Sem perder o prazer de escrever

escrever

Manter atualizado talvez seja o maior de desafio de ter um blog. Por isso, é natural que a empolgação se acabe depois de algumas semanas. Afinal, é preciso ter disciplina, motivação e assuntos variados para seguir com postagens regulares.

Às vezes, a pessoa tem disciplina, mas não tem assunto. Outras, tem assunto, mas não é disciplinado e o blog fica de fora da rotina diária. E há casos em que até existe disciplina e assuntos, mas falta motivação. Afinal, ter um espaço na rede significa também ter prazer em publicar.

Eu já vivi todas essas fases. Entretanto, nunca desisti. Faz oito anos que estou na blogosfera. Pensei parar várias vezes. E por motivos variados. Em cada uma dessas ocasiões, o blog acabou ganhando nova cara, uma nova identidade. As mudanças, nem sempre tão claras para os leitores (que vão mudando), foram a forma que encontrei para continuar publicando.

A última fase, diria, é certamente a melhor. Os textos passaram a tratar mais de relacionamentos, do comportamento humano. Vez ou outra, educação e mídia. O blog ganhou muitos leitores, gente que se identificou com as discussões.

Esses são assuntos que gosto muito. Tenho prazer em tratar disso. No entanto, não dá para ser irresponsável. As publicações não são baseadas em “achismo”. São resultado de estudos, leituras, impressões pessoais e respeito ao ser humano. Isso implica leitura, dedicação, observação. E não tenho dado conta disso. Tem faltado tempo. As atividades profissionais, e principalmente os estudos acadêmicos, têm tirado minhas energias. Por isso, pensar parar o blog. Ou pelo menos dar um tempo.

Mas quem diz que consigo parar de escrever? Não se trata apenas de um vício. É algo dentro de mim que me deixa “deprimido” se não publicar. Então, surgiu outro dilema: a identidade deste blog parece ter ido além do próprio autor. É como se determinados assuntos, em especial textos mais breves, não tivessem “espaço” aqui. Resolvi fazer outro blog. Abri a conta, comecei a trabalhar na configuração… Desisti. Quem disse que não posso seguir aqui? O que seria melhor: deixar de atualizar o blog para manter sua identidade ou publicar assuntos diversificados e vez ou outra os temas que têm feito sucesso junto aos leitores? Optei pela última opção. Sigo por aqui. Sem a rotina dos posts de comportamento, talvez até menos publicações, mas sem perder o principal: o prazer de escrever. 

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Minha filha estreia na blogosfera

Tempos atrás, compartilhei aqui um texto da minha filha. Na época, ela brincou:

– Você acha que dá para publicar no seu blog?

Bom, o texto veio parar aqui, teve vários comentários de amigos, principalmente no Facebook. Como pai, fiquei orgulhoso pelo que ela escreveu e muito pela repercussão que teve junto a pessoas queridas, que acompanham o que faço todos os dias. Afinal, ela tem apenas 11 anos.

Após aquele texto, achei que a Duda pediria outras vezes. Mas o assunto ficou meio quietinho. Entretanto, nas últimas semanas, minha baixinha pediu para eu abrir um blog pra ela. Pensei que poderia ser “fogo de palha”, como dizia minha mãe. Não foi. Topei a proposta da “moça” e ela estreou na blogosfera com um texto que considero uma homenagem de tirar o fôlego deste pai babão. Ou bobão.

O blog dela está na rede. E fica o convite aos amigos para passarem por lá. Ela vai ficar feliz em receber o comentário dos amigos.

Dicas para uso das redes sociais pelos candidatos

Já vi algumas pessoas incomodadas no Facebook por causa de amigos que se tornaram candidatos e agora querem usar a rede como palanque eleitoral. Isto também está acontecendo no Twitter. A atitude é natural da parte de quem está na disputa. Faz parte da prioridade do sujeito: conquistar votos. Entretanto, o que quase sempre se ignora é que, dependendo do jeito que forem usadas essas redes, o “tiro sai pela culatra”. 

Facebook e Twitter, também blogs e outras mídias sociais, podem ser ferramentas úteis para tornar conhecido o projeto político de um candidato. Entretanto, pouca gente tem a habilidade necessária para transformar o potencial dessas mídias em votos. A chance maior é de encher o saco dos amigos e perder, inclusive, os votos dos mais próximos.

É fato que as redes podem ajudar a conquistar votos. Mas, para isso, é fundamental que exista uma estratégia, um profissional que cuide desse trabalho para o candidato. Não para ser o sobrinho, o filho…

Eu, por exemplo, ando irritado com os “bonitinhos” que nunca curtiram uma publicação minha e agora aparecem dando bom dia, mandando recadinhos ou pedindo que eu não esqueça deles no dia das eleições. Desculpa aí, mas não vai rolar. Se pentelharem demais, vou acabar excluindo-os.

As redes têm como característica o relacionamento, o compartilhamento de informações. É para aproximar, disseminar ideias, propor discussões… Pedir votos, na cara dura, não funciona. Ficar divulgando o número toda hora, pior ainda. Mostrar fotos da campanha, irrita. Todo mundo sabe que são posadinhas, por vezes, forçadas.

Sinceramente, não tenho um modelo para propor. Sei apenas que, se dependesse do meu desejo de “consumo”, gostaria que o candidato tivesse um blog para falar o que pensa a respeito de alguns temas relevantes. Mas nada daquele discurso idiota que aparecem falando na TV, no rádio. Apresentar o que pensam de coração aberto. Textos com emoção, sentimento.

No Facebook, gostaria de ver a pessoa de sempre – aquela do tempo em que não estava em campanha. Talvez, vez ou outra, alguma coisa curiosa, engraçada da campanha, um comentário interessante sobre um fato ocorrido nas ruas… Algo que humanize o candidato. Já o Twitter, serviria para discutir ideias, dizer o que está vendo nas ruas, falar da agenda, fazer uma outra brincadeira, críticas fundamentadas sobre adversários… E tudo bem escrito. E sem exageros (sem publicar demais, porque cansa). Detalhe, no microblog, deixaria claro que se trata, neste momento, da conta de um candidato (quem sabe, até faria um exclusivo só pra isso; ninguém que tem um amigo na rede é obrigado a “ganhar de presente” um candidato).

Não sei se seria um bom modelo. Mas, como cidadão, eleitor e leitor, acho que acompanharia a produção de conteúdo de um candidato que respeitasse essas “regrinhas”.

Como fazer um blog de sucesso

Uma amiga quer abrir um blog. E quer atualizá-lo diariamente. Está animada. Acredita que os blogues não morreram. Mas quer saber o que pode garantir relevância para sua página pessoal.

De verdade, eu também queria a receita. Queria a “fórmula mágica”.

Ela não existe.

Recordo que anos atrás, na internet, encontrávamos dicas e mais dicas sobre o que fazer para ter um blog de sucesso. Muitas informações listadas eram relevantes. E continuam atuais. Entretanto, ainda que se faça aparentemente tudo certo, ninguém garante que aquilo que a gente produz vai cair nas graças dos leitores.

Ter um bom texto é fundamental. Mas tem um monte de gente que escreve mal pra caramba e recebe centenas de acessos.

Ter conteúdo criativo e inteligente é básico. Porém, a maioria dos blogs que “bombam” na rede só apresentam bobagens. É conteúdo inútil.

Um visual bonito e boa distribuição de imagens e textos facilita a leitura, gera empatia e até credibilidade. No entanto, é fácil encontrar páginas que não fazem nada disso e são sucesso. O contrário também é verdadeiro.

Alguns aspectos ajudam. Ser polêmico, passional, provocativo, ousado, ter uma linha temática definida, não medir muito as palavras, escrever de um fôlego – com emoção – geralmente são características dos blogs de sucesso.

No mais, é deixar rolar. Escrever por prazer. Se dez pessoas acessarem, está valendo. Se forem dez centenas, melhor. Mas nunca se deixar levar pelo número de leitores. Escrever pensando na quantidade de visitantes tira a autenticidade do autor.

Os blogs estão morrendo?

Não acredito nisso. Embora perceba que o modismo passou. Semelhante ao parece estar acontecendo com o twitter. Não significa que vão morrer. Deixar de existir. Creio que apenas se tornaram comuns; são serviços já conhecidos. Fazem parte do cotidiano das pessoas. Portanto, não despertam mais o mesmo interesse.

Refletia a respeito do assunto enquanto preparava uma de minhas aulas. Nesta quinta-feira, pretendo falar sobre os blogs numa das disciplinas. A base da discussão que farei com meus alunos está num texto científico escrito em 2007. Na época, estávamos no auge dos blogs.

Como disse aqui na última segunda-feira, fiz minha estreia na blogosfera em 2005. Recordo que, em Maringá, dava para contar nos dedos os blogs existentes. No entanto, aos poucos, a rede foi tomada por eles. Hoje, dá trabalho saber quantos existem. Gente ligada aos meios de comunicação e outros tantos quase anônimos estão escrevendo.

Entretanto, o fôlego já não é o mesmo. Tenho a impressão que as pessoas preferem compartilhar informações muito mais pelo Facebook. É mais simples, rápido e a interação, bastante eficiente. É fácil comentar, compartilhar. E dá para num mesmo espaço fazer mais que simplesmente isso. Ainda temos ali a lista de amigos, conhecidos etc etc com quem podemos bater papo, cutucar, convidar para ler o que escrevemos… enfim.

Mas creio que isso não vai acabar com os blogs. Estes antigos diários pessoais ganharam novas funções. Mantêm a característica de uma página pessoal, que traduz a personalidade e as emoções do autor; no entanto, permitem a publicação de textos mais elaborados, reflexões e principalmente para debates especializados em determinados segmentos.

Sem a formalidade de um site, é possível encontrar blogs sobre cultura, moda, beleza, saúde, política, economia, esporte etc.

E, com o fim do modismo, temos algumas vantagens. Tornaram-se conhecidos; então, sofrem menos preconceitos (antes, questionava-se: “ah… mas é blog?”). Quem gosta de escrever, produz com mais qualidade; interage usando as demais redes sociais; e, para o leitor, tornou-se possível saber quem é quem é nos blogs – afinal, os melhores já tem um certo histórico, um passado.

Tirando o twitter do facebook

Tempos atrás publiquei aqui sobre o uso das redes sociais. Apontei que cada uma delas tem uma característica e que merece um conteúdo específico. Na época, também disse que estamos em todos os lugares. Por isso, não damos conta de fazer algo “personalizado” para cada um desses espaços. Entretanto, concluí que, se quero continuar usando as redes, devo fazer isso de maneira minimamente coerente. Afinal, se dou aula no Ensino Superior sobre esse universo digital, como posso produzir de maneira inadequada?

O primeiro passo foi dado hoje. Prestes a completar seis anos usando a rede, comecei minha “comemoração pessoal” tirando o meu twitter do facebook. A partir de agora, pretendo separar o uso das redes. Claro, vou continuar repercutindo os textos do blog em todos esses espaços. Entretanto, a proposta é respeitar as características de cada uma dessas redes e usá-las da melhor maneira possível.

Vai dar certo? Difícil responder. Mas entre erros e acertos, penso, sempre aprendemos. Então, vamos em frente.

Como usar corretamente blog, twitter, facebook e outras redes sociais

Dia desses estava papeando com a Passarelli sobre o uso das redes sociais. Ela sustentava a diferença que existe entre o Twitter e o Facebook. Apontava que o ideal é não vincular as contas, principalmente no caso de empresas. São duas ferramentas distintas, que reclamam uma interação diferente com seguidores, fãs e amigos.

Depois da conversa e, diante da minha realidade, fiquei pensando no quanto dá trabalho dialogar com todas essas mídias (ah… ainda acho graça das pessoas que montam perfis para empresas; mas está todo mundo tentando fazer a coisa certa – e isso é legal).

Em 2005, estreei meu primeiro blog. Desde então, venho tentando me manter atualizado e experimentando todas as novidades.

Fui mais resistente com o Orkut, porque não gosto do caráter tão pessoal que ele tem. Quase um álbum de fotografias. Mas acabei cedendo.

Em Maringá, fui um dos primeiros a ter uma conta no Twitter. Na verdade, o primeiro jornalista. Na época, nem tinha tinha gente aqui para seguir – muito menos para ser seguido. Fiquei com uma meia dúzia de seguidores por vários meses. Nem dava ânimo tuitar.

Depois, ainda abri contas no Linkedin, Foursquare… enfim.

O blog sempre foi minha grande paixão. Primeiro, para postar notas – geralmente os bastidores das matérias que produzia ainda para o Hoje Maringá (atualmente, Hoje Notícias). Com o tempo, fui abrindo novos blogs, experimentando outros provedores… e acabei tornando este aqui meu principal espaço para reflexão.

Pela vontade de tornar este espaço mais pessoal, acabei deixando de publicar o factual, as notas e serviços. O desejo de também fazer isso já me fez abrir outros vários blogs, principalmente para experimentar ferramentas como o Posterous e o Tumblr.

Acontece que com tantas “casas” na rede simplesmente não dou conta delas. Nenhum espaço é priorizado. E no caso do blog, twitter e facebook, acabei integrando todos eles e tudo que produzo é repercutido nessas mídias. O conteúdo é praticamente pensado para os blogs e repercutido nos demais espaços.

Na perspectiva de um uso produtivo dessas mídias sociais, está tudo errado. Melhor, tudo não. Quase tudo. O blog não é o twitter e nem o twitter é o facebook. Mas como dar conta de ser significativo nessas diferentes redes? Não dá. Pelo menos, por enquanto, ainda não achei a minha fórmula para dar conta. Por isso, vou tentando, experimentando, errando… E, quem sabe em algum momento, acerte.

Liberdade de expressão: sabemos usar?

Creio que não. E não só por aqui. O que dizer desse americano que se passou por uma blogueira lésbica? Detalhe, além de criar essa personagem, saiu-se com com a informação de que estaria sofrendo represálias e, por fim, teria sido presa por forças de segurança da Síria.

O que dizer dos milhares de anônimos que fazem circular conteúdo duvidoso ou de ataque moral?

E os pedófilos?

Gente, o que não faltam são crimes na rede.

Tenho dito que a internet é terra de ninguém; que se “gato por lebre”. Mas também tenho apontado que o universo digital é a representação maior da democracia – tanto pelo acesso quanto pela produção de conteúdos. Hoje, todo mundo pode ler o que quiser e pode escrever o que bem entender.

Entretanto, tamanha liberdade parece nos fazer mal. Ao invés de haver um uso racional, produtivo, construtivo deste espaço, faz-se dele um território minado onde o sujeito-leitor tanto pode pisar com segurança quanto sair ferido.

O que esse americano fez foi totalmente irresponsável. Um desserviço a quem gasta seu tempo, trabalhando de maneira cuidadosa, ética, moral para construir um ambiente digno da confiança do leitor.

Mas ele foi pego. E os outros tantos que circulam por aí?

O que me preocupa é que a irresponsabilidade de alguns prejudica outros tantos e pode, inclusive, colocar em xeque a liberdade que temos. Por exemplo, os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática aprovaram um requerimento convocando os presidentes dessas empresas para tratar da circulação de conteúdo no Facebook e Orkut. Eles querem conhecer os mecanismos existentes para rastreamento de informações veiculadas nesses serviços.

Ou seja, daqui a pouco, por causa da imbecilidade de alguns, todos nós viveremos dentro de um sistema constante de vigilância, num espaço em que a liberdade poderá ser apenas uma utopia de uma democracia fingida.