A beleza não mora ao lado

felicidade

Quem determina o padrão de beleza? Afinal, há um padrão? Existe uma medida que defina as formas belas do corpo humano?

Confesso que sou um pouco exigente. Penso que é preciso se cuidar. Entendo inclusive que cuidar do corpo é cuidar do relacionamento. Quem procura estar bem, de alguma forma, diz pro outro que se importa, que se interessa, que o ama. Afinal, o que justifica cuidar-se pra conquistar e, após conquistado o “bem amado”, abandonar-se?

Esta semana, por exemplo, vi de longe um uma pessoa que conheço há uns oito anos. Ele está com uma barriga tão grande que chega a dobrar por sobre a calça. É um homem ainda jovem. Não deve ter 30 anos. Quando casou, a circunferência abdominal certamento não chegava a 100 centímetros. Hoje, não tenho ideia das medidas.

Entretanto, penso que há dois extremos. Existem pessoas que simplesmente abandonam-se. E outras que tornam-se reféns de um padrão irracional de beleza. Por conta disso, sofrem. E sofrem muito.

Bulimia, anorexia e outros transtornos são doenças comuns nos dias atuais. Gente que se olha no espelho e vê uma distorcida de si mesma. Sem referências do próprio corpo e com noções completamente equivocadas do que é belo, abrem mão de viver.

As mulheres são as principais vítimas. Mas muitos homens também experimentam essa lógica irracional. Como sugere Augusto Cury, escalas irracionais de sensualidade levam homens e mulheres a se sentirem deficientes, deformados, não atraentes, não admirados.

Essas pessoas fazem tudo, de exercício a intervenções cirúrgicas, para terem um corpo supostamente perfeito. Mas nunca estão satisfeitas.

Mulheres com barriginha ou dobrinha nas costas se submetem a lipoaspirações; aquelas que têm seios menores, colocam silicone; as que têm seios grandes, reduzem; mulheres magras passam semanas, meses em academias para ganhar massa muscular… Homens de várias idades tomam suplementos diversos para “crescer”. Precisam ficar saradões.

brunetO problema é que os padrões estéticos mudam com a mesma rapidez que surge um novo celular. Luiza Brunet, sucesso como modelo nos anos 1980, não seria referência de beleza nas passarelas nos dias de hoje. E por falar em passarelas, quem inventou essa história de garotas de 15, 16 anos serem as referências de corpo para exibirem as novas coleções?

Às vezes chego a ter a impressão que existe uma intenção oculta em plantar a insatisfação constante, porque gente insatisfeita consigo mesmo consome mais, gasta mais.

Tem alguma errada. Mulheres reais não são feitas em máquinas. Não são produzidas em escala industrial. Possuem biotipos diferentes. Algumas são baixas, outras altas. Há aquelas medianas. Vale o mesmo para os homens. Tem gente magrinha. Tem gente mais forte. Alguns desenvolvem barriguinha com facilidade. Às vezes, culote. Entretanto, do ponto de vista da indústria da beleza, não existem seres humanos; existem objetos humanos.

banhistaE detalhe, o que se mostra como o padrão estético atual é apresentado como uma referência absoluta de beleza. A verdade estética, o modelo supremo, perfeito. Silencia, porém, que não faz tanto tempo assim que eram exaltadas em verso e prosa mulheres roliças, gordas – como a retratada por Jean Auguste Dominique no início do Século XIX.

Por meio da televisão, do cinema, das revistas uma imagem é construída. Afinal, aquilo que pensamos sobre nós é resultado daquilo que vemos, escutamos, sentimos. Quando os veículos de comunicação desfilam esse padrão irracional de beleza, homens e mulheres passam a se espelhar nele. A imagem torna-se realidade. A imagem passa a ser o objetivo a ser alcançado pelas pessoas normais. E isso desenvolve frustração, vergonha e até depressão, porque as referências são inatingíveis para a maioria. Tem gente que ganha meio quilo e já fico ansioso.

Sabe, como disse lá no comecinho do texto, defendo a importância de cuidar-se. Estar bem. Mas o que é estar bem? Será que estar bem é agredir-se? Deixar de comer um pedacinho de chocolate após a refeição? Dividir uma pizza com a pessoa amada de vez em quando? Tomar um sorvete numa noite de calor? Ou estar bem é contar as calorias a cada porção que se coloca na boca? É ficar atrás da última receita da moda? Visitar o cirurgião plástico antes de todas as férias? Sofrer toda vez que vê a atriz na novela das 21h desfilar à beira do mar (e lamentar-se não ter o corpo dela)?

Gente, todo mundo tem alguma parte do corpo que não gosta e parece imperfeita. Não dá pra viver se lamentando por isso. Estar bem é estar saudável. É aceitar-se, amar-se. É ter disposição pra viver e pra fazer viver.

A imprecisão das ciências

Mais que seguir as ciências, o segredo de viver é ter equilíbrio
Mais que seguir as ciências, o segredo de viver é ter equilíbrio

São as ciências que nos oferecem bases para muitas de nossas crenças e decisões. Entretanto, as teses científicas são sempre hipóteses. Nunca verdades absolutas. Por isso mesmo, apegar-se a ao que diz a Ciência é caminhar por um terreno frágil. 

Sempre brinco com meus alunos… Já disseram pra gente que tomar café era um veneno pra saúde; depois, apareceram estudos apontando que uma ou duas xícaras por dia ajudavam o cérebro e até a prevenir doenças; não faz muito tempo, vi uma reportagem apontando SEIS xícaras como a quantidade ideal. Bom, a última notícia que lembro a respeito do assunto está na Super Interessante. Sustenta que os homens devem tomar entre 4 e 5 xícaras por dia. Quem faz isso, vive mais.

Bom, por que falo sobre isso? Simples. Cá estou navegando entre os sites de notícias e encontro isso daqui:

Quilos a mais aumentam a longevidade

Eu tinha visto alguma coisa parecida num dos livros do Augusto Cury. “A ditadura da beleza e a revolução das mulheres”, para ser mais exato. Entretanto, ainda não tinha encontrado em nenhum site de notícias.

Claro, a pesquisa não fala de obesidade. São alguns quilos mais. O chamado sobrepeso. Um pouquinho a mais de gordura seria o ideal. Entre 25 e 30 de IMC. Normais e obesos teriam desvantagem em relação a essas pessoas com sobrepeso.

A notícia parece ótima pra quem está com aqueles três ou quatro quilos além do desejado. Também não é ruim pra quem está gordinho. Afinal, dá pra perder um pouco menos – ficou mais fácil, digamos assim. E quem estava brigando para manter-se abaixo dos 25 de IMC, basta relaxar um pouquinho.

E agora? Seguimos ou não o que diz a pesquisa?

Difícil, né?

Embora o resultado seja baseado numa amostragem bastante ampla – mais de 2,8 milhões de pessoas -, quem pode garantir que amanhã não surgirá uma nova pesquisa? Ninguém.

Parece-me que a lógica da moderação é a única certeza que temos. Café? Com moderação? Carne? Idem. Gordura? Também. Doces? Igualmente. Nada de excesso e nem de falta. Como tudo na vida, equilíbrio. Esse é o único jeito certo de viver. 

Nobres são aqueles que reconhecem que nada são

O conhecimento não deveria nos separar, mas sim aproximar-nos
O conhecimento não deveria nos separar, mas sim aproximar-nos

Não sou muito otimista quando penso no ser humano. Não, não estou dizendo que não há espaço para pessoas boas, de coração verdadeiro. Também não me coloco numa posição superior. De jeito nenhum. Pelo contrário, provavelmente me enquadro em muitas das críticas que faço ao “bicho homem”.

Uma das coisas que me incomodam é a necessidade de ser mais… De buscar os aplausos, o respeito (ainda que pelo status ou posição social).

Sabe, a necessidade de nos sentirmos alguém, por vezes, nos faz pequenos demais. Atropelamos os outros. E os “atropelados” também encontram suas vítimas. Quase ninguém é inocente.

Tenho visto em diferentes ambientes que o homem sempre que pode aproveita-se na posição em que está para se dizer diferente, colocar-se superior. Até mesmo supostos atos de humildade são utilizados para orgulhar-se de pedir desculpas a um subordinado, por exemplo.

Alguns, detentores de certos conhecimentos ou títulos, entendem ser donos da verdade. Transformam hipóteses em pressupostos inquestionáveis. Não permitem a dúvida. Mesmo quando questionam teorias, fazem isso como se fosse ignorância acreditar em alguns valores. Desprezam o senso comum. Outras vezes se promovem diante dos pares por supostamente dominarem as teses mais modernas, contemporâneas… O conhecimento atualizado. E fazem disso degraus para subirem acima dos demais.

O sorrisinho no canto da boca se revela diante da multidão. E ele expressa uma só coisa:

– Como são ignorantes.

Eu não tenho medo do conhecimento. Mas temo as pessoas que pensam detê-lo. Porque o mesmo conhecimento que liberta, por vezes aprisiona. Aprisiona aqueles que não são sábios. E que transformam o conhecimento em ferramenta para se sentirem nobres.

Em um de seus livros, Augusto Cury escreveu:

O que define a nobreza de um ser humano é a sua capacidade de enxergar sua pequenez.

Esse parece, no entanto, ser um desafio histórico. Na Idade Média, nobres eram aqueles que detinham títulos, terras, trabalhadores sob seu poder. Eram aqueles que diziam ter “sangue azul”. As regalias pareciam um privilégio dado pelo próprio Deus. E, como nobres, não enxergavam ser iguais aos pobres camponeses.

Hoje, não é diferente. Não há títulos de duque, conde, marquês, barão… príncipe. Mas há o dinheiro, o poder econômico e tudo o que ele representa – carros, casas, iates, aviões, empresas etc. Há também outras formas de títulos expressas por meio de graduações em faculdades famosas… Há mestrados, doutorados, publicações em livros, jornais.

E um monte de gente se apega a essas criações do próprio homem para se sentir maior e melhor. São pobres coitados, na verdade. São miseráveis enclausurados pela própria insegurança que se esconde em posições vazias, mas ainda valorizadas por uma sociedade doente. 

Para estes, e para todos nós, resta lembrar de uma única coisa:

A sabedoria do ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe (Augusto Cury).

Nada sabemos, nada somos. Nos tornamos alguma coisa apenas quando servimos ao outro, quando reconhecemos nossa pobreza, ignorância e fazemos da gentileza, da humildade, do afeto e do amor nossos diferenciais de vida. 

O que faz com suas perdas?

perdas

Já parou pra pensar? Todos os dias perdemos alguma coisa. Quando não são objetos, são pessoas. Se não perdemos nada disso, perdemos oportunidades. E mesmo quando escapamos dessas perdas, perdemos minutos preciosos de vida.

Perdas. Algumas irreparáveis. Outras, nem tanto. Mas sempre… perdas. Como lidamos com elas? Como convivemos com as perdas? O que fazemos com elas? Sofremos? Lamentamos? Ou, sublimamos?

Tem gente que passa a vida lembrando as perdas. Chorando pelo que não pode trazer de volta.

Pode ser um filho que se foi… A mãe, o pai. Um namorado que perdeu. Um emprego. A faculdade que não terminou… Sofre com isso. Perde oportunidades no presente porque as lágrimas do passado embaçam o olhar, atrapalham a visão, impedem vislumbrar o futuro.

Sabe, perdas machucam. Entretanto, fazem parte do nosso crescimento. São conquências naturais do complexo ato que é viver. E ninguém está livre das dores que esse processo provoca.

Entretanto, a maneira como reagimos diante das perdas é o que faz diferente entre aqueles que afundam no sofrimento e os poucos que se tornam mais fortes.

Dia desses, lendo um texto de Augusto Cury, achei uma frase incrível:

Não há pessoas isentas de sofrimento. O que há são pessoas menos encarceradas que as outros. Todos somos reféns de algum período do passado.

Viver sem sofrer é ilusão. Pessoas se frustram, ficam amarguradas, “encarceradas” por não entenderem o óbvio: todos nós sofremos. A diferença é que alguns entendem que as perdas são parte da existência. Ninguém caminha sem gotas de suor; ninguém viaja sem gastar combustível, pneu…

Quem tem uma direção, segue em frente. Pode até sentir dores… Sentir-se cansado. Vez ou outra, tropeçar no passado. Sentir falta de algo que ficou para trás. Mas segue. Segue, porque a prisão do passado não deve ser mais cruel que as possibilidades da liberdade futura.

Resumão da CBN: 2 de junho

INAUGURAÇÃO
Com a presença de estrelas do esporte, Maringá inaugura complexo esportivo capaz de sediar competições internacionais. Ministro dos Esportes, Orlando Silva, diz que a cidade passa a ser o maior centro esportivo do Paraná…

HOMENAGEM
O ministro ainda fez uma homenagem ao maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima. Para Orlando Silva, a Vila Olímpica de Maringá tem a marca do atleta. Vanderlei esteve em Brasília três vezes para defender a liberação de recursos que viabilizariam

RICARDINHO
O levantador Ricardinho, ex-atleta da seleção brasileira de vôlei, esteve na inauguração da Vila Olímpica. Ele destacou que poucos lugares do mundo contam com um espaço privilegiado para a prática de esportes.

CAPACETES
Desde ontem a polícia e a secretaria dos transportes intensificaram a fiscalização sobre o uso de capacetes. É que terminou neste fim de semana o prazo para os motociclistas adequarem os capacetes às exigências do Conselho Nacional de Trânsito. Quem usar capacetes sem o selo do Inmetro e adesivos refletivos vai ser multado.

NOVOS LEITOS
Hospital Universitário de Maringá vai abrir 30 leitos com os 900 mil reais que recebe hoje do Município. O dinheiro é uma dívida antiga da prefeitura com o HU. Os serviços de saúde prestados pelo hospital em 2004 só foram pagos agora. Os recursos serão usados para a construção de uma ala que vai abrigar o pessoal do administrativo e, com isso, será possível ampliar em mais 30 leitos a capacidade do HU.

ESTRESSE
Excesso de informações leva a uma aceleração cerebral sem precedentes, causando ansiedade, agitação e outras doenças. A afirmação é do psiquiatra, cientista e escritor Augusto Cury. Em entrevista à CBN Maringá, o pesquisador sustentou que a vida moderna tem causado um adoecimento coletivo, ignorado inclusive pela própria ciência. Ele recomenda que as pessoas desacelerem. Do contrário, terão uma péssima qualidade de vida.

ASSALTO
Ladrões assaltam agência dos Correios em Santa Fé, fogem com reféns e trocam tiros com a polícia. Um assaltante foi morto. O fato aconteceu na manhã desta segunda-feira.