O (des)governo Beto Richa

Os problemas em Brasília têm sido tantos que criam uma cortina de fumaça. A coisa anda tão complicada por lá que gente não enxerga que, aqui no Paraná, o governo Beto Richa tem transferido para a população os erros que cometeu na gestão das finanças do Estado.

Desde que foi reeleito, Beto Richa já mexeu na previdência dos servidores estaduais, aumentou impostos – até da comida… E, nesta semana, entregou à Assembleia Legislativa um pacote de medidas que mais uma vez transfere a conta para o cidadão.

Entre as medidas propostas pelo governador está o fim da isenção de crédito de ICMS para transporte de carga. Quem vai pagar a conta? As empresas. Que, por sua vez, sempre repassam a conta para o cidadão.

Beto Richa também está mudando as regras para quem compra pela internet. Se você comprar um produto de uma loja virtual de São Paulo, por exemplo, você poderá ter que pagar a diferença do ICMS. Para quem não sabe, as alíquotas nem sempre são as mesmas nos estados. O ICMS de um livro no Paraná pode ser diferente do ICMS cobrado do mesmo livro em Minas Gerais, no Rio de Janeiro… Essa diferença, o governo do Paraná vai querer receber. E se a loja não pagar a diferença, o cliente, que é aqui do estado, poderá ser cobrado por isso.

Mas as medidas anunciadas pelo governo vão além… De novo, o Paraná vai tirar dinheiro do fundo de previdência dos servidores estaduais e transferir para o caixa do Estado. Isso já vem acontecendo por meio da chamada taxação dos inativos.

E, como a disposição do governo Beto Richa é grande para levantar dinheiro, ele também propôs um mecanismo que vai permitir que o Estado venda ações da Copel e da Sanepar sem precisar consultar os deputados. Isso mesmo: o governo está propondo que, quando quiser vender um pedaço da Copel ou da Sanepar, vai poder fazer isso sem consultar ninguém.

Ou seja, são medidas duras, que vão recair sobre a população e, pior, vão ser aprovadas. Os deputados paranaenses fazem tudo que o governo quer. A Assembleia Legislativa do Paraná é submissa. E, sem sofrer grandes questionamentos da imprensa paranaense e nem da própria população (que só tem visto o desastre do governo Dilma), o governo vai aprovar o quiser e nós vamos pagar mais essa conta.

E sabe o que é mais irônico nessa história toda? Ainda nessa quarta-feira, 16, estava vendo o governador Beto Richa criticar o governo Dilma pelo aumento da CPMF. Lembrei daquele ditado popular… “é o sujo falando do mal lavado”.

E assim caminha a política brasileira.

Ps. Comentário desta quinta-feira, 17, feito na Metropolitana FM Maringá. 

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Beto Richa e o efeito de verdade

betorichaNa política não vale o que o governante ou legislador faz, mas o que aparenta fazer. E quem consegue validar o discurso como expressão da verdade junto ao eleitorado se mantém no poder. Para isso, entre as estratégias estão o marketing político, a simpatia, a empatia, a linguagem fácil.

Desde a posse do governador Beto Richa, noto sua habilidade no diálogo com o paranaense. Embora faça uma administração fraca, ele conseguiu “colar” o discurso de que pegou um estado falido e o governo federal não lhe repassa recursos. Portanto, o que o Beto deixa de fazer é culpa de Roberto Requião e do governo petista – em especial, por conta da provável candidatura de Gleisi Hoffmann.

O efeito de verdade é obtido a partir de fragmentos da realidade. Por exemplo, é fato que o Paraná teve dificuldades financeiras no final do governo Requião. Os problemas que o atual senador teve com seu sucessor, o vice Orlando Pessuti, reforçaram a tese de que o Estado estava falido.

No caso da relação entre o Paraná e a União, problemas nas contas do Estado (coisas técnicas que o eleitorado dificilmente vai entender) afetaram a liberação de vários empréstimos e também o repasse de recursos ficou comprometido. Além disso, o corpo técnico de Beto é ruim; faltaram projetos junto aos ministérios para liberar mais dinheiro. Somando isso a pouca disposição do governo federal em facilitar (pois quer assumir o poder por aqui), de fato os petistas mandaram pouco dinheiro para o Paraná.

Ou seja, os argumentos de Beto Richa resgatam parte dos fatos. Isso garante às meias verdades aparência de verdade. Com a simpatia que lhe é peculiar, empatia junto ao público, postura segura, linguagem popular e um bom marketing político, muita gente reproduz o discurso do governo paranaense. Já escutei de gente simples frases do tipo:

– Tadinho do Beto. Ele é tão legal! A Gleisi é que atrapalha tudo. Não ajuda o Paraná.

A Gleisi de fato não ajudou. Porém, isso faz parte do jogo político (não estou dizendo que deveria ser assim). Se tivéssemos um governador petista e um presidente tucano, não seria muito diferente. O que o governo Beto silencia é sua pouca eficácia na gestão do Estado. Maringá, por exemplo, durante a administração Silvio Barros, era oposição aos petistas. Ainda assim, proporcionalmente, foi o município brasileiro que mais recebeu recursos da União. E Silvio assumiu a prefeitura com restos a pagar da administração anterior, falta de certidões que inviabilizavam empréstimos etc. Porém, mudou isso ao longo dos anos. Um governo competente,  poderia ter feito o mesmo no Paraná.

Na prática, Beto Richa sustenta sua popularidade por meio do discurso. O que ele diz parece ser a verdade. Assim, mantém a aprovação do eleitorado e entra no último ano de gestão ainda como favorito à reeleição.

Beto Richa, as ameaças de greves e o marketing político

Ninguém pode negar a habilidade de marketing do governador Beto Richa. Não foi por acaso que ele foi avaliado por várias vezes o melhor prefeito do Brasil. O sistema interno de pesquisas da prefeitura conseguia garantir um bom termômetro das insatisfações da população e as respostas do poder público contemplavam essas demandas. Com isso, o povo ficava agradecido e respondia com boa aprovação do governo dele.

No Palácio Iguaçu, Beto Richa parece disposto a repetir o sucesso que teve na prefeitura. Deixa isso claro quando, frequentemente, cita o tempo em que comandou o Executivo da capital. E as reações do governador diante das crises demonstra que age movido pelo que pode acontecer com a opinião pública.

Foi assim com a ameaça de greve dos policiais. Rapidamente, Beto tentou conter a categoria espalhando notícias na imprensa sobre investimentos que estariam sendo feitos na segurança pública – incluindo a contratação de servidores. Ou seja, mesmo sem uma proposta satisfatória para a categoria, o governador tenta manter a população ao seu lado, já que aparece na mídia mostrando as “conquistas” e os “investimentos” no setor.

A lógica é a mesma no caso dos professores e trabalhadores das universidades públicas do Estado. A ameaça de greve existe. A insatisfação é grande. Entretanto, os servidores da educação sabem que podem não ter o respaldo da população. Afinal, o governo mostra números, contratações, apresenta dados que sustentam o discurso:

– “Gente, acabei de chegar ao governo. Já fiz isso, mais isso e aquilo. Preciso que tenham um pouquinho de paciência. E já propus reajuste. Só não posso pagar tudo agora”.

E até deu data: dia 20 próximo promete apresentar uma nova proposta salarial e até rever o corte de orçamento das universidades.

Além disso, o governo conta com um argumento bastante razoável: trata-se de um ano eleitoral. Logo, a ameaça de greve é política de opositores. Esta é sempre uma boa tese. E quase sempre representa uma verdade – ainda que parcial.

Portanto, sustentando-se sob um bom marketing político, cá com meus botões, penso que Beto Richa não deverá ter sua imagem afetada junto ao eleitorado. Não creio que terá problemas para reeleger-se em 2014.

Política, a arte da conveniência; também para Beto Richa

A política é a arte do impossível. Inimigos se unem pelo poder. Gente aparentemente honesta abraça quem tem ficha suja para garantir a vitória ou a tal da governabilidade.

Isso não é novidade. Podemos não concordar. Mas é assim que funciona.

Nada é definitivo na política.

É verdade que há casos de inimigos históricos. Políticos que se construíram justamente pela rivalidade. No eterno embate, fizeram-se importantes e conquistaram fama e poder.

Em Londrina, por exemplo, tínhamos a impressão que seria esta a trajetória de Antonio Belinati e Luiz Carlos Hauly. O ex-prefeito e o atual secretário de Fazenda do Paraná são inimigos políticos.

Hauly, que já disputou quatro vezes a prefeitura daquele município, enfrentou Belinati duas vezes no segundo turno. E o confronto sempre foi duro. Os casos de corrupção dos governos de Belinati foram argumentos recorrentes de Hauly para enfrentá-lo nas disputas eleitorais. Nunca surtiu efeito. Mas restou a impressão de que não seria conveniente convidar Belinati e Hauly para o mesmo jantar.

Neste ano, porém, o secretário de Fazenda poderá ter de engolir as críticas, silenciá-las. E o motivo é simples: o governador Beto Richa quer uma aliança e, se possível, candidatura única de seus aliados. Acontece que, mais uma vez, destacam-se na disputa os grupos de Belinati e Hauly. E ambos são base do governo de Beto.

É verdade que o velho Belinati provavelmente ficará fora da disputa. Seus problemas com a Justiça podem deixá-lo fora do pleito. Ele, porém, deverá ser representado pelo sobrinho, o vereador Marcelo Belinati (PP).

Beto Richa é simpático a uma aliança entre tucanos e progressistas. É conveniente uma aliança na disputa pela prefeitura. A vitória seria quase certa e a Prefeitura de Londrina estaria sob o comando de um aliado. E estes não chegariam divididos no pleito de 2014. Claro, o governador pensa em si mesmo. Já está de olho na reeleição. Quer todo mundo unido para garantir amplo apoio na corrida estadual.

O caso, como disse, é um exemplo claro de que, na política, vale tudo. Não importa a história. Vale a manutenção do poder. E nenhum de nossos representantes foge desta lógica. Nem Beto, nem Alckmin, nem Lula, nem Dilma.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Silvio já pensa na sucessão municipal
Prefeito Silvio Barros diz que o seu sucessor deverá ser, em primeiro lugar, temente a Deus e, em segundo, ter experiência em gestão pública. Ele conta que já tem um nome na cabeça, mas acha cedo para fazer a revelação.

HOJE NOTÍCIAS: – Richa promete enxugar a máquina do Estado
O governador eleito do Paraná, Beto Richa, e o atual governador, Orlando Pessuti, devem indicar nomes para equipe de transição nos próximos dias. Ontem, em entrevista coletiva, Richa voltou a afirmar que sua prioridade são a saúde, a segurança pública e a educação. Entretanto, apontou que, primeiro, vai trabalhar para eleger José Serra presidente.

JORNAL DO POVO: – Governador eleito reforça campanha de Serra
Ontem, Beto Richa chegou a anunciar que estaria em Maringá nessa segunda-feira. Porém, cancelou a visa em cima da hora em razão do clima que impediu as operações no Aeroporto de Curitiba. Em sua página na internet, o governador eleito parabenizou a votação expressiva dos candidatos ao Senado, Ricardo Barros e Gustavo Fruet.