“Tornamo-nos, neurologicamente, o que pensamos”

Durante muitos anos, a ciência dizia que nosso cérebro se desenvolvia até a fase adulta e, depois, não mudava mais. Noutras palavras, uma vez formado, nada mais se modificaria no cérebro.

Nos últimos 50 anos, porém, o conhecimento sobre o cérebro sofreu uma revolução. Hoje, sabemos que, embora o envelhecimento tenha seus efeitos, o cérebro sofre modificações constantes, basta ser treinado para isso.

A chamada plasticidade neural trouxe esperança. Não há um determinismo genético, por exemplo, que impeça a aquisição de novas habilidades, tampouco que nos faça a ter sempre os mesmos comportamentos.

“Mesmo cérebros velhos podem aprender truques novos”, afirma o pesquisador Nicolas Car.

Segundo ele, inclusive a anatomia do cérebro é modificada por nossas práticas cotidianas. Pessoas que fazem a mesma coisa todos os dias, repetidamente (um motorista de táxi, por exemplo), podem ter áreas do cérebro com tamanho diferente. Isso, em função do desenvolvimento de habilidades específicas adquiridas pela atividade que exercem.

Vale o mesmo para músicos, compositores, atletas etc.

Isso explica por que, com o tempo, essas pessoas parecem tornar muito fáceis atividades que para a maioria das pessoas é bastante difícil. Na prática, o cérebro delas já assimilou essas funções.

Mas a neuroplasticidade descobriu outras coisas. “Nossos padrões de pensamento afetam a anatomia do cérebro”. Isso quer dizer que as imagens que projetamos sobre fatos cotidianos, sobre pessoas, mudam o cérebro.

O professor Nicolas Car afirma que “nossos pensamentos podem exercer uma influência física sobre o nosso cérebro, ou ao menos causar uma reação física”. Em resumo, “tornamo-nos, neurologicamente, o que pensamos”.

Gente que tem uma imagem ruim de si transforma-se na pessoa que o cérebro projeta.

A ciência tem provas de que nossas práticas cotidianas e mesmo nossos pensamentos modificam nosso cérebro. Muitas das nossas pseudo limitações, não seriam limitações se não tivéssemos ensinado nosso cérebro a ser limitado.

Portanto, caro/a leitor/a, fica aqui um convite… Compreender melhor o funcionamento do cérebro e a ciência da neuroplasticidade pode nos auxiliar a reprogramar nossos pensamentos e até mesmo nos libertar de vícios e, por outro lado, adquirir habilidades que nos permitirão fazer coisas diferentes e inovadoras.

Aprendendo com Paulo Freire: todo professor é um pesquisador

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Ensinar exige pesquisa. Segundo Paulo Freire, ninguém é capaz de ensinar, de forma relevante, sem empenhar-se na busca, nas indagações, na bela tarefa de procurar saber se há mais informações, e informações importantes, sobre o tema a respeito do qual se pretende ensinar.

Essa ideia é maravilhosa! É aplicável não apenas ao campo da educação, do ensino na sala de aula.

O educador brasileiro coloca diante de nós uma premissa preciosa e que nos ajudaria a romper, inclusive, com a quantidade absurda de mentiras que circulam no WhatsApp e nas redes sociais.

Eu não sei se você percebe, mas quando compartilha um conteúdo com alguém, o que você intenciona é ensiná-lo sobre aquele tema. Frequentemente, do outro lado, quem lê ou vê o conteúdo reforça ou assimila uma certa visão de mundo. Ou seja, existe ali uma dinâmica de ensino e aprendizagem.

Já pensou se essa prática cotidiana de ensino, na sala de aula ou fora dela, fosse permeada pelo desejo constante de aprender e saber mais sobre o assunto a fim de oferecer um conhecimento mais completo aos alunos e às pessoas, de modo geral?

Paulo Freire chama isso de “curiosidade epistemológica” – uma curiosidade constante, uma vontade profunda de saber mais sempre para ensinar melhor.

Para o educador, a pesquisa é intrínseca à prática docente. Como professor, eu pesquiso para conhecer o que não conheço, pesquiso para conhecer mais e assim posso comunicar e anunciar as novidades.

Aprendendo com Paulo Freire: três lições

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A atualidade do pensamento de Paulo Freire está diretamente relacionada à capacidade do educador de compreender que o ensino precisa vincular-se à realidade das pessoas. Ou seja, os métodos e conteúdos devem dialogar com o que o aprendiz vive aqui e agora. Não existe em Paulo Freire uma receita, uma forma única de fazer educação. Faz-se educação partindo-se do mundo real, das experiências do professor e do aluno.

Outro aspecto que assegura a atualidade do pensamento de Paulo Freire é a importância dada à associação entre teoria e prática.

Ele afirma:

“A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática, ativismo”.

Confesso que quando leio isso e lembro dos críticos de Paulo Freire, tenho o desejo de questionar: cara, você não consegue ver o quanto as ideias dele são sensatas?

Veja só, caro amigo, o primeiro aspecto que emerge dessa afirmação de Paulo Freire é que toda teoria sem aplicação prática é vazia. Note, qual é uma das constantes críticas feitas pelos alunos ao que acontece em sala de aula? O ensino da teoria sem a prática.

Muito do que se ensina na escola não é aprendido porque o aluno não consegue relacionar ao mundo da vida, ao que se experimenta nas práticas cotidianas. São teorias vazias. Ou, como diz Paulo Freire, uma teoria sem prática acaba virando blablablá.

Por outro, práticas sem teorias não passam de ativismo. Quando não existe uma teoria para embasar as práticas, corre-se o risco de fazer sempre as mesmas coisas sem desenvolvimento, sem crescimento. A teoria permite o repensar constante das práticas, levando à ações inovadoras.

Um terceiro e último aspecto da afirmação de Freire é que ele sustenta a necessidade de uma reflexão crítica nessa relação teoria/prática.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, mesmo havendo a associação entre teoria e prática, é fundamental sustentar uma atitude crítica desse processo. Quando se reflete criticamente sobre teoria e prática, é possível notar os acertos e equívocos. Isso permite inclusive a revisão ou mesmo o abandono de determinadas teorias e práticas.

Afinal, a vida é movimento. E ensino e aprendizagem devem vincular-se ao mundo real, inclusive com suas contradições.

Aprendendo com Paulo Freire: não sou dono da verdade

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O professor Paulo Freire foi um educador brilhante. O mundo da educação segue aprendendo com seus ensinos. E não apenas o mundo da educação. Paulo Freire pensava a educação tendo como referência a própria pessoa e a sociedade em que ela vive. Por isso, quando lemos as obras desse grande professor, temos ensinos para a vida.

Ainda ontem, ao reler alguns de seus textos, encontrei um pensamento que compartilho por aqui. O educador sustentava a importância de marcarmos nossas posições, mas de respeitarmos as posições dos outros.

Disse ele:

Se de um lado não posso me adaptar ou me “converter” ao saber ingênuo dos grupos populares, de outro, não posso, se realmente progressista, impôr-lhes arrogantemente o meu saber como verdadeiro.

Lindo isso, né?

Paulo Freire sustenta aqui uma de suas práticas de vida. Afirma que não pode simplesmente se adaptar ou se converter a um tipo de saber que ele considera ingênuo, vazio, desconectado da realidade. Entretanto, o educador lembra que, se ele é realmente um sujeito progressista, não pode impor o saber dele como verdadeiro.

Essa é a essência do pensamento democrático progressista: marcar seu posicionamento, mas nunca impor o seu saber como sendo a verdade. É necessário respeitar o saber alheio, ainda que seja ingênuo ou se tenha provas que o outro esteja errado.

Noutras palavras, eu não devo me adaptar e nem me converter ao outro, mas não me porto como sendo o dono da verdade e nem obrigo a outra pessoa a aceitar o que eu penso.

Já pensou como seria maravilhoso se todos nós reproduzíssemos essa máxima de Paulo Freire? Nossas relações seriam pacíficas, baseadas no respeito e na tolerância.

A urgência do ensino da leitura

Tenho defendido a urgência do ensino da leitura, de práticas que permitam a alfabetização plena, o desenvolvimento de habilidades de interpretação de um texto.

Nenhum outro aprendizado ocorre de maneira efetiva sem que a pessoa tenha capacidade de plena de ler e interpretar um texto.

Vejamos… Se um tenho nas mãos um livro de História do Brasil e não sou um leitor proficiente, certamente não vou entender tudo que o autor ou a autora relataram. Não se trata de falta de inteligência; trata-se de falta de habilidade para compreender o texto.

Vale a mesma regra para textos da Geografia, Matemática, Biologia… E também da Literatura.

É fato que um texto científico reúne conceitos que, por vezes, são desconhecidos. Mesmo uma pessoa plenamente alfabetizada encontrará dificuldades para interpretá-lo de maneira adequada. Será necessária uma leitura atenta, talvez ler duas ou três vezes, buscar textos de apoio, de comentadores daquele autor, para que haja a compreensão.

Esse movimento de busca de compreensão de um texto científico é normal. Quando a gente não tem conhecimento prévio dos conceitos abordados na obra, é impossível ler uma única vez e já saber o que foi discutido.

Entretanto, as leituras cotidianas – uma reportagem, por exemplo – deveriam ser simples para a maioria de nós. E, lamentavelmente, muita gente até acha que leu e entendeu. Porém, quando você pergunta para a pessoa sobre o fato central ou a respeito das principais ideias, é possível perceber equívocos na leitura, erros de interpretação que motivam uma visão deturpada do que estava escrito.

Portanto, a urgência do ensino da leitura objetiva preparar pessoas que possam compreender plenamente os relatos mais variados e tenham a possibilidade de, efetivamente, interpretarem os acontecimentos do cotidiano e até mesmo acessarem o conhecimento teórico e científico sem leituras enviesadas. Afinal, o conhecimento só é possível se os parâmetros básicos para a leitura das informações estiverem corretos.

É preciso ensinar a ler

Ao longo dos anos, a qualidade da leitura tem sido uma de minhas preocupações. Não falo aqui da qualidade dos livros ou da literatura, embora eu seja apaixonado por livros e dedique diariamente um tempo a essa atividade tão importante. Falo, porém, da habilidade de interpretar adequadamente um texto.

Ainda ontem, relia os dados da última pesquisa sobre os níveis de analfabetismo no Brasil. De cada 10 brasileiros, três são analfabetos funcionais. São pessoas que não possuem as habilidades necessárias para interpretar corretamente uma única frase. Pior, parte dos analfabetos funcionais está nas universidades – ou seja, o sistema de ensino no país é tão precário que permitiu que essas pessoas chegassem ao ensino superior sem o domínio da leitura.

Mas o dado que mais me incomoda é saber que apenas 1 em cada 10 brasileiros é leitor proficiente – alguém que reúne o conhecimento necessário para ler, interpretar e fazer as conexões necessárias a partir do texto lido.

O nível do leitor não está relacionado à inteligência. Não tem a ver com a pessoa; tem a ver com o ambiente em que ela vive e o caráter da instrução recebida. A alfabetização plena, portanto, não é um ideal inalcançável.

Entretanto, no modelo atual de ensino, a leitura não é uma habilidade desenvolvida adequadamente.

Eu me surpreendo quando peço a leitura de um texto aos meus alunos na faculdade. Frequentemente, reclamam que o texto é difícil e que não conseguiram entendê-lo corretamente. Isso mostra a gravidade do problema. Note bem, sou professor na área de Comunicação, onde o domínio da leitura é requisito básico para o exercício profissional do Jornalismo e da Publicidade e Propaganda. Gente que tem dificuldades de interpretação de um texto terá problemas em comunicar uma mensagem de maneira eficiente e eficaz.

É urgente repensar as estratégias que estão sendo utilizadas na escola para preparar nossas crianças, adolescentes e jovens para a leitura.

Como eu disse, a alfabetização plena depende do caráter da instrução recebida e do ambiente em que a pessoa vive.

Isso quer dizer que é necessário estimular positivamente o aprendizado da leitura. E hoje mais que antes, porque o ambiente não é favorável ao desenvolvimento da interpretação do texto escrito.

Somos uma sociedade da imagem, do som… Uma sociedade de pessoas distraídas, de olhares superficiais. Além disso, ainda que existam muitos textos escritos nas redes sociais, são curtos, pobres de sentido e o leitor raramente é confrontado sobre a natureza do que está verbalizado. Noutras palavras, quase nunca o leitor tem seu entendimento confrontado a fim de que reconheça as fragilidades da interpretação.

Concluo dizendo: se desejamos melhorar a qualidade do ensino, temos que investir fortemente na aquisição dessa habilidade fundamental, a leitura. Sim, precisamos ensinar a ler a fim de capacitar as pessoas a interpretarem um texto. E ouso afirmar que essa tarefa deve começar da interpretação de cada frase, antes mesmo de entendê-la no contexto, na globalidade do texto.

A educação só é prazerosa quando promove a descoberta

​Me perguntaram: professor, a escola tem que dar prazer ao aluno? Não, não é este o propósito da escola. A escola precisa ensinar. E ensinar com o objetivo de promover o conhecimento.​ O prazer é efeito do ato de descobrir. ​E isso a escola pode promover: a descoberta.

​Se partimos da premissa de que a busca pelo prazer norteia a relação das pessoas com as coisas que elas fazem, sabemos que a escola já sai perdendo. O processo de aprendizagem é desgastante e uma espécie de agressão ao conforto do nosso cérebro.

Então ​o que fazer pela escola? ​Vejamos… Embora o processo de ensino-aprendizagem provoque desprazer, é possível dar sentido ao que se ensina e ao que se aprende. E, na descoberta, há prazer.

Quando algo se revela diante de nós, algo que desconhecíamos, a sensação é maravilhosa. Quando há o efetivo aprendizado, aprendizado de algo que tem valor, há o encantamento.

Isso ocorre entre os adultos, mas principalmente entre as crianças. Crianças são curiosas. Querem descobrir, aprender. Elas se alegram quando descobrem o funcionamento das coisas. Os olhos delas brilham!!

Então por que a escola aborrece? Porque muitos das informações fornecidas não fazem sentido. Não há descoberta. Se houvesse descoberta, enquanto se ​dá o processo do ensino, haveria cansaço, sofrimento​, mas tão logo as informações fizessem sentido, a criança ou adolescente se encantaria com o saber adquirido.

É esse encantamento que a educação deve buscar. Não dá para tornar o processo de ensino prazeroso, mas é sim possível assegurar prazer com o efeito da descoberta, da novidade, do conhecimento.

Como o uso do smartphone prejudica a saúde e o aprendizado

A tecnologia pode ser uma excelente fonte de aprendizado e entretenimento. Entretanto, o que pouca gente leva em conta é que o tempo diante da tela afeta a saúde e o aprendizado, principalmente de crianças e adolescentes.

Segundo a Academia Americana de Pediatria, dos 3 a 18 anos de idade, nossos filhos não devem passar mais de duas horas em frente a uma tela – seja do smartphone, tablet ou televisão. Para crianças com 2 anos ou menos, os especialistas recomendam nenhum tempo de tela.

Ter uma melhor compreensão das recomendações dos especialistas pode ajudar os pais a definirem limites para que as crianças não exagerem no tempo que permanecem conectadas.

Sono
A molecadinha tem agenda cada vez mais apertada. São as atividades escolares e outras tantas no contraturno. Além disso, ficam entre 3 e 6 horas por dia assistindo vídeos, navegando na internet ou jogando. O tempo de sono acaba prejudicado e, consequentemente, o desempenho, o humor e a saúde são afetados. Além disso, a estimulação eletrônica, interfere na qualidade do sono.

Interação social
Quando alguém usa tecnologia como computadores, jogos e smartphones, deixa de conversar com outras pessoas. O tempo de tela significa menos interação face a face.

Consciência social
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fizeram uma descoberta impressionante quando estudaram um grupo de alunos da sexta série. O estudo, publicado na revista Computers in Human Behavior, descobriu que aqueles que passaram cinco dias sem tempo de tela foram significativamente melhores em ler emoções humanas do que crianças com acesso regular à tecnologia. O resultado impressiona, porque revela que, quanto mais tela, menos reparamos nas pessoas; logo, ficamos menos sensíveis às emoções dos outros, porque sequer damos conta de identificar o que estão sentindo.

Atenção
Muito tempo de tela pode estar associado a problemas de atenção. Noutras palavras, a pessoa se distrai com mais facilidade e passa a ter dificuldades para concentrar-se – algo fundamental no processo de aprendizagem.

Notas baixas
O desempenho escolar também é prejudicado. As notas caem. Não significa necessariamente reprovação, mas a performance é menor, comparada com outras crianças e adolescentes que ficam menos tempo conectadas.

Atividade física
Mais tempo de tela tem sido associada à redução da atividade física e maior risco de obesidade em crianças.

Publicidade e conteúdo impróprio
Muitos programas de televisão e páginas da internet mostram sexo e violência, bem como estereótipos ou uso de drogas e álcool. Comerciais também promovem brinquedos e estimulam o consumo de alimentos pouco apropriados para as crianças.

Parece-nos que essas razões são bastante convincentes de que vale a pena limitarmos o tempo de tela das crianças e adolescentes. Também serve de alerta para nós mesmos. Vale a pena desconectarmos um pouco e convivermos mais com as pessoas e com nós mesmos.