Está tudo bem?

Faz parte de nossos hábitos. Daqueles que repetimos sem ao menos pensar. Encontramos alguém e logo perguntamos: “está tudo bem?”. Não nos damos conta necessariamente do que representa a frase. Simplesmente verbalizamos. É uma maneira gentil, educada de abordar as pessoas. Escapa quase que de maneira inconsciente.

Dia desses, estava num velório. Observava as pessoas cumprimentando a viúva. De repente, chega um amigo da família. Ao falar com a mulher que tinha perdido o marido, logo tascou: “tudo bem com a senhora?”. Do meu canto, em silêncio, foi impossível não esboçar um sorriso. Aquele homem acabara de cometer uma gafe.

O fato só revela o quanto essa frase é repetida mais por um hábito do que necessariamente por uma preocupação real nossa com o que está sentindo a outra pessoa. Claro, existem exceções. Como também existem pessoas que, ao ouvir um “tudo bem?” já começam a expor toda sua vida. Ali desfilam os problemas no trabalho, no casamento, com vizinhos… enfim. E quem simplesmente quis ser educado, acaba ouvindo o que não esperava – ou não desejava. Afinal, o diálogo obvio é mais ou menos este:

– Tudo bem?
– Sim, tudo bem. E você?
– Está tudo bem, graças a Deus.

Gosto dessa troca de gentilezas. Como tantas outras pessoas, repito com freqüência. Mas confesso que a frase “está tudo bem” me incomoda um pouco. Às vezes, chego a evitar a resposta. Não pelo fato de não estar me sentindo bem, mas porque me pego pensando na profundidade do que representaria essa pergunta.

Sei. É meio filosófico isto, mas pare para pensar um pouco: o que é estar tudo bem? Não vale estar bem só de saúde. Também não pode ser apenas financeiramente. E se a saúde vai bem e a carteira também, ainda assim não dá para dizer: “está tudo bem”. Para essa condição se realizar, é preciso ir além.

Você pode ter dinheiro, mas estar infeliz com o emprego; pode ter uma boa casa, mas ter um péssimo casamento; ou pode ter um bom relacionamento com sua mulher, com seu marido, mas viver em tensão constante com a sogra; quem sabe está irritado porque seu carro vive dando problemas; ou ainda porque tem sonhos que nunca consegue realizar.

Estar tudo bem seria estar pleno. Numa condição de bem estar em todas as áreas da vida.

Não é possível viver sem os problemas cotidianos. Por isso, estar tudo bem é quase uma utopia. Sempre existirão espinhos. Alguns mais dolorosos; outros, menos. Mas estarão lá.

Uma resposta convicta, consciente – “está tudo bem!” – é quase um ato de fé. Também é uma necessidade, um motivo a se buscar, uma expressão, uma crença de que problemas existem, mas que nenhum deles é maior que a razão de nosso existir.

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Quem tem interesses?

Aline Yuri é colaboradora deste blog
Será que os interesseiros são apenas os políticos que estão em busca de votos? Que fazem suas promessas a cada parada na feira ou lugares que lhes sirvam de palco? Será que os interesseiros são aqueles que se tornam amigos por intenção de um bom trabalho, um favor ou ainda, pelo cargo que essa pessoa ocupa?

Interesseiros somos todos nós. A afirmação pode ser consistente se analisarmos pelo seguinte ponto: Você trabalha apenas porque gosta? Ou tem interesses em ganhar dinheiro, que com certeza tem compromissos para ele? Afinal, precisamos viver! As perguntas se estendem muito mais além. Mas, trabalhamos para ter autonomia, por realização profissional, e por aí vai.  Namoramos, nos apaixonamos porque a pessoa pela qual temos tais sentimentos, é interessante! Estudamos, fazemos especializações, pois somos focados nos interesses futuros.

Eu, você e todo mundo somos interesseiros de plantão. E imagina, como seria o mundo se não existissem os interesseiros em busca de novas experiências, novos conhecimentos, novas oportunidades e novos méritos? Pacato? Talvez.

Mesmo sendo seres interesseiros temos nossos valores, e não podemos ocupar um espaço por falta de opções. Em tudo, seja a opção! O interesse é sempre válido, quando este não machuca e nem fere os outros.

O tempo não pára

Aline Yuri é colaboradora deste blog
Quantas coisas você já viveu? Quantas pessoas já passaram por sua vida? Ainda insisto, quantos planos você já fez e ainda, quantos deles você concretizou? São tantas perguntas e tantos dias que passam de forma tão rápida que, quando nos damos conta, já se foram.

Quantas coisas não conseguimos responder a nós mesmo. Vivemos todos os dias com a impressão de faltar horas, tempo pra fazer tudo que queremos para a vida. E a cada manhã levantamos com a ânsia de fazer mais, que por ventura da correria nos desculpamos.

Todas essas vontades de fazer sempre mais, querer alem do que podemos “abraçar” faz de nos insatisfeitos. O que quero colocar, é que o tempo não irá parar para nos satisfazer. Temos que filtrar o que realmente é importante pra nós. Vivemos na busca de agradar tudo e a todos, mas não é possível ter essa perfeição.

Existem pessoas importantes, lugares importantes, momentos únicos e dignos de atenção. Já os outros que não são tão relevantes assim, apenas deixe acontecer. O anseio de querer mais horas é devido não sabermos aproveitar os verdadeiros momentos.

Sobreviver não é o mesmo que viver.

Quantos anos mais vamos continuar sobrevivendo? Só temos uma vida, que, no entanto, vale valorizar. Curta intensamente as paixões, mesmo que elas não durem pra vida toda. Mas faça do tempo que durar o mais infinito possível; se dedique inteiramente a profissão que gosta, pois ela lhe trará gratidão e entusiasmo pra seguir muito mais adiante.

Cuide de seus pais! Eles são os únicos que realmente te amam sem limites e fronteiras. E um dia lhe farão falta. Preserve a natureza! É a prova da bondade de Deus conosco. Ame-se! Do contrário será impossível amar alguém.

Se alguém errar com você, perdoe, por mais que isso dure anos e anos até sarar; perdoar é tratar da ferida dia-a-dia. A mágoa não traz alegrias e sim amarguras. Lembre-se, um dia você precisara de perdão.

O tempo não pára! Faça de sua vida maravilhosa, mesmo que seja curta, pois não sabemos quando vamos partir. Tenha sempre em mente, longa ou curta precisamos viver e não sobreviver. O tempo não importa, quando fazemos dele apenas parte do mundo. Assim, chegará o dia em que olhará para traz e verá, minha vida valeu a pena!

Dizer “sim” para a vida

vidaOportunidades surgem a todo momento. Já falei por aqui sobre o fato de desperdiçarmos chances reais de realizarmos nossos sonhos. Mas por que isso acontece? Há muitas razões. Entre elas, o medo de dizer “sim”.

Lembro-me de um filme aborda esse tema. Em “Sim Senhor”, o ator e comediante Jim Carrey interpreta Carl Allen. A história começa retratando o personagem. Ele surge como uma pessoa negativa, que vive reclamando. Reclama de tudo – das poucas oportunidades no trabalho até da namorada que o abandonou. Carl Allen parece um grande azarado – semelhante a muitas pessoas que conhecemos.

Tudo muda após uma palestra de auto-ajuda. Como que hipnotizado pelo palestrante, o personagem de Jim Carrey passa a dizer “sim” para tudo.

Embora trate do assunto de forma cômica e até pouco responsável, o filme é capaz de chamar nossa atenção pela maneira emburrada como muitas vezes recebemos os presentes que a vida nos dá.

Por medo ou insegurança, tem gente que sofre para dizer um “sim”. O “não” se repete em seus dias e a vida vai desfilando diante de seus olhos. Mas vê tudo à distância. As oportunidades passam e a pessoa não consegue se apropriar de nenhuma delas.

Os “nãos” que permanecem em nossos lábios são barreiras que construímos entre nós e a vida que sonhamos. Podem nos roubar a chance de fazer boas amizades, conquistar um novo emprego ou mesmo de vivermos um grande amor.

Ninguém precisa e nem deve dizer “sim” para tudo. Temos o direito de responder “não” para uma proposta pouco responsável ou mesmo agressiva. Você não vai aceitar a “cantada” de um colega de trabalho apenas porque deseja dizer “sim” para a vida. Nem vai responder “sim” a uma proposta de emprego, se está feliz onde trabalha, tem boa remuneração, é reconhecido pela chefia e tem a possibilidade de construir uma carreira estável e de sucesso.

Entretanto, ter mais disposição para ousar, experimentar é reconhecer que falar “sim” para a vida é abrir a janela para o futuro, para a vida que sempre que sonhamos, mas que por vezes rejeitamos com nosso negativismo e falta de fé.

Os persistentes rótulos

Em todo momento somos julgados sem ao menos sermos conhecidos. Esta é uma ação que se repete a quase todos os momentos de nossas vidas. A cada nova amizade, a cada nova apresentação somos rotulados por pessoas que sequer nos dão a oportunidade de mostrar nossa essência.

Se pararmos para refletir, o hábito de rotular inicia tão cedo em nossas vidas que acabamos por achar, que ele faz parte de nosso cotidiano.

E saímos por aí, nomeando tudo e a todos.

Quando rotulamos deixamos de lado a sensibilidade de entender determinados comportamentos que, às vezes, por questão do ambiente de trabalho ou situação que nos encontramos, precisamos agir com um pouco mais de sutileza e seriedade.

Rotular tornou-se tão cômodo para as pessoas, que é simples puxar um assunto com alguém. Deixamos os valores se apagar em comentários fúteis e sem fundamentos. Isso em qualquer ambiente; no trabalho, na faculdade e nos momentos de lazer. São comentários pequenos e vazios para que uma conversa possa fluir. Ao contrário, tempos atrás em que ainda era uma simples menina, era normal ouvir comentários sobre o tempo, o clima e deles iniciavam-se um bate-papo.

Hoje não, raramente temos essas atitudes quando queremos nos enturmar. E rotular, falo não só me referindo às pessoas, mas também musicas, filmes e outras artes. Usamos das críticas já instaladas pela mídia e por sua grande influência, não permitimos realmente conhecer para ter nossas próprias opiniões.

Chamamos essa atitude de comportamento Mid Cult, ou seja, empregamos os méritos já existentes de produtos e artes, para espelharmos nossas opiniões a respeito de algo, pelo simples fato de ser um produto de origem nobre. Precisamos dar chance para as pessoas se apresentarem da maneira que realmente são. Temos também, que nos dar a oportunidade de conhecer, aprender e experimentar sermos mais nós.

Contudo, para todos esses costumes que nos encarregamos de ter, vale lembrar: Por trás de um rótulo há sempre um conteúdo.

Nem tudo depende de nós

Sabe aqueles dias que você esbarra com um texto que parece escrito para você? Foi mais ou menos assim que me senti ao ler a coluna de hoje da Francine Lima. O título por si só já é bastante sugestivo: O peso que cada um carrega.

Entre outras coisas, a repórter da Época ressalta que é preciso relaxar. Afinal, nem tudo depende de nós. Por mais que nos esforcemos, façamos a nossa parte, não temos controle sobre tudo e sobre todos. Não dá para se antecipar aos problemas e tentar impedir que certos desastres aconteçam. Há momentos em que temos de aceitar as imperfeições, os “nãos” que a vida nos oferece.

Não é simples. Não mesmo. Por vezes, é decepcionante. Mas nem tudo vai funcionar como desejamos. Continuaremos sendo obrigados a passar mais tempo no trânsito do que o aceitável; as filas nos caixas, inclusive dos supermercados, vão continuar demorando; os professores continuarão inflexíveis com certos prazos; alguns alunos permanecerão desinteressados; amigos e amores vão nos decepcionar; algumas pessoas nunca se apaixonarão por nós… Teremos perdas ao longo da vida e muitas delas, inevitáveis.

É preciso aceitar que nem tudo depende de nós. Do contrário, continuaremos sob esse eterno peso.

Por isso, para concluir, proponho que pensemos:

Gastamos tubos de energia nos dedicando ao que não podemos controlar, e deixamos de lado muitas coisas que só funcionam se assumirmos a responsabilidade sobre elas. Eu convido você a refletir sobre as responsabilidades que anda assumindo e o peso que anda carregando nas costas.

Vamos viver melhor quando aprendermos a rir da vida e aceitarmos que a máxima do Zeca Pagodinho (Deixa a vida me levar) pode até servir de receita para a felicidade.

Um toque de ousadia e fé na busca pela felicidade

Dia após dia sonhamos que a vida seja diferente. Desejamos fugir da rotina. Pensamos em coisas que nunca alcançamos. Queremos carinhos nunca tidos… Esperamos que os céus nos surpreendam com os presentes que sempre almejamos.

Este é o retrato de nossa alma. O coração humano sonha, anseia, busca motivos novos para ser feliz. Porém, muitas vezes, resiste às mudanças.

Uma vida diferente é resultado de uma mudança. Pode ser uma simples mudança – talvez apenas de atitude diante do mundo, um novo olhar. Mas pode exigir mais que isso.

A realização de um sonho às vezes passa por aceitar que é preciso pagar um preço. Talvez num primeiro momento pareça muito alto, mas quem sabe seja necessário para alcançar o que sempre se desejou.

Tem uma frase que resume uma grande verdade… E que pode ser aplicada a diversas situações.

– Não há almoço grátis.

Não gosto muito dessa frase, preciso confessar. Mas cabe no contexto de nossa reflexão. Quem busca uma vida nova deve aceitar que terá de pagar por isso.

Não queremos a rotina. Mas nos assustamos com as mudanças.

Queremos um novo emprego. Mas temos medo de bater na porta de outras empresas e ouvirmos um “não”.

Ansiamos conquistar novos amigos. Mas não queremos nos decepcionar com as pessoas.

Desejamos nos sentir amados. Mas preferimos a conveniência de um relacionamento desgastado e morto.

É mais fácil continuar vivendo com o que temos. Afinal, já conhecemos o ambiente, sabemos seus limites e nos acomodamos. Temos nossos sonhos, reclamamos que nunca os alcançamos, entretanto queremos que se realizem sem abandonarmos os castelos que construímos.

O medo, que gera a insegurança, faz parte de nós. O desconhecido nos assusta. Ninguém consegue olhar para o amanhã, pois não há uma janela aberta para o futuro. Ainda assim, a vida nos ensina que somente aqueles que aceitam correr riscos conseguem superar limites e experimentar o prazer da realização de um sonho.

Nessa caminhada, muitas vezes, há sofrimento. Rompimentos causam dor. Implicam em abandono e, por outro lado, em andar por trilhas ainda desconhecidas. Porém, a disposição para mudar é a única forma de dar um passo em direção ao que sempre desejamos.

Como na passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, as irmãs daquele homem choravam a sua morte. Elas desejavam tê-lo com vida. Quando Jesus foi visitá-las, e prometeu o milagre, ficaram assustadas. Diante do túmulo, a frase do Cristo foi:

– Tirai a pedra.

Era um exercício de fé. Aquelas mulheres tinham a chance de mudar o cenário, mas era necessário “tirar a pedra”. Tinham que romper com a insegurança, com o medo de serem envergonhadas diante dos amigos.

Hoje, para realizarmos nossos sonhos também temos de “tirar a pedra”. Um toque de ousadia e fé é o primeiro passo para superarmos as barreiras que nós mesmos criamos e, assim, sermos felizes.

Quando a vida deixa de fazer sentido

tristeza

O que leva alguém a desejar deixar de viver? As mortes por suicídio são sempre intrigantes. Como entender alguém que simplesmente optou por abrir mão da vida? Embora tal escolha não seja justificável – afinal a vida é o bem maior que temos, presente de Deus -, não raras vezes, a vida deixa de fazer sentido e a morte parece ser a única saída.

Pessoas num estado de depressão profundo perdem a alegria de viver. Tudo que dá prazer alguém emocionalmente saudável não é capaz de garantir felicidade a uma pessoa deprimida.

Entretanto, nem sempre é preciso estar doente para perder o sentido da vida. Problemas financeiros, um emprego ruim, perseguição na escola ou no trabalho, uma decepção amorosa ou mesmo um relacionamento ruim podem tirar o desejo de acordar a cada novo dia.

Talvez não seja o seu caso… Mas muitos de nós já despertamos, olhamos para o relógio, lembramos de nossos compromissos, porém a única coisa que desejávamos era continuar ali, debaixo dos lençóis e simplesmente fugir de tudo e todos. O desejo é apenas aquele: “que um buraco se abra e simplesmente sejamos engolidos por ele”.

Nesses dias, colocar os pés no chão é doloroso – é como se pisássemos em espinhos; a luz do sol parece apenas intensificar o sofrimento; e o calor do novo amanhecer é semelhante a uma chama que queima a alma, aumentando a angústia, a ansiedade e o medo.

Quando a alma chora, não há beleza do mundo. Não há cores, não há sons. O cantar dos pássaros soa apenas como mais um ruído ou se perde nas tempestades do coração.

Um pensador certa feita disse:

– Quando a alma chora, olho da janela do meu quarto e do, alto do meu prédio, não vejo a beleza da cidade. Vejo apenas a chance de silenciar meus tristes ais; de calar minhas lágrimas; de penetrar e me perder no esquecimento.

Caro amigo, estar no mundo é estar sujeito aos prazeres e desprazeres da vida. Ainda que se apele para a razão, nossas emoções muitas vezes falam mais alto. E se provocam sorrisos, não raras vezes também nos fazem chorar. Quem deseja viver intensamente, terá dias em que o sorriso vai brotar fácil em seus lábios; mas também deve aceitar que lágrimas não desejadas vão descer pela sua face. Nessas horas, muitas vezes a vida perde o sentido.

Quando isso acontece, resta-nos a fé.

A fé é que nos faz vislumbrar a chance de voltar a sorrir. A fé é que põe esperança no coração e nos faz crer que o cinza que hoje domina a nossa paisagem vai se dissipar e as cores do arco-íris voltarão a brilhar amanhã. A fé é o que supre o vazio da nossa existência e nos faz resistir, esperando que a vida possa ter um novo sentido, capaz de nos fazer prosseguir.