A importância do toque no relacionamento

relacionamento_tocar

Algumas coisas têm efeito indescritível no relacionamento. E uma delas é o toque. Não, não estou falando do toque na hora do sexo. Estou falando do toque ao longo do dia. O toque se traduz por um abraço demorado, um carinho nas mãos, uma massagem leve nos ombros…

É impressionante como, com o tempo, os casais vão abandonando determinados hábitos… Nos primeiros meses de paixão, parece haver uma necessidade absurda em grudar no outro. Passa a mão aqui, ali… Beija, abraça… Acontece que, nesse período, isso tem tudo a ver com tesão. Cada toque quer dizer uma coisa apenas: “quero ir pra cama com você!”.

Mas o tempo passa, a rotina nos afasta e os toques vão se tornando cada vez mais raros. E quando isso acontece, o romance também esfria. 

O toque é um afago ao coração. Quando a gente toca, a gente se aproxima, a gente demonstra se importar, querer bem. O toque acalma, faz sorrir… Não há romance que se sustente sem proximidade física. É preciso sentir a pele, o cheiro… Quando os toques são raros, a alma reclama. A carência se instala e o relacionamento, fragiliza. 

Por isso, em todo tempo e lugar, não esqueça de tocar o parceiro. Tocar com carinho, com gentileza… E não apenas quando quer sexo. Quando a gente se dispõe a manter-se próximo do corpo do outro, a intimidade na cama se torna consequência de uma relação que é alimentada diariamente. 

Amar é decisão

amar_decisao

A vida nos muda. O que somos hoje não seremos amanhã. Já não somos os mesmos de ontem… Por isso, ninguém é capaz de sustentar que será a mesma pessoa daqui cinco, dez ou vinte anos. E o mesmo vale para nossas emoções. O que sentimos também sofre a influência do tempo. Por isso, a maneira como olhamos para a pessoa amada muda com o passar dos meses, anos…

Entender isso ajudaria muita gente a preservar seus relacionamentos. Não são raros os casos de pessoas que chegam até se casam acreditando que a paixão delas é diferente… E durará para sempre. Lamento informar, mas tudo passa. Inclusive a paixão.

Nossas emoções mudam constantemente. Mas ainda tem quem acredite que sentirá um “fogo eterno” pelo parceiro. Isso acontece por várias razões. E a principal delas é porque confunde-se amor com paixão. A paixão é esse fogo, esse desejo maluco pelo outro, esse sentimento intenso que motiva, que parece mexer com a criatividade, o humor… A pessoa sente-se nas nuvens, sorri à toa.

Quando isso passa, o que fica?

Frequentemente, as pessoas pensam que o amor acabou. E por isso, acham que não existe motivo para continuar. Escolhem a separação e até o divórcio. Porém, e todas aquelas outras coisas que existiam no parceiro e que a pessoa admirava? O outro não era alguém pelo qual valia a pena lutar?

É por isso que eu defendo a tese de amar também é uma decisão. Amar está longe de ser “calafrios” pelo outro… Amar é ser leal, é respeitar, é estar comprometido efetivamente com o relacionamento.

Quem ama valoriza as virtudes e aceita os defeitos. E reconhece que haverá momentos em que as emoções se acalmam e até parecem esfriar completamente. Entretanto, quem ama decide lutar por novos começos. Quem ama aposta no relacionamento e decide viver o outro, mesmo parecendo não existir novidades.

Amores descartáveis

tendencias

Por que os relacionamentos estão cada vez mais curtos? Há muitas respostas para essa pergunta. Ao longo do tempo que escrevo sobre esse assunto, apontei diferentes razões. Porém, há algo que nem sempre percebemos. Não se trata apenas de uma atitude diante da relação. É mais que isso. Trata-se de uma atitude diante da vida.

Durante quanto tempo a gente mantém um celular? E a televisão? O computador? Por quanto tempo usamos uma calça? E o carro? A armação do óculos?

Pois é… Não é difícil responder. O processo de substituição dos objetos acontece cada vez mais rápido. Não precisa parar de funcionar. Basta acharmos antiquado. Ou gostarmos de um modelo novo.

Alguns podem argumentar: “mas é assim que o mundo funciona”. Afinal, quem ainda quer manter sobre a mesa um monitor de computador do tipo “caixotão”? Diante das telas de LED, dos designs belíssimos oferecidos pela indústria, é impossível não desejar descartá-lo.

Ou seja, a troca é imperativa. Enjoou? Descarta, joga fora. Tem um modelo novo? Compra.

Mas e as pessoas? E os amores? Gente envelhece… Com o tempo, as pessoas vão ficando previsíveis. Nada mais parece surpreender. Logo, também parece imperativo “trocar de amor”. E é isso que temos feito. Pessoas deixaram de ser pessoas; tornaram-se objetos. Os outros são objetos pra nós. Nós somos objetos para os outros.

E de quem é a culpa? De todos e de ninguém. No passado, as pessoas resistiam fazer trocas – dava trabalho convencer que a vovó precisava de uma geladeira nova. As pessoas eram apegadas àquilo que possuíam. Hoje, a dinâmica social mudou. Estamos acostumados às trocas. Somos seduzidos pelas novidades. O novo parece sempre melhor. E, por isso, não é fácil resistir à tentação de trocar de parceiro. Até porque, do lado de fora da relação, sempre haverá alguém bem mais interessante.

Permanecer com a mesma pessoa por anos e anos é andar na contramão do mundo. Manter o compromisso de uma vida a dois “pra sempre” se tornou quase um ato de heroísmo. E talvez seja. Porém, ainda é possível. Mas apenas para aqueles que amam de maneira prática, que estão dispostos a viver o amor em sua dimensão transcendente… Doando-se, renovando-se… Aceitando, perdoando, tolerando…

O amor não deve ser triste

amar_triste
O amor nada tem a ver com sofrimento e dor. Amar não é tudo aceitar. É verdade que quem ama, tolera, suporta, espera. Porém, amar não é se negar. Quem aceita viver um relacionamento que agride as emoções, destrói a autoestima. Quem pensa que isso é amor, deve rever seus conceitos.

Um relacionamento tem momentos de dor e lágrimas, mas não consiste em uma vida de sofrimento. Não se pode confundir a dor que é produzida pela introdução de mudanças em nossas vidas, como aquelas provocadas por um problema inesperado ou uma perda indesejada, com a dor de um relacionamento destrutivo. Uma relação amorosa deve nos fazer bem, nos estimular… Porque amar é ter com quem compartilhar a vida, é ter com quem caminhar.

Por isso, se o relacionamento está provocando angústia, ansiedade, medo, insegurança etc, tem alguma coisa errado. Esses sentimentos indicam que é o momento de fazer mudanças. E as mudanças podem ser de lugar, da forma de agir e pensar… E até de pessoa.

O que não podemos é aceitar a dor como algo normal.

Não estar atento aos sinais e continuar fazendo as coisas da mesma maneira traz consigo ainda mais sofrimento e o aparecimento de feridas profundas que acabarão provocando danos psíquicos e até na saúde física, que, por fim, necessitarão de uma intervenção profissional.

Atitudes que dizem “te amo”

casal221
Tenho dito que “amor bom é amor prático”. E são as atitudes que reafirmam o desejo de fazer bem, de querer bem, de importar-se com o outro.

Por sinal, pouca coisa é mais importante do que sentir que seu parceiro se importa com você. Não adianta escutar todos os dias “te amo” e, na hora que está fragilizado por alguma situação, você se sentir sozinho. Ou naquela hora que você precisa de silêncio porque está com a cabeça explodindo, ele resolve arrumar a pia da cozinha e quase derruba a casa.

E eu acho que os pequenos gestos são aqueles que fazem toda diferença. As grandes encrencas causam grandes confrontos, grandes crises, mas geralmente são enfrentadas pelo casal. Podem até causar o fim do romance, mas não ficam se acumulando, não são silenciadas. Os relacionamentos são minados diariamente pelas coisas pequenininhas. 

Por exemplo, se a mulher é organizada, para ela é importante que o parceiro diga, através de atitudes práticas, que se importa, que se preocupa, que a ama. Ela reclama da toalha na cama? Então, pra ela, isso significa que colocar a toalha no lugar mostra que se importa com os sentimentos dela. Ele não gosta de sair atrasado para os compromissos? Tentar agilizar a “produção” (tomar banho mais cedo, decidir antes a roupa que vai usar, a maquiagem etc etc), é um jeito de dizer que você se preocupa com ele.

Se ela gosta de ter um tempinho pra ler, deixá-la quietinha, sem aumentar o volume da música que você deseja ouvir ou manter a televisão desligada, não ficar falando ao telefone… É uma forma de dizer pra pessoa amada: “te amo e quero muito te agradar”. Se ele está incomodado com seus gastos com o cartão de crédito, porque o dinheiro anda curto, passar um tempinho sem fazer compras ou perguntar pra ele se dá pra assumir uma nova despesa, é também um jeito de dizer que o respeita e está comprometida com o relacionamento.

Sabe, a gente tem se tornado individualista demais. Para muitas mulheres, a questão da independência se tornou tão fundamental que, por vezes, ignora-se que o relacionamento é feito a dois. Para muitos homens, obrigar a mulher a respeitá-lo também virou um capricho pessoal. É algo do tipo “eu faço mesmo, se ela quiser é assim… Se não quiser, tem outra que quer”.

Acontece que comportamentos assim vão destruindo aos poucos, desgastando o romance. Amar não é só na cama, amar não é só dar presentes, amar não é apenas dizer palavras bonitas. Olhar para o outro e tentar suprir as carências do outro, reconhecer e respeitar as coisas que para o outro são importantes são maneiras práticas de dizer “te amo e estou sempre aqui para o quer der e vier”.

O que sustenta o amor

200403415-001
Em 2009, a Pixar lançou uma animação que encantou crianças e adultos. Além da história principal – envolvendo um velho ranzinza e um garoto, “Up – altas aventuras” trazia a beleza de um relacionamento que havia começado na infância. Carl Fredericksen, um vendedor de balões, e sua esposa Ellie, viveram juntos até que a morte os separou.

Essa história, que aparece no início do filme, ainda inspira muita gente a falar de um relacionamento “para sempre”. A imagem do casal serve de inspiração para a circulação de frases inspiradoras na internet. Uma das últimas que encontrei foi esta:

pensamento

Uma frase apenas, mas cheia de verdade. Muita gente aposta tudo no amor. Acredita que o amor é a razão de tudo. E eu concordo. Entretanto, não há amor que sobreviva se não for alimentado. E o que sustenta – e até nos faz amar – é o modo como nos relacionamos com a pessoa amada. Para mim, é nisso que consiste o verdadeiro amor: uma prática diária, consciente, de fazer bem, de se querer bem.

Tem gente que diz amar, mas se distancia, usa palavras ásperas, é agressivo. Tem gente que diz amar, mas não valoriza, não elogia, não admira. Tem gente que diz amar, mas não fica junto, não participa, não auxilia. Tem gente que diz amar, mas esquece datas, não dá presentes, não sabe ouvir. Esse tipo de amor não toca, não conforta, não acalma. O coração fica carente, o relacionamento se esvazia. A gente ama quando é amado.

Quando quer viver um relacionamento pleno, a gente se esforça. Aceita, tolera, se humilha. E, por vezes, nega as próprias vontades. Há sacrifício, disposição, perdão. E nessa prática de vida, nesse modo de se relacionar, sustenta-se o amor.

“Amar pode dar certo”

amar_certo

Há algumas semanas passo em frente ao sebo e vejo um livro. O título é convidativo:

– Amar pode dar certo.

Eu gosto de títulos. Sou jornalista, né? Sou pesquisador de textos e discursos. Então as palavras parecem brilhar diante dos meus olhos. Um título (que busca resumir, identificar) fala comigo antes mesmo de ler o texto.

Enquanto vejo o título “amar pode dar certo”, penso nos inúmeros amores que fracassam. Lembro de outras histórias bonitas. Algumas de cinema, outras da vida real. Meus pais estão prestes a completar 48 anos de casados. Meus avós, se estivessem vivos, teriam completado 80 anos de união neste mês. E eles viveram juntos por quase 70 anos. Sim, eles provaram que um relacionamento pode ser duradouro.

Entretanto, relacionamento duradouro é o mesmo que um amor que deu certo? É possível viver muitos anos juntos sem ter amado de verdade. Pode-se manter um casamento por conveniência, por pressão social, pelos filhos. Ainda assim, penso que o tempo é um indicador importante, mas não é o único.

Porém, amar alguém é uma escolha. Sente-se o amor, mas também se escolhe amar. Por ser uma escolha, trata-se de uma prática diária. Quem ama, sofre. Não aquele sofrimento das novelas… Sofre, porque a relação é difícil. Há altos e baixos. E vários momentos em que bate uma enorme vontade de “matar” o parceiro.

Além de ocasiões que nos tornamos insuportáveis ao outro, alguns de nós são perfeccionistas, reclamões, fofoqueiros, inseguros… Ficamos doentes, achamos tudo e todos péssimos, ou nos apegamos a pessoas que não merecem nosso respeito… E essas coisas todas acontecem na dinâmica de um relacionamento. Só os fortes resistem.

Amar pode dar certo, porque é uma possibilidade; não um fato. Dias atrás escrevi que os relacionamentos estão fadados ao fracasso. Sim, porque o insucesso está dado. Fazer dar certo é a exceção. Exceção que implica numa escolha. E que envolve muitos sacrifícios.

O filósofo grego Aristóteles certa feita disse:

O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, uma vez que a função do amor é levar o ser humano à perfeição.

O relacionamento é feito assim: por pessoas imperfeitas. Somos egoístas, queremos ser atendidos pelo outro e que o outro nos faça feliz. Contudo, para dar certo, é necessário renúncia, abnegação, doação, aceitação. Aceitar sorrir e chorar juntos. Ter o coração aberto para perdoar. E querer aprender dia a dia a conviver com o outro. Nenhum relacionamento dá certo sem disposição para criar um novo estilo de vida. É preciso se moldar. Criar algo novo a partir da vida de alguém na nossa vida.

O par perfeito

amorperfeito2
Ele é perfeito. Fala mansa, tranquila, um sorriso cativante no rosto. Tem paciência, sabe esperar… até mesmo depois de você ter subido 25 vezes no quarto para trocar a blusa ou retocar a maquiagem. Nada o parece abalar. Ele encontra formas de estar ali, passar segurança e até te fazer rir. Sim, ele se encaixa no seu sonho de “príncipe encantado”.

Sabe, não há nada demais em desejar alguém que faça todos os nossos gostos. Não é ridículo sonhar com uma pessoa que queira sempre nos agradar. Entretanto, gestos singelos e meigos podem esconder a verdadeira personalidade.

Os primeiros meses de relacionamento ainda são marcados por atitudes de conquista. Claro, não acontece com todo mundo. Mas é natural que, no namoro, a pessoa procure vender a sua melhor imagem. Costumo brincar que este é um período em que a gente encontra a pessoa amada apenas para amá-la, para viver bons momentos. Pode ter um dia péssimo, mas fica pensando:

– Tudo bem. A situação está tensa… Mas, à noite, vou estar com ela.

Então, a gente chega em casa, toma um banho, passa o melhor perfume, coloca a melhor roupa para a ocasião… Deixa todos os problemas em casa, coloca a máscara de bom moço e vai encontrá-la com o melhor sorriso possível.

Homens e mulheres fantasiam com amores perfeitos. Quem não quer alguém sempre cheiroso, bem humorado, de ideias brilhantes, gentil, criativo, esperto, atencioso? Quem não deseja um namorado simpático com sua família, que não tenha ciúme dos irmãos, amigos, primos, tios e até dos ex-namorados? Que garota não quer ser sempre elogiada, mesmo quando coloca aquele vestido que nem deveria ter saído da loja? Que homem não gostaria de ter uma parceira que não se incomoda e nem reclama se ele chegou tarde, se saiu com os amigos, se esqueceu do aniversário de namoro e está sempre bem disposta para o sexo?

Nos relacionamentos, certas coisas são boas demais para serem verdade. Tem gente que finge ser o que não é. Por isso, semelhante a “garota exemplar”, retratada pela jornalista americana Gilliam Flynn, um dia a farsa é descoberta. Ninguém resiste muito tempo num personagem. O verdadeiro eu grita no interior, reclama ser revelado.

Não quero dizer que não existam pessoas incríveis, bem dispostas e que se entregam ao romance a fim de fazer feliz a pessoa amada. Entretanto, pessoas perfeitas não existem. Gente normal é cheia de contradição. Tem dias ruins, fica ansioso, nervoso, bate a porta, às vezes fala alto e reclama do trânsito. Gente normal engorda, faz dieta, fala mal da sogra, reclama do cunhado. Gente normal tem preguiça, trabalha demais, perde a hora, compra presente errado, escolhe mal o restaurante. Gente normal é promovido, elogiado… é demitido, humilhado. É o máximo hoje, a pior das pessoas amanhã.

É nisto que consiste a beleza de amar e ser amado.