Não siga a multidão!

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Imagine que você está chegando de férias numa cidade desconhecida… Você está com muita fome. E quer comer algo gostoso, bem feito. Aí você entra na região central e vê com quatro pequenos restaurantes. Três deles estão praticamente vazios; um está cheio, mas você nota que ainda assim conseguiria uma mesa para se sentar. Qual você escolheria? É bem provável que optaria pelo que está cheio de gente. E por quê? Porque a presença de várias pessoas funciona como prova de que o local é agradável, tem uma boa comida e, provavelmente, um bom atendimento.

Nas redes sociais, provavelmente você já viu alguém pedindo sugestões de filmes, livros e até serviços… A pessoa precisa de um marceneiro. Vai nas redes e pede uma recomendação.

Os sites de vendas quase sempre atribuem estrelinhas de avaliação para os produtos. E ainda abrem espaço para comentários.

Isso também acontece nas plataformas de streaming de filmes e músicas. Teoricamente, filmes e músicas com avaliações mais altas são melhores.

Mas deixa eu te fazer uma pergunta: você já assistiu um filme muito bem avaliado e não gostou da história?

É provável que sim.

Então deixa eu te falar algo muito importante: o fato de um restaurante estar lotado, não significa que ele tem a melhor comida. Vale o mesmo para serviços, filmes, livros, músicas… Não é por que a maioria das pessoas disseram gostar que você irá gostar.

Essa minha afirmação é um bocado obvia, mas ela serve para lembrar que nossos gostos e preferências não precisam seguir a multidão. Nem tampouco devemos fazer escolhas baseadas no que diz a maioria.

Embora boas avaliações sejam um indicativo importante de qualidade, não representam necessariamente seu gosto e nem tampouco o que você é.

A tese da individualidade se sustenta também em atitudes de independência e autonomia nas escolhas que fazemos. No campo das informações, vale o mesmo princípio. Dá um pouco mais de trabalho pesquisar, avaliar e escolher por si mesmo. Mas, lembre-se, você é único, você é única. Então faça suas próprias escolhas. Você não precisa seguir a multidão!

Autonomia e responsabilidade na quarentena

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Quarentena é férias? Não! É fato que muita gente está em casa e não pode trabalhar. Mas tem outras tantas pessoas que levaram o serviço pra casa e têm a obrigação de dar continuidade as suas tarefas. Entretanto, tenho descoberto coisas interessantes a esse respeito: tem gente que parece incapaz de trabalhar em casa. Na verdade, algumas pessoas parecem incapazes de trabalhar sem vigilância, sem monitoramento, sem alguém ali, do lado, cobrando, apressando…

Sabe o que isso significa?

Faltam autonomia e responsabilidade em muitas pessoas.

A responsabilidade é a capacidade de saber quais são suas obrigações e executá-las com eficiência. A pessoa responsável assume um compromisso e o cumpre. Se foi demandado trabalhar em casa, ele vai trabalhar. Fará o que foi pedido. Respeitará os prazos, executará as suas tarefas.

Já a autonomia vai além da responsabilidade. Algumas pessoas são responsáveis, mas se sentem inseguras. Sem uma supervisão, sentem-se ansiosas. Necessitam sempre de alguma orientação. Quando o profissional é responsável, mas também possui autonomia, além de saber o que precisa ser feito, as suas atividades não geram insegurança. E se surge algum problema, a pessoa tem iniciativa para contornar a dificuldade e, ainda assim, entregar o trabalho que lhe foi solicitado.

Este período de quarentena tem revelado quem são, de fato, os profissionais responsáveis e autônomos. E, lamentavelmente, num cenário em que a tendência é do trabalho home office, é da redução de empregos com carteira assinada, é possível notar que pouca gente está preparada para dar conta de suas tarefas em casa ou sozinha num escritório.

O cenário indica que muitas pessoas vão fracassar profissionalmente – não por falta de conhecimento -, mas pela ausência de autonomia e responsabilidade.

Aprendendo com Paulo Freire: somos condicionados, mas não determinados

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A leitura de Paulo Freire nos leva a sonhar com a liberdade, com a autonomia, com a possibilidade de cada pessoa escrever sua própria história.

Paulo Freire não propôs uma educação para atender o mundo das máquinas, das tecnologias, para levar as pessoas a ganharem dinheiro. O propósito dele era fazer da educação uma ferramenta de desenvolvimento do ser.

A educação para a liberdade… A educação para a felicidade.

Tem uma frase dele que é maravilhosa. Ele disse que “somos seres condicionados mas não determinados”.

Freire afirma isso em oposição a ideia de que a genética, a cultura, as condições sociais e econômicas, a história determinariam quem somos.

Na opinião de Paulo Freire, é evidente que todos esses elementos condicionam nossa vida. Ou seja, participam de nossa formação e criam barreiras que podem impedir nosso desenvolvimento.

Entretanto, condicionar não é determinar. Não significa que, se nasci num certo ambiente, serei exatamente igual as pessoas que ali estão. Tampouco significa que minha genética vai determinar quem serei.

Todos estamos submetidos aos condicionamentos genéticos, culturais e sociais. Mas ainda assim podemos escrever nossa própria história. E a educação é a ferramenta mais poderosa para abrir novos caminhos, novas possibilidades de ser.

Paulo Freire afirma: “a história é um tempo de possibilidades e não de determinismo”. O futuro está aberto… Nós podemos construí-lo.

Em Paulo Freire, não há lugar para o fatalismo, para a desesperança. E a educação é este lugar de construção dos sonhos, de superação das ideologias que nos apequenam, que nos tornam meras peças de um jogo em que o final já está decidido.

Erros dos pais que impedem o crescimento dos filhos

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A superproteção faz um mal danado a molecadinha. Como vimos, pais que se dedicam demais aos filhos e não os deixam enfrentar a vida por si mesmos, impedem-os de serem felizes. Pelo contrário, levam-os a infelicidade. Sem contar nas dificuldades emocionais: ansiedade, dificuldade de lidar com frustrações, ausência de autonomia, baixa autoestima, insegurança… E por aí vai.

Por incrível que pareça, cometemos alguns erros que sequer notamos que estão afetando negativamente nossos filhos. Veja os mais comuns:

Intervir diante das primeiras dificuldades enfrentadas pelas crianças. Tem mãe que, diante do primeiro problema do filho, precisa ir lá socorrer, ajudar. Está errado! E sabe o que é mais curioso? Conheço pais que, mesmo quando os filhos já estão na faculdade, vão na instituição pra brigar com a direção pela nota dada pelo professor. Ridículo!!!

Desde cedo os pais devem permitir que os filhos aprendam a superar situações incômodas. Se os pais (ou outros cuidadores) se apresentam como os “salvadores”, a molecadinha nunca saberá gerenciar seus próprios recursos, administrar seus valores e limitações, e se tornarão pessoas eternamente dependentes (num relacionamento amoroso futuro, isso vira um desastre).

Outro erro comum: dar comidinha pro filho, mesmo quando já consegue comer sozinho. Com a desculpa de que demora demais ou faz muita sujeira, impedem os filhos de desempenharem uma das primeiras atividades que desenvolvem a autonomia.

Os pais também devem permitir que as crianças vistam-se sozinhas. Demora mais? Demora! E muitas vezes fazem bobagem. Mas é algo importante para aprenderem a se virar. Além disso, ajuda-os a fazerem escolhas, combinações… Claro, não deve deixar a criança “mergulhar” no guarda-roupas e pegar qualquer coisa. Pode orientar apontando o tipo de roupa que pode ser usada na ocasião, mas, dentro das peças que possui, deixá-la escolher e vestir-se.

E, para concluir, é fundamental que as crianças aprendam a lidar com a frustração. Os pais têm papel importante nisso, principalmente porque devem usar a frustração, a decepção dentro de uma lógica educativa. Ou seja, precisam ensinar as crianças que perder algumas vezes é natural, porém isso não significa que devam desistir. Pelo contrário, é necessário mostrar o valor do esforço, animá-las a tentar de novo. E, principalmente, ajudá-las a se perdoarem por nem sempre darem conta de realizar determinadas tarefas, por fracassarem. E que são amadas pelo que são, não por suas conquistas, por seus méritos.

Filhos autônomos

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O desenvolvimento dos filhos depende de vários fatores. Entretanto, todos eles passam pelos pais. Pequenas atitudes podem fazer toda diferença.

Uma das coisas que mais incomoda, especialmente os adolescentes, é a ação deliberada dos pais de tentar resolver a vida deles. Superprotetores, não confiam na educação que deram para os baixinhos e os expõem ao ridículo.

Costumo dizer que autonomia se aprende em casa. Crianças que recebem tudo nas mãos, que ouvem dos “educadores” todas as orientações do dia a dia (até para escovar os dentes) ou que os pais “resolvem” até as briguinhas da escola… Crianças assim não crescem. Tornam-se mimadas e dependentes.

Lembro que, quando fui para escola, meu pai me disse:

– Se brigar na escola, bater ou apanhar, apanha de novo quando chegar em casa.

Nunca esqueci. Nunca bati ou apanhei. Embora não recomende o discurso do meu pai, eu entendi o recado: eu tinha que saber me virar na escola. Estaria lidando com colegas da minha idade. Eu tinha capacidade de ter o mínimo controle da minha vida.

Entretanto, uma vez, uma única vez, fui esquecido pela “merendeira”. Ela não me viu. Não colocou comida no meu prato. Eu falei com ele. E meu pai foi à escola reclamar. Foi o maior mico da minha vida. Acabei sendo ridicularizado depois por aquela senhora.

Sabe, essas histórias me fazem pensar que os pais devem educar seus filhos, orientá-los, mas permitir que sejam autônomos. A gente até quer proteger, evitar que sofram ou resolver as coisas para nossas “crianças”. Mas se a gente interfere, eles não crescem. Proteção demais reprime, oprime, sufoca. E aí, na primeira oportunidade que tiverem, vão querer se livrar de nós. Pior, farão isso imaturos e vão sofrer muito mais.

A sociedade precisa de chatos

Dá trabalho ir contra a maioria
Dá trabalho ir contra a maioria

Costumo brincar que sou rabugento, implicante… um chato mesmo. E penso que muita gente que passa pelo blog deve concordar. Afinal, o tempo me ensinou que devo ter minhas próprias ideias. E contrariar a maioria pode não ser a melhor coisa do mundo, mas provoca. Faz pensar.

A sociedade caminha pela homogeneidade. Há um desejo inconsciente de imitar. Basta observar o que acontece no mundo da moda. Chega-se ao ponto de usar coisas, adotar visuais que antes se abominava pela necessidade de sentir-se parte do grupo, ser aceito.

Até essa loucura toda da falta de tempo, essa correria que nos consome, é culpa desse ambiente social que exige produtividade. Se o sujeito optar por trabalhar pouco, ter uma vida mais simples, logo é taxado de vagabundo, preguiçoso.

Até os gostos musicais são impostos. Repete-se tanto uma música no rádio e na televisão que logo passa a fazer parte de nós.

O problema é que a unanimidade é burra. É irracional. Na multidão, vive-se a onda, o momento. Não se sabe muito bem por que se está lá. Entretanto, há um desejo, uma vontade de não contrariar. A pessoa passa a gostar de coisas, mas nem sabe por quê. Simplesmente faz o que a maioria faz.

Curiosamente, isso começa desde muito cedo. Ainda na infância. Não raras vezes escuto meus filhos argumentarem:

– Ah… mas o fulano faz isso.

Tá. Se o fulano faz, você tem que fazer? 

Historicamente, são os que contrariam a maioria que dão certo equilíbrio as ações coletivas. Ajudam a colocar um pouco de razão nesse mundo de emoções confusas. Vez ou outra, alguém olha pra si mesmo e consegue notar que deixou de pensar, de escrever a própria história. E dá conta de mudar de rumo porque foi provocado. Assim, desperta para uma outra vida, independente, autônoma, autêntica.

Chatos incomodam, chatos criticam, chatos nos fazem argumentar. E quando argumentamos, somos obrigados a pensar. Temos que sair de nosso estado cômodo, abandonar a passividade, deixar nossa tolice de lado. Ou expô-la. E ao nos expor, muitas vezes, descobrimos a fragilidade de nossas crenças. Notamos que nem são nossas. São apropriações de discursos alheios, mas sem origem definida.

E, sabe de uma coisa? A gente só muda de verdade, quando sai da zona de conforto, quando se confronta e rompe com a maioria.

Quem são as pessoas que mais admiramos? Aquelas que se diferenciam. Por que se diferenciam? Porque são livres, autônomas, autênticas. 

Os chatos podem não ser admirados, mas colocam nossos hábitos em xeque. Ajudam a nos descobrirmos como pessoas. E que há outras formas de viver.

A insegurança que nos mata

Uma das coisas que mais faz sofrer é a insegurança. No relacionamento, machuca demais. Rouba a alegria, gera constante estresse e, por vezes, motiva conflitos com o parceiro – que podem resultar até mesmo em separação.

Como não ficar inseguro quando a namorada faz uma viagem com amigos e você não está lá e nem conhece todo mundo que está com ela? Como não sentir-se incomodado se ele sai com amigos para uma festa, que terá várias outras garotas e você sabe que, por mais correto que seu amor seja, ele não é o tipo que passa por um ambiente sem chamar atenção? Como evitar a insegurança se as amigas dela não gostam de você e fazem de tudo para criar um ambiente favorável pra que ela conheça outros homens?

Complicado, né?

É difícil encontrar quem não tem uma dosezinha de insegurança. Nem que seja bem pequenininha. Pode até ser para situações muito específicas – bem diferentes das que listei. Mas a insegurança está lá… E incomoda. E sabe de uma coisa? A própria Psicologia explica explica, mas não dá conta de tratar de forma satisfatória desse sentimento. Afinal, teorias não silenciam a dor do coração. E quem sente só queria uma coisa: não sentir-se inseguro. Ou “prender” a pessoa amada para não correr o risco de perdê-la. Como não dá, o negócio é lidar com esse medo.

Semelhante a outros sentimentos, a insegurança tem origem na nossa própria história. No relacionamento, também pode ser motivada pela dinâmica do romance. Mas, em geral, embora internalizados, o medo e a insegurança vêm das “ameaças” externas.

Nascemos indefesos. Somos dependentes. A maneira como somos educados pode nos levar à autonomia ou a eterna dependência afetiva. Como não existem pais/educadores perfeitos, todo mundo desenvolve algum tipo de “transtorno” emocional. E aqueles que não são inseguros podem até ter confiança em excesso – o que também não é bom.

Encontrar o equilíbrio – que é o que todo mundo precisa – não é tarefa fácil. Depende de constante autoconhecimento. E de uma luta consigo mesmo.

Dá pra evitar o incômodo diante dos quadros que listei acima? Difícil, né? Como ficar bem se você sabe que seu namorado está num ambiente favorável a ser alvo de piriguetes ou de “mulheres bem sucedidas”? Tem que confiar muito nele e no próprio taco. Rsrs. Até dá pra controlar o ciúme exagerado, as perguntas insistentes, as ligações de quinze em quinze minutos… Mas impedir o coração de ficar angustiado é uma outra história.

Tem coisas que acontecem no coração que não é tão simples evitar. A pessoa não escolhe ficar insegura. A pessoa não escolhe ficar triste. A pessoa não escolhe sentir ciúme… Ninguém escolhe sofrer. As atitudes que temos diante dos fatos até podem significar escolhas. Mas nem sempre são conscientes.

Sinceramente… eu não tenho respostas pra esse tipo de dor. Apenas entendo que, se está machucando, é necessário reconhecer que tem algo errado. E se não está bem, e a relação é que produz essa ansiedade toda, dialogar com sinceridade ajuda – embora não signifique o fim desse sentimento, pois ele nasce, como dissemos, nas “ameaças” externas (e ninguém vai trancar o namorado em casa).

Outra coisa a fazer é identificar e reconhecer a própria história. A vida da gente, aquilo que já passamos, motiva muito do que sentimos. Às vezes, o problema está na gente… numa carência afetiva desenvolvida ao longo da infância e adolescência. Entender também a dinâmica do relacionamento e perceber se ele tem base sólida é fundamental para continuar – ou não – apostando no romance. Se o parceiro ou a parceira tem histórico de infidelidade e é, por isso, que gera medo… Se o relacionamento não tem compromisso… Se há dúvidas sobre o amor do parceiro… Talvez o melhor seja dar um ponto final. Não vale viver angustiado por algo sem futuro.