Qual a chance de sucesso da campanha “não dê esmola”?

Estou longe de ser uma pessoa sensível… Já disse aqui que raramente dou esmolas. E os argumentos usados por pedintes dificilmente me tocam. Sempre acho que, atrás do discurso, há uma intenção não muito digna. Entretanto, vez ou outra, sinto-me intimidado a ajudar. Sim, intimidado. Outras vezes, faço por uma questão de consciência. Em especial, quando há crianças envolvidas.

Por conta disso, sempre apoiei iniciativas como a da Secretaria de Assistência Social de Maringá. A Sasc tenta mostrar à sociedade que, ao dar um dinheirinho para um pedinte, estamos contribuindo para manutenção dessas pessoas nas ruas e avenidas da cidade. Neste período de férias, a campanha tem sido intensificada – inclusive com abordagem de populares e entrega panfletos.

Não há dúvida. Quando botamos a mão no bolso, sustentamos essa condição de exclusão. É uma contradição. Porém, na tentativa de ajudar fazemos justamente o contrário. E, detalhe, em municípios como Maringá, a condição de mendicância é quase uma escolha do sujeito. Os programas sociais são amplos. Também há inúmeras entidades que atuam no atendimento dos mais pobres. Quase dá para dizer: quem está nas ruas, está por opção. Claro, há exceções.

Portanto, a solução parece matemática. Deixamos de dar esmolas e acabamos com o problema.

No entanto, não é assim tão simples. Além de situações reais em que as pessoas fazem do ato de esmolar uma forma de sobrevivência, há aqueles que usam como fonte de renda. Uma espécie de emprego. Dinheiro fácil, sem esforço. E, nesses casos, por vezes a renda é para sustentar a dependência química. São pessoas que, para conseguir o que querem, estão dispostas a não apenas esmolarem. Sem a grana conquistada nas esquinas da cidade, podem tornar-se criminosas. Ou já vivem em tal condição.

Isto também ocorre com os flanelinhas. Bastaria cortar o que alimenta a atividade: os trocadinhos que entregamos quando retornamos para o veículo. Contudo, sabemos que, deixar de dar umas moedinhas (alguns nem aceitam essa “mixaria”), é aceitar o risco de ter o carro danificado, riscado, depredado. E, não raras vezes, é o que acontece.

Portanto, não sei se temos garantia de que a ação da Sasc será bem sucedida. Parece-me que a mendicância é inerente, é da natureza contraditória da sociedade capitalista. Ainda assim, entendo que a administração pública deve apostar na ação. Apóio. Mas só o futuro dirá se, primeiro, a população deixará de sustentar os pedintes; segundo, se não teremos um novo problema social.

Pedintes em Maringá

Pedintes são resistentes aos serviços oferecidos pela prefeitura. Segundo a secretária de Assistência Social e Cidadania de Maringá, Rosa Maria Marques de Souza, o município aborda diariamente moradores de rua e pedintes que circulam pelos semáforos. Mas que eles preferem seguir nas ruas a receber auxílio do município. Em entrevista à CBN Maringá, ela reconheceu que o número de mendigos tem crescido. Entretanto, apontou que não há relatos de que os maringaenses têm sido intimidados por essas pessoas.

Dinheiro para as crianças

SASC projeta arrecadar R$ 1,5 milhão de IR para projetos do FIA. De acordo com a secretária de Assistência Social e Cidadania de Maringá, Rosa Maria Marques de Souza, 68 projetos foram selecionados para receber recursos do Fundo da Infância e da Adolescência. Os contribuintes podem fazer o depósito até o último dia útil deste mês.

No ano passado, foram arrecadados R$ 1,09 milhão para o FIA.

Bolsa Família garante popularidade e justiça social

O governo Lula reajustou o Bolsa Família. O aumento foi de 10% – maior que a inflação e a reposição aos aposentados. A medida tem sido criticada. Hoje, ganhou até uma bem-humorada charge no Jornal da CBN. Boa mesmo.

Cá com meus botões, sou favorável ao Bolsa Família. Entendo que o programa tem importante papel social. Mas sempre há espaço para uso político. O reajuste deste ano, por exemplo. Fala-se em mais de 50 milhões de beneficiados – número suficiente para levar qualquer candidato a um segundo turno numa campanha presidencial.

É justiça social com os mais carentes? Sim. Mas o programa também é uma ótima ferramenta para manter a popularidade do presidente Lula e alavancar o nome de Dilma Rousseff.

As manchetes do dia

– Praça loteada: quem é quem na Câmara
Reportagem do jornal O Diário analisa ocupação de cargos comissionados do Legislativo maringaense e revela as indicações de cada vereador. Mário Hossokawa e John Alves Correa lideram o jogo político das nomeações. Apenas os vereadores de oposição – Flávio Vicente, Humberto Henrique, Mário Verri, Marly Martin e Manoel Sobrinho – não possuem apadrinhados políticos em cargos comissionados.

– Câmara Municipal irá economizar R$ 1,8 milhão
A manchete do jornal Hoje Notícias trata da reforma administrativa da Câmara de Maringá. O presidente do Legislativo, Mário HOssokawa, argumenta que, com a demissão de 49 cargos comissionados, será possível economizar quase R$ 1,8 milhão. Somado a este valor, Hossokawa quer garantir com a redução de outras despesas a economia de pelo menos R$ 700 mil. Ele diz que o objetivo é devolver, ao final do ano, pelo menos R$ 2 milhões à prefeitura.

– Secretaria atende pessoas em situação de rua
A manchete do Jornal do Povo fala do atendimento feito pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania às pessoas em situação de risco. De acordo com a reportagem, todos os dias a secretaria atende cerca de 20 moradores de rua. A população também pode colaborar com o atendimento. Basta ligar para o telefone 9103-5661, que funciona 24 horas.

Umuarama Ilustrado
Umuarama registra primeira geada do ano

O Diário do Noroeste
Casa para quem ganha até três salários mínimos será em conjuntos habitacionais

Folha de Londrina
Paraná lidera conflitos agrários

Gazeta do Povo
Manchas de óleo descartam hipótese de explosão de airbus

Jornal do Brasil
Armadilhas na rota da Europa

O Globo
Agência tinha alertado para riscos com avião da tragédia

Valor Econômico
BC fecha representações de bancos estrangeiros

O Estado de S.Paulo
Aposta na produção faz entrada de dólar dobrar

Folha de S.Paulo
Após 47 anos, OEA revoga veto a Cuba

Pedinte na prefeitura… II

Dias atrás postei aqui que um pedinte reclamava alguns trocados no estacionamento da prefeitura.
Faz mais de uma semana que escrevi…
E o pedinte continua lá.
Ele reclama dinheiro para tomar café.
A imagem sugere que se trata de um “pedinte profissional”…
E que o dinheiro não é para o café.

Mas o que mais me impressiona é que nada ainda foi feito.
Nem parece ter assistência social na cidade.
O cara pede dinheiro no estacionamento da prefeitura…
Debaixo da janela de secretários e CC’s.

Levantei três hipóteses para a permanência do pedinte no local.
Primeiro, o pessoal que manda na prefeitura anda sumido…
Não vai ao paço municipal e não vê o cidadão que precisa de ajuda.
Segundo, ninguém mais da prefeitura lê este blog e não viu a constatação do problema.
Terceiro, se não é nenhuma das duas hipóteses acima, com certeza é esta: a assistência social não funciona em Maringá.

Pedinte na prefeitura…

O que um pedinte faz às 7h30 no estacionamento da prefeitura?
Curioso, não?

Debaixo das janelas de servidores, secretários e outras autoridades municipais, um pedinte reclamava trocados, hoje pela manhã, para comer alguma coisa.

Fiquei com a impressão que o pedinte garimpando por moedas no estacionamento próximo do paço municipal é o reflexo de um poder público incapaz de dar conta de um problema social grave.