BBB, Veríssimo e a ignorância

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Terça-feira, 14/1, tem estreia na Globo. Pela 14a vez, a emissora carioca vai apresentar o Big Brother Brasil. E, claro, o programa desperta paixões. Gente que gosta e gente que não gosta se posiciona para verbalizar suas opiniões. Alguns, sem ter o que dizer, apropriam-se de argumentos de outros para tecerem suas críticas. E a internet ajuda muito nisso. 

A internet é terra de ninguém. Ambiente próprio para que verdades e mentiras circulem com a mesma autoridade. Gente famosa, conhecida divide espaço com milhares, milhões de anônimos que também ganham status de produtores de conteúdo. Todos podem consumir informações, dar ou compartilhar notícias. Pois é… E também fazem isso pra tratar do BBB. 

A internet é revolucionária. Porém, como pontuei, é terra de ninguém. Pessoas dotadas de inteligência e responsabilidade circulam por aqui ao lado de outras tantas sem nenhum compromisso. Apenas com a ousadia e/ou coragem permitidas pelo anonimato ou por contarem com a precipitação alheia que transforma boatos em verdades absolutas. Na rede, dá para publicar o que quiser. Inclusive muitas bobagens. 

Neste ano, de novo, outra vez… pra falar do BBB, estão ressuscitando um suposto texto de Luís Fernando Veríssimo. Nele, o cronista e escritor simplesmente desconstruía o programa global. Já falei sobre esse texto aqui. Por sinal, esse post nada mais é que uma atualização de algo que escrevi há quatro anos. Entretanto, se resgatam o texto do Veríssimo, que nem é dele, estou no direito de reescrever o meu.

Pois bem… há vários argumentos interessantes no tal artigo. Entretanto, embora não seja especialista em Veríssimo, na época que vi o “artigo” pela primeira vez, estranhei o estilo e, como aprendi a desconfiar de tudo que circula na rede, pesquisei o famigerado texto.

Como supunha, nada prova que seja do Veríssimo verdadeiro, o gaúcho, autor premiado e colunista de grandes jornais. Além disso, quem faz circular o artigo tratou de atualizá-lo, já que uma versão semelhante circula desde os tempos do BBB 10. Ou seja, o texto não é do Veríssimo. Colocaram o nome dele no “artigo” e publicaram na rede. 

Na prática, a situação só reforça minhas crenças que a gente precisa ter um pouco mais de bom senso e desconfiança com o que vê ou com o que é falado na internet. Não é por que um texto vem assinado como do Jabour, do Veríssimo, do Alexandre Garcia ou seja lá quem for que vamos sair por aí afirmando: viu o que fulano escreveu? Reproduzindo algo que pode não passar de mais uma tremenda bobagem.

Ainda há pouco, apontei que há argumentos interessantes nesse texto. Porém, o “artigo” perde autoridade por seu autor simplesmente não ter a capacidade de assiná-lo, dizer quem é. Lamentável.

Portanto, quem se propõe a criticar o BBB, primeiro deve se questionar. Analisar se tem os argumentos certos, se não está apenas “entrando na onda”. Depois, se quer se apropriar de um texto para tratar do programa, necessita reunir as habilidades mínimas necessárias para certificar-se de que os argumentos têm autor conhecido, se o autor é de fato o autor mencionado e se o que está ali escrito é confiável.

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Há vida inteligente no BBB?

Andressa Ganacin, de Cianorte, é uma das participantes do BBB
Andressa Ganacin, de Cianorte, é uma das participantes do BBB

Estreia de mais um Big Brother. É o 13º. Diferente da grana extra do fim do ano, o reality show não me proporciona nenhum prazer. Pelo contrário, produz inclusive certo estresse. Sem contar que, neste ano, até estava interessado em dar uma olhadela no “O canto da sereia”. Mas como achar disposição pra ver televisão depois das bizarrices do BBB? Dá não. Melhor deixar o aparelho desligado. Nas horas vagas, gasto uns minutinhos navegando na internet e invisto outros em algum livro.

Confesso que já espiei algumas edições do BBB. Acho que o último foi o da Grazi Massafera, vencido pelo Jean Wyllys, hoje deputado federal. Em alguns momentos, o programa até teve vida inteligente. Ou, pelo menos, fez rir. Agora, não tem mais graça. É repetição. É mais do mesmo.

Tenho a impressão que ano após ano só mudam as caras. As bundas, peitos, coxas e músculos são os mesmos. Ah… tem também um e outro gay, um pseudo-intelectual… e por aí vai. São as gostosonas e os saradões, mais as figurinhas que o Boninho arruma pra garantir a diversidade de gêneros.

Neste ano, pra ajudar a escolher mais alguns integrantes do reality show, voltou a tal Casa de Vidro – a gaiola humana para o exibicionismo de formas e curvas devidamente definidas em academias de ginástica e pelo bisturi dos cirurgiões plásticos. Sinceramente, não sei quem são os maiores imbecis: os que ficam lá dentro se exibindo ou os que ficam do lado de fora espiando.

O BBB é mesmo um negócio muito louco. E o poder de sedução da Globo, impressionante. Mesmo quem não assiste, sabe tudo do programa. Não é preciso ver. Apenas estar conectado aos meios de comunicação. Em algum lugar, a gente fica sabendo das novidades. E as redes sociais estão aí pra nos manter conectados no programa.

Quanto aos que ainda assistem, tenho a impressão que os homens ficam grudados na telinha por causa do desfile de belas mulheres. Já algumas mulheres sublimam seus desejos com os saradões de plantão ou se divertem com as fofocas e intrigas – ambiente relativamente conhecido por muitas delas. Mas, enfim, ninguém vê o BBB porque encontra vida inteligente ali.

Bom, duvido muito que este ano seja diferente dos anteriores. A espiadela na galeria dos já selecionados, nos que estão engaiolados… não revela nada além do cardápio já conhecido (muita carne e alguns temperinhos). Mas não dá pra reclamar. O BBB nada mais é que o retrato da cultura dominante brasileira. E a TV só oferece o que o público deseja.

Então, vamos adiante…

Big Brother Brasil: o ano finalmente começou

Saiu a lista dos participantes do BBB 12. É, gente, o ano finalmente começou. Pro bem e pro mal. Tenho repetido aqui: o Big Brother nos lembra que o ano velho começa de novo. Não tem saída. E as carinhas novas dos “nossos heróis” já estão nos principais sites de notícias.

Relaxem, caríssimos, o rabugento aqui não vai reclamar de quem assiste o reality show. Reconheço que, nesta época do ano, o programa acaba sendo uma das poucas atrações da tevê aberta. E as bobagens dos participantes, exibidas em rede nacional, acabam entretendo, divertindo.

Ainda acho que deveríamos gastar tempo com outras coisas. Ler um livro, por exemplo. Desligar a tevê sempre é uma boa escolha. Ainda assim, quem optar pelo BBB 12 não encontra aqui um inimigo.

Minha birra com o programa é com a incapacidade de renovar-se. Da mídia e de todos nós. Falamos tanto que queremos o novo, buscamos o novo, queremos ousar, ser diferentes, mas preferimos o mais cômodo. Desejamos ser surpreendidos, desde que a surpresa já seja esperada.

Ah… convenhamos!

Para quê então pedimos por um futuro bom? Apenas para que seja o eternizar do passado?

Prefiro rir de piadas novas – ainda que sejam sem graça. Mas quero que sejam autênticas. Não quero o velho travestido de novo. É isto que o BBB nos traz.

BBB 11, Veríssimo e a internet

Tenho repetido que a internet é terra de ninguém. Ambiente próprio para que verdades e mentiras circulem com a mesma autoridade. Gente famosa, conhecida divide espaço com milhares, milhões de anônimos que também ganham status de produtores de conteúdo. Todos podem consumir informações, dar ou compartilhar notícias.

Hoje, Arnaldo Jabor comentou na CBN que a internet é uma criação mais significativa que a própria imprensa. Tomando como exemplo os conflitos no Egito, ele tratava disso no contexto das revoluções que têm sido possíveis em função das redes sociais.

Concordo que a internet é revolucionária. Porém, como pontuei no primeiro parágrafo, é terra de ninguém. Pessoas dotadas de inteligência e responsabilidade circulam por aqui ao lado de outras tantas sem nenhum compromisso. Apenas com a ousadia e/ou coragem permitidas pelo anonimato ou por contarem com a precipitação alheia que transforma boatos em verdades absolutas.

Ainda nesta manhã lia um suposto texto de Luís Fernando Veríssimo. Nele, o cronista e escritor simplesmente desconstruía o BBB 11. Por sinal, há vários argumentos interessantes no tal artigo. Entretanto, embora não seja especialista em Veríssimo, estranhei o estilo e, como aprendi a desconfiar de tudo que circula na rede, pesquisei o famigerado texto.

Como supunha, nada prova que seja do Veríssimo verdadeiro, o gaúcho, autor premiado e colunista de grandes jornais. Além disso, quem faz circular o artigo tratou de atualizá-lo, já que uma versão semelhante circula desde os tempos do BBB 10.

Na prática, a situação só reforça minhas crenças que a gente precisa ter um pouco mais de bom senso e desconfiança com o que vê ou com o que é falado na internet. Não é por que um texto vem assinado como do Jabour, do Veríssimo, do Alexandre Garcia ou seja lá quem for que vamos sair por aí afirmando: viu o que fulano escreveu? Reproduzindo algo que pode não passar de mais uma tremenda bobagem.

Ainda há pouco, apontei que há argumentos interessantes nesse texto. Porém, o “artigo” perde autoridade por seu autor simplesmente não ter a capacidade de assiná-lo, de dizer quem é. Lamentável.

Cá com meus botões, penso que não é preciso ser um Veríssimo para questionar os valores – ou a falta deles – no Big Brother. E, convenhamos, também não será o Veríssimo ou outro intelectual famoso que vai levar o povo a deixar de ver o programa global.

Quem tem medo do mundo real?

Anos atrás este não seria um assunto a ser discutido. Ter uma vida paralela era sinônimo de segredos reais, no mundo real. Algo do tipo “relacionamento proibido”, “amante”, “histórias escondidas no passado”… Fatos que não podiam ser revelados – por envergonhar ou pelo potencial de escândalo. Nunca se imaginava que o real pudesse se confundir com o virtual, onde o imaginário se torna tão ou mais importante que as experiências concretas, que se dão num determinado tempo e lugar.

Nesta semana, depois de deixar a casa mais vigiada do Brasil, a jovem Tessalia postou no Twitter: “Acho que me dou melhor com pessoas virtuais mesmo”. Tessalia foi eliminada do Big Brother Brasil. Teve 78% dos votos. Uma rejeição recorde num paredão triplo. Ela foi reprovada por boa parte dos concorrentes ao prêmio do programa. Também desagradou muita gente aqui fora.

Não tenho aqui a intenção de discutir o comportamento da paranaense. Nem pretendo apontar os motivos que resultaram em sua eliminação do BBB. Quero apenas refletir sobre a frase que publicou no microblog. Em poucas palavras, Tessalia resumiu uma grande verdade. Hoje, não são raras as pessoas que preferem o mundo virtual ao real. A vida virtual, construída nas relações que se dão pela rede mundial de computadores, parece exigir menos comprometimento. Os conflitos podem ser eliminados pelo simples ato de deletar ou excluir um perfil.

Tessalia é um exemplo dessa geração virtual. A jovem tem cerca de 100 mil seguidores no Twitter. Gente que acompanha e interage com a paranaense. Pela rede, Tessalia faz amigos, conversa, se diverte. Ela se revela, dá opinião, é “dona de si”. Mas e no mundo real? No trato com as pessoas, no dia-a-dia, dentro de uma casa vigiada por câmeras, sob o olhar de milhões de espectadores, essa garota, que faz sucesso nas redes sociais, simplesmente sucumbiu. Por isso, ao dizer que se dá melhor com pessoas virtuais, Tessalia aponta que há uma nova forma de viver, de se relacionar, de fugir. É o grito de alguém que reconhece ter dificuldades para atender as expectativas do outro.

Ela não é única. A internet, as novas tecnologias, as redes sociais formam um universo paralelo que nos realiza e dá prazer. Parecem atender nossos sentidos, a vontade de ser alguém. Nela, fugimos ou nos revelamos. Somos anônimos ou celebridades. Podemos usar todas as máscaras, correr riscos, falar o que desejamos, dar vazão aos nossos instintos de “voyer” expiando, monitorando a vida alheia. Conseguimos nos realizar sendo o que gostaríamos de ser e não o que de fato somos no mundo real.

O problema é que, quando desligamos o computador, saímos da rede, nos confrontamos com a dura realidade. Nela temos de olhar nos olhos, falar ou agir diante de pessoas que nos veem, que sentem as palpitações de nosso coração. O medo, a insegurança, o desejo de sermos queridos, desejados, aprovados nos sobressaltam, assustam.

Mas se a fuga para o virtual nos consola; por outro lado, não põe fim a eterna angústia de nos sentirmos gente. Se abrirmos mão das pessoas reais, do mundo real, estaremos abdicando do direito de viver.

O público e o Big Brother Brasil…

Janeiro, fevereiro… Na verdade, os primeiros meses do ano são reservados, na principal emissora de televisão do país, para a banalização do comportamento humano. Estou falando do Big Brother Brasil. O programa está em sua nona edição e, semelhante aos anos anteriores, faz do exibicionismo, da busca pela fama e dinheiro fácil armas para conquistar o público. E, por incrível que pareça, milhões de pessoas sentam nos sofás de suas casas para ver um grupo de homens e mulheres – quase todos jovens – desfilando diante das câmeras.

A fórmula do programa é conhecida. Não há nada ali que acrescente valores ao telespectador. Os participantes parecem escolhidos a dedo para revelarem o que há de mais fútil e questionável no caráter de um ser humano. Neste ano, um senhor de mais de 60 anos integra o Big Brother e, mesmo casado, já apontou que, para ganhar um milhão de reais, vale inclusive trair a esposa. E, fora do programa, a mulher concordou com o marido.

Sedução, namoro, intrigas fazem parte do cotidiano do BBB. Mesmo sem uma história pra contar, o programa faz sucesso.

Às vezes, fico pensando no público. Os participantes estão ali num jogo de ficção e realidade. Não parecem ter compromisso com nada e nem ninguém. Mas, e o público?

Sabe, há vários motivos para justificar a atração do Big Brother sobre as pessoas. Entretanto, nenhum deles passaria pelo filtro do bom-senso, da racionalidade. Bastaria pensar por alguns instantes na ausência de valores e no vazio proporcionado por esse espetáculo para desligar o botão da televisão.

O BBB é tudo que condenamos em nossos discursos cotidianos. No entanto, muitos de nós preferimos uma fuga da realidade para viver o espetáculo da mediocridade e ficar horas diante da telinha. Depois, trocamos o diálogo sobre a vida real por comentários sobre os relacionamentos, as confusões, os namoros e a beleza sedutora de alguns dos participantes do programa. Falamos sobre isso com nossos filhos, com nossos amigos, companheiros de trabalho…

Posso estar errado, mas penso que quando assim nos comportamos transferimos valor ao lixo. Trocamos os diamantes que a vida e Deus podem nos dar por banalidades que nada nos ensinam e que arruínam o nosso espírito e mente.

PS- Texto do programete produzido para a rádio Novo Tempo

BBB: o “estraga festa”

Estou falando por aqui sobre férias, dos planos para 2008… Mas tem uma outra coisa que gostaria de refletir com você: o mal-estar causado pelo Big Brother Brasil. Bem, talvez não seja só o BBB, mas uma série de outras coisas que estão relacionadas…

Deixa eu explicar melhor: a gente começa o ano novo cheio de expectativas. Todo mundo é assim. A gente faz planos, pensa em corrigir aquilo que errou no ano anterior, fazer aquilo que deixou pra trás… E aí tem de tudo. Desde a velha promessa do exercício físico até os planos para economizar, investir na bolsa de valores etc etc.

As coisas caminham bem nos primeiros dias. A gente comemora o reveillon, curte o segundo dia do ano e, quando você acha que o ano vai ser diferente, a Globo estampa a cara dos 14 participantes do novo Big Brother. Pronto, acabou a festa. Aquilo que parecia ser um sonho vira pesadelo.

O BBB na tela da tevê representa a repetição dos velhos hábitos. Pelo menos pra mim, não tem nada que mine mais minha esperança de construção de um ano melhor. Tudo bem que, em casa, posso desligar o aparelho e ficar longe das intrigas do reality show. Entretanto, não dá para fugir das dezenas de reportagens apresentadas nos mais diferentes sites, blogs e revistas. Muito menos dos comentários das pessoas em diferentes ambientes. Neste contexto, o Big Brother é o grande estraga festa.