Cuidar de si e não perder a fé

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Vivemos preocupados com muitas coisas. Ficamos aflitos por causa dos problemas no trabalho, das inúmeras atividades da faculdade… Nos preocupamos com a comida, com a aparência física, com o relacionamento… Mas e o nosso interior? Sim, o que se passa com o nosso coração? Quando está sozinho (sozinha), quando tem alguns minutos livres, que atitudes tem com você mesmo (mesma)?

Sabe, olhamos para todos os lados, mas pouco olhamos para dentro de nós. O que pensamos a respeito de nossos defeitos? Alguma vez tentamos mudar atitudes que nos machucam ou machucam os outros? Ou o orgulho é tão grande que é incapaz de identificar as fragilidades?

Com um pouquinho de autocrítica, a gente identifica as atitudes e até os pensamentos que estão longe de serem maduros. É justamente essa disposição em olhar pra si, rever até mesmo alguns valores, que nos torna pessoas melhores.

E a gente pode começar fazendo isso pela parte espiritual. Nossas crenças, nossa fé, norteiam nossos procedimentos. E, nesse contexto, algumas questões são fundamentais.

Dar um tempo para si mesmo. Fala-se que a solidão não é boa conselheira. Porém, isso nem sempre é verdade. Geralmente os ruídos do dia – o trabalho, a televisão, o celular, a internet, redes sociais etc – servem como distração. Isso rouba a chance de nos aquietarmos. E é no silêncio que é possível falar com nós mesmos.

Observar o interior. O ponto principal é ser muito honesto consigo mesmo. É necessário fazer uma análise inclusive daquilo que as pessoas criticam em você. Muitas coisas que as pessoas falam da gente são motivadas por maldades – cobiça, inveja etc. Entretanto, nessas maldades podem existir pequenas verdades e crescemos quando identificamos nossos defeitos e tentamos melhorar nossas atitudes.

Controlar a ansiedade. E exercícios de respiração podem ajudar a obter uma relação mais efetiva até com seu próprio corpo. A correria, o excesso de atividades nem sempre permitem estar mais tranquilo. Parar e respirar fundo em alguns momentos do dia contribuem, inclusive, para oxigenar o cérebro. Quando o cérebro está oxigenado, funciona melhor, pensa melhor.

Ter fé. Embora diferentes cientistas questionem a existência de um ser superior, supremo, existem inúmeras pesquisas que sustentam a importância de acreditar em algo que é maior que nós. Aproximar-se de Deus de forma mais ativa, desenvolver a crença nEle, ajuda a ter mais força, mais disposição para viver.

Pois é… Por mais que o mundo pareça impor um modo de vida que traduz felicidade como sinônimo de ter dinheiro e ser popular, a existência não se resume nessa busca constante por coisas materiais. Cuidar de si é cuidar do coração, cuidar das emoções, dos sentimentos, das pessoas que você ama… É amar a si mesmo e nunca perder de vista a fé que nos faz até acreditar em milagres.

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Vale tudo para agradar o outro?

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O que você faz por amor? É bonito perceber que, movido por esse sentimento, pessoas fazem coisas que não fariam noutras circunstâncias. É a superação do próprio eu num ato de doação, de entrega. Porém, vale tudo para agradar ao outro?

Relacionamento necessitam de parâmetros. E os valores individuais precisam ser respeitados. Por vezes, é necessário negociar determinados hábitos, mas valores não são apenas costumes… Fazem parte da essência do que é o indivíduo.

Dias atrás, por exemplo, ouvi a história de uma garota que estava sofrendo com o namorado. Ela era virgem e não queria sexo naquele momento. O rapaz a pressionava. Pedia a “primeira vez” como prova de amor. A moça não queria perdê-lo, mas também não se sentia pronta.

O quadro é típico. Duas pessoas que estão juntas, mas desejam coisas completamente diferentes. E têm visões opostas da vida.

No caso desses jovens a situação é bem simples: se o cara gosta mesmo da menina, vai respeitá-la. Quem não é capaz de respeitar um valor individual hoje, vai atropelar outros valores amanhã. Portanto, quem tem que dar prova de amor aqui é o sujeito; não a menina. As ações dele estão motivadas por um desejo; as dela, por algo em que acredita.

Não são os raros os casos em que valores são colocados em xeque por chantagens emocionais. E não apenas nas questões da cama. Às vezes, uma das partes é mais frágil e acaba cedendo. Mas não fica feliz com o que fez ou faz. A pessoa se deixa usar. É manipulada. Sofre com isso. E cada vez que atende ao outro, sente-se agredida. Torna-se refém. Perde a autoestima e passa a agir pelo outro, não por ela mesma.

– Se eu não fizer isso, ele vai me deixar.

Esta frase é típica. E revela o quanto as emoções da pessoa estão fragilizadas. Ela já não se ama. Perdeu o amor próprio. Sente-se como se dependesse do outro para ser alguém. Quem vive assim já não vive. Precisa redescobrir-se, libertar-se.

Sabe, não existem regras ou manuais para um relacionamento. No entanto, algumas coisas são fundamentais. A primeira delas é respeitar-se, amar-se. Se você não se respeita, não se ama, nunca será respeitado e amado pelo outro.

Tem gente que diz:

– Ah… mas ele vive fazendo isso comigo.

Desculpe-me, mas você só tem no relacionamento aquilo que permite ter. Os parâmetros do que recebe é você quem estabelece. Se não tiver isso claro, certamente terá problemas. E o que espera do seu relacionamento deve ter como referência o que é importante para você. O que deseja pra sua vida, com base naquilo que acredita. A referência não pode ser o envolvimento emocional muito menos a atração que sente pelo outro.

O que eu quero pra mim? Como desejo que o outro aja em relação a mim? Como espero que me trate?

Estas perguntas devem ter respostas claras, principalmente para você.

Depois disto, você será capaz de saber o que pode fazer pelo romance, até onde se sente à vontade pra ir pelo outro.

Lembre-se:

É você que determina aquilo que valoriza e, se defender seus valores, terá mais chance de encontrar alguém que valorize o mesmo que você (Cloud & Towsend).

Seja gentil com você

Tem gente que se cobra demais. Não admite errar. Ou não aceita os erros que teve. Com isso, se martiriza. Sofre.

Vez ou outra brinco aqui que não existem receitas pra vida. Viver é um negócio complicado. Ainda que a gente relaxe diante de tudo que acontece e faça valer a máxima do Zeca Pagodinho – “Deixa a vida me levar” -, tem coisas que nos tiram do chão. Magoam nosso coração. E, infelizmente, não é raro que sejam atos nossos, nascidos em nossas escolhas.

Entretanto, é preciso aprender aceitar-se.

Nesta semana, lendo sobre qualidade de vida, vi o depoimento de um médico. Ele sustentava a tese de que saúde é muito mais que não ter doenças. Estar bem consigo mesmo é mais importante que não ter uma doença, dizia.

Eu gostei da reflexão proposta. Segundo ele, alguns pacientes – mesmo com diabetes, hipertensão ou até doenças mais graves – conseguem ser mais saudáveis que muita gente que está com tudo normal em seus exames. Isto, porque o estado de saúde começa em nosso cérebro.

A pessoa pode ter saúde física, mas estar com o coração amargurado. Já a outra pode ter uma doença degenerativa e viver bem, ser feliz.

Gente que se cobra demais, que não aceita os erros do passado, não consegue viver. Adianta estar inteiro fisicamente e a mente estar ocupada por pensamentos negativos?

É melhor ter uma vida curta bem vivida que uma vida longa amargurada.

Por isso, entendo que ser gentil com a gente mesmo é um ato de amor próprio. Ser gentil consigo é um ato de não agressão a si mesmo.

Não significa abandonar a moral, a correção, a disciplina. É claro, temos que agir de maneira digna, trabalhar de forma correta, relacionar-se respeitosamente… Porém, não podemos transformar isso num regime de escravidão.

Algumas pessoas se sufocam. Não precisam de ninguém as cobrando, pressionando… Elas mesmas cuidam disso. Vivem num regime tão intenso de cobranças que não se permitem viver. Maltratam a si mesmas. Perdem tanto tempo com o planejamento, sofrem tanto com os detalhes que esquecem de experimentar aquilo pelo qual se esforçam ou se dedicam.

E quando algo dá errado? É um “deus-nos-acuda”. Não conseguem se perdoar. Ficam ali remoendo o erro… Dão voltas e mais voltas ignorando que viver é uma ação continua. Quando se fracassa, nada resta a fazer; apenas… seguir em frente.

Ser gentil consigo é isso: é olhar pra si mesmo e se dar uma chance. Olhar pra si e dizer: “você é um cara legal”, “você uma mulher inteligente”, “você errou, mas não era isso que queria… então, vamo’bora”. Ser gentil consigo mesmo é botar um sorriso no rosto, é acreditar em você. E reconhecer que a beleza da vida não está na perfeição; está nos erros e acertos que todos temos.