A mesma beleza que abre portas pode punir

Numa sociedade que valoriza a aparência, pessoas consideradas bonitas também têm mais êxito profissional. Estudos desenvolvidos pelo economista e professor Daniel Hamermesh, da Universidade de Londres, revelam que, no Reino Unido, em média, os homens bonitos ganham cerca de 5% a mais; já os menos atrativos, 13% a menos. Em países orientais, as mulheres bonitas recebem 10% a mais e as consideradas menos atrativas, até 31% a menos.

Sabemos que a beleza importa. E é por isso que a maioria das pessoas gasta diariamente um tempo se arrumando. Afinal, a beleza pode ser produzida. Ou potencializada com roupas adequadas, cuidados com a pele, cabelos, maquiagem, exercícios físicos, alimentação etc.

O professor Daniel observou que os homens gastam aproximadamente 32 minutos por dia para cuidarem do asseio e se produzirem; as mulheres, cerca de 44 minutos.

Investimos tempo, energia e dinheiro na beleza. Os números da indústria estética confirmam que cuidar da aparência é uma de nossas prioridades. Basta observar que, em 2018, apesar de todas as dificuldades econômicas do país, o mercado da beleza cresceu 2,7% e projeta um aumento de vendas ainda mais significativo para este ano. O Brasil já é o terceiro maior faturamento da indústria da beleza mundial. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Mas a beleza que abre portas no mercado de trabalho também pune as pessoas consideradas belas. Elas são invejadas e, nas empresas, como frequentemente são as escolhidas para certos projetos, são as mais criticadas pelos colegas, porque se espera delas que também sejam as mais talentosas, as mais habilidosas.

Os estudos do professor Daniel Hamermesh ajudam a compreender como nossos julgamentos baseados nas aparências podem ser injustos. A vida das pessoas que não estão na lista das mais atrativas se torna bem mais difícil; já os bonitos podem até ter mais portas abertas, mas sofrem com a inveja, as cobranças e até os buchichos maldosos no cafezinho.

Pois é… As relações seriam bem mais simples se tratássemos as pessoas considerando apenas o fato de serem gente como a gente.

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Os sábios e os que levam pessoas à justiça

Às vezes, a gente lê um texto (ou imagem) e não consegue notar sua incrível beleza ou profundidade. Alguém precisa fazer isso por nós… Precisa chamar nossa atenção.

Foi o que aconteceu comigo ontem. Um historiador mencionou o livro de Daniel, capítulo 12, verso 3, ao falar de uma educadora que morreu na última semana. Abri o texto bíblico, que havia lido algumas vezes, mas nunca tinha me chamado atenção. Agora, as palavras saltavam aos olhos:

“Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”

Uau! Lindo demais!! Que belas palavras… Que bela promessa! Os sábios sempre brilharão. E brilharão intensamente; possuem luz própria, encanto próprio. O que é o céu? O céu é imenso, misterioso e, ao mesmo tempo, revelador. Quanto mais olhamos, mais admiramos, mais descobrimos. Se observamos mais de perto (telescópios nos ajudam bastante), imagens ainda mais incríveis surgem diante de nossos olhos.

aqueles que levam as pessoas à justiça, serão lembrados… Serão as verdadeiras estrelas. Não uma estrela efêmera, dessas que conquistam “sucesso” com seus corpos, com as banalidades que falam, com o dinheiro que ganham… Não serão as estrelas cultuadas por valores transitórios. Serão estrelas, possuirão brilho eterno, porque terão feito a diferença na vida de outras pessoas. E isso é o que realmente vale a pena.

O corpo como instrumento de conquista

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Às vezes me questiono sobre o valor de determinados textos que escrevo… Acabo me perguntando: será que as pessoas não sabem disso? Era necessário tratar desse tema?

É o caso deste texto. Parece tão óbvio que o corpo não deve ser instrumento de conquista que nem deveríamos discutir a questão. Entretanto, não raras vezes, noto que algumas pessoas fazem do corpo o principal instrumento de sedução.

Sabe, não existe problema em se cuidar. E cada um deve saber em que medida se sente confortável em sensualizar, seduzir… Porém, no que diz respeito à conquista, é fundamental compreender que, se o corpo é o “cartão de visitas”, você atrairá pessoas que mais valorizam a imagem que o conteúdo.

Estar bela, sentir-se bela é fundamental. Faz bem para a autoestima. Ninguém gosta de se sentir “caidinho”. Muito menos se sente confortável em sair de “qualquer jeito” para encontrar alguém. Entretanto, existe uma enorme diferença entre ser/estar bonita, ter um belo corpo, vestir-se bem e usar o corpo para conquistar. Quem faz isso atrai gente que se interessa por um corpo, pela aparência. Atrai gente que quer a mulher gostosa, não quer a inteligência dela.

Isso é machismo? Sim. É justamente a cultura machista que motiva essa visão da mulher como produto a ser consumido. Por isso, quando a mulher faz do corpo um instrumento de conquista, reproduz essa visão machista. Além disso, em certa medida, está aceitando ser tratada como objeto.

Mulheres que querem ser bem-sucedidas num relacionamento usam a inteligência, o conhecimento, para mostrar quem são. Essas mulheres vão atrair homens sensíveis e interessados em ter como parceira alguém que é muito mais que um corpo; vão atrair homens que têm interesse num compromisso para a vida, pois sabem que a beleza vai embora, mas o ser humano – com seu saber, com seus valores – permanece.

Um convite para a vida

viver

Tem dias que os problemas nos consomem. Cansam, esgotam. A gente se sente péssimo. Perde-se a vontade, o desejo… Nada parece fazer sentido. Chega-se a imaginar que a vida é um grande vazio. Lembramos das rotinas, de tudo que fazemos repetidas vezes, e concluímos que a existência é muito chata.

Hoje, depois de ouvir uma pessoa lamentar pela “vida chata”, pensava nas sensações ruins que certos momentos nos trazem. Fiquei procurando elementos que podem acalmar o coração. Minutos depois, saí da mesa, percorri o corredor até onde fica o bebedouro. Enquanto aguardava encher o copo, olhei pela janela do prédio. Vi o céu azul, a copa das árvores, ouvi o ruído da cidade em pleno movimento. Observei as pessoas caminhando, alguns pássaros… Senti paz.

Parar por aqueles poucos instantes e simplesmente contemplar, me fez sorrir. O céu azul parecia agradecido porque eu o observava… Ele parecia convidar para o sossego, para uma pausa na agitação. Um pensamento percorreu minha mente:

– Tudo que a gente mais precisa é parar, descansar.

Não é descansar numa cama debaixo dos lençóis. É descansar das preocupações. Permitir-se viver. Viver é sentir. Sentir a natureza, sentir o toque, sentir o sangue pulsar.

Numa certa ocasião, Cristo falou aos seus seguidores sobre os problemas que geralmente ocupam nossa mente. Entre outras coisas, ele disse:

Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?

E continuou:

Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.

Ao olhar pela janela, vislumbrar tanta coisa bonita, ver a bela cidade onde moro, lembrei desse discurso de Cristo. Acho que Ele já naquela época nos convidava a desfocar um pouco dos problemas e se dar uma chance. Uma chance de contemplar, de sentir. Cristo diz “observem”, “vejam”. Quem hoje para tudo, investe tempo para simplesmente “observar”? Quem se dá ao “luxo” de ver? De sentir?

Nossos olhos contemplam a tela do computador, nossos olhos se fixam nas imagens em movimento da tela da TV ou do cinema. Nossos ouvidos escutam ruídos mecânicos, tecnológicos, sintetizados… Nossas mãos tocam botões, aparelhos… Nossas mãos tocam a pele de alguém apenas quando buscamos o sexo. Porém, ignoramos outras tantas formas de prazer que o tato – e demais sentidos do corpo – nos proporciona.

Talvez quando nos sentimos consumidos pela rotina, algo dentro de nós esteja a nos convidar a parar e simplesmente contemplar. Desligar-se das telas, desligar-se dos aparelhos, dos sons, sair dos ambientes fechados… Quem sabe sentar num banco de praça ou apenas abrir nossa janela e ver… Ver e sentir o mundo. A natureza nos acalma. Somos parte dela. Ela nos convida a viver. Uma vida mais simples… Num ritmo compassado, tranquilo.

O mundo natural nos ensina… Na natureza, cada coisa acontece no seu tempo. Cada ser ocupa-se apenas do que lhe cabe ocupar-se. E tudo acontece no seu tempo… Inclusive a vida ou a morte.

Na segunda, uma música

Num tempo em que as músicas banalizam os relacionamentos, falam de homens e mulheres como objetos de puro prazer e conquistas são referenciadas em valores econômicos, a canção de hoje merece destaque. E por contrariar essa “lógica”. O clipe é uma história “à parte”.

Não diria que “Mocinho do cinema” tem uma poesia única. Não. A música de Ivo Mozart é simples. E na simplicidade está a graça, a beleza desta canção.

O personagem não leva a mocinha pra cama. A música não fala de sexo. Não tem ritual de acasalamento. Mas tem conquista. E de um jeito bem diferente do sustentado pelos sertanejos e funkeiros. Não tem carrão, conta bancária… Nada disso.

Se estou sem carro não me importo ir de carona
Tudo o que eu quero nessa vida,
é viver de coisas boas

Apenas um sujeito comum, com jeito simples de viver e que ainda acredita que a vida vai além de poder, riqueza. É possível ser mais sendo gente. Sem necessidade de exibir-se, de desfilar objetos de valor e nem ter que se impor como mais forte.

Sei que não sou o mocinho do cinema
E nem pareço o Romeu da Julieta
E sempre uso chapéu velho e camiseta
Mas sempre faço valer a pena
Pra ser feliz o amor tem que ser verdadeiro
Felicidade é a chave do segredo
Só com um sorriso ponho cores no seu mundo

Convido os amigos e leitores a ouvirem a música desta segunda-feira. E, claro, curtirem o clipe. Vale a pena.

A beleza não mora ao lado

felicidade

Quem determina o padrão de beleza? Afinal, há um padrão? Existe uma medida que defina as formas belas do corpo humano?

Confesso que sou um pouco exigente. Penso que é preciso se cuidar. Entendo inclusive que cuidar do corpo é cuidar do relacionamento. Quem procura estar bem, de alguma forma, diz pro outro que se importa, que se interessa, que o ama. Afinal, o que justifica cuidar-se pra conquistar e, após conquistado o “bem amado”, abandonar-se?

Esta semana, por exemplo, vi de longe um uma pessoa que conheço há uns oito anos. Ele está com uma barriga tão grande que chega a dobrar por sobre a calça. É um homem ainda jovem. Não deve ter 30 anos. Quando casou, a circunferência abdominal certamento não chegava a 100 centímetros. Hoje, não tenho ideia das medidas.

Entretanto, penso que há dois extremos. Existem pessoas que simplesmente abandonam-se. E outras que tornam-se reféns de um padrão irracional de beleza. Por conta disso, sofrem. E sofrem muito.

Bulimia, anorexia e outros transtornos são doenças comuns nos dias atuais. Gente que se olha no espelho e vê uma distorcida de si mesma. Sem referências do próprio corpo e com noções completamente equivocadas do que é belo, abrem mão de viver.

As mulheres são as principais vítimas. Mas muitos homens também experimentam essa lógica irracional. Como sugere Augusto Cury, escalas irracionais de sensualidade levam homens e mulheres a se sentirem deficientes, deformados, não atraentes, não admirados.

Essas pessoas fazem tudo, de exercício a intervenções cirúrgicas, para terem um corpo supostamente perfeito. Mas nunca estão satisfeitas.

Mulheres com barriginha ou dobrinha nas costas se submetem a lipoaspirações; aquelas que têm seios menores, colocam silicone; as que têm seios grandes, reduzem; mulheres magras passam semanas, meses em academias para ganhar massa muscular… Homens de várias idades tomam suplementos diversos para “crescer”. Precisam ficar saradões.

brunetO problema é que os padrões estéticos mudam com a mesma rapidez que surge um novo celular. Luiza Brunet, sucesso como modelo nos anos 1980, não seria referência de beleza nas passarelas nos dias de hoje. E por falar em passarelas, quem inventou essa história de garotas de 15, 16 anos serem as referências de corpo para exibirem as novas coleções?

Às vezes chego a ter a impressão que existe uma intenção oculta em plantar a insatisfação constante, porque gente insatisfeita consigo mesmo consome mais, gasta mais.

Tem alguma errada. Mulheres reais não são feitas em máquinas. Não são produzidas em escala industrial. Possuem biotipos diferentes. Algumas são baixas, outras altas. Há aquelas medianas. Vale o mesmo para os homens. Tem gente magrinha. Tem gente mais forte. Alguns desenvolvem barriguinha com facilidade. Às vezes, culote. Entretanto, do ponto de vista da indústria da beleza, não existem seres humanos; existem objetos humanos.

banhistaE detalhe, o que se mostra como o padrão estético atual é apresentado como uma referência absoluta de beleza. A verdade estética, o modelo supremo, perfeito. Silencia, porém, que não faz tanto tempo assim que eram exaltadas em verso e prosa mulheres roliças, gordas – como a retratada por Jean Auguste Dominique no início do Século XIX.

Por meio da televisão, do cinema, das revistas uma imagem é construída. Afinal, aquilo que pensamos sobre nós é resultado daquilo que vemos, escutamos, sentimos. Quando os veículos de comunicação desfilam esse padrão irracional de beleza, homens e mulheres passam a se espelhar nele. A imagem torna-se realidade. A imagem passa a ser o objetivo a ser alcançado pelas pessoas normais. E isso desenvolve frustração, vergonha e até depressão, porque as referências são inatingíveis para a maioria. Tem gente que ganha meio quilo e já fico ansioso.

Sabe, como disse lá no comecinho do texto, defendo a importância de cuidar-se. Estar bem. Mas o que é estar bem? Será que estar bem é agredir-se? Deixar de comer um pedacinho de chocolate após a refeição? Dividir uma pizza com a pessoa amada de vez em quando? Tomar um sorvete numa noite de calor? Ou estar bem é contar as calorias a cada porção que se coloca na boca? É ficar atrás da última receita da moda? Visitar o cirurgião plástico antes de todas as férias? Sofrer toda vez que vê a atriz na novela das 21h desfilar à beira do mar (e lamentar-se não ter o corpo dela)?

Gente, todo mundo tem alguma parte do corpo que não gosta e parece imperfeita. Não dá pra viver se lamentando por isso. Estar bem é estar saudável. É aceitar-se, amar-se. É ter disposição pra viver e pra fazer viver.

Narcisismo e solidariedade zero

narcisismoNavegando por sites de notícias, encontrei uma informação curiosa: quanto mais músculos, menos disposição a pessoa tem para ajudar o próximo. A matéria está na Época Online e traz, inclusive, uma foto de Mahatma Gandhi. O líder indiano tinha 1m64 e apenas 46 quilos.

Bom, não vou discutir a reportagem. Na verdade, fiquei pensando: quem, hoje, tem disposição para ajudar? Sim, porque me parece que a questão é muito mais complexa. Falta empatia, afeto, amor. Não há um olhar pelo outro. Vale a máxima “cada um por si, Deus pra todos”.

É verdade que pessoas voltadas para o corpo, que cultuam a beleza física, têm um olhar mais egoísta. São menos desprendidas. Olham primeiro para si mesmas.

Entretanto, quem não faz isso?

Vivemos uma época em que não há comprometimento. O outro nos é interessante quando nos serve. A partir do momento que pede nossa ajuda, começa a incomodar. Falta interesse pelo outro.

Vivemos desapegados. Nos relacionamos, mas de maneira superficial. E o corpo passou a ser a instância última. É por ele, inclusive, que chamamos atenção. Para sermos notados, investimos na beleza física. Ou em roupas, maquiagem, adereços de todo tipo. E a máxima já não vale apenas para mulheres. Homens também vivem sob essa lógica cruel.

Não há indicação de que isso vai mudar. As pessoas se distanciam cada vez mais. E as novas tecnologias aprofundam essa realidade, pois criam a ilusão de proximidade quando, na verdade, intensificam a individualidade. Cada um vive mergulhado no seu próprio universo particular. Um universo criado sob medida para manter seus usuários protegidos das frustrações e confrontos que os relacionamentos exigem.

Cenário ruim. Futuro incerto.