As preocupações de cada dia

Não há dúvida que a vida não é nada fácil. Também é certo que a gente se preocupa com a saúde, com as finanças pessoais, com nosso relacionamento, com nossos filhos… Essa é a vida. Mas existe uma coisa que a gente precisa entender: para onde vão nossos pensamentos, vão também nossas energias e até mesmo nossas emoções.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, quando ocupamos demais nossos pensamentos com as preocupações, gastamos boa parte de nossas energias em situações que, muitas vezes, ainda não aconteceram e que outras tantas que não podemos resolver.

A maneira como reagimos diante dos problemas faz toda a diferença, inclusive no nosso humor. Enquanto estamos com os pensamentos ocupados pelas preocupações, deixamos de agir.

Apesar das preocupações, temos uma vida. Enquanto eu fico preocupado demais, posso estar deixando de cuidar bem do meu filho e isso vai gerar um outro problema amanhã. Enquanto eu gasto todas as minhas energias me preocupando com as contas do próximo mês, deixo de trabalhar de maneira satisfatória e isso pode me levar a perder o emprego amanhã, aumentando ainda mais os meus problemas. Enquanto fico preocupado pensando que, no fim do ano, vou receber a sogra, posso estar brigando com meu parceiro, minha parceira e desgastando meu relacionamento.

Então fica a dica: embora as preocupações sejam normais, procuremos nos concentrar no que temos em nossas mãos hoje.

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O medo impede o crescimento

O medo é uma das emoções que mais nos afetam. E, na política, quase sempre é uma estratégia para manutenção do poder por parte de quem já o possui. Isso faz parte da história recente do país.

Quase sempre, o medo funciona porque buscamos segurança. Temos medo do desconhecido. Na política ou na vida, o medo nos impede de crescer, de experimentar mudanças reais.

É sobre isso que falo neste novo vídeo.

A vergonha nossa de cada dia

vergonha
Enquanto descia o elevador, escutei duas senhoras conversando. Uma delas reclamava que facilmente sente frio. Nem é preciso cair muito a temperatura. O tempo mudou um pouco, já sente falta de uma blusinha. Por isso, conta que sempre tem uma na cadeira.

– Quando esfria um pouquinho, já está ali.

E continuou:

– Só não tenho coragem de sair na rua. Todo mundo sem manga e eu de blusa? Tenho vergonha.

Foi um papo à toa… Mas fiquei pensando na última frase dela: “tenho vergonha”. Um pouco mais ou um pouco menos, todo mundo sente vergonha. A minha personagem tem vergonha de colocar uma blusa e sair na rua num dia em que a maioria está com roupa de verão.

Tem gente que tem vergonha de falar em público. Tem gente que sente vergonha de pedir uma informação – parar o carro e perguntar onde fica determinada loja, banco etc vira um drama. Tem gente que, numa roda de amigos, não dá conta de expor sua opinião; prefere ficar em silêncio, apenas ouvindo. Tem gente que vê um parente fazendo uma coisa errada a vida inteira e sente vergonha de abordar a outra pessoa (não é porque receia ofender, é porque tem vergonha de falar).

Durante muito tempo, eu senti vergonha de escrever textos mais pessoais – como os de relacionamento, por exemplo (este, certamente nunca seria publicado). Escrevia apenas sobre fatos cotidianos com os quais lidava profissionalmente.

Mas por que isso acontece com a gente? Razão simples, bem simples: temos medo da avaliação alheia. Temos uma imagem a zelar. Não queremos nos expor. Certas coisas geram ansiedade, porque sabemos que o outro estará nos observando. Talvez até nos critique. Ou transforme nosso comportamento em motivo de riso, de piada. A maioria de nós não quer isso.

A vergonha está ligada a nossa insegurança. Olhamos para nós mesmos e não confiamos naquilo que fazemos ou somos. Pensamos que o outro é melhor que nós. Na verdade, entregamos para o outro a responsabilidade por promover ou destruir nossa autoestima. Se somos elogiados, ficamos bem; se somos criticados, sentimo-nos “o pior dos seres humanos”. Então, sair com de blusinha de manga num dia de calor faz com a pessoa se sinta vigiada, observada.

– Estou ridícula, talvez diria.

Nessas horas, não vale o bem-estar. Vale o que o outro pensa de mim. Atribuímos ao outro uma importância que ele não tem e diminuímos o nosso valor.

Sabe qual o problema disso? A perda da identidade, a perda de oportunidades. A gente se referencia pela vergonha, pela insegurança e temor da avaliação alheia, e deixa de fazer coisas. Não faz o que quer, faz o que pensa que o outro deseja que a gente faça. Isso acontece comigo. Acontece com quase todo mundo. Mas é justo com a gente? Parece-me que não.

Se somos todos iguais, acho que vale romper com nossos medos, rir de nós mesmos, aceitar os “micos da vida” e simplesmente vivermos. Afinal, não é autenticidade alheia o que mais invejamos?

Quando a vida nos escapa

Por situações que nem sempre se tem controle, muitas vezes não vivemos o aqui e agora. Simplesmente não se sente. Não se experimenta. O momento vivido nos escapa. O corpo está num lugar. A mente, noutro.

As pessoas mais felizes são aquelas que se ocupam do que realmente estão fazendo. São aquelas que não permitem que a realidade escape em função de uma outra possibilidade que apenas vislumbram.

Costumo brincar que não há nada pior que comer algo pensando noutro prato, noutro gosto. Acho que você sabe o que é isso. Você está diante de uma pizza deliciosa, mas deseja uma picanha na chapa. Não tem jeito… Por melhor que a massa esteja, não será devidamente saboreada.

Tem gente que vive assim. Vive, mas não vive. Afinal, que graça tem estar mas não estar? Tocar mas não sentir? Ouvir mas não escutar?

É verdade que nem sempre é possível. Às vezes as preocupações nos consomem. Entretanto, tem gente que simplesmente ignora o que tem e passa os dias vislumbrando o que não tem.

A pessoa está em casa, cercado da família, mas está com a cabeça noutro lugar. Passa o dia ali, mas não repara o que acontece – muito menos vive aquele momento.

Não percebe o movimento dos filhos, o sorriso da esposa, o toque roubado do namorado, a piada do amigo…

Tem aqueles que são capazes de ir pra cama com alguém idealizando outra pessoa, outra transa.

Tudo bem… Cada um vive como bem quer. No entanto, tenho aprendido que a vida é curta demais para deixarmos que se esvazie por projeções de um mundo irreal e não tocável.