Gratidão é mais que dizer “obrigado”

Vivemos numa época em que existe a crença que todo o sucesso ou fracasso é responsabilidade de cada pessoa. Se você nunca entrou numa faculdade, a culpa é sua. Se nunca foi promovido, é porque não fez por merecer. Isso faz parte do que chamamos de meritocracia. E, numa sociedade meritocrática, quase sempre acreditamos que tudo que temos, tudo que somos é resultado de nosso esforço. Por conta disso, um sentimento nobre e fundamental é esquecido: a gratidão.

Esquecemos de agradecer as palavras de incentivo, as portas abertas por amigos, parentes e até pessoas com as quais temos pouco envolvimento. Gente, porém, que em várias ocasiões tornou nossa vida mais fácil. Quem nunca recebeu apoio para conseguir um emprego? E quantas vezes foi desse emprego que começamos uma trajetória de sucesso? Quem foi que nos deu a primeira oportunidade? E aquela dica, que parecia boba, mas que mudou a forma de administrarmos a carreira, nosso relacionamento ou organizarmos nosso estudo?

Pois é… A vida não é resultado único de nosso esforço; muitas pessoas nos auxiliam diariamente na construção de nossas conquistas. Lembrar sempre de agradecer quem nos ajuda (ou ajudou) é fundamental. Que a gratidão seja sempre um sentimento alimentado em nosso coração e palavras de gratidão estejam sempre em nossos lábios.

O Facebook afeta as emoções

gatos

Ninguém está isento… Vez ou outra nos pegamos bisbilhotando a vida alheia no Facebook. É tudo tão fácil… Uma publicação puxa a outra, uma foto leva à outra. Quando percebemos, já estamos olhando conteúdos de gente que sequer conhecemos.

Por outro lado, as redes também potencializaram nosso lado exibicionista. Tem gente que deixa tudo documentado na rede. A carinha quando desperta, o lanche que come, o calçado que usa na festa, os livros que compra (que a gente nem sabe se a pessoa lê), as férias incríveis, a família perfeito do comercial de margarina…

Vários estudos já mostraram que temos a tendência de tentar sempre mostrar o melhor de nós. Também há um desejo, quase inconsciente, de busca da aprovação do outro.

Cortou o cabelo? Publica. E espera os elogios.
Fez um jantarzinho especial? Publica. E espera os elogios.

E a lista é interminável. Tudo que se deseja é receber curtidas, comentários. Claro, nos inibimos de publicar coisas menos populares. De modo geral, nossa natureza tem a tendência de divulgar conquistas. Quando a gente recebe uma promoção, tudo que se quer é contar pra alguém. Por outro lado, busca-se ocultar os desastres, os fracassos, as perdas.

Na verdade, a internet possibilitou que se amplificassem comportamentos que antes ficavam restritos ao grupo de amigos, de pessoas próximas. Entretanto, para alguns, isso não representou e nem representa apenas a reprodução, na rede, do que já se fazia fora dela.

Quando a gente conhece a pessoa, a gente se assusta… Porque a vida de alguns no Facebook é completamente diferente. Há uma diferença absurda entre o eu virtual e o eu real. O sujeito é tímido, incapaz de dizer uma palavra; na internet, é o mais extrovertido, falante e até paquerador… Sem contar aqueles que distorcem a imagem física, tentam se passar por mais bonitos do que são.

Acontece que as pessoas foram contaminadas pelo vírus da notoriedade. Se a pessoa não se mostra, a pessoa não tem vida. É necessário se mostrar para sentir que existe. Em alguns casos, chega a ser doentio. A pessoa se torna dependente de colocar a vida na web, mostrá-la, ser aplaudida pelo que faz.

A coisa é assustadora. Um estudo realizado recentemente por pesquisadores alemães revelou que as emoções são afetadas pelas publicações no Facebook. Se alguém tem êxito profissional e publiciza isso, muita gente sente inveja, se sente mal pelo sucesso alheio. E a inveja não para aí… Fotos de férias incríveis, por exemplo, geram ressentimentos. O número de felicitações no aniversário cria mal estar.

Sabe, eu me pego pensando… A gente deseja tanto ter liberdade e… Que liberdade é essa que nos torna reféns da rede? Quer dizer, o Facebook não tem culpa, mas a gente se torna refém do aplauso alheio. Nossas emoções estão presas, dependentes das curtidas, dos comentários, dos compartilhamentos. A gente quer publicar… E a gente se decepciona se a troca da foto de perfil passou despercebida.

Mas estar na rede não afeta apenas nossas emoções. Também prejudica a produtividade e o sono. É fato que estar conectado rouba tempo de trabalho e leva muitos a dormir menos. Sem contar que potencializa a fantasia, a fuga da realidade.

Bom, então devemos acabar com o Facebook, com a internet? Evidente que não. Só precisamos refletir sobre o modo como usamos, como nos afeta, como não nos tornarmos reféns. A rede tem sim seus benefícios. E muitos. Facilita o contato, aproxima… Garante acesso a conteúdos diversificados e democratiza o acesso e a produção de informações. É só saber usar.

Quem é o outro pra mim?

O que eu espero dele?
O que busco nele?
Que função tem na minha vida?
Afinal, pra quê serve?

Talvez essa discussão seja um pouco negativa. Quem sabe, pessimista pelos questionamentos dos valores humanos. Entretanto, egoístas que somos, o outro quase sempre é objeto de nosso desejo se ocupa algum papel. Papel que nós projetamos e que o outro desempenha.

No post anterior, propus refletirmos sobre por que o outro é quem precisa mudar. Nunca reconhecemos que também carecemos de mudanças. E isto acontece porque nem sempre somos capazes de reconhecer que o mundo não gira em torno de nós.

O outro existe. O outro tem sentimentos. O outro é como nós. É um de nós.

Portanto, por que vejo no outro alguém que deva servir aos meus interesses?

É verdade que num planeta que superou os 7 bilhões de habitantes, posso me sentir no direito de me relacionar com pessoas com as quais simpatizo, com as quais tenho afinidades e os mesmos ideais.

Porém, não é assim que funciona. Quase sempre, nossas escolhas não se dão apenas por conta de simpatia, afinidades ou projetos. Escolhemos nos relacionar com aqueles que se prestam a atender as nossas necessidades.

Ao longo dos anos, aprendi no convívio com uma dessas pessoas raras, únicas, que as relações não devem se basear na utilidade. Não devo tratar bem apenas porque a pessoa me é útil.

Lembro de diálogos do tipo:
– Por que ele você trata bem? Não seria por que precisa ou vai precisar de um favor?

Ou ainda:
– Você notou que só dá atenção para as pessoas quando elas são importantes?

A gente faz isso. E com muita frequência. Usamos nossas habilidades para nos fazer queridos pelos que podem nos ajudar hoje ou amanhã. Ou quando queremos conquistar alguém. Depois da conquista, revelamos todas nossas contradições, mal humor, desapego… nosso egoísmo.

Sabe, tenho uma certa birra do tal de networking. A rede de contatos profissionais, por vezes, é baseada em relações falsas, hipócritas. O sujeito busca tornar-se próximo de pessoas tão somente pelas possibilidades profissionais que podem ser abertas a partir desses contatos. É algo necessário? Sim, mas, convenhamos, é a institucionalização da falsidade. Muita gente faz caras e bocas pra pessoas com as quais sequer trocaria uma única palavra não fossem as posições que ocupam. Trata-se de um jogo de interesses em que não há inocentes. Porém, não deixa de ser um “toma-lá-dá-cá”.

Não creio que deixaremos de ser assim. Faz parte da natureza da sociedade contemporânea. As relações são baseadas em interesses. No profissional e no afetivo. Porém, é uma pena que sejamos tão mesquinhos. Afinal, a grandeza do homem está justamente na capacidade de reconhecer no outro qualidades, virtudes e contradições também presentes em si mesmo.

Não tem mais nada para fazer?

O Facebook está minando as demais redes sociais. Até o blogs têm sofrido a “concorrência” da criação de Mark Zuckerberg. Também estou por lá e faço uso para repercutir parte do meu trabalho, promover discussões e interagir com pessoas que nem sempre consigo ter por perto.

Tenho cerca de dois mil “amigos no Facebook. A ideia é mesmo essa: não restringir ninguém. Dialogar com todo mundo, trocar ideias, compartilhar conteúdos – e não necessariamente apenas as minhas produções. Entretanto, não dou conta das pessoinhas que resolvem me chamar no bate-papo.

Vez ou outra aparece alguém me dando bom dia. Legal!!! Fico animado. Respondo. E espero… Espero mais um pouco e vem um:

– Tudo bem?

– Sim, respondo.

Como noto que o papo está truncado e não conheço a pessoa, procuro incentivá-la:

– Posso ajudar?

Afinal, se alguém não me conhece, mas me chamou, deve ter algum motivo para me procurar. Nem que seja para perguntar quem eu sou.

Aí, do outro lado, a pessoa responde:

– Queria conversar.

– Ok, estou um pouco ocupado, mas pode dizer.

E aí a pessoa diz:

– Não, não é nada. Só queria conversar.

Peraí… Não é nada? Se respondi, estou disposto a conversar. Mas parece-me que é necessário ter algo a dizer.

Desculpem-me, caríssimos, mas tenho que ser um bocadinho chato. A pessoa não tem mais nada para fazer? Como assim? Como chamar um desconhecido para conversar e nem saber o que falar?

Tudo bem. Sei que sou mesmo um pouco rabugento, mas às vezes penso que alguns estão mesmo sem muita noção. Ou andam desocupados. Não tenho nenhum problema em atender, conversar. Porém, traga-me algum assunto. Quer fazer amizade? Diga quem é, por qual razão está ali, algo que tenha interesse em saber a meu respeito… Será um prazer conhecer gente nova, simpática, inteligente. Só não me façam perder tempo.

Competitivos e destrutivos

Já notou o quanto somos competitivos? Não estou dizendo dos nossos potenciais como competidores. Mas sim do nosso desejo intrínseco de ser sempre o melhor.

É preciso ser melhor que o companheiro de empresa, melhor que o colega de faculdade, melhor amigo, melhor namorado, melhor amante… Enfim, não nos agrada a idéia de que alguém é melhor que a gente. Até nossos encontros precisam ser perfeitos. Em alguns momentos, a pessoa pode se sentir inferior – e até rejeitada – se souber que a namorada ou mulher (vale aqui também o inverno, no caso das garotas) teve um ex mais, digamos assim, competente.

Sabe, não há problema em ser competitivo. Faz parte da nossa natureza. Dizem que isso é culpa do mundo contemporâneo – ou do capitalismo. Isso é uma verdade parcial. Afinal, esse sentimento de conquista, de ser o melhor está diretamente relacionado à natureza humana. Somos assim.

Pensa naquela criança de dois brincando com os amiguinhos… Está dali, sem ainda ter noção de mundo, mas já é um competidor. Ele não quer perder para o amiguinho. E se na brincadeira sentir-se derrotado, vira o jogo aplicando no outro uma bela mordida (pode ser um tapa, um empurrão ou outro gesto violento qualquer que, nós pais, conhecemos muito bem).

Portanto, esse sentimento não é errado. Ou um pecado. O problema está no que fazemos com esse desejo de ser o melhor. Podemos ser impulsionados por ele para nos tornarmos pessoas de fato melhores ou ser consumidos pela inveja, cobiça, arrogância, prepotência ou ainda pelo sentimento de inferioridade, pela baixa auto-estima.

Nesses casos, fazemos mal ao outro e a nós mesmos. Fazemos mal ao outro porque nunca seremos sinceros com quem está próximo e acabamos por desenvolver comportamentos destrutivos. Fazemos mal a nós mesmos porque perdemos a confiança, a paz de espírito e até mesmo os amigos – ou a pessoa amada (imagine: o sujeito que está sempre se comparando ao ex da garota, onde ele vai parar?).

Desejar ser o melhor é natural, como disse. Competir é saudável, quando se respeita e há sinceridade. E aprender que todos têm seus limites – inclusive aqueles que invejamos – é a primeira atitude de sabedoria num processo de desenvolvimento para se viver bem.