O outro-objeto…

Muito se discute sobre os relacionamentos… Dicas de como manter a paixão, orientações sobre como dialogar com o outro… Tudo isso faz parte da pauta de assuntos disponibilizados aos casais. Eu mesmo tenho vários textos com conselhos que, na minha opinião, são bastante úteis.

Porém, uma coisa que falamos pouco é a respeito das dificuldades para manter um relacionamento estável.

Em primeiro lugar, eu diria que é preciso reconhecer a importância de permitir que as pessoas se separem, os avanços significativos ocorridos nos últimos tempos que asseguraram que as pessoas não fiquem com alguém que lhes faça mal. Por outro, é fundamental refletir sobre a fragilidade das relações. Porque, embora seja importante assegurar o direito à separação, também é necessário admitir que muitas rupturas acontecem em virtude da falta de comprometimento com a relação. E esta falta de comprometimento está diretamente ligada à postura de consumidores que adotamos, inclusive, nas relações humanas.

Sim, pessoas se tornaram objetos. Da mesma forma que trocamos o celular assim que ele já não atende mais nossas expectativas, trocamos pessoas que não mais nos satisfazem.

O mercado nos treinou muito bem para exercermos nosso poder de escolha. Aprendemos a observar todas as características que queremos de um produto. O produto deve nos servir, nos satisfazer. E o mercado ainda insiste que devemos sempre ter o melhor, porque ao ter o melhor produto, seremos felizes. A felicidade está diretamente relacionada aos benefícios oferecidos pelos produtos que consumimos.

Essa mesma lógica se repete nos relacionamentos. Hoje, conforme lembra o polonês Zigmund Bauman, é possível escolher seu futuro parceiro, sua futura parceira pela internet. A gente entra na web e segue os mesmos rituais da compra de qualquer outro produto. Observamos as características, os benefícios que o produto supostamente possui… E aí, compramos. Se não ficamos satisfeitos, usamos durante um tempo e logo descartamos.

É assim que agimos com as pessoas. É como se as pessoas estivessem disponíveis numa espécie de prateleira. O detalhe é que, na dinâmica dos relacionamentos, não apenas o outro é um objeto, eu também sou objeto. Porque da mesma forma que espero do outro uma série de qualidades, o outro espera que eu corresponda as suas expectativas.

E é claro que esse tipo de relação não vai dar certo. Porque pessoas são muito mais que produtos. Possuem sentimentos, vontades, desejos, expectativas e a incrível capacidade de mudança.

Num relacionamento, meu eu nunca poderá estar no comando. Sempre haverá necessidade de dividir, partilhar… É preciso se doar para fazer dar certo. Quando espero do outro o mesmo que espero de objetos, quando me relaciono com o outro com a disposição de trocá-lo assim que deixar de atender minhas expectativas, estou coisificando a relação e vivendo uma relação falsa, porque relacionamentos verdadeiros só acontecem quando há disposição para sorrir juntos, mas também para chorar, acolher, perdoar… recomeçar a cada novo dia – ainda que o outro já não preserve todas as características de quando o conheci.

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Às vezes, tudo que se quer é sentir-se amado

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Acho que todo mundo se sente solitário às vezes. Na verdade, a gente vive rodeado de pessoas quase o tempo todo. Mas ter gente por perto não significa muita coisa se essa proximidade física, espacial não se traduz em interesse, envolvimento, intimidade. 

Somos seres relacionais. Porém, mais que se relacionar, queremos sentir que esses relacionamentos são afetivos. Queremos que a outra pessoa nos acolha, nos queira bem, nos ame.

Nos relacionamentos amorosos, noto que muita gente sofre porque não sente o amor do outro. Eu tenho dito que amor bom é amor prático. E esse amor prático se traduz em gestos que demonstram que o outro se importa, que está interessado em seu bem-estar.

Vejo pessoas solitárias em seus relacionamentos, porque o ato de estar junto se tornou mera formalidade, quase uma obrigação. Não há nada que empolgue, que dê prazer. A companhia do outro é apenas uma presença física, fria, quase descartável.

É triste viver assim. Viver a dois sem sentir o amor do parceiro, da parceira é vida que se arrasta, é amor que se apaga. 

A existência já nos castiga demais… O sofrimento não é apenas nosso vizinho. Vez ou outra vem morar em nossa casa. É também por isso insisto que as pessoas devem lutar por ter relacionamentos saudáveis, felizes. Ainda que existam problemas na convivência, não pode faltar amor…  Não é concebível viver a dois reclamando por migalhas de afeto.

No casamento e na vida, não pode faltar amor prático, traduzido em gestos, em palavras, em rotinas que expressem que se ama e que se é amado.

O amor dele é verdadeiro?

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Acho que não é novidade para ninguém que nem todo mundo que diz “te amo” ama de fato. Muita gente mente. E, na verdade, tem mais um monte que não sabe direito o que é amor. Às vezes, é só desejo, carinho ou… ilusão.

O amor se revela em práticas. Quem ama, demonstra. E não demonstra apenas na cama, ou nos momentos que antecedem o sexo.

Como amor bom é amor prático, alguns comportamentos sugerem que é necessário colocar em dúvida o “te amo” que o parceiro diz. Vou listá-los.

Justificar seus erros – Quem ama, não magoa. É fato que vez ou outra todo mundo erra. Porém, é questionável o amor de gente que toda hora precisa ficar se justificando, explicando que não fez isso ou aquilo por querer. Quando o parceiro ama de verdade, a família nota, as pessoas próximas percebem que você é bem tratado/a.

Sabe perdoar – Quem ama, perdoa. Não significa ser bobo. Significa compreender que, mesmo quando há amar, erros podem ser cometidos. A pessoa que ama tem um olhar generoso, compreensivo. É capaz de aceitar as diferenças e até mesmo as limitações do parceiro.

Se promete, cumpre – Esse é um aspecto fundamental. Gente que tem problema em honrar com seus compromissos é gente que não tem palavra. E se não tem palavra, o “te amo” pode ser vazio, como qualquer outra promessa. Quem cumpre o que promete é digno de confiança.

Cuida de você – Cuidar não é o mesmo que ter ciúme enlouquecedor. Também não tem nada a ver com fazer papel de pai ou mãe. Cuidar é respeitar, proteger, amparar, acolher, abraçar, ouvir… A pessoa que cuida está sempre por perto. E não abandona mesmo quando você está doente, aborrecida, chata.

Prefere a sua companhia – Manter certa individualidade, preservar amizades, ter tempo para você, para a família e para os amigos são atitudes fundamentais inclusive para a saúde do relacionamento. Entretanto,  quando a gente ama, é com a pessoa amada que a gente quer ficar.

Inclui você nos planos futuros – Pelo menos, pra mim, esse é um dos pontos mais importantes. Quando a gente ama muito uma pessoa, quer essa pessoa com a gente. Pra sempre. Você sonha, mas seus sonhos incluem o outro. Nos seus sonhos, esse alguém participa, está junto. Se a pessoa que diz “te amo” não possui projetos que incluem você, não divide os projetos dela contigo, sinto lhe informar que esse amor é da boca pra fora. 

Casamento é pacto de amor

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Muita gente se casa com ideias pré-concebidas. Alguns idealizam como será o relacionamento. Outros vislumbram os benefícios de ter alguém com quem dividir a vida – ou as contas.

Pessoas casam por diferentes motivos. O amor pode ser a principal razão. Porém, tem gente que “diz sim” por medo da solidão e até por conveniência.

Começar um casamento com a motivação errada aumenta e muito a chance de dar tudo errado. Se todo relacionamento é fadado ao fracasso, quando alguém se une a outra pessoa sem, de fato, estar de fato comprometido com o casamento, o divórcio se torna mais que uma possibilidade. 

Por sinal, casar-se considerando a alternativa do divórcio é um dos maiores erros que uma pessoa pode cometer. Quem “diz sim” pensando que, se não der certo, é só se separar… Quem pensa assim, não deveria se casar. 

Sabe, o casamento é um pacto de amor. Quem se casa deve assumir a responsabilidade por fazer dar certo. Coisas ruins podem acontecer na caminhada juntos? Sim. Pode surgir a vontade de abandonar a relação? Sim. Ninguém está imune aos problemas que aparecem na convivência a dois; muito menos está imune a outras paixões. Ainda assim, quando alguém se dispõe a casar, precisa estar comprometido, necessita ter uma aliança com o outro a fim de lutar de todas as maneiras para preservar o relacionamento. E é nisso que prova o verdadeiro amor.

Cinco atitudes para ter um bom casamento

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A minha lista não é definitiva. Não é única. Eu poderia apresentar uma série de outros comportamentos que podem ajudar a ter um bom relacionamento. Porém, quando estamos falando de casamento, principalmente, creio que esses cinco aspectos fazem toda diferença.

Compromisso – Não dá para construir um casamento sem compromisso. E não estou falando de cobrar compromisso do outro. Estou falando da atitude individual. É preciso estar envolvido com o relacionamento, estar comprometido em fazer dar certo.

Motivação – A gente muito essa palavra no mundo dos negócios, porém, quando o assunto é casamento, ela é bastante apropriada. Estar motivado é estar disposto a agir. Sei que existem momento em que o desânimo bate à porta e dá vontade de “deixar a vida me levar”. Porém, no casamento, não dá para ser assim.

Perseverança e constância – A motivação é fundamental justamente para que a gente não desista. A gente investe hoje no casamento, investe amanhã, depois e depois. É assim que funciona. Tem que perseverar e ser constante. Não adianta agradar o parceiro um mês, pular o outro, voltar a cuidar no seguinte… Tem que ser perseverante e constante no compromisso de fazer dar certo.

Esforço – Nada que é bom se conquista sem esforço. Uma carreira de sucesso é resultado de muito trabalho. Um casamento feliz é resultado de muito esforço. Sem esforço, o relacionamento fracassa. Dá trabalho, mas vale a pena.

Amor – O amor é que garante disposição para tudo isso. Sem amor não tem compromisso, não tem motivação, não tem perseverança e nem esforço. O amor é que alimenta a disposição diária para apostar nossa vida num casamento. O amor possibilita o perdão, a tolerância, a paciência, a compreensão… E faz com que a cada dia a gente acredite que vale a pena investir no casamento.

Quais as diferenças entre amor e paixão?

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Inúmeros livros e filmes tratam do tema como se amor e paixão fossem a mesma. E não contribuem para esclarecer que existe diferença. A paixão pode se tornar amor. Mas nem sempre isso acontece.

Em muitas ocasiões, quando paixão e amor se confundem, as pessoas sofrem, se decepcionam e acabam perdendo a chance de viver a felicidade de uma vida a dois.

Mas, afinal, o que é a paixão? Nunca é simples definir as nossas emoções. Porém, dá para dizer que a paixão é aquela sensação maluca de que encontramos a alma gêmea. Cada dia parece único… A vida fica colorida, tudo é lindo, maravilhoso. A pessoa parece andar sobre nuvens, sonha acordada… E sente necessidade de ver o outro a cada segundo.

Essas sensações são bem conhecidas de quase todos nós. Quando você se apaixona por alguém, chega ter a impressão de que foi amor à primeira vista. Tem gente que não sabe se pula, se canta, se dança… A pessoa parece tomada de felicidade.

Quando a paixão bate forte, a pessoa muda. Já não sente mais necessidade de andar com as amigas, com os amigos… Todo tempo livre tem que ser dedicado ao amor de sua vida. O casal repete juras de amor eterno, declara que nunca poderão viver separados.

Acontece que o tempo passa… E se não houver reconhecimento de que mudanças (os corações se acalmam) fazem parte da dinâmica de todo relacionamento, a chance de terminar o romance de maneira desastrosa é bastante grande.

Algumas pessoas se casam sob efeito da paixão, mas sem conhecer o amor verdadeiro. Tomadas pela magia desse sentimento arrebatador, vão morar juntas, dividir uma vida… Aos poucos descobrem os defeitos, as limitações… Um parece já não representar mais novidade para o outro… E as únicas “novidades” são os defeitos que antes pareciam não existir.

É nessas horas que a gente descobre se existe amor ou se tudo não passa de paixão.

O amor é muito diferente da paixão. O amor sobrevive quando esfria a paixão. Sobrevive, porque você ama o outro, apesar dos defeitos. Você ama o outro pelo que o outro é, não pelo que você gostaria que ele fosse.

Você permanece ao lado, mesmo quando o outro se mostra vulnerável, porque o outro também vai te decepcionar algumas vezes… O outro também tem carências, o outro também fracassa, tem problemas familiares, perde promoções no emprego… Quando há amor, há compromisso com o outro e aceitação do outro em sua totalidade.

O amor é entrega, é paciência… É disposição para respeitar, tolerar, superar dificuldades junto com a pessoa amada. Amor é a capacidade de encarar com bom humor até mesmo as grandes quedas… e saber perdoar dia a dia.

A importância do toque no relacionamento

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Algumas coisas têm efeito indescritível no relacionamento. E uma delas é o toque. Não, não estou falando do toque na hora do sexo. Estou falando do toque ao longo do dia. O toque se traduz por um abraço demorado, um carinho nas mãos, uma massagem leve nos ombros…

É impressionante como, com o tempo, os casais vão abandonando determinados hábitos… Nos primeiros meses de paixão, parece haver uma necessidade absurda em grudar no outro. Passa a mão aqui, ali… Beija, abraça… Acontece que, nesse período, isso tem tudo a ver com tesão. Cada toque quer dizer uma coisa apenas: “quero ir pra cama com você!”.

Mas o tempo passa, a rotina nos afasta e os toques vão se tornando cada vez mais raros. E quando isso acontece, o romance também esfria. 

O toque é um afago ao coração. Quando a gente toca, a gente se aproxima, a gente demonstra se importar, querer bem. O toque acalma, faz sorrir… Não há romance que se sustente sem proximidade física. É preciso sentir a pele, o cheiro… Quando os toques são raros, a alma reclama. A carência se instala e o relacionamento, fragiliza. 

Por isso, em todo tempo e lugar, não esqueça de tocar o parceiro. Tocar com carinho, com gentileza… E não apenas quando quer sexo. Quando a gente se dispõe a manter-se próximo do corpo do outro, a intimidade na cama se torna consequência de uma relação que é alimentada diariamente. 

Apaixone-se por alguém que te inspire

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Envolver-se com alguém deve ser também resultado de uma escolha. Por mais que a paixão nos surpreenda e nos faça perder a cabeça, deveríamos ter um pouco mais de cautela antes de nos envolvermos com alguém. E um dos critérios fundamentais na escolha do parceiro é que seja capaz de nos inspirar.

Mas inspirar o quê? Talvez você queira me fazer essa pergunta. E a resposta é simples: inspirar você a ser melhor do que você é. A gente deve dividir a vida da gente com quem não apenas nos cause calafrios… O parceiro certo é aquele que faz você querer ser uma pessoa ainda melhor. Alguém te impulsione a lutar pelos seus sonhos, que te faça desejar crescer profissionalmente, relacionar-se melhor com a família e com os amigos, que te ajude a superar seus próprios limites…

Gente que inspira é gente que motiva, que te tira do conforto da mesmice. Quando a pessoa amada é esse tipo de pessoa, você sabe que tem apoio, que vai ter ombro amigo. Gente que critica, reclama, coloca defeito é incapaz de comemorar contigo os seus êxitos. Na vida, precisamos de pessoas que fiquem felizes com nossa felicidade. 

Gente que inspira não significa ser aquele tipo de pessoa que parece estar um degrau acima de você e que, por isso mesmo, te olha como alguém inferior. Tem que inspirar por manter atitudes de amor, de acolhimento, de gentileza, de respeito, de altruísmo, de generosidade… Generosidade que se revela também num olhar de cumplicidade e admiração por você. Você se inspira no outro… E o outro se inspira em você. Existe troca.

Parece difícil encontrar alguém assim? Talvez. Porém, quando nos contentamos com pouco, agredimos a nós mesmos e perdemos a chance de nos tornarmos fontes de inspiração para outros. Ter medos, ter dúvidas não rouba nossa beleza interior. O que nos faz pequenos é deixarmos o coração se envolver pela primeira carinha bonita que aparece.