Coloque seu cérebro para funcionar

As pesquisas a respeito do cérebro têm descoberto coisas incríveis. E uma das coisas lindas sobre o cérebro é a capacidade de continuar se expandindo durante toda a vida.

No passado, acreditava-se que, no início da fase adulta, o cérebro parava de se desenvolver. Hoje sabemos que, até o fim da vida, podemos continuar aprendendo coisas novas, podemos adquirir novas habilidades.

Entretanto, as pesquisas também descobriram que, as conexões neurais são como linhas de ônibus: “quando não há quantidade suficiente de tráfego e de passageiros, elas são suspensas” (J. B. CARVALHO). As chamadas sinapses são as pontes construídas entre os neurônios para transmitir informações. Se não estimulamos essas conexões, elas param. E pequenas áreas no nosso cérebro ficam inativas.

São os hábitos que cultivamos que mantêm essas linhas de conexão em funcionamento. E podem estimular inclusive outras conexões. Porque, ainda utilizando a metáfora das linhas de ônibus, novas demandas de tráfego podem estimular a criação de novas linhas de transporte de passageiros.

É assim com nosso cérebro. Quanto mais o estimulamos, mais se expande. Quanto menos estimulamos, mais se acomoda e envelhece.

E como estimular? Buscando aprender coisas novas sempre. Detalhe, o aprendizado deve causar certo incômodo inicial. Se fazemos algo com muita facilidade, significa que o caminho já é conhecido pelo cérebro. As novidades que tentamos assimilar geram estranhamento e colocam os neurônios para funcionar.

Por isso, quer ter seu cérebro sempre ativo e jovem? Aprenda coisas novas. Experimente fazer música, pintura, teatro, dança… Leia sempre – e sobre diferentes assuntos (se ama romances, não fique apenas neles; experimente outras leituras) -, faça exercícios físicos que te desafiem, atreva-se a criar pratos novos na cozinha, escolha caminhos alternativos para as mesmas rotas diárias do trânsito, faça cursos em áreas desconhecidas… Não se preocupe se as coisas serão úteis do ponto de vista profissional; invista em ter uma mente renovada, ativa e isso fará a diferença em todas as áreas da vida.

Preparação sem ação é inútil

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Talvez um dos principais motivos de falharmos na busca de nossos sonhos seja permanecermos nos preparando e deixarmos de agir.

Preparar-se para um projeto e até mesmo para exercer uma determinada função numa empresa, ou quem sabe para certa carreira, é o mínimo que se espera de alguém que queira cumprir com excelência o seu trabalho.

A preparação também é fundamental para quem deseja ter um bom relacionamento, ser bom pai, boa mãe….

Ou seja, ninguém faz nada bem e nem alcança o sucesso desejado se não tiver se preparado para aquilo.

Entretanto, muita gente se ilude achando que, em algum momento, se sentirá e estará totalmente pronto. “A preparação não significa o conhecimento de todos os fatos”.

É um enorme erro pensar que haverá um momento em que você estará pronto. Ninguém nunca está totalmente pronto para o novo. O novo traz o inesperado, o incerto…

Se você esperar estar pronto para ser músico, para ser um cantor, para começar o próprio negócio ou mesmo para pedir aquela moça em casamento, você nunca vai se mexer…

É necessário ter em mente que o primeiro passo sempre será um salto no escuro!

Embora o planejamento, o treinamento, os estudos para um determinado projeto seja importante, é necessário ter a ousadia de começar.

O investimento na preparação deve ter a função de promover a confiança e motivar a ação.

O que torna a escola relevante hoje?

Nos últimos anos, ganhou força, principalmente no Ensino Médio, a ideia de que a escola deve focar no conteúdo. Estudar, estudar, estudar. E estudar pra quê? Para passar no vestibular, ter excelente nota no Enem… Enfim, garantir uma vaga na universidade e, consequentemente, uma profissão. A proposta não é de toda ruim. Afinal, quem não quer ver o filho numa excelente faculdade?

Porém, há alguns problemas nessa tese. O primeiro deles é bem “básico”: quem aí tem alguma ideia de como será a vida daqui a 10 ou 15 anos? A chamada quarta revolução industrial é uma realidade e inúmeras profissões estão acabando. Em virtude das tecnologias digitais, o desenvolvimento da inteligência artificial, economia, saúde, sistemas de governo estão sofrendo e sofrerão mudanças nunca imaginadas. Além disso, é imperativo aprender coisas novas todos os dias e abandonar atividades sedimentadas, abrindo-se para um mundo que se cria e recria a cada dia. Portanto, uma escola voltada para o ensino profissional é uma escola descartável.

A importância da escola se revela noutros aspectos. A geração atual é carente de experiências. Experiências que muitos de nós, que já passamos dos 40 anos, tivemos a oportunidade de vivenciar. Seja pelas brincadeiras com os amigos, o cuidado dos irmãos mais novos, a presença dos pais – inclusive de forma disciplinar… Ou mesmo o trabalho, ainda na adolescência, que nos ensinou a respeitar rotinas, hierarquias, cumprir deveres, cumprir obrigações e, principalmente, ouvir inúmeros “nãos”.

Além disso, a própria escola proporcionava uma experiência agregadora. A gente estudava, mas também brincava, participava de campeonatos interclasses… Eu recordo que, no meu colégio, cheguei a cultivar uma horta com um grupo de amigos. Ou seja, a gente não vivia sob a pressão de garantir uma vaga na universidade. Sem contar que todas essas outras vivências e relações nos permitiam uma maturidade que não encontramos entre os meninos e meninas de hoje.

Hoje, nossa moçadinha tem uma vida completamente diferente. E, embora possuam um preparo escolar bastante significativo (além de todas habilidades tecnológicas), são carentes de experiências afetivas, éticas, morais. Faltam aos adolescentes valores como empatia, cooperação, liderança, cautela, tolerância… Na prática, se a escola não tiver uma proposta pedagógica que contemple estratégias que desenvolvam habilidades sócio-emocionais, não haverá outro lugar para que isso ocorra.

É a educação que nos faz humanos

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Quando uma formiga nasce, às características genéticas dela determinam todas as suas ações. Nada do que faz durante toda sua existência será diferente daquilo que nasceu programada para fazer. Uma formiga terá o mesmo comportamento de todas as outras de sua espécie. E, para executar com excelência suas “tarefas”, em nenhum momento, passará por algum treinamento ou processo de educação.

O que acontece com uma simples formiga também se repete com todas as outras espécies de insetos, aves, animais. É fato que alguns deles são domesticados, treinados e desenvolvem habilidades que podem ser úteis às pessoas. Porém, a natureza dotou os bichinhos do conhecimento necessário para que façam o que precisam fazer, inclusive para sobreviverem . Nada e ninguém precisa ensinar uma formiga a ser formiga, um gato a ser gato, um leão a ser leão, uma águia a ser águia… Mas, nós, homens e mulheres, precisamos ser ensinados a sermos humanos.

Somos a única espécie animal que depende totalmente do outro inclusive para sobreviver. É fato que sabemos algumas coisas quando nascemos: sabemos chorar para nos defender e para pedir ajuda, sabemos chorar para pedir comida… Entretanto, é a educação que nos faz gente. Se o processo educativo, inclusive formal, fosse interrompido e se perdêssemos todo o saber acumulado ao longo de milhares anos, voltaríamos às cavernas.

O ser humano precisa ser ensinado. E embora os primeiros anos de vida sejam suficientes para que a gente saiba as formas básicas de convivência, como a comida chega na mesa e até como preservamos nossa saúde, também somos o único animal que precisa aprender sempre. No nosso mundo, diferente do mundo dos outros bichos, conforme o tempo passa, inúmeras coisas mudam e precisamos aprender a lidar com as novidades. Além disso, muitas dessas mudanças são provocadas justamente pelos novos conhecimentos produzidos com base em todo saber já acumulado.

Mas vai além… A a educação que nos faz crescer inclusive no respeito aos outros de nossa própria espécie. Os saberes desenvolvidos pela filosofia, sociologia, antropologia, psicologia etc. nos ajudam a lidar com as emoções, fazem-nos compreender a diversidade de pensamentos, ideias… Permite-nos o respeito, a tolerância, A compreensão do outro como igual, mesmo sendo de raça, gênero ou classe social diferente.

Se nos negamos a aprender, sofremos diferentes tipos de exclusão. Uma delas é a própria falta de trabalho, algo fundamental para a nosso bem-estar, para assegurar os recursos para vivermos de maneira digna. Mas o pior mesmo é que, quando nos fechamos para o aprendizado, rejeitamos o que há de mais humano em nós: o processo de desenvolvimento constante.

Aprender sempre é imperativo. É por meio do eterno aprendizado que respondemos às novas demandas do mercado de trabalho, às inovações tecnológicas e até desenvolvemos nossas formas de convivência com outras pessoas. Fechar-se para o aprendizado é retornar à barbárie.

Se entra lixo, sai lixo!

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O escritor Austin Kleon, autor de alguns best-sellers, lembra que “você não pode escolher sua família, mas pode selecionar seus professores e amigos, a música que escuta e os livros que lê e os filmes aos quais quer assistir”.

A afirmação vai ao encontro de um temas mais recorrentes em minhas aulas e meus textos: as pessoas com as quais a gente convive, as coisas que a gente lê, ouve e vê formam o que somos.

Não temos controle de uma série de coisas. Inclusive não podemos escolher a nossa família. Você não escolhe quem será o seu pai, sua mãe, o tio, o irmão… Não dá nem pra escolher o cunhado.

Mas podemos escolher nossos amigos, nossos mentores intelectuais… E principalmente podemos controlar os conteúdos que consumimos.

Gente, não existe milagre: nós somos o conjunto de relações que estabelecemos com o mundo, com as pessoas e com as ideias que assimilamos em livros, filmes, séries, reportagens no rádio, televisão… Vídeos no YouTube, posts no Facebook, Instagram… Até as mensagens que consumimos no Whatsapp formam a base das nossas ideias.

Eu brinco com meus alunos que “a gente só tira do saco aquilo que tem no saco”. A provocação é pra lembrar que se queremos ter ideias interessantes, criativas… Se queremos ter um repertório admirável, precisamos consumir bons livros, bons filmes, seguir gente inteligente na internet e tirar todo o lixo que se apresenta diante de nós.

Se entra lixo, sai lixo.

Devemos sempre lembrar que nós seremos tão bons quanto as coisas que consumimos e das quais nos cercamos.

“Tornamo-nos, neurologicamente, o que pensamos”

Durante muitos anos, a ciência dizia que nosso cérebro se desenvolvia até a fase adulta e, depois, não mudava mais. Noutras palavras, uma vez formado, nada mais se modificaria no cérebro.

Nos últimos 50 anos, porém, o conhecimento sobre o cérebro sofreu uma revolução. Hoje, sabemos que, embora o envelhecimento tenha seus efeitos, o cérebro sofre modificações constantes, basta ser treinado para isso.

A chamada plasticidade neural trouxe esperança. Não há um determinismo genético, por exemplo, que impeça a aquisição de novas habilidades, tampouco que nos faça a ter sempre os mesmos comportamentos.

“Mesmo cérebros velhos podem aprender truques novos”, afirma o pesquisador Nicolas Car.

Segundo ele, inclusive a anatomia do cérebro é modificada por nossas práticas cotidianas. Pessoas que fazem a mesma coisa todos os dias, repetidamente (um motorista de táxi, por exemplo), podem ter áreas do cérebro com tamanho diferente. Isso, em função do desenvolvimento de habilidades específicas adquiridas pela atividade que exercem.

Vale o mesmo para músicos, compositores, atletas etc.

Isso explica por que, com o tempo, essas pessoas parecem tornar muito fáceis atividades que para a maioria das pessoas é bastante difícil. Na prática, o cérebro delas já assimilou essas funções.

Mas a neuroplasticidade descobriu outras coisas. “Nossos padrões de pensamento afetam a anatomia do cérebro”. Isso quer dizer que as imagens que projetamos sobre fatos cotidianos, sobre pessoas, mudam o cérebro.

O professor Nicolas Car afirma que “nossos pensamentos podem exercer uma influência física sobre o nosso cérebro, ou ao menos causar uma reação física”. Em resumo, “tornamo-nos, neurologicamente, o que pensamos”.

Gente que tem uma imagem ruim de si transforma-se na pessoa que o cérebro projeta.

A ciência tem provas de que nossas práticas cotidianas e mesmo nossos pensamentos modificam nosso cérebro. Muitas das nossas pseudo limitações, não seriam limitações se não tivéssemos ensinado nosso cérebro a ser limitado.

Portanto, caro/a leitor/a, fica aqui um convite… Compreender melhor o funcionamento do cérebro e a ciência da neuroplasticidade pode nos auxiliar a reprogramar nossos pensamentos e até mesmo nos libertar de vícios e, por outro lado, adquirir habilidades que nos permitirão fazer coisas diferentes e inovadoras.

Aprendendo com Paulo Freire: todo professor é um pesquisador

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Ensinar exige pesquisa. Segundo Paulo Freire, ninguém é capaz de ensinar, de forma relevante, sem empenhar-se na busca, nas indagações, na bela tarefa de procurar saber se há mais informações, e informações importantes, sobre o tema a respeito do qual se pretende ensinar.

Essa ideia é maravilhosa! É aplicável não apenas ao campo da educação, do ensino na sala de aula.

O educador brasileiro coloca diante de nós uma premissa preciosa e que nos ajudaria a romper, inclusive, com a quantidade absurda de mentiras que circulam no WhatsApp e nas redes sociais.

Eu não sei se você percebe, mas quando compartilha um conteúdo com alguém, o que você intenciona é ensiná-lo sobre aquele tema. Frequentemente, do outro lado, quem lê ou vê o conteúdo reforça ou assimila uma certa visão de mundo. Ou seja, existe ali uma dinâmica de ensino e aprendizagem.

Já pensou se essa prática cotidiana de ensino, na sala de aula ou fora dela, fosse permeada pelo desejo constante de aprender e saber mais sobre o assunto a fim de oferecer um conhecimento mais completo aos alunos e às pessoas, de modo geral?

Paulo Freire chama isso de “curiosidade epistemológica” – uma curiosidade constante, uma vontade profunda de saber mais sempre para ensinar melhor.

Para o educador, a pesquisa é intrínseca à prática docente. Como professor, eu pesquiso para conhecer o que não conheço, pesquiso para conhecer mais e assim posso comunicar e anunciar as novidades.

Aprendendo com Paulo Freire: três lições

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A atualidade do pensamento de Paulo Freire está diretamente relacionada à capacidade do educador de compreender que o ensino precisa vincular-se à realidade das pessoas. Ou seja, os métodos e conteúdos devem dialogar com o que o aprendiz vive aqui e agora. Não existe em Paulo Freire uma receita, uma forma única de fazer educação. Faz-se educação partindo-se do mundo real, das experiências do professor e do aluno.

Outro aspecto que assegura a atualidade do pensamento de Paulo Freire é a importância dada à associação entre teoria e prática.

Ele afirma:

“A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática, ativismo”.

Confesso que quando leio isso e lembro dos críticos de Paulo Freire, tenho o desejo de questionar: cara, você não consegue ver o quanto as ideias dele são sensatas?

Veja só, caro amigo, o primeiro aspecto que emerge dessa afirmação de Paulo Freire é que toda teoria sem aplicação prática é vazia. Note, qual é uma das constantes críticas feitas pelos alunos ao que acontece em sala de aula? O ensino da teoria sem a prática.

Muito do que se ensina na escola não é aprendido porque o aluno não consegue relacionar ao mundo da vida, ao que se experimenta nas práticas cotidianas. São teorias vazias. Ou, como diz Paulo Freire, uma teoria sem prática acaba virando blablablá.

Por outro, práticas sem teorias não passam de ativismo. Quando não existe uma teoria para embasar as práticas, corre-se o risco de fazer sempre as mesmas coisas sem desenvolvimento, sem crescimento. A teoria permite o repensar constante das práticas, levando à ações inovadoras.

Um terceiro e último aspecto da afirmação de Freire é que ele sustenta a necessidade de uma reflexão crítica nessa relação teoria/prática.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, mesmo havendo a associação entre teoria e prática, é fundamental sustentar uma atitude crítica desse processo. Quando se reflete criticamente sobre teoria e prática, é possível notar os acertos e equívocos. Isso permite inclusive a revisão ou mesmo o abandono de determinadas teorias e práticas.

Afinal, a vida é movimento. E ensino e aprendizagem devem vincular-se ao mundo real, inclusive com suas contradições.