Cadê o tempo para responder um amigo?

tempo

Eu ainda me surpreendo com o jeito em que estamos vivendo. Quer dizer, não sei se estamos realmente vivendo. Tenho a impressão que apenas estamos passando os dias, sem dar conta de que a vida vai se esvaindo, escapando por entre os dedos. 

Ainda hoje, enquanto organizava algumas coisas no computador, esbarrei em mensagens de pessoas com as quais me importo. Mensagens que recebi há mais de um ano. Não tinham sido lidas. Obviamente, também não tinham sido respondidas.

Será que tudo está tão corrido a ponto de faltar tempo para responder um amigo? 

Confesso que isso me incomoda. Evidente que considero as coisas que faço bastante importantes, mas é impossível não se questionar: são mais importantes que as pessoas?

Semanas atrás, refletia sobre qual é nosso maior patrimônio nesta vida. Na verdade, esta é uma resposta bem complicada. Depende de cada pessoa. Pelo menos pra mim, certamente não são os bens materiais. Na verdade, não me importo com o modelo de carro, com a TV da sala, com o sofá… Essas coisas não me fazem mais ou menos feliz.

Mas, então, qual é nosso maior patrimônio?

Afinal, quase todo o tempo que temos esgotamos, direta ou indiretamente, na busca de bens materiais. Podemos até achar que não é a nossa prioridade, porém, se trabalhamos demais, trabalhamos por quê? Qual a finalidade? Talvez falte tempo porque estudamos demais. Mas, se estudamos demais, por que fazemos isso?

Tem gente, hoje, que parece ter o prazer como maior patrimônio. Dependendo do que se define por prazer, será que o prazer justifica a existência?

Sabe, eu não tenho respostas. Nem escrevi para dar respostas. Penso, porém, que o momento é oportuno para refletirmos. A cada tic-tac do relógio (que nem usamos mais), o tempo de vida que nos resta se torna menor. O que estamos fazendo dela? Quais são nossas prioridades? Que espaço tem ocupado as pessoas que amamos em nossos dias?

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Com quem você pode contar?

ajudar

Já escrevi várias vezes sobre a falta que faz ter um amigo, amigo de verdade… Alguém com quem a gente possa contar nos momentos difíceis da vida. Porém, não é só nos dramas emocionais da vida que se faz sentir a falta de pessoas especiais – ou pelo menos, dispostas a ajudar. No dia a dia, também descobrimos que, muitas vezes, estamos sozinhos.

E as situações cotidianas talvez sejam as mais frequentes. Sabe aquele dia que você precisa mais cedo do trabalho para levar o filho ao médico e descobre que a colega, para quem você já fez vários favores, não topa cobrir sua ausência? E o trabalho de faculdade que, dessa vez, você não deu conta de fazer e, em função disso, ouviu um monte de bobagens da parceira de equipe? Pior… Essa mesma “amiga” já te deixou na mão várias vezes.

No trabalho, na escola e até mesmo em casa, é ruim perceber que são poucas as pessoas dispostas a ajudar no momento que necessitamos. Pode ser a simples troca de folga, a produção de um trabalho escolar, uma carona para ir ao centro da cidade… Coisas pequenas, mas que fazem a diferença quando não temos como fazer, como resolver e precisamos do outro. Além disso, a ausência desse tipo de favor parece desestimular a gentileza. De alguma maneira, lá no coração, a gente pensa:

– Pode deixar… Quando você precisar de mim, já sei o que vou responder.

Sim, somos humanos, e é mais ou menos desse jeito que sentimos quando alguém nos diz “não”. Ficamos chateados sim. E com vontade de retribuir na “mesma moeda”.

Entretanto, por mais que possamos concluir que dificilmente podemos contar com os outros, ainda assim cabe-nos fazer a nossa parte. Afinal, o mundo já é duro demais, difícil demais, egoísta demais… para participarmos dessa onda tão negativa e individualista.

Eu sei que dizer “sim” ao pedido de alguém que já nos disse “não” parece nos colocar na condição de bobos. E ninguém gosta de ser visto como aquele que é sempre “bonzinho”. Porque bonzinho parece ser o mesmo que bobinho. Porém, a vida só será melhor de ser vivida se fizermos nossa parte para tornar mais agradável o verdadeiro sentido do que é viver em comunidade.

Tem alguém pra te ouvir?

amizade
Sim, alguém pra ouvir, pra te dar atenção. Um amigo disposto a escutar, simplesmente escutar. Chorar junto, se preciso. Abraçar, se necessário. Você tem alguém assim?

Às vezes acho que estamos presentes nas redes sociais porque queremos ser ouvidos. Como não tem ninguém que possa realmente nos dar atenção, saímos gritando pro mundo através de publicações eletrônicas. É nesse contexto que surgem as postagens sobre o estado de humor, como está se sentindo… Enfim. E aí, quando a pessoa coloca ali que está pra baixo, sempre aparece alguém pra comentar, demonstrando certa preocupação.

Entretanto, será que esse tipo de comentário preenche o vazio do coração? Supre a necessidade de um abraço?

Há momentos em que a angústia toma conta. É preciso verbalizar. “Botar pra fora”. Mas com quem contar?

A gente até acha um monte de “amigos” dispostos a dar palpites, preparados para dizer pra gente sair dessa, que tudo passa, que é só um momento… Também acha aqueles prontos pra criticar, apontar os erros, julgar.

O mundo hoje é individualista. Cada um cuida da sua vida. E, no olhar para o outro, frequentemente se tem a “receita” para que seja feliz. Por isso, é tão difícil encontrar alguém que ouça. Que escute, acolha, não julgue e muito menos transforme em “notícia” tudo o que ouviu.

Estamos ilhados em meio a um mar de pessoas. Poucos podem se orgulhar de ter um amigo de verdade. Alguém capaz de ouvir, simplesmente ouvir, abraçar, apoiar.

Ter alguém assim é como encontrar um diamante  em meio à aridez de um deserto.

Por que não param de falar?

silencio
Os minutos em silêncio são muito preciosos

Amo o silêncio. Poucas coisas são tão preciosas pra mim. E gosto do silêncio. Gosto de me deixar envolver por meus pensamentos. Por isso, falo apenas o necessário. É verdade que, pelas profissões – jornalista e professor -, tenho o dever de falar. Entretanto, os minutos sem ruídos são os mais desejados.

Talvez por isso fico impressionado com a vontade que alguns têm de falar. Parece que algo interior as impulsiona. Uma espécie de medo do abandono, da solidão. Mal ficam sozinhas, já puxam o celular e ligam pra alguém. E ali conversam da bolsa nova que compraram até a cachorrinha que foi levada ao pet shop.

Ainda hoje, enquanto caminhava por três ou quatro quadras, notava várias pessoas ao celular. Uma delas, que estava pouco adiante, mal saiu do carro, tirou o aparelho do bolso e foi logo ligando pra uma amiga. A conversa era vazia. Não havia urgência. Apenas papo trivial. E em pleno horário de almoço. Quem ligou sequer perguntou: “pode falar agora?”.

Às vezes, caminho ou corro em volta do bosque. Ali noto gente que faz seus exercícios em dupla, trio etc. E também quem está sozinho. Sozinho não; com alguém no celular. E apenas papeando.

Tudo bem… Conversar faz bem. Ter amigos é a melhor coisa do mundo. Porém, não entendo essa urgência, essa necessidade de falar. Parece que ficar sozinho, em silêncio, é ruim. É preciso falar, falar, falar… Falar sem parar. As pessoas não parecem dispostas a se voltar para o interior. Não podem ficar a sós. Têm medo de se confrontar com seus pensamentos, de “dialogar” com eles.

Ligar para alguém para ser a saída, um escape. É como se não houvesse sentido no mundo sem ter o outro para ouvir. E quando não há ninguém para ouvir, encerra-se a alma com o som de uma música.

E enquanto a pessoa fala ou ouve as notas de uma canção, os medos, inseguranças, conflitos, contradições, sonhos e frustrações são silenciados. Verbaliza-se o jogo de cena, o personagem… Verbaliza-se a vida cotidiana, a fofoca alheia… E a vida interior segue escondida, guardada, desconhecida para o indivíduo que receia olhar para si mesmo.

Quer ser meu amigo?

É preciso readquirir a inocência das crianças
Quem são os nossos amigos? Quantos amigos nós temos? Amigos… amigos de verdade. Daqueles que a gente pode contar o maior dos pecados e ele será parceiro, companheiro. Pode até nos corrigir, mas não deixará de nos abraçar, de nos aceitar. Quantos amigos? Dá pra contar?

Pensava nisto após ler a declaração de Deborah Secco. Ao falar a um programa da GNT, a atriz resumiu os seus sentimentos:

Virei uma pessoa sem amigos.

Achei bonito da parte dela quando disse:

Hoje, eu estou fazendo amigos. Gente, quem quiser ser meu amigo, tenha paciência, sou uma pessoa que não sei ser amiga.

Sempre digo que somos carentes. Precisamos do outro. Não somos ilhas. Quem vive só, é infeliz. E os amigos são fundamentais na nossa vida. Entretanto, a gente vive um tempo em que não há espaço para amizades verdadeiras.

Primeiro, porque requer tempo. Segundo, porque não queremos nos comprometer.

Amizade pede tempo e envolvimento. Porém, tudo hoje é medido por um valor. Tem recompensa? É útil? Quanto ganho com isso? Amigo é amigo. Ponto. Não é troca. É como no relacionamento com a namorada, com o marido… A relação não deve ser estabelecida pelo benefício material que ela traz. Mas pelo prazer que proporciona ao coração.

Por isso, é tão difícil ter amigos. Estamos ocupados demais. Queremos estar perto das pessoas que podem nos garantir algum tipo de vantagem. Entretanto, quando o coração reclama um abraço, a quem recorremos?

Deborah Secco diz que hoje está à procura de amigos. E pede, inclusive, que aqueles que quiserem fazer parte de sua vida, que tenham paciência com ela. A atriz não sabe ser amiga.

Acho que não é só a Deborah que não sabe ser amiga. A maioria de nós não sabe. Não aprendemos a nos doar. Não aprendemos a tolerar. A ter disposição em servir, ajudar. Não queremos ouvir. Queremos falar, discursar… Mas não sabemos aceitar.

Se não quisermos passar pela vida sozinhos – ou rodeados apenas por amigos de ocasião -, temos de abrir mão de desse jeito interesseiro de ser e readquirir a inocência das crianças… Tornar simples o que é complexo e se dispor a simplesmente ser humano.

Quando o amor se transforma em ódio

Duas pessoas. Elas se gostam, se admiram, se respeitam. Entretanto, a amizade está em xeque. O relacionamento está em crise. As diferenças começam a falar mais alto. O que antes as aproximou agora pode ser silenciado pelas características descobertas ao longo da convivência.

Situações como essa acontecem todos os dias. Amigos, amantes, namorados, casais… gente que só descobre as diferenças depois de algum tempo. E, quando isso acontece, o que parecia perfeito torna-se um desastre. Os risos somem do rosto. A alegria do simples ato de estar junto é substituída por raiva, mágoa, ódio. Nada parece ter sentido. O bonito vira feio. O colorido agora é cinza. Não há mais brilho na relação.

O que fazer?

Pessoas diferentes podem ser amigas, podem viver juntas e até dividirem uma vida a dois. Porém, é preciso aprender a respeitar as diferenças. Mais que isso, valorizar o que as une, admirar essas características, entender que ninguém é igual e, principalmente, manter distância das diferenças.

Pessoas que se gostam tendem a querer ficar próximas. O que poucas se dão conta é que isso nem sempre funciona. Um bom relacionamento pode simplesmente virar inimizade quando, por exemplo, tentam formar uma sociedade. Aqui está um grande segredo para preservar o que há de bom entre duas pessoas: entenda que o seu melhor amigo pode não reunir as características necessárias para ser seu sócio.

Nem sempre o seu melhor amigo, sua melhor amiga é a melhor pessoa para você trabalhar junto. Isso vale para a empresa, para a faculdade… e até para um joguinho no fim de semana. Tem coisas que vocês vão fazer bem juntos; outras, não.

Quando se trata de relacionamentos amorosos, vale a regra. Acho absurda a escolha feita por alguns casais. Viver junto já é um grande desafio. É preciso juntar duas cabeças, duas culturas… tudo debaixo de um mesmo teto. Como fazer isso dar certo se ainda trabalham juntos? É desastre anunciado!

Casais que trabalham juntos, são sócios, correm grande risco. Podem até manter o relacionamento, mas terão de fazer uma “ginástica” muito grande para não se matarem.

Costumo dizer que amor e ódio são faces de uma mesma moeda. Precisamos entender que “mais pode ser menos”. Como dizia minha mãe: “tudo que é demais, sobra”. Preservar uma relação passa por compreender que a pessoa que você ama pode ser muito diferente de você. E ela não tem que se encaixar em tudo que você faz. Manter certa distância em alguns momentos, ter espaço para serem autênticas, garantir a individualidade e até abrir mão de uma convivência próxima demais são regras fundamentais para que o amor não se transforme em ódio.

Quem estará conosco ao final da vida?

Poucos relacionamentos permanecem vivos; a maioria perde-se no caminho

Há pouco vi algumas fotos no Facebook. Também li os comentários. Um deles me tocou. Uma frase simples… Dessas repetimos. Falava de amizade. Ressaltava uma amizade eterna. O motivo era simples: a faculdade está acabando, a formatura está chegando, mas, apesar do fim de um período, a promessa: a amizade vai continuar.

É algo bonito de ver. Gostoso de sentir. Uma mistura de saudade com o mais sincero desejo de eternizar tudo que foi vivido ao longo de dias, meses e anos.

A faculdade é mais que anos de estudo. Amizades nascem ali. Relacionamentos são construídos.

Isso também acontece na infância. Na adolescência. Na fase jovem ou adulta. Pode ser com vizinhos, colegas de classe ou de trabalho. Os ambientes nos aproximam. E fazemos amigos. Em muitos casos, conhecemos a mulher dos nossos sonhos. A garota, o príncipe encantado…

Mas a vida é feita de ciclos. Num momento, estamos ali brincando com os amiguinhos que moram próximos; noutro, com gente que conhecemos na escola… Por fim, passam a fazer parte de nossa vida aqueles com quem dividimos responsabilidades no trabalho, na igreja ou nos encontramos no clube.

Poucos são os que ficam. Aqueles que permanecem para além das fases da vida.

É triste isso. Porém, é a própria vida em movimento.

A promessa de amizade eterna feita no comentário de uma foto talvez se torne realidade. Mesmo assistindo de longe esse espetáculo proporcionado por sentimentos verdadeiros, torço para que não se distanciem. Contudo, a lógica dos desencontros – mais que forte que qualquer outra – faz-me acreditar que daqui a alguns anos ainda vão se considerar amigos, mas provavelmente estarão há meses sem trocar palavras.

Manter um relacionamento requer esforço. Curtir uma foto no Facebook, mandar um oizinho no WhatsApp… podem ser expressões de carinho. Mas é muito pouco para perpetuar a chama do amor. É preciso encontrar, falar, tocar. Acontece que o dia a dia nos consome, nos distancia.

Quando mudamos de cidade, trocamos de emprego ou terminamos a faculdade, encerramos um ciclo e iniciamos outro. Neste, tudo é novo – inclusive as pessoas com as quais vamos conviver. Novas amizades virão. Isso é maravilhoso! Significa que estamos vivos. No entanto, outras que amamos e foram importantes para nós simplesmente serão esquecidas – ou ficarão na lembrança de um tempo que não tem mais volta.

Isso revela o quanto somos solitários. E os relacionamentos, ocasionais. Ficam conosco apenas aqueles que escolhemos não abandonar. Por opção e investimento, já que terão de estar no topo de nossas prioridades. Se nos deixarmos embalar pela rotina da vida, passaremos pelas diferentes fases, experimentaremos sentimentos e sensações incríveis, mas aqueles que realmente foram importantes terão ficado pelo caminho. Quem estará conosco ao final da vida?

Num dia, próximos; noutro, distantes ou separados – II

Minutos atrás aprovei o comentário da Gabi, no primeiro post que escrevi com esse título. Brincando ou não, ela disse: “tô chorando”. A Deborah, minha aluna, publicou: “é, isso me apavora”.

Quando abri esse post não tinha a pretensão de uma reflexão sobre nossas perdas – o distanciamento ou mesmo rompimento com pessoas amigas. Entretanto, como cada texto tem vida própria, o último argumento acabou sendo algo que também me preocupa. Ou apavora, como falou a Deborah.

Depois de escrever, fiquei lembrando do que fazia dez anos atrás. Dos amigos que frequentavam minha casa, das pessoas com as quais trabalhava, de outros tantos que – mais ou menos presentes – participavam da minha vida. Restaram poucos, muito poucos.

E não é por uma escolha. Não acordei um dia e disse: “não vou falar mais com fulano”. Não. Claro que não. Cada um de nós traçou seu caminho. Continuei morando na mesma cidade, na mesma casa por mais alguns anos, frequentando a mesma igreja… Troquei de trabalho? Sim. Mas até meu email é o mesmo.

Então, por que as pessoas já não são as mesmas? Simples, porque a vida é uma roda viva, dinâmica. As coisas mudam a nossa volta, mudamos juntos e nem percebemos. Você passa alguns dias distante de alguém, faz amizade com outra pessoa e nem percebe que, aos poucos, o outro amigo já não faz parte dos seus dias.

Foi intencional? Não. Você nem percebeu. Quando se deu conta, cada um já estava vivendo um novo momento. O carinho é o mesmo, bate saudade, mas parece que já não há mais razão para uma convivência tão próxima.

São as circunstâncias que nos afastam. Quase sempre não é uma escolha. Você pode até desejar preservar aquela relação, mas tem uma hora que até os assuntos parecem ficar escassos.

Isso tudo é mesmo triste… Pois nos revela que, no fundo, estamos quase sempre sozinhos para terminarmos sozinhos. É a vida em movimento. Uns chegam, outros vão… Outros ocupam nosso lugar.

PS- Desculpa aí… Rsrs. Repeti o título. Faltou criatividade? Talvez. Mas acho que a frase resume bem a ideia que tentei discutir.