas que afetam inclusive o ambiente escolar?

Segundo Paulo Freire, o educador não deve ser um sujeito alienado. Observar a realidade, ser um crítico dela, permitir-se ter raiva das injustiças e lutar contra elas são atitudes inerentes ao trabalho do professor. Porém, justamente por atuar com a educação, o professor deve ser alguém que promove a esperança.

Afinal, se existe alguma razão para se alegrar num mundo injusto, violento, desigual, esta é a esperança de que o futuro pode ser melhor.

E como isso seria possível? Por meio da educação.

A educação muda as pessoas. E pessoas mudam o mundo, afirma Paulo Freire.

Se o ensino é a ferramenta principal da educação, todo professor é um instrumento que contribui para que as pessoas mudem e o mundo possa ser melhor.

Acreditar que a educação é transformadora e que o seu trabalho contribui para tornar o mundo mais justo, humano, tolerante e inclusivo faz com o que o professor tenha esperança e a promova entre os alunos, contagiando-os.

Essa esperança faz com que cada dia em sala de aula seja acompanhado do brilho dos olhos que nasce na confiança de que dá para ter menos desigualdade, menos corrupção, menos mentira…

É a esperança de um mundo que assegure relações mais justas, mais respeitosas… A esperança de um mundo assim alegra o coração. Faz com que o ato de ensinar tenha sentido, tenha um propósito real. Um propósito de vida para as pessoas. E sentir que a vida não é vazia, de que não precisa ser uma caminhada tão dolorosa faz as pessoas sorrirem hoje, mesmo em meio ao caos.

Conviver com as tristezas

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Desejamos as alegrias. Elas nos trazem sensações boas, fazem a vida mais leve. Mas a tristeza também faz parte da existência.

Precisamos aprender a conviver com a tristeza. Alguns acontecimentos passados e até situações com as quais convivemos diariamente nos causam tristeza. Por mais que queiramos afastá-la, seguirá atravessando nossa alma, tornando nossos sorrisos mais frágeis.

Uma mãe que perdeu um filho ainda criança convive com essa dor. Mesmo que a ferida aberta pela perda tenha cicatrizado, sempre haverá um grande vazio no peito. Esse vazio causa tristeza, por vezes, lágrimas.

Uma esposa que foi traída por um homem que ela amava muito, precisa seguir em frente. Mas a dor da decepção talvez nunca abandone o peito. Será só mais um dentre outros acontecimentos que provocam tristeza.

Mas não são apenas as grandes perdas e decepções que provocam sofrimento. Às vezes, sua filha adolescente tem atitudes que te entristecem, comporta-se de uma maneira que você considera inadequada. Você fala, orienta… Porém, não dá para mudar o outro. A pessoa só muda quando reconhece que precisa mudar. Por isso, ainda que sua filha tenha se tornado alguém que te causa tristeza, não há nada que possa fazer. Resta conviver com o que entristece.

E este é um dos segredos da felicidade: aprender a conviver com nossas tristezas. Não se trata de deixar pra lá, de ignorar, de fingir que não dói. Trata-se de aceitar que algumas coisas que nos machucam ficarão para sempre conosco.

Teremos dias mais difíceis. Noutros, estaremos mais leves. Mas o que importa é não permitir que as tristezas sejam a única coisa para a qual olhamos.

Se conseguirmos fixar nossos olhos nas coisas boas que acontecem em cada um desses dias, encontraremos razões para nos alegrarmos. Embora carreguemos nossas tristezas, a vida também oferece muitas oportunidades para sorrirmos.

O segredo da vida está em resolver problemas

A ideia de felicidade é uma das grandes bobagens da contemporaneidade. É uma ilusão que move milhões e milhões de pessoas apenas para se frustrarem e, pior, sentirem-se fracassadas.

Porque quando a gente descobre que não consegue ser feliz, a gente se sente o pior dos seres humanos.

Você abre o Instagram e vê ali todo mundo sorrindo, passeando, viajando… Você olha e diz: “cara, que droga de vida a minha”.

O problema é que a gente sabe, e só não quer acreditar, que aquilo que se publica no Instagram e noutras redes sociais é apenas uma projeção – uma imagem idealizada do melhor de si.

Entretanto, a imagem vende. Vende uma ideia. Vende um desejo.

E a gente chega a se iludir achando que todo mundo está bem e só a gente está numa pior.

Acontece que a vida real é bem difícil. As dores são mais frequentes que poderíamos imaginar. E não há fase na vida em que não estejam presentes.

Na verdade, um problema resolvido só significa uma coisa: o início de um novo problema. Sim, porque ele virá.

O escritor Mark Manson tem uma frase que eu acho demais. Diz ele que “​o segredo está em resolver problemas, e não em não ter problemas”.

Enquanto a gente não entender que todos os dias teremos problemas pra resolver, seremos infelizes. Não vamos conseguir nos alegrar com os momentos da vida que poderiam ser alegradores.

E esta é a chave do sucesso de quem tem uma boa vida: ter compreendido que a vida tem problemas – muitos, por sinal. E o que nos diferencia é justamente a forma como lidamos com os problemas: passamos a vida achando que somos as únicas vítimas ou enfrentamos as dificuldades e tentamos superá-las para, daqui a pouco, começar tudo de novo.

Persistência é diferente de teimosia

Tem gente que é persistente. Outras pessoas são teimosas. E por que é importante compreender isso? Porque algumas delas perdem anos e anos de suas vidas insistindo numa coisa que não dará certo. Pode ser um pequeno negócio… A pessoa se desgasta. Aposta alto, se endivida, mas não consegue prosperar. Talvez por falta de visão, de preparo ou mesmo vocação.

Pode ser o sonho de um curso universitário muito disputado… A pessoa quer muito, mas tem dificuldade para estudar, não gosta dos livros.

Costumo dizer que a realidade sempre se impõe. A realidade pode ser o limite do tempo, da capacidade para uma determinada tarefa. Pode também ser a falta de dinheiro.

Há situações em que até é possível fazer dar certo. Mas ainda assim é preciso avaliar: vale tanto esforço? É algo que quero a esse ponto?

Ter essa capacidade de questionar se a persistência não se tornou teimosia é fundamental. Sabe por quê? Porque, da vida, o que vale é nossa caminhada e não o destino. É a maneira como vivemos cada dia que determina nossos sorrisos, nossas alegrias… Ou mesmo determina nossas lágrimas e frustrações.

Atingir objetivos é importante. Todos nós precisamos ter metas, ter sonhos. Eu tenho dito que a diferença entre vitoriosos e fracassados está justamente na capacidade de pagar o preço pelos seus objetivos. Porém, a gente não pode deixar de se perguntar: qual é o preço? Estou realmente disposto? Não haveria outras formas de viver? Será que meus sonhos não estariam se tornando obsessões?

Em busca de um sonho, não podemos perder a alegria de viver. Em busca de um objetivo, não podemos abrir mão de pessoas que são queridas, que são especiais. O percurso em direção ao nosso alvo não pode se tornar um peso. E nem podemos permitir que anos e anos sejam consumidos por teimarmos em conquistar algo que talvez não seja pra ser nosso.

Sim, às vezes, pra viver, é necessário desistir. Claro, ninguém deve abrir mão de algo sem ter lutado. Mas, se não está funcionando, vale a pena buscar um conselho, ouvir pessoas experientes, experimentadas na vida. E, de forma madura, reorganizar seus projetos… Sem nunca deixar de sonhar.

Sorrir para viver melhor

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Sempre me surpreendo com a facilidade que meu filho tem para gargalhar. Ele ri de qualquer coisa. Das coisas mais toscas, inclusive. Embora também reclame da vida, é comum vê-lo rindo à toa. Sorte dele, né? Pois rir faz bem.

Eu não costumo rir fácil. Minha filha às vezes implica comigo porque diz que nunca me vê rindo. Ela exagera um pouco, mas reconheço que deveria sorrir mais.

O nosso dia a dia não é dos mais fáceis, é verdade. E, muitas vezes, o cenário parece não favorecer. Faltam boas notícias. Além disso, somos cobrados pelos chefes, professores… E até pelos parceiros. Isso, porém, não justifica nossa indisposição para relaxar um pouco e aproveitar a companhia das pessoas que amamos. Afinal, são com as boas companhias que os risos brotam naturalmente.

Em virtude da dinâmica de nossos dias – pelo menos cinco dias de trabalho e dois de folga -, reservamos a distração para os fins de semana. Isso quando sobra tempo. Por uma questão de estatística: dois dias para sorrir em comparação com cinco dias de muita seriedade (enquanto se trabalha e estuda) não é muito tempo perdido?

Eu sei que o trabalho significa algo sério. De fato, a própria origem da palavra “trabalho” provém de um instrumento de tortura. Mas será que não vale repensar a maneira como olhamos para nossas atividades diárias?

Albert Einsten disse certa vez:

Não tenho trabalhado nenhum dia em toda minha vida. Tudo foi diversão.

A afirmação está numa carta enviada ao filho. Nela, Einsten recomenda que, independente do que fosse fazer, seu filho deveria apaixonar-se pelo que estivesse fazendo. Esta havia sido a chave do grande cientista. E o que Einsten recomendou, a ciência comprova.

Segundo estudos da Universidade de Harvard, quando estamos de bom humor, somos mais produtivos. De fato, realizamos progressos em 76% dos dias em que estamos contentes.

A este respeito, outro estudo, desta vez da Universidade de Ohio, concluiu, após três semanas de observação de agentes comerciais, que um bom estado de ânimo representou 10% a mais de vendas em comparação com os profissionais mal humorados.

Numa pesquisa conjunta, as universidades de Amsterdam e Nebraska, analisaram 54 reuniões de empregados de duas empresas alemãs. Naquelas nos quais os trabalhadores riam, faziam brincadeiras leves, apareceram propostas e ideias muito mais construtivas.

Diferentes estudos comprovam: empresas que se preocupam em oferecer espaços onde as pessoas se sentem bem, geram emoções positivas.

Sabe, nem sempre é fácil estar de bom humor. E algumas pessoas possuem personalidade mais introvertida. As próprias condições de vida podem não ser favoráveis para que o sorriso esteja sempre no rosto. Também não podemos confundir sarcasmo, ironia com bom humor. Entretanto, um melhor humor começa com a gente mesmo. Tem muito a ver com a maneira como encaramos nosso dia a dia. Em especial, como administramos – e aceitamos – os problemas.

Gente bem resolvida acredita, tem fé… E segue em frente, mesmo quando as coisas não vão bem. E essa disposição para sorrir gera benefícios: melhora a saúde, a capacidade respiratória, os resultados profissionais, melhora a comunicação… E o melhor, nos aproxima das pessoas, pois nos torna pessoas mais atraentes.

Por que não simplificar a vida?

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Não são raros os depoimentos de pessoas que, após passarem por momentos muitos difíceis, uma doença grave, por exemplo, dizem ter repensado a vida, encontrado um outro jeito de viver. Confrontadas com a morte, perceberam que davam valor para coisas que deixaram de fazer sentido.

Sabe, viver não é simples. Mas ela se torna muito mais complexa quando a gente fica problematizando aquilo que não se explica, aquilo que a gente não controla. É incrível como gostamos de complicar… Como estamos presos a busca de significado para tudo. Nosso olhar está comprometido pelas ilusões do que é estar bem ou estar mal. Temos referências quase sempre equivocadas sobre modos de viver. São projeções que fazemos. E, com isso, abdicamos do direito de viver.

Simplesmente não deixamos a vida rolar. Queremos dar sentido a ela. E viver parece ser o mesmo que se divertir. E talvez essa seja a principal origem de nossas culpas. Quando tudo se resume a uma busca por diversão, agimos de maneira inconsequente.

O que é curioso é que, na mesma medida que há ansiedade por se divertir, não prestamos atenção no vertiginoso espiral de dias e noites. Dias e noites passam sem nos darmos conta do que estamos fazendo. Não reparamos nas pessoas, nos lugares, nos cheiros, nos sabores… E a vida passa.

É verdade que é difícil saber o que é bom ou ruim, se a decisão é certa ou errada. Na verdade, só o tempo permite julgar. Mas um princípio básico do bem viver é a relação do humano com o seu próximo, do humano com o mundo onde vive. Quando vive em harmonia com o outro e com o meio, preocupa-se menos em controlar o mundo, há mais chance de sentir-se bem consigo mesmo.

E, pra concluir, um pensamento que achei belíssimo:

A dor mais cruel não é a que resulta de uma frustração ou de um fracasso, mas que vem da falta de viver, de uma alma inerte.

Enquanto um sorri, o outro chora

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Ele sorria. Ela fingia sorrir. Estavam na mesma sala. Assistiam a mesma palestra, mas não prestavam atenção. Com smartphones nas mãos, estavam conectados nas redes sociais. Por ali, interagiam com amigos e também resolviam questões pessoais e profissionais. Enquanto ele comemorava a aprovação num concurso, ela se debatia com o fim do relacionamento. Enquanto ele mandava recadinhos para os amigos no Facebook e colocava a informação em destaque na rede, ela perguntava ao marido como iriam viver separados. Ele e ela, lado a lado, mas vivendo emoções distintas. Ele sorria, ela chorava.

Esse é o quadro da vida. Num mesmo espaço, num mesmo lugar, lado a lado podemos ter desejo de viver, desejo de morrer.

Cenas como essas fazem pensar no quanto a vida pode parecer injusta. Também fazem pensar nas máscaras que precisamos usar para seguir adiante. Sorrisos e lágrimas, prazer e dor são faces de uma mesma moeda, a vida. Parece injusto ter alguém do seu lado comemorando enquanto você chora. Mas é justo deixar de comemorar por que alguém está sofrendo?

Não há respostas. A vida é assim. Não é perfeita. E cada pessoa é única. Também são únicos seus problemas, seus sentimentos… As coisas não acontecem simultaneamente. Eu posso estar num ótimo momento profissional, meu irmão pode estar desempregado. Eu posso estar sofrendo uma derrota; alguém estará celebrando a vitória.

Esse descompasso entre os momentos que vivemos criam outros dilemas. Por vezes, não nos sentimos à vontade para dar parabéns a alguém que acabou de ganhar uma promoção, pois ali do lado um amigo foi demitido. Por vezes, nos sentimos desconfortáveis em celebrar a gravidez de uma amiga, quando outra teve um aborto. Podem dividir o mesmo espaço físico, mas não dividem as mesmas emoções.

Dor e prazer se vivem, mas também se camuflam. Ou não são vividos em sua intensidade. O mundo também não nos permite chorar. E comemorar demais às vezes parece inadequado. Entretanto, a alma que silencia alegrias e tristezas é uma alma vazia, que se esgota, que se individualiza ainda mais… Que se sente sozinha.

Lado a lado emoções distintas entre nós. Talvez isso nos ajude entender porque nem sempre encontramos alguém que comemore plenamente nossas vitórias. Nem achamos alguém que nos abrace e se disponha a tentar dividir nossa dor.