Os políticos têm a nossa cara

voto

O brasileiro reclama muito dos políticos, mas ainda é facilmente iludido por eles. A disputa eleitoral deste ano mais uma vez provou isso. O cenário eleitoral foi manipulado pelo marketing dos candidatos e o resultado nas urnas deve refletir a imaturidade da sociedade brasileira.

Eu costumo dizer que o cenário político reflete o próprio cidadão. Na hora do voto, todas as representações equivocadas que o sujeito tem de si e do país aparecem na escolha que faz ao teclar os números na urna eletrônica. Por isso, não são os políticos que são ruins; ruins são nossas escolhas. E nem adianta falarmos que não existem opções. Opções existem, apenas não temos disposição para um aprofundamento do debate democrático. Votamos pela imagem dos candidatos, não pelo que eles de fato são.

O que dizer dos Tiriricas da vida? De deputados, senadores e até governadores envolvidos em atos de corrupção que são reeleitos? Não são raros os gestores que demonstraram incapacidade em cuidar de seus estados (têm aqueles que não pagam as contas, deixam faltar água pro cidadão etc) e que ainda assim são os preferidos dos eleitores.

Por isso, os problemas do Brasil não são dos políticos; os problemas são nossos. O Brasil tem a nossa cara, o nosso jeito. Então, antes de votar, vale lembrar: voto não se decide por rostinho bonito, fala simpática, nem por imagens que passam na televisão. Voto se dá com base em fatos reais. Não é só coração, é principalmente o exercício da razão. Portanto, não dá pra esquecer disso: o Brasil será melhor à medida que formos melhores cidadãos.

Pastor ou político? Nunca as duas coisas

pastor

O Tribunal Superior Eleitoral registrou, em comparação a 2010, um aumento de 40% no registro de candidaturas de pastores para as eleições deste ano. Pois é… Pelo menos, 270 pastores estão na disputa. Um deles, inclusive, o pastor Everaldo, concorre à presidência da República.

Sabe, talvez eu esteja errado. Talvez eu até mude de ideia com algum comentário… Ou, com o passar dos anos. Entretanto, embora seja cristão, eu não voto em pastor. Não concordo com a participação deles na política. Muito menos na disputa por cargos. Acho que membros de igreja, e até alguns líderes, podem participar do pleito, mobilizar-se por candidatos etc. Mas pastor, não dá.

Algo que me incomoda profundamente é o uso da condição de pastor na disputa. O sujeito tem uma relação de autoridade junto aos fieis. É respeitado, querido… Visto como uma pessoa de Deus. Muitas vezes, trata-se de alguém que mobiliza milhares de pessoas. Tem sob sua administração dezenas de outros pastores, presbíteros, diáconos etc. Toda essa estrutura acaba perdendo seu principal objetivo e servindo a um propósito político-eleitoral.

Para mim, igreja é igreja. É para tratar da espiritualidade das pessoas. É para cuidar das fragilidades, das dificuldades – inclusive emocionais. Pastor que se torna político rompe com os princípios bíblicos. A política pode ser um espaço para servir ao próximo, mas em nada se parece com o serviço pastoral. Os papéis são outros. Por isso, penso que o pastor que deseja ser político deveria renunciar a função de líder religioso.

E o pior problema, na minha opinião, é que pastor, quando eleito, torna a igreja um espaço político de mobilização de interesses que nem sempre são espirituais. Há pastores que manipulam os fieis, direcionando-os em defesa ou em oposição a determinadas ideologias políticas. E não é isso que a Bíblia apresenta como papel do cristão. Além disso, na política, alguns desses pastores passam a atuar em defesa de bandeiras moralistas, ignorando o bom senso e contrariando o que é de fato a real função do Estado (veja o caso de gente como o deputado Marco Feliciano).

Por fim, a maioria deles envergonha as religiões cristãs, cria uma imagem estereotipada do que é ser crente… Sem contar que contribui para a manutenção da ideia de que “crente é tudo igual”.

PS, Também há bispos e padres na disputa eleitoral. Mas, em comparação à última eleição, houve uma redução de 25% e 30%, respectivamente. Embora a igreja Católica seja muito maior no país, o número de bispos e padres candidatos, somados, não representa 30% dos pastores que estão na disputa. Ainda assim, penso que a reflexão sobre pastores-candidatos também é válida para o caso de bispos e padres que se rendem à sedução da política.

As revistas da semana

VEJA: Mas nem uma palmadinha? A proibição das palmadas. Pais, professores, cuidadores de menores em geral estão proibidos de beliscar, empurrar ou mesmo dar “palmadas pedagógicas” em menores de idade. Um projeto de lei que proíbe a prática do castigo físico foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para marcar os 20 anos de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ainda nesta edição, a aprovação do casamento gay na Argentina, o Vaticano decide punir com rigor os padres pedófilos e um especial sobre “vendas porta a porta”: ocupação de 2,5 milhões de brasileiros.

ÉPOCA: – A riqueza dos políticos. Quem mais enriqueceu durante o último mandato; os candidatos com as maiores fortunas; e por que tantos dizem guardar dinheiro embaixo do colchão. Profissão: herdeiro. O poder das famílias sobre as obras de autores clássicos. Educação, quatro ideias para o próximo governo. E ainda, ele nem quer saber o que diz a lei eleitoral. Lula não para de fazer propaganda de Dilma – e os órgãos do governo continuam usando a máquina em favor da candidata. E ainda, o prazer delas ficou importante. Para eles. Uma pesquisa sobre comportamento sexual masculino sugere que eles mudaram. Mas ainda mentem sobre seu desempenho.

ISTO É: – O reinado do filho único. Especialistas garantem que crianças que crescem sem irmãos podem se tornar adultos tão ou mais saudáveis do que aqueles que crescem em grandes famílias. A força da mente. A ciência comprova que mudar a maneira de pensar é um remédio eficaz contra males como depressão, dor crônica e alcoolismo. E ainda, receita para quebrar sigilo. Corregedor confirma à ISTOÉ que apenas um funcionário, de São Paulo, é suspeito de violar dados de dirigente tucano. Mas o caso levanta outra dúvida: o cidadão comum está protegido?

CARTA CAPITAL: – Um leão sem critérios. Ao contrário do que diz o senso comum, o Brasil não paga impostos demais. O problema é um sistema kafkiano que alimenta a desigualdade, pune quem produz e inibe o emprego. No xaxado com Lampião. A octogenária Alzira Marques recorda os bailes animados organizados pelo rei do cangaço. Em busca da perfeição. A ciência quer entender as preferências estéticas de homens e mulheres.