Quem você segue?

Me apropriei deste título; estava numa meditação que li dias atrás. Embora o autor tenha apresentado uma reflexão distinta da que pretendo trazer pra você, o título me fez pensar nas pessoas tidas como importantes, pensadores ou mesmo nos canais de comunicação que seguimos.

Quem seguimos diz muito sobre o que pensamos. Embora nossas escolhas informativas sejam referenciadas em diversos elementos que nos levaram a ser quem somos hoje, aqueles a quem seguimos nos asseguram os argumentos ou as bases para vermos e analisarmos o mundo.

Eu diria que aqueles a quem seguimos nos fornecem as lentes pelas quais vamos ler os fatos e acontecimentos da vida (não dá para pensar bem, ter um bom repertório, referenciando-se no whatsapp e nas redes sociais).

Eu tenho algumas referências. A principal delas é Jesus Cristo. E aqui não falo de fé; falo do olhar dele para o mundo. A filosofia de Cristo, a maneira como tratou as pessoas, como lidou com os poderes da época são a minha principal referência. A partir dela, tenho outras que também aparecem na Bíblia, um livro surpreendente.

Fora do texto sagrado, há nomes que não podem ser negligenciados. Além de alguns filósofos gregos da antiguidade, me apoio em ideias de Sócrates, Aristóteles, Kant, Michel Foucault, Zygmunt Bauman entre outros.

As pessoas ou pensadores que sigo formam a base do meu próprio pensamento. Isso me ajuda a compreender o mundo, as relações sociais, as pessoas, o trabalho, a educação… E até mesmo fenômenos como a violência, o consumo, os relacionamentos humanos…

Se temos boas referências, aumentam as possibilidades de avaliarmos com mais clareza os movimentos da própria sociedade.

Essa é uma das principais razões de eu ter escolhido ser educador. Quando insisto com meus alunos para que busquem conhecer e tenham boas referências de pesquisa, faço isso não para me tomem como guia deles; faço isso, porque entendo que a sociedade que temos é reflexo do que somos. E se somos medíocres em conhecimento, logo construiremos uma sociedade com a nossa cara.

Portanto, também para você, meu caro leitor, fica aqui minha pergunta: quem você segue? Escolha bem a quem vai seguir. Saiba que suas referências vão assegurar a qualidade do seu pensamento e de suas análises do próprio mundo, auxiliando inclusive na tomada de decisões.

Anúncios

Sobram opiniões sobre os outros; faltam a respeito de nós mesmos

Frequentemente, temos opiniões muito bem definidas sobre o que as outras pessoas deveriam mudar nelas.

A gente tem imagens bem formadas sobre como deveriam ser as atitudes, a maneira de falar, o jeito de responder… Qual seria a forma correta de agir com o chefe, de tratar os amigos, de se comportar com o namorado, marido, mulher etc.

Também temos opiniões definidas a respeito de como deveriam trabalhar, qual o comprometimento com os estudos, como se portarem nas redes sociais…

Curiosamente, pensamos saber tudo que as outras pessoas teriam que fazer para serem melhores, porém, pouco sabemos a respeito de nós mesmos.

Na verdade, quase sempre pensamos que nos conhecemos. E justamente por acharmos que conhecemos nossas virtudes e também as falhas que possuímos, a lista das coisas que deveríamos mudar em nós é bem restrita – às vezes, se resume em comer menos, fazer exercícios, viajar mais…

As mudanças que entendemos necessárias em nós nem de longe se assemelham às que projetamos para os outros.

Isso mostra como pervertermos e invertemos as prioridades. Deveríamos lembrar que ninguém muda ninguém. Só podemos mudar a nós mesmos. Mas, para isso, o primeiro passo é olhar menos para o outro e voltarmos os olhos para descobrir quem de fato somos, quais nossas potencialidades e o que precisamos modificar para nos tornarmos o tipo de pessoa que achamos que os outros deveriam ser.

O conhecimento é resultado do esforço individual

A gente vive numa sociedade em que o dinheiro pode comprar tudo, exceto o conhecimento. É fato que o dinheiro pode até assegurar o acesso às melhores escolas, universidades e cursos. Porém, o saber adquirido é resultado do esforço individual.

Posso ter os melhores professores do planeta. Contudo, nunca serão capazes de transferir para mim o que eles sabem. Sou eu, e apenas eu, que posso adquirir o conhecimento. Para isso, preciso querer, desejar, me abrir e me empenhar em aprender.

Isso evidencia que o conhecimento é uma riqueza de outra natureza. Não se compra com dinheiro. Adquire-se por meio de uma atitude pessoal, individual! Não dá para transferir essa tarefa para um terceiro.

O conhecimento é fruto exclusivo de um esforço meu e de uma paixão que não se esgota.

E a paixão é necessária para o mover-se em direção ao saber. Porque o processo é desestabilizador, desgastante e requer uma energia que nem mesmo o trabalho demanda.

Só dá conta de acessar o conhecimento quem encontra prazer no mundo do saber. Quem compreende que esta é a maior riqueza humana, aquela que ninguém pode tirar.

Sabe o que é mais incrível? O conhecimento é o único patrimônio que, quanto mais é dividido, mais cresce. Eu não empobreço quando ensino. Eu enriqueço junto com quem aprende comigo. E o mundo se torna um lugar melhor para viver.

Quais são as barreiras para a participação dos pais na escola?

Embora todos reconheçam que o maior envolvimento dos pais com a escola seja produtivo para o desenvolvimento dos alunos, ainda existem descompassos nessa relação.

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, localizada em Baltimore (EUA), concluíram que as escolas geralmente não envolvem os pais por um problema relativamente simples: a percepção de que as famílias não querem se envolver. Ou seja, trata-se de uma pressuposição. Não há nada de concreto. Só uma imagem equivocada da realidade.

Karen Salinas, diretora de Comunicação do Centro de Escola, Família e Parcerias Comunitárias da universidade, afirma que os professores acreditam que as famílias não querem se envolver quando, na verdade, as famílias não sabem como fazer isso.

Os pais, às vezes, hesitam porque não têm tempo extra, sentem-se intimidados e acreditam que não são bem-vindos. Como os pais tiveram experiências bem diferentes no passado, quando eram alunos, não conseguem entender como, efetivamente, poderiam participar do cotidiano escolar.

Apesar dessas barreiras tanto as escolas quanto os pais querem que o relacionamento melhore. Afinal, os principais beneficiados são os alunos.

Então… o que fazer?

Por parte da escola, é estratégico mudar a comunicação com os pais. Deixar claro que são bem-vindos e, principalmente, explicar como podem se envolver. Os pais precisam compreender o que a escola define como envolvimento e o que significaria a presença deles na rotina escolar.

Da parte dos pais, se a escola não tomar a iniciativa, é recomendável procurar a coordenação e explicitar que desejam participar e querem saber como. Certamente, a atitude irá abrir o diálogo, e o desenvolvimento educacional das crianças será positivamente impactado.

Aproveite o presente, mas não ignore o amanhã

Viver de olho no futuro deixando de viver o presente é um grande erro que podemos cometer. Outro ainda maior é viver o hoje não se preparando para o amanhã.

Não é fácil encontrar o equilíbrio, claro. Mas é necessário. Afinal, investir todas as energias no futuro pode fazer com que você simplesmente deixe de viver o presente. E curtir apenas o hoje pode fazer com que você não tenha amanhã.

Como a gente faz isso? Ou seja, como encontramos o equilíbrio?

Eu diria que a gente encontra o equilíbrio descobrindo o que é prioridade para cada um de nós. E, ao fazer isso, usando bem o tempo.

Viver bem o hoje, aproveitando a vida agora, não significa desperdiçar tempo.

Por exemplo, precisamos nos divertir, nos distrair. Mas existe alguma justificativa para alguém passar uma ou duas horas diante da tela de um celular navegando pelas redes sociais?

Parece-me que isso está bem distante da ideia de se aproveitar bem a vida presente.

E o que dizer de quem assiste temporadas inteiras das séries preferidas num único fim de semana?

Repito, isso não tem nada a ver com aproveitar o hoje.

Isso é jogar tempo fora.

E jogar tempo fora é jogar aprendizado fora; é jogar dinheiro fora; é jogar o futuro fora. São horas desperdiçadas que poderiam ser investidas na preparação de algum projeto específico, no desenvolvimento de habilidades emocionais e profissionais, na aquisição de um novo conhecimento…

Sem contar o investimento que pode ser feito na saúde, com atividade física, o preparo de uma alimentação mais adequada… E até o cuidado com as pessoas que a gente ama e que, por vezes, são ignoradas ao longo de nossos dias.

Portanto, entenda uma coisa: quem vive bem de fato o presente é quem aproveita o melhor dos seus dias, administrando o tempo… Fazendo o que é obrigação, também divertindo, mas plantando sementes que permitirão uma boa colheita amanhã.

Aprender com os erros…

Precisamos aprender com os erros… Nossos e dos outros.

Eles nos ensinam.

Como fazem parte da caminhada, podemos viver lamentando nossas quedas ou criticando as falhas alheias… Ou podemos observar o que motivou os erros e desenvolver estratégias para que não aconteçam mais ou não sejam repetidos por nós.

Quase todos os dias, a gente encontra pessoas se lamentando pelas bobagens que fizeram. Sentir tristeza ou arrependimento, é normal. Mas ninguém corrige o passado.

Porém, quando erramos, a vida nos dá oportunidade de refletir sobre o aconteceu e, com isso, aperfeiçoarmos nossas práticas, tornarmos nossa vida melhor.

Eu vejo, por exemplo, muitos alunos que, ao final de um ano, ficam de exame, passam sufoco para conseguir a aprovação e, às vezes, até reprovam. No ano seguinte, tudo acontece de novo. E acontece porque as práticas que levaram ao fracasso seguem sendo as mesmas.

Mas existe um quadro ainda mais interessante. Você já deve ter conhecido alguém que apontou o erro alheio e, tempos depois, foi pego fazendo a mesma coisa. Lembrou de alguém?

Talvez você diria “eu mesmo já fiz isso”. Eu já fiz.

Por que isso ocorre com a gente? Porque nem sempre nos dispomos a aprender com o erro do outro. O erro cometido por outra pessoa também pode nos ensinar.

Temos a chance de observar o que motivou o problema, quais as consequências e até o que poderia ser feito para evitá-lo.

Uma vida com sabedoria é uma vida de aprendizagem constante. É isso que permite o nosso desenvolvimento e uma existência mais feliz.

Como desenvolver a criatividade?

A criatividade é um enorme diferencial na vida das pessoas. Quem é criativo parece ser capaz de ir mais longe, de fazer diferente, de fazer melhor.

Mas, diferente do que muita gente pensa, a criatividade não é atributo apenas de alguns privilegiados. Ou da área artística, por exemplo.

Todos nós nascemos com potencial para o desenvolvimento da criatividade.

O que faz toda diferença é a maneira como administramos a vida. E em especial, como educamos nossos filhos.

Por exemplo, fazer tudo sempre do mesmo jeito é um hábito nocivo para o desenvolvimento da criatividade.

E isso vale inclusive para coisas bobas, como, por exemplo, o trajeto que fazemos de casa à escola das crianças.

Se a gente altera a rotina de vez em quando, provoca na criança a surpresa, o questionamento: “por que viemos por aqui?”.

Isso parece bobo, mas, no cérebro da criança, esse pequeno incômodo, provoca a dúvida e a cabecinha dela se abre para uma nova percepção da realidade.

Na escola, funciona do mesmo jeito. Se a dinâmica de aula é sempre a mesma: o professor fala e a criança precisa o tempo todo absorver apenas o que é falado para, depois, na prova, devolver esse conteúdo do jeitinho que foi apresentado em sala, como vai desenvolver a criatividade?

Se, na escola, nossas perguntas só pedem uma resposta e só existe uma resposta correta, os alunos internalizam isso. Tudo mais deixa de ter valor, pois só há uma única maneira de fazer as coisas.

Por outro lado, se o ambiente é dialógico, rico em experiências, se são permitidas outras estratégias para se chegar a um resultado, a criança internaliza essa polifonia.

E o que acontece? O cérebro se abre. Assimila-se uma visão coletiva. As várias formas de entender o mundo tornam a minha visão mais rica. Ampliam-se os critérios e capacidades de dar respostas novas para problemas novos ou antigos.

Portanto, preste atenção nisso, não existem pessoas criativas e pessoas não criativas. Existem pessoas com níveis diferentes de desenvolvimento de criatividade.

Nosso desafio é proporcionar em casa e na escola um ambiente favorável para o desenvolvimento dos recursos internos que vão assegurar a capacidade de dar respostas criativas a própria vida e aos problemas enfrentados no cotidiano.

Alunos brasileiros não possuem habilidades socioemocionais

Os números do Brasil são pífios em avaliações internacionais a respeito da qualidade da educação. Passamos vergonha! Sempre.

No Pisa, que é uma avaliação que reúne 70 países, o Brasil ficou na 63ª colocação em ciências, na 59ª em leitura e na 65ª em matemática.

Esses resultados já são conhecidos há algum tempo. O que ainda não sabíamos é que, além de errar muito, parte expressiva dos alunos brasileiros sequer termina a prova. E mais, enquanto um aluno da Finlândia demora um minuto para ler e resolver uma questão, o aluno brasileiro demora três minutos.

Até nossos vizinhos na América do Sul são mais eficientes. Um aluno colombiano, por exemplo, leva dois minutos para resolver cada pergunta.

Um estudo realizado pelo Ph.D em Economia, Naercio Menezes, identificou que não apenas falta conhecimento e há falhas no aprendizado do conteúdo do aluno brasileiro.

Por aqui, a garotada também não possui as chamadas habilidades socioemocionais – por exemplo, perseverança, motivação e resiliência.

A moçadinha desiste fácil, não tem disposição para lutar, tentar, resistir diante das dificuldades.

E, neste aspecto, as famílias têm enorme responsabilidade. As escolas podem ajudar no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Porém, tudo começa em casa. Pais que não ensinam seus filhos a lidar com frustrações, a resolver os próprios problemas…

Pais que protegem demais, criam filhos frágeis.

O reflexo disso ocorre no processo de aprendizagem. Diante dos inúmeros desafios do ato de aprendizagem, a garotada desiste. Crianças, adolescentes e jovens querem o caminho mais fácil.

Acontece que essa moçadinha que não tem perseverança, motivação e resiliência vai ter problemas na vida adulta. Serão profissionais pequenos, mesquinhos e, por vezes, medíocres. Além disso, estarão mais sujeitos ao desemprego, a informalidade, a criminalidade e ao uso de drogas.

Podcast da Band News.