Por que os jornais não dizem quem apoiam?

O The New York Times declarou apoio à reeleição de Barack Obama. O editorial foi publicado nesse sábado, 27.

Quando vi a notícia, lembrei de uma discussão que já fiz várias vezes em sala de aula. Nos Estados Unidos é comum os jornais se posicionarem. E sem prejuízos. Para eles, para os eleitores e para os políticos.

O NYT anunciou que prefere Obama e isso não o fará perder leitores republicanos. Nem Mitt Romney deixará de falar com os repórteres do jornal. Também não se sentirá perseguido.

Há maturidade política suficiente nos Estados Unidos para que todos entendam tal atitude como natural. Sabem que os veículos de comunicação não deixaram de exercer seu papel social pelo fato de apoiarem um candidato.

Como isso seria aqui no Brasil? Impossível, né.

Os eleitores diriam que os jornais e jornalistas estariam vendidos. Os políticos passariam a privilegiar as informações para os que os apóiam e se achariam perseguidos pelos veículos que escolheram os adversários. E, por vezes, muitos meios de comunicação perderiam a linha e se engajariam, de fato, na campanha eleitoral. Seria um “deus nos acuda”.

Infelizmente, o que acontece lá não tem como acontecer por aqui. Embora ainda ache que seria mais justo, inclusive com os eleitores – afinal, todos têm uma posição -, falta maturidade para todas as partes envolvidas.

Pouca gente daria conta.

Por enquanto, há apenas dois exemplos de posicionamento declarado. Nas eleições presidenciais, o Estado de São Paulo declarou apoio a José Serra; a revista Carta Capital, a Dilma Rousseff.

É alguma coisa. Um começo. Quem sabe, um dia a gente chegue ao ponto de ter uma cultura política que permita um debate transparente e sem e menos hipócrita.

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Obama, Hillary e a graça sem graça do CQC

Nada contra o humor. Nada contra a ironia. Humor e ironia são coisas que poucos dominam. Entretanto, os caras do CQC não têm muita noção. Aliam a inteligência com arrogância.

Acho que o programa consegue, por vezes, ser engraçado. E dá conta de ser crítico de maneira pouco habitual.

Entretanto, por vezes, perdem a mão.

Fiquei profundamente incomodado com o comportamento dos integrantes do CQC quando o presidente americano Barack Obama esteve no Brasil. Achei as piadinhas incoerentes. Faltou bom senso. Tentar abordar o chefe da nação mais poderosa do mundo para fazer graça, do jeito que tentaram fazer, pareceu-me um despropósito.

Mas, como se não bastasse, repetiram a dose nesta semana. Durante a visita de Hillary Clinton, o “repórter” Maurício Meirelles criou constrangimento entre os demais jornalistas brasileiros ao tentar entregar um adereço carnavalesco à secretária de Estado norte-americano. Antes disso, Maurício já havia gritado um “I love you, Hillary”.

O evento estava sendo transmitido ao vivo por algumas emissoras. E, também por isso, as “brincadeiras” do repórter do CQC acabaram rendendo bate-boca com jornalistas.

Com cara de bonzinho e fazendo-se de vítima, Meirelles acabou alardeando no twitter que um outro repórter o ameaçou.

Sou contra a violência, mas entendo a irritação dos jornalistas diante das atitudes desse pessoal do CQC.

Gente, não se trata de liberdade de expressão. Fazer brincadeiras com nossos políticos, que já são uma piada pela própria natureza, é uma coisa bastante diferente de interferir – e atrapalhar – em transmissões de outros canais. Mais que isso, não se trata de “vender” uma falsa imagem ao exterior, mas cai bem um pouquinho de respeito às autoridades de outro país.

Minha mãe já dizia: “tem hora pra tudo”.

É bem isso. Não tem graça essas brincadeiras em visitas de representantes de outros países e até mesmo em alguns outros eventos.

Pra quê isso? Nada justifica.

É falta de criatividade. É brincar com o constrangimento alheio. É fazer papel de idiota. E mais idiota ainda é quem, do outro lado (o público), ri dessas asneiras.

Desculpem-me, mas, para propostas vazias como essas do CQC, defendo sim algum mecanismo de controle, censura, de impedimento até mesmo do trabalho desses pseudo-repórteres.

Dá para fazer humor. Dá para ser irônico e crítico. Mas é preciso ser inteligente. Não há propósito nesse tipo de riso. Trata-se de um comportamento inadequado, invasivo, prepotente, arrogante. Ninguém ganha nada com isso; nem a comédia.

Bin Laden: sua morte não garante a vitória contra o terrorismo

Uma das primeiras notícias que ouvi nesta segunda-feira foi a respeito da morte de Bin Laden. Navegando pela net, vi comemorações em várias partes – principalmente nos Estados Unidos.

Não sei se a morte de alguém é algo a se comemorar. Reconheço que o terrorista era considerado uma espécie de inimigo número um dos americanos. Ainda assim, acho pequeno se alegrar na morte de alguém – por pior que essa pessoa seja.

Entendo que Bin Laden faça parte daquela lista de pessoas que acreditamos não ter conserto. Não dá para imaginar que, mantendo-o vivo (ainda que preso), o mundo estaria livre de suas ações. Mas matá-lo é a solução? Estaremos seguros, como sustenta o presidente Barack Obama?

Em alguns momentos parece-me a humanidade está impotente. Dá vontade de fazer justiça. Queremos justiça. Bin Laden e seus “discípulos” não devem permanecer impunes. Mas nossas fórmulas também estão longe de serem as mais apropriadas. A morte do terrorista silencia nosso desejo de vingança, mas não nos garante a vitória contra o terror.

Obama e o Brasil

O fim de semana foi marcado por notícias da visita de Barack Obama ao Brasil. Confesso que pouco acompanhei. Não só pela falta de tempo, mas por não ver tantos benefícios práticos nessa passagem do presidente americano por nosso país.

Claro, não dá pra ignorar o que significa a presença do chefe de Estado da maior potência mundial. E por isso destaco uma de suas frases:

Se o Brasil é o país do futuro, o futuro chegou.

Frase de efeito ou não, saiu da boca de Obama. E virou manchete. Significa uma crença real do presidente dos EUA? Não sei. Mas sugere algo que nós, brasileiros, já deveríamos começar a sustentar: nosso país deixou de ser um coadjuvante no cenário mundial. Enquanto potências fraquejam, o Brasil muda, o Brasil cresce – e em todos os aspectos: econômico, social, cultural etc. A visita de Obama atesta isso.

As revistas da semana

VEJA: – Ajuda para morrer. Médicos, pacientes e familiares relatam como enfrentaram o momento em que a vida se tornou apenas o prolongamento da morte. A revista revela o que muda com o novo código de ética médica. Pesquisas: por que os resultados variam tanto. A influência dos institutos de pesquisa na escolha do presidente da República. É um tanquinho ou não é? Barriguinha definida é meta entre adolescentes.

ÉPOCA: – Os segredos dos bons professores. Os mestres que transformam nossas crianças em alunos de sucesso (e o que todos temos a aprender com eles). Qual será o papel da internet na eleição? É verdade que sites, blogs e redes sociais terão maior influência neste ano. Mas não, ainda não teremos um fenômeno como Obama no Brasil. O derrame das mulheres jovens. Elas tiveram um AVC antes dos 30 anos, e sobreviveram. O que é preciso saber para se proteger da doença que mais mata no Brasil.

ISTO É: – A próxima geração da pílula. O anticoncepcional que revolucionou os costumes ficará mais natural, ecológico e uma versão masculina deverá chegar ao mercado em dez anos. Caem os mitos sobre a adolescência. Uma série de estudos revela que os jovens não são tão inconsequentes, egoístas e preguiçosos quanto parecem. Cinema, Homem de Ferro: missão cumprida. Com um time de estrelas e uma trama convincente, a sequência do herói supera o filme original.

CARTA CAPITAL: – Mas haveria outra saída? O impasse socioambiental permanece, mas o Brasil precisa da força das turbinas de Belo Monte. Ainda na edição, as guerrilhas eleitorais na internet. Pediram para Ciro Gomes sair. Agora não tem mais volta, a direção do PSB definiu o script para uma ‘saída honrosa’ do deputado.